Série de ficço mais lida no mundo, Deixados Para Trás vendeu mais de 70 milhões de livros e foi traduzida



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Dificilmente aquele grupo encontrava motivos para sorrir, a não ser quando Tsion contava



um caso como aquele ou quando alguém fazia algum comentário engraçado. Gargalhadas

ou brincadeiras haviam deixado de fazer parte da vida deles. O sofrimento era

desgastante demais, Tsion sacrificado do grupo - perdera a esposa e dois filhos. Chloe

perdera a mãe e o irmão e, mais recentemente, dois amigos. Rayford perdera duas

esposas, um filho, seu pastor e várias outras pessoas conhecidas. Todos ao redor daquela

mesa, inclusive o Dr. Charles e Hattie, tinham motivos para enlouquecer se insistissem no

assunto. pensava Rayford. Ele aguardava com ansiedade o dia em que Deus enxugaria as

lágrimas dos olhos de seu povo, o dia em que não haveria mais guerras.

Este era um dos motivos que o estimulavam a assistir ao noticiário das 22 horas que

havia sido anunciado o dia inteiro com grande alarde pela Rede de Televisão da

Comunidade Global. A CG estava reunindo especialistas que confirmariam a declaração

oficial do governo referente à escuridão que já começara a causar problemas no mundo

inteiro. Buck insinuara que os comentários de Chaim seriam divertidos. Embora não

estivesse antevendo motivos para uma boa gargalhada, Rayford gostaria de poder

alegrar-se por alguns instantes.

- Eu só espero - disse Tsion -, que possamos detectar alguma mudança no modo de

pensar de Chaim. Quando lhe falei várias vezes sobre as profecias, eu o desafiei com esta

pergunta: "Chaim, como uma pessoa tão inteligente como você pode ignorar as

probabilidades matemáticas, uma vez que existem dezenas de profecias referentes a um

único homem afirmando que ele é o Messias?" Ele me veio com o típico argumento de que

não sabia se a Bíblia é autêntica. Eu disse: "Meu mentor! Então você duvida da Tora? Onde

você acha que descobri todas estas coisas?" Ouçam o que eu lhes digo, meus jovens, não

vai demorar muito para Chaim se convencer. Só não quero que ele espere muito tempo.

Rayford, que era cerca de três anos mais novo do que Tsion, gostou muito de ser incluído

entre os jovens. Hattie interpelou o rabino com voz firme.

- O senhor também pensa a mesma coisa sobre mim, Dr. Ben-Judá? Ou será que já o

convenci de que sou um caso perdido?

Tsion colocou o garfo na mesa e empurrou o prato.

Srta. Durham - ele disse tranqüilamente -, você tem certeza de que deseja ouvir na

frente de outras pessoas o que penso sobre sua situaço?

Pode dizer - ela respondeu com o semblante sério. – Não tenho segredos e sei que seu

pessoal também não tem.

Tsion entrelaçou os dedos.

- Muito bem. Já que você me deu permissão, vou dizer. Nós dois não tivemos muitas

oportunidades de conversar. Sei qual é a sua posiço, e você sabe que minha vida agora é

inteiramente dedicada a proclamar aquilo em que acredito. Portanto minha opinião

também não é segredo para você. Somos de sexos opostos, e você tem quase 20 anos

menos do que eu. Estas diferenças criam uma barreira entre nós, o que me força a ser

menos franco com você do que seria com outra pessoa. Mas acho que você ficaria surpresa

se soubesse quantas vezes por dia Deus me faz lembrar de você.

Rayford percebeu que Hattie parecia mais do que surpresa. Ela segurava um copo d'água,

com um sorriso forçado nos lábios.

Bem-Judá complementou:

- Eu não pretendia constrangê-la...

Oh, o senhor não vai me constranger, doutor. Prossiga. - Ao dizer isto, ela deu um

grande sorriso.

Peço que me permita falar do fundo de meu coraço...

