Série de ficço mais lida no mundo, Deixados Para Trás vendeu mais de 70 milhões de livros e foi traduzida



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concordar que ele tinha prioridades diferentes das minhas e de qualquer outra pessoa

que eu conhecia. Quero dizer, eu sabia que ele tinha aceitado tudo o que a religião dizia,

eu tinha certeza disso. Meu futuro estava ligado aos bens que eu possuía. A vida dele

girava em torno de confiar em Jesus. Homem, aquilo me parecia uma coisa idiota, mas

ele estava se saindo bem. Cheguei a invejar seu genro, confesso. Depois daquele

terremoto que me fez ir parar no hospital, com os miolos balançando dentro da cabeça,

eu não podia imaginar o jovem Williams escarafunchando os escombros à procura de

ouro ou coisa parecida. Aí ele apareceu no hospital, e aqui estou eu fazendo mais um de

seus servicinhos malucos.

Eu gostaria que fosse apenas um servicinho – disse Rayford. - Seja lá como for, vamos ter

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uma longa noite pela frente.



Na volta, não seria melhor descermos na Grécia ou na Turquia, em vez de tentarmos voar

a noite inteira? Tenho dois amigos de confiança lá, um em cada país. Acho que ainda não

são crentes, mas eles nunca nos abandonariam, se é que você está me entendendo.

Rayford balançou negativamente a cabeça.

Se tivermos combustível suficiente, vou preferir voar direto para casa.

Você é quem manda.

Assim que o carro atravessou os portões da casa de Chaim, o ancião pediu a Stefan, em

hebraico, que dissesse alguma coisa a Jonas, o segurança. Jonas também respondeu em

hebraico, e Buck perguntou a Tsion o que eles estavam dizendo.

- Depois - disse o rabino, colocando um dedo nos lábios. Quando entraram, eles viram a

cobertura e os comentários do evento pela TV. Tsion, Buck e Chloe foram se esgueirando da

sala, um de cada vez, para não chamar a atenço, a fim de fazer as malas. Eles haviam

sincronizado seus relógios sem que ninguém visse.

Buck notou que agora Chaim parecia tão ansioso quanto Tsion de conversar sobre o

assunto de natureza espiritual. Talvez Chaim estivesse mais, pelo fato de Tsion estar um

pouco perturbado. Buck, porém, sabia que ganhar almas era muito mais importante para

Tsion que sobreviver. Ele não perderia a oportunidade de se deixar usar para a conversão

de Rosenzweig.

Buck queria pedir a chave a Jacov e ficou satisfeito por ter a chance de deixar os dois

velhos amigos conversando a sós. Mas, quando saiu à procura de seu novo irmão, Buck

descobriu que Jacov estaria fora o restante da noite.

- Onde posso encontrá-lo? - ele perguntou.

- Em casa, suponho - respondeu um dos empregados em inglês, com um acentuado

sotaque.

Ele forneceu o número, e Buck discou para lá. Ninguém atendeu.

- Onde mais ele poderia estar? - perguntou Buck. O homem falou em voz baixa:

Eu não disse nada ao senhor, mas há um bar chamado "Harém". É lá que...

Eu sei onde fica - disse Buck. - Obrigado.

Ele correu de volta para a casa e interrompeu a conversa entre Chaim e Tsion.

Desculpem-me - ele disse -, mas preciso dar uma palavrinha com Jacov, e ele não está

em seu apartamento.

Oh! - interveio Chaim. - Ele disse qualquer coisa sobre ir à casa da mãe de Hannelore.

Ele também vai estar presente no Monte do Templo amanhã.

É que eu preciso falar com ele esta noite.

Chaim forneceu a Buck o número do telefone da mãe de Hannelore, e Buck ligou para lá.

Uma voz feminina alemã atendeu e pôs Jacov na linha.

Vai ser difícil para mim sair esta noite, Sr. Williams - disse Jacov. - A mãe de Hannelore

não está aceitando o que estamos dizendo a ela, e concordamos em permanecer aqui

para conversar mais um pouco com ela. Por favor, ore por nós.

Vou orar. Mas, Jacov, eu preciso daquela chave.

