Série de ficço mais lida no mundo, Deixados Para Trás vendeu mais de 70 milhões de livros e foi traduzida



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gostando da conversa.

Estou preocupada com a viagem dele - ela disse. – Sei que ele vai sair de Israel às 18

horas, horário de lá, mas quem sabe por quanto tempo permanecerá na Grécia?

Não muito. Ele quer voltar logo para casa.

E, por ser um vôo fretado, acho que ele vai sair logo de lá. Eu gostaria de buscá-lo no

aeroporto.

O doutor disse que você não deve...

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Dirigir carro, principalmente nestas estradas, eu sei. Não quero fazer isso. Mas Buck e eu



estamos afastados há muito tempo. Por mais que a gente se preocupe em trazer um filho

ao mundo neste período da História, já estamos tão ligados a este bebê que mal podemos

esperar pelo nascimento dele... ou dela.

Eu não vejo a hora de ser avô - disse Rayford. - Tenho orado por esta criança desde que

você engravidou. Só lamento uma coisa. A vida vai ser tão difícil para todos nós que não

vou ter a oportunidade de ser o vovô que gostaria.

Você será um excelente vovô. Estou feliz por você ter deixado de pilotar os aviões de

Carpathia. Eu não gostaria de estar me preocupando com você o tempo todo.

Rayford levantou-se e olhou através da janela. O sol da manhã estava quente.

Vou voltar para a guerra - ele disse.

Como assim?

Talvez a culpa seja sua. Você levou a idéia de Ken tão a sério que vou passar a trabalhar

em período integral. Vou voar tanto quanto voava no tempo em que trabalhava para a

Pan-Con.

Vai trabalhar para a cooperativa? Ele assentiu com a cabeça e disse:

Já lhe contei a respeito de T.

Hã, hã.

- Todas as decolagens serão feitas de Palwaukee. Vou voar pelo mundo inteiro. Se aqueles

pescadores do estreito de Bering forem tão bem-sucedidos como você acha, vou fazer

muitos negócios com eles até o dia do Glorioso Aparecimento.

Floyd Charles deu uma batida de leve no batente da porta.

Está na hora de fazermos um rápido exame. Você quer que seu pai espere lá fora?

Que tipo de exame? - perguntou Chloe.

Verificar as batidas cardíacas, suas e do bebê.

O papai pode ficar. Ele pode ouvir as batidas?

Claro.


Floyd tomou o pulso de Chloe e depois ouviu as batidas do coraço dela pelo estetoscópio.

Em seguida, passou uma substância gelatinosa sobre o ventre volumoso de Chloe e usou

um monitor movido a bateria para ampliar o som das batidas cardíacas do feto.

Emocionado, Rayford lutava para conter as lágrimas. Chloe estava radiante.

- Acho que vai ser um garotão - disse o Dr. Charles. Assim que ele terminou os exames,

Chloe perguntou:

Continua tudo bem?

Não detectei nenhum problema importante – ele respondeu.

Rayford olhou de relance para Floyd. O médico não aparentava a calma de sempre. Nem

sequer sorriu quando brincou que Chloe teria um menino. Ela não queria saber o sexo do

bebê, e ele nunca havia feito o teste para averiguar.

- Existem problemas de menor importância, Floyd? – ela perguntou. - Você sempre diz

que está tudo ótimo.

Chloe fez a pergunta que estava na mente de Rayford, e o coraço dele deu um salto

quando Floyd pegou uma cadeira para sentar-se.

- Você notou alguma coisa estranha? - perguntou Rayford.

Oh, não - lamentou Chloe. Floyd pousou a mão no ombro dela.

Chloe, preste atenço no que vou dizer.

Oh, não! - ela repetiu.

Chloe, o que foi que eu disse? Eu disse que não detectei nenhum problema importante, e é

verdade. Você acha que não fui sincero?

Então qual é o problema de menor importância?

A pulsação do bebê está um pouco lenta.

Você está brincando! - exclamou Rayford. - Se eu tivesse de adivinhar, diria que ouvi

batidas muito rápidas.