Por favor - ela disse, colocando o copo na mesa e dando a entender que estava ansiosa

por ouvi-lo. Rayford achou que ela estava gostando de ter atraído a atenço de Tsion só

para si.

- Sinto muita compaixão por você - disse Tsion. - Eu gostaria muito que você aceitasse

Jesus. - O rabino não conseguiu prosseguir. Seus lábios tremiam, e ele não conseguia

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proferir as palavras.



Hattie franziu a testa, olhando firme para ele.

- Perdoe-me - ele conseguiu dizer em voz baixa, depois de beber um pouco de água para

tentar recompor-se. Lágrimas começaram a correr por seu rosto. - Deus me concedeu a

graça de poder vê-la através dos olhos dele - uma jovem assustada, irada e desiludida,

que tem sido usada e abandonada por muita gente. Deus a ama com um amor puro.

Certa vez, Jesus olhou para as pessoas que o cercavam e disse: "Jerusalém, Jerusalém,

que matas os profetas e apedrejas os que foram enviados! Quantas vezes quis eu reunir

teus filhos como a galinha ajunta os do seu próprio ninho debaixo das asas, e vós não o

quisestes!"

- Srta. Durham, você conhece a verdade. Eu a ouvi dizer que conhece. E, mesmo assim,

não está disposta a aceitá-la. Não, eu não a considero um caso perdido. Oro por você

tanto quanto oro por Chaim. Porque Jesus prosseguiu dizendo o seguinte a respeito do

povo de Jerusalém que tinha o coraço empedernido: "E em verdade vos digo que não

mais me vereis até que venhais a dizer: Bendito o que vem em nome do Senhor."

- Eu olho para você, uma jovem de delicada e rara beleza, e vejo o que a vida lhe fez.

Gostaria muito que você tivesse paz Penso no quanto você poderia fazer pelo Reino de

Deus nestes tempos perigosos que atravessamos e estou ansioso para que você faça parte

de nossa família. Receio que você esteja arriscando a vida por não entregá-la a Deus e

não gostaria de vê-la sofrer antes que Ele a alcance com sua misericórdia. Lamento muito

se a deixei constrangida, mas você me pediu que falasse.

Hattie balançava a cabeça de um lado para o outro, e Rayford teve a impressão de que ela

estava mais surpresa do que constrangida. Em seguida, ela parou de balançar a cabeça,

fez um gesto de concordância e perguntou:

Quando vai começar o tal noticiário?

Agora - disse Chloe, e todos terminaram rapidamente a refeição.

Sentado diante do aparelho de TV em Jerusalém, acompanhado de seu notebook, Buck

sentia-se fascinado pelas sombras tenebrosas que cobriam a terra ao alvorecer. Era dia de

folga de Jacov e Stefan, e ele ficou satisfeito por poder assistir à entrevista coletiva à

imprensa na companhia dos dois.

Evidentemente, "entrevista coletiva à imprensa" não era o nome apropriado, uma vez que

a Comunidade Global havia adquirido todos os meios de comunicaço. Os leitores so

tinham acesso a matérias de real interesse por meio de Publicações clandestinas como a

de Buck. Era por isso que a apariço de Chaim na TV estava causando tanta polêmica. Se

ele tivesse a coragem de expor tudo o que dissera a Buck, sua apresentação seria a mais

controvertida que a TV já mostrara esde o estarrecedor testemunho de Tsion. Não,

Rosenzweig ao se convertera, pelo menos por enquanto. Porém, ele estava visivelmente

cansado de ser usado pelo pessoal da CG.

O programa teve início com a costumeira bajulaço sobre os convidados. Parecia que

todas as vezes que desejava persuadir a população de alguma teoria absurda, a CG

exibia os sabichões com grande pompa diante das câmeras e distribuía fartos elogios

falsos.

O apresentador mencionou a presença do Ministro da Aeronáutica e de Assuntos Espaciais

da Comunidade Global, o Diretor da Companhia de Força e Luz da Comunidade Global,

vários cientistas, autores, dignitários e personalidades do mundo artístico. Cada convidado

exibia um sorriso tímido enquanto o apresentador citava uma ladainha de suas

qualificaçes e realizaçes.

