Universidade estadual de mato grosso do sul eliane sarri



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25 

 

2  OS CONTOS AMAZÔNICOS: ANÁLISE E CONTEXTO HISTÓRICO 

 

O  presente  capítulo  tem  o  objetivo  de  abordar  as  questões  históricas  dos  contos 



Amazônicos  de  Inglês  Sousa  a  partir  do  “Voluntário”,  que  traça  o  perfil  de  um  período 

histórico embalado pela  Guerra do Paraguai, e  a  “Quadrilha de Jacó Patacho”, que retrata o 

cenário da Cabanagem. Nesses dois episódios a história evidencia o drama, a tragédia e a saga 

humana  desenvolvida  por  meio  da  literatura  naturalista,  que  apresenta  de  forma  verossímil 

experiência de um povo, que mesmo em terras tão longínquas vive o trágico destino de quem 

vai  para  a  guerra  e/ou  envia  um  ente  querido  para  lutar  na  defesa  de  interesses  comuns  ou 

particulares.  

Nesse sentido, o capítulo se dividirá em três partes. No primeiro momento abordar-

se-á  a  questão  histórica,  fazendo  uma  menção  ao  processo  social  e  político  em  que  vivia  o 

país, nos episódios da Cabanagem e da Guerra do Paraguai; no segundo momento será feita a 

análise  dos  contos  e  seu  gênero  a  partir  da  ótica  do  autor  Inglês  de  Sousa;  e  no  terceiro 

momento será feita uma abordagem reflexiva sobre as obras estudadas, destacando o aspecto 

naturalista do autor através da ideia do trágico.  

Ressalta-se  que  nesse  capítulo  não  será  abordada  a  questão  mítica  dos  contos,  por 

conta da ênfase que será feita ao aspecto histórico. O aspecto mítico das obras estudadas será 

abordado no próximo capítulo. 

 

 

2.1  Uma abordagem dos contos de Inglês de Sousa a partir da ótica da fatalidade 



 

Como  já  mencionado  e  analisado  no  capítulo  anterior,  o  Naturalismo  tem  esse 

aspecto devido a sua concretude na abordagem  dos fatos e dos contos. De uma forma muito 

real  e  objetiva,  o  autor  Inglês  de  Sousa  tece  seus  contos,  mostrando  a  realidade  vivida  por 

seus personagens e que são traduzidos em fatos históricos do país em seu tempo. Mas o que 

será  abordado  nesse  momento  é  o  caráter  trágico  consolidado  na  obra  de  Inglês  de  Sousa, 

como apresenta Sylvia Perlingeiro Paixão, dizendo: 

 

É naturalmente melancólica a gente da beira do rio. Face a face a vida com a 



natureza grandiosa e solene, mas monótona e triste do Amazonas, isolada e 

distante  da  agitação  social,  concentra-se  a  alma  num  apático  recolhimento, 

que  se  traduz  externamente  pela  tristeza  do  semblante  e  pela  gravidade  do 

gesto (PAIXÃO, 2004, p. xxvii). 

 


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A  partir  desse  trecho  é  comum  perceber  que  desde  o  início,  o  autor  apresenta  seus 



personagens  como  figuras  tristonhas  e  desalentadas,  e  a  partir  desse  contexto,  a  própria 

história  dos  contos,  revela  o  drástico  e  triste  desfecho  da  vida  que  é  assolada  pelo  trágico  e 

fatal destino.  

Inglês  de  Sousa  (2004)  permite  que  se  entenda  o  Naturalismo  como  algo  que  está 

imerso  na  vida  concreta  das  pessoas,  assim,  ele  trata  com  detalhes  a  região  amazônica,  ao 

mesmo tempo em que colocam em evidência os aspectos naturalistas dos personagens, tendo 

como  preocupação  essencial,  mostrar  a  história  de  seus  contos,  vinculados  com  os  fatos 

históricos do povo dessa região nacional.  

Com  uma  linguagem  objetiva  e  lógica,  o  autor  apresenta  o  naturalismo  excêntrico 

que revela nua e crua a vida das pessoas, através da abordagem dos fatos da época, fazendo a 

eloquência dos dados reais e fictícios.  

No entanto, é possível entender também o aspecto científico dos contos de Inglês de 

Sousa, que Pereira (1988) aponta ao descrever que os contos possuem um método científico, 

já  que  o  autor  observa  o  homem  a  partir  da  ciência,  de  uma  maneira  impessoal  e  objetiva, 

relacionando-se com os fatos e as coisas de forma científica. Nesse sentido, o autor conduz a 

literatura para o campo da ciência.  

