Universidade Federal De Minas Gerais Faculdade de Educação cecimig a relevância de se estudar nutriçÃo numa perspectiva investigativa com alunos do ensino fundamental



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1.1 OBJETIVO GERAL

Objetivou-se com essa pesquisa desenvolver um projeto de ensino de Ciências por investigação, nas aulas de Ciências com alunos de 6º a 9º ano do Ensino Fundamental (anos iniciais e finais) da Escola Estadual do Bairro Jardim do Ipê no município de Governador Valadares (MG), acerca da importância da nutrição na qualidade de vida das pessoas.



1.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS




  • Desenvolver estratégias didáticas para promover o ensino da educação nutricional na vida dos estudantes;

  • Estudar os diferentes grupos alimentares, seus nutrientes e funções;

  • Oportunizar aos alunos o conhecimento básico da boa alimentação frente à melhoria na qualidade de vida;

  • Promover a abordagem do ensino por investigação no contexto de ciência, tecnologia e sociedade (CTS);

  • Analisar o índice de massa corporal (IMC) mensal dos alunos do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental da Escola Estadual do Bairro Jardim do Ipê no período de setembro a dezembro de 2013.


1.3 JUSTIFICATIVA

A importância em se procurar constantemente por qualificação na área de Ciências, nos leva buscar subsídios teórico e prático que venham de encontro da melhoria na qualidade do ensino e nos faz refletir a respeito do processo de ensino-aprendizagem.

Como educadora percebo maior interesse dos alunos nas aulas de Ciências quando envolve a experimentação. Diante disso, minha busca por atividades práticas se justificam como lampejos de inspiração frente ao processo de ensino-aprendizagem com foco na “ciência por investigação”.

É importante ressaltar que o ensino de Ciências por meio da investigação não fará dos educandos “cientistas”, mas oportunizará que os mesmos vivenciem procedimentos metodológicos nas aulas de Ciências, assim como os cientistas também executam procedimentos metodológicos, como proposição de hipóteses, análise, discussão de resultados. Por meio do ensino de Ciências por Investigação, os alunos têm a oportunidade de refletir a respeito do trabalho prático de um cientista.

Nesse contexto, alinhado ao desenvolvimento de atividades práticas na área que envolve “alimentos”, e percebendo a promoção da saúde, surge a oportunidade de desenvolver estratégias de investigação que conjecturem temas das aulas de Ciências e ao mesmo tempo contemplem a ideia de que a ciência, a tecnologia e suas aplicações têm interferido no ambiente, e que têm sido objeto de muitos debates éticos, o que torna inconcebível a percepção de uma ciência pela ciência, sem tais reflexões.

O ensino de Ciências por meio da investigação com foco em CTS contribui na reestruturação de conhecimentos anteriormente adquiridos e promove novas visões acerca de um tema, com geração de problemas que atentem à exploração do conhecimento. A formação e discussão de conceitos de ciências inferem na necessidade da problematização de um tema, com formulação de hipóteses e formulação de respostas aos problemas do processo de ensino-aprendizagem.

Latour e Woolgar (1997) citado por Dos Santos e Mortimer (2002) procuram demonstrar em seus trabalhos em micro-etnografia das práticas científicas cotidianas, como os fatos da ciência, apesar de sua aparência objetiva e neutra, são, na verdade, construídos socialmente. Esses autores defendem a tese de que a ciência não é justificada somente por critérios racionais e cognitivos individuais, pois esses critérios são também construídos socialmente pelos diferentes atores que participam da investigação científica.

Complementando as ideias de Latour e Woolgar (1997) deve-se ressaltar que as práticas científicas são construídas socialmente uma vez que, considera-se que onde há ciência há também um ambiente ocupado por pessoas que se interagem, que propõe discussões a partir de hipóteses de criação própria. Em um ambiente escolar isso ocorre todo o tempo, sendo que para os alunos a escola representa um ambiente de integração, onde convivem socialmente com demais educandos que estão em processo de ensino-aprendizagem.

A descrição da experiência vivenciada em sala de aula, com estudantes dos anos iniciais e finais do Ensino Fundamental (6º ao 9º), no desenvolvimento de um trabalho no conteúdo de Ciências a respeito da educação nutricional (alimentos) abordado sob o foco CTS, consolidou-se como atividade investigativa e, devido ao seu bom resultado, ganhou destaque em minha concepção de educadora, principalmente pela ênfase dada à conscientização que envolve promoção da saúde no ambiente escolar.

As atividades desenvolvidas centradas a partir do que o aluno se alimenta no dia-a-dia, podem operar positivamente quanto à formação dos educandos, bem como desmitificar que a “ciência” é elaborada e vivenciada apenas por grandes cientistas, mas sim que pode ser construída e vivenciada no cotidiano. O estudo proposto viabiliza discussões entorno da ciência dos alimentos, dos diversos grupos de nutrientes (carboidratos, proteínas, lipídeos, vitaminas e sais minerais) e do papel da nutrição na vida do ser humano.


1.4 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

Ensinar Ciências por investigação denota em problematizar algum tema, aproximar a visão prática daquela que ocorre no laboratório de pesquisa e em outras situações com a exploração de um texto, filme, etc.

