The foundations of philosophy teaching in



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OS FUNDAMENTOS DO ENSINO DE FILOSOFIA NOS  

LIVROS DIDÁTICOS APROVADOS PELO PNLD 2018 

 

THE FOUNDATIONS OF PHILOSOPHY TEACHING IN 

THE DIDATIC BOOKS APPROVED BY PNLD 2018 

 

Adriana Tavares de Almeida



1

 

Maria Alice Corrêa de Araújo

2

 

Nilton Guimarães da Silva

3

 

Paulo Limeira da Silva

4

 

 

Recebido em: 05/2018 



Aprovado em: 07/2018 

 

Resumo: Em 2018, no Brasil, um, entre os oito livros didáticos de Filosofia aprovados pelo PNLD 

(Programa Nacional do Livro Didático) foi distribuído gratuitamente nas escolas públicas de ensino 

aos  matriculados  no  ensino  médio  –  para  cada  escola,  uma  escolha.  No  ano  anterior,  em  2017, 

pudemos,  como  professores,  realizar  a  escolha  do  livro  que  seria  adotado  na  escola  em  que 

trabalhamos. Resolvemos, então, transformar nossa análise do “Manual do Professor” das oito obras 

aprovadas pelo PNLD nesta publicação. Tivemos como objetivo geral identificar os fundamentos 

do  ensino  de  Filosofia  em  nível  médio  apresentados  nos  suplementos  dos  manuais  do  professor 

dirigidos  aos  docentes.  Mais  especificamente:  descrever  concepções  apresentadas  sobre  o  que  é 

Filosofia; localizar fundamentos de ensino e aprendizagem de Filosofia; relatar argumentos sobre a 

importância  do  ensino  de  Filosofia.  Entre  as  ideias  mais  comuns  que  fundamentam  o  ensino  de 

Filosofia,  estão: destaque à importância e relação necessária entre filosofar e  Filosofia; defesa da 

importância  da  Filosofia  enquanto  legado  do  passado;  reconhecimento  de  Filosofias  e  não  uma 

Filosofia;  referência  às  competências  específicas  da  Filosofia  evidenciadas  nos  Parâmetros 

Curriculares Nacionais. 

Palavras-chave: Livro didático – Filosofia. PNLD 2018. Ensino de Filosofia. 

 

Abstract: In 2018, in Brazil, one of the eight Philosophy didatic books approved by PNLD (National 

Didatic Book Program) was distributed free in public schools to those enrolled in high school - for 

each school, a choice. The year before, in 2017, we can, as teachers, to make the choice of the book 

that  would  be  adopted  at  the  school  where  we  work.  We  resolve  to  transform,  at  that  time,  our 

                                                             

1

 Licenciada em  Filosofia pela UFPE. Mestranda no Mestrado Profissional de Filosofia  –  PROF-FILO UFPR  - 



Núcleo UFPE. Email: 

adrifil122@gmail.com

  

2

 Licenciada em Filosofia pela UNICAP. Professora da Rede Pública Estadual de Pernambuco. Especialização em 



Ensino  de  Filosofia  e  Sociologia  pelo  Instituto  Salesiano  de  Filosofia.  Mestranda  no  Mestrado  Profissional  de 

Filosofia – PROF-FILO UFPR - Núcleo UFPE. Email: 

alicearaujjo@gmail.com

  

3



  Licenciado  e  Bacharel  em  Filosofia  pela  UFPE.  Professor  da  Rede  Pública  Estadual  de  Pernambuco. 

Especialização em Ensino de Filosofia pelo Contemporâneo Centro de Ensino e Pesquisa. Mestrando no Mestrado 

Profissional de Filosofia – PROF-FILO UFPR - Núcleo UFPE. Email: 

guimasilva62@gmail.com

  

4

 Licenciatura plena em Pedagogia pela UNEB. Graduando em Licenciatura em Filosofia pela UFPI. Pedagogo na 



Secretaria Municipal de Educação de Curaçá - BA. Especialista em Educação Contextualizada para a Convivência 

com o Semiárido pela UNEB. Mestrando no Mestrado Profissional de Filosofia – PROF-FILO UFPR - Núcleo 