Mas,  mesmo  entendendo  o  aspecto  científico  da  obra  de  Inglês  de  Sousa,  não  tem 

como perceber nos seus contos, a presença constante de um sentimento de tristeza, de agonia 

e  miséria  que  leva,  incondicionalmente,  os  personagens  a  um  fim  trágico  e  fatal.  Em  todos 

seus  contos,  e  não  é  diferente  nos  contos  analisados  nesse  capítulo,  o  autor  desenvolve  de 

forma ativa e dinâmica a tragédia e a fatalidade que acompanha o ser humano em sua história.  

Pereira  (1988)  também  retrata  que  o  determinismo  no  contexto  dos  contos  é 

marcante,  pois  os  personagens  não  têm  vontade  própria  e  são  conduzidos  pelo  destino  que 

outrora  já  estava  traçado  e  decidido.  Portanto,  é  interessante  ressaltar,  que  a  partir  da  visão 

constatada  em  Inglês  de  Sousa  (2004)  os  contos  apresentam  aqueles  que  não  têm  visão, 

audição e voz, na história do Brasil em tempos dominantes, uma presença forte, determinante, 

protagonista, mesmo que seu talante leva-os ao tráfico e à fatalidade. 

De  uma  maneira  muito  clara,  o  autor  faz  da  fatalidade  e  da  tragédia  elementos 

essenciais de suas obras, colocando seus personagens em relação direta e condicionada a um 

fim  sem  sucesso,  sem  glórias  e  sem  vitórias.  Mas  quando,  analisa-se  a  partir  da  perspectiva 

científica,  descobre-se  nesses  personagens  a  sua  força  e  imortalidade,  resistência  e 

protagonismo histórico e social. 



27 

 

E  finalmente,  calcado  no  pensamento  dos  autores  citados  neste  capítulo,  é  possível 



constatar que os contos traçam o caminho da ação do ser humano em sua forma mais concreta 

e real, que os contextualiza em um tempo histórico e socialmente cultural. Diante disso, pode-

se concluir que o fim dos personagens transcende a realidade de morte, de dor e de fatalidade 

e  ascensão  da  glória,  da  resistência  e  da  conquista  que  está  além  do  fato  em  si,  mas  que  só 

agora, se pode ver e entender.  

Fazendo uma análise da visão do autor Inglês de Sousa (2004) sobre a fatalidade em 

seus  contos, talvez  seja  possível  verificar que ele não tinha como  fugir  desse contexto,  uma 

vez  que  seus  contos  estão  diretamente  relacionados  a  fatos  políticos,  históricos  e  sociais  da 

região amazônica.  

A  fatalidade  era  uma  condição  inevitável  para  aqueles  que  vivenciam  uma  dura  e 

cruel  realidade em  tempos marcados pela dominação  e descaso  político,  econômico e social 

nos  recantos  amazônicos  e  Inglês  de  Sousa  faz  desse  cenário  o  palco  de  suas  obras.  Nesse 

sentido,  fica  claro  que  ele  não  tem  como  fugir  da  dimensão  fatal  e  trágica,  tendo 

obrigatoriamente que colocar seus personagens em situações e condições deploráveis de dor, 

tristeza,  miséria  e  morte.  Então,  fatalidade  e  tragédia  são  elementos  indispensáveis  para  os 

contos do autor.  



 

 

2.2  A quadrilha de Jacó Patacho e a Cabanagem 

 

O conto "A Quadrilha de Jacó Patacho" possui como contexto histórico o episódio da 



Cabanagem.  Boris  Fausto  (1995)  em  seu  livro  História  do  Brasil  apresenta  a  região 

amazônica  como  aquela  que  desde  tempos  antigos  sofre  a  dinâmica  de  uma  mudança 

constante  em  todos  seus  aspectos.  É  uma  alternância  entre  o  tradicional  e  o  moderno,  o 

arcaico e o inovador.  

Os  Contos  Amazônicos  surgiram  no  ano  de  1893,  escritos  por  Inglês  de  Sousa, 

contendo lendas, mitos, crenças e histórias que se misturam entre o real e o fictício.  

Fausto  (1995)  retrata  o  processo  histórico  do  país  mencionando  de  forma  clara  e 

objetiva  os  eventos  e  fatos  ocorridos  que  influenciaram  e  determinaram  o  contexto  social, 

político,  econômico  e  cultural  do  Brasil,  perfazendo  o  caminho  da  história  de  homens  e 

mulheres que consolidaram o processo histórico brasileiro.  



28 

 

O autor traça o perfil do país abordando a história desde a chegada dos portugueses 



até os anos de 1880. Nesse percurso, ele elenca os diversos acontecimentos ocorridos no país, 

apresentando suas motivações e interesses.  

De acordo com Paixão (2004) é nesse contexto que surge a obra Contos Amazônicos

que  foi  publicada  no  ano  de  1893.  Ela  é  composta  por  nove  contos  que  estão  sempre 

relacionados  a  um  episódio  histórico  e  buscam,  através  da  trama  literária,  abordar  questões 

concretas da vida das pessoas que viveram essa época e nesses locais. Nesses contos ver-se-á 

a manifestação do povo que busca respostas para sua história e que são apresentadas de forma 

real, concreta e clara, seguindo os traços do Naturalismo. 

