Série de ficço mais lida no mundo, Deixados Para Trás vendeu mais de 70 milhões de livros e foi traduzida



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é mais pirado do que pensei.

Então, de onde ela veio? - perguntou Ernie, enquanto Bo encarava Rayford.

São aqueles fundamentalistas malucos brincando de novo com a gente. Alguma espécie

de truque com alto-falantes. Não caia nessa.

Ernie deu uma risadinha amarela e olhou para Rayford.

Como vai? - disse Bo, dirigindo-se a Rayford. – Posso ajudá-lo em alguma coisa?

Não, obrigado. Fui amigo de Ken Ritz.

Ah, pois não. Foi muito triste.

Vim até aqui para cuidar de seus pertences. Acho que ele não tinha nenhum parente vivo.

Ernie endireitou o corpo e virou-se tão rapidamente que até mesmo Bo pareceu surpreso.

Estava claro que ambos queriam dizer alguma coisa, mas eles se entreolharam e

hesitaram. Em seguida, resolveram falar ao mesmo tempo.

Bo disse:

- Então, quer dizer que você pensou em passar por aqui para ver o que poderia...

Ernie encobriu as palavras dele.

- Não, está tudo bem. Não há nenhum parente. Ele me contou há mais ou menos uma

semana que...

Ernie parou repentinamente, e Bo concluiu seu pensamento.

- ... para ver o que poderia descolar, é isto? Rayford estremeceu diante de tanta

grosseria, principalmente por ter partido de um estranho.

- De jeito nenhum, senhor. Eu...

- Por que você está me chamando de senhor! Você não me conhece!

Apesar de ter sido pego desprevenido, o velho instinto de Rayford prevaleceu.

O quê? Será que estou falando com um alienígena? Como uma pessoa educada se dirige a

um estranho em seu planeta, Bo? - Ele pronunciou o nome com o máximo sarcasmo

possível. Rayford era bem mais alto, mas Bo era corpulento.

É melhor você dar o fora daqui enquanto é tempo - disse Bo.

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Rayford estava espumando de raiva, mas arrependeu-se de sua atitude por estar sendo

tão venenoso.

- Por que você não cuida de sua vida enquanto converso em particular com Ernie?

Bo aproximou-se de Rayford fazendo-o ficar em posiço de defesa.

- Porque Ernie é meu empregado - disse Bo -, e tudo o que existe nesta propriedade é

da minha conta. Inclusive as coisas de Ritz.

Rayford deu um longo suspiro e readquiriu o controle.

Então vou conversar com Ernie quando ele tiver tempo...

... e na casa dele - complementou Bo.

Ótimo, mas quem lhe deu o direito de ficar com as coisas de Ken Ritz?

E que direito você tem?

_ Eu não estou reivindicando nenhum direito - disse Rayford. - Só acho que minha

pergunta tem lógica.

Ernie estava visivelmente nervoso.

_ Bo, senhor, Ken me disse que, se alguma coisa acontecesse com ele, eu poderia ficar

com suas coisas.

_ Ah, sim! Até parece!

- Ele me disse! Os aviões, este carro, seus objetos pessoais. Tudo o que eu quisesse.

Rayford olhou para Ernie com desconfiança. Ele não queria questionar um companheiro

crente, principalmente diante de um estranho, mas foi forçado a isso.

Pensei ter ouvido você dizer que mal conhecia Ken.

Deixe tudo por minha conta - disse Bo. - Você está falando bobagens, Ernie, e sabe disto!

Ritz era dono de uma parte deste aeroporto e...

Rayford empinou a cabeça. Aquilo não condizia com o que Ken lhe contara sobre seu

desejo de comprar o local.

Bo notou a reação de Rayford e entendeu que ele sabia de mais alguma coisa.

- Bem - ele tentou remendar -, ele fez uma oferta. Ou ia fazer. Quer dizer, foi feita uma

oferta. Por isso, se houver alguma coisa de valor na casa dele vai passar a pertencer ao

dono do Palwaukee.

Rayford sentiu o sangue ferver novamente.

