Série de ficço mais lida no mundo, Deixados Para Trás vendeu mais de 70 milhões de livros e foi traduzida



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mensagem, da verdade de Deus e de um rabino convertido que acredita que Jesus é o

Messias. Aplaudo a coragem da administraço da Comunidade Global e estou fazendo uso

de sua generosidade. Sem nenhum custo para nós, esta mensagem está sendo

transmitida a todos os países do mundo. Não temos necessidade de intérpretes, e

tomamos conhecimento pelos noticiários de que o mesmo milagre ocorre com os que

estão nos assistindo pela TV. Se os senhores não compreendem hebraico nem inglês, mas

entendem cada palavra que estou dizendo, sinto-me feliz por afirmar-lhes que Deus está

operando em suas mentes. A maior parte desta mensagem está sendo proferida em

inglês, embora a leitura que faço da Bíblia seja em hebraico, grego e aramaico. Fiquei

surpreso ao constatar que até mesmo meus colaboradores ignoram este fato. Cada um a

ouve na própria língua.

- Deus também está operando em seus coraçes. Os senhores não precisam estar

conosco fisicamente para aceitarem a Cristo esta noite. Não há necessidade de estar

acompanhado, de orar com outra pessoa ou de ir para outro lugar qualquer. Basta que

cada um dos senhores diga a Deus que reconhece ser um pecador e que está afastado

dele. Diga-lhe que não pode fazer nada sozinho para aproximar-se dele. Diga-lhe que

acredita que Ele enviou seu Filho, Jesus Cristo, para morrer na cruz por seus pecados, e

que Jesus ressuscitou, arrebatou sua Igreja e voltará novamente à terra. Receba-o como

seu Salvador aqui neste lugar. Creio que milhões de pessoas no mundo inteiro estão se

juntando à grande colheita de almas que produzirá santos e mártires da tribulaço, uma

multidão que não poderá ser enumerada.

Tsion parecia desgastado e afastou-se do púlpito para orar. Quando o povo que afluíra à

frente começou a dispersar e retornar aos seus lugares, Tsion voltou ao púlpito. Mais uma

vez, ele colocou em ordem suas anotações. Seus ombros estavam curvados, e ele parecia

estar respirando com dificuldade. Buck começou a preocupar-se com ele.

Tsion pigarreou e deu um longo suspiro. Sua voz enfraqueceu subitamente.

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- Meu texto para esta noite - ele conseguiu dizer – está em Apocalipse 8.13.



Por todo o estádio, dezenas de milhares de Bíblias foram abertas, e o ar encheu-se do

ruído de páginas sendo viradas. Tsion caminhou até Buck enquanto o povo procurava a

passagem bíblica.

- Você está bem, Tsion?

Acho que sim. Se for necessário, você leria o texto em meu lugar?

Claro. Agora?

Prefiro tentar, mas eu o chamarei se precisar.

Tsion retornou ao púlpito, olhou para o texto, ergueu os olhos para encarar a multidão e

pigarreou mais uma vez.

- Tenham um pouco de paciência comigo - ele disse. – Esta passagem nos adverte que,

assim que a terça parte da terra escurecer, virão em seguida três terríveis ais. Por serem

tão sinistros, eles serão avisados do céu com antecedência.

Tsion pigarreou mais uma vez, e Buck preparou-se para ser chamado. Ele queria que Tsion

pedisse sua ajuda. Mas, de repente, ele sentiu o cheiro de poeira e fumaça que exalava

dos trajes das duas testemunhas e levou um susto quando Eli e Moisés apareceram a seu

lado. Buck virou-se e fitou os olhos de Eli, com a sensaço de estar sonhando. Ele nunca

se aproximara tanto dos profetas e teve de conter-se para não tocar neles. Os olhos de Eli

estavam fixos nos dele.

- Não te exponhas diante do inimigo - disse Eli. - Sê sóbrio, sê vigilante. O diabo, teu

adversário, anda em derredor, como leão que ruge procurando alguém para devorar.