Paixão (2004) destaca que os contos amazônicos retratam o perfil social, econômico 

e  político  do  país  embasando-se  na  vida  real  do  povo  que  vive  a  luta  entre  portugueses  e 

nativos, em um tempo marcado muitas tragédias, mortes e perseguições.  

Abordando  a  Cabanagem,  Fausto  (1995)  enquadra  esse  movimento  como  uma 

revolta  popular  que  ocorreu  no  período  regencial  do  país,  entre  os  anos  de  1835  e  1840  na 

província do Grão-Pará, situada na região Norte do Brasil. O nome Cabanagem  é devido  ao 

fato de os participantes dessa revolta morarem em cabanas às margens dos rios, como se pode 

conferir no fragmento a seguir. 

 

A  cabanagem  explodiu  no  Pará,  região  frouxamente  ligada  ao  Rio  de 



Janeiro.  A  estrutura  social  não  tinha  aí  a  estabilidade  de  outras  províncias, 

nem  havia  uma  classe  de  proprietários  rurais  bem  estabelecida.  Era  um 

mundo  de  índios,  mestiços,  trabalhadores,  escravos  ou  dependentes  e  uma 

minoria branca, formada por comerciantes portugueses e uns poucos ingleses 

e franceses. Essa minoria se concentrava em Belém uma pequena cidade de 

12  mil  habitantes.  Por  aí  escoava  a  modesta  produção  de  tabaco,  cacau, 

borracha  e  arroz.  Uma  contenda  entre  grupos  da  elite  local,  sobre  a 

nomeação  do  presidente  da  província,  abriu  caminho  para  a  revolução 

popular.  Foi  proclamada  a  independência  do  Pará.  Uma  tropa  cuja  base  se 

compunha de negros, mestiços e índios atacou Belém e conquistou a cidade, 

após vários dias de dura luta. A partir daí, a revolta se estendeu ao interior da 

província. (FAUSTO, 1995, p. 165). 

 

Segundo Fausto (1995) o que motivou a revolta  foi o descontentamento em relação 



ao  isolamento  do  Pará  ao  resto  do  Brasil,  e  o  patriotismo,  que  motivou  o  ataque 

indiscriminado  aos  comerciantes  portugueses  ali  imigrados,  vistos  como  intrusos  em  uma 

terra  que  não  lhes  pertencia.  De  uma  forma  muito  clara,  esses  grupos  protestavam  contra  o 

governo  buscando  a  independência  da  Província  do  Grão-Pará.  A  Cabanagem,  conforme  o 

historiador,  era  composta  por  índios,  mestiços,  escravos  e  pequenos  proprietários  de  terra. 

Embora tivesse como lema a liberdade e ter os escravos como integrantes, o movimento era 



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contraditório, pois chegou a reprimir levantes de escravos, nessa região, e também não tocou 



no tema da abolição mantendo a escravatura, como mostra o trecho abaixo: 

 

Os  cabanos  não  chegaram  a  oferecer  uma  organização  alternativa  ao  Pará, 



concentrando-se  no  ataque  aos  estrangeiros,  aos  maços,  e  na  defesa  da 

religião católica, dos brasileiros, de Dom Pedro II, do Pará e da liberdade. É 

curioso observar que, embora entre os cabanos existissem muitos escravos, a 

escravidão não foi abolida. (FAUSTO, 1995, p. 166)     

 

Fausto (1995) relata que a Revolta da Cabanagem provocou um massacre sangrento 



entre  os  que  protestavam  e  as  forças  do  governo,  contabilizando  em  cinco  anos  de  luta,  a 

morte de muitas pessoas. Durante a revolta o governo da província passou por várias mãos e 

diante  de  tanta  instabilidade  e  conflitos  internos.  O  movimento  da  Cabanagem  foi  vencido 

pelo  governo que  contou  com  o apoio  de tropas  da Europa. O  fim  do movimento se deu no 

ano de 1840, quando os cabanos foram derrotados definitivamente, como pode-se ver abaixo: 

 

A rebelião foi vencida pelas tropas legalistas, depois do bloqueio da entrada 



do Rio Amazonas e uma série de longos e cruéis confrontos. Belém acabou 

sendo praticamente destruída e a economia, devastada. Calcula-se que 30 mil 

pessoas  morreram,  entre  rebeldes  e  legalistas,  ou  seja,  cerca  de  20%  da 

população estimada da província. (FAUSTO, 1995, p. 166)     

 

O  episódio  da  Revolta  da  Cabanagem  é  abordado  pelo  autor  Inglês  de  Sousa  no 



conto "A quadrilha de Jacó Patacho", através do qual, o autor trabalha a questão da fatalidade 

em que as pessoas estão irremediavelmente fadadas a algo ruim.  