Que bela explicação! - ele exclamou. - Ele morreu antes de haver um acordo, e você vai

pegar seus pertences em troca do quê? Você vai mudar o nome deste lugar para Memorial

de Ritz? Vai pegar o que é dele, e ele recebe o quê? Propriedade póstuma, enquanto você

dirige o aeroporto para ele e fica com os lucros?

Então, qual é a sua, sabichão?

Rayford quase chegou a rir. Será que ele voltara a ser um menino da quarta série? Por

que estava discutindo aos gritos com um estranho?

Conforme eu lhe disse, não estou reivindicando nada. Só quero ter certeza de que a

vontade de meu amigo seja feita.

Ele queria que eu ficasse com as coisas dele - disse Ernie. - Eu já falei!

Ernie - disse Bo -, volte para o seu trabalho e fique fora disto, está bem? E trate de

limpar essa mancha de sua testa. Você está parecendo um rato com o focinho sujo.

Ernie afundou o boné na cabeça e voltou a cuidar do motor do carro, resmungando:

- Estou pegando o que ele disse que era meu. Você não vai tirar de mim o que é meu. De

jeito nenhum.

Rayford não gostou das mentiras de Ernie e muito menos de o rapaz se sentir

envergonhado por ter o selo de Deus na testa.

De repente, ele caiu em si. Somente os outros crentes podiam ver o selo. Será que

Rayford havia discutido com um santo da tribulaço? Ele olhou rapidamente para a testa

de Bo, que esteve à mostra o tempo todo, uma vez que o homem usava cabelos curtos e

ficara a poucos centímetros de seu rosto durante a discussão.

Mesmo no meio de uma densa fumaça, a pele de Bo estava limpa como a de um bebê.

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Buck estava inquieto. Sentado em frente a Chaim Rosenzweig na sala de estar da casa



dele, Buck sentia uma grande compaixão por seu amigo.

- Doutor - ele disse -, depois de ver, conhecer e sentir o que todos nós, inclusive você,

temos sofrido nestes últimos anos, como é possível continuar resistindo ao chamado de

Deus em sua vida? Peço-lhe que não se ofenda. Você sabe eu me preocupo com você

tanto quanto Tsion, minha esposa e o pai dela. Você disse em um programa de TV

transmitido ao mundo inteiro que Ben-Judá provou estar correto em suas interpretações

sobre as profecias. Perdoe-me por ser tão insistente, mas o tempo está se encurtando.

- Confesso que tenho andado um pouco confuso – disse Rosenzweig -, principalmente

depois que Ben-Judá esteve hospedado aqui. Você ouviu meus argumentos contra Deus

no passado, mas não, não posso negar que estas coisas são obras dele. Tudo está muito

claro. Mas tenho de dizer que não entendo o seu Deus. Para mim, Ele parece estar

agindo de maneira mesquinha. Por que Ele não atrai a atenço do povo por meio de

milagres estupendos, como fez nos tempos bíblicos? Por que está tornando a situaço

cada vez pior até que as pessoas não tenham mais escolha? Eu estou me negando a fazer

uma escolha forçada por causa desse mesmo Deus que deseja que eu dedique minha vida

a Ele. Se eu vier a me aproximar dele, quero que seja por livre e espontânea vontade.

Buck levantou-se e abriu uma parte da cortina. O céu estava cada vez mais escuro, e ele

ouviu um estrondo ao longe. Seria melhor afastar-se da janela? Não havia prenuncio de

chuva. Que estrondo teria sido aquele? A fumaça era tão densa que ele não conseguia

enxergar nada a mais de três metros.

- Doutor, Deus o tem abençoado mais do que qualquer outro ser humano merece. Se

tudo o que você possui - arnigos, ótima formação acadêmica, cultura, criatividade,

admiraço de muita gente, boa renda e conforto - não serve. Para aproximá-lo dele, o

que mais vai ser necessário? Deus não quer que nenhuma alma pereça. É por isso que Ele

envia julgamentos. Para forçar as pessoas a se aproximarem ou se afastarem dele de vez.

Estamos orando para que você se decida pela primeira opço.

