Um relato de aprendizagem com deficientes mentais leve e moderados



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UM RELATO DE APRENDIZAGEM COM DEFICIENTES MENTAIS LEVE E MODERADOS
Thayrine Porto Drumond1

Tatiany Mendonça de Oliveira¹

Vanessa Tiemi Duarte¹

Vilma Maria S. S. Lenzi¹

Margareth Bertoli Grassani2
RESUMO
O presente relato de aprendizagem traz como tema norteador a deficiência mental, mais especificamente sobre a sua história, origem e etapas para obtenção do diagnóstico, apresentando através do planejamento de ação as especificações e as atividades aplicadas na Instituição Pequeno Cotolengo. Descrição da experiência:O objetivo geral do trabalho foi explorar as principais possibilidades e comprometimentos dos deficientes mentais leve e moderado que residem na Casa Lar da Instituição Pequeno Cotolengo, através das atividades de aprendizagem. A intenção era perceber a capacidade de audição, repetição e de comando desses moradores, além da identificação da capacidade cognitiva e motora. As atividades propostas para o Projeto Solidariedade III foram desenvolvidas nos dias 28 de Abril de 2014 (segunda-feira), das 13h00min ás 14h30min, 30 de Abril de 2014 (quarta-feira), das 13h00min ás 14h00min, 05 de Maio de 2014 (segunda-feira), das 13h00min ás 14h00min e 07 de Maio de 2014 (quarta-feira), das 13h00min às 14h00min e 14 de Maio de 2014 (quarta-feira) das 13h00min às 14h00min, nas dependências da InstituiçãoPequenoCotolengo, mais especificamente na Casa Lar. Contando com a presença do grupo de trabalho, formado por quatro acadêmicas do 7º período do Curso de Graduação em Psicologia, das Faculdades Pequeno Príncipe, uma Psicóloga Social da própria Instituição e 6 moradores de ambos os sexos. Através deste relato de aprendizagem, o grupo pode conhecer e se aprofundar mais na área da Psicologia das Necessidades Especiais, reconhecendo a sociedade deficiente como tão ou mais importante que a identificação da pessoa deficiente e que os modelos sociais são distintos dos modelos médicos e que as tendências de mudança na forma de entendimento da deficiência é responsabilidade da sociedade.Efeitos alcançados: É notável que exista uma necessidade de cuidado intenso devido às limitações que a deficiência impõe. Naturalmente essa responsabilidade recai em geral sobre as mães, que muitas vezes não dispõem de tempo e disposição para esta ocupação, a partir disso as instituições.

PALAVRAS-CHAVE: Deficiência mental; Necessidades especiais; Aprendizagem.
INTRODUÇÃO
O presente relato de aprendizagem traz como tema norteador a deficiência mental, mais especificamente sobre a sua história, origem e etapas para obtenção do diagnóstico, apresentando através do planejamento de ação as especificações e as atividades aplicadas na Instituição Pequeno Cotolengo.

O objetivo geral do trabalho foi explorar as principais possibilidades e comprometimentos dos deficientes mentais leve e moderado que residem na Casa Lar da Instituição Pequeno Cotolengo, através das atividades de aprendizagem. A intenção era perceber a capacidade de audição, repetição e de comando desses moradores, além da identificação da capacidade cognitiva e motora.

A metodologia utilizada foi à pesquisa bibliográfica, enriquecida com a prática de aprendizagem ocorrida em cinco encontros, sendo eles o diagnóstico institucional, duas atividades práticas e dois feedbacks. O trabalho foi organizado em oito partes, iniciando com a discussão conceitual, seguido do diagnóstico Institucional, os objetivos, o planejamento de ação, os relatos das atividades, as considerações teóricas da Psicologia Positiva e da Gestalt e as considerações finais.

A palavra Deficiência Mental durante o transcorrer da história vem recebendo diversos significados e é discutida com frequência, em decorrência de sua complexidade (COELHO E COELHO, 2001; GOMES ET. AL., 2007; RIZZINI E MENEZES, 2010; MEDEIROS E DINIZ, 2004).

No final do século XX inicio do século XXI foram realizados uma série de documentos oficiais, em formato de leis e políticas públicas direcionadas às pessoas com deficiência. Porém mesmo com o avanço destas publicações é possível observar entraves na implementação dessas leis e diretrizes, tornando continuo a pouca visibilidade destas pessoas. Se as diretrizes não forem publicadas na prática, as pessoas com deficiência mental permanecerão tendo seus direitos violados e infringidos. (RIZZINI E MENEZES, 2010; MEDEIROS E DINIZ, 2004).