UFPE. Email: 

paulo-limeira@hotmail.com

  

 

Problemata: R. Intern. Fil. V. 9. n. 3 (2018), p. 243-251 ISSN 2236-8612 

doi:http://dx.doi.org/10.7443/problemata.v9i3.41670 


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Problemata: R. Intern. Fil. v. 9. n. 3 (2018), p. 243-251

 

ISSN 2236-8612

 

analysis of the “Manual do Profess we were authorized or” of the eight works approved by PNLD 



in  this  publication.  We  had  as  general  objective  to  identify  the  fundamentals  of  the  teaching  of 

Philosophy  in the  middle  level (high school), presented in the supplements of the manuals of the 

teacher directed to the teachers. More specifically: to describe the conceptions presented sobre what 

Philosophy is; to locate the fundamentals of teaching and learning Philosophy; More specifically: to 

describe the conceptions presented about what Philosophy is; to locate fundamentals of teaching and 

learning Philosophy; to discuss arguments about the importance of teaching Philosophy. Among the 

most  common  ideas  that  underlie  the  teaching  of  Philosophy  are:  emphasize  the  importance  and 

necessity  relation  between  philosophizing  and  Philosophy;  in  defense  of  the  importance  of 

Philosophy as legacy of the past; recognition of Philosophies and not a Philosophy; reference to the 

specific competences of Philosophy evidenced in the National Curricular Parameters. 



Keywords: Didatic books – philosophy. PNLD 2018. Philosophy teaching. 

 

 



 

 

Introdução 



 

O  livro  didático  pode  ser  um  recurso  pedagógico  de  impacto  positivo  no  ensino  e 

aprendizagem de Filosofia, mesmo em uma sociedade que conta com as tecnologias digitais de 

informação e comunicação (TDIC). Não defendemos sua centralidade no processo pedagógico, 

também não buscamos dar a ele maior importância que à autonomia do professor diante das 

múltiplas  realidades  em  sala  de  aula  –  mas  o  consideramos  um  instrumento  relevante  no 

processo de ensino e aprendizagem.  Sua distribuição nas escolas públicas garante aos jovens e 

adultos estudantes, o acesso gratuito a uma obra básica, que, muitas vezes, é o seu primeiro 

livro de Filosofia. 

Em 2017, milhares de professores do Ensino Médio ofertado pelas redes públicas do 

Brasil selecionaram livros de  Filosofia para distribuição gratuita aos estudantes por meio do 

Programa Nacional do Livro Didático (PNLD). Nós, professores e mestrandos do PROF-Filo, 

UFPE,  percebemos  nessa  atividade,  uma  oportunidade  para  juntos  analisarmos,  também, 

concepções sobre ensino de Filosofia presentes nestes livros.  

Acreditamos que as obras didáticas selecionadas pelo PNLD não são simples coleções 

de textos, mas subsídios didáticos com intencionalidade pedagógica e/ou perspectiva filosófica, 

que  estão  fundamentadas  em  uma  ideia  sobre  ensino  de  Filosofia.  E,  na  impossibilidade  de 

avaliar  a  intencionalidade  mais  íntima  do  autor/organizador/editora,  pudemos  identificar  a 

descrição dessas ideias registradas no manual do professor.  

Nossa pesquisa se concentrou neste manual, mais especificamente no anexo final, um 

texto voltado exclusivamente para o interesse do mediador da aprendizagem.   Excluem-se da 

análise os tópicos sobre avaliação e aqueles que propõem o uso do livro capítulo a capítulo.  

Pretendíamos  identificar  por  meio  dessa  leitura,  concepções  sobre  ensino  e 


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aprendizagem de  Filosofia, uma vez que, conforme edital de convocação para o processo de 



inscrição e avaliação de obras didáticas para o programa nacional do livro didático PNLD 2018 

(BRASIL, 2015): 

 

O  manual  do  professor  deve  oferecer  orientação  teórico-metodológica  e  de 



articulação  dos  conteúdos  do  livro  entre  si  e  com  outras  áreas  do 

conhecimento,  discussão  sobre  a  proposta  de  avaliação  da  aprendizagem, 

leituras  e  informações  adicionais  ao  livro  do  estudante,  bibliografia,  bem 

como sugestões de leituras que contribuam para a formação e atualização do 

professor. 