Rosenzweig parecia mais velho do que realmente era. Fatigado, abatido, solitário, um

homem necessitando de descanso. A vida, porém, estava difícil para todos. Buck sabia

que a situaço pioraria ainda mais. O ancião cruzou as pernas, demonstrando

desconforto, e, em seguida, voltou a apoiar os dois pés no chão. Parecia confuso. Ele e

Buck tiveram de falar mais alto para serem ouvidos.

- Preciso lhe dizer que suas oraçes por mim significam muito mais do que eu... - Chaim

franziu a testa. – Que barulho é este?

O ruído do estrondo aumentara e tinha um som metálico.

Parecem elos de corrente batendo uns nos outros – disse Buck.

Será algum avião voando baixo?

Os aeroportos estão fechados, doutor.

O ruído está cada vez mais alto! Está escurecendo! Parece noite lá fora! Abra a cortina

toda, Cameron, por favor. Oh, que coisa horrível!

O céu estava negro como piche, e o ruído, ensurdecedor. Buck olhou para Chaim, cuja

expressão era de terror. O som de metal que ressoava obrigou os dois homens a

tamparem os ouvidos. Alguma coisa começou a bater com força na vidraça, provocando

uma cacofonia de sons agudos, irritantes, estridentes que pareciam atravessar as

paredes.

Buck olhou pela janela, e seu coraço bateu com tanta força como se fosse explodir. Do

meio da fumaça, surgiam seres alados - feios, horrendos, como se fossem monstros

voadores de cores marrom, preta e amarela. Voando em bandos como gafanhotos, esses

seres pareciam cavalos em miniatura, com 12 a 15 centímetros de comprimento e cauda

semelhante à de escorpião. E mais horripilante ainda: estavam atacando, tentando entrar

na casa. O alvo deles parecia ser Chaim. Em pé no meio da sala, o ancião começou a

gritar:

140


- Cameron, eles querem me atacar! Diga que estou sonhando! Diga que isto não passa de

um pesadelo!

Pairando no ar, as criaturas batiam as asas e arremessavam a cabeça contra a vidraça.

Sinto muito, doutor - disse Buck, tremendo e com os braços arrepiados. - É uma

realidade. Este é o primeiro dos três ais de advertência dos anjos.

O que eles querem? O que vão fazer?

Tsion disse que eles não atacarão as folhas como os gafanhotos costumam fazer.

Atacarão só aqueles que não têm o selo de Deus na testa. - Chaim empalideceu, e Buck

achou que ele ia desmaiar. - Sente-se, doutor. Vou abrir a janela...

Não! Eles não podem entrar! Tenho certeza de que querem me devorar!

Talvez possamos prender um ou dois entre a tela de proteço e a vidraça para vê-los

melhor.


Eu não quero vê-los! Quero matá-los antes que eles me matem!

Chaim, eles não foram autorizados a matá-lo.

Como você sabe? - Chaim falava agora como um menino duvidando do médico que lhe disse

que a injeção não ia doer.

Eles só vão atormentar você. A Bíblia diz que as vítimas atacadas por eles vão desejar

morrer, mas não conseguirão.

Oh, não!

Buck girou uma manivela para abrir a vidraça. Vários espécimes voaram para perto da tela,

e ele voltou a fechar raPidamente a vidraça, prendendo alguns entre o vidro e a tela. Eles

batiam as asas alucinados, tentando entrar à orÇa, batendo uns nos outros. O som metálico

estridente aumentou.

Você não está nem um pouco curioso? - perguntou Buck lutando para não desviar os

olhos deles. - São seres híbridos fascinantes. Como cientista, você não gostaria pelo

menos de ver...

Eu já volto - gritou Chaim, afastando-se rapidamente. Logo a seguir, ele voltou com uma

aparência ridícula, vestido da cabeça aos pés com trajes de tratador de abelhas: botas,

avental de lona cobrindo todo o corpo, luvas e chapéu com visor transparente que o

protegia até o pescoço, tendo nas mãos um taco para jogar críquete.

Gritos horripilantes elevavam-se acima dos ruídos metálicos. Chaim correu até a outra

janela, fechou a cortina e ajoelhou-se.

