Universidade Federal De Minas Gerais Faculdade de Educação cecimig a relevância de se estudar nutriçÃo numa perspectiva investigativa com alunos do ensino fundamental



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3 RESULTADOS E DISCUSSÃO

Conforme Moreira (1983), a resolução de problemas com uma abordagem investigativa é fundamentada na ação do aluno. Os alunos tem a oportunidade de agir e o ensino deve ser acompanhado de ações e demonstrações que o levem a aquisição de conceitos e conhecimentos científicos. Diante da presente intenção de trabalhar o conteúdo “alimentos” dentro da concepção de Ciências por investigação, foi possível perceber o quão a abordagem comunicativa se faz presente na prática educativa com os alunos.

Entremeio à exploração do conhecimento dos educandos a respeito da temática trabalhada em sala de aula foi possível desenvolver alguns conceitos e teorias que estão ligados à alimentação e educação nutricional, mas que nem sempre são discutidos com ênfase, como por exemplo, na questão social, política e econômica relacionada à alimentação da população.

Por exemplo, é possível estabelecer relação da condição como reflete a condição social do cidadão com a qualidade da alimentação? Um nível de renda (econômico) precário permite que o cidadão tenha uma alimentação de qualidade? É citado na Constituição Federativa Brasileira (1988) que o indivíduo tem como direito social a “saúde”, e a que ponto as políticas públicas interferem favoravelmente para propiciar saúde por meio de alimentação de qualidade? Esses são alguns questionamentos levantados em sala de aula. Tal perspectiva de ensino (discussões e debates) promoveu maior interação entre os alunos e abriu espaço à intervenção do professor no decorrer das dúvidas que apareciam diante de novas argumentações.

Os alunos enfrentaram a situação problema como um desafio para a construção de hipóteses e discussão de ideias a respeito dos possíveis efeitos dos hábitos alimentares sobre o índice de massa corpórea (IMC). Os alunos realizaram a resolução do cálculo de seu IMC, verbalizaram, discutiram e analisaram os resultados obtidos (Diferença entre IMC final e inicial), confrontando com as hipóteses estudadas (AZEVEDO, 2006).

O diálogo entre alunos é essencial e de acordo com Bakhtin essa linguagem discursiva decorre de um processo histórico em que se confronta o “eu e o outro”, ou seja, o sujeito com sua experiência vital e a linguagem do outro que lhe é imposta desde seu nascimento e que já apresenta conceitos valorativos com os quais o eu se depara, reagindo a eles no momento de sua apropriação comunicativa. Sendo assim, pode-se extrair um material proveitoso para reflexão de práticas de ensino em sala de aula numa perspectiva discursiva, portanto mais abrangente que a simples menção aos efeitos que se obtêm no texto em si mesmo (PUZZO, 2013).

Quanto à abordagem quantitativa, os alunos refletiram acerca do seu perfil físico (Quadro 1) e dos colegas, bem como calcularam seu próprio índice de massa corpórea (Tabelas 1,2,3,4) no decorrer de cada pesagem do trabalho experimental. Esse processo reflete um dos objetivos da resolução de problemas citada por Azevedo (2006) que consiste em proporcionar a participação do aluno de modo que ele comece a produzir seu conhecimento por meio da interação entre pensar, sentir e fazer. Assim, conjectura-se que a solução de problemas possa ser um importante instrumento no desenvolvimento de habilidades (AZEVEDO, 2006; SUART & MARCONDES, 2008) e capacidades tais como raciocínio, flexibilidade, astúcia, argumentação e ação.

Considerando a caracterização de índice de massa corpórea (IMC) exposta no Quadro 1, devem ser mencionados casos extremos, tais como indivíduos com perfil “muito abaixo do peso” e “obesidade grau III”. É importante que indivíduos com esses perfis fiquem mais atentos aos hábitos alimentares, uma vez que isso remete além do valor encontrado em seu IMC, mas o efeito que esse IMC pode causar a saúde desse indivíduo a longo prazo. Não é papel do educador diagnosticar ou tratar tais indivíduos, mas cabe a ele orientar e explicar ao aluno a relação entre o índice de massa corporal e seus efeitos sobre a qualidade de vida e saúde.