A pulsaço de todos os fetos é mais rápida do que a nossa - disse Floyd. - E a reduço do

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ritmo das batidas é tão mínima que não levei em consideraço no exame da semana



passada.

- Isto está acontecendo há uma semana? – perguntou Chloe.

Floyd assentiu com a cabeça.

- Estamos falando de uma fração de porcentagem em seis dias. Nem sempre isso significa

alguma coisa.

Mas e se significar alguma coisa - retrucou Chloe?

Não é bom haver um decréscimo na pulsação fetal. Como, por exemplo, 5%, e

principalmente se passar de 10%.

Por quê?

Porque isso pode causar problemas de viabilidade.

Traduza em miúdos, doutor.

Quando o bebê estiver em posição de nascer, o cordão umbilical poderá enrolar-se no

peito ou no pescoço.

Você acha que o problema é este?

Não. Estou apenas observando o ritmo das batidas cardíacas, Chloe. Só isso.

É uma possibilidade?

Qualquer coisa é uma possibilidade. É por isso que não estou mencionando tudo o que

pode dar errado.

Se não é tão importante, por que você está me contando?

Porque você me perguntou. Se o problema persistir, quero prepará-la para um tipo de

tratamento.

Mas você disse que por ora não precisamos nos preocupar com a reduço nas batidas.

Certo, só vamos nos preocupar se os sintomas piorarem.

O que seria necessário fazer?

No mínimo, você teria de inalar oxigênio durante uma boa parte do dia.

- Eu preciso me levantar por alguns instantes - disse Chloe. Ela começou a se levantar, e

Rayford estendeu o braço para ajudá-la. Floyd não saiu do lugar.

Eu gostaria que você ficasse calma até que eu possa sair para buscar um tubo de oxigênio

amanhã.

Eu não posso nem me levantar?

Somente se for necessário. Se for apenas para mudar de posição, é melhor não tentar.

Tudo bem - ela disse -, meu pai e eu somos pessoas de fibra. Diga-me quais são as

piores probabilidades.

Já tratei de muitas mulheres grávidas, principalmente neste estágio da gestação, e

aprendi que não vale a pena cogitar possibilidades negativas.

Eu não faço parte dessas suas clientes grávidas, doutor. Sou Chloe, e você me conhece.

Sabe que não vou parar de atormentá-lo enquanto você não me contar tudo.

Está bem - ele disse. - Acho que o oxigênio resolverá o problema. Se não resolver, vou

ligá-la a um monitor o tempo todo para que ele nos avise caso haja alguma mudança

significativa na pulsação fetal. Em último caso, poderemos fazer parto induzido. Haveria

necessidade de uma cesariana para evitarmos um possível problema com o cordão

umbilical.

Chloe calou-se e olhou para Rayford.

Você não gostaria que o parto fosse induzido, certo? -ele perguntou a Floyd.

Claro que não. Eu sempre disse que a natureza é sábia. Que o bebê deve nascer quando

estiver pronto. Agora sei que Deus é mais sábio. Ele, porém, nos deu inteligência,

remédios milagrosos e tecnologias para agirmos quando as coisas não saem como

gostaríamos.

Chloe parecia desconfortável.

- Diga-me uma coisa, Floyd. Será que eu contribuí para esta situaço? Será que fiz

alguma coisa que não deveria ter feito, ou deveria ter feito de maneira diferente?

Floyd balançou a cabeça negativamente.

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- Não fiquei entusiasmado com sua viagem a Israel. Quando você deu aquela corrida do



helicóptero até o jato, ainda estava no início da gravidez. Mas uma ação exaustiva

naquela fase teria acarretado problemas diferentes.

Quais?

Não aconteceu nada, portanto não vou falar sobre hipóteses. Você já atravessou todas as



fases previsíveis: disse que ia dar à luz um monstro, achou que o bebê estava morto,

depois se convenceu de que ele não tinha todos os membros. Você não precisa se

preocupar com o que poderia ter causado este problema mas não causou. Quando o

futuro papai vai chegar?