DISCUSSÃO CONCEITUAL

Deficiência Mental


A deficiência mental vem sendo conceituada a partir de diversas concepções, ou seja, está associada a três fatores, que segundo Rizzi e Menezes (2010) são:
(1)a evolução do conceito de deficiência ao longo da história, tendo como “ponto de origem” a aproximação com o fenômeno da loucura e de sua institucionalização; (2)as interfaces da deficiência junto aos saberes e práticas da medicina da pedagogia, da justiça e da assistência social, configurando-se numa constelação de interesse e apropriações de grande complexidade; e (3) clivagens teóricas importantes na compreensão da deficiência, polarizadas, por um lado, entre o modelo médico e o modelo social e, por lado, entre o modelo organicista e o modelo não organicista (RIZZI E MENEZES, 2010, p.14).
A etiologia na deficiência mental é, por diversas razões, um dado importante para o diagnóstico e classificação. A realização de uma avaliação diagnóstica para definir a etiologia do retardo mental pode ser questionada por alguns pais e/ou responsáveis, pelo valor da testagem, pelos resultados não alterarem o tratamento do sujeito ou outros fatores, entretanto deve-se orientá-los que as informações apuradas da origem e dos fatores causais pode prevenir e/ou minimizar outros problemas (AAMR, 2006).

Quanto mais profundo é o estudo das questões iniciais da deficiência mental, mais sobre as causas que afetam e prejudicam o desenvolvimento do cérebro antes, durante ou após o nascimento são descobertas. Estas descobertas podem ser categorizadas como condições genéticas, ou seja, anomalias dos genes; problemas durante a gravidez, como o uso de álcool ou drogas pela mãe; problemas no parto, como por exemplo, condições de estresse no parto; problemas após o nascimento, como doenças da infância e toxinas ambientais; ou pobreza e privação cultural, quando à baixa estimulação. Todas essas categorias podem resultar em danos irreversíveis podendo ser causas de deficiências mentais (PAULA, 1996).



A etiologia da deficiência mental pode ser entendida como um construto multifatorial composto de quatro categorias de fatores de risco: biomédicos, sociais, comportamentais e educacionais, como pode ser visto na tabela 1.


Tabela 1: Fonte AAMR (2006, p.124).


Com o propósito de oferecer ao sujeito e sua família uma atenção mais individualizada e lhes proporcionar uma vida menos carregada, com melhor qualidade; é indispensável conhecer em todos os detalhes a origem dos comportamentos e os prováveis diagnósticos (FACION, 2007). Para Dessen e Silva (2000) nestes momentos de atenção e no decorrer do desenvolvimento evolutivo, a família exerce papel fundamental, pois é por meio das informações que ela traz do ambiente estimulador, das interações e das relações que ela mostra que o desenvolvimento do indivíduo é ou não isolado do desenvolvimento da família.

Ao longo dos tempos foram sendo utilizados diferentes terminologias e diferentes critérios, para indicar pessoas com deficiência mental. A deficiência mental faz referência a atrasos no desenvolvimento intelectual, manifestando-se por reações imaturas, tanto aos estímulos ambientais quando a desempenhos sociais abaixo da média. Por muito tempo o termo idiota foi utilizado para classificar pessoas com níveis diferentes de deficiência mental, este termo foi derivado da palavra grega idiotos que significava a pessoa que não participava da vida pública. Mais tarde, no começo do século XX estudos científicos mais adequados quanto à deficiência mental trouxeram umatentativa de sistematização do conceito, porém mesmo havendo um termo cientifico até hoje a deficiência mental está associada ao rótulo pejorativo empregado naquela época (COELHO E COELHO, 2001).

A partir da metade século XX a American Associationon Mental Deficiency (AAMD) alterou conceitos importantes quanto a deficiência mental, tanto que posteriormente denominou-se American Associationon Mental Retardation(AAMR). A nova definição veio do estudioso Grossman que se referiu a deficiência mental como um funcionamento intelectual geral significativamente abaixo da média, tendo o QI de 70 ou inferior, resultando em um comprometimento significativo no comportamento adaptativo (COELHO E COELHO, 2001; GOMES ET. AL., 2007; RIZZINI E MENEZES, 2010).