Participou da pesquisa, um total de 89 alunos do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental (anos iniciais e finais), sendo 44 indivíduos do sexo feminino e 45 indivíduos do sexo masculino. Com a análise obtida de dados iniciais e finais do índice de massa corpórea (IMC) dos alunos (6A=20, 7A=22, 8A=25, 9A=22), foi possível criar hipóteses argumentativas em torno das possíveis causas da alteração nos índices de massa corpórea (IMC).

Quadro 1 Caracterização das turmas quanto ao número de indivíduos por índice de massa corporal (IMC):




TURMAS

Número de indivíduos por caracterização quanto ao IMC (n)




MA (n)

A(n)

PN(n)

S(n)

O – I(n)

O – II(n)

O – III(n)



8

3

9

0

0

0

0



4

1

16

0

1

0

0



1

5

15

3

0

0

1



2

3

12

2

3

0

0

Total (n)

15

12

52

5

4

0

1

*MA – muito abaixo do peso (IMC muito abaixo de 17)

**A – abaixo do peso (IMC entre 17 e 18,49)

***PN – peso normal (IMC entre 18,5 e 24,99)

****S – sobrepeso (IMC entre 25 e 29,9)

*. O-I – obesidade grau I (IMC entre 30 e 34,99)

*b. O-II – obesidade grau II (IMC entre 35 e 39,99)

*c. O-III – obesidade grau III (IMC acima de 40)
De vinte alunos (Tabela 1) pertencentes ao 6º ano A do Ensino Fundamental, integraram a pesquisa nove adolescentes do sexo feminino e onze do sexo masculino, sendo que na totalidade, sete alunos tiveram diminuição no índice de massa corpórea (IMC), nove alunos aumentaram seu IMC e quatro alunos mantiveram o IMC inicial.

TABELA 1 Índice de Massa Corpórea inicial e final dos alunos do 6º ano da Escola Estadual Bairro Jardim do Ipê.



Alunos – Turma 6º A

SEXO

IMC Inicial (kg/m2)

IMC Final

(kg/m2)

101

F

15,52

15,11

104

F

20,93

23,56

106

F

18,36

18,87

107

F

15,72

15,72

115

F

16,88

17,53

116

F

16,22

16,21

117

F

18,64

18,39

118

F

16,91

17,16

119

F

17,55

17,55

102

M

21,39

20,98

103

M

18,39

18,61

105

M

24,04

24,28

108

M

22,36

21,92

109

M

21,23

20,80

110

M

16,82

17,91

111

M

16,43

16,66

112

M

19,23

19,62

113

M

21,59

21,52

114

M

15,12

14,95

120

M

21,81

21,81

De vinte e dois alunos (Tabela 2) pertencentes ao 7º ano do Ensino Fundamental, integraram a pesquisa oito adolescentes do sexo feminino e catorze do sexo masculino, sendo que na totalidade, doze alunos tiveram diminuição no índice de massa corpórea (IMC), nove alunos aumentaram seu IMC e dois alunos mantiveram o IMC inicial.


TABELA 2 Índice de Massa Corpórea inicial e final dos alunos do 7º ano da Escola Estadual Bairro Jardim do Ipê.



Alunos – Turma 7º A

SEXO

IMC Inicial (kg/m2)

IMC Final

(kg/m2)