- Oh, Deus - ele orou -, salva-me destas criaturas! E não permitas que Jonas morra!

Buck olhou por cima do ombro de Chaim na direço do portão. Ele avistou Jonas se

debatendo, gritando, batendo nas pernas e no tronco, tentando cobrir o rosto. Seu corpo

estava coberto de gafanhotos.

Precisamos trazê-lo para dentro de casa! - gritou Buck.

Eu não posso sair! Eles vão me atacar!

Buck hesitou. Ele acreditava que não seria atacado pelos ferrões daquelas criaturas, mas

seu cérebro não conseguia emitir impulsos para suas pernas se movimentarem.

Vou até lá! - ele disse.

Como você vai fazer para que esses bichos não entrem?

Vou fazer o que for possível. Você tem outro taco?

Não, mas tenho uma raquete de tênis.

Acho que vai servir.

Buck dirigiu-se para a escada com a raquete na mão. Chaim gritou para ele:

- Vou me trancar neste quarto. Veja se consegue matar todos eles ou impedir que entrem

quando você voltar, coloque Jonas no quarto de hóspedes da frente. Ele vai morrer?

_ Ele vai desejar morrer.

Buck parou diante da porta. A fumaça que pairara sobre a cidade durante dias havia

desaparecido, deixando uma nuvem de criaturas horripilantes que se espalhavam por

toda parte. Orando por coragem, Buck abriu a porta e correu até Jonas, que agora estava

deitado no chão com o corpo encolhido e tremendo.

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- Jonas! Vou levar você para dentro de casa.

Mas ele perdera a consciência.

Buck colocou a raquete no chão e usou as duas mãos para agarrar aquele homenzarrão

pelos ombros e virá-lo de costas. Seu rosto havia levado uma pancada e estava

começando a inchar. Jonas era grande e corpulento, e seria muito difícil arrastá-lo. Buck

tentou lembrar-se de como faziam os bombeiros para transportar um homem, mas não

tinha equilíbrio suficiente para levantar Jonas do chão.

Os gafanhotos, uma designaço muito branda para aqueles bichos asquerosos, voavam

ameaçadoramente ao redor da cabeça de Buck, e alguns chegaram a pousar nela. O peso

e o volume dos bichos deixaram-no surpreso. Apesar de sentir-se aliviado por saber que

não seria atacado por eles, Buck ouvia seus zumbidos e achava que eles estavam

tentando afastá-lo de Jonas. Quando um deles pairou sobre o rosto de Jonas, Buck pegou

a raquete e deu-lhe uma pancada com toda torça, fazendo com que o gafanhoto

atravessasse a vidraça da janela frontal da casa. Ao dar a pancada no bicho com a

raquete, ele teve a sensação de ter esmagado um carrinho de brinquedo de metal. A

primeira coisa que Buck deveria fazer em seguida, se conseguisse entrar novamente na

casa, era subir naquela janela e livrar-se do bicho.

Buck colocou a raquete embaixo do braço e começou a arrastar Jonas pelos pulsos até a

casa. Quando chegou a três metros da escada, Buck constatou que pedaços de grama

haviam-se enrascado no cós da calça e no cinto de Jonas enquanto ele estava sendo

arrastado. Buck virou-o com os pés na direço da porta, encaixou seus tornozelos

embaixo dos braços e continuou a arrastá-lo. Quando chegou ao pé da escada, ele

respirou fundo, ajoelhou-se para levantar Jonas e carregou-o nas costas. Buck calculou

que o homem era quase 50 quilos mais pesado do que ele.

Ao entrar na casa, ele atirou Jonas em uma cadeira, equilibrando-se para não levar um

tombo. Outro gafanhoto entrou voando na casa antes que Buck tivesse tempo de fechar

a porta, e ele também o esmagou com a raquete. O gafanhoto arrastou-se no chão,

voou de encontro à parede e caiu, fazendo um ruído metálico enquanto rolava.

