Yanomami: Políticas Públicas no território indígena no município de Iracema-rr



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Yanomami: Políticas Públicas no território indígena no município de Iracema-RR. 

*Tadeu de Souza Menezes –PPGGEO - UFRR 



** Maria Barbara de Magalhães Bethonico -PPGGEO UFRR 

RESUMO:  

O presente artigo permite uma reflexão a respeito das políticas públicas: saúde e educação   de competência da 

União,  estado  e  município  destinado  ao  povo  Yanomâmi  no  município  de  Iracema-RR,  localizado  na  Terra 

Indígena Yanomâmi homologada em 1992. Abrangendo 08 municípios nos estados de Roraima e Amazonas na 

fronteira com a Venezuela, se tornando a maior terra indígena no território brasileiro.  Ao passo, o município de 

Iracema localizado no centro-oeste do estado de Roraima, na mesorregião sul, limitando ao Norte com o município 

de Mucajaí e Alto Alegre; ao sul com o município de Caracaraí; a leste com o município de Cantá e oeste com o 

estado do Amazonas e Venezuela. Possui sua distribuição territorial correspondente a 83,12% de Terra Indígena 

Yanomâmi e 16,88% ao município. Com artigo pretendemos analisar as políticas públicas no cotidiano do povo 

Yanomâmi. O artigo está composto da Introdução; a) O município de Iracema-RR na Terra Indígena Yanomâmi; 

b)

 

Políticas  Públicas:  Saúde  e  Educação  para  os  indígenas;  c)  Políticas  Públicas:  no  cotidiano  Yanomami  d) 



Considerações  Finais.  Para  tanto,  foi  realizado  o  levantamento  bibliográfico  a  partir  de  artigos,  trabalhos  de 

conclusão  de  curso,  dissertações,  teses,  relatórios,  livros  que  serviram  de  base  na  reflexão  e  contribuição  para 

análise da situação das políticas públicas destinado ao povo Yanomâmi naquele município no que diz respeito a 

saúde e educação. 

   

 

Palavras-Chave: Iracema-RR, Terra Indígena Yanomâmi, Políticas Públicas. 



 

INTRODUÇÃO: 

 

O  presente  artigo  busca  uma  reflexão  a  respeito  das  políticas  públicas  referente  a 

saúde  e  educação  destinado  aos  Yanomami  no  estado  de  Roraima,  tendo  como  recorte 

geográfico o município de Iracema, localizado no centro-oeste do estado de Roraima, limitando 

ao Norte com o município de Mucajaí e Alto Alegre; ao sul com o município de Caracaraí; a 

leste com o município de Cantá e oeste com o estado do Amazonas e Venezuela. Assim, como 

a Terra Indígena Yanomami homologada em 1992, que correspondente a 83,12% da extensão 

territorial do município. 

 O artigo está distribuído da seguinte forma a) Introdução; b) Os Yanomami – onde 

mencionaremos informações sobre o povo Yanomami;  c) O município de Iracema-RR e a Terra 

Indígena  Yanomâmi:  onde  abordaremos  a  criação  do  município  de  Iracema,  assim  como  o 

processo  de  homologação  da  Terra  Indígena  Yanomami;  d)  Políticas  Públicas:  Saúde  e 

Educação para os indígenas – Neste tópico abordaremos as atribuição 

______________________________________________________________________ 

 *

Tadeu  de  Souza  Menezes,  email:  tadeumenezes81@gmail.com,  mestrando  na  Universidade  Federal  de 



Roraima/Programa de Pós-Graduação em Geografia. 

**  Professora  Doutora  Maria  Barbará  Magalhães  Bethonico,  email:

maria.bethonico@ufrr.br

,  Universidade 

Federal de Roraima/Programa de Pós-Graduação em Geografia. 

 


dos Distritos Sanitários Especiais  Indígenas  –  DSEIs,    como unidade de execução das  ações 

destinadas  à promoção,  proteção e recuperação  da saúde do índio, objetivando o  alcance do 

equilíbrio biopsicossocial, com o reconhecimento do valor e complementaridade das práticas 

da medicina indígena, segundo peculiaridades e o perfil epidemiológico de cada comunidade; 

Destacamos também neste tópico  a educação destinada aos povos indígenas, o direito a uma 

educação  escolar  específica,  diferenciada,  intercultural,  bilíngue/multilíngue  e  comunitária, 

conforme  define  a  legislação  nacional  que  fundamenta  a  Educação  Escolar  Indígena;  e) 

Políticas Públicas: Saúde e Educação no cotidiano  Yanomami – Destacamos  a real situação 

do  povo  Yanomami  no  estado  de  Roraima,  tendo  como  recorte  geográfico  o  município  de 

Iracema no que diz respeito a saúde  e educação; f) Considerações Finais.  

Para tanto, foi realizado o levantamento bibliográfico a partir de artigos, trabalhos de 

conclusão de curso, dissertações, teses, relatórios, livros, visitas ao Dsei  Yanomami em  Boa 

Vista-RR, a Secretaria de Educação e Saúde do município de Iracema, a associação Yanomami 

Hutukara, que serviram de base na reflexão e contribuição para análise da situação das políticas 

públicas  destinado  ao  povo  Yanomâmi  naquele  município  no  que  diz  respeito  a  saúde  e 

educação. 



 

1.0 Os Yanomamis  

 

O povo Yanomami é formado por quatro subgrupos adjacentes que falam línguas da 

mesma família (Yanomae, Yanõmami, Sanima e Ninam). A população total dos Yanomami, no 

Brasil e na Venezuela,  é estimada em  cerca de 38.121 indígenas em 2019. Sendo 26.780 no 

Brasil (Sesai/Dsei Yanomami, 2019) e 11.341 na Venezuela (INE, 2011). 

Constitui-se  uma  das  maiores  populações  isolados  da  América  do  Sul.  Vivem  nas 

florestas  e  montanhas  ao  norte  brasileiro  e  sul  do  território  Venezuelano.  Com  mais  de  9,6 

milhões de hectares, a terra Indígena Yanomâmi é maior no Brasil. Em território Venezuelano, 

os  Yanomâmi  vivem  na  Reserva  da  Biosfera  Alto  Orinoco-Casiquiare,  de  8,2  milhões  de 

hectares. Juntas, formam o maior território indígena do mundo coberta pela grande diversidade 

amazônica. Entraram em contato direto com invasores na década de 1940 quando o governo 

brasileiro enviou equipes para delimitar a fronteira com a Venezuela. No período o Serviço de 

Proteção aos Índios (SPI) e grupos religiosos, missionários se estabeleceram em seu território. 