Buck deu uma gargalhada quando o apresentador proferiu a frase "E por último, mas

certamente tão importante quanto os demais convidados". A câmera focalizou um homem

franzino, de porte físico semelhante ao de Albert Schweitzer, enquanto a legenda na parte

inferior da tela exibia seu nome. Chaim não demonstrava timidez nem modéstia. Parecia

estar confuso, como se tudo aquilo fosse demais para ele.

Chaim balançava a cabeça para a frente e para trás, com ar de quem estava rindo de si

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mesmo, enquanto o apresentador enumerava seus títulos, um título após o outro: ex-



professor, escritor, botânico, ganhador do Prêmio Nobel, doutor nisto, doutor naquilo,

palestrante, diplomata, embaixador, amigo pessoal e confidente de Sua Excelência o

potentado. Chaim traçou um círculo com a mão aberta dando a entender que não havia

necessidade de mencionar mais títulos. O anfitrião concluiu, dizendo:

- Eleito uma vez o Homem do Ano pelo Semanário Global e inventor da fórmula que

transformou Israel em uma potência mundial, o Dr. Chaim Rosenzweig!

Não foi permitida a presença de pessoas estranhas no stúdio, e o pessoal da imprensa da

CG era contra aplausos. A apresentaço tão veemente teve um final insípido, e o programa

prosseguiu.

Em primeiro lugar, o apresentador leu a declaração inteira da CG enquanto o texto era

exibido na tela. A tensão de Buck aumentou quando - conforme ele temia - o

apresentador começou a entrevista pedindo a opinião e os comentários do primeiro

convidado à esquerda, o que significava que ele continuaria na mesma ordem em que fez

as apresentaçes. Buck receava que, quando chegasse a vez de Chaim, os telespectadores

já tivessem perdido o interesse e a paciência. O controle total que a CG exercia sobre os

meios de comunicaço tinha uma vantagem: apesar de haver centenas de canais à

disposição dos telespectadores, todos estavam exibindo o mesmo programa.

Naquele momento, Buck se deu conta de que a repentina escuridão era assustadora,

mesmo para os milhões de pessoas que não levaram em conta as palavras de Tsion Ben-

Judá por considerá-las delírio de um homem desequilibrado mentalmente. Todos estavam

com a TV ligada à procura de respostas de seus respectivos governos e consideravam

aquele programa o mais importante que já haviam visto. Buck só esperava que os

telespectadores aguardassem a fala do último convidado. O desfecho seria sensacional.

Todos os entrevistados, evidentemente, teceram elogios ao rápido e eficiente trabalho do

MAECG e garantiram ao público que se tratava de um fenômeno insignificante, uma

situaço temporária.

Por mais alarmante que seja esta escuridão - disse uma mulher pertencente ao alto

escalão da Companhia de Força e Luz da Comunidade Global -, temos certeza de que as

conseqüncias serão insignificantes na qualidade de vida

de todos nós e que a situação se normalizará sozinha em questão de dias.

Quando, finalmente, chegou a vez de Chaim, Buck sentiu-se ligado a seu pessoal nos

Estados Unidos. A idéia de que eles estavam assistindo ao mesmo programa fez com que

a enorme distância que os separava se reduzisse momentaneamente. Ele queria muito

que sua esposa estivesse ali a seu lado.

- Bem - iniciou Chaim em tom dramático -, quem sou eu para complementar ou eliminar

qualquer coisa que foi dita por estes brilhantes estudiosos dos fenômenos astronômicos

intergalácticos? Permitam-me dizer que estou profundamente decepcionado com a

promessa desta prezada senhora de que as conseqüncias serão insignificantes na

qualidade de vida de todos nós. Nestes últimos anos, nossa qualidade de vida tem

deixado muito a desejar.