Chave?

Aquela da qual você ia fazer uma cópia para o Dr. Rosenzweig.



Ele está com pressa da cópia?

Eu é que preciso dela, e quero também que você confie em mim e não me faça

perguntas.

O senhor está com medo de que algum estranho entre na casa? A porta está trancada. É

a mais resistente da casa.

Eu sei. Mas eu preciso da chave, Jacov. Por favor.

Ela não está comigo. Ficou com Stefan. Vou trabalhar amanhã, mas segunda-feira é o meu

dia de folga. Ele disse que cuidaria da cópia.

Onde ele mora?

Perto do estádio, mas eu fiquei sabendo que o trânsito naquela área foi interrompido esta

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noite.


Eu vi o noticiário pela TV, e ninguém disse nada sobre interromper o trânsito.

Eles acabaram de anunciar. Um guarda da Comunidade Global foi morto logo após a

reunião. Foi por isso que ouvimos tiros. A CG está procurando os assassinos. Eles

acreditam que o guarda foi atacado por um ou mais judeus convertidos que estavam na

reunião.

Jacov, preste atenção. Eu lhe contei o motivo dos tiros.

Mas o senhor não me disse que um guarda foi morto. Será que havia alguns judeus

armados? Talvez eles estivessem protegendo o senhor quando viram o guarda

apontando-lhe a arma.

Oh, por favor, meu Deus, espero que não.

Nunca se sabe, meu amigo. De qualquer forma, o senhor não vai conseguir chegar perto

da casa de Stefan esta noite sem ser barrado. E o senhor sabe que eles vão reconhecê-lo.

Jacov, eu preciso de um favor.

Oh! Sr. Williams, eu quero ajudá-lo, mas não posso ir à casa de Stefan esta noite.

Estamos tentando convencer minha sogra de que esta história toda não foi ideia de

Stefan. Ela sempre o detestou, sempre o culpou por tudo o que eu fiz de errado. Agora,

ela está dizendo que gostaria que ele e eu continuássemos a beber em vez de passar

para o lado desses malucos religiosos, inimigos do potentado. Ela está ameaçando tirar

Hannelore de mim.

Eu só quero que você não mencione ao Dr. Rosenzweig que eu lhe perguntei pela chave. -

Houve um silêncio prolongado. - Sei que estou lhe pedindo que não diga nada ao seu...

Ao homem a quem devo a vida. Ele tem sido um pai para mim. O senhor vai ter de me

contar tudo antes que eu decida se vou concordar ou não. Se eu tiver de esconder

alguma coisa dele que possa prejudicá-lo, jamais me perdoarei. Por que o senhor precisa

daquela chave e por que ele não pode saber?

Jacov, você sabe que ele ainda não se converteu.

Eu sei! Mas nem por isso ele é nosso inimigo! Estou orando para que eu seja a pessoa que

vai pregar para ele, embora o rabino seja amigo do Dr. Rosenzweig.

Ele não é nosso inimigo, Jacov, mas é simplório.

Simplório. Eu não conheço esta palavra.

Ele ainda é amigo do potentado.

Ele não conhece tudo o que se passa.

É por isso que digo que ele é simplório. Se usarmos aquela chave para ir embora daqui

mais cedo, ele poderá contar alguma coisa a Nicolae ou a seu pessoal antes que a CG

saiba que fugimos, e não podemos correr esse risco.

Jacov ficou em silêncio por mais alguns instantes.

Eu não sabia no que estava me metendo - ele disse finalmente. - Não vou voltar atrás.

Agora sou um crente de verdade. Mas nunca pensei que teria de fazer alguma coisa contra

Carpathia.

Jacov, você poderia pelo menos dizer a Stefan que estou precisando desesperadamente

daquela chave? Talvez ele possa dar um jeito de trazê-la até aqui. Ele é conhecido naquela

região, e seria normal sair para trabalhar, mesmo a esta hora, não?

Vou tentar. Mas aí o senhor vai ter de pedir a duas pessoas que fiquem de boca fechada.

Ele vai ficar?

Creio que sim. Mas o que o Dr. Rosenzweig vai pensar quando souber que ajudamos vocês

a fugirem e não lhe contamos nada?