 

A pesquisa é bibliográfica e descritiva. Seu objetivo geral é identificar os fundamentos 



do ensino de Filosofia em nível médio apresentados nos suplementos dos manuais do professor 

dirigidos aos docentes. São objetivos específicos: descrever concepções apresentadas sobre o 

que  é  Filosofia;  localizar  fundamentos  de  ensino  e  aprendizagem  de  Filosofia;  relatar 

argumentos sobre a importância do ensino de Filosofia. 

Temos nos dedicado a estudar o ensino de  Filosofia em diversas obras e encontramos 

nesse  trabalho  a  oportunidade  de  identificar  as  concepções  sobre  ensino  de  Filosofia  que 

fundamentam os livros didáticos escolhidos, por nós, para os estudantes. Esperamos contribuir 

com a discussão urgente e necessária sobre os livros didáticos para o ensino de  Filosofia no 

ensino  médio  selecionados  pelo  Governo  Federal.  Pois,  já  que  essas  obras  não  foram 

construídas  a  partir  de  uma  neutralidade  filosófica  ou  pedagógica,  torna-se  significativo 

compreender as bases que influenciaram os autores a escrevê-las. 

 

O livro didático e o ensino de Filosofia no ensino médio 



 

Segundo Pedro Gontijo (GONTIJO, 2017, p.3) nos últimos 100 anos: 

 

tivemos  dois  grandes  processos  editoriais  no  Brasil  e  que  propiciaram  uma 



difusão  significativa  da  Filosofia:  a  coleção  Os  Pensadores  (...)  e  agora, 

iniciado  em  2012,  o  Programa  Nacional  do  Livro  Didático  (PNLD)  de 

Filosofia para o Ensino Médio. 

  

Para distribuição no triênio 2015-2017 foram adquiridos 7.556.075 volumes. Esse dado 



quantitativo justificaria "a importância que a comunidade filosófica brasileira precisa dar a um 

programa como esse" (GONTIJO, 2017, p.3). 

O  PNLD  2018  (BRASIL,  2015)  não  excluiu  do  programa  os  livros  didáticos  de 


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Filosofia.  Embora  a  Filosofia  não  seja  mais  uma  disciplina  obrigatória  nas  últimas  séries  da 



educação  básica  (BRASIL,  1996),  por  conta  da  reforma  do  ensino  médio  (BRASIL,  2017), 

apenas estudos e práticas de Filosofia, a partir desta, passam a ser obrigatórios nesse nível de 

ensino.  

O edital do PNLD 2018 (BRASIL, 2015) não cita os Parâmetros Curriculares Nacionais 

(PCN) ou as Orientações Curriculares para o Ensino Médio (OCEM), como fundamentos do 

ensino de Filosofia a serem contemplados nas obras. Mas, apresenta 18 critérios eliminatórios, 

obrigatórios, que refletem perspectivas sobre o ensino da disciplina, além de descrever o que é 

a Filosofia e como deve ser a obra didática para o ensino médio. Determina ainda que o manual 

do  professor  deva  conter  “instruções  e  orientações  teórico-metodológicas  ao  professor, 

acompanhadas do livro do estudante de forma integral, com ou sem comentários adicionais”. 

Historicamente essas instruções e orientações têm apresentado ideias sobre ensino de Filosofia 

e as concepções teóricas nas quais as obras didáticas se fundamentam. 

Para  seleção  em  2017,  foram  aprovadas  8  obras:  Diálogo:  primeiros  estudos  em 

Filosofia,  de  Ricardo  Melani,  Ed.  Moderna;  Filosofando  –  introdução  à  Filosofia,  de  Maria 

Lúcia de Arruda Aranha e Maria Helena Pires Martins, Ed. Moderna; Filosofia e  Filosofias - 

existência  e  sentidos,  de  Juvenal  Savian  Filho,  Ed.  Autêntica;  Filosofia:  experiência  do 

pensamento,  de  Sílvio  Gallo,  Ed.  Scipione;  Filosofia:  temas  e  percursos,  de  Vinicius  de 

Figueiredo  (org.),  Ed.  Berlendis;  Fundamentos  de  Filosofia,  de  Gilberto  Cotrim  e  Mirna 

Fernandes,  Ed.  Saraiva;  Iniciação  à  Filosofia,  de  Marilena  Chauí,  Ed.  Ática;  Reflexões: 

Filosofia e cotidiano, de José Antônio Vasconcelos, Ed. SM. 