A qualquer hora desta noite - ela disse. - É tudo o que sei.

Abdullah Smith ficou satisfeito ao ver que Buck retornou no horário combinado.

- Ouvi falar que você é um homem de palavra - disse Buck - e queria mostrar que eu

também sou.

Abdullah, como sempre, permaneceu calado. Ele pegou uma das sacolas de Buck e

caminhou na frente, dirigindo-se a seu avião. Buck tentava adivinhar qual seria o dele.

Abdullah passou por alguns helicópteros, e Buck sabia que nenhum deles teria condições

de cruzar o Atlântico. Abdullah também passou por um Learjet e um Hajiman novinho em

folha, uma versão menor do Concorde.

Buck parou e olhou quando Abdullah empurrou para trás a cabina de plexiglas (matéria

plástica transparente, dura e termoplástica empregada como vidro de segurança nas

indústrias da aviaço aérea) de um jato que ele identificou como um caça egípcio. Esse

jato voava a quase duas mil milhas por hora e a grandes altitudes, mas possuía um

tanque de combustível pequeno.

Seu avião é este? - perguntou Buck.

Por favor, entre - disse Abdullah. - Tanque de combustível aumentado. Pequeno

compartimento de carga adaptado. Escala na Grécia, escala em Londres, escala na

Groenlândia, escala em Wheeling.

Buck assustou-se quando viu o que o esperava. Ele não poderia esticar o corpo, ler um

pouco, nem sequer cochilar.

- Passageiro entra primeiro - disse Abdullah.

Buck subiu a bordo tentando mostrar que conhecia esse tipo de aeronave por ter escrito

uma série de artigos sobre suas aventuras ao lado de pilotos de caça norte-americanos.

Isso havia ocorrido antes de Nicolae Carpathia assumir o poder e antes de tais aeronaves

serem vendidas a cidadãos comuns.

Quando Buck fez um gesto para prender seu capacete e a máscara de oxigênio, Abdullah

suspirou fundo e disse:

- Cinto.

Buck estava sentado em cima dele. Que papelão! Ele precisou dar um jeito de levantar-se

naquele local apertado enquanto Abdullah puxava o cinto debaixo dele. Depois de prender

o cinto, ele tentou colocar o capacete. Novamente o piloto precisou ajudá-lo a

desembaraçar as tiras, girar o capacete na posiço correta e apertá-lo contra a cabeça de

Buck. O capacete ficou muito justo, pressionando suas têmporas e os ossos malares.

Quando ele começou a colocar o bocal para engatar o tubo de oxigênio, Abdullah lhe

disse:

Só depois. Em grande altitude.



Certo. Eu já sabia.

O banco de Abdullah era um pouco mais alto do que o de Buck e dava a impressão de

que eles estavam em um trenó. A cabeça de Abdullah estava a alguns centímetros do

nariz de Buck.

Nos Estados Unidos, o processo de tirar um caça a jato da área militar, levá-lo até a pista

de macadame, alinhá-lo e dirigi-lo para a pista de decolagem levaria meia hora. O

aeroporto de Ama parecia uma feira livre. Quem chegasse primeiro, sairia primeiro, cada

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um por sua conta. Abdullah resmungou algumas palavras pelo rádio parecidas com jato,

vôo fretado, passageiro, carga e Grécia, enquanto taxiava o caça na direção da pista de

decolagem. Ele não aguardou instruçes do controle de terra.

O aeroporto de Amã havia reaberto recentemente após ter sido reconstruído. Embora o

tráfego aéreo estivesse menor por causa da praga dos gafanhotos, havia vários vôos na

fila, prontos para decolar. Buck avistou duas aeronaves enormes nos primeiros lugares da

fila, seguidas de um jato comum, um Learjet e outro avião de porte grande. Abdullah

virou-se para Buck e apontou o mostrador do tanque de combustível, cujo ponteiro

marcava "cheio".

