Série de ficço mais lida no mundo, Deixados Para Trás vendeu mais de 70 milhões de livros e foi traduzida



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chão. - Senhor Deus, nao sou melhor do que Carpathia! Quero ser teu filho! Quero ser um

dos selados!

Buck abaixou-se perto de Jacov e passou o braço ao redor de seu ombro.

- Deus quer que você faça parte da sua família - ele disse.

Chorando amargamente, Jacov olhou para cima ao ouvir o ruído do motor do helicóptero.

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Quando ele e Buck voltaram a olhar para o telão, Tsion estava sozinho no palco. Seus



cabelos e roupa esvoaçavam por causa do vento produzido pelo helicóptero, e suas

anotaçes voaram formando uma espécie de funil e espalharam-se ao redor. Os

tradutores correram até o palco para ajuntar os papéis e os colocaram de novo sobre o

púlpito. Tsion permanecia imóvel, olhando fixo para a frente, sem tomar conhecimento do

episódio que se passara entre Nicolae Carpathia e as duas testemunhas.

A câmera tomou uma imagem panorâmica do local onde as testemunhas haviam

aparecido, mas elas abandonaram o recinto com a mesma rapidez com que entraram. A

multidão continuava em pé, boquiaberta. Muitas pessoas ainda estavam tomando água e

passando a garrafa aos companheiros ao lado. Quando viram Tsion voltar ao púlpito, todos

se aquietaram e sentaram. Como se nada tivesse acontecido desde que iniciara a leitura

de João 3.16, Tsion prosseguiu:

- "... unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna."

Jacov, ainda de joelhos e mãos sobre as coxas, parecia estar com os olhos grudados no

telão.


- O quê? - ele gritou. - O quê?

E, como se tivesse ouvido os gritos de Jacov, Tsion repetiu o versículo:

- "Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o

seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê nao pereça, mas tenha a vida eterna."

Jacov encostou o rosto no asfalto, soluçando.

- Eu creio! Eu creio! Deus, salva-me! Não permitas que eu pereça! Dá-me a vida eterna!

- Ele está ouvindo você - disse Buck. - Ele não dá as costas a quem o busca de todo o

coração.

Jacov, porém, continuava soluçando. Outras pessoas no meio da multidão também

estavam ajoelhadas.

- Há pessoas aqui - disse Tsion -, dentro ou fora do estádio, que desejam aceitar Cristo

no coração. Peço que orem comigo: Amado Deus, sei que sou pecador. Imploro o teu

perdão por ter demorado tanto tempo. Recebo o teu amor e a tua salvaço e peço que

vivas em mim. Eu te aceito como meu Salvador e quero viver para ti até que voltes

novamente.

Em meio a lágrimas, Jacov repetia as palavras da oração. Em seguida, levantou-se e

abraçou Buck com tanta força que quase não o deixou respirar. Buck afastou-se e pôs

novamente a garrafa na mão de Jacov.

- Fria! - ele exultou.

- Beba! - disse Buck.

Jacov colocou a garrafa contra a luz e sorriu ao ver a água límpida.

- A garrafa está cheia!

Buck olhou espantado. Estava cheia! Jacov levou-a à boca, inclinando-se tanto para trás a

ponto de perder o equilíbrio, e Buck teve de segurá-lo. Ele sorveu a água lentamente,

deixando-a espirrar no rosto e escorrer pelo pescoço.

Jacov ria e gritava ao mesmo tempo.

- Louvado seja Deus! Louvado seja Deus! Louvado seja Deus!

- Deixe-me olhar para você - disse Buck, rindo.

- Eu fiquei diferente?

- Diferente para melhor. - Buck segurou a cabeça de Jacov

e virou o rosto dele em direço à luz. - Você tem o selo na testa - ele disse. Jacov

afastou-se e correu para a van.

- Quero ver o selo no espelho.

- Você não conseguirá ver nada - disse Buck, acompanhando-o. - Por algum motivo que

não sabemos explicar, não podemos ver o próprio selo. Mas você pode ver o meu.

Jacov virou-se e parou Buck, aproximando-se dele e semicerrando os olhos.

- Eu estou vendo! Uma cruz! E é verdade que também tenho uma?

- É verdade.

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- Louvado seja Deus!



Eles entraram novamente na van, e Buck discou o número do telefone de Chloe.

- Eu estava esperando que fosse você - disse ela ao atender.

- Sou eu.

- Eu estava preocupada com você.

- Desculpe-me, mas temos um novo irmão.

- Jacov?

- Quer falar com ele?

- Claro. E não tente entrar aqui de novo, querido. Está uma loucura. Vou sair com Tsion

assim que puder.

Buck passou o telefone para Jacov.

- Obrigado, Sra. Williams! - ele disse. - Eu me sinto um novo homem! Novinho em folha!

Venha logo para podermos ver os nossos selos na testa!

Sentado diante do aparelho de TV na casa secreta, no meio da tarde, Rayford meneava a

cabeça.


- Vocês acreditam no que estão vendo? - ele repetiu várias vezes. - Não posso acreditar

que Carpathia tenha perdido esta parada.

Ken levantou-se, bloqueando a luz do sol que vinha da janela.

- Eu ouvi todas as histórias sobre as duas testemunhas, mas, homem, eles são do outro

mundo. Ainda bem que estão do nosso lado, não é verdade?

O Dr. Charles riu.

- Se você tem acompanhado o que Tsion diz pela Internet, sabe disso muito bem, tanto

quanto nós.

- Este incidente vai provocar o maior índice de audiência na TV de todos os tempos - disse

Rayford, virando-se para saber qual era a opinião de Hattie. Ela também tinha os olhos

fixos na tela da TV e tentou dizer alguma coisa, mas seu rosto estava mortalmente

pálido, a boca entreaberta e os lábios trêmulos. Parecia aterrorizada.

- Você está bem, Hattie? - perguntou Rayford.

Floyd virou-se quando Hattie deu um grito lancinante e caiu de costas na cama.

Segurando o abdome com as duas mãos, ela rolou para o outro lado da cama, ofegando e

gemendo.

O Dr. Charles pegou o estetoscópio e pediu a Rayford e Ken que colocassem Hattie deitada

de costas. Ela se debateu, mas pareceu entender que deveria acalmar-se para que Floyd

pudesse ouvir as batidas do coraço do bebê. A expressão do médico era de preocupaço.

- O que você sentiu? - ele perguntou.

- Faz algum tempo que não sinto o bebê movimentar-se - ela disse, respirando com

dificuldade. - De repente, senti uma dor aguda. Ele morreu? Eu perdi meu bebê?

- Deixe-me auscultar novamente - ele disse. Hattie

continuava imóvel. - Não posso ter certeza usando apenas um estetoscópio. Não tenho

um monitor fetal.

- Você deve saber se ele ainda está vivo! - disse Hattie.

- Não tenho certeza.

- Oh, não! Por favor, não!

Floyd pediu que ela ficasse quieta e auscultou mais uma vez, com muito cuidado. Em

seguida, encostou o ouvido no abdome dela, e endireitou-se rapidamente. - Você contraiu

os músculos abdominais de propósito? - Ela balançou a cabeça negativamente. - Está em

trabalho de parto?

- Como posso saber?

- Sente espasmos? Contraçes? Ela assentiu com a cabeça.

- Preciso de um telefone! - gritou Floyd, e Ken entregou-lhe um. O médico discou

rapidamente. - Jimmy, sou eu.Preciso de uma sala esterilizada e um monitor fetal... Não

faça perguntas!... Não, não posso dizer nada. Digamos que estou a uns 80 ou 90

40

quilômetros de distância... Não, não posso ir até aí.



- Que tal o hospital de Palatine, o Young Memorial? -, disse Ken em voz baixa. - Há uma

senhora crente lá.

Rayford ergueu os olhos, com ar de surpresa. Floyd cobriu o fone com a mão.

- Fica longe daqui?

- Não muito.

- Obrigado, Jimmy. Desculpe-me por tê-lo incomodado. Encontramos um lugar. Estou lhe

devendo mais esta.

O médico começou a dar ordens.

- Um de vocês vai dirigir, e o outro precisa me trazer dois cobertores.

Rayford olhou para Ken, que encolheu os ombros.

- Estou às ordens - disse Ken. - Posso dirigir ou...

- Rápido, cavalheiros!

- É melhor você dirigir, já que conhece o caminho – disse Rayford, subindo a escada

correndo. Quando ele retornou com os cobertores, o Rover já estava com o motor ligado

perto da porta. O Dr. Charles saiu da casa com Hattie nos braços. Ela se contorcia, gemia

de dor e chorava.

- Você acha que deve levá-la daqui?

- Não tenho escolha - disse Floyd. - Receio de que ela possa ter um aborto espontâneo.

- Não! - gritou Hattie. - Só estou lutando para viver por causa de meu bebê!

- Não fale assim - disse Rayford abrindo a porta do carro.

- Sim, pode falar - disse o médico. - Seja pelo que for, continue lutando. Ray, forre o

banco traseiro com um cobertor e coloque o outro por cima dela assim que eu conseguir

deitá-la.

Com muito esforço, ele colocou Hattie dentro do carro e deitou-a no banco traseiro com a

cabeça quase encostada na porta. Quando Rayford a cobriu, Floyd entrou, sentou-se no

banco e ajeitou as pernas dela em seu colo. Rayford sentou-se imediatamente no banco

dianteiro.

- Pise fundo, Ken - disse Floyd. - Precisamos chegar lá o mais rápido possível.

Aparentemente, era tudo o que Ken desejava ouvir. Ele acelerou o motor e saiu na

mesma posiço que entrara. Passou por cima de um monte de terra e desviou-se dos

sulcos que se formaram na rua em frente à casa. Os quatro sacolejavam dentro do carro,

que quase tombou por duas vezes enquanto se dirigiam até a estrada para Palatine.

- O carro está pulando muito? - ele perguntou.

- Você não precisa se preocupar. Neste momento, a velocidade é muito mais importante

do que o conforto – disse Floyd. - Ray, ajude-me.

Rayford virou-se para trás e segurou o pulso de Hattie, e o médico passou os dois braços ao

redor dos tornozelos dela. Os dois a seguraram com força, e Ken testou o limite de velocidade

do carro. Havia apenas um pequeno trecho pavimentado na estrada entre a casa e o

hospital. Ken aproveitou para correr mais naquele trecho. Ao bater em um monte de terra,

depois de terminado o asfalto, o carro quase voou.

Ao avistar o hospital, Floyd disse:

- Procure a entrada do pronto-socorro.

- Não posso fazer isto - disse Ken. - Não sei o nome daquela senhora. Só vi o selo na sua

testa, e ela trabalha perto da recepço, e não no pronto-socorro. É melhor eu parar em

frente ao hospital e correr para encontrá-la. Se ela nos arranjar uma sala de cirurgia, a

maneira mais rápida será entrar com Hattie pela porta da frente.

Floyd concordou, e Ken estacionou no meio-fio, perto da entrada.

- Vá até lá, Ken. Ray, ajude-me a tirá-la daqui.

Rayford desceu do carro e abriu a porta do lado da cabeça de Hattie. Ela estava

inconsciente.

- Não estou gostando disto - disse o médico.

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- Deixe-me carregá-la - disse Rayford. - Empurre-a na minha direço e depois vá até lá e



converse com a senhora, caso Ken a tenha encontrado.

- Eu posso levá-la, Ray.

- Faça o que eu lhe pedi.

- Você tem razão - disse Floyd, empurrando Hattie ao mesmo tempo em que Rayford a

puxava para poder carregá-la. Apesar da gravidez, ela estava magra demais, tinha o peso

de uma menina. Ele se desvencilhou do cobertor que cobria o banco e seguiu atrás de

Floyd. A senhora com o selo na testa acompanhou Ken até a porta, com olhar

aterrorizado.

- Seus irmãos vão complicar minha vida - ela disse. – Qual é o problema?

- Ela está correndo risco de abortar - disse Floyd. – Você tem registro para trabalhar em

salas de cirurgia?

- Há muitos anos. Fui transferida para a administraço desde que...

- Não podemos confiar em ninguém mais. Leve-nos até uma sala de cirurgia

imediatamente.

- Mas...

- Já, minha cara!

A recepcionista, uma adolescente, olhava fixo para eles. A senhora disse:

- Olhe para o outro lado e fique de boca fechada. Entendeu?

- Eu não vi nada - disse a garota.

- Qual é o seu nome? - perguntou Floyd enquanto a acompanhava pelo corredor.

- Leah.

- Sei que está correndo um grande risco, Leah. Sou-lhe muito grato.

Leah olhou de relance para Hattie no momento em que abriu a sala de cirurgia e apontou

para uma mesa.

- Pelo visto, não sou irmã dela. Floyd olhou firme para Leah.

- E por causa disso vamos deixá-la morrer?

- Não me interprete mal, doutor. O senhor é médico? - Ele assentiu com a cabeça. - Eu só

quis dizer que o senhor vai ter muitos problemas e se arriscar por alguém que não é um

dos nossos...

- Um dos nossos? - ele perguntou com ar de espanto, dirigindo-se rapidamente para o

local de assepsia. Pegou um avental de uma pilha e dirigiu-se à pia. - Lave as mãos

também. Você vai ser minha assistente.

- Doutor, eu...

- Vamos, Leah. Já.

Ela postou-se diante da pia ao lado de Floyd. Ken permanecia em pé ao lado de Hattie,

que continuava inconsciente. Rayford sentia-se um inútil, aguardando entre a mesa de

cirurgia e o local de assepsia.

- Estamos contaminando este ambiente esterilizado? – ele perguntou.

- Tome cuidado para não tocar em nada - disse Floyd. – Já estamos quebrando muitas

regras.


- Eu não quis dar a entender que.... - disse Leah.

- Depressa - disse Floyd, lavando as mãos mais rápido do que Rayford podia imaginar. -

Temos de dar a esta moça todas as oportunidades de passar para o nosso lado antes que

ela morra.

- Claro. Peço que me desculpe.

- Vamos nos concentrar na paciente. Assim que você estiver pronta, quero que pincele o

corpo dela com um anti-séptico desde o esterno até as pernas. Eu disse pincelar. Use um

litro do produto, se for possível. Não perca muito tempo, apenas não deixe nenhum local

sem ser desinfetado. E providencie monitor fetal. Se aquele bebê estiver vivo, talvez eu

tente uma cesariana. Você vai ter de cuidar da anestesia.

- Não tenho nenhuma experiência...

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- Eu vou lhe dizer o que fazer, Leah. Que tal aproveitarmos a ocasião para intensificar



nossa fé?

- Vou perder meu emprego.

- E daí? - disse o médico. - Espero que não seja a pior coisa que possa acontecer em sua

vida. Você está vendo as pessoas que estão nesta sala? Eu perdi o meu emprego outro

dia. O capitão Steele também. Ken perdeu sua casa.

- Eu o conheço. Ele ficou internado aqui.

- Verdade? - disse Floyd acompanhando-a até a mesa de cirurgia.

- E quanto à paciente? - ela perguntou, ligando rapidamente o monitor fetal.

- Hattie também perdeu o emprego. Estamos todos no mesmo barco. Prepare-a.

Ken e Rayford afastaram-se para perto da porta. Floyd verificou o monitor fetal e balançou

a cabeça. Em seguida, ligou vários monitores a Hattie.

- A respiraço dela até que está boa. A pressão arterial está baixa. Pulso acelerado.

- Que situaço terrível, doutor.

- Eía foi envenenada.

- Com quê?

- Quem me dera saber.

- Doutor, o senhor disse que o nome dela é Hattie? Ele confirmou com um movimento de

cabeça.


- Ela não é quem estou pensando, é?

- Acho que sim - ele disse, posicionando-se melhor. – Você já ouviu falar de outra Hattie?

- Neste século, não. O... namorado dela sabe o que está acontecendo ou devemos estar

bem longe daqui quando ele descobrir?

- Foi ele o responsável pelo estado em que ela se encontra, Leah. Quando você recebeu o

selo na testa, tornou-se arquiinimiga dele, e agora está na linha de frente, só isso.

- Só isso?

Rayford observava a cena, orando por Hattie, quando Floyd posicionou a iluminação vinda

de cima.

- Dilataço de sete ou oito centímetros - disse o médico.

- Então não haverá necessidade de incisão? - perguntou Leah.

- O bebê está morto - ele disse. - Preciso de soro

intravenoso. Soluço de lactato, 40 unidades de ocitocína por litro.

- Aborto incompleto?

- Viu como você está se lembrando do que aprendeu, Leah? Normalmente ela daria à luz

dentro de uma ou duas horas, mas, nestas condições, tudo será muito rápido.

Rayford estava impressionado com a rapidez e eficiência de Leah. Hattie recobrou a

consciência.

- Estou morrendo! - ela disse, gemendo.

- Você está abortando, Hattie - disse o Dr. Charles. – Sinto muito. Tente me ajudar.

Estamos preocupados com você.

- Está doendo muito!

- Logo você não sentirá mais dor, mas vai ter de fazer força quando eu mandar.

Em poucos minutos, Hattie estava sentindo fortes contrações. Rayford se perguntava com

o que se pareceria o filho do anticristo.

O bebê morto estava tão pequeno e subdesenvolvido que foi expelido rapidamente do

corpo de Hattie. Floyd o aparou, juntando os pedaços de placenta e entregou tudo a Leah.

- Patologia? - ela perguntou. Floyd olhou firme para ela.

- Não - ele disse entre os dentes. - Você tem um incinerador?

- Não posso fazer isso. Não. Eu me recuso.

- O quê? - gritou Hattie. - O quê? Meu bebê nasceu? Leah continuava ali, com a pequena

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trouxa nas mãos.



Floyd caminhou até a cabeceira da mesa de cirurgia.

- Hattie, você expeliu um feto prematuro, muito deformado.

- Não fale deste jeito! Menino ou menina?

- Não foi possível constatar.

- Posso vê-lo?

- Sinto muito, Hattie. Não se parece com um bebê. Não seria aconselhável.

- Mas eu quero...

Floyd retirou as luvas e pousou carinhosamente a mão no rosto dela.

- Passei a gostar muito de você, Hattie. Você sabe disso, não é mesmo? - Ela assentiu

com a cabeça, chorando. - Estou lhe pedindo que confie em mim, como alguém que se

preocupa muito com você. - Ela olhou para Floyd com ar de indagação. - Por favor - ele

prosseguiu. – Acredito tanto quanto você que este ser foi concebido como um outro

qualquer, e tinha uma alma. Mas não vingou, não sobreviveu. Ele não se desenvolveu

normalmente. Você confia em mim para fazer o que for necessário com ele?

Hattie mordeu o lábio e assentiu com a cabeça. Floyd olhou para Leah, que parecia não ter

mudado de idéia. Ele colocou o bebê em um carrinho e olhou para Hattie. Em seguida, fez

um gesto para que Leah se aproximasse.

- Preciso que você me ajude a fazer uma curetagem uterina para eliminar os resíduos de

placenta e tecidos necrosados.

- Preocupado com endometrite?

- Muito bem.

Rayford pôde ver pela expressão do rosto de Leah e suas mandíbulas retesadas que ela

não estava disposta a dar um fim ao feto. Aparentemente, Floyd também notara. Depois

de terminar a curetagem em Hattie, ele pegou cuidadosamente o feto.

- Onde? - ele perguntou.

- No fim do corredor - ela murmurou. - Dois andares abaixo. Ele saiu, e Hattie começou a

soluçar alto. Rayford

aproximou-se e perguntou se podia orar por ela.

- Sim, por favor - ela disse em tom quase inaudível. - Rayford, quero morrer.

- Você não vai morrer.

- Não tenho motivo para viver.

- Tem sim, Hattie. Nós amamos você.

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CINCO


O nervosismo de Buck aumentava enquanto ele aguardava Chloe e Tsion dentro da van.

Talvez ela tivesse tentado tirar Tsion do palco. Milhares de pessoas dariam tudo para ficar

ao lado de Tsion por alguns instantes, sem mencionar os membros da delegação que

gostariam de trocar algumas palavras com ele. E ninguém sabia como Carpathia reagiria

diante do que acontecera no palco. A princípio, ele culpou Tsion, mas em seguida

apareceram as testemunhas.

Na opinião de Buck, Carpathia devia imaginar que Tsion não possuía poderes de realizar

milagres. A discussão de Nicolae foi com as duas testemunhas. Claro que por culpa dele.

Carpathia não foi convidado para assistir ao evento nem para subir ao palco. E quanto

cinismo ao fazer com que Fortunato e o pomposo Peter Segundo o precedessem! Buck

meneou a cabeça. O que mais se poderia esperar do anticristo?

Buck discou para o número de Chloe, mas ela não atendeu. Se desse sinal de ocupado, ele

até entenderia. Mas por que ela não atendia? De repente, entrou uma gravação em

hebraico.

- Jacov - chamou Buck -, ouça isto. 0 que a moça está dizendo?

Jacov, ainda com um sorriso radiante nos lábios, estava com a cabeça para fora da janela

tentando enxergar o selo na testa das outras pessoas. Ele não se cansava de apontar

para a sua, e constatou que os crentes sempre sorriam felizes e faziam um sinal na

direção do céu. Buck sabia que chegaria o dia em que a cruz na testa seria algo muito

significativo entre os santos da tribulação. Até mesmo o simples gesto de apontar para o

céu atrairia a atenção das forças inimigas.

O problema era que também chegaria o dia em que o povo do outro lado teria, de igual

modo, uma marca, que seria visível a todos. De acordo com a Bíblia, aqueles que não

ostentassem a "marca da besta" ficariam impedidos de comprar ou vender qualquer

coisa. O grande número de santos da tribulaço teria de organizar um mercado

clandestino para conseguir sobreviver.

Jacov colocou o fone perto do ouvido e, em seguida, devolveu-o a Buck.

- Se você quiser deixar um recado, aperte a tecla um. Buck apertou a tecla e deixou o

seguinte recado: "Chloe,

ligue para mim assim que receber este recado. A multidão aqui fora ainda não se

arredou, e por isso não quero entrar aí para procurar você e Tsion. Mas, se você não me

ligar em dez minutos, vou entrar." Assim que ele terminou o recado, seu telefone tocou.

- Obrigado, Senhor - disse ele assim que atendeu. - Fale, meu bem.

Depois de alguns ruídos de estática e de motor funcionando, ele ouviu:

- Torre de Jerusalém, aqui é Águia Um CG!

-Alô!


- Positivo, torre, está me ouvindo?

- Alô, aqui não é a torre - disse Buck. - Será que peguei uma outra freqüncia?

- Positivo, torre, estou usando o telefone em vez do rádio por se tratar de uma

transmissão confidencial, positivo?

- Mac, é você?

- Positivo, torre.

- Você está no helicóptero com os três?

- Dez-quatro. Verificando coordenadas para retornar ao heliporto do Rei Davi, câmbio.

- Você está tentando me dizer alguma coisa?

- Positivo. Obrigado. Não há ventos à frente?

- É sobre Tsion?

- Parcialmente nublado?

45

- E Chloe?



- Dez-quatro.

- Eles estão correndo perigo, Mac?

- Positivo.

- Alguém os tirou de lá?

- Desta vez não, torre. Chegada prevista em cinco minutos.

- Eles estão fugindo?

- Positivo.

- O que devo fazer?

- Chegaremos pelo lado noroeste, torre.

- Eles estão fora do estádio?

- Negativo.

- Devo encontrá-los no lado noroeste?

- Positivo. É uma tentativa. Agradeço sua colaboraço, torre.

- Eu também estou correndo perigo?

- Dez-quatro.

- Devo levar mais alguém?

- Positivo e obrigado, torre. Seguindo nessa direço imediatamente.

- Mac! Vou levar alguém que eles não conhecem e ficar aguardando pelos dois na saída



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