Definindo a proposta dos contos amazônicos, Sylvia P. Paixão fala: 

 

Em  todos  os  contos,  a  preocupação  do  autor  não  está  em  descrever 



propriamente  estados  de  alma,  concentrando-se  mais  em  mostrar  o  caráter 

dos  personagens  através  da  ação  exterior  destes.    As  cenas  são  descritas 

como  se  de  fato  estivesse  acontecendo  num  palco  onde  atores  se  mostram 

para uma platéia sem a interferência do olho indiscreto de uma câmara – ou 

de um narrador – que porventura pudesse influenciar o espectador – leitor. A 

observação  prevalece  sobre  a  interpretação,  demonstrando  uma  grande 

objetividade na análise dos fatos (PAIXÃO, 2004, p. xix). 

 

Por  meio  desse  trecho  é  possível  entender  que  o  Naturalismo  presente  na  obra  de 



Inglês de Sousa, se preocupa em apresentar os fatos de forma muito clara, permitindo que o 

leitor se deleite no episódio como se fosse real. A narração descreve a realidade apresentando-

a tal como ela é, não deixando que a subjetividade adentre na trama.  


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"A  Quadrilha  de  Jacó  Patacho",  de  acordo  com  José  Mourão  de  Araújo  (2006)  em 



seu artigo Literatura e História na recepção crítica do conto de Inglês de Sousa, é um conto 

relacionado à Revolta da Cabanagem que tem por objetivo mostrar como era a relação entre 

as pessoas envolvidas nessa revolta e como os protestantes chegavam e adentravam as casas 

das pessoas nessa época. Segundo o autor: 

 

O conto narra a história da tragédia vivida pela família de Félix Salvaterra, 



imigrante português, que residia em um sítio isolado no Pará, entre Santarém 

e  Irituia,  às  margens  do  rio  Tapajós.  Historicamente  situada  em  1832,  a 

narrativa  tem  como  pano  de  fundo,  como  está  dito  anteriormente  neste 

estudo, o contexto da Cabanagem paraense (ARAÚJO, 2006, p. 111). 

 

De cunho extremamente político e social, "A Quadrilha de Jacó Patacho" evidencia o 



conflito  dos  nativos  contra  um  governo  que  não  lhes  garante  condições  de  vida  digna, 

buscavam  veemente  a  independência  da  Província  Grão-Pará  para  poderem  ser  “donos”  de 

seu  próprio  destino.  O  descaso  e  a  indignação  tomaram  conta  do  povo  que  se  rebelou 

protestando contra o fazer do governo que os deixou à margem dos direitos e benefícios.  

Inglês de Sousa (2004) trabalha o conto enfatizando o seu aspecto social e político ao 

determinar  a  vida  dos  personagens  na  elaboração  de  um  episódio  que  retrata  vida  dos 

personagens  e  mostra,  através  do  conflito,  a  dureza  da  miséria,  da  dor  e  da  morte,  como 

mostra o trecho a seguir: 

 

— Mata marinheiro! Mata! Mata.  



Os  bandidos  correram  e  penetraram  na  casa.  Travou-se  então  uma  luta 

horrível  entre  aqueles  tapuios  armados  de  terçados  e  de  grandes  cacetes 

quinados  de  massaranduba,  e  os  três  portugueses  que  heroicamente 

defendiam  o  seu  lar,  valendo-se  das  espingardas  de  caça,  que,  depois  de 

descarregadas, serviram-lhes de formidáveis maças (SOUSA, 2004, p. 125). 

  

O  conto  propriamente  dito  relata  o  drama  de  uma  família  que  vive  no  Pará  e 



experimenta em sua própria casa um trágico fim: a desgraçada sorte de morrer pelas mãos de 

alguém  que  estava  acolhido  em  sua  morada.  Essa  família  era  composta  pelo  pai  Félix 

Salvaterra, sua esposa Maria dos Prazeres, seus filhos Anica e seus dois irmãos. Eles seguiam 

rotineiramente  suas  vidas,  porém  atormentados  com  os  constantes  ataques  da  quadrilha  de 

Jacó  Patacho,  que  já  havia  feito  várias  vítimas  na  redondeza,  e  como  Salvaterra  era 

considerado  rico  e  era  português,  tornava-se  mais  suscetível  aos  ataques,  uma  vez  que  uma 

das  razões  da  Revolta  da  Cabanagem,  como  afirma  Boris  Fausto,  era  em  relação  aos 


31 

 

portugueses que eram considerados usurpadores da terra da região amazônica, como destaca o 



trecho a seguir: 

 