Buck fez um sinal de positivo com os dois polegares, como se quisesse dizer que gostou

de saber que havia bastante combustível no tanque. Abdullah entendeu que Buck queria

decolar - imediatamente. Ele taxiou o caça ao redor dos outros aviões, aproximou-se da

fila de aeronaves autorizadas a decolar, e foi passando por elas. Buck ficou sem fala. Se os

aviões tivessem buzinas, os pilotos teriam feito um barulho tremendo como fazem os

motoristas nas estradas quando alguém passa pelo acostamento.

Quando Abdullah passou pelo segundo avião da fila, o primeiro começou a rodar na pista.

Abdullah enfiou-se no espaço entre eles e passou a ser o segundo da fila. Buck esticou o

pescoço para ver se havia veículos de emergência se aproximando. A torre não emitiu

nenhum aviso. Assim que o primeiro avião da fila se distanciou na pista, Abdullah acelerou

o seu.


- Eduardo Zulu Zulu Dois Nove decolando, torre -disse ele pelo rádio.

Buck esperava ouvir alguém dizer "Aonde você pensa que vai, rapaz?", mas nada disso

aconteceu.

- Dez-quatro, Abdullah - alguém da torre disse. Não houve aquecimento de turbinas nem

excesso de aceleração. Abdullah dirigiu o caça até o final da pista, posicionou-o e acelerou

mais forte. A cabeça de Buck foi atirada para trás, e seu estômago quase grudou nas

costas. Mesmo que quisesse, ele não conseguiria movimentar o corpo para a frente.

Contrariando todas as regras da aviaço internacional, Abdullah alcançou a velocidade de

decolagem depois de rodar algumas centenas de metros e já estava no ar. Ele subiu como

se fosse um foguete e passou à frente do jato que decolou antes. Para Buck, parecia que

eles estavam voando na vertical.

Suas costas grudaram no encosto, e ele só via nuvens diante de si. Alguns minutos

depois, Abdullah chegou ao ápice da subida e começou a descer na mesma velocidade.

Parecia que eles estavam em uma montanha-russa, subindo e descendo

vertiginosamente. Abdullah apertou um botão que lhe permitia conversar com Buck.

Amã para Atenas subindo e descendo - ele disse.

Nós não vamos para Atenas, você se lembra? Abdullah deu um tapa no capacete.

Problemas, certo?

Certo.

O avião começou a subir na vertical novamente. Abdullah desenrolou alguns mapas e



disse:

-Nenhum problema.

E ele estava certo. Minutos depois, o caça descia na pista do pequeno aeroporto.

- Quanto tempo com amigos? - ele perguntou, taxiando em direço às bombas de

combustível.

Rayford tranqüilizou Chloe, e ambos concordaram que foi melhor Floyd contar a verdade

do que dourar a pílula e haver problemas mais tarde. Depois de servir um copo d'água à

filha, ele subiu a escada para conversar com Tsion. O rabino cumprimentou-o

efusivamente.

- Estou quase terminando minha mensagem de hoje – ele disse. - Vou transmiti-la dentro

de uma hora ou pouco mais. Mas sempre tenho tempo para você.

Rayford lhe falou sobre o problema com o bebê.

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Vou orar - disse Tsion. - E gostaria que você também orasse por mim.



Claro, Tsion. Algum problema específico?

Para ser sincero, sim. Estou me sentindo sozinho e oprimido, e não gosto disso.

É perfeitamente compreensível.

Eu sei. Ao mesmo tempo, tenho uma sensação de intensa alegria, semelhante àquela que

toma conta de nós quando estamos em comunhão com o Senhor. É claro que já contei

meus problemas a Ele, mas gostaria muito que alguém mais orasse por mim.

Esteja certo de que todos nós estamos orando por você, Tsion.

Sou um homem muito abençoado por ter tido uma família tão carinhosa quanto a que eu

perdi. Todos nós temos sofrido. Às vezes, fico surpreso com tudo o que está acontecendo.