 

Análises  dos  livros  didáticos:  fundamentos  do  ensino  de  Filosofia  nos  manuais  do 

professor do PNLD 2018 

 

Diálogo: primeiros estudos em Filosofia 

 

Segundo  o  autor  da  obra,  Filosofia  é  “a persistência  racional  pelo  desvendamento  da 



verdade,  pela  busca  da  clareza  e  pela  sede  de  conhecimento”  (MELANI,  2016,  p.403).  Ela 

estaria  dividida  em  três  períodos  (metafísico,  epistemológico  e  semântico-hermenêutico), 

conforme as ideias de Michel Dummet - motivo pelo qual Ricardo Melani organiza o livro em 

três partes. Citando Heidegger, defende ainda que filosofar faz parte da essência humana e todos 

filosofariam no mundo, a partir de problemas que surgem da vida e das necessidades humanas. 


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Mas, o indivíduo que filosofa em diálogo com a história da Filosofia (considerada por Melani 



um  patrimônio  reflexivo  da  humanidade,  aberto,  dinâmico  e  em  processo),  potencializa  o 

desenvolvimento dessas reflexões. 

Diante  de  uma  sociedade contemporânea  contraditória  e caracterizada  por  uma  visão 

fragmentada  e  imediata  da  realidade,  a  reflexão  filosófica  seria  um  pressuposto  para  a 

felicidade, já que contribui com a autonomia e o desenvolvimento de uma visão totalizante.   

 

Filosofando: introdução à Filosofia 

 

As autoras Maria Lúcia de Arruda Aranha e Maria Helena Pires Martins se inspiraram 



no pensamento de  Friedrich Nietzsche e do filósofo francês Gilles Deleuze para propor uma 

didática  do  ensino  de  Filosofia  com  base  na  concepção  de  que  a  Filosofia  é  a  atividade  de 

criação de conceitos. Para elas, a aula de Filosofia cria um espaço de discussão de conceitos, 

exposição plural de idéias e problematização para que permita aos discentes desenvolverem as 

suas  competências  necessárias  para  pensar  por  conta  própria,  ou  seja,  para  a  autonomia 

intelectual (ARANHA; MARTINS, 2016). 

 

 

Filosofia e filosofias: existência e sentidos 



 

Identificamos que o autor optou por trabalhar com temas, mas tendo a história como 

centro de todo processo enfatizando o caráter plural da Filosofia. O autor nos previne que neste 

livro didático não adota nenhuma concepção filosófica específica  

 

Como não se trata neste livro, de adotar nenhum estilo filosófico preciso nem 



o pensamento de algum (a) autor (a) particular, deve-se evitar a identificação 

de um objeto preciso que determine os atos filosóficos e o hábito da filosofia 

(SAVIAN FILHO, p. 408, 2016). 

 

Portanto, Juvenal afirma que adota uma concepção dos atos filosóficos e do hábito do 



filosofar o que é para ele o sentido de sua prática docente. 

 

Filosofia: experiência do pensamento 

 

Silvio Gallo compreende o pensamento filosófico como conceitual e apresenta o trato 



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da Filosofia como uma prática viva e diária e não como um conjunto de pensamentos que nos 



aproximamos  de  forma  reverencial  apenas  para  conhecê-los,  memorizá-los  e  esquecê-los.  A 

obra se baseia na concepção de Filosofia apresentada por  Gilles Deleuze e Felix Guattari  - a 

Filosofia  como  atividade  de  criação  de  conceitos.  As  razões  pelas  quais  ele  optou  por  esta 

perspectiva filosófica é esclarecida nas questões da generalidade e caráter ativo na  Filosofia 

(GALLO, 2016). 

 

Filosofia: temas e percursos



 

 

Os  autores  trazem  o  conceito  de  Filosofia  sendo  concebido  inicialmente  como  um 



discurso envolvendo outros saberes. Desta forma a Filosofia tem uma tradição interdisciplinar. 