Muito  se  falava  então  nas  façanhas  de  Jacó  Patacho;  nos  assassinatos  que 



amiúde  cometia;  casos  estupendos  se  contavam  de  um  horror  indizível: 

incêndios  de  casa  depois  de  pregadas  as  portas  e  janelas  para  que  não 

escapassem  à  morte  os  moradores.  Enchia  as  narrativas  populares  a 

personalidade  do  terrível  Saraiva,  o  tenente  da  quadrilha  cujo  nome  não  se 

pronunciava  sem  fazer  arrepiar  as  carnes  aos  pacíficos  habitantes  do 

Amazonas.  Félix  Salvaterra  tinha  a  fama  de  rico  e  era  português,  duas 

qualidades perigosas em tempo de cabanagem. ( SOUSA, 2004, p. 112)    

      


O conto relata que o sofrimento  não acontece  apenas  para aqueles que  penam  até a 

morte, no caso dos personagens homens, mas principalmente às mulheres que são arrancadas 

do  seio  de  sua  família,  e  são  levadas  pelos  bandidos  passando  por  muita  violência,  como 

retrata o autor. 

 

[...]  Eram  donzelas  raptadas  para  saciar  as  paixões  dos  tapuios;  pais  de 



família  assassinados  barbaramente;  crianças  atiradas  ao  rio  com  uma  pedra 

ao  pescoço;  herdades  incendiadas,  uma  quadro  interminável  de  atrocidades 

inauditas[...] ( SOUSA, 2004, p. 116-117)   

 

A partir dessa ótica, "A Quadrilha de Jacó Patacho" tem um desfecho que permite o 



leitor entender quão trágica é a vida do cabano, que em sua simplicidade e desejo de acolher, 

coloca nas mãos de algozes a própria vida. Mas talvez, o drama mais dolorido e triste seja de 

Anica  e  sua  mãe,  Maria  dos  Prazeres,  que  em  vez  de  serem  mortas,  são  levadas  pelos 

bandidos, tendo um destino bem mais cruel e desolador, pelo o fato de ver morrerem os seus e 

de serem aprisionadas pelos algozes. A visita na casa do português não se resume apenas na 

presença do terrível tenente Saraiva, mas também na presença da morte que vem para ambos 

os lados.  

E  por  fim,  narra-se,  que  resta  apenas  o  cenário  da  tragédia  em  sua  velha  e 

abandonada casa,  enquanto  em  outro lugar, as  mulheres sobreviventes,  recordam  com terror 

na alma e no corpo, a cruel e triste noite da matança. Nesse aspecto, o narrador apresenta com 

clareza a fatalidade, que ronda a vida dos personagens, levando-os 

incondicionalmente 

a um 

fim trágico. 



 

A partir de todo o estudo que foi feito sobre o conto "A Quadrilha de Jacó Patacho", 

é possível verificar a presença da guerra em um contexto regional, marcado pela dor, morte e 


32 

 

tragédia.  É  realidade  mais  dura  e  crua  que  um  povo  pode  vivenciar  dentro  de  sua  vida 



humana.  

Assim, se perpassa a história da região do Grão-Pará que busca por meio da Revolta 

da Cabanagem,  a sua liberdade e independência;  no entanto, vivencia no seio  obscuro dessa 

revolta  as  práticas  mais  drásticas  da  bandidagem,  que  assola,  mata  e  destrói  a  vida  das 

pessoas.  Nesse  contexto,  a  Cabanagem  retrata  um  aspecto  histórico  ocorrido  na  região 

amazônica  do  Brasil,  trazendo  à  discussão  um  episódio  que  permite  analisar  a  configuração 

política e social de um povo que vive sem condições de uma vida digna. 

  

 



 

2.3  A Guerra do Paraguai e a história de um voluntário 

 

Para  compreendermos  a  Guerra  do  Paraguai,  que  possui  grande  importância  para  a 



compreensão  do  conto  “Voluntário”  de  Inglês  de  Sousa,  vale  a  pena  relembrar  fatos  e 

episódios ocorridos durante o século XIX. 

Boris Fausto (1995) afirma que o episódio da guerra Napoleônica contra os Ingleses 

favorece  a  chegada  da  corte  real  de  Portugal  ao  Brasil,  no  final  de  1807.  Esse  fato  muda  a 

vida  colonial  do  Brasil,  que  agora  aconchega  em  seu  seio  a  família  real.  De  acordo  com  o 

autor,  a  vinda  da  corte  real  para  o  Brasil  deslancha  uma  dinâmica  de  várias  efervescências, 

como o cenário cultural que precisa atender a demanda da Coroa portuguesa. Principalmente a 

cidade  do  Rio  de  Janeiro  passa  por  uma  modificação  em  sua  estrutura  social  e  política  e 

consequentemente  cultural,  pois  se  ajustam  à  nova  fase  do  Reinado  Português  no  Brasil.  A 

crescente imigração de portugueses, franceses, ingleses e espanhóis fomenta a vida no Brasil 

contribuindo com novos fatos, novas ideias e nova conjuntura.  