Eu sabia que essa praga do gafanhoto seria enviada por Deus, mas nunca pensei nas

conseqüncias. Penso que eu devia estar mais preparado. Faz meses que nosso inimigo

não tem condiçes de nos atacar. Contudo, como dependemos dessa gente para muitas

coisas, como, por exemplo, transporte e comunicação, também estamos tolhidos.

Não sei - prosseguiu Tsion, levantando-se para esticar o corpo. - Não sei se voltarei a ser

feliz. Estou aguardando com ansiedade o nascimento desse bebê como se fosse meu filho.

Ele vai ser o nosso raio de sol.

E nós queremos que você seja um outro pai para ele, Tsion.

Há um estranho contraste nessa situaço, você não acha?

Contraste?

Essa criancinha inocente não saberá por que Hattie está chorando. Não saberá quantas

pessoas queridas perdemos. Não entenderá por que vivemos aterrorizados, por que

somos inimigos do governo. E não haverá necessidade de contar a esse pequenino todo o

desespero que passamos, como se ele estivesse sendo criado para chegar à idade adulta.

Pense um pouco. Na época em que esse bebê tiver cinco anos, Jesus Cristo já terá

instalado seu reino de mil anos aqui na terra.

Tsion tinha uma maneira própria de visualizar as situações. No entanto, Rayford

surpreendeu-se com a amargura do rabino. Milhões de pessoas no mundo inteiro

consideravam o Dr. Ben-Judá seu líder espiritual. Elas precisavam sentir que ele estava em

paz em sua caminhada com Deus. Mas ele também era um crente novato. Apesar de ser

um grande estudioso e teólogo, ele também era humano. E, como a maioria das pessoas,

passara por terríveis sofrimentos. Ele ainda tinha seus dias de desespero.

Rayford começou a sentir que, em breve, sua vida passaria a ser solitária. Floyd teria

muito o que fazer na casa secreta cuidando do recém-nascido e de Hattie, ainda enferma.

Buck contara a Rayford que estava aguardando um período de calmaria e normalidade

para que sua revista virtual pudesse competir com as publicações da Comunidade Global

controladas por Carpathia. Chloe estaria muito atarefada com o bebê e cuidando dos

detalhes da cooperativa de mercadorias. E Hattie, depois de recuperar-se, daria um jeito

de ir embora dali.

Rayford seria o único a ter de procurar uma ocupação. Ele queria muito voltar a seu

antigo posto na cabina de comando. Já havia se resignado diante do fato de que, dali em

diante, deveria trabalhar com afinco e tomar cuidado para ' continuar livre e tentar

permanecer vivo. Porém, o Glorioso Aparecimento parecia muito distante. Como ele

almejava estar com Jesus! Voltar a reunir-se com sua família!

Sua vida como piloto de vôos comerciais parecia ter-se perdido no tempo. Era difícil

compreender que, pouco menos de três anos antes, ele era um simples marido e pai

pacato, igual a qualquer outro, cuja preocupaço girava apenas em torno de saber

quando seria seu próximo vôo e para onde.

Rayford não podia queixar-se de não ter tido nada importante para ocupar seu tempo. E

quanto lhe custou chegar a este ponto! Ele entendia muito bem a posiço de Tsion. Se

dirigir o Comando Tribulaço era uma tarefa difícil para um cidadão comum como Rayford,

muito mais difícil ainda era a missão de ser o líder de 144.000 testemunhas e pregar a

um bilhão de novos crentes.

162

No início da tarde, Rayford recebeu um telefonema de T Delanty.



Quero começar a cavar amanhã - ele disse. – Você continua disposto a me ajudar?

Claro. Se meu genro chegar em um horário conveniente, estarei pronto quando você

desejar.

Que tal às sete horas da manhã?

Por que tanta pressa?

Ouvi dizer que Ernie está melhorando. Bo também já deve estar quase bom, mas ele

tentou se matar três vezes. Está confuso demais.

Compre a parte dele.

É o que pretendo, e será muito fácil porque, no pé em que as coisas estão, basta fazer

uma oferta irrecusável. Ele ficou com um pouco de dinheiro, mas sua participação no

aeroporto é muito pequena. Não vou ter problemas para me desvencilhar dele. Sinto

muito por Ernie.