Sou um simples botânico que descobriu, sem querer, uma combinação que se

transformou em mágica. De repente, passei a ser solicitado a dar opinião sobre tudo,

desde o preço da lingüiça até se os pregadores do Muro das Lamentaçes são verdadeiros

ou fictícios.

Os senhores desejam saber minha opinião? Está bem, vou dá-la. A bem da verdade, não

sei. Não sei quem apagou as luzes e não tenho certeza se quero saber quem são aqueles

dois cavalheiros diante do Muro. Eu só gostaria que eles trouxessem de volta a água pura

e permitissem que a chuva caísse do céu de vez em quando. Seria pedir demais?

Porém, quero lhes dizer uma coisa, agora que consegui atrair sua atenço. Consegui atrair

a atenço de todos, não?

A câmera, que voltara a focalizar o assustado apresentador, exibiu as expressões abaladas

dos outros convidados. Havia ficado claro que todos imaginaram que Rosenzweig se

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perdera nas palavras.



Todos devem saber que não sou um homem religioso. Nasci judeu e me orgulho disto.

Não há como mudar. Mas, para mim, trata-se de uma nacionalidade, não de uma religião.

Tudo o que tenho a dizer é o seguinte: muitas pessoas, inclusive eu, ficaram horrorizadas

quando souberam o que aconteceu à família de meu amado protegido e ex-aluno que se

tornou um respeitável lingüista e estudioso da Bíblia, o rabino Tsion Ben-Judá.

Sou obrigado a confessar, do fundo do coração, que cheguei a imaginar se não havia sido

ele mesmo o causador de tudo o que lhe aconteceu. Perdoar aos assassinos? Jamais

enquanto eu viver. Contudo, será que eu aconselharia um homem a aparecer em um

programa de TV, de âmbito internacional, falando do próprio país onde o nome de Jesus

Cristo é anátema para seus vizinhos, e dizer ao mundo que virou a casaca? Que passou a

ser um seguidor de Cristo? Que passou a acreditar que Jesus é o Messias? Loucura.

Fiquei duplamente horrorizado quando ele se tornou um fugitivo, exilado de sua terra

natal. Sua vida já não valia mais nada. Mas será que perdi o respeito por ele? Passei a

admirá-lo menos? Como eu poderia fazer isso a um homem que se arriscou tanto, que foi

tão corajoso?

Obrigado, Dr. Rosenz... - interrompeu o apresentador, deixando claro que recebera

instruçes pelo fone de ouvido.

Oh, o senhor não vai me interromper - disse Rosenzweig. - Tenho o direito de falar mais

alguns minutos e exijo que eu não seja retirado do ar. Só quero dizer que continuo a ser

um homem sem religião, mas meu amigo religioso, o rabino que acabei de mencionar,

falou sobre este mesmo assunto do qual estamos tratando hoje. Podem ficar tranqüilos.

Vou retornar ao ponto em que parei.

- Ben-Judá foi ridicularizado por sua crença, por suas argumentações de que as profecias

bíblicas podiam ser interpretadas literalmente. Ele disse que viria um terremoto. E veio.

Ele disse que viria chuva de granizo, sangue e fogo que queimaria as plantaçes. E

vieram. Ele disse que cairiam coisas do céu, envenenando a água, matando pessoas,

afundando embarcações. E caíram.

- Ele disse que o sol, a lua e as estrelas seriam feridos e que o mundo ficaria um terço

mais escuro. Bem, já estou terminando. Não tenho mais nada a dizer, a não ser que me

sinto um grande tolo a cada dia que passa. Desejo apenas complementar que gostaria de

saber o que o Dr. Ben-Judá vai nos contar sobre o que virá a seguir! Os senhores também

não gostariam?

Em seguida, Chaim informou rapidamente o endereço do site de Tsion.

O apresentador estava sem fala e limitou-se a olhar para Chaim com a testa franzida.

- Agora podem ir em frente - disse Chaim. – Desliguem o meu microfone.