A  obra  apresenta  um  aspecto  aparentemente  empirista  e  dualista.  Faz  uso  de  posições 

antagônicas para desenvolver a atividade reflexiva relacionando o cotidiano aos pressupostos 

filosóficos. Por privilegiar o campo conceitual filosófico percebe-se a concepção filosófica de 

Gilles Deleuze na Filosofia como atividade de criação de conceitos (FIGUEIREDO, 2016). 

 

Fundamentos de filosofia



 

 

Para  os  autores,  a  Filosofia  se  inicia  com  a  tomada  de  consciência  do  problema 



filosófico.  No  ensino  médio,  tem  a  finalidade  fundamental  de  colaborar  em  despertar  uma 

consciência  crítica  e  emancipadora.  A  Filosofia  seria,  ao  mesmo  tempo,  uma  atividade  do 

pensamento (um processo e um modo de pensar) e o produto desse pensar (a tradição filosófica). 

Dessa forma, o ensino de Filosofia pode ser beneficiado com os aspectos positivos do enfoque 

pedagógico  renovado  (com  o  diálogo,  por  exemplo)  e  do  tradicional  (com    os  benefícios  da 

herança do passado). Os autores aderem à metodologia do educador argentino Guillermo Obiols 

na abordagem dos capítulos, conforme a seguinte estratégia: Início problemático (corresponde 

ao início concreto, à sensibilização); Desenvolvimento analítico (aqui se dá o desenvolvimento 

abstrato, recorre-se à história da Filosofia); por fim, o Fecho sintético (volta-se ao concreto para 

aplicar os conceitos) (COTRIM; FERNANDES, 2016).  

 

Iniciação à Filosofia 

 

A concepção de Filosofia para Marilena Chauí parte da reflexão que o ser humano no 



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seu processo de humanização cria certezas. Elas vão se tornando evidentes em nosso cotidiano 



sem que a submetamos a uma análise crítica ou refutação. A Filosofia para Chauí é um campo 

de conhecimento autônomo, centrado na perspectiva da atividade do pensamento filosófico e, 

portanto, caracterizados por métodos e por um conjunto de conceitos e temas centrais (CHAUÍ, 

2016). 


 

Reflexões: filosofia e cotidiano 

  

No  livro  Reflexões:  Filosofia  e  Cotidiano.  José  Antonio  de  Vasconcelos  afirma  a 



importância  da  Filosofia  na  educação  básica,  porém  evidencia  a  complexidade  do  saber 

filosófico e enfatiza o caráter plural da Filosofia. Para tal, ele fundamenta seu argumento com 

a citação de uma importante conferência proferida por Martin Heidegger no ano de 1962, na 

Universidade  de  Friburgo,  Alemanha.  Vasconcelos  faz  um  alerta  em  relação  ao  ensino  e  o 

aprendizado de Filosofia: antes mesmo de nos preocuparmos com qual Filosofia ensinar e de 

que forma ensinar se deve antes de tudo refletir, observar e se conscientizar do lugar de onde 

estamos situados, em qual contexto sócio político educacional estamos inseridos e quais são os 

objetivos que buscamos alcançar (VASCONCELOS, 2016). 



 

Considerações finais 

 

Por meio da análise dos manuais do professor, nas 8 obras selecionadas para o PNLD 



2018, identificamos pressupostos teóricos sobre ensino de Filosofia.  

Os autores das obras citam filósofos, orientações curriculares nacionais do Ministério 

da Educação, ou pedagogos e/ou cientistas da educação a fim de fundamentar suas propostas 

sobre ensino de Filosofia, ou apresentar propostas diferenciadas.  

Todas as obras abordam as categorias pesquisadas: o que é  Filosofia; fundamentos do 

ensino e aprendizagem de Filosofia; importância do ensino de Filosofia. 

Entre  as  ideias  mais  comuns  relacionadas  à  fundamentação  do  ensino  de  Filosofia 

defendidas  pelas  obras  estão:  destaque  à  importância  e  relação  necessária  entre  filosofar  e 

Filosofia; defesa da importância da Filosofia enquanto legado do passado; reconhecimento de 

Filosofias e não uma Filosofia; referência às competências específicas da Filosofia evidenciadas 

nos Parâmetros Curriculares Nacionais. 

