Série de ficço mais lida no mundo, Deixados Para Trás vendeu mais de 70 milhões de livros e foi traduzida



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permaneça a bordo, ou sofrerá as consequências.

Os funcionários do aeroporto entraram em ação. Veículos de emergência cruzavam as

pistas.


Atenço, por favor. O aeroporto de Jerusalém está temporariamente fechado em razão de

uma emergência. Todas as manobras de pouso e decolagem estão suspensas até segunda

ordem. Cessna Extra Bravo, entendido?

Positivo.

Piper Dois-Nove Charley Alfa?

Positivo.

Gulfstream Alfa Tango?

- Positivo - disse Rayford, sem desligar os motores. Ele esperava que Ken entendesse por

que o estava aguardando no outro extremo da pista. Eles decolariam sem autorizaço e na

direço errada.

De repente, Rayford avistou o helicóptero. Ken não teria tempo para falar ao telefone, e o

rádio não era uma boa opço. Rayford verificou os comandos e deixou tudo preparado

para a decolagem.

Ken começou a descer no local combinado.

- O Gulfstream está lá! - gritou Buck. - E o pessoal da segurança está chegando por terra!

Ken fez uma manobra rápida para trás e pousou perto de Rayford. A porta do Gulfstream

foi aberta. Buck, Chloe e Tsion aprontaram-se para saltar do helicóptero.

- Esperem um pouco! - gritou Ken. - Se eles nos virem entrar no Gulf, vão ter condiçes

de impedir a decolagem! Vou ter de brincar de gato e rato com eles para que pensem que

Ray não está envolvido nesta história!

Quando os veículos de segurança se aproximaram, Ken começou a subir e descer com o

helicóptero, pairando bem acima do local onde pousara, a 200 metros do Gulfstream.

- Pouse imediatamente, Helicóptero Um! - soou a voz pelo rádio, vinda do Helicóptero

Dois. - E não desembarque. Repito, não desembarque.

Ken pousou, mas manteve a hélice funcionando enquanto os veículos em terra se

aproximavam.

Desligue o motor, Um! - gritou alguém pelo rádio. Buck viu o Helicóptero Dois descendo na

extremidade da pista em que Rayford se encontrava, de frente para eles.

Abaixem-se e esqueçam suas sacolas, pessoal – disse Ken. - Se eu conseguir deixá-los

bem perto do Gulf, vocês vão ter de correr até ele.

Vamos ter de correr? - perguntou Chloe. - Não vai ser possível!

Nada vai ser impossível enquanto estivermos respirando - disse Ken.

Dentro da cabina do Gulfstream e com os olhos fixos à frente, Rayford imaginava que, a

qualquer instante, Ken e o que restara de sua família seriam cercados pelos guardas

armados da CG. Eles jamais o denunciariam, mas será que aguentaria ficar sentado e

aguardar até o momento de o aeroporto voltar a funcionar? Seu corpo fervia de

frustração. Ele queria fazer alguma coisa, qualquer coisa.

Ken era um homem criativo, prático e esperto. Ele mantinha o motor ligado e a hélice

girando. O que pretendia fazer? Deixar que o Helicóptero Dois continuasse a persegui-lo?

Não havia esperanças.

- Desligue o motor, Um! - soou a voz novamente. – Você está cercado. Não conseguirá

fugir!


Agora, o Helicóptero Dois estava no solo, a cerca de dez metros de Ken, também com a

hélice girando. Rayford viu, assustado, quando Ken subiu uns 30 metros, apontou o

helicóptero para o Gulfstream e pareceu despencar bem na frente dele, batendo na pista

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de macadame em ângulo, o que o fez deslizar cerca de 15 metros, dar um rodopio e

parar perto da porta aberta.

- Vamos, pessoal! - Ken gritou. - Já!

Ele abriu a porta com força e agarrou Buck como se tivesse punhos de aço, arrastando-o

por cima do banco da frente e atirando-o para fora. Buck aguardou no solo para amparar

Tsion quando Ken também o atirou para fora. Tsion subiu a escada do Gulfstream e ficou

de prontidão para fechar a porta.