201

F

19,31

19,17

205

F

18,66

17,37

209

F

21,23

20,16

215

F

18,99

18,2

217

F

21,45

21,22

218

F

20,57

19,68

220

F

34,08

32,85

221

F

24,34

24,03

202

M

18,83

23,2

203

M

16,02

16,67

204

M

15,4

14,8

206

M

23,39

23,08

207

M

15,27

15,27

208

M

17,29

21,52

210

M

19,13

19,13

211

M

13,7

17,71

212

M

23,24

23,71

213

M

22,43

19,66

214

M

21,1

21,23

216

M

20,15

19,93

219

M

20,78

24,56

222

M

19,05

17,24

De vinte e cinco alunos (Tabela 3) pertencentes ao 8º ano do Ensino Fundamental, integraram a pesquisa quinze adolescentes do sexo feminino e dez catorze do sexo masculino, sendo que na totalidade, dezoito alunos tiveram diminuição no índice de massa corpórea (IMC), quatro alunos aumentaram seu IMC e três alunos mantiveram o IMC inicial. Ressalta-se ainda que dentre os alunos que perderam peso, um deles se encontrava com IMC caracterizado como “Obesidade grau I”, sendo um fator preocupante frente à maior probabilidade de adquirir doenças relacionadas ao excesso de peso. No entanto, ainda que esse aluno não tenha atingido o peso normal durante a pesquisa, sugere-se que houvera benefícios em sua qualidade de vida com a diminuição do índice de massa corporal.
TABELA 3 Índice de Massa Corpórea inicial e final dos alunos do 8º ano da Escola Estadual Bairro Jardim do Ipê.

Alunos – Turma 8º A

SEXO

IMC Inicial (kg/m2)

IMC Final

(kg/m2)

301

F

23,22

22,32

302

F

17,8

20,83

303

F

20,71

20,22

305

F

27,14

26,99

307

F

43,11

42,18

311

F

21,35

21,35

312

F

22,60

18,08

313

F

21,15

17,39

314

F

22,64

21,77

315

F

19,51

18,87

316

F

22,37

22,10

317

F

24,9

25,28

318

F

22,26

21,87

320

F

16,63

16,02

321

F

18,13

17,68

304

M

21,87

21,87

306

M

19,19

18,18

308

M

17,9

17,30

309

M

17,36

22,76

310

M

29,35

25,65

319

M

17,90

17,78

322

M

27,88

26,49

323

M

19,26

18,83

324

M

20,13

20,13

325

M

20,56

20,82

De vinte e dois alunos (Tabela 4) pertencentes ao 9º ano do Ensino Fundamental, integraram a pesquisa doze adolescentes do sexo feminino e dez do sexo masculino, sendo que na totalidade, treze alunos tiveram diminuição no índice de massa corpórea (IMC), cinco alunos aumentaram seu IMC e quatro alunos mantiveram o IMC inicial.

TABELA 4 Índice de Massa Corpórea inicial e final dos alunos do 9º ano da Escola Estadual Bairro Jardim do Ipê.



Alunos – Turma 9º A

SEXO

IMC Inicial (kg/m2)

IMC Final

(kg/m2)

401

F

20,04

20,80

405

F

18,25

18,25

408

F

30,43

30,43

409

F

22,10

21,93

410

F

32,46

31,83

411

F

25,78

25,52

412

F

30,47

30,83

414

F

17,31

16,52

417

F

15,96

16,35

418

F

22,82

21,91

419

F

23,95

22,94

422

F

20,43

20,43

402

M

20,04

23,52

403

M

20,61

20,04

404

M

29,73

29,40

406

M

19,43

18,50

407

M

21,88

22,22

413

M

16,93

16,93

415

M

19,14

18,73

416

M

20,82

20,44

420

M

20,43

20,43

421

M

17,05

16,85

Em um total de 89 alunos participantes da presente pesquisa, considera-se relevante que 56,2% dos alunos tivessem atingido diminuição no índice de massa corpórea (IMC), sendo este um fator de qualidade de vida em contrapartida aos diversos aspectos patológicos que estão atualmente agregados ao perfil de obesidade. Ainda assim, cabe ressaltar que a educação nutricional deve ser um trabalho constante, e não apenas transitório na vida dos adolescentes.

Fioravanti (2013) cita que em adolescentes, perder apenas 8% do excesso de peso, o equivalente a uma redução de 6 a 11 quilogramas (kg) da massa corporal, pode ser o bastante para desfazer as alterações metabólicas causadas pela obesidade, manter a fome sob controle e sair da faixa de risco para diabetes, hipertensão e doenças cardiovasculares, que normalmente acompanham a obesidade.

Desde o início da pesquisa, foi realizada a abordagem de prevenção de saúde relacionada a cuidados com a alimentação, e, nessa perspectiva, os alunos demonstravam maior interesse em se comprometer com o trabalho experimental, sendo que alguns citavam em sala de aula (discurso interativo) que levavam as informações novas e debates para o conhecimento de seus familiares, principalmente aqueles que tinham parentela acometida por relação direta com a má nutrição.

