Série de ficço mais lida no mundo, Deixados Para Trás vendeu mais de 70 milhões de livros e foi traduzida



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E qual é o seu cliente mais importante?

Laslos endireitou o corpo na cadeira e sorriu tristemente, mas Buck detectou um brilho em

seu olhar.

- A Comunidade Global.

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VINTE

RAYFORD cruzou inesperadamente com Floyd Charles, que demonstrava irritação, batendo

em tudo o que estava por perto.

Que carro eu posso usar? - perguntou Floyd.

Qualquer um, doutor - respondeu Rayford. - O Rover está em boas condiçes. Amanhã

vou levar o carro de Ken para T. Talvez a pequena congregaço dele possa usá-lo. De

qualquer forma, o carro é dele.

Vou pegar o de Buck.

Aonde você vai?

Preciso conseguir oxigênio, Ray. Não quero ser pego desprevenido. Também não quero que

Chloe fique tão estressada quanto eu.

Ela está tão mal assim? Devo me preocupar?

Não! O problema maior é com Hattie. Ela acha que está melhor. Quer levantar da cama e

sair, mas não pode fazer isso sem ajuda, e não vou ajudá-la. Ela melhorou um pouco,

mas está magra demais, e seus órgãos vitais ainda não voltaram ao normal. Mas,

conforme você diz, não temos autoridade sobre essa moça.

Você quer que eu converse com ela? Depois de tudo o que fizemos por ela, talvez eu possa

convencê-la a fazer o que você quer.

Se você acha que vai conseguir, tudo bem.

Onde você vai conseguir oxigênio? Em Kenosha?

Eu não me atreveria a aparecer por lá novamente. Telefonei para Leah no Arthur Young.

Ela conseguiu dois tubos para mim.

Você sabe quem está naquele hospital? Ernie, o amiguinho de Hattie.

Sério?


T me contou que Ernie e seu amigo Bo estão internados lá.

Buck estava passando mal quando Abdullah pousou no aeroporto de Heathrow. Sentia

cãibras e náuseas, estava exausto e tenso. Seu estado era lastimável. Ele não via a hora

de chegar à casa secreta e ver Chloe.

Heathrow estava muito diferente do que havia sido antes da Terceira Guerra Mundial e do

grande terremoto. Carpathia injetara dinheiro naquele aeroporto, equipando-o com

aparelhos de alta tecnologia e tornando-o mais eficiente, porém com dimensões menores.

A populaço mundial se reduzira, e não havia mais necessidade de um aeroporto tão

grande.

A torre de Heathrow rejeitou categoricamente as seqüências anunciadas por Abdullah. Ele

pareceu frustrado, mas não se rebelou. Buck gostaria de saber o que Abdullah fazia antes

de se converter. Talvez tivesse sido um terrorista.

Abdullah entendeu o desejo de Buck de seguir viagem o mais rápido possível. Depois de

reabastecer a aeronave, ele retornou com dois sanduíches de queijo embrulhados em

papel celofane que pareciam estar prontos havia dias. Ofereceu um a Buck, que recusou

apenas por causa da náusea que sentia. Abdullah devia ter percebido que Buck estava

ansioso demais para querer comer, porque, assim que o controle de terra o liberou para

decolar, eles já estavam voando rapidamente rumo à Groenlândia.

Para Buck, aquela era uma viagem interminável. Ele pensou que poderia dispor de alguns

minutos para tentar relaxar, mas o jato parecia estar a ponto de explodir no ar a

qualquer momento. Quando o celular vibrou em seu bolso, Buck se contorceu de todas as

maneiras para conseguir pegá-lo, mas não conseguiu.

Abdullah percebeu e perguntou se havia alguma coisa errada.

Devo fazer um pouso de emergência? - ele perguntou.

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Não! - gritou Buck, notando um ar de expectativa na voz de Abdullah.



Aparentemente, um vôo normal da Jordânia até os Estados Unidos não era considerado

uma aventura emocionante para Abdullah. Mas onde alguém poderia fazer um pouso de

emergência entre Londres e a Groenlândia? Certamente Abdullah teria de retornar a

Londres, mas ele parecia mais disposto a encontrar um porta-aviões.