Coelho e Coelho (2001) relatam que as definições mais recentes da deficiência mental foram publicas em 1992 pelo CID.10 e pela APA em 1994, já o DSM-IV manteve os diferentes níveis de deficiência mental e não complementou os níveis de apoio que a AAMR utilizou.
Nesta nova versão, o comportamento adaptativo é constituído por dez áreas: comunicação, cuidados pessoais, atividades de vida diária, competências sociais, inserção comunitária, orientação pessoal, saúde e segurança, aprendizagens acadêmicas funcionais, ocupação de tempos livres e trabalho. No entanto, não existem normas estandardizadas para a medição do comportamento adaptativo (COELHO E COELHO, 2001, p.125).
A deficiência mental não é um problema cognitivo simples, mas sim um problema cognitivo que se manifesta em uma fase precoce do desenvolvimento, condicionando a evolução global do indivíduo, sua personalidade, seus comportamentos adaptativos e suas relações sociais, ou seja, é a resultante de diferentes fatores. Este conceito não deve ser de forma alguma associado com a incompetência, pois o conceito de incapacidade simboliza um estado negativo de funcionamento da pessoa, associado ao ambiente humano e físico inadequado e não um tipo de condição (COELHO E COLEHO, 2001; COSTA, 2007).
A falta de acessibilidade e de visibilidade diante das inabilidades de uma pessoa cega para ler textos que não estejam em braile, de uma pessoa com baixa visão para ler textos impressos em letras miúdas, de uma pessoa em cadeira de rodas para subir degraus, de uma pessoa com deficiência intelectual para entender explicações conceituais, de uma pessoa surda para captar ruídos e falas. Configura-se, assim, a situação de desvantagem imposta às pessoas com deficiência através daqueles fatores ambientais que não constituem barreiras para as pessoas ditas normais (COSTA, 2007, s/p).
O desenvolvimento das pessoas deficientes mentais é diferente das demais pessoas, pois ela ocorre de lenta e irregular; estão presentes variações que fazem que determinadas áreas se devolvam mais e outras menos (COSTA, 2007).

A organização mundial de saúde define normalidade como sendo um estado de completo bem-estar físico, mental e social. Ou seja, ausência de doenças físicas ou mentais. Normalidade e saúde mental segundo Kaplan e Sadock(2007) são definidas como modelos de comportamento ou traços de personalidade característicos ou que estejam em consonância com certos padrões adequados e aceitáveis de se comportar e agir.

Em Mental health a report f thesurgeongeneralcitado por Kaplan e Sadock(2007), informam que saúde mental é “deliberada como a realização bem-sucedidas das funções mentais, em termos de raciocínio, humor e comportamento, que resulta em atividades produtivas, relacionamentos satisfatórios e capacidade de se adaptar a mudanças e enfrentar adversidade”.

Segundo a descrição do DSM-IV, a característica essencial do RetardoMental é “funcionamento intelectual significativamente inferior à média, acompanhado de limitações significativas no funcionamento adaptativo em pelo menos duas das seguintes áreas de habilidades: comunicação, auto-cuidados, vida doméstica, habilidades sociais, relacionamento interpessoal, uso de recursos comunitários, auto-suficiência, habilidades acadêmicas, trabalho, lazer, saúde e segurança”. Assim descreve-se retardo mental não como doença, mas como a consequência de um processo patológico no cérebro trajado por limitações nas funções intelectual e adaptativa, sem etiologia definida, e as implicações tornam-se evidentes pela dificuldade no funcionamento intelectual e nas habilidades de vida. (Kaplan e Sadock 2007)

Para Gorgatti e Teixeira retardo mental é classificado através de testes que medem o QI( Quociente de Inteligência), embora segundo ela não sejam parâmetros absolutos e não são suficientes para classificar uma pessoa como portadora desse diagnostico, sem outras confirmações.(Teixeira 2008)

De modo geral, avalia-se que resultados abaixo de 70 são considerados como deficiência mental. Entretanto, exista subclassificações dentro dessa condição como:



  • Valor de QI entre 55 e 69: Deficiência Mental leve. Os indivíduos desse grupo são classificados como educáveis, capazes de aprender de fato. Embora a aprendizagem seja um pouco lenta. Possuem compreensão do que está sendo ensinado, demonstram retenção e capacidade de transferência. Em geral são capazes de obter um desenvolvimento considerado satisfatório, em uma escola de ensino regular, necessitando em alguns momentos de táticas de reforços, e também de desenvolver ótima adaptação social, e de fácil convívio em grupos diversificados, podendo chegar a constituir família (TEIXEIRA, 2008).

