Universidade Federal De Minas Gerais Faculdade de Educação cecimig a relevância de se estudar nutriçÃo numa perspectiva investigativa com alunos do ensino fundamental


A ADOLESCÊNCIA E A PROMOÇÃO DA SAÚDE



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1.5 A ADOLESCÊNCIA E A PROMOÇÃO DA SAÚDE



A Organização Mundial da Saúde (WHO, 2007) descreve os limites da adolescência entre 10 aos 19 anos. Caracteriza-se por um período crítico do desenvolvimento e de transformações biopsicossociais. A adolescência é um período marcado por transformações corporais intensas e radicais, que caracterizam a puberdade, e por modificações psicológicas e sociais, as quais se refletirão na construção da personalidade do indivíduo (VEIRA et al., 2010). Em adolescentes, o problema de desequilíbrio entre ingestão e gasto de energia é particularmente difícil de tratar, dada a grande disponibilidade e marketing de fast food no mercado (DE GODOY-MATOS et al.; 2009).

Os governos, escolas, instituições, meios de comunicação, restaurantes e comunidades podem implementar estratégias educativas na sociedade para promover o consumo de alimentos saudáveis, limitar o acesso a alimentos desnecessários, e incentivar a atividade física saudável dos adolescentes. A participação da família é fundamental para a adaptação dos adolescentes ao consumo de alimentos saudáveis, pois a família atua como apoio emocional sobre as escolhas dos adolescentes (BARLOW, 2007).

A necessidade de desenvolver uma referência de crescimento única adequada para a triagem, vigilância e monitorização de adolescentes tem sido indagada com vista na preocupação crescente em torno da saúde pública sobre obesidade. Assim, salientou-se a importância em se utilizar um padrão de índice de massa corpórea (IMC) destinado a calcular percentis e z-score em uma escala contínua idade (curvas de crescimento) entre 5 e 19 anos de idade (Anexo 1). Os Percentis e curvas z-score foram gerados desde o 1 º ao 99 percentil e de -3 a + 3 desvios-padrão (DP).

Ao considerar o IMC de adolescentes, o objetivo é a realização de um percentil abaixo de 85, que atenda a especificações da Organização Mundial de Saúde (WHO, 2007), ou seja, referente à IMC ≤ 25. No entanto, especialmente antes da puberdade, mesmo um modesto ganho de peso pode resultar em migração para menores percentis de IMC, uma vez que é contínuo o crescimento linear nessa fase da vida.

Adolescentes com patologias provindas de doença hepática não alcoólica, hipertensão intracraniana idiopática (também conhecido como pseudotumor cerebral), apneia do sono, anormalidades ortopédicas, diabetes mellitus tipo 2, e hipertensão arterial, requerem uma perda de peso mais rápido, sendo que tal perda promove a melhoria das condições fisiológicas desse indivíduo, sendo um importante sinal de benefícios para a saúde a longo prazo (DE GODOY-MATOS et al., 2009).

Complementando De Godoy-Matos et al., (2009), o que se denota é que indivíduos com sobrepeso tendem a ter alterações metabólicas que são favoráveis ao acometimento de doenças, então, a perda de peso seria uma ferramenta para ajustar as condições fisiológicas do indivíduo, primando pela melhoria da saúde do mesmo.

Existem múltiplas conceituações de promoção da saúde, dentre as quais Buss (1999) citado por Santos (2005) ressalta a promoção da saúde dirigida pela transformação dos comportamentos dos indivíduos. Essa concepção, segundo o autor, tende a se centrar nos componentes educativos. Ainda, segundo o mesmo autor, a promoção da saúde é definida pela Carta de Ottawa como um processo de capacitação da comunidade que visa atuar na melhoria da sua qualidade de vida e saúde, incluindo uma maior participação no controle deste processo.

A elaboração e implementação de políticas públicas saudáveis, a criação de ambientes favoráveis à saúde, o reforço da ação comunitária, o desenvolvimento de habilidades pessoais e a reorientação do sistema de saúde são os cinco principais campos de ações definidos na Carta de Ottawa (1986).