Quando, finalmente, eles chegaram à Groenlândia para o último reabastecimento, Buck

conseguiu sair do lugar e ficou sabendo que a ligação tinha sido do Dr. Charles. Buck ligou

de volta para ele.

Não posso falar com você neste momento, Buck. Sinto muito. Estou pegando alguns

suprimentos em um hospital.

Só me diga uma coisa, doutor. Está tudo bem?

Digamos que estou esperando que você chegue no horário.

Não gostei da resposta. Chloe está bem?

Todos nós precisamos de você aqui, Buck.

Desembuche, doutor. Ela está bem?

Buck, aguarde mais alguns instantes até eu poder conversar com você.

Por favor!

Buck ouviu Floyd pedindo a uma pessoa chamada Leah que aguardasse um pouco.

Tudo bem, Buck. Você vai chegar no horário programado?

Eu achava que chegaria antes, mas estamos programados para pousar às 22 horas.

Tão tarde assim?

Você está me deixando assustado, doutor.

O fato, Buck, é que não contei toda a verdade a Chloe e Rayford hoje. As batidas cardíacas

do feto estão mais lentas nos últimos dias e chegaram a um estágio alarmante.

O que isso significa?

Vou pôr Chloe no oxigênio assim que voltar para lá. Eu queria ter feito isto algumas horas

antes, mas me deparei com um pequeno problema no hospital. Eu me encontrei com um

conhecido de Rayford que está se recuperando aqui. Ele pareceu realmente interessado

em ouvir o que significam os julgamentos, e acabei gastando tempo .demais com ele.

Hattie conversou algumas vezes com o amigo dele, um rapaz mais jovem, que

aparentemente já recebeu alta.

Em pé no meio de um vento gelado, Buck precisou gritar para ser ouvido.

- Doutor, não faço a mínima idéia do que você está falando. Desculpe minha grosseria,

mas vá direto ao ponto. Por que você achou necessário não contar a verdade a Chloe e

Ray, que estão aí e podem lidar com o problema, e resolveu descarregar tudo em mim,

que estou em algum lugar perdido deste mundo e não posso fazer nada?

- Se você tivesse visto como eles reagiram quando falei de leve sobre o problema,

compreenderia meus motivos. Preciso que Chloe esteja otimista, e, se ela souber o quanto

o caso é grave, não estará em condiçes de cooperar.

Abdullah fez um sinal para Buck subir a bordo.

Posso continuar falando ao telefone?

Sim, sim!

Mas o barulho no ar era ensurdecedor. Buck e Floyd tiveram de repetir cada frase.

Finalmente Buck conseguiu entender o caso todo.

Existe alguma possibilidade de você ter de fazer parto induzido antes que eu chegue?

Não posso prometer nada.

Faça o que for melhor para Chloe e o bebê!

É o que eu precisava ouvir.

Será que ele precisa de permissão para fazer isso?, pensou Buck.

Diga a verdade a Rayford, doutor! Acho que Chloe também pode saber, mas, se você acha

que ela vai ficar agitada demais, use o bom senso. Ela é muito valente, você sabe.

Mas está grávida, Buck. A gravidez espalha um hormônio no organismo das mulheres,

deixando-as parecidas com uma galinha que quer proteger os pintinhos.

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Eu só quero que você não diga nem faça algo de que venha a arrepender-se mais tarde.



Ela vai querer saber por que não foi informada de toda a verdade.

Rayford vai esperá-lo no aeroporto, Buck. Tenho de atender outra ligação. Boa sorte!

Rayford ficou aliviado quando, finalmente, Floyd atendeu.

- Onde você estava, homem? Faz horas que você saiu daqui!

Floyd contou-lhe sobre o encontro com Bo e que se atrasou por ter conversado com ele a

respeito de Deus.

O outro rapaz recebeu alta hoje de manhã. Mas qual é o problema?