Buck pensou em sugerir que eles dissessem a Rosenzweig que foram ameaçados-pelo

Comando Tribulação. Porém, uma coisa seria fazer uso de todos os meios para ludibriar

Carpathia e seu bando; outra, seria mentir ao homem que eles estavam tentando

aproximar de Deus. Buck consultou seu relógio, que marcava quase 23 horas. Seria muito

difícil Stefan chegar a tempo de entregar-lhe a chave.

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-Jacov, será que teríamos condiçes de arrombar aquela porta?

-Não vai ser fácil, Sr. Williams. Agora preciso desligar.

Rayford estava a uma hora de distância do aeroporto de Jerusalém, procurando entrar

em contato com as torres das proximidades para saber qual delas o localizaria nas telas

do radar. Ele identificou apenas o tipo e o prefixo de sua aeronave, e ninguém pediu mais

detalhes.

- Previsão chegada 24 horas aeroporto Jerusalém para reabastecer - ele disse.

Dez-quatro, Gulf. Câmbio e desligo. Ele discou para Chloe.

Tudo pronto, querida?

Estamos um pouco desnorteados, papai. Não vou aborrecê-lo com detalhes, mas o plano

continua em pé. Vamos dar um jeito de esperar por você no telhado à meia- noite e meia.

Estou morrendo de saudade, meu bem.

Eu também, papai. Se houver algum problema, ligarei para você.

Entendido. Ken vai buscá-los de helicóptero, e eu ficarei aguardando a bordo do

Gulfstream.

Buck deu uma batida de leve na porta e entrou na sala onde Tsion e Chaim conversavam

em voz baixa, mas animadamente. Tsion lançou um olhar de reprovaço a Buck, como se

ele tivesse escolhido o momento errado para interrompê-los.

Peço desculpas, cavalheiros, mas preciso dar uma palavrinha com você, Tsion.

- Não precisa se desculpar - disse Rosenzweig. - Eu estava mesmo precisando sair por

alguns instantes. Vou deixá-los

a sós. Quero perguntar à sua esposa se ela gostaria de ir comigo ao Monte do Templo

amanhã. Jacov e eu sairemos um pouco mais tarde.

Chaim passou por Buck, sorrindo, mas visivelmente perturbado. Buck desculpou-se mais

uma vez com Tsion.

Buck, sei que nosso tempo é curto, mas ele estava quase aceitando!

Aceitando a ponto de podermos confiar nele? – Buck colocou Tsion a par dos

acontecimentos.

Tsion levantou-se e ligou a TV. A tela mostrava a imagem do rosto do guarda da CG que

atirara por cima da cabeça de Buck, errando o alvo de propósito. Abaixo da foto, havia

uma inscriço com a idade e a data da morte dele.

Fui culpado pela morte dele - disse Buck, com a voz embargada.

Mas você salvou minha vida - disse Tsion. - Louve a Deus porque ele está no céu agora.

Buck, sei que tudo isto está sendo muito difícil e eu jamais quis me tornar insensível ao

alto preço que temos de pagar. Ninguém daria um centavo pelo nosso futuro. Não sei por

quanto tempo o Senhor poupará cada um de nós para realizar sua obra. Temo, porém,

que, se permitirmos que Carpathia machuque, mate ou detenha qualquer um de nós esta

noite, a causa de Cristo sofrerá um terrível golpe. Você sabe que não me importo mais

com minha vida. Minha família está no céu, e eu gostaria muito de me reunir a ela. Mas

acredito que Deus não nos faria morrer desnecessariamente. Ainda há muito o que fazer.

Sim, penso que devemos confiar em Chaim. Ele perguntou ao segurança se seu circuito

interno de TV estava funcionando. O segurança respondeu que só o ligaria depois da

meia-noite, como de costume. Chaim pediu-lhe que o ligasse imediatamente.

Uma onda de pânico apossou-se de Buck. Será que a câmera havia captado sua imagem

na noite anterior?

Vamos ter de contar a ele - disse Buck. - Se seus seguranças ouvirem o som do motor de

um helicóptero e virem que pertence à CG, não vão saber o que fazer.