Atordoado, o bicho tentava voar novamente. Buck escolheu aquele momento para atacá-

lo outra vez e conseguiu abatê-lo no ar. Buck tentou pisar em cima de um deles, mas

sua couraça era dura demais para ser quebrada. Ele espancou os dois com a raquete e

arrastou-os com os pés para fora da porta, fechando-a rapidamente para que outros não

entrassem. Depois de cobrir a vidraça quebrada, ele arrastou Jonas até o quarto de

hóspedes e deitou-o na cama. Jonas balbuciava palavras incoerentes e choramingava,

arrancando os botões da camisa.

Sabendo que não havia remédio para aquela tortura e agonia, Buck deixou-o sozinho e

retornou à sala de estar no pavimento superior. Igual a uma pessoa que se sente atraída

a voltar para o local do acidente, Buck queria examinar aqueles seres mais de perto,

tendo uma barreira de vi dro entre eles.

Antes de destrancar a porta do quarto, Chaim perguntou a

Buck se ele tinha certeza absoluta de não ter trazido algum gafanhoto para dentro de

casa. Chaim continuava protegido

los trajes de tratador de abelhas e segurava o taco de críquete. Depois de certificar-se de

que Jonas estava vivo, Chaim agarrou o braço de Buck e puxou-o até a janela. Os

gafanhotos irados, presos entre a vidraça e a tela de proteção, estavam bem no centro,

em condições de ser analisados. Buck sabia que todas as pessoas não-crentes que

estavam na rua haviam sofrido tanto quanto Jonas e que não levaria muito tempo para

que os gafanhotos começassem a entrar nas casas e apartamentos, um sofrimento mais

terrível ainda.

142


DEZESSETE

RAYFORD agarrou Ernie pela gola da camisa e puxou-o para perto de si, sentindo a ira

de um pai qu e vê alguém ameaçar sua família.

- Então, quer dizer que você é um impostor, hein, Ernie?

Em vez de lutar para se desvencilhar de Rayford, Ernie tentava segurar o boné com

as duas mãos. Rayford o soltou e levou a mão em direço ao bico do boné. Ernie

estremeceu, pensando que ia levar um soco no nariz, e desviou o rosto no momento

em que Rayford atirou seu boné para longe.

Não era de admirar que a marca de Ernie estivesse tão evidente. Ele a havia

reforçado com o mesmo material que usara na primeira vez.

- Você falsificou a marca, Ernie? Falsificou o selo de Deus? É preciso ter muita

coragem.

Ernie empalideceu e tentou afastar-se, mas Rayford agarrou-o pela nuca e passou o

polegar da outra mão na marca falsificada de Ernie. A mancha desapareceu.

Você deve ter aprendido muito bem as liçes de Tsion Para fazer a réplica de uma

marca que nunca viu.

O que é aquilo? - perguntou Bo, como se estivesse paralisado de medo.

Ele falsificou a marca de...

Eu já sabia - disse Bo, com os olhos arregalados e apontando para um ponto adiante de

Rayford. – Estou falando daquilo!

Rayford olhou para o horizonte, onde uma nuvem de fumaça estava se transformando

em um bando enorme de gafanhotos. Mesmo a uma distância de centenas de metros, eles

pareciam enormes. E o ruído era ensurdecedor!

Sinto muito, cavalheiros, mas vocês vão ter um grande problema pela frente.

Por quê? - gritou Bo. - O que é isto?

Um dos últimos avisos para você. Ou outro truque dos fundamentalistas. Você decide.

Faça o que bem entender, Bo! - disse Ernie. - Vou dar o fora daqui!

Ele correu em direço à torre, e Bo também teve a mesma idéia. Ernie teve problemas

para abrir a porta, e Bo, que corria em alta velocidade, não conseguiu parar e colidiu com

ele. Os dois caíram no chão. Ernie segurou o joelho, gemendo de dor.

Levante-se e entre aí, seu maricás - disse Bo.

Maricás é você! Bo maricás!

Bo abriu a porta com força, e ela bateu na cabeça de Ernie. Ernie soltou um palavrão, deu

um rodopio e chutou a porta. Enquanto tentava entrar, Bo prendeu o dedo no vão da

porta e caiu sobre um dos joelhos, chupando o dedo machucado. Ernie deu um salto,

pulou por cima dele e entrou na torre. Rayford chegou à porta e tentou ajudar Bo a

levantar-se, mas o homem afastou-se correndo. Um bando de gafanhotos o atacou. Ele os

chutava, gritava e corria em círculos. Quando Ernie abriu a porta para ridicularizá-lo,

também foi atacado. O homem negro que viera de carro com Bo apareceu, olhando

horrorizado para os dois.