  • Valor de QI entre 35 e 54: Deficiência Mental Moderada. Os indivíduos desse grupo em geral são mais treináveis do que propriamente educáveis, são capazes de desenvolver bons níveis de desempenho em atividades condicionadas e supervisionadas. Demonstram independência para cuidados pessoais,especialmente aqueles relacionados a higiene. Possuem adaptação satisfatória em ambientes sociais variados, porem demonstrem dificuldade em se adequar a escolas regulares, apresentam também distúrbios na coordenação motora (TEIXEIRA, 2008).

  • Valor de QI entre 20 e 34: Deficiência Mental Grave, nesse grupo os indivíduos são treináveis por meio de métodos sistematizados. Possuem dificuldade de adaptação no meio social que interfere diretamente na adaptação escolar em ensino regular. São capazes de obter resultados satisfatórios em trabalhos sistematizados desde que supervisionados. Apresentam ainda, distúrbios na coordenação motora e na comunicação (TEIXEIRA 2008).

  • Valor de QI abaixo de 19: Deficiência mental profunda: Nesse grupo os indivíduos apresentam dependência completa para atividades do cotidiano, dificilmente frequentam escolas de ensino regular, visto que sua adaptação social e aprendizagem são extremamente dificultadas, programas sistematizados não obtém resultados satisfatórios nesses grupos (TEIXEIRA, 2008).

Algumas características são comuns a quase todos os grupos, a primeira delas diz respeito a possíveis atrasos no desenvolvimento motor evidenciadas pelas capacidades motoras coordenativas (equilíbrio, tempo de reação, agilidade coordenação motora geral ritmo entre outras) do que nas capacidades motoras condicionais (resistência, força e flexibilidade). Podendo apresentar característicasfísicas limitantes como: hipotonia muscular, espaticidade ou obesidade crônica, dificuldade na obtenção de um controle satisfatório da postura. Embora essas características possam aparecer em decorrência do pouco estimulo ou estimulo adequado em função que esses indivíduos sofrem (TEIXEIRA, 2008).

Teixeira (2008) fala ainda de outra característica possível de ser evidenciada nesses casos como a instabilidade emocional que se manifesta por meio de reações de insegurança, apego extremado ou agressividade. Os portadores de deficiência mental apresentam ainda déficits mais evidentes nas intervenções intelectuais que exijam raciocínio lógico ou abstrato.

Modelos teóricos atuais sugeridos pela Associação Americana de Retardo Mental (AAMR, 2006), utilizam para a compreensão da deficiênciauma abordagem multidimensional, avaliando o funcionamento individual, as dimensões de desenvolvimento e os sistemas de apoios adequados a cada sujeito. Este modelo teórico procura fortalecer o entendimento atual sobre a multidimensionalidade da deficiência mental e o papel da mediação que os apoios desempenham no funcionamento de maneira única. Percebe-se também que a necessidade de apoios pode influenciar o funcionamento da pessoa.

As cinco dimensões do modelo abrangem, segundo a AAMR (2006):

• Dimensão I – Habilidades Intelectuais

• Dimensão II – Comportamento Adaptativo

• Dimensão III – Participação, Interação e Papéis Sociais.

• Dimensão IV – Saúde (física mental e etiologia)

• Dimensão V – Contexto (ambiente e cultura)

A prevalência de deficiência mentalno Brasil segundo dados obtidos pelo IBGE em 2006 foi de 1,6% da população; valor provavelmente subestimado, mas suficiente para ser considerado como um problema de saúde pública.

Fora as restrições no funcionamento intelectual, a Associação Americana de Retardo Mental (AAMR, 2006) aborda as limitações no comportamento adaptativo (habilidades adaptativas conceituais, sociais e práticas) como um aspecto essencial no diagnóstico da deficiência mental.SegundoLorenzini (2002), o desenvolvimento do deficiente é bastante característico e as alterações específicas em geral irão interferir diretamente na sua capacidade de realizar diversas atividades.

As comorbidadesassociados à deficiência mental, podem ser alterações sensoriais, problemas cardiorrespiratórios, ortopédicos que podem interferir na aquisição motora.Além de fatores genéticos e de maturação orgânica, as experiências vivenciadas, o reconhecimento e exploração do próprio corpo, o ambiente e a convivência com as outras pessoas, tornam o individuo capaz de modificar suas respostas sensoriais, motoras, afetivas, cognitivas e sociais (LORENZINI, 2002).



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