Buck sentiu-se grato por Ken ter sido mais cuidadoso para tirar Chloe do helicóptero.

- Vá em frente! - ele gritou. - Tsion está tomando conta da porta.

Rayford viu, aterrorizado, quando os veículos da CG começaram a correr em sua direço.

Ele precisava levantar vôo. Imaginando que o controle de terra não tinha condições de ver

o pessoal embarcando em seu avião, ele disse pelo rádio:

Gulf Alfa Tango para controle de terra, solicitando permissão para me afastar desta

confusão.

Positivo, Gulf, desde que não impeça o trânsito dos veículos de segurança.

Rayford começou a rodar na pista, apesar de saber que apenas dois do grupo estavam a

bordo. O motor do Gulfstream zunia enquanto ele rodava lentamente pela pista, quase

esbarrando no Helicóptero Um, a porta raspando no pavimento e produzindo faíscas. Ele

não podia levantar vôo enquanto todos não estivessem a bordo e teria de pressurizar o

compartimento dos passageiros antes de voar em grande altitude.

O cérebro de Buck rodava em câmera lenta, e um caleidoscópio de imagens começou a

passar em velocidade por sua mente. Em uma fraço de segundo, ele se lembrou do

momento em que foi atingido por um projétil no calcanhar, no Egito, enquanto se atirava

com Tsion dentro do Learjet pilotado por Ken. Agora, enquanto corria desesperadamente

tentando agarrar a porta do Gulfstream que rodava na pista, ele viu claramente, através

das barras de pouso do helicóptero, os homens da CG apontando armas na direço deles.

- Ken! Ken! Rápido! Rápido! Rápido! - gritou Buck enquanto Ken tentava alcançá-lo.

Buck corria o mais rápido que podia, e Ken vinha logo atrás dando largas passadas com

suas pernas compridas. O Gulfstream começou a ganhar velocidade, e Buck sentia-se

prestes a esmorecer. Ele olhou para trás e viu o rosto de Ken, a poucos centímetros do

seu, com um ar de desespero e determinação nos olhos.

Buck já estava quase subindo a escada quando a testa de Ken foi perfurada. Buck sentiu

o calor e o cheiro de metal no momento em que o projétil atingiu sua orelha de raspão e

seu rosto foi borrifado pelo sangue de Ken, que caíra ao chão com os olhos arregalados e

sem expressão.

Soluçando e gritando, Buck foi arrastado, com o braço preso no fio de metal que

sustentava a porta aberta. Ele queria se soltar, correr até onde Ken estava, matar

alguém. Mas não portava nenhuma arma, e Ken devia ter morrido antes de cair ao chão.

Apesar do sofrimento, do horror e da raiva que sentia, seu instinto de sobrevivência

prevaleceu.

A velocidade do Gulfstream era cada vez maior, e as pernas de Buck não conseguiam

acompanhá-lo. Tsion inclinou-se para fora o mais que pôde, esticando o corpo para erguer

a porta e trazer Buck com ela. Porém, quanto mais ele o puxava, mais Buck se enrolava

no fio. Chloe também passou a ajudar, gritando e chorando, e Buck preocupou-se com o

bebé.

Ele levantou os pés para não queimá-los em razão do atrito do couro dos sapatos na pista.



O Gulfstream já alcançara a velocidade para decolar. A porta continuava aberta, e Buck,

preso no suporte. Ele sabia que Rayford não podia fazer outra coisa a não ser acelerar.

Buck tentou dar um giro com o corpo e apoiar o pé na escada, porém a energia cinética e

o vento o impediam de movimentar-se. Agora ele estava quase na posiço horizontal, e a

vibração da chapa de alumínio da aeronave mudou quando as rodas ergueram-se do

chão. Ele semicerrou os olhos para protegê-los do vento e da areia, e pôde ver que

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Rayford precisaria ter muita sorte para passar por cima da cerca de três metros na



extremidade de uma pista não apropriada para decolagens.