É o que eu desejo, Cameron, que haja confusão no momento da fuga. Certamente eles

não vão atirar em um helicóptero que pertença a Carpathia. Mas não vai demorar muito

para que eles liguem para perguntar, e aí a CG vai saber que usamos um equipamento de

sua propriedade.

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Como podemos convencer Chaim sem que ele pense que estamos sendo injustos com

Carpathia?

Ele assistiu à reunião desta noite, Buck. E você devia ter ouvido a reação dele. Eu estou

lhe dizendo que ele está quase aceitando.

O que o está impedindo?

Sua admiraço e fascínio por Carpathia.

Então seria melhor contar a ele a conversa que Rayford ouviu no Condor 216.

Sobre mim?

E sobre ele.

Será que ele vai acreditar?

O problema é dele, Tsion. Tudo o que ele acredita e sente a respeito de Carpathia iria por

água abaixo.

Tomara.

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DOZE

Era quase meia-noite quando Rayford entrou no espaço aéreo de Israel, conforme

programado. Ele fez contato com a torre do aeroporto Ben Gurion, em Tel-Aviv, e depois

pediu autorização para pousar no aeroporto de Jerusalém para reabastecer.

Faz muito tempo que não me sinto tão apavorado – ele disse.

Sério? - perguntou Ken. - Esse tipo de pavor já está se tornando rotina para mim.

Rosenzweig voltou a reunir-se a Buck e Tsion. Atrás dele, vinha Chloe, de pijamas e

roupão. Ela lançou um olhar confuso a Buck.

- O Dr. Rosenzweig está insistindo que eu vá descansar por causa do bebé - ela disse. -

Não posso contrariar suas ordens. Só vim até aqui para dar-lhes boa-noite.

Buck sabia que ela correria de volta para o quarto a fim de trocar de roupa, mas limitou-

se a dizer:

-Fique aqui conosco por alguns instantes, meu bem. Precisamos dizer uma coisa a Chaim,

e talvez você vá precisar confirmar o que o seu pai nos contou.

- TORRE de Jerusalém, aqui fala Gulfstream Alfa Tango, câmbio.

- Torre, prossiga, Alfa Tango. Inicie manobras de pouso. Rayford ajustou os comandos e

pousou em uma pista mais movimentada do que o normal. Sem demonstrar muita

curiosidade para não levantar suspeitas, ele perguntou à torre o motivo do intenso tráfego

aéreo. A torre informou-lhe que os participantes mais abastados que participaram da

grande reunião no estádio Teddy Kollek estavam voando em aeronaves de pequeno porte

até Tel-Aviv para pegar voos internacionais a seus países de origem.

Haverá demora em reabastecer?

Negativo, Alfa. Você está liberado.

Você está vendo os helicópteros? - perguntou Rayford a Ken enquanto manobrava a

aeronave em terra.

Só vejo um - respondeu Ken. - Branco e com letras de forma pretas na lateral.

Não brinque comigo.

Falo sério. O helicóptero é da CG, mas vejo apenas um..

Buck! - gritou Chloe. - Você está aparecendo na TV! Veja!

"... a polícia da Comunidade Global acredita que o homem que aparece no videoteipe seja

o assassino de um guarda da CG no começo desta noite por ocasião do Encontro das

Testemunhas no estádio Teddy Kollek. Ele foi identificado como o norte-americano

Cameron Williams, ex-funcionário da divisão editorial da CG. Dizem que Williams está

hospedado com o rabino Tsion Ben-Judá na casa do Dr. Chaim Rosenzweig, o israelense

ganhador do prémio Nobel. O supremo comandante Leon Fortunato disse que..."

Tsion e Buck acompanharam Rosenzweig até o depósito de ferramentas. Assim que

avistou o depósito de longe, Buck passou na frente de Chaim, acendeu a luz e pegou um

martelo, uma pá e uma barra de concreto.

Você tem uma marreta? - ele perguntou.

Todas as ferramentas que possuo estão aí - disse Chaim.

Precisamos agir rápido. - O telefone tocou. - Deve ser a CG.