Por quê?

Ele era amigo de Ken, Ray. Um amigo quase íntimo. Ken achava que ele era crente.

Também fui enganado.

Fui o último da lista dos três patetas - disse Rayford.

É possível que Ken tenha confiado em Ernie.

Não. Ele só me contou seu segredo durante o vôo a Israel.

Você fala de Ken como se ele fosse seu amigo há anos. Ele mal o conhecia, Rayford, e,

mesmo assim, contou-lhe onde enterrou o ouro. Eu ouvi alguns boatos e nunca me

considerei amigo íntimo de Ken. Ernie trabalhava com ele, devem ter feito amizade. Não

acredito que Ken lhe tenha prometido alguma coisa. Não faz sentido. Mas continuo

apostando que Ernie sabe mais do que deixa transparecer.

Você acha que ele vai aparecer aqui com uma pá depois de sarar?

Não duvido nem um pouco.

- Pode me chamar de Laslos, Sr. Williams. É uma mistura de meu primeiro nome, Lukas,

com o sobrenome Miklos. Está bem?

Buck concordou enquanto ambos se abraçavam no pequeno terminal aéreo.

- E você pode me chamar de Buck.

- Pensei que seu primeiro nome fosse Cameron.

- Meus amigos me chamam de Buck.

- Está bem, Buck. Quero que você conheça os crentes daqui.

- Oh, Laslos, sinto muito. Não posso. Eu adoraria. Talvez venha a fazer isso quando voltar

aqui. Não sei se você sabe que estou longe de minha esposa há muitos meses...

Laslos pareceu ter-se ofendido.

Sim, mas...

... e que ela está no estágio final da gravidez.

Então você vai ser pai! Que maravilha! Tudo estaria bem se esta não fosse a pior época...

bem, você sabe.

Buck assentiu.

Meu sogro pediu-me que conversasse com você a respeito de sua função na cooperativa

internacional de mercadorias.

Ah, sim! - disse Laslos, sentando-se e apontando uma cadeira para Buck. - Tenho lido o

que o Dr. Ben-Judá diz sobre isso. É uma idéia brilhante. O que faríamos sem essa

cooperativa? Todos nós morreríamos. É o que o demônio deseja, certo? Você não acha que

sou um bom aluno?

- Seu trabalho seria pessoal ou você incluiria sua empresa? Laslos empinou a cabeça.

- Farei o que puder. Minha empresa trabalha com linhito, que é usado em centrais ou

usinas elétricas. Se houver utilidade para esse produto na comunidade dos crentes, eu

ficaria feliz se pudesse cooperar.

Buck inclinou-se para frente.

163


- Laslos, você entende o que acontecerá quando exigirem que os cidadãos da Comunidade

Global tenham a marca da besta na mão ou na testa?

Acho que sim. Sem ela, ninguém poderá comprar nem vender. Mas eu não me considero

um cidadão da Comunidade Global e preferiria morrer a usar a marca do anticristo.

Isso é muito bom, amigo - disse Buck. - Mas você entende o quanto será prejudicado?

Você não poderá vender. Sua empresa e seu sustento estão baseados no produto que

você vende.

Mas eles vão precisar de meu produto!

Eles vão colocar você na cadeia e tomar suas minas.

Lutarei até a morte.

Provavelmente, sim. O que estou sugerindo é que você procure outra mercadoria para

negociar, algo que tenha um comércio internacional, algo que seus irmãos e irmãs em

Cristo necessitem e não possam adquirir quando a marca da besta estiver em vigor.

Laslos mergulhou em pensamentos. Em seguida, disse:

Tenho uma outra idéia. Vou incrementar meu negócio de linhito e vendê-lo antes que eles

parem de comprar de mim.

Grande idéia!

Isso acontece o tempo todo, Buck. A gente se torna tão indispensável ao nosso cliente

mais importante que ele não tem outra saída a não ser comprar a nossa parte.



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