Ocasionando  as  primeiras  epidemias  de  sarampo  e  gripe,  resultando  na  morte  de  muitos 

Yanomâmi (SURVIVAL, 2019). 


O  governo  militar  na  década  de  70  construiu  uma  estrada  cortando  a  Amazônia  ao 

longo  da  fronteira  norte.  Tratores  percorreram  comunidades,  onde  aldeias  inteiras 

desapareceram  em  decorrência  das  doenças  trazidas  pelos  brancos  invasores.

 

Na  década  de 



1980,  os  Yanomâmi  sofreram  quando  grandes  números  de  garimpeiros  brasileiros  (40.000) 

invadiram  suas  terras,  atirando  contra  os  indígenas  e      destruindo  muitas  aldeias,  no  qual 

expuseram  a  doenças  para  as  quais  não  tinham  imunidade.  Grande  parte  da  população 

Yanomâmi  morreram  em  apenas  sete  anos.

 

Depois  de  uma  longa  campanha  internacional 



liderada por Davi Kopenawa, a terra Yanomâmi no Brasil foi finalmente demarcada em 1992 e 

ficou conhecida como o Parque Yanomâmi, onde os garimpeiros foram expulsos (SURVIVAL, 

2019).

 

É importante frisar que a invasão de garimpeiros à terra Yanomâmi continua. Alguns 



Yanomâmi  têm  sido  envenenados  e  expostos  a  ataques  violentos.  As  autoridades 

governamentais pouco têm feito para resolver tais problemas. Além disso, no cenário político 

brasileiro  muitos  gostariam  de  ver  o  território  Yanomami  reduzido  e  aberto  à  extração  de 

mineração, atividade de pecuária e a colonização. 

 

2.0  O município de Iracema-RR e a Terra Indígena Yanomâmi  

 

O  município  de  Iracema  está  localizado  no  centro-oeste  do  estado  de  Roraima,  na 



mesorregião sul, com coordenadas geográficas 61°03’01’’ de longitude Oeste e 02°10’21” de 

latitude Norte. Ao Norte faz limite com o município de Mucajaí e Alto Alegre; ao sul com o 

município de Caracaraí; a leste com o município de Cantá e oeste com o estado do Amazonas. 

Sua sede está na cidade de Iracema, antiga Vila Iracema, um aglomerado rural que pertencia ao 

município de Mucajaí no estado de Roraima. 

A extensão territorial do município de Iracema, conforme o IBGE (2017) corresponde 

a 14.351,133 km², com uma densidade demográfica 0,6%, contando como 8.676 habitantes, de 

acordo  com  o  IBGE  (2010).  Dos  100%  do  território,  83,12%  pertence  a  Terras  Indígenas 

Yanomâmi (TIY) com uma população estimada de 10.598I indígenas (SEPLAN, 2014). 

Para Freitas (1997), em sua análise do processo de evolução da distribuição geopolítica 

do Estado de Roraima, indica que “o município de Iracema foi emancipado em 04 de novembro 

de 1994, com a lei estadual de nº 83 com terras desanexadas da cidade de Mucajaí”. Ottomar 

Pinto,  governador  de  Roraima  na  época,  criaria  novos  municípios,  reconfigurando  assim  a 

divisão  político-administrativa  roraimense,  em  “seu  governo  as  políticas  de  cunho 

assistencialistas  e  procurando  alargar  sua  influência  aumentando  sua  base  política  como  a 


criação  de  novos  municípios  em  1994”,  buscando,  por  outro  lado,  “formar  base  de 

enfrentamento  contra  a  demarcação  e  homologação  das  Terras  Indígenas  em  Roraima 

compromisso que fazia parte de sua política nas três vezes em que foi Governador”. Esses nova 

formação territoriais ocorrem, de acordo com Freitas (2009), “em 1994 e 1995, com a criação 

dos  municípios  de  Caroebe,  Rorainópolis,  Iracema,  Cantá,  Amajari,  Pacaraima  e  Uiramutã, 

perfazendo os atuais 15 municípios de Roraima”. Conforme a Imagem 01 seguir. 

 

Imagem 01- Estado de Roraima -  Divisão politica 

 

Fonte: Instituto de Terras e Colonização de Roraima. 



 

A Terra Indígena Yanomâmi (TIY) foi homologada em 1992, com 9.664.975 hectares, 

abrangendo oito municípios nos estados de Roraima e Amazonas na fronteira com a Venezuela, 

é considerada a maior terra indígena do Brasil. 

Os  Yanomâmi  tiveram  seu  momento  marcante  no  regime  militar,  com  as  políticas 

públicas de ocupação da Amazônia, afetando diretamente seu território. A principal causa foi a 

construção  da  Perimetral  Norte  (BR-210),  atualmente  desativada  em  esse  trecho,  mas  que 

provocou inúmeras epidemias, diminuindo a população dos grupos por onde ela incidiu. Com 

a instauração da “Nova República”, ainda sob eleições indiretas, ocorreu o evento mais trágico, 

o da invasão garimpeira, entre 1986 e 1993. Em função do inevitável contato, regiões inteiras 

se  desorganizaram,  devido  ao  choque  epidemiológico  sobre  as  populações  e  a  degradação 

ambiental da floresta e dos rios (Nilson, 2008). 



A luta pela homologação da Terra Yanomami teve apoio da comunidade internacional, 

com  forte  pressão  para  que  ela  se  concretizasse.  O  Governo  Brasileiro  da  Nova  República 

tomou  medidas  escandalosas  como  a  Criação  das  Florestas  Nacionais  (Flona)  Roraima  e 

Amazonas, e demarcando o território em 19 ilhas, de forma flagrantemente inconstitucional, e 

ainda  criando  três  reservas  garimpeiras,  medidas  essas  revogadas  posteriormente  pela 

demarcação contínua (ALBERT, 1991). 

 

Imagem 02-Demarcação da Terra Indígena Yanomami 

em 19 ilhas (portaria nº 160 de 1988) e o território atual. 

 

 Fonte: Maurice Nilsson, Arquivo CCPY. 