Rayford ficou frustrado por não ter conseguido ir a Palwaukee naquele dia. Também não

seria possível ir no dia seguinte, nem no outro. A reduço da energia solar estava tornando

a vida cada vez mais complicada por criar problemas em todos os setores, prejudicando

inclusive a transmissão dos ensinamentos de Tsion. O apoio do Dr. Rosenzweig às doutrinas

pregadas por Tsion aumentou sensivelmente o número de visitas a um site que já era dez

vezes mais popular do que qualquer outro. Contudo, a transmissão das mensagens diárias

de Tsion tornou-se uma tarefa muito difícil, forçando Rayford a adiar qualquer outra

atividade. As falhas repetitivas ocorridas na Internet eram decorrentes de problemas com

a energia solar. Os crentes do mundo inteiro tentavam copiar as mensagens e passá-las

adiante, mas era impossível saber se os resultados haviam sido satisfatórios.

Os esforços de Chloe no sentido de organizar um comércio para evitar futuros problemas

referentes à marca da besta quase fracassaram. Nas semanas seguintes, o clima

modificou-se completamente. As principais cidades do Meio-Oeste assemelhavam-se ao

Alasca na época do inverno rigoroso. As reservas de energia estavam no fim. Centenas de

milhares de pessoas do mundo inteiro morreram por ficar expostas ao frio. Até mesmo a

arrogante CG, que, por conveniência, não mudou sua declaração inicial, agora procurava

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alguém sobre quem pudesse lançar a culpa por essa desgraça. No centro de todo o pânico

gerado pela situaço estava Ben-Judá. Teria ele predito esse acontecimento, conforme

Rosenzweig havia declarado, ou clamado por uma vingança do céu?

Peter Mathews tachou publicamente Ben-Judá e os dois pregadores de irresponsáveis e

praticantes de magia negra, comprovando sua acusação com cenas ao vivo do Muro das

Lamentações. Enquanto a neve caía, acumulando-se no solo, e os israelenses pagavam

preços altíssimos por roupas de frio e usavam material de construço como combustível,

Eli e Moisés continuavam no mesmo lugar. E descalços! Trajavam as mesmas vestes de

aniagem desprovidas de mangas. Sem ter nenhuma proteção contra o frio, a não ser sua

pele rija e bronzeada, suas barbas e cabelos compridos, eles pregavam, Pregavam,

pregavam.

Certamente - vociferou o supremo pontífice -, se o diabo existe, ele é o mestre desses

dois! Que outros seres Perturbadores da ordem e demoníacos poderiam suportar este frio

intenso e continuar a proferir diatribes irracionais?

Nicolae Carpathia mantinha-se em estranho silêncio. Suas apariçes eram raras.

Finalmente, quando a Comunidade Global parecia ter perdido o controle da situação, ele

fez um pronunciamento ao mundo. Durante um breve período de sol ao meio-dia no

Oriente Médio, Mac conseguiu fazer uma ligaço para Rayford, cujo telefone celular estava

funcionando com baterias velhas que haviam sido recarregadas por um gerador. A ligação

estava horrível, e eles não puderam conversar por muito tempo.

- Se você tiver condiçes, Ray, veja o potentado na TV esta noite! - gritou Mac. - Apesar

de nevar lá fora, estamos morrendo de calor aqui dentro porque ele direcionou toda a

energia de que necessitamos para seu palácio. Porém, quando ele aparecer na TV, estará

usando um enorme agasalho de pele vindo do Pólo Norte.

Mac estava certo. Rayford e Floyd trabalharam para armazenar a maior quantidade

possível de energia para que pudessem assistir ao programa no menor aparelho de TV da

casa secreta. O grupo todo se aconchegou a um canto para manter-se aquecido.

Hattie continuava a dizer:

- Não sei como vocês se sentem, mas eu estou recebendo o que mereço.

Tsion disse:

- Minha amiga, você verá que nenhum dos selados por Deus morrerá por causa deste

julgamento, cujo objetivo é chamar a atenço dos que ainda não se converteram.