Chloe não está se sentindo bem, e, é claro, começou a preocupar-se. Há alguma coisa que

a gente possa fazer por ela?

Do que ela se queixa?

Respiração curta. Muito cansaço.

Chegarei aí o mais rápido que puder. Coloque-a em uma posiço confortável de modo que

os pulmões possam expandir-se ao máximo. Você é capaz de lidar com o monitor fetal?

Se for muito importante, poderei pedir a ajuda de Chloe.

Ligue para mim dentro de dez minutos informando os resultados.

Buck gostou do médico e estranhou ter ficado zangado com ele. Mas um profissional

experiente devia ser mais tranqüilo e menos enrolado. Depois de depositar sua vida nas

mãos de Abdullah, voando de volta para casa como se estivesse dentro de um foguete e

ansioso por ver sua esposa, ele ainda precisava ter ouvido aquela notícia? O que ele devia

fazer além de orar? Buck acreditava na oraço e orava sempre que podia. Mas agora a

ansiedade tomava conta dele, e o médico poderia tê-lo poupado disso. Haveria tempo

suficiente para preocupar-se assim que chegasse lá.

Ao lidar desajeitadamente com o monitor fetal, Rayford achou, a princípio, que as batidas

cardíacas do bebê haviam cessado.

Meu Deus, por favor, ele orou silenciosamente, não nos envies mais este sofrimento.

Havia um consenso entre o grupo que não seria apropriado trazer uma criança ao mundo

durante o período da Tribulação, e todos na casa estavam apreensivos com a chegada do

bebê.


De repente, ele ouviu sons de batidas rápidas.

Basta contar e multiplicar? - perguntou Rayford a Chloe.

Não sei - respondeu Chloe, ofegante. - Você consegue contar? Elas são rápidas demais.

Continuam rápidas, mas será que estão mais lentas do que antes?

Passaram poucas horas desde a última mediço. Somente este aparelho terá condiço de

nos informar.

- Então, mãos à obra.

Os números apareceram na tela do monitor. Quando Rayford passou a informaço a Floyd,

o médico lhe disse para preocupar-se mais com Chloe que com o bebê.

Enquanto eu não chegar aí, quero que ela inspire profundamente e encha os pulmões

com todo o oxigênio que puder. Mas Ray, há um problema. Estou sendo seguido.

Você tem certeza?

Absoluta. Já desviei o caminho várias vezes, mas não consegui despistá-lo.

Que carro é?

Uma motocicleta. É uma daquelas que rodam em qualquer estrada. Não há jeito de correr

mais que ela.

Comece a dar voltas. Veja se ele se cansa. Alguns rapazes gostam de amedrontar os

outros.


Ele não está me acossando, Ray. Permanece a uma distância razoável para não dar na

vista, mas faz tempo que ele está me seguindo. Não quero que ninguém descubra a casa

secreta, mas preciso levar o oxigênio a Chloe.

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Pode deixar que eu tomo conta dela. Mantenha-me informado.

É que estou com pouco combustível e não sei até quando essa moto vai ter condiçes de

ficar rodando.

A que distância você está de Palwaukee?

Perto.

Vou ligar para T. Essa criatura que está atrás de você não vai continuar a segui-lo dentro



do aeroporto. T poderá conseguir um pouco de combustível para você.

Ótimo.


Rayford ligou para T e o pôs a par de tudo.

Oh, não - disse T.

O que foi?

Ernie é corredor de moto. Provavelmente ele está seguindo seu amigo desde o hospital,

tentando descobrir onde Hattie mora. Eles têm conversado bastante.

Como você sabe?

A telefonista daqui disse que Hattie ligou perguntando por Ernie, e ela informou que ele

estava internado no Young Memorial. Mas, se Hattie queria vê-lo, será que ela não contou

a Ernie onde está morando?

Ela não sabe, T. Sabe apenas que está em Monte Prospect, mas não tem condiçes de

ensinar o caminho a ninguém.