Fausto  (1995)  apresenta  de  forma  muito  objetiva  o  relato  histórico  desse  período 

mencionando  o  descontentamento  ocorrido,  como  a  conflituosa  relação  entre  as  forças 

militares que ora atendem ao Brasil e ora atendem à Coroa portuguesa, beneficiando com os 

melhores cargos a nobreza de Portugal e o alto custo na manutenção da Coroa portuguesa e as 

drásticas  desigualdades  regionais.  Esses  impasses  germinaram  revoltas  que  foram 

disseminando-se no país. Entre essas revoltas temos a que ocorreu no Pernambuco em 1817, 

estendendo-se até o Sertão e carregando consigo os ideários dos militares, proprietários rurais, 

artesões, juízes e comerciantes.  

E em relação à Guerra do Paraguai, Fausto (1995) afirma: 



33 

 

 



Enquanto  o  café  seguia  sua  marcha  no  Oeste  Paulista  e  as  propostas  de 

abolição  gradual  da  escravatura  davam  os  primeiros  passos,  um 

acontecimento  internacional  iria  marcar  profundamente  a  história  do 

Segundo Império. Esse acontecimento foi a Guerra do Paraguai, travada por 

mais  de  cinco  anos,  entre  11  de  novembro  de  1864,  quando  ocorreu  o 

primeiro  ato  das  hostilidades,  e  1  de  março  de  1870.  Ela  é  conhecida,  na 

América  espanhola,  como  a  Guerra  da  Tríplice  Aliança  (BORIS,  1995,  p. 

208) 


 

A partir dessa contextualização é possível verificar que a Guerra do Paraguai foi um 

conflito  militar  que  aconteceu  na  América  Latina,  envolvendo  o  Paraguai  de  um  lado  e  a 

Tríplice Aliança (Brasil, Uruguai e Argentina) do outro.  

Em outro trecho do livro, Fausto afirma: 

 

A guerra constitui um claro exemplo de como a história, sem ser arbitrária, é 



um  trabalho  de  criação  que  pode servir a  vários  fins.  Na  versão  tradicional 

da historiografia brasileira, o conflito resultou da megalomania e dos planos 

expansionistas  do  ditador  Paraguai  Solano  Lopes.  Membros  das  Forças 

Armadas  –  especialmente  do  Exército  –  encaram  os  episódios  da  guerra 

como exemplos da capacidade militar brasileira, exaltando os feitos heróicos 

de Tamandaré, de Osório e, em especial, de Caxias. Nas escolas brasileiras, 

pelo  menos  até  alguns  anos  atrás,  admirávamos  esses  heróis  e  olhávamos 

com desdém para a figura sisuda do barbudo Solano (BORIS, 1995, p.208) 

 

Com  isso,  fica  claro  que  a  guerra  do  Paraguai  evidenciou  como  causa  a  luta  por 



conquistas de terras na região da Bacia do Rio Prata, já que esse local garantia a possibilidade 

de novas rotas marítimas.  

Ainda de acordo  com  Fausto  (1995)  a Guerra  contabilizou um  prejuízo irreparável, 

quanto na questão material quanto humana. Morreram aproxidamente 300 mil pessoas, entre 

civis e militares. O Paraguai teve uma baixa populacional de cerca de 20%, além de ficar com 

a  sua  economia  destruída  e  ter  seu  território  diminuído  drasticamente.  Do  lado  do  Brasil, 

ressalta  Fausto  (1995),  o  prejuízo  também  foi  grande,  ficando  com  a  economia  totalmente 

comprometida. 

O  próprio  título  do  conto  “Voluntário”  já  denota  um  tom  de  dúvida  que  o  autor 

assume, no qual, por meio da crítica em torno das ações militares que estavam impregnadas 

no seio do país, questiona a guerra e seu reflexo na vida dos habitantes da região amazônica. 

Neste sentido, o conto apresenta como eram recrutados os homens para lutarem na Guerra do 

Paraguai.  


34 

 

Sousa (2004) retrata a luta entre Brasil e Paraguai como um movimento estarrecedor 



nos recantos amazônicos.  

 

Nas  classes  mais  favorecidas  da  fortuna,  nas  cidades  principalmente,  o 



entusiasmo  foi  grande  e  duradouro.  Mas  entre  o  povo  miúdo  o  medo  do 

recrutamento para voluntário da pátria foi tão intenso que muitos tapuios se 

meteram pelas matas e pelas cabeceiras dos rios e ali viveram como animais 

bravios sujeitos a toda espécie de privações. Falava-se de Francisco Solano 

Lopez nos serões do interior da província como de um monstro devorador de 

carne humana, de um tigre incapaz de sentimento humanitário. A ignorância 

dos  nossos rústicos patrícios,  agravada  pelas  fábulas ridículas editadas  pela 

imprensa oficiosa, dando ao nosso governo o papel de liberador do Paraguai 

(embora  contra  a  vontade  do  libertando  o  libertasse  a  tiro),  não  podia 

reconhecer  no  ditador  o  que  realmente  era:  uma  coragem  de  herói,  uma 

vontade  forte,  uma  inteligência  superior  ao  serviço  de  uma  ambição 

retrógrada (SOUSA, 2004, p.8).  