Estamos sofrendo porque o mundo inteiro sofre, mas não morreremos por causa deste

julgamento. Você não gostaria de receber a mesma proteção? Hattie não respondeu.

Buck tiritava de frio no subsolo em companhia de Stefan e Jacov, sem ter conseguido

armazenar energia para ver Carpathia na TV. Os três ouviram o programa pelo rádio, e o

sinal era tão fraco que até a respiração deles atrapalhava a recepção do som.

Em Monte Prospect, Rayford, Tsion, Chloe, Floyd e Hattie viram quando Carpathia apareceu

na TV, dentro de um estúdio vazio, esfregando as mãos enluvadas e mexendo as pernas

como se estivesse lutando contra o frio.

"Cidadãos da Comunidade Global", ele disse com voz melodiosa, "aplaudo sua coragem,

sua colaboração, seu senso de lealdade e união no momento em que temos diante de nós

o desafio de suportar mais uma catástrofe.”

"Dirijo-me aos senhores para anunciar meu plano de visitar pessoalmente os dois

pregadores do Muro das Lamentações, que se confessaram responsáveis pelas pragas que

assolaram Israel. Eles serão forçados a admitir que estão por trás desta agressão covarde

ao nosso novo modo de vida.”

"Aparentemente, eles são invulneráveis a um ataque físico. Vou apelar para o senso de

decência, de justiça e de compaixão desses indivíduos e irei até eles com o coraço

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aberto, disposto a negociar. É evidente que eles estão desejando alguma coisa. Se houver

algo que eu possa barganhar com eles, desde que não ofenda a dignidade e meu cargo

nem prejudique os cidadãos a quem dedico minha vida, estou disposto a ouvir e levar em

consideração qualquer pedido que me façam.”

Viajarei para Israel amanhã, e a visita será transmitida ao vivo pela TV. Como a sede da

Comunidade Global na Nova Babilônia possui mais reservas de energia do que a maioria

dos outros países, gravaremos esse encontro histórico, esperançosos de que todos os

senhores tenham a possibilidade de assisti-lo assim que esta minha penosa missão

termine.

"Tenham ânimo, meus queridos. Creio que este pesadelo está chegando ao fim."

- Ele vai pessoalmente ao Muro? - perguntou Buck. – Será que eu entendi bem?

Sim - disse Stefan. - Devemos ir também.

Eles não vão permitir que alguém se aproxime do local - disse Jacov.

- Espero que permitam - disse Buck, sugerindo, em seguida, que eles três saíssem bem

agasalhados para encontrar um lugar de onde tivessem uma visão privilegiada da cerca

de ferro. - Poderíamos montar um esconderijo lá com a aparência de uma caixa de

madeira.

Restaram apenas algumas folhas de madeira compensada no porão para serem usadas

como combustível - disse Stefan -, mas ainda não estão no ponto.

Poderemos trazê-las de volta - disse Buck - e usá-las como combustível quando estiverem

secas.

O plano de Buck era muito arrojado. Seu rosto ainda estava dolorido em alguns lugares e



insensível em outros desde que os pontos foram retirados algumas semanas atrás. Ele

não esperava ter de enfrentar um frio tão rigoroso como aquele em Israel.

Os três encontraram uma escadaria que dava acesso a uma casa abandonada, com as

portas lacradas, localizada a menos de cem metros do Muro. Sabendo que Carpathia

chegaria meio-dia, eles montaram o esconderijo na escuridão da madrugada, sem serem

vistos. Ninguém se aventurava a andar por ali sob aquela nevasca tão forte.

Buck e seus amigos estavam quase congelados quando entraram na caixa, que possuía

algumas frestas para que eles pudessem ver o que se passava fora. Buck, um jornalista

nato, resolveu ver qual seria o aspecto da caixa quando vista por um transeunte.

Eu já volto - ele disse.

Você vai sair daqui? - perguntou Jacov.

Só por alguns instantes.

Buck afastou-se alguns metros e teve dificuldade para enxergar a caixa por causa da



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