Tat teste de Apercepção Temática


IV – Administração (MURRAY, 2005, p. 21-23)



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IV – Administração (MURRAY, 2005, p. 21-23).



Preparação do Sujeito

A maioria dos sujeitos não precisa de nenhum preparo, além de algum motivo razoável para se submeter ao teste. Mas, para os que forem muito limitados, pouco responsivos, resistentes ou desconfiados, bem como aqueles que nunca passaram por provas escolares ou testes psicológicos, é melhor que se comece com uma tarefa menos exigente antes de ser submetido ao TAT. As crianças, geralmente, produzem melhor depois de algumas sessões dedicadas à expressão de suas fantasias, verbalizadas por meios de brinquedos e brincadeiras.


Ambiente de teste

O ambiente de cordialidade, o aspecto do consultório e de seu mobiliário, assim como o sexo, a idade, as atitudes e a personalidade do psicólogo, são capazes de afetar a liberdade, vivacidade e a direção da atividade imaginativa do sujeito. A meta do psicólogo é conseguir maior quantidade de material, com a melhor qualidade possível, conforme as condições circunstanciais. Dado que a execução depende totalmente da boa vontade e criatividade momentâneas do sujeito, e também que a criatividade é um processo delicado, fundamentalmente involuntário, que não pode ser forçado, nem irá desabrochar num clima áspero, frio, intelectualmente arrogante ou de algum modo não empático, é importante que o sujeito tenha bons motivos para sentir que o ambiente é acolhedor e que capte que estão presentes a receptividade, a boa vontade e o apreço por parte do psicólogo.


Instruções

I – Primeira sessão

O sujeito deve sentar-se numa cadeira confortável ou, então, reclinar-se num divã. As instruções serão lidas para ele devagar, utilizando-se uma das seguintes formas:

Forma A (aconselhável para adolescentes e adultos de grau médio de inteligência e cultura): “Este é um teste de imaginação que é uma das formas da inteligência. Vou mostrar-lhe algumas pranchas, uma de cada vez, e a sua tarefa será inventar, para cada uma delas, uma história com o máximo de ação possível. Conte-me o que levou ao fato mostrado na prancha, descreva o que está acontecendo no momento, o que as personagens estão sentindo e pensando. Conte depois como termina a história. Procure expressar seus pensamentos conforme eles forem ocorrendo em sua mente. Você compreendeu? Como você tem cinqüenta minutos para as 10 pranchas, você pode utilizar cerca de 5 minutos para cada história. Aqui está a primeira prancha”.
Forma B (aconselhável para crianças, adultos pouco inteligentes ou de pouca instrução): “Este é um teste para contar histórias. Eu tenho aqui algumas pranchas que vou lhe mostrar. Quero que você faça uma história para cada uma delas. Conte o que aconteceu antes e o que está acontecendo agora. Fale o que as pessoas estão sentindo e pensando e como termina a história. Você pode fazer o tipo de história que quiser. Compreendeu? Bem, então aqui está a primeira prancha. Você tem 5 minutos para fazer uma história. Faça o melhor que puder”.
As palavras exatas dessas instruções podem ser modificadas para se adaptarem à idade, inteligência, personalidade e condições peculiares de cada sujeito. Mas é melhor, de início, não dizer: “Está é uma oportunidade para você usar livremente sua imaginação”, pois essa forma de instrução suscita, algumas vezes, no sujeito, a suspeita de que o psicólogo pretende interpretar o conteúdo de suas associações livres, como ocorre na psicanálise. Tal suspeita pode causar grave dano à espontaneidade do pensamento do sujeito. Convém que ele acredite que o psicólogo está interessado tão somente em sua aptidão criativa ou literária.

Terminada a primeira história (e desde que haja base para isso), o sujeito deve ser discretamente elogiado. E, a menos que as tenha seguido com precisão, é preciso relembrar-lhe as instruções. Assim, o examinador poderá dizer: “Certamente essa foi uma história interessante, mas você esqueceu de dizer como o menino reagiu quando sua mãe o repreendeu, deixando a narrativa no ar. Não houve de fato um verdadeiro desfecho para a sua história. Você gastou nela três minutos e meio. As outras podem ser um pouco mais compridas. Procure fazer o melhor que puder com esta segunda prancha”.

De modo geral, é preferível que o psicólogo não diga mais nada no restante do tempo, exceto (1) para informá-lo se estiver muito atrasado ou muito adiantado em relação ao tempo previsto, por ser importante que o sujeito complete a série de dez histórias e dedique mais ou menos a mesma quantidade de tempo a cada uma delas; (2) para estimulá-la com um discreto elogio de vez em quando, pois essa pode ser a melhor maneira de incentivar a imaginação; e (3) se o sujeito omitir algum detalhe fundamental, as circunstâncias antecedentes ou o desfecho, lembrar-lhe com alguma breve observação tal como: “o que levou a essa situação?” De modo algum deve o psicólogo envolver-se em discussões com o sujeito.

O psicólogo deve interromper uma história demasiado longa e inconsistente, perguntando: “E como ela termina”, podendo dizer ao sujeito que o que importa é o enredo e não uma grande quantidade de detalhes. Os sujeitos que ficam intensamente absorvidos na descrição literal das pranchas devem ser alertados com tato de que este constitui apenas um teste de imaginação. Se o sujeito fizer perguntas sobre detalhes pouco claros, o psicólogo deve responder: “Podem ser o que você quiser”. Não se deve permitir que o sujeito construa várias narrativas para uma mesma prancha. Se perceber que está orientando nessa direção, convém dizer-lhe que deve aplicar seus esforços numa única história mais longa.

As histórias devem ser registradas com detalhes, usando abreviações comuns ou pessoais.

Ao marcarmos a segunda sessão, convém que o sujeito não saiba ou que não seja levado a pensar que lhe serão solicitadas novas histórias. Ter essa expectativa em mente pode levá-lo a se preparar mediante a busca de enredos lidos em livros ou em filmes vistos por ele que, nessas condições, voltaria equipado com um material mais impessoal do que o produzido quando obrigado a inventar as histórias no impulso do momento.


II – Segunda sessão

É desejável que haja um intervalo de, pelo menos, um dia entre a primeira e a segunda sessão. Nessa segunda parte, o procedimento é semelhante ao utilizado na anterior, salvo num aspecto: a ênfase nas instruções sobre a completa liberdade da imaginação.

A prancha 16 é dada com uma instrução especial: “Veja o que você pode ver nesta prancha em branco. Imagine alguma cena aí e descreva-a em detalhe”. Se o sujeito não conseguir, o examinador deve dizer: “Feche os olhos e imagine alguma coisa”. Depois que o sujeito der uma descrição completa daquilo que imaginou, o psicólogo deve dizer: “Agora me conte uma história sobre isso”.

O exame completo com o TAT compreende o uso das duas séries de pranchas, em duas sessões, separadas por um intervalo de tempo mínimo de um dia e um máximo de uma semana. Se não essa possibilidade, recomenda-se o emprego das dez pranchas da segunda série, consideradas como estímulos mais eficazes. Em determinados casos, o examinador pode escolher as pranchas mais importantes para a abordagem dos problemas em foco. Sempre que possível, entretanto deve dar preferência ao exame completo. As pranchas são apresentadas na ordem estabelecida pela numeração

Após a coleta das histórias procede-se ao inquérito, para a suplementação de dados imprecisos, assim como para pesquisar a fonte de idéias.
V – Interpretação (MURRAY, 2005; SHENTOUB, 1951).



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