 

O  conto  "Voluntário"  trata  da  questão  da  Guerra  do  Paraguai,  através  do 



recrutamento de voluntários. Mesmo o conflito ocorrido em terras tão longínquas, os homens 

da região amazônica, eram recrutados para ser "voluntários" de forma involuntária para lutar 

contra o forte e  audacioso  Solano  Lopes.  Verifica-se, através da ótica do autor, que o  conto 

começa com um tom irônico, que questiona e coloca em dúvida os motivos e a utilidade real 

da guerra.   

 

Coisa terrível que era então o recrutamento! 



Esse  meio  violento  de  preencher  os  quadros  do  exército  era,  ao  tempo  da 

guerra,  posto  em  prática  com  barbaridades  e  tirania,  indignas  de  um  povo 

que pretende foros de civilizados. ( SOUSA, 2004, p. 9) 

 

 



Em  outra  passagem  do  texto  o  narrador  apresenta  o  personagem  como  aquele  que 

vive  a  seriedade  da  vida,  e  demonstra  como  os  habitantes  da  região  amazônica  estão 

condicionados a um ambiente dominado pelo silêncio e pela solidão. O sentido contemplativo 

do caboclo mostra uma sintonia com a natureza e com uma visão futura de seu destino.  

 

O  caboclo  não  ri,  sorri  apenas;  e  sua  natureza  contemplativa  revela-se  no 



olhar fixo e vago em que lêem os devaneios íntimos, nascidos da sujeição da 

inteligência ao mundo objetivo e dele assoberbada. Os seus pensamentos não 

se  manifestam  em  palavras  por  lhes  faltar,  a  esses  pobres  tapuios,  a 

expressão  comunicativa,  atrofiada  pelo  silencio  forçado  da  solidão. 

(SOUSA, 2004, p. 6) 

 


35 

 

Por meio do conto “Voluntário”, temos a história de um homem chamado Pedro que 



vive  humildemente  cuidando  de  sua  velha  e  viúva  mãe,  chamada  Rosa.  Eles  viviam  na 

margem do rio, bem perto da cidade de Alenquer que fica no interior do  estado do Pará. Os 

dois  viviam  tranquilamente  até  o  momento  em  que  aparece  o  capitão  Fabrício  e  leva  Pedro 

para lutar na Guerra do Paraguai.  

O conto retrata a realidade da família de Pedro, de seu zelo e cuidado pela casa. No 

fragmento  que  segue,  vale  destacar  a  descrição  de  uma  casa  simples,  do  povo  simples  que 

habitava a região amazônica. 

 

Apesar da pobreza rústica da casa, com as suas portas de japá e as paredes de 



sopapo,  com  o  chão  de  terra  batida,  cavada  pela  ação  do  tempo,  tinha  a 

tapuia  em  alguma  conta  o  asseio.  Trazia  o  terreiro  bem  varrido  e  o  porto 

livre  das  canaranas  que  a  corrente  do  rio  vinha  ali  depositando.  E  se  os 

tipitis, as cuiambucas e todos os utensílios caseiros andavam sempre lavados 

com  cuidado,  as  redes  de  dormir  pareciam  ter  saído  do  tear,  de  brancas  e 

novas que sempre se encontravam. (SOUSA, 2004, p. 3) 

 

Em outra passagem do livro, o protagonista do conto é indicado para lutar na Guerra 



do Paraguai, por meio de um desafeto que de alguma forma se vinga do rapaz. Aproveitando 

de sua estatura forte e vistosa, o seu desafeto coloca-o como um voluntário apto para guerrear, 

como pode ser observado abaixo: 

 

Pedro  era  em  1865  um  rapagão  de  dezenove  anos,  desempenado  e  forte. 



Tinha os olhos pequenos, tais quais os do pai, com a diferença de que eram 

vivos,  e  de  uma  negrura  de  pasmar.  A  face  era  cor  de  cobre,  as  feições 

achatadas e grosseiras, de caboclo legitimo, mas com um cunho de bondade 

e de candura, que atraía o coração de quantos lhe punham a vista em cima. 

Demais, serviçal e alegre até ali. (SOUSA, 2004, p. 4) 

 

 



De acordo com Paixão (2004) o conto, a partir do momento que inicia a história da 

reclusão  de  Pedro,  tem  um  cunho  histórico,  pois  apresenta  sistematicamente,  um  episódio 

importante da história do Brasil, a Guerra da Tríplice Aliança.  O narrador, que se apresenta 

como  advogado,  busca  sem  sucesso  livrar  Pedro  desse  destino  cruel  e  trágico,  mas  de  nada 

adianta,  pois  ele  é  embarcado  para  lutar  contra  o  terrível  Solano  Lopez.  Assim,  se  deu  a 

abordagem e o recrutamento. 