 

A  relação  na  questão  territorial  entre  o  município  de  Iracema  e  a  Terra  Indígena 

Yanomâmi  está  principalmente  na  distribuição  do  mesmo,  sendo  83,12%  do  território 

corresponde  a  Terra  Indígena  Yanomâmi,  o  restante  ao  município,  ou  seja,  grande  parte  da 

extensão  territorial  é  formado  ou  destinada  a  território  indígena  Yanomâmi.  Como  mostra  a 

imagem seguir: 



Imagem 03- Município de Iracema-RR e a Terra indígena 

Yanomâmi 

 

Fonte: Instituto de Terras e Colonização de Roraima 



Observa-se na imagem Município de Iracema-RR e Terra Indígena Yanomâmi, que 

a concentração da Terra Indígena no município de Iracema está localizada na porção oeste do 

município, enquanto que na porção leste os 16,88% pertencente ao município. Onde a Terra 

Indígena Yanomâmi foi homologada em 25 de maio de 1992 e o município de Iracema   criado 

em 04 de novembro de 1994. 

 

2.0 Políticas Públicas: Saúde e Educação para os indígenas 



3.1 Saúde Indígena 

 

A Constituição define a saúde como direito de todos e dever do Estado, consolidando 

os princípios para a criação do Sistema Único de Saúde/SUS.O Subsistema de Atenção à Saúde 

dos  Povos  Indígenas  foi  criado  em  1999,  por  meio  da  Lei  nº  9.836/99,  conhecida  como  Lei 

Arouca.  O  subsistema  de  saúde  indígena  do  Sistema  Único  de  Saúde  era  então  gerido  pela 

Fundação  Nacional de Saúde (FUNASA), que  durante anos,  foi  alvo  de  denúncias ligadas  a 

corrupção  e  deficiências  no  atendimento.  O  movimento  indígena  lutou  para  que  a  gestão  da 

saúde  indígena  passasse  às  mãos  de  uma  secretaria  específica,  diretamente  vinculada  ao 

Ministério da Saúde – demanda que foi atendida pela presidência da República no ano de 2010. 

Ele é composto pelos Distritos Sanitários Especiais Indígenas/Dseis que se configuram em uma 

rede  de  serviços  implantada  nas  terras  indígenas  para  atender  essa  população,  a  partir  de 

critérios geográficos, demográficos e culturais. Os DSEIs são, atualmente, de responsabilidade 

da  Secretaria  Especial  de  Saúde  Indígena  (SESAI),  e  foram  delimitados  a  partir  de  critérios 

epidemiológicos, geográficos e etnográficos (FUNAI, 2019). 

Para  tanto,  foram  definidas  as  diretrizes  para  orientar  e  definir  instrumentos  de 

planejamento,  implementação,  avaliação  e  controle  das  ações  de  atenção  à  saúde  das 

populações indígenas. A Política Nacional de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas (PNASPI) 

instituída  em  2002  pela  da  Portaria  nº  254,  de  31  de  janeiro  do  mesmo  ano  prevê  atuação 

coordenada entre órgãos e ministérios,  com  objetivo  de viabilizar as medidas  necessárias  ao 

alcance de seu propósito. Nesse sentido, as secretarias estaduais e municipais de Saúde devem 

atuar de forma complementar na execução das iniciativas, em articulação com o Ministério da 

Saúde. Um dos principais critérios adotados para o cumprimento das diretrizes formuladas foi 

a organização dos serviços de atenção à saúde desses povos na forma de Distritos  Sanitários 

Especiais Indígenas (Dseis). Atualmente, a estrutura para a saúde indígena é formada por Dseis, 

localizados em diversas regiões do território nacional. Além deles, unidades como os Postos de 


Saúde, Polos-Base e as Casas de Apoio à Saúde do Índio (Casais) estão à disposição dos povos 

indígenas (DSEI YANOMAMI, 2018). 

Existem  hoje,  no  País,  34  Dseis,  responsáveis  pelo  conjunto  de  ações  objetivas, 

técnicas  e  qualificadas  na  promoção  a  atenção  à  saúde  e  as  práticas  sanitárias  adequadas, 

promovendo o controle social. Para a efetivação da definição e estruturação dos Distritos, foram 

realizadas  reuniões  com  lideranças  e  organizações  indígenas,  instituições,  universidade  e 

entidades  não-governamentais  que  prestam  serviços  às  populações  indígenas,  além  das 

secretarias  municipais  e  relevando  em  consideração  a  se  a  ocupação  geográfica  das 

comunidades indígenas.  

No que diz respeito aos Polos-Base representam outra instância no atendimento aos 

povos indígenas. Eles são a primeira referência para os Agentes Indígenas de Saúde (AISs) que 

atuam nas comunidades indígenas, na atenção primária como nos serviços de referência. Cada 

Polo-Base  atuam  no  conjunto  de  comunidades  indígenas.  Sua  equipe,  além  de  prestar 

assistência à saúde, realiza a capacitação e supervisão dos AISs. Os Polos-Base possuem uma 

estruturada  como  Unidades  Básicas  de  Saúde  e  contam  com  a  atuação  das  Equipes 

Multiprofissional  de  Atenção  à  Saúde  Indígena  (EMSI),  formada  por  médicos,  enfermeiros, 

nutricionistas,  dentistas  e  técnicos  de  enfermagem,  entre  outros  profissionais.  Os  agravos  à 

saúde não atendidos nessas unidades, em função do grau de resolutividade ou de complexidade, 

são encaminhados para a rede de serviços do SUS mais próxima. E importante entender, que 

essa rede já tem sua localização geográfica definida e é articulada e incentivada a atender os 

indígenas,  levando  em  consideração  a  realidade  socioeconômica  e  cultural  de  cada  povo.

 

(FUNASA, 2009).  



Outro instrumento na prestação de serviços a comunidades indígenas são os Posto de 

Saúde, essas unidades funcionam como apoio estratégico aos Polos-Base e são construídas de 

acordo  com  a  realidade  de  cada  comunidade.  Alguns  possuem  uma  estrutura  simplificada, 

representando a porta de entrada na rede hierarquizada de serviços a saúde indígena, e possuem 

infraestrutura física necessária ou básica para a realização das atividades dos profissionais. A 

atividades  de  atenção  básica  à  saúde,  tais  como  o  acompanhamento  de  crianças  e  gestantes, 

imunização e o atendimento a casos  de doenças  mais  frequentes,  como  infecção respiratória 

aguda, diarreia e malária. Além do acompanhamento de pacientes crônicos e de tratamentos de 

longa duração, também são desenvolvidas ações de primeiros socorros, de promoção à saúde e 

prevenção de doenças de maior prevalência.  