Segundo Azevedo (2006), uma atividade investigativa pode ser explorada tanto na forma de aulas experimentais quanto na resolução de problemas, o importante é que ela seja capaz de conduzir os alunos a exercitarem suas habilidades de pensar, debater, justificar e aplicar seus conhecimentos em situações novas.

Diante do rápido avanço da ciência e da tecnologia nos dias atuais e de sua ampla divulgação na mídia, a educação científica torna-se uma necessidade para todos, visando à participação da cidadania na tomada de decisões, principalmente em implicações dos avanços científicos e tecnológicos (MARCONDES et al., 2009). No contexto da Educação, Edgar Morin (1999) cita que

“[...] os séculos precedentes sempre acreditaram num futuro, fosse ele repetitivo ou progressivo. O século XX descobriu a perda do futuro, ou seja, a sua imprevisibilidade” (MORIN, 1999, p. 79).

Em complementação a tal pensamento, o autor acrescenta que o conhecimento é uma aventura incerta que comporta em si mesmo, permanentemente o risco de ilusão, e do erro, e assim, chama-nos a atenção para o fato de que é preciso substituir a visão tradicional do conhecimento como algo estável e seguro, por algo dotado de complexidade que tem de se adaptar constantemente a diferentes contextos e cuja natureza é incerta.

Analisando as palavras de Edgar Morin (1999) percebe-se que o mesmo acredita nas mudanças constantes que ocorrem no campo do conhecimento. As ideias não podem ser imutáveis, e devem ao mesmo tempo seguir o contexto atual a que se configuram. Assim são também os conceitos e teorias de Ciências, dada à natureza do que for estudado, deve-se considerar o contexto atual em que se encontram as novas hipóteses e as descobertas recentes a respeito do objeto de estudo.

O “Ensino de Ciências por Investigação” com abordagem CTS nas aulas de Ciências possibilitaria romper com a imagem neutra da ciência, podendo promover o interesse pela Ciência em si, melhorar o nível de criticidade, ajudando na resolução de problemas de ordem pessoal e social, permitindo maior consciência das interações entre ciência, tecnologia e sociedade contribuindo para o envolvimento mais atuante do aluno nas questões de ordem social, políticas, econômicas e ambientais (MARCONDES et al., 2009). É nesse contexto que estudos sobre ciência, tecnologia e sociedade têm recebido uma grande atenção, sobretudo no período posterior ao da Segunda Guerra Mundial e, nas últimas décadas, vêm influenciando a elaboração de currículos de ciências no mundo inteiro (BRIDGSTOCK et al., 1998).

Cachapuz et al., (2004) indaga que a Educação em Ciências deve ser centrada no aluno e na sociedade, e, no contexto científico e tecnológico, de modo geral os saberes entre as temáticas devem ser trabalhados inter e transdisciplinares, explorando a perspectiva de “situações problema” ao invés do estudo dos conceitos e princípios isolados centrados na estrutura lógica das disciplinas.

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) (BRASIL, 1996) e os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) (BRASIL, 2000) colocam que aproximar o conhecimento científico do cotidiano do aluno é um dos objetivos do Ensino, o que se alinha diretamente aos ideais do Ensino de Ciências por Investigação. Essa linha de ensino busca aprimorar a interação do aluno com o que ele aprende dia-a-dia, bem como nas discussões e debates em sala de aula, promove que o educando conviva melhor socialmente com os demais colegas.

Segundo Mortimer (2002) no estudo das ciências com ênfase em CTS (Ciência, Tecnologia e Sociedade) os conceitos são abordados em uma perspectiva relacional, de modo a evidenciar as interações entre ciência, tecnologia e sociedade, em função do conteúdo apresentado. O estudo da educação nutricional, através da abordagem CTS, permite a introdução de um problema de saúde e também social que deve ser abordado e discutido, propiciando o desenvolvimento da capacidade de escolhas em relação aos hábitos alimentares.

Sob a perspectiva de CTS, podem ser utilizadas várias estratégias de ensino que vão desde palestras, demonstrações, sessões de discussão, fóruns, debates, projetos individuais e de grupo, pesquisa de campo e até ação comunitária. Tais estratégias representam um papel pertinente quanto ao desenvolvimento de habilidades e atitudes necessárias à tomada de decisão (MORTIMER, 2002). Nesta perspectiva, a contextualização no ensino vem sendo defendida por diversos pesquisadores e educadores como meio de possibilitar ao aluno uma educação cidadã, concomitantemente à aprendizagem significativa de conhecimentos científicos. Assim, a contextualização pode ser entendida como uma estratégia pedagógica para o ensino de conceitos científicos. Neste caso, parte-se do pressuposto de que a inserção de conteúdos socialmente relevantes facilite a aprendizagem ou motive os estudantes a estudar ciências (MARCONDES et al., 2009).

Contextualização como entendimento crítico de questões científicas e tecnológicas relevantes que afetam a sociedade é característica do movimento CTS. O ensino de Ciências nesse enfoque tem a função de preparar os futuros cidadãos para participarem ativamente no processo democrático de tomada de decisões na sociedade. Para tal, objetiva-se que os alunos possam compreender as interações entre ciência, tecnologia e sociedade; e que desenvolvam a capacidade de resolver problemas e tomar decisões relativas às questões com as quais se deparam como cidadãos (ACEVEDO, 1996).



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