 

—  Ora  bom  dia,  seu  Pedro.  Então  já  sei  que  vai  à  caça?  E  está  com  uma 



bonita arma! Quer vendê-la? E foi lha tirando das mãos, sem que o pescador, 

admirado de tão grande afabilidade, pensasse em contrariar-lhe o gesto.  



36 

 

— Eh, eh! Seu Pedro, você está um rapaz robusto e deveria ser voluntário da 



Pátria. O governo precisa de gente forte lá no sul para dar cabo do demônio 

do Lopez. Ora, é uma vergonha que você esteja a matar os pobrezinhos dos 

papagaios e a arpoar os inocentes dos pirarucus, quando melhor quebraria a 

proa aos paraguaios, que são brutos também e inimigos dos cristãos.  

Pedro  Balbuciava  negativas  e  desculpas.  Era  filho  único...  não  tinha  jeito 

para a guerra... quem tomaria conta da pobre velhinha? Mas o capitão pôs-

lhe a Mao no ombro dizendo em voz repassada de mel: 

— Pois então tenha paciência. Se não quer ser voluntário, está recrutado. 

Pedro  deu  um  pulo  para  trás,  como  se  fora  mordido  por  uma  cobra. 

Recrutado,  ele!  A  palavra  fatídica  soou-lhe  aos  ouvidos  como  anúncio  de 

irreparável desgraça (SOUSA, 2004, p. 13-14) 

 

Esse  episódio  que  coloca  em  cena  o  advogado,  o  juiz  e  o  policial,  mostra  a 



conveniência  que  existia  entre  os  poderes  de  mando  e  comando,  em  que  o  pobre  Pedro  foi 

emboscado e enviado a um destino sem volta. 

  

Voltei  imediatamente  à  cidade  e,  por  intermédio  de  um  amigo  comum, 



obtive do delegado de polícia a licença para ver o recruta na cadeia, mas por 

uma só vez, e como exceção rara. O tapuio estava mergulhado num silêncio 

apático, de que nada o fazia sair. (SOUSA, 2004, p. 18) 

 

A seguir, a agonia do adeus sem poder despedir-se de seus queridos e a caminhada 



fúnebre para o desconhecido, um lugar sem volta.  

 

Os recrutas caminhavam sob um sol ardente, seguidos das mães, das irmãs e 



das  noivas,  que  soluçavam  alto,  numa  prantina  desordenada,  chamando  a 

atenção  do  povo.  Os  homens  iam  silenciosos  como  se  acompanhassem  um 

enterro. Ninguém se atrevia a levantar a voz contra a autoridade. Se a fuga 

fosse possível, nenhum daqueles homens deixaria de facilitá-la.  Mas como 

fugir  em  pleno  dia,  no  meio  de  tantos  guardas  nacionais  armados  e 

prevenidos?  Nada,  mais  valia  resignar-se  e  sofrer  calado,  que  sempre  se 

lucrava alguma coisa. (SOUSA, 2004, p. 20) 

 

O conto não informa como foi o restante da vida de Pedro, se morreu na guerra, ou se 



continua  a  vida  em  outras  terras.  O  que  o  conto  de  Inglês  de  Sousa  trata  com  clareza  é  a 

relação existente entre os poderes que não vê o outro como detentor de direitos, de sonhos e 

de vontades, mas que recruta de forma involuntária, os “voluntários” para uma guerra que até 

então,  não  se  entendiam  direito  o  seu  princípio  e  significado  e  tão  pouco  a  sua  utilidade 

importância para um país que vivia a transtorno da fatalidade.  

A  partir  desse  conto,  fica  evidente  o  contexto  em  que  Amazônia  se  encontrava. 

Repleta  de  vidas  que  se  deslocavam  em  desatino  por  um  período  de  guerras  e  revoltas,  as 


37 

 

pessoas se desprendiam da esperança e da alegria por conta da tragédia assoladora que visitara 



suas vidas e famílias.  

Percebe-se o quanto Inglês de Sousa é pertinente em sua forma de expor a realidade 

de  seu  tempo,  através  de  sua  literatura  que  se  encarrega  de  apontar  os  devaneios  de  uma 

época, em que tudo se baseava no discurso de uma política imprudente que não garantia a paz 

e o equilíbrio.  

De fato, a história é feita de lutas, guerras, tragédias e pouquíssimas conquistas, mas 

a Amazônia de Inglês de Sousa vai muito além desse cenário, e vivencia o que a vida tem de 

mais  cruel.  O  interessante  é  que  esses  contos  são  também  feitos  de  mitos.  Mas  essa 

abordagem, mostraremos no próximo capítulo. 


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