Entendemos  que  as  ideias  sobre  ensino  de  Filosofia  embasam  a  construção  do  livro 



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Problemata: R. Intern. Fil. v. 9. n. 3 (2018), p. 243-251

 

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como  um  todo.  Entretanto,  não  avaliamos  o  conteúdo  dos  livros,  para  além  do  manual  do 



professor, para avaliar a correspondência, ou não, dos pressupostos teóricos, com o resultado 

editorial. Ressaltamos a importância de uma avaliação posterior com esse fim. 

Defendemos  que a análise dos fundamentos do ensino de Filosofia é importante para a 

tomada  de  decisão  dos  profissionais  que  escolhem  qual  livro  os  estudantes  receberão  para 

estudar Filosofia. 

Reivindicamos  ainda,  espaço  na  participação  ativa,  não  somente  na  escolha,  mas 

também na produção de livros didáticos, com a devida valorização da nossa experiência em 

sala de aula e das demandas das comunidades escolares por nós conhecidas.  

O livro didático é um importante instrumento para o ensino de Filosofia, mas sozinho 

nada  pode  produzir.  É  necessária  a  mediação  docente  consciente  das  competências  e 

habilidades a serem desenvolvidas e da intencionalidade pedagógica de sua intervenção.   

 

Referências 

 

ARANHA, Maria Lúcia de Arruda; MARTINS, Maria Helena Pires. Filosofando: introdução 



à Filosofia. São Paulo: Ed. Moderna, 2016. 

BRASIL. Lei Nº 13.415, de 16 de Fevereiro de 2017. Brasília, 16 fev. 2017. Conhecida como 

Reforma do Ensino Médio. Disponível em: 

2018/2017/Lei/L13415.htm#art3>. Acesso em: 20 jul. 2017. 

BRASIL. Lei Nº 9.394, de 20 de Dezembro de 1996. Brasília, 20 dez. 1996. Conhecida como 

Lei 


de 

Diretrizes 

Bases 


da 

Educação 

Nacional. 

Disponível 

em: 

. Acesso em: 30 maio 2017. 

BRASIL. PNLD. FNDE. Edital de convocação 04/2015 – CGPLI: edital de convocação para 

o processo de inscrição e avaliação de obras didáticas para o programa nacional do livro didático 

PNLD  2018.  2015.  Disponível  em:  http://www.fnde.gov.br/programas/programas-do-

livro/consultas/editais-programas-livro/item/7932-pnld-2018 Acesso em: 02 nov. 2017. 

CHAUÍ, Marilena. Iniciação à Filosofia. São Paulo: Ática, 2016. 

COTRIM,  Gilberto;  FERNANDES,  Mirna.  Fundamentos  de  Filosofia.  São  Paulo:  Saraiva, 

2016. 


FIGUEIREDO,  Vinicius  de  (Org.).  Filosofia:  temas  e  percursos.  São  Paulo:  Berlendis  & 

Vertecchia, 2016. 

GALLO, Sílvio. Filosofia: experiência do pensamento. São Paulo: Scipione, 2016. 

GONTIJO,  Pedro.  O  ensino  de  Filosofia  no  Brasil:  algumas  notas  sobre  avanços  e 

desafios.  Perspectivas,  [s.l],  v.  2,  n.  1,  p.3-17,  junho  2017.  Disponível  em: 

. Acesso em: 

20 jul. 2017. 



Os fundamentos do ensino de filosofia nos livros didáticos 

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Problemata: R. Intern. Fil. v. 9. n. 3 (2018), p. 243-251

 

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MELANI, Ricardo. : primeiros estudos em Filosofia. São Paulo: Moderna, 2016. 



SAVIAN  FILHO,  Juvenal.  Filosofia  e  Filosofias:  existência  e  sentidos.  Belo  Horizonte: 

Autêntica Editora, 2016. 



VASCONCELOS, José Antonio. Reflexões: Filosofia e cotidiano. São Paulo: Ed. SM, 2016. 

 

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