Jonas, o segurança, falou pelo interfone em hebraico, e Buck só entendeu as palavras

"Rosenzweig" e "Fortunato".

- Peça que alguém me traga o telefone - disse Rosenzweig.

- Estou no fim do corredor.

Ele virou-se para Buck e Tsion e fez um gesto para que eles se dirigissem para a porta de

acesso ao telhado. Depois de pegar o telefone sem fio, ele dispensou o criado e continuou

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caminhando atrás de Buck enquanto falava.

- Claro que ele está aqui, Leon - disse Chaim. - E acho que já dormiu. Nem pense em

invadir minha casa no meio da noite. Você tem minha palavra de que ele estará aqui

amanhã cedo, quando poderá interrogá-lo. Terei o prazer de levá-lo até você... Oh! Leon,

é um absurdo, e você sabe disso. Ele não pode ser acusado de assassinato. Seu homem

foi morto por um de seus colegas... Vocês encontraram a arma do crime? Impressões

digitais? Verifiquem os projéteis e examinem suas armas. Conheço o Sr. Williams há anos

e nunca o vi portando uma arma. Preste atenção, Leon. Eles são meus convidados, e não

vou acordá-los!... Sim, você está avisado! Você não é meu supremo comandante... Agora

você está me ameaçando? Você conhece a posição que ocupo neste país e, posso até

dizer, meu conceito perante Nicolae! Se eu disser ao povo que você usou técnicas da

Gestapo no meio da noite... Delito? Você vai me acusar de desacato? Você liga para mim à

meia-noite, isto é, depois da meia-noite, diz que estou abrigando um suspeito de

assassinato, e espera que eu o respeite? Vou lhe dizer uma coisa, Leon. Se você vier

pessoalmente até aqui em um horário razoável, meu convidado estará à sua disposiço...

Bem, fique sabendo, Leon: se você mandar alguém aqui esta noite, não vou abrir a porta.

Buck acenou desesperadamente para Chaim, pedindo-lhe que se afastasse dali para que o

ruído das pancadas na porta não fosse ouvido do outro lado da linha. Chaim entendeu e

dirigiu-se apressado para o outro extremo do corredor. Buck bateu com o martelo na

parte de trás da dobradiça superior da porta. Chloe apareceu com duas sacolas e deixou-

as ali para buscar a de Tsion.

Tsion desferiu um golpe com a pá na maçaneta e ao redor dela, mas nem ele nem Buck

conseguiram muita coisa.

- Afaste-se um pouco, Tsion - disse Buck, levantando, em seguida, a barra de concreto

acima da cabeça.

O peso do concreto quase o atirou para trás. Buck o arremessou com força na metade

superior da porta e ouviu um estalo. Mais alguns arremessos, ele pensou, provocariam

um rombo na madeira.

Rayford estava reabastecendo a aeronave quando recebeu uma ligaço de Ken.

Estou a caminho - ele disse.

Boa sorte.

Com os olhos atentos ao relógio, Rayford sentiu vontade de ligar para Chloe e conversar

com ela por telefone até que todos estivessem a bordo do helicóptero. Mas ele não queria

atrapalhá-los. A falta do outro helicóptero na pista o deixara surpreso, porém a

mensagem de Mac havia sido clara. Rayford gostaria muito de saber o que acontecera.

Só estou pensando no bebé. Vamos embora.

Não nos despedimos de Chaim!

Ele compreenderá. Vamos. Vamos.

Chaim retornou assim que Chloe começou a transpor a porta.

-Estou aguardando um aviso do segurança - ele sussurrou. - Um carro da CG acabou de

estacionar na frente da casa.

Buck puxou Chaim para perto de si na escuridão e deu-lhe um abraço apertado.

Em nome de todos...

Eu sei - disse Chaim. - Lamento tudo o que está acontecendo. Por favor, me avisem

quando estiverem em lugar seguro.

- Apague todas as luzes! - gritou Buck, quando finalmente conseguiu abrir um buraco na

madeira. Ele ouviu Chaim desligando apressadamente os interruptores.

Chaim deu uma ordem urgente em hebraico pelo interfone a seu segurança.