Integrantes  das

 

Equipes  Multiprofissional  de  Atenção  à  Saúde  Indígena  (EMSI),  os 



Agentes Indígenas de Saúde (AISs) são fundamentais nas ações de atenção desenvolvidas nas 

comunidades  indígenas.  Tem  como  finalidade  estimular  a  apropriação,  por  esses  povos,  de 

conhecimentos e recursos técnicos da medicina ocidental, sem negligenciar o conhecimento de 

terapias  e  outras  práticas  culturais  próprias,  tradicionais  ou  não.  Cada  comunidade  indígena 

conta  com  a  atuação  desses  agentes,  cujas  atividades  são  vinculadas  a  um  posto  de  saúde. 

Realizam  visita  às  famílias  e  acompanham  o  desenvolvimento  de  crianças  e  de  gestantes  e 

fazem o atendimento aos casos de doenças mais frequentes, como infecção respiratória, diarreia 

e malária. Eles estão aptos, ainda, a prestar primeiros socorros e acompanhar e supervisionar 

tratamentos de longa duração.  

As Casas de Apoio à Saúde do Índio (CASAI) estão localizadas em vários municípios 

brasileiros.  Na  CASAI,  são  executados  os  serviços  de  apoio  aos  pacientes  indígenas 

encaminhados aos centros urbanos à rede do Sistema Único de Saúde (SUS). As CASAIs têm 

condições  de  receber,  alojar  e  alimentar  pacientes  encaminhados  e  acompanhantes;  prestar 

assistência  de  enfermagem  24  horas  por  dia;  marcar  consultas,  exames  complementares  ou 

internação hospitalar; providenciar o acompanhamento dos pacientes nessas ocasiões e o seu 

retorno às comunidades de origem.  

Outro ponto importante na efetivação da saúde indígena, são as  parcerias através de 

convênios  com  prefeituras,  Organizações  Não-Governamentais  (ONGs)  e  universidades.  As 

parcerias  objetivam  aos  participantes  partilham  seus  recursos  de  modo  a  trocar  benefícios 

mútuos  e  chegar  a  objetivos  comuns.  Desde  1999,  a  Funasa  celebra  convênios  com 

Organizações  Não-Governamentais  (ONGs),  prefeituras  e  universidades,  tendo  como 

princípios basilares a qualidade e a eficiência. Essa foi a alternativa legal que proporcionou uma 

maior  flexibilidade  e  agilidade  na  realização  das  parcerias  que  objetivam  a  assistência  às 

populações indígenas (FUNASA, 2009). 

 

 3.2 Educação Escolar Indígena 



 

Os  Povos  Indígenas  do  Brasil  têm  direito  a  uma  educação  escolar  específica, 

diferenciada,  intercultural,  bilíngue/multilíngue  e  comunitária,  conforme  define  a  legislação 

nacional  que  fundamenta  a  Educação  Escolar  Indígena.  Seguindo  o  regime  de  colaboração, 

posto pela Constituição Federal de 1988 e pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional 

(LDB), a coordenação nacional das políticas de Educação Escolar Indígena é de competência 

do  Ministério  da  Educação  (MEC),  cabendo  aos  Estados  e  Municípios  a  execução  para  a 

garantia deste direito dos povos indígenas. 



O  Decreto  nº.  26,  de  04/02/1991,  dispõe  sobre  a  educação  indígena  no  Brasil, 

atribuindo ao MEC a competência sobre a educação indígena no país que, além de determinar 

às Secretarias de Educação dos estados e municípios responsabilidade conjunta ao MEC sobre 

a  educação  escolar  indígena.  A  Portaria  Interministerial  MJ  e  MEC  nº  559  de  16/04/1991, 

estabelece a criação dos Núcleos de Educação Escolar Indígena (Neis) nas Secretarias Estaduais 

de  Educação,  de  caráter  interinstitucional  com  representações  de  entidades  indígenas  e  com 

atuação  na  Educação  Escolar  Indígena.  Define  como  prioridade  a  formação  permanente  de 

professores  índios  e de pessoal técnico das instituições  para  a prática pedagógica, indicando 

que os professores índios devem receber a mesma remuneração dos demais professores. Além 

disso, são estabelecidas as condições para a regulamentação das escolas indígenas no que se 

refere ao calendário escolar, à metodologia e à avaliação de materiais didáticos adequados à 

realidade sociocultural de cada sociedade indígena 

A  Lei  de  Diretrizes  e  Bases  da  Educação  Nacional  (LDBEN)  –  Lei  nº  9.394,  de 

20/12/1996, no seu art. 78, trata da oferta do ensino regular para os povos indígenas: O Sistema 

de  Ensino  da  União,  com  a  colaboração  das  agências  federais  de  fomento  à  cultura  e  de 

assistência aos índios, desenvolverá programas integrado de ensino e pesquisa, para oferta de 

educação escolar bilíngue e intercultural aos povos indígenas, (BRASIL, 1996). No art. 79, a 

LDBEN  dispõe  sobre  o  desenvolvimento  dos  programas  educacionais  indígenas:  A  União 

apoiará  técnica  e  financeiramente  os  sistemas  de  ensino  no  provimento  da  educação 

intercultural  às  comunidades  indígenas,  desenvolvendo  programas  integrados  de  ensino  e 

pesquisa. Onde terão os seguintes objetivos: I – fortalecer as práticas socioculturais e a língua 

materna  de  cada  comunidade  indígena;  I  –  manter  os  programas  de  formação  de  pessoal 

especializado,  destinado  à  educação  escolar  nas  comunidades  indígenas;  I  –  desenvolver 

currículos e programas específicos, neles incluindo os conteúdos culturais correspondentes às 

respectivas  comunidades;  IV  –  elaborar  e  publicar  sistematicamente  material  didático 

específico e diferenciado (BRASIL, 1996).  

A resolução CNE/CEB nº 002 1999 institui as diretrizes curriculares para a formação 

de  professores  indígenas  para  Educação  Infantil  e  paras  as  séries  iniciais  do  Ensino 

Fundamental,  na  modalidade  normal,  em  nível  médio  (BRASIL,  1999a).  A  resolução 

CNE/CEB nº 003 1999 fixa diretrizes nacionais para o funcionamento das escolas indígenas, 

determinando  a  localização,  a  clientela  exclusivamente  indígena,  o  ensino  bilíngue  e  a 

autonomia das escolas indígenas na sua organização; o respeito pelas particularidades culturais 

de  cada  comunidade  indígena  na  organização  do  ensino;  a  formação  específica  para  os 


professores;  as  competências  de  cada  entidade  governamental  sobre  a  educação  indígena 

(BRASIL, 1999b).  