Ele balançou a cabeça lentamente e olhou para Rayford. Ambos viram seus respectivos

selos, e Rayford sabia que o do homem era verdadeiro porque os gafanhotos não o

atacaram.

Rayford ajudou-o a afastar os gafanhotos e conduziu os dois até um patamar no pé da

escada. Enquanto Ernie e Bo lutavam para respirar, Rayford aceitou o aperto de mão do

homem negro.

T. M. Delanty - ele disse. - Sou conhecido por T.

-Rayf...

Eu sei quem você é, capitão. Ken me falou sobre você.

143


- Desculpe-me a grosseria - disse Rayford -, mas ele nunca mencionou seu nome.

O mais estranho de tudo, pensava Rayford, era eles terem se conhecido no momento em

que duas vítimas sofriam a seus pés.

- Eu pedi a Ken que não mencionasse. É muito bom saber que ele era um homem de

palavra.

Rayford queria conversar com T, mas sentiu-se obrigado a fazer alguma coisa por Bo e

Ernie.

- Há algum lugar onde a gente possa colocar estes dois? T apontou para uma sala de



recepço onde havia sofás e cadeiras, mas ninguém para atender.

-Entendo que eles vão desejar morrer mas não conseguirão, não é mesmo?

Rayford fez um movimento afirmativo com a cabeça.

-Você tem estudado um bocado, não?

Estou assistindo às aulas de Tsion pela Internet, como quase todos os crentes do mundo.

Preciso ver como Tsion e os outros estão - disse Rayford, Pegando seu celular.

Chloe atendeu.

Oh, papai! Que coisa horrível! Hattie foi atacada.Rayford ouviu os gritos dela ao fundo.

O doutor tem condiçes de fazer alguma coisa?

Ele está tentando, mas ela não pára de amaldiçoar Deus e quer morrer. Tsion diz que isto

é apenas o começo. Ele acredita que Hattie viverá neste tormento por cinco meses. Até lá,

nós vamos ter de dar um jeito de tirá-la deste sofrimento.

Podemos orar para que ela se converta antes.

É verdade, mas Tsion acha que isso não garante um alívio imediato do sofrimento.

Aquelas palavras pareceram estranhas a Rayford. Ele teria de perguntar a Tsion mais

tarde.


O resto do pessoal está bem?

Penso que sim. Estou aguardando notícias de Buck.

Buck ficou surpreso consigo mesmo por ter coragem de olhar para aqueles bichos

repugnantes. Ajoelhado ao lado de Chaim perto da janela, a poucos centímetros dos

gafanhotos, ele viu a profecia bíblica tornar-se realidade. Não poderia haver no mundo

nada mais feio, mais repugnante do que os seres que estavam diante dele. Tsion dissera

que aquelas criaturas não faziam parte do reino animal. Eram demônios assumindo a

forma de bichos.

Enquanto analisava atentamente suas características singulares, Buck sentiu pena de

Chaim. Ambos sabiam que os trajes de tratador de abelhas não lhe serviriam como

proteção. Os bichos estavam ali para atacá-lo. Seria apenas uma questão de tempo. Eles

entrariam, de um jeito ou de outro, e não teriam piedade de Chaim.

- Oh, céus, que criaturas horripilantes! - disse Chaim.

Buck limitou-se a menear a cabeça. Contrastando com as maravilhas da criaço de Deus,

era evidente que aqueles pequenos monstros vieram do abismo. Tinham asas e o corpo

semelhante a um cavalo em miniatura, armado para a guerra. Quando um deles pousou

no parapeito da janela, Buck aproximou-se para vê-lo mais de perto.

Chaim - disse Buck. Sua voz parecia distante e amedrontada. - Você tem uma lupa?

Você quer ver esses bichos mais de perto ainda? Eu mal consigo olhar para eles!



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