A aeronave passou raspando por cima da cerca, e Buck sentiu que quase podia tocá-la

com os dedos dos pés. Uma coisa era certa: ele não ia conseguir entrar na aeronave em

pleno vôo. A porta teria de ser fechada mecanicamente. Seu braço ficaria gravemente

machucado, e ele morreria por causa da queda ou, quem sabe, teria a sorte de cair nos

arbustos um pouco mais adiante da cerca.

Buck contorceu o corpo e puxou o braço até livrar o cotovelo do fio. Os rostos

aterrorizados de sua esposa e de seu pastor foram as últimas imagens que viu antes de

dar uma cambalhota, cair em cima de um arbusto alto e se alojar ali - arranhado, ferido

e sangrando - no meio do mato.

Seu corpo tremia incontrolavelmente, e ele temia entrar em estado de choque. Logo a

seguir, ele ouviu o ruído do Gulfstream retornando. Buck sabia que Chloe jamais

permitiria que seu pai partisse sem ele. No entanto, se eles voltassem, se tivessem de

pousar para pegá-lo, seriam mortos. Ken havia morrido, e Buck não queria presenciar

mais mortes naquela noite.

Gemendo de dor, ele conseguiu soltar-se dos galhos e percebeu que seus ferimentos

necessitariam de cuidados. Aparentemente, não havia fraturas, porque ele conseguiu

ficar em pé no chão. Parado ali e tremendo na escuridão da noite, ele sentiu um volume

em seu bolso. Seria possível? Seu telefone ainda estaria funcionando?

Buck o abriu, sem esperanças. A luz do mostrador acendeu. Ele discou para o número de

Rayford.

Mac? - disse Rayford. - Estamos numa enrascada e precisamos de ajuda!

Não - Buck tentou gritar, quase sem voz -, sou eu e estou bem. Vá embora. Vou tentar

alcançá-los mais tarde.

Rayford imaginou estar sonhando. Ele tinha certeza de que seu genro havia morrido.

- Você tem certeza, Buck? - ele gritou.

Chloe, que recuperara a consciência após ter desmaiado de desespero, arrancou o

telefone da mão de Rayford.

- Buck! Buck! Onde você está?

Depois da cerca, no meio de arbustos cheios de espinhos! Acho que eles não me viram,

Chloe! Ninguém está vindo nesta direço. Se eles me viram correndo para alcançar o

avião, devem ter pensado que consegui entrar.

Como você conseguiu sobreviver?

Não faço ideia! Você está bem?

Se eu estou bem? Claro! Dez segundos atrás eu era viúva. Ken está com você?

-Não.


-Oh, não! Eles o acertaram?

- Ele morreu, Chloe.

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TREZE


RAYFORD decidiu voar para o norte o mais rápido possível, calculando que os guardas da CG

imaginaram que ele havia seguido na direção oeste.

- Tsion, vasculhe a sacola de Ken para ver se existe algum registro sobre seus amigos na

Grécia. Ele mencionou que poderíamos descer lá ou na Turquia, se fosse necessário.

Tsion e Chloe abriram a sacola de Ken.

- É muito doloroso, Rayford - disse Tsion. - Este irmão salvou minha vida levando-me de

avião para um local seguro quando colocaram minha cabeça a prémio.

Rayford não conseguia falar. Ele e Ken haviam se entrosado tão bem, a ponto de se

tornarem amigos rapidamente. Pelo fato de terem voado muitas horas juntos, Rayford

passara mais tempo com Ken do que com qualquer outra pessoa, exceto Buck. E, por

terem quase a mesma idade, a afinidade entre ambos foi muito grande. Rayford sabia que

violência e morte eram os preços a ser pagos neste período da História, mas ele

detestava o sofrimento causado pelas perdas. Se começasse a pensar em toda a tragédia

que suportara – desde a perda de sua esposa e filho no Arrebatamento até a morte de

Bruce, Loretta, Donny e sua esposa, Amanda... e de outras pessoas conhecidas -, por

certo enlouqueceria.

Ken estava num lugar melhor, Rayford dizia a si mesmo, e isso lhe soava como um

chavão. Apesar de tudo, ele tinha de acreditar que era verdade. Foi ele quem perdeu um

amigo. Finalmente Ken estava livre de sofrimentos.

