Série de ficço mais lida no mundo, Deixados Para Trás vendeu mais de 70 milhões de livros e foi traduzida



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intérpretes estavam sentados. Todos tinham os olhos fixos em Tsion, e Fortunato falava

sem saber onde eles se encontravam.

- Por favor - ele disse -, não é certo que apenas aqueles que entendem inglês possam

apreciar os pronunciamentos dos dois próximos anfitriões.

Anfitriões?, pensou Buck. Aquela palavra atraiu a atenção de Tsion, e ele olhou

instintivamente para Leon.

- Por favor - disse Leon em voz baixa enquanto a multidão gritava cada vez mais alto.

Tsion olhou para os intérpretes, que aguardavam com os olhos fixos nele. O rabino

levantou

um pouco a cabeça, como se estivesse fazendo um gesto de aprovação. Os intérpretes

correram até os microfones.

- Obrigado por sua gentileza, Dr. Ben-Judá – disse Fortunato. - O senhor foi muito

generoso. Sua Excelência também lhe agradece.

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Tsion não tomou conhecimento.



Falando com a cadência necessária para facilitar o trabalho dos intérpretes, Fortunato

dirigiu-se novamente à multidão.

- Como supremo comandante da Comunidade Global e como um homem agraciado com

seus poderes sobrenaturais de fazer milagres, terei o prazer de anunciar, dentro de

poucos minutos, a presença de Sua Excelência, o potentado da Comunidade Global Nicolae

Carpathia!

Fortunato terminou sua fala com um floreio, como se estivesse esperando gritos e

aplausos. Mas limitou-se a sorrir e, na opinião de Buck, ficou constrangido e perturbado

ao ver que a platéia não reagiu. Ninguém sequer se mexeu no lugar. Todos os olhos

estavam cravados em Fortunato, exceto os de Tsion.

Leon recompôs-se rapidamente.

- Sua Excelência os saudará pessoalmente, mas antes eu gostaria de apresentar-lhes o

venerável chefe da Fé Mundial Enigma Babilônia, o supremo papa, sumo pontífice Peter

Segundo!

Fortunato deu um passo para trás com imponência, acenando para o helicóptero, de onde

surgiu a figura cômica do homem que Buck conhecia como Peter Mathews, ex-arcebispo de

Cincinnati. Ele se tornara papa logo após o desaparecimento do pontífice anterior, e agora

estava encarregado de fazer a fusão de quase todas as religiões do mundo, exceto o

judaísmo e o cristianismo.

Mathews conseguira descer do helicóptero em grande estilo, apesar da pompa e do

requinte de seus trajes clericais, tão vistosos como Buck nunca vira.

- O que significa isto? - perguntou Chloe.

Boquiaberto, Buck viu quando Peter Segundo levantou as mãos para a multidão e virou-

se lentamente em círculo como se quisesse incluir todos os presentes em sua saudação

empolada e piedosa. Ele ostentava na cabeça um barrete alto e pontudo com uma

infinidade de símbolos na parte da frente, e trajava um manto longo amarelo faiscante

com uma imensa cauda e mangas folgadas, cujo tecido macio caía em cascata. Suas

vestimentas eram ornamentadas com enormes pedras coloridas incrustadas, borlas e

cordões entrelaçados, e tiras de veludo azul-celeste, seis em cada manga, como se ele

tivesse recebido alguma espécie de grau de doutorado em um concurso de fantasias. Buck

cobriu a boca com a mão para conter uma gargalhada. Quando Mathews deu uma volta

completa, deixou à mostra os signos astrológicos desenhados na cauda de seu manto.

Suas mãos movimentavam-se em círculos como se ele estivesse abençoando a todos.

Buck gostaria de saber como Peter se sentia por não ter recebido nenhuma demonstração

de apreço vinda da platéia. Será que Carpathia ousaria enfrentar essa indiferença, essa

hostilidade?

Peter pegou o microfone, aproximou-o da boca e falou com os braços abertos:

- Meus abençoados irmãos e irmãs que buscam estados mais altos de consciência, meu

coraço se enternece ao vê-los aqui, estudando e aprendendo com a sabedoria de meu

colega e respeitado literato, Dr. Tsion Ben-Judá!

Mathews certamente esperava que, ao engrandecer o herói da platéia como se estivesse

apresentando um lutador de boxe peso-pesado, receberia uma estrondosa ovação, mas a

multidão permaneceu em silêncio e imóvel.

- Concedo a todos aqui presentes as bênços das divindades universais, representadas

por pai, mãe e reino animal, que carinhosamente guiam nossos passos para a verdadeira

espiritualidade. No espírito da harmonia e do ecumenismo, faço um apelo ao Dr. Ben-Judá

e a outros sob sua liderança que adicionem a riqueza de sua herança, história e erudição

à nossa manta multicolorida. Para que possamos completar essa esplêndida manta de

retalhos, que abrange, inclui, afirma e aceita os principais dogmas de todas as grandes

religiões do mundo, eu insisto que o senhor inclua a sua. Enquanto não chegar o dia em

que o senhor concordará em fincar sua bandeira sob a égide da Fé Mundial Enigma

Babilônia, asseguro-lhe que defenderei seu direito de discordar, fazer oposiço e aceitar

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nossa divindade pluralista como lhe aprouver.



Mathews virou-se com ar aristocrático e trocou de lugar com Fortunato,. ambos

claramente fingindo não se dar conta da apatia da multidão. Fortunato anunciou:

- E agora tenho a imensa satisfação de apresentar-lhes o homem que uniu o mundo

transformando-o na comunidade global, Sua Excelência e potentado Nicolae Carpathia!

Peço-

lhes que se levantem antes que ele inicie seu pequeno discurso de saudaço.



Ninguém se levantou.

Carpathia estampava um sorriso forçado no rosto. Pela

experiência de Buck, ele nunca havia deixado de cativar uma platéia. Sempre foi o orador

mais dinâmico, mais sedutor, mais charmoso que Buck conhecera. Evidentemente, Buck

não se deixava impressionar por Nicolae, mas agora perguntava a si mesmo se o selo de

Deus na testa das testemunhas e de seus convertidos também protegia suas mentes

contra as manipulações desse ser maligno.

- Concidadãos da Comunidade Global – Carpathia começou a dizer, aguardando a

tradução dos intérpretes. Para Buck, ele estava tendo dificuldade de estabelecer uma

ligaço


com o público. - Como potentado dos senhores, saúdo-os por terem vindo a Israel e

comparecido a este estádio, que leva o nome de um homem do passado, um estadista

que lutoo pela paz e a harmonia entre os povos.

Buck estava impressionado. Nicolae tentara cativar a platéia mencionando um ex-prefeito

da Cidade Santa, cujo nome era conhecido por uma grande porcentagem da multidão.

Buck começou a preocupar-se, imaginando que o poder de persuasão de Nicolae

Carpathia viesse a exercer influência sobre pessoas como Jacov. Ele tocou no ombro de

Chloe e sussurrou:

- Volto já.

- Por que você vai sair daqui? - ela perguntou. - Eu não perderia esse show por nada

deste mundo. Você não acha que a roupa de Peter ficaria perfeita em mim, talvez como

um traje de noite?

- Vou conversar um pouco com Jacov.

- Boa idéia.

Quando Buck começou a afastar-se, o telefone celular vibrou em seu bolso.

- Aqui é Buck - ele disse.

- Aonde você está indo?

- Quem está falando?

- Você não estava sentado do lado direito do palco ao lado de uma loira?

Buck parou.

- Preciso saber quem está falando.

- Mac McCullum. Prazer em conhecê-lo.

- Mac! O que houve? Onde você está?

- No helicóptero, homem! Esta é a melhor peça de teatro que já vi na vida. Que

palhaçada! Você devia ter ouvido o que esses sujeitos falaram quando estavam a bordo.

Praguejaram, amaldiçoaram Ben-Judá e todo o povo. Carpathia desabafou em cima de

mim e insultou as duas testemunhas.

- O que você está dizendo não me surpreende. Ei, você tem certeza de que esta ligaço é

sigilosa?

- Claro! Minha vida depende dela, filho.

- É verdade. - Buck disse a Mac aonde estava indo e por quê.

- O Nick é uma peça rara, não? - disse Mac.

- Chloe gostou demais dos trajes resplandecentes de Mathews.

- Ei, eu também! Agora preciso desligar. Não quero ter de dizer a eles com quem eu

estava conversando.

- Mantenha contato, Mac.

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- Não se preocupe. Mas, preste atenção, é melhor vocês não ficarem muito visíveis. Nunca



se sabe o que essa gente pode fazer.

- Espere um pouco - disse Buck, com um sorriso na voz.

- Você está dizendo que não devemos acreditar na palavra de Carpathia? Ele não é um

sujeito confiável?

- Tudo bem, mas é melhor vocês se cuidarem.

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QUATRO



SABENDO que as altas patentes da CG estavam longe da Nova Babilônia, Rayford enviou o

seguinte e-maü para David Hassid no abrigo subterrâneo de Carpathia: "Irmão, esteja em um

local onde possa receber um telefonema às seis horas, seu horário." Às nove horas da

manhã em Chicago, uma hora antes de o Encontro das Testemunhas ser transmitido ao

vivo para o mundo inteiro, via Internet, Rayford ligou para David.

- Onde você está? - ele perguntou.

- Fora do abrigo - respondeu David. - Com o "Gordo e o Magro" longe daqui, a situação

está tranqüila.

Rayford riu.

- Eu diria que você é muito jovem para falar deles desta maneira.

- Eles são meus ídolos - disse David. – Principalmente agora que estão governando o

mundo. O que houve?

Eu estava me preparando para assistir ao grande evento. Instalaram um telão aqui.

Rayford contou as novidades a David.

- Sinto muito ter de dizer-lhe, mas acho que nosso próximo encontro será aqui, em nosso

esconderijo.

- Não creio que eu possa fugir daqui, mas Mac está certo. Foi bom você ter sumido. Seus

dias estavam contados.

- Eu não entendo como Nicolae não acabou comigo antes.

- É melhor seu genro ficar escondido também. O nome dele está em evidência o tempo

todo. Fui incumbido de localizar de onde se origina a revista que ele está publicando, via

Internet. Mas você sabe, Rayford, por mais que eu me esforce, trabalhando dia e noite,

não vejo meios de conseguir encontrar o que eles querem.

- Não brinque.

- Sinceramente, estou fazendo o que posso. É frustrante quando a gente não consegue

passar uma informação para o chefe que custaria a vida de um irmão. Você entende o

que estou dizendo?

- Então, continue se esforçando, David, e tenho certeza de que pelo menos você passará

uma informaço errada a eles que os fará perder mais tempo ainda.

- Ótima idéia.

- Mais uma coisa. Você poderia me ensinar como conectar meu laptop a um aparelho de

TV para que possamos ver melhor esse evento?

David riu.

- Em seguida, você vai me dizer que seu aparelho de som está piscando 24 horas por dia.

- Como você sabia?

- Foi só um palpite.

- Você sabe que nós o consideramos membro do Comando Tribulação - disse Rayford -,

embora os outros membros ainda não o conheçam. Agora, você e Mac são nossos

"espiões" aí, e sabemos o quanto essa situação é perigosa.

David deixou as brincadeiras de lado e passou a falar sério.

- Obrigado. Eu gostaria muito de conhecer os membros do Comando Tribulação e estar aí

com vocês. Mas, conforme você costuma dizer, isso só vai acontecer quando eu estiver

fugindo... e bem longe do regime mais tecnologicamente avançado da história do mundo.

Talvez só nos encontraremos no céu. Até lá, você vai precisar de um avião, de um

helicóptero ou coisa parecida?

- Vamos ter de conversar sobre esse assunto aqui. Se no amor e na guerra tudo é válido,

talvez faça sentido termos um equipamento apropriado para lutar contra o inimigo.

- Mesmo que vocês consigam apropriar-se de equipamentos caríssimos, não vão causar

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nenhum dano à CG, nem mesmo um arranhão.



- Por quanto tempo mais vocês ficarão instalados no abrigo subterrâneo?

- Não vai demorar muito para sairmos daqui. O novo palácio - sim, trata-se de um

verdadeiro palácio – está quase pronto. É espetacular. Eu gostaria de sentir orgulho de

trabalhar aqui. Poderia ser um bom negócio, mas não é.

Depois que David passou-lhe algumas instruções, Rayford instalou a TV em um lugar onde

ele, o Dr. Charles, Ken Ritz e Hattie pudessem ver o Encontro das Testemunhas. Hattie

continuava deitada, gemendo. Recusou comida e medicamento. Assim, Rayford limitou-se

a colocar um cobertor por cima dela. Floyd dissera que também gostaria de assistir ao

evento. Quando faltavam alguns minutos para as dez horas, Rayford pediu a Ken que

despertasse Floyd.

O médico pareceu alarmado quando viu Hattie.

- Há quanto tempo ela está assim?

- Mais ou menos uma hora - disse Ken. - Devíamos ter acordado o senhor antes?

O médico deu de ombros.

- Estou atirando no escuro, fazendo experiências com antídotos para um veneno que

ainda não foi identificado. Fiquei animado por ela ter melhorado um pouco, mas agora seu

estado piorou.

Depois que Floyd a medicou e deu-lhe um pouco de comida, ela adormeceu.

Rayford comoveu-se a ponto de derramar lágrimas enquanto assistia à transmissão de

Israel. Hattie despertou ao ouvir as gargalhadas dos homens quando viram os trajes de

Peter Mathews. Com muito esforço e gemendo de dor, ela levantou o corpo da cama e

apoiou-se nos cotovelos para ver o programa.

- Nicolae odeia Mathews - ela disse. - Ouçam o que eu digo. Um dia, ele vai mandar

alguém matá-lo.

Rayford lançou-lhe um olhar de espanto. Ela estava certa, evidentemente, mas como

sabia disso? Será que já existia um plano para matar Mathews desde o tempo em que

Hattie trabalhava para Carpathia?

- Ouçam o que eu digo - repetiu Hattie.

Quando Nicolae desceu do helicóptero e reuniu-se a Fortunato e Mathews no palco, o

telefone de Rayford tocou.

- Esta é a primeira oportunidade que tive de ligar para você, Ray - disse Mac. - Ninguém

sabe ainda que você foi embora. Vocês trabalharam muito bem. É claro que não vou poder

fingir por muito tempo que não sei de nada. Agora, preste atenção. Seu genro é um

sujeito boa pinta de mais ou menos 30 anos, e sua filha, uma moça loira e bonita?

- Sim. Onde eles estão? Daqui, posso ver o helicóptero, mas não consigo ver os dois.

- Eles estão afastados do foco das câmeras, na ala lateral.

- Mac, preciso contar-lhe o que Hattie me disse a respeito...

- Eu só tenho mais alguns instantes aqui, Ray. Deixe-me

ligar para Buck. Ele está com aquele telefone cujo número você me deu?

- Talvez, mas Mac...

- Voltarei a ligar para você outra hora, Ray.

Assim que Buck saiu do estádio, a eloqüncia de Carpathia aumentou. Quando Buck

chegou perto da van, avistou Jacov olhando firme para a frente, com as mãos agarradas

ao volante. Aparentemente, ele via o telão no alto, acima do povo, e ouvia a transmissão

pelo rádio. Buck tentou abrir a porta da van, mas Jacov a havia trancado por dentro e

levou um susto ao ouvir alguém forçá-la.

- Ah! é o senhor - disse ele, abrindo a porta.

- Quem você esperava que fosse? - perguntou Buck, entrando na van.

- Não percebi quando o senhor chegou. Peço que me desculpe.

- O que você está achando de tudo isto?

Jacov ergueu a mão, com a palma virada para baixo, mostrando a Buck que estava

tremendo. Buck ofereceu-lhe uma garrafa de água.

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- Do que você está com medo?



- De Deus - respondeu Jacov, sorrindo diante do que dissera e recusando a água.

- Você não precisa ter medo de Deus. Ele ama você.

- Não preciso ter medo? O rabino Ben-Judá diz que todas essas coisas que estamos

sofrendo são julgamentos de Deus. Acho que eu deveria ter medo dele desde muito tempo

atrás. Agora, com licença, quero ouvir o potentado.

- Você sabe que o Dr. Ben-Judá não é amigo dele.

- Sem dúvida. O potentado foi tratado com muita frieza.

- E da maneira apropriada, Jacov. Ele é inimigo de Deus.

- Mas eu preciso ouvir o que ele tem a dizer.

Buck sentiu-se tentado a continuar falando, para anular qualquer efeito prejudicial que

Carpathia pudesse exercer sobre Jacov. Mas não quis ser grosseiro e confiava no trabalho

que Deus realiza no coraço e na mente do homem. Resolveu permanecer em silêncio

enquanto as palavras fluentes de Carpathia enchiam o ar.

- Portanto, meus amados amigos, ninguém está exigindo que vocês se tornem

seguidores da Fé Mundial Enigma Babilônia para permanecerem como cidadãos da

Comunidade Global. Dentro dos limites razoáveis, há espaço para dissidência e caminhos

alternativos. Porém, reflitam comigo por alguns instantes sobre as vantagens, privilégios

e benefícios que resultaram da união de todas as naçes, transformando-as em uma

aldeia global.

Nicolae passou a recitar sua ladainha de realizaçes, discorrendo sobre a reconstruço

das cidades, estradas e aeroportos até chegar à miraculosa reconstruço da Nova

Babilônia, transformada agora na cidade mais deslumbrante que já existiu na face da

terra.

- Trata-se de uma obra-prima, e espero que vocês a visitem o mais breve possível.



Ele mencionou o sistema de satélite celular/solar (Cel-Sol) que permitia que as pessoas se

comunicassem entre si pelo telefone e pela Internet, independentemente de horário ou

local. Buck balançou a cabeça. Tudo isso fazia parte da superestrutura necessária para

que Nicolae governasse o mundo até o dia em que declararia ser o próprio Deus.

Buck podia ver que Nicolae estava tendo êxito em mexer com a cabeça de Jacov.

- É difícil contra-argumentar - disse o motorista. - Ele tem feito coisas maravilhosas.

- Mas Jacov - disse Buck -, você ouviu os ensinamentos do Dr. Ben-Judá. Acredito que você

está convencido de que a Bíblia diz a verdade, que Jesus é o Messias, que os

desaparecimentos significaram o arrebatamento da Igreja de Cristo.

Jacov continuava com os olhos fixos à frente, segurando com força o volante, braços

trêmulos. Ele fez um movimento afirmativo com a cabeça, mas parecia estar em conflito.

Buck deixou de lado a preocupação de estar sendo grosseiro. Falaria sobre Nicolae; não

permitiria que a fala astuta do inimigo se apoderasse de uma alma.

- O que você achou dos ensinamentos que o Dr. Ben-Judá transmitiu esta noite?

- Foram impressionantes - admitiu Jacov. - Eu chorei. Senti que estava sendo atraído na

direço dele, porém mais atraído ainda na direço de Deus. Eu gosto do Dr. Rosenzweig e

o respeito muito. Ele jamais entenderia se eu passasse a crer em Jesus. Mas, se for

verdade, o que mais poderei fazer?

Buck orava silenciosamente, uma oração de desespero.

- Mas, Sr. Williams, eu nunca tinha ouvido o versículo proferido pelo Dr. Ben-Judá e que foi

o motivo deste encontro. E ele foi interrompido, não foi? Ele não concluiu o versículo.

- Você tem razão, ele não concluiu. Está em João 3.16 e diz o seguinte: "Porque Deus

amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho..."

Porém, da mesma maneira que Tsion, Buck não conseguiu concluí-lo, porque Jacov

levantou a mão para silenciá-lo.

- O potentado está terminando - ele disse.

Carpathia parecia estar concentrado em seu discurso, mas havia algo estranho na voz

dele. Buck nunca o ouvira esforçar-se para falar, mas Carpathia começou a ficar rouco. Ele

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afastou-se do microfone, cobriu a boca com a mão e pigarreou.



- Perdoem-me - ele disse, ainda com dificuldade para falar. - Eu desejo tudo o que há de

bom a todos vocês e ao rabino e lhes dou as boas-vindas - pigarreou. - Mais uma vez,

peço que me perdoem...

Nicolae virou-se pedindo ajuda a Tsion, que continuava a não fazer caso da presença dele.

- Alguém teria um pouco de água?

Uma pessoa da platéia passou uma garrafa de água até o palco. Nicolae fez um gesto de

agradecimento. Quando ele abriu a garrafa, a pressão foi tanta que fez um ruído

estrondoso no microfone. Porém, assim que entornou o líquido na boca, ele teve ânsia de

vômito e o expeliu com força. Seus lábios e queixo estavam cobertos de sangue, e ele

segurava a garrafa com o braço estendido, olhando para ela horrorizado. Jacov saltou do

carro e aproximou-se do telão. Buck entendeu tudo. Mesmo à distância, dava para ver

que a garrafa continha sangue.

Buck acompanhou Jacov, e ambos ouviram Carpathia blasfemar, excomungar Tsion e seu

"maldito bando de inimigos da Comunidade Global! O que você ganhou ao me humilhar

desta maneira? Eu deveria retirar a proteção que lhe dei e ordenar que meus homens

atirassem em você e o matassem aí mesmo!"

Do meio da multidão estarrecida, soaram os gritos, em uníssono, de Eli e Moisés. Sem

necessidade de alto-falantes, todas as pessoas que estavam a um raio de um quarteirão

do local puderam ouvi-los. A multidão os cercou, e os dois permaneceram em pé sob a

iluminação sinistra do estádio, lado a lado, descalços e trajando roupas de aniagem.

- Ai daquele que se atrever a atentar contra a vida do vaso escolhido do Deus Altíssimo!

Carpathia atirou a garrafa no chão do palco, e a água límpida espirrou por todos os lados.

Buck sabia que as testemunhas haviam provocado aquela situação e transformado a água

de Nicolae em sangue. Nicolae apontou para Eli e Moisés, e gritou:

- O fim de vocês está perto! Juro que vou matá-los ou mandar alguém matá-los antes

que...


Mas as testemunhas gritaram mais alto ainda, e Carpathia foi forçado a calar-se.

- Ai! - disseram novamente. - Ai do impostor que se atrever a atentar contra a vida dos

escolhidos de Deus antes do tempo determinado! Vós, seguidores do Messias e selados

por Ele, saciai a vossa sede e vos sentireis revigorados!

A garrafa de água que estava no bolso de Buck ficou repentinamente fria. Ele a retirou do

bolso e sentiu que estava gelada. Extraiu a tampa com força e bebeu o seu conteúdo. A

água gelada, agradável, abundante, o néctar que saciava a sede, desceu suavemente por

sua garganta. Ele lamentou ter de tirar a garrafa da boca para poder respirar. Ao redor,

ouviam-se suspiros de satisfação dos crentes, que bebiam a água refrescante de suas

garrafas.

- Beba um pouco, Jacov! - disse Buck, limpando a boca da garrafa com a mão e

entregando-a a ele. - Está geladinha.

Jacov estendeu a mão e pegou a garrafa.

- Não parece estar gelada - ele disse.

- Como não? Sinta a minha mão. - Buck colocou a mão no braço de Jacov, o qual recuou

instintivamente.

- Sua mão está gelada - ele disse -, mas, para mim, a garrafa está quente. - Ele segurou

a garrafa contra a luz. - Que horror! Sangue! - exclamou, atirando-a ao chão. A garrafa

bateu nos pés de Buck, e ele a pegou antes que esvaziasse. Sentiu que ela estava fria e

não resistiu à tentação de levá-la novamente à boca.

- Não! - disse Jacov. Mas, ao ver que Buck sorvia água límpida, ele caiu de joelhos no



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