“A atenção especial deve ser dada ao desenvolvimento do processo educativo permanente acerca das questões atinentes à alimentação e à nutrição, bem como à promoção de campanhas de comunicação social-sistemáticas” (BRASIL, 2000, p.22).

A Carta de Ottawa (1986) é uma resposta às crescentes expectativas por uma nova saúde pública, sendo produto da Primeira Conferência Internacional sobre Promoção da Saúde. As discussões de tal Conferência foram baseadas nos progressos alcançados com a Declaração de Alma-Ata para os Cuidados Primários em Saúde, com o documento da Organização Mundial de Saúde (OMS) sobre Saúde Para Todos, assim como com o debate ocorrido na Assembleia Mundial da Saúde sobre as ações intersetoriais necessárias para o setor.

Historicamente, saúde e educação têm vivenciado aproximações e distanciamentos, e, a partir desses encontros e desencontros têm surgido experiências no que diz respeito ao cumprimento de suas missões e papel social. Considerando a forma como a educação e saúde se inserem na sociedade deve ser ressaltado o papel emancipatório da educação, uma vez que propicia o diálogo e as aprendizagens mútuas que tendem a contribuir na compreensão e abordagem da saúde em seu sentido amplo (MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO, 2009).

1.6 PROMOÇÃO À SAÚDE COM PERSPECTIVA NUTRICIONAL NO AMBIENTE ESCOLAR

Boog (1999) enfatiza os cuidados com a alimentação saudável em prol da prevenção e controle de doenças crônicas não transmissíveis, que têm aumentado com o decorrer dos anos. Quando a autora denota tais cuidados, a mesma desperta reflexão a respeito da relação entre bons hábitos alimentares e seus efeitos sobre a saúde.

Vigotsky (1991) lança um olhar sobre a adolescência como um período da vida em que o indivíduo sofre influências sociais, e estas farão parte de sua cultura.

Se houver conjuntura entre o meio social que o adolescente (aluno) permeia e o incentivo de bons hábitos alimentares em seu dia-a-dia, há maior possibilidade de motivação acerca das escolhas alimentares que favorecem a qualidade de vida. A escola é o meio social que o educando passa boa parte de sua vida, sendo este um espaço viável para estudar perspectivas nutricionais sob um aspecto investigativo.

No atual contexto, em que a promoção das práticas alimentares saudáveis prevalece, a educação alimentar e nutricional também está sendo um reflexo das políticas públicas de saúde. O Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável de Minas Gerais - Consea-MG (2006), determina que a alimentação deve ser um direito humano básico, de acesso permanente e regular, devendo prevalecer a prática alimentar adequada aos aspectos biológicos e sociais dos indivíduos, de acordo com o ciclo de vida e as necessidade alimentares especiais, considerando e adequando quando necessário, o referencial tradicional local.

De acordo com o Consea (2006), as políticas públicas de segurança alimentar e nutricional sustentável devem se orientar por alguns eixos e diretrizes, que contemplem a implementação de ações educativas através da promoção de práticas alimentares saudáveis, sendo citada a alimentação institucional, como a alimentação em escolas, com foco em garantia na qualidade da nutrição.

As políticas públicas de segurança alimentar e nutricional têm buscado a sua ampliação à medida que se fortalecem as políticas de promoção dos direitos humanos, ocupando um lugar que elas não tiveram na história. Se, por um lado, isso representa avanços na direção da alimentação como direito, por outro, emergem questões que precisam ser consideradas, tal como o fato do indivíduo ter direito a uma alimentação de qualidade, e a política econômica no país não poder oferecer requisito financeiro para o indivíduo exercer seu direito na sociedade (SANTOS, 2005).

O que Santos (2005) explicita é que a questão alimentar envolve muito mais do que a ingestão de alimentos, mas também o fator econômico para aquisição, ou o conhecimento a respeito dos mesmos no momento do consumo, ou o fator cultural e habitual desse consumo. Na teoria o que se tem direito nem sempre se aplica ao que ocorre na prática. Todos esses fatores devem ser ponderados no momento da nutrição.





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