Rayford sentia-se exausto. Ele não havia programado pilotar na viagem de retorno. Ken se

poupara para ter condições de levar o Comando Tribulação de volta aos Estados Unidos.

- O que significa tudo isto? - perguntou Chloe, repentinamente. - Ele preparou uma lista

com ideias e planos para negócios, e...

- Vou lhe contar depois - disse Rayford. - Ele era um verdadeiro empresário.

- E dos bons - disse Tsion. - Eu nunca imaginei que ele fosse tão inteligente. Algumas coisas

que ele escreveu parecem um manual de sobrevivência para os santos da tribulação.

- Vocês encontraram algum nome? Algum que dê ideia de um contato na Grécia? Por via

das dúvidas, vou voar naquela direço. Não posso permanecer no ar por muito mais

tempo.

Não podemos pousar sem manter contato com a torre local, não é mesmo, papai?



Não deveríamos.

Mac pode nos ajudar?

Ele prometeu ligar para mim assim que tivesse condiçes de conversar. Tenho certeza de

que eles o envolveram naquele fiasco. Ore para que ele consiga ludibriá-los.

Os cortes no rosto de Buck foram profundos, mas, por estarem localizados abaixo do osso

malar, sangravam pouco. Seu polegar direito parecia ter sido empurrado até o pulso. O

ferimento na orelha esquerda, que quase foi partida ao meio pelo tiro que também matara

Ken, não parava de sangrar. Ele tirou a camisa e usou a camiseta para limpar o rosto e o

sangue que corria da orelha. Vestiu novamente a camisa, na esperança de não estar com

a aparência de um monstro caso surgisse alguém disposto a ajudá-lo.

Buck rastejou por cima da vegetaço até os limites da área do aeroporto, mas não se

atreveu a aproximar-se da cerca. Embora não houvesse holofotes apontados para aquele

local, a cerca proporcionava um ângulo perfeito para alguém captar qualquer movimento

estranho. Ele sentou-se com as costas apoiadas em um arbusto para recuperar o fôlego.

Seus tornozelos, joelhos e o cotovelo direito estavam doloridos. O lado direito de seu

corpo devia ter sofrido um impacto maior quando ele caiu no meio daquela planta com

galhos pontudos. Ele abriu o telefone celular e viu sua imagem embaçada no visor

110


iluminado.

Ao sentir uma agulhada na região do tornozelo, Buck levantou as pernas da calça e notou

que as meias estavam empapadas do sangue que escorria de suas canelas. Seus

músculos doíam, mas, diante das circunstâncias, ele se sentia um homem de sorte. Tinha

um telefone e podia caminhar.

- Acho que encontramos alguma coisa - disse Tsion.

Rayford viu, pelo canto do olho, o rabino mostrando uma agenda de telefone aberta para

Chloe.


- Para mim, parece ser um nome grego. O que você acha, papai? Ken anotou o número do

telefone de Lukas Miklos, cujo apelido é Laslos.

Qual é a cidade?

Não consta.

Há mais alguma anotação? Você saberia dizer se o nome é de um amigo ou de um contato

comercial?

Ligue para lá. Não há nenhuma indicaço.

Espere - disse Tsion. - Há um asterisco ao lado do nome e uma seta apontando para a

palavra linhito. Não conheço esta palavra.

Nem eu - disse Rayford. - Parece nome de um mineral ou coisa do género. Disque para lá,

Chloe. Se formos aterrissar na Grécia, vou ter de iniciar as manobras de pouso daqui a

alguns minutos.

Buck não conseguia lembrar-se do nome da sogra de Jacov e não sabia qual era o

sobrenome de Stefan. Ele não queria ligar para Chaim; sua casa devia estar repleta de

homens da CG. Caminhando na escuridão, protegido pelas sombras da noite, ele

circundou o aeroporto inteiro e avistou a estrada principal. Ali, ele poderia pegar uma

carona ou conseguir um táxi. Sem saber para onde se dirigir, resolveu tomar o caminho

do Muro das Lamentações. Nicolae havia advertido Moisés e Eli publicamente para que

sumissem dali após o encerramento das reuniões no estádio, o que deu a Buck a certeza

de que as duas testemunhas estariam lá.