Cabe colocar que inicialmente havia 52 alunos com peso normal (IMC entre 18,5 e 24,99) e 12 alunos caracterizados com perfil “abaixo do peso” (IMC inferior a 18,5). De antemão, a sugestão preferencial é que haja acompanhamento nutricional para averiguar hábitos alimentares e remanejar a dieta dos que se encontram abaixo do peso para que atinjam o índice de massa corpórea adequada para a manutenção da saúde (entre 18,5 e 24,99).

Na escola o aluno aprende conceitos básicos sobre alimentação e nutrição, pratica atividades pedagógicas que o ajudam a ter melhor compreensão do tema, mas, há casos, em que o educador percebendo a necessidade, se dirige aos pais e/ou familiares para orientar que os mesmos levem os filhos para averiguar a questão alimentar e nutricional junto de um nutricionista. Também deve ser ressaltado que ao explanar sobre bons hábitos alimentares, é importante citar que uma dieta deve respeitar o padrão econômico e cultural do indivíduo para que o mesmo se adapte esses novos hábitos alimentares adquiridos.

A eutrofia refere-se a um termo utilizado para caracterizar indivíduos que estão dentro do perfil ideal de massa corpórea para sua faixa etária, ou seja, apresentam o índice de massa corpórea entre 18-24,99, ou ainda, o percentil ˂85 (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2007). A compreensão sobre o significado do índice de massa corpórea sobre a saúde permite fazer algumas comparações entre o IMC inicial e final dos alunos.

No 6º ano, todos os nove indivíduos que iniciaram a pesquisa dentro do perfil “peso normal”, mantiveram-se dentro do mesmo perfil (IMC ≤ 24,99) durante toda a pesquisa, o que é considerado positivo, pois estar estável dentro da faixa adequada para IMC nos confere a deduzir que esses indivíduos tendem a manter hábitos alimentares regulares, que respeitam suas necessidades e limites nutricionais, o que se aplica também a alguns alunos do 7º, 8º e 9º ano.

Na turma de 7º ano, dos 16 alunos inicialmente caracterizados como dentro da faixa estabelecida como “peso normal”, dois deles tiveram diminuição pouco significativa no peso, mas que já os passaram a caracterizar como indivíduos abaixo do peso. Um dos alunos dessa turma que estava inicialmente abaixo do peso conseguiu atingir o IMC esperado (entre 18,5 e 24,99) para sua idade.

No 8º e 9º ano, 12 alunos mantiveram do início ao fim do experimento o índice de massa corpórea (IMC) dentro do perfil “peso normal”, sendo que no 8º ano, 2 alunos que estavam abaixo do peso conseguiram atingir o peso normal, e no 9º ano, dos 5 alunos que estavam inicialmente abaixo do peso não tiveram alteração significativa, e continuaram com IMC considerado inadequado para a faixa etária (abaixo do peso), o que nos faz repensar se os mesmos obtiveram a aprendizagem necessária quanto aos bons hábitos alimentares e seus efeitos sobre a saúde.

De acordo com Deboer (2006), o ensino por investigação representa uma estratégia de ensino mais efetiva, que promove um maior engajamento dos estudantes e que os estudantes aprendem mais. Sob a perspectiva avaliativa da aprendizagem, e considerando proposições de Mortimer e Scott, e também Vygotsky, puderam-se perceber ao longo da pesquisa as intenções do discurso nas aulas de Ciências (propósitos do ensino), do grau de interatividade desse discurso (discurso interativo e não-interativo) e da abertura desse discurso (discurso dialógico e discurso de autoridade).

Em concordância ao supracitado por Deboer (2006), supõe-se que houve relação sócio-interacionista nas atividades desenvolvidas entre os estudantes, de modo que a ideia de um muitas vezes complementava a ideia de outro, o que refletiu positivamente no diálogo estabelecido entre os conceitos espontâneos e os conceitos científicos no ensino-aprendizagem de Ciências. Na criação da “Pirâmide Alimentar” e das Cartilhas Educativas para a VII Mostra Cultural da escola, os alunos também puderam desenvolver interação de ideias e discutir conceitos que buscassem a melhor maneira de expressar o que foi aprendido por eles no material distribuído (Apêndices 3 e 4) à comunidade escolar.




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