O que ele disse? - perguntou Chloe no escuro, aproximando-se de Buck e Tsion diante da

porta arrombada. Cada um deles tinha uma sacola pesada.

Ele deu ordem para não deixar ninguém entrar. Disse que todos estão dormindo. Mas essa

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ordem não vai deixar o pessoal da CG sem aço por muito tempo.

Vamos - disse Buck. - Ouvi o som de um helicóptero.

Você está imaginando coisas - disse Chloe. - Acho que há um carro da CG entrando aqui.

Vocês dois estão paranóicos - disse Tsion, passando pelo buraco aberto na porta.

Eu peguei sua sacola, meu bem - disse Buck.

Buck! Não fique me paparicando.

Uma sensaço de nervosismo tomou conta de todo o corpo de Rayford. Depois de

abastecer e pagar o combustível com o cartão de crédito internacional de Ken Ritz, Rayford

taxiou o Gulfstream, afastando-o quase 200 metros do local onde Ken pousaria o

helicóptero. Dali, ele poderia avistar o aparelho e aproximar-se dele no momento do

pouso.

O telefone de Rayford tocou.



- Rayford, é Mac. Finalmente estou sozinho. Preste atenço e não diga nada. Leon

incumbiu o piloto do helicóptero que estava em Haifa de fazer um sobrevoo com ele.

Houve um incidente perto do estádio, e ele não quis arriscar-se a me escalar porque vou

levá-los de volta amanhã cedo no Condor. Achei que eles voltariam a tempo, mas isso não

aconteceu. Quando você ligou, eu lhe dei o sinal verde para usar o Helicóptero Um. Sim,

seu amigo está pilotando o helicóptero que vai ser usado por Carpathia, mas ninguém

perceberá nada se ele voltar rápido. Eu não pude conversar

- Repita, capitão.

Uma voz nervosa interrompeu o diálogo.

- McCullum não está no ar, Helicóptero Dois! Ele está aqui conosco! Descubra quem é o

sujeito!

- Helicóptero Dois para Helicóptero Um, identifique-se, câmbio.

Ken hesitou.

- Identifique-se, Helicóptero Um, ou será acusado de pirataria aérea.

Aqui é Helicóptero Um, prossiga.

Identifique-se, piloto.

Conexão prejudicada, volto a chamar.

O piloto do Helicóptero Dois soltou um palavrão.

Desça imediatamente e renda-se, Um.

A caminho de Tel-Aviv, Dois. Conversaremos lá.

Negativo! Pouse no aeroporto de Jerusalém e permaneça a bordo!

Negativo, Dois. Vou pousar no Ben Gurion.

O Helicóptero Dois enviou uma mensagem pedindo ajuda a todas as aeronaves naquela

área.


E agora? - perguntou Buck.

Vou apagar as luzes e voar baixo - disse Ken.

Não muito baixo.

Alto o suficiente para não bater nos fios elétricos – disse Ken. - Baixo o suficiente para não

ser captado pelo radar.

Vai dar certo?

Depende do lugar em que ele se encontrava quando da primeira chamada. Se estava

perto da casa de Chaim, conseguimos nos distanciar bastante dele. Duvido que ele voe

assim tão baixo ou tão depressa. Ele não é tão tolo a ponto de acreditar que estamos

indo para o Ben Gurion. Alguém foi instruído para nos localizar, e ele vai nos perseguir

até a pista. Não haverá tempo para nada no aeroporto, nem para ir ao banheiro, se é isso

o que vocês querem saber.

Sentado a bordo do Gulfstream estacionado perto da pista, Rayford ouvia a conversa pelo

rádio, contendo o impulso de orientar Ken. Se Ken não soubesse como voar baixo e

forçasse os limites do helicóptero, de nada adiantariam suas orientações.

Alguém voltou a falar pelo rádio, informando que uma aeronave convencional de pequeno

106

porte avistara o helicóptero da CG voando baixo e com as luzes apagadas.



- Aqui é Helicóptero Dois. Helicóptero Um, você está violando as leis internacionais da

aviaço por voar com luzes apagadas, baixo demais, velocidade exagerada e por

sequestrar uma aeronave oficial. Siga diretamente para o aeroporto de Jerusalém e



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