A lei nº. 10.172 de 09/01/2001 aprova o Plano Nacional de Educação, que está divido 

em  três  partes  de  modo  que  na  primeira  encontramos  um  rápido  diagnóstico  de  como  tem 

ocorrido  a  oferta  da  educação  escolar  aos  povos  indígenas.  Na  segunda,  são  definidas  as 

diretrizes para a educação escolar indígena. E na terceira parte, estão os objetivos e metas que 

deverão  ser  atingidos,  a  curto  e  longo  prazo.  Entre  os  objetivos  e  metas  previstos  no  Plano 

Nacional de Educação destaca-se a universalização da oferta de programas educacionais aos 

povos  indígenas  para todas as  séries  do ensino fundamental,  assegurando autonomia para as 

escolas  indígenas,  tanto  no  que  se  refere  ao  projeto  pedagógico  quanto  ao  uso  dos  recursos 

financeiros, e garantindo a participação das comunidades indígenas nas decisões relativas ao 

funcionamento dessas escolas. O Plano Nacional de Educação estabelece as diretrizes para a 

escola indígena, mantendo o ensino bilíngue, propondo uma escola diferenciada e de qualidade, 

atribuindo  o  papel  da  docência  preferencialmente  aos  docentes  índios  e  prevendo  formação 

adequada  à  estes  professores;  traçando  objetivos  e  metas  para  a  educação  indígena,  que 

incluíam  a  atribuição  da  responsabilidade  legal  sobre  a  educação  indígena  aos  Estados  e 

municípios, sob o financiamento do Ministério da Educação (BRASIL, 2001).  

A  Lei  nº  10.645  de  10/03/2008  instituiu  a  inclusão  obrigatória  da  história  e  cultura 

indígena no currículo nacional, juntamente com a história e cultura afro-brasileira (BRASIL, 

2008). Por fim, o Decreto nº 6.861 de 27/05/2009 define a organização do sistema educacional 

indígena  no  território  nacional,  determinando  a  participação  da  comunidade  indígena  na 

organização  do  sistema  de  ensino,  respeitando  sua  territorialidade,  suas  necessidades  e 

especificidades. 

 

4.0 RESULTADOS E DISCUSSÕES 



4.1 - Políticas Públicas: no cotidiano Saúde Yanomâmi  

 

O  Distrito  Sanitário  Indígena  Yanomami    foi  primeiro  no  país,  desde  1991,  com 

avanços e retrocessos, acumulou experiências e metodologias de trabalho que hoje servem de 

referência,  em  termos  de  organização  dos  serviços  de  saúde  indígena  no  país.  O  serviço  de 

saúde do DSY está organizado na Terra indígena Yanomami de forma hierarquizada, onde o 

primeiro  contato  com  indígena  com  o  serviço  de  saúde  deve  se  dar  em  sua  habitação,  323 

comunidades espalhadas ao longo de 96.650 km², onde são prestados serviços básicos de saúde 


e atendimentos  emergenciais  pelos  Agentes  Indígenas  de Saúde  –  (AIS)  em  conjunto com  a 

Equipe  Multiprofissionais  de  Atenção  à  Saúde  Indígena  –  (EMSI),  sendo  o  paciente 

referenciado a sede do pólo-base quando necessário, que constituem a base da atenção primaria 

em campo. 

Na área Yanomami é composto por 37 pólos-base, considerados enquanto unidades de 

referência  sanitária.  O  conjunto  destes  pólos-base  conforma  o  Distrito  Sanitário  Yanomami 

Estes pólos-base foram construídos a partir do agrupamento de comunidades que apresentavam, 

além de proximidades geográficas, maiores afinidades e laços de convivência sócio-cultural. 

Como mostra a imagem 04 a seguir: 

 

Imagem 04- Distrito Sanitário Yanomami e seus polos-bases de referência 

assistencial 

 

Fonte: DESEI YANOMAMI 



 

No  município  de  Iracema  no  estado  de  Roraima,  os  indígenas  pertencentes  a  este 

município  têm  como  referência  a  03  Polos-Bases,  o  Kaianáu  com  05  comunidades,  20 

habitações e uma população estimada em 147 indígenas; a Maloca Paapiu com 13 comunidades, 

12 habitações  e uma população  estimada em  352 indígenas,  ambos localizados  na região de 

epidemiológicas de Mucajaí e Polo-Base  Homoxi na região epidemiológica do mesmo nome, 

com 06 comunidades, 11 habitações e uma população estimada em 456 indígenas.  Conforme 

a tabela 01, mostra a caracterização do Dsei Yanomami, de acordo com   a unidade federativa 

e seus respectivos polos-base, comunidade e população. 


 

Tabela 01-Caracterização do DSEI Yanomami, segundo UF e municípios. 

 

Fonte: Setor de Epidemiologia do DSEI Yanomami, 2012. 



 

Os acessos aos polo-base na Terra Indígena Yanomami no município de Iracema são 

realizados  por  meio  aéreo,  tendo  como  ponto  de  partida  a  cidade  de  Boa  Vista  -  Roraima. 

Conforme a tabela 02 que mostra o meio de transporte utilizado, e tempo estimado de viagem. 

 

Tabela 02- Acesso aos pólos base da área 

Yanomami de acordo com a região. 

 

Fonte: Plano Distrital DSEI Yanomami, 2012-2015. 



 

Conforme o Dsei Yanomami, a entrada em área indígena, como no caso aos polo base 

de Iracema-RR, ocorre de acordo com a escala de voos quinzenalmente, ou seja, cada pólo-base 


tem  uma  rotina  de  2  voos  mensais  (troca  de  equipe)  além  desses,  ocorrem  voos  de 

abastecimento e de remoção de pacientes (este último sempre que necessário). 

 Os  pólo-base  de  Homoxi,  Maloca  Paapiu  e  Kayanau  contam  com  equipe  EMSI 

composta basicamente por um enfermeiro, técnicos de enfermagem e AIS/AISAN, sendo que 

o número de profissionais varia de acordo com as especificidades de cada região. A equipe do 

DSEI  conta  ainda  com  dentistas,  técnicos  de  laboratório,  agentess  de  endemias  e  médicos, 

embora  a  quantidade  desses  profissionais  seja  insuficiente  para  atender  a  atual  demanda  do 

DSEI, em especial o profissional médico. 