- Alô, senhora - disse Chloe. - Há alguém aí que fale inglês?... Inglês!... Sinto muito, não

estou entendendo. Há alguém aí... - Ela cobriu o fone com a mão. - Eu acordei a mulher.

Ela ficou assustada. Está chamando alguém. Parece estar despertando um homem.

- Sim! Alô? Senhor?... É o Sr. Miklos?... O senhor fala inglês?... Mais ou menos?... Entende

inglês?... Que bom! Lamento tê-lo acordado, mas somos amigos de Ken Ritz, dos Estados

Unidos! - Chloe cobriu novamente o fone com a mão. - Ele conhece Ken!

Chloe perguntou onde ele morava, se havia um aeroporto na cidade e se podiam visitá-lo

para conversar a respeito de Ken, caso conseguissem pousar lá.

Após alguns minutos, Rayford conseguiu contato com a torre de Ptolemás no norte da

Grécia.


Macedônia - disse Tsion. - Graças a Deus.

Ainda não estamos em segurança, Tsion - disse Rayford. - Estamos dependendo da

bondade de um estranho.

Pela primeira vez, Buck ficou satisfeito pelo fato de a Comunidade Global ter escolhido o

dólar norte-americano como moeda corrente. Ele possuía uma boa quantidade de

dinheiro, suficiente para fechar os olhos e a boca de muita gente. Escondida em algum

lugar de sua carteira, também havia uma identidade falsa, uma ferramenta muito útil...

desde que ele não fosse pego portando as duas identidades.

- O Sr. Miklos ficou desconfiado - disse Chloe. - Mas assim que eu o convenci de que

éramos amigos de Ken, ele me instruiu que devemos dizer à torre que estamos pedindo

permissão de pouso para um Learjet Foxtrot Foxtrot Zulu.

111


Trata-se do avião de um de seus fornecedores. Ele dirige uma empresa de mineraço.

Estará lá à nossa espera.

Este aqui não se parece nem um pouco com um Lear - disse Rayford.

Ele disse que a torre não vai sequer prestar atenção.

Quando chegou à estrada, Buck ficou surpreso ao ver que o trânsito continuava

movimentado. Havia ainda muita gente saindo de Jerusalém. E todo aquele tráfego aéreo

significava que o aeroporto já reabrira. Ele não avistou nenhum bloqueio nas ruas. A CG

devia estar imaginando que ele fugira a bordo do Gulfstream.

Buck caminhou pelo acostamento da estrada na direço de Jerusalém, que estava muito

menos congestionada do que a pista contrária. Ele começou a acenar com sua camiseta

ensanguentada para os táxis vazios que vinham do aeroporto, tentando esconder o lado

mais manchado. Endireitou o corpo para dar a impressão de que estava sóbrio e sem

nenhum ferimento. Felizmente, o quarto táxi para o qual ele acenou saiu da pista e parou

no acostamento.

Você tem dinheiro, companheiro? - perguntou o taxista antes de abrir a porta traseira.

Bastante.

Os pedestres não costumam caminhar nesta direço. Você é o primeiro que vejo em

semanas.

Perdi minha carona - disse Buck, entrando no carro.

Você está bastante ferido, não?

Eu estou bem. Andei no meio de alguns espinhos.

Imagino.

Você é australiano?

Como você adivinhou? Para onde vamos, companheiro?

Muro das Lamentaçes.

Ah! eu só vou conseguir deixar você a quase um quilómetro de lá.

Tanto assim?

Grandes acontecimentos. Você ficou sabendo da história dos dois...

Sim, onde eles estão?

Estão lá.

Que coisa!

- Eles não deviam estar lá, você sabe. -Sei.

- Dizem que o potentado continua em Jerusalém, mas longe do Muro. Há uma grande

multidão por lá com armas na mão. Civis e militares. Uma confusão danada. Admiro muito

o potentado, mas ele não fez bem em oferecer um prémio pela cabeça dos dois.