Buck não conseguiu falar. Tentou fazer um movimento afirmativo com a cabeça para

indicar que ouviu e entendeu, mas ficou paralisado. Moisés inclinou-se entre ele e Eli e

complementou:

- Resiste e permanece firme na fé.

As testemunhas afastaram-se dele e postaram-se atrás de Tsion. O povo parecia tão

atónito que não gritou nem aplaudiu. Limitou-se a apontar, levantar-se e inclinar-se para

a frente a fim de ouvir melhor.

Moisés disse:

- Meus amados irmãos, "o Deus de toda a graça, que em Cristo vos chamou à sua eterna

glória, depois de terdes sofrido por um pouco, ele mesmo vos há de aperfeiçoar, firmar,

fortificar e fundamentar".

Buck achou que Tsion ia desmaiar, mas ele abriu caminho para os dois. No entanto, eles

não se aproximaram do microfone. A voz de Moisés foi tão forte ao citar o texto escolhido

por Tsion que todos puderam ouvi-lo, tanto no estádio como pela TV.

- "Então, vi, e ouvi uma águia que, voando pelo meio do céu, dizia em grande voz: Ai! Ai!

Ai dos que moram na terra, por causa das restantes vozes da trombeta dos três anjos que

ainda têm de tocar."

Buck ouviu, por todo o estádio, o som dos poderosos rifles da CG sendo engatilhados. Os

guardas apoiaram-se em um dos joelhos para ter condições de mirar as duas

testemunhas. Buck sentiu vontade de gritar: "Ainda não é chegada a hora, seus tolos!",

mas conteve-se para proteger Tsion, Chloe, seus amigos e ele próprio.

Mas não houve nenhum tiro. E, quando parecia que um ou dois guardas poderiam apertar

o gatilho, Eli e Moisés afastaram-se do palco, passando por Buck e pelos próprios

atiradores que apontavam as armas para eles. Os guardas abriram caminho. Alguns

caíram ao solo, e suas armas bateram com força no piso de concreto.

Buck ouviu Tsion dizer do púlpito:

- Se, porventura, não mais nos reunirmos neste mundo ou no reinado de mil anos que nosso

Salvador instalará aqui na terra, vou saudá-los pela Internet e transmitir-lhes ensinamentos

extraídos de Apocalipse 9! Sejam todos bem- sucedidos! Divulguem o Evangelho de Cristo ao

mundo inteiro!

A reunião terminou mais cedo. Tsion, com um ar tão assustado como Buck nunca vira, dirigiu-

se apressado até ele, dizendo:

93

- Reúna nosso pessoal na van o mais rápido possível!



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ONZE


Enquanto se dirigiam ao Oriente Médio na sexta-feira à noite, Rayford e Ken ouviram em

silêncio a curiosa transmissão de Israel, onde ainda faltavam alguns minutos para as 21

horas.

Estamos dentro do horário para aterrissar à meia-noite - disse Rayford. - Oh, desculpe-



me, Ken. Eu não tinha a intenção de acordá-lo.

- Eu não estava dormindo - disse Ken, esfregando os olhos. - Apenas pensando. Você

sabe, se tudo o que Ben- Judá diz for verdade, logo vamos ter de passar metade do

tempo tentando sobreviver. O que vamos fazer quando não pudermos mais comprar ou

vender por não termos a marca?

De acordo com Tsion, temos de começar a armazenar roupas e alimentos desde já.

Você sabe o que isso significa? Vamos ser um grupo invisível de crentes, separados do

mundo. Nem que esse grupo tenha mais de um bilhão de pessoas, vamos ser minoria,

considerados criminosos e fugitivos!

Eu sei!


Não vamos poder confiar em ninguém que tenha a outra marca.

Não se esqueça de que haverá muita gente sem nenhuma marca.

Ken balançou a cabeça.

Alimento, energia, saúde pública, transporte... tudo controlado pela