Quanto  ao  atendimento  de  média  e  alta  complexidade  a  referência  para  o  DSEI 

Yanomami são as unidades ambulatoriais e hospitalares localizadas no município de Boa Vista, 

por  ser  este  o  município  de  sede  do  distrito.  O  estado  de  Roraima  apresenta  algumas 

especificidades, todos os serviços de média e alta complexidade do estado estão concentrados 

na capital Boa Vista e por questões logísticas de acesso fica inviável encaminhar os indígenas 

para a sede dos próprios municípios, sendo todos encaminhados para a capital. As unidades de 

referência utilizada pelo DSEI Yanomami, em Boa Vista/RR, são as seguintes: Casa de Saúde 

do Índio (DSEI Yanomami); Hospital Materno Infantil Nossa Senhora de Nazareth; Hospital 

Geral de Roraima; Hospital Coronel Mota; Hospital da Criança Santo Antônio.  

 

4.1.1 O Que Dizem os Indígenas 

 

Os Yanomami seguem lutando para o fortalecimento do sistema de saúde indígena e 



ao mesmo tempo ao atendimento à saúde, para que seja respeitado de acordo a sua realidade e 

seus saberes tradicionais.  Reconhecem a importância do Distrito de Saúde Especial Indígena 

Yanomami  e  Ye’kwana  (DSEI-YY).    Órgão  do  governo  de  maior  destaque  nesta  rede, 

juntamente com a SESAI. O CONDISI é conselho que acompanha as ações do DSEI-YY, por 

isso é importante a relação entre o CONDISI, o DSEI-YY, as associações e as comunidades. 

Os  Agentes  Indígenas  de  Saúde  (AIS)  e  a  Equipe  Multiprofissional  de  Atenção  a  Saúde 

Indígena (EMSI) são responsáveis pelas ações de saúde dentro das nossas comunidades e por 

isso devem estar sempre próximos.  

 De  acordo    com  as  proposta  de  melhorias  da  saúde  Yanomami  do  PGTA,  o  Dsei 

Yanomami  deve  atuar  de  forma  preventiva  para  diminuir  o  número  de  remoções  da  TIY; 

Melhorar o atendimento aos pacientes na CASAI, diminuindo o tempo de permanência em Boa 

Vista-RR; Garantir o controle eficiente de doenças como a malária, oncocercose, pneumonia e 

tuberculose, que têm sido frequentes nas comunidades; Melhorar o atendimento específico à 


saúde das mulheres, priorizando as práticas  tradicionais de cuidados  durante a gestação  e no 

momento do parto; Fomentar encontros de mulheres nas comunidades para discutir questões 

específicas à sua saúde (PGTA, 2018) 

Com o Plano de Gestão Territorial e Ambiental da Terra Indígena Yanomami – PGTA 

poderão definir as prioridades e quais propostas podem fortalecer – além de orientar melhor os 

órgãos de governo e as instituições parceiras que apoiam as comunidades.

 

O PGTA é resultado 



de  um  processo  de  construção  coletiva  em  que  participaram  lideranças  homens  e  mulheres 

Yanomami e Ye’kwana de diferentes regiões da Terra Indígena Yanomami e as sete associações 

que os representam: Hutukara Associação Yanomami (HAY), Associação Yanonamɨ do Rio 

Cauaburis  e  Afluentes  (AYRCA),  Associação  Kurikama  Yanomami,  Associação 

Wanasseduume  Ye’kwana  (Seduume),  Associação  das  Mulheres  Yanomami  Kumirãyõma 

(AMYK), Texoli Associação Ninam do Estado de Roraima (Taner) e Associação dos Povos 

Yanomami de Roraima (Hwenama). No quadro a seguir, selecionamos algumas das propostas 

do PGTA direcionadas a saúde indígenas na Terra Indígena Yanomami. 



 

Quadro 01 - Propostas PGTA para Saúde Yanomami 

 

Fonte: Plano de Gestao Territorial e Ambiental da Terra Indígena Yanomami, 2018.  



 

 

 



 

 

 



4.2 EDUCAÇÃO ESCOLAR INDIGENA 

 

Roraima possui 260 escolas indígenas para 16 mil alunos indígenas. Deste total, apenas 

35%,  o  que  corresponde  a  92  escolas,  possuem  prédio  escolar  próprio.  Outras  168  escolas 

funcionam em espaços de aprendizagem improvisados (Censo Escolar, 2018). 

Em Iracema no estado de Roraima há 12 escolas indígenas estaduais, sendo elas:  

Escola Estadual Indígena Turumatima Yano Tihinaki (Comunidade Tihinaki); Escola Estadual 

Indígena  Hiramatima  Yano  Apiahiki  (Comunidade  Apiahiki);  Escola  Estadual  Indígena 

Hiramatima Yano Koyopi (Comunidade Koyopi); Escola Estadual Indígena Hiramatima Yano 

Piau  (Comunidade  Piau);  Escola  Estadual  Indígena  Hiramatima  Yano  Rasasi  (Comunidade 

Rasasi); Escola Estadual Indígena Hiramatima Yano Xiroxiropiu (Comunidade Xiroxiropiu); 

Escola  Estadual  Indígena  Hiramorewe  Nahi  Koherepi  (Comunidade  Koherepi);  Escola 

Estadual Indígena Onimatima Yano Watoriki (Watoriki) 

Escola  Estadual  Indígena  Turumatima  Yano  Erisipi  (Comunidade  Erisipi);  Escola  Estadual 

Indígena  Turumatima  Yano  Maharau  (Comunidade  Maharau);  Escola  Estadual  Indígena 

Turumatima Yano Sikamapiu (Comunidade Sikamapiu); Escola Estadual Indígena Turumatima 

Yano Xokotha (Xokotha) 

A situação das escolas indígenas no estado de Roraima, são comuns por todo estado. 

São inúmeras as denúncias, onde faltam professores, merenda, o transporte escolar, estrutura 

física precária, que permite o mínimo de dignidade. 

Segundo a presidente da Organização dos Professores Indígenas de Roraima (OPIR), 

Professora Edite Andrade, houve atraso no ano letivo de 2019 das escolas indígenas devido à 

falta de transporte e merenda escolar, e a contratação de professores. Edite Andrade afirmou 

que a OPIR recebe constantes denuncias, reclamações sobre a merenda e o transporte escolar. 

Pois  estão  sendo  fornecidos,  mas  com  algumas  pendências.  Parte  das  merendas  chega  pela 

metade e faltam copeiras e merendeiras, para preparar e servir, mães de alunos têm assumido 

esta função. Uma outra questão abordada é a religião, segundo Edite Andrade (OPIR) “O que 

ainda estamos discutindo são aquelas escolas que têm muitos alunos da religião adventista, que 

não podem estudar no sábado, e são amparados por leis. Há escolas que há um número grande 

de alunos indígenas desta religião". O que pode dificultar a reposição das aulas. 

Para o Professor Telmo Ribeiro “Tivemos um grande prejuízo no que diz respeito ao 

fechamento do ano letivo 2018, o atendimento de material didático e merenda foi um caos na 

Educação  Escolar  em  Roraima,  e  eu  não  digo  apenas  na  educação  indígena,  e  olha  que  as 



escolas indígenas sempre são as últimas a serem atendidas. É um desrespeito com os direitos 

dos estudantes do Estado”. 

As escolas indígenas sofrem com a falta de iluminação adequada. A instalação elétrica 

feita de forma improvisada e algumas salas têm apenas uma lâmpada. Durante à noite, os alunos 

ficam numa situação mais complicada.

 

Com o corte nos serviços terceirizados, restou apenas 



uma funcionária de limpeza para toda a escola. Os materiais não são enviados e é necessário 

que os servidores, professores comprem material de limpeza e equipamentos, com dinheiro do 

próprio  bolso  para  que  a  limpeza  seja  feita.  "Não  é  legal  o  que  estamos  passando.  Estamos 

sofrendo para conseguir passar o conteúdo para os alunos e eles estão com muita dificuldade 

para assimilar. À noite eu pego a lanterna e coloco sobre os textos para ajudar na leitura", relata 

o representante dos professores, Magno Jaime Raposo. 

Para o Tuxaua Jose Ailton, “nosso transporte escolar não teve, trabalhou apenas uma 

semana. Parou e nunca mais. A nossa merenda também não teve. Os nossos materiais didáticos 

também não teve. Fizemos diversos ofícios, ano passado, para que o governo desse uma atenção 

para  nós,  mas  nada.  Não  temos  secretaria  decente,  fezes  de  pombo  estão  espalhadas  pelos 

corredores. Não sei como vai ser este ano 2019", desabafa.  

A  Secretaria  de  Educação  e  Desporto  (Seed)  do  governo  do  estado  de  Roraima 

comunicou que todas as escolas estaduais indígenas estão recebendo os itens para o preparo da 

alimentação escolar e a entrega está regular em 2019. Neste momento, as unidades de ensino 

estão recebendo produtos da agricultura familiar, fornecidos por duas cooperativas.

 

O setor da 



Seed  responsável  pela  distribuição  dos  produtos  é  o  Departamento  de  Apoio  ao  Educando 

(DAE) e a entrega é realizada mediante protocolo de guias de recebimento. A última remessa 

de  produtos  para  o  preparo  da  merenda  escolar  foi  enviada  para  as  escolas.

 

Em  relação  ao 



transporte  escolar,  o  DAE  já  finalizou  a  aferição  das  rotas  na  localidade  e  o  serviço  será 

restabelecido.

 

Quanto às reformas, a pasta destacou que, das escolas da rede estadual de ensino, 



260 são indígenas e destas, apenas 92 possuem prédios escolares próprios. "Estão em situação 

precária,  completamente  desassistidas  de  reformas,  em  razão  do  abandono  de  gestões 

anteriores", Ressaltou também que a Seed está buscando recursos junto ao Governo  Federal 

para a melhoria dos prédios escolares. Além disso, existe ainda o esforço da bancada federal de 

Roraima em aportar recursos para revitalização das escolas. Também será feito o levantamento 

das condições físicas das unidades de ensino indígena, para inclusão dos recursos necessários 

no Plano Plurianual (PPA). Por fim, reforça que a Seed reconhece a necessidade das  escolas 

indígenas  e  não  está  medindo  esforços  para  buscar  meios  visando  à  melhoria  dos  prédios 

escolares e, consequentemente, a melhoria da aprendizagem dos estudantes indígenas. 


O Ministério Público Federal (MPF) emitiu quatro recomendações ao governador de 

Roraima  e  à  Secretaria  Estadual  de  Educação  e  Desporto  (SEED)  em  2019,  para  garantir 

melhorias  na  educação  indígena  do  estado.

 

Precisamos  reconhecer  uma  concreta  política 



estadual de recuperação da infraestrutura escolar indígena. As datas para reforma e construção 

devem  ser  razoáveis  e  coerentes  com  a  necessidade  social  de  cada  comunidade,  não  se 

admitindo prazos extraordinariamente longos, dado que isso equivaleria à negativa do direito à 

educação  de  qualidade",  pondera  a  procuradora  da  República  Manoela  Lamenha,  titular  do 

ofício da defesa dos direitos indígenas e minorias. 

Os Yanomami através do Plano de Gestão Territorial Ambiental, cita suas principais 

propostas  para  fortalecer  educação  escolar  indígena.  Entre  ela  podemos  citar:  Formação 

continuada e específica para os professores indígenas, com a inclusão de saberes tradicionais 

nos currículos escolares; Apoio para a produção e divulgação de materiais didáticos próprios, 

diferenciados e de qualidade. Melhorias no processo seletivo, para que tenham maior validade 

e não sejam tão burocráticos, para não perdermos tanto tempo na cidade; Ampliação do número 

de escolas na TIY; Construção e reforma das escolas indígenas que já existem. 

 

Quadro 02 - Propostsa PGTA para Educação Yanomami 

 

Fonte: Plano de Gestão Territorial e Ambiental da Terra Indígena Yanomami, 2018 



 

 

5.0  -  CONSIDERAÇÕES FINAIS 

 

A realidade dos indígenas Yanomami no município de Iracema no estado de Roraima 

não  difere  muito  de  outros  municípios  no  estado,  educação  caminha  lentamente  para  a 

efetivação  da  cidadania  formal,  ou  seja,  o  que  legislação  nacional  de  fato  determina  para 

educação escolar indígena no Brasil, com a transferência da responsabilidade pela da Fundação 

Nacional  do  Índio  para  o  Ministério  da  Educação  não  representou  apenas  uma  mudança  do 

órgão federal gerenciador. Mas a distribuição de responsabilidades entre a União, os Estados e 

os  Municípios,  dificulta  a  implementação  de  uma  política  nacional  que  assegure  a 

especificidade do modelo de educação intercultural e bilíngüe aos povos indígenas, atualmente 

a  coordenação  das  ações  escolares  de  educação  indígena  está  sob  responsabilidade  do 

Ministério de Educação, cabendo aos Estados e Municípios, a sua execução. 

No que tange a saúde indígena, é notório os avanços no atendimento as  populações 

indígenas, com a criação da Secretaria de Especial de Saúde Indígena -SESAI que representa 

um avanço no campo da garantia do direito à saúde para os povos indígenas. Através do Decreto 

nº. 7.336/2010 criando, na estrutura do Ministério da Saúde, a SESAI e transferindo as ações 

de  saúde  indígena  da  Funasa  para  essa  Secretaria.    Com  modelo  de  atenção,  além  de 

interferências e resistências de ordem política, implantou-se um sistema de saúde indígena que 

adentrou  os  territórios  indígenas  com  o  objetivo  de  oferecer  ações  e  serviços  de  atenção 

primária  nas  comunidades  indígenas,  por  meio  das  unidades  descentralizadas  –  os  distritos 

sanitários – e manter a integração com o SUS, nos municípios de abrangência de cada DSEI, 

para garantir a integralidade da assistência em todos os níveis de complexidade.  

E fundamental identificar os avanços e dificuldades que as instituições responsáveis 

pela efetivação das políticas públicas respectivamente a educação e saúde indígena no estado 

de  Roraima,  como  no  município  de  Iracema  vem  vivenciando      uma  cidadania  real,  com 

dificuldade ao cesso a educação e saúde em seu cotidiano, bem diferente e distante da cidadania 

formal, o que preconiza de fato nossa legislação. 

 

 

 



 

 

REFERENCIAS 

 

ALBERT,  B.  Terras  indígenas,  política  ambiental  e  Geopolítica  militar  no 



desenvolvimento da Amazônia: a propósito do caso Yanomami. Revista do Museu Paraense 

Emílio Goeldi, p.37-58. 1991. 

BRASIL. Constituição Federal de 1988. Brasília, 1988. 

BRASIL. Portaria Interministerial MJ e MEC nº 559. Brasília, 1991. 

BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Lei 9394/96. Brasília, 1996. 

BRASIL.  Decreto  n°  3.156.  Dispõe  sobre  as  condições  para  a  prestação  de  assistência  à 



saúde  dos  povos  indígenas,  no  âmbito  do  Sistema  Único  de  Saúde,  pelo  Ministério  da 

Saúde, alteral dispositivos dos Decretos n°s 564, de 8 de junho de 1992, e 1.141, de 19 de maio 

de 1994, e dá outras providênciasBrasília-DF, 27 de setembro de 1999a. 

BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria MS n° 1.163. Dispõe sobre as responsabilidades na 

prestação de assistência à saúde dos povos indígenas, no Ministério da Saúde e dá outras 

providências. Brasília-DF, 14 de setembro de 1999b. 

BRASIL.  Ministério  da  Saúde.  Portaria  N.º  1163/GM,  de  14  de  setembro  de  1999c.  Dispõe 



sobre as  responsabilidades  na prestação de assistência  à saúde dos  povos indígenas, no 

Ministério da Saúde e dá outras providências. 

BRASIL.  Resolução  CNE/CEB  nº  002.  Diretrizes  Curriculares  Nacionais  para  a 



Formação de Docentes da Educação Infantil e dos anos iniciais do Ensino Fundamental, 

em nível médio, na modalidade Normal. Brasília, 1999a. 

BRASIL.  Resolução  CNE/CEB  nº  003.  Diretrizes  Nacionais  para  o  funcionamento  das 



escolas indígenas. Brasília, 1999b

BRASIL. Plano Nacional de Educação. Lei nº. 10.172. Brasília, 2001. 

BRASIL.  Decreto  nº  6.861.  Dispõe  sobre  a  Educação  Escolar  Indígena,  define  sua 

organização em territórios etnoeducacionais e dá outras providencias. Brasília, 2009. 

BRASIL.  Controle  Social.  Secretaria  Especial  de  Saúde  Indígena,  Ministério  da  Saúde. 

Disponível em www.saude.gov.br/ses, acessado: 12/06/2019. 

CIPRIANO,  IRINEU  DE  SOUZA.  Vila  São  Raimundo,  Iracema/RR:  Da  Formação  Ao 



Despovoamento  (1979-2011).  Monografia  (Licenciatura  Historia)-    Centro  de  Ciências 

Humanas, Universidade Federal de Roraima, Boa Vista-RR, 2018. 

FREITAS, Aimberê. Geografia e História de Roraima. 5 ed., Manaus: Belvedere, 1997. 

FREITAS, Aimbere. Geografia e História de Roraima. 8ª ed., Boa Vista: Instituto Ainberê 

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FUNASA. Lei Aroca: a Funasa nos 10 anos de saúde indígena / Fundação Nacional de Saúde. 

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acessado: 24/04/2019 


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de  Roraima:  de  1943  a  1988.  132  p.  Dissertação  (Mestrado  em  Sociedade  e  Fronteiras)  – 

Programa de Pós-graduação em Sociedade e Fronteiras, Universidade Federal de Roraima, Boa 

Vista-RR, 2014. 

NILSSON,  Maurice  Seiji  Tomioka.  Organização  Indígena  Yanomami:  Das  Ameaças  Ao 



Seu Território À Representação Política Numa Sociedade Sem Estado. Agrária, São Paulo, 

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PGTA-  Plano  de  Gestão  Territorial  e  Ambiental:  Terra  Indígena  Yanomami,  2019. 

Disponível: 

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ambiental-terra-indigena-yanomami-com-protocolo-de-consulta-yanomami-e-ye-kwana. 

Acessado: 12/09/2019. 

SECRETARIA DE ESTADO DO PLANEJAMENTO E DESENVOLVIMENTO DE 

RORAIA/SEPLAN.  Informações Socioeconômicas  do Município  de Iracema –  RR 2014. 

Boa Vista: DIEP, 2014. 



 

 

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