Você acha?

Veja só o que vai acontecer. Alguém vai matar os dois esta noite para ser transformado

em herói. Estou falando de cidadãos comuns e de policiais. Quem pode afirmar que eles

não vão dar início a um tiroteio?

Você acha que os dois vão morrer esta noite?

Vão. Eles fincaram o pé naquele lugar, provocaram a ira da cidade inteira por causa da água

que virou sangue e da seca, dizendo que eram os responsáveis. E se orgulham disso.

Mataram diversas pessoas que tentaram chegar perto deles, mas que chances aqueles dois

têm agora? Eles se colocaram atrás daquela cerca para que o povo possa praticar tiro ao

alvo.

Eu digo que eles estarão lá, bem vivos, quando amanhecer.



Não acredito.

Se isso acontecer, você faria uma coisa para mim?

Depende.

Se, apesar de todas as circunstâncias contrárias, você tiver de admitir que eu acertei...

Garanto que isso não vai acontecer.

112


... vai encontrar uma Bíblia e ler o livro de Apocalipse.

Ora, você também é um deles?

Deles quem?

Dos judeus convertidos. Esta noite já fiz pelo menos três viagens para eles até o

aeroporto. Todos tentaram me fazer passar para o lado deles. Você também vai querer

me salvar, companheiro?

Eu não posso salvá-lo, meu amigo. Mas não entendo como Deus não conseguiu ainda

chamar sua atenço.

Não nego que esteja acontecendo alguma coisa estranha. Mas faço um trabalho sujo,

explorando mulheres, se é que você me entende, e acho que Deus não gosta disso.

Ganho muito dinheiro do outro lado da cidade, compreende?

E isso vale mais do que sua alma?

Talvez. Mas vou lhe dizer uma coisa. Se aqueles dois estiverem lá amanhã cedo, vou fazer

o que você me pediu.

Encontrar uma Bíblia?

Eu já lhe disse. Fiz três viagens esta noite com sujeitos iguais a você. Ganhei três Bíblias.

Você vai me dar a quarta?

Não, mas eu poderia ficar com uma das suas.

Eu vivo de negócios, companheiro. Posso vender uma para você.

Rayford estacionou o jato no final de uma pista onde havia uma aeronave de porte

semelhante. Ele, Chloe e Tsion caminharam cautelosamente em direção ao terminal

quase deserto. Em um canto escuro do terminal, um casal de meia-idade os observava

com olhos assustados. Ele era um homem atarracado, de baixa estatura, e tinha fartos

cabelos escuros e crespos. Ela era robusta e usava um lenço na cabeça, deixando à

mostra apenas alguns cachos de cabelo. Depois de um tímido aperto de mãos, Lukas

Miklos disse:

Ken Ritz falou de mim a vocês?

Encontramos seu nome na agenda de telefone dele, senhor - disse Rayford.

Miklos retraiu-se e sentou-se em uma cadeira.

Como vou saber se vocês o conhecem?

Sinto muito, mas temos má notícia para lhe dar.

Antes de me darem a má notícia, preciso saber se posso confiar em vocês. Digam-me

alguma coisa sobre Ken que só um amigo poderia saber.

Rayford olhou para os outros e disse cautelosamente.

- Ex-militar, piloto de voos comerciais, proprietário de uma empresa de táxi aéreo por

muitos anos. Alto, beirando os 60 anos.

Vocês sabiam que ele costumava pilotar o avião de um de meus fornecedores quando

comecei a trabalhar com usinas de energia?

Não, senhor. Ele não mencionou isso.

Ele nunca lhe falou de mim?

De seu nome, não. Mencionou que conhecia alguém na Grécia que poderia nos hospedar

quando estivéssemos retornando para os Estados Unidos.

Para onde vocês foram?

Israel.


E foram lá para quê?

Para o Encontro das Testemunhas. Miklos e sua esposa trocaram olhares.

Vocês são crentes? Rayford assentiu com a cabeça.

Vire o rosto para a luz.



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