Se Ernie seguir seu amigo até aqui, deixe-o por minha conta. Ele não vai encontrar a casa

de vocês, eu lhe garanto. Que carro seu amigo está dirigindo e com quem ele se parece?

Um Rover e você.

Não entendi.

Ele está dirigindo o Rover de Buck e se parece muito com você.

Rayford ajeitou os travesseiros para que Chloe pudesse deitar-se de costas e levantou os

braços dela acima da cabeça, tomando cuidado para não machucá-la nem o bebê. Esse

exercício ajudou a abrir os pulmões de Chloe, e ela disse que estava se sentindo melhor.

Rayford assustou-se quando, ao virar-se, avistou Hattie no topo da escada que dava

acesso ao porão.

Ela tinha uma aparência horrível, como se fosse um fantasma ou coisa pior, um zumbi.

Magra, olhos fundos, tez pálida. Ela aproximou-se de Chloe, caminhando com dificuldade.

Hattie! - disse Chloe. - Faz tanto tempo que não a vejo.

Eu queria saber como vai meu afilhado.

Ele ainda não nasceu, Hattie. Nós lhe daremos a notícia.

Eu também queria dizer que não estou com inveja de você.

Rayford olhou de soslaio para Chloe, observando a reação dela.

Eu sei - ela disse. - Nunca pensei que você estivesse.

E quem poderia me censurar por isso? Perdi meu bebê, mas você vai ter o seu. Você é

uma mulher de sorte, eu não. Minha vida sempre foi assim.

Rayford gostaria de poder conversar com Hattie a sós. Ele não queria de jeito nenhum que

Chloe soubesse o que estava se passando.

Sentimos muito a perda de seu bebê, Hattie - ele disse. - E estamos agradecidos por você

continuar desejando ser a madrinha do bebê de Chloe.

Nós vamos ser comadres - ela disse.

Em meio a muito sofrimento - disse Chloe.

Sofrimento para uma só pessoa - disse Hattie.

Peço que nos dê licença, Hattie - disse Rayford. – Estamos tentando fazer um

acompanhamento médico por telefone.

Ele discou para Floyd. Hattie afastou-se sem dizer uma só palavra. Floyd disse a Rayford

que estava a um quilômetro e meio de Palwaukee.

- O sujeito continua me seguindo - ele disse. Rayford não queria sair de perto de Chloe,

mas também não queria alarmá-la.

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- Se você achar que pode ficar sozinha por alguns instantes, querida, vou conversar com



Hattie.

Buck lutava contra o sono, o que não era surpresa para ele. Não dormia desde as

primeiras horas do dia no Oriente Médio. Apesar do ruído e do ar rarefeito, ele estava

desesperado para conversar com alguém de Monte Prospect. Não queria incomodar Chloe,

e Rayford devia estar cuidando dela. Hattie não se comunicava com ninguém havia meses.

Só restava Tsion.

Que horas seriam nos Estados Unidos? Final da tarde? O rabino deveria estar dando os

toques finais à sua mensagem diária. Buck ligou para ele. Os dois tiveram de gritar para

serem ouvidos e repetir as palavras. Apesar disso, o importante era conversar com

alguém.


Cameron, meu amigo! Que bom ouvir sua voz! Onde você está?

Antes de tudo, Tsion, preciso saber se não estou atrapalhando seu trabalho. O mundo

está ansioso aguardando uma palavra sua...

Enviei a mensagem há menos de 20 minutos, Cameron. O momento é perfeito para

conversarmos. Estamos todos eufóricos aguardando a chegada do bebê e seu retorno.

Mas onde você está?

Eu também gostaria de saber. Estamos indo de encontro ao pôr-do-sol, mas voando tão

alto em um antigo caça a jato que não consigo nem olhar para baixo. Se pudesse, acho

que estaria vendo o Atlântico. É tudo o que sei.

Dentro de algumas horas, você estará aqui. Restaram poucos prazeres na vida, Buck, e o

reencontro com amigos, irmãos e cônjuges é um deles. Temos orado por você todos os

dias, e você sabe que Chloe está mais empolgada que todos nós. Você chegará a tempo

de assistir ao parto, que provavelmente será feito no hospital em Palatine.

Buck hesitou.

Tsion, você vai ser franco comigo, não?

Como sempre.

Você está tentando me animar porque desconhece as complicações com Chloe e o bebê ou

porque já sabe de tudo?

Seu sogro me pôs a par. O Dr. Charles parece ter a situação sob controle. Rayford lhe

contou alguma coisa?

Foi Floyd quem me contou, e o caso é mais grave que Rayford e Chloe imaginam.

Ele não contou para os dois?

Floyd tem seus motivos. Eu só queria saber se ele conversou com você.

Não. Ouvi alguém saindo algumas horas atrás. Acho que foi ele.

Ele está preocupado, com receio de que eu não chegue a tempo, caso seja necessário

fazer parto induzido.

Parto induzido? Por que, então, ele não a levou ao hospital?

Francamente, Tsion, estou me fazendo uma pergunta atrás da outra desde que ele me

ligou. Não sei o que Floyd esperava de mim. Houve uma pausa. Em seguida, Tsion disse:

Cameron, não há nada que você possa fazer enquanto não chegar aqui, a não ser orar.

Deixe tudo nas mãos do Senhor.

Nunca fui bom nessas coisas, Tsion. Sei que não devemos nos preocupar, mas...

Ora, Cameron, penso que até mesmo o Senhor vai permitir que nos preocupemos um

pouco durante a Tribulação. A admoestação para não nos preocuparmos foi escrita ao

povo que viveu antes dos julgamentos. Se não nos preocupássemos com o próximo

julgamento que virá do céu, não seríamos humanos. Não se sinta culpado. Apenas confie

ao Senhor as coisas que você não pode controlar. Esta é uma delas.

Buck adorava conversar com Tsion. Eles haviam atravessado muitos momentos difíceis

juntos. De repente, Buck se deu conta de que estava choramingando as complicações da

gravidez de Chloe a um homem cuja esposa e filhos haviam sido assassinados. Tsion,

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contudo, possuía sabedoria e uma visão clara dos problemas das outras pessoas, e sabia



como acalmá-las. Buck não queria desligar.

Você pode conversar mais um pouco comigo, Tsion?

Claro. A propósito, eu estava começando a me sentir sozinho.

Como está Hattie?

Mais tranqüila. O pior já passou, embora o período de recuperaço ainda seja longo.

Chloe me disse que ela continua irredutível espiritualmente.

Um caso difícil, Cameron. Temo por essa moça. Eu esperava que ela estivesse

desabafando tudo o que tinha guardado no peito e que, depois de pôr para fora toda a

amargura, se voltasse para Deus. Porém, ela está sendo sincera. Acredita em Deus, sabe

que Ele a ama, sabe o que Ele tem feito por ela. Mas decidiu que sabe mais que Ele e que

é a única pessoa qu e optou por não aceitar o dom da salvação pelo mesmo motivo que

todos nós o aceitamos sem pestanejar.

Ela se considera indigna.

É difícil argumentar. Ela é adulta e independente. A escolha é dela, não nossa. Mas é

doloroso ver alguém que amamos tomar uma decisão que pode custar-lhe a alma.

Eu não quero abusar de seu tempo, Tsion, mas qual foi sua mensagem de hoje?

Provavelmente não terei condiçes de ler suas pregaçes nos próximos dias e estou

precisando reunir forças para enfrentar a situação.

Bem, Cameron, como já chegamos ao fim do sofrimento causado pelos gafanhotos, é

tempo de começarmos a pensar nos próximos dois "ais".

O próximo Julgamento das Trombetas será o sexto. O que você tem a dizer sobre ele?

Tsion deu um longo suspiro.

- O ponto fundamental, Cameron, é um exército composto de 200 milhões de cavaleiros

que exterminarão a terça parte da populaço do mundo.

Buck não sabia o que dizer. Ele lera a profecia, mas nunca havia assimilado sua essência.

Que palavra de ânimo você daria ao povo depois que todos souberem o que terão pela

frente?

Direi apenas que todo o sofrimento pelo qual passamos e todo o horror que presenciamos

passarão a ser insignificantes diante do próximo julgamento.

E os seguintes serão piores ainda?

É difícil imaginarmos, não?

Diante dessas perspectivas, minha preocupaço com o bebê parece não ter nenhuma

importância. Não estou falando de mim, mas que prazer alguém poderia ter na vida

sabendo que um terço da humanidade será em breve eliminado da terra?

Apenas a quarta parte das pessoas que foram deixadas para trás no Arrebatamento

sobreviverá até o dia do Glorioso Aparecimento, Cameron. Eu não tenho medo da morte,

mas peço a Deus todos os dias que me conceda o privilégio de vê-lo retornar para

estabelecer seu reino na terra. Se Ele me levar antes disso, estarei reunido com minha

família e meus amigos, mas, oh! como será grande a alegria de estar aqui quando Jesus

chegar!


Rayford encontrou Hattie nos arredores da casa.

O que você está fazendo? - ele perguntou.

Tomando um pouco de ar. É bom demais poder andar um pouco.

O doutor acha que ainda é muito cedo.

O doutor está apaixonado por mim, Rayford. Ele quer me manter aqui, e confinada dentro

de casa, se necessário.

Rayford fingiu estar esquadrinhando o horizonte.

De onde você tirou essa idéia?

Ele não me disse com todas as letras, mas uma mulher conhece essas coisas. Aposto que

você percebeu.

Rayford ficou satisfeito por dizer que não havia percebido nada. Ele se surpreendeu

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quando Floyd lhe contou sobre seus sentimentos, mas também surpreendeu-se ao ver

que Hattie percebera.

Ele lhe contou, Rayford?

Por que você está me perguntando?

Ele contou! Tenho certeza! Bem, não estou interessada.

Ele teve uma paixonite aguda. Tenho certeza de que você já tirou as esperanças dele.

Hattie pareceu desapontada.

Quer dizer que ele acha que não tem mais chance? Rayford deu de ombros.

Não conversamos muito sobre esse assunto.

Ele sabe que você também já teve uma paixonite aguda por mim?

Hattie, você está agindo como uma colegial.

Não negue.

Negar o quê? Que eu senti uma atraço que não devia por uma moça? Nós dois sabemos

que isto não deu em nada e...

Só porque um bando de pessoas desapareceu e você começou a sentir-se culpado.

Rayford virou-se, fazendo menção de voltar para a casa.

- Essa história ainda deixa você nervoso, não? – ela perguntou.

Ele virou-se novamente.

Vou lhe dizer o que me deixa nervoso. É sua obsessão por aquele garoto do aeroporto.

Ernie? Quero conhecê-lo, só isso.

Você lhe contou onde estamos, como chegar até aqui?

Nem eu sei.

Você lhe contou que Floyd ia ao hospital? Hattie desviou o olhar.

Por quê?

Você contou?

Acho que sim.

- Foi uma atitude estúpida, Hattie. Qual é o plano? O amiguinho dele, Bo, distrai Floyd o

tempo suficiente para que Ernie pegue sua moto e siga Floyd para conhecer você?

Hattie demonstrou surpresa.

Como você sabe de tudo isso?

Ele é um adolescente, Hattie. E você está agindo como se também fosse. Se você queria

tanto conhecer esse garoto, por que não pediu que um de nós a levasse até lá?

Porque Floyd está com ciúmes e não quer nem mesmo que eu converse com ele por

telefone. Floyd convenceu você de que estou doente demais para ir a qualquer lugar,

assim você não me levaria.

- Ernie está tentando vir aqui para quê? Para conhecê-la?

-Sim.

- Que estupidez! Você sabe que ele fingiu ser crente para aproximar-se de Ken e que



poderia ter-se infiltrado em nosso meio se não tivéssemos descoberto tudo?

Hattie parecia estar contendo um sorriso, o que enfureceu Rayford.

Você também sabia disto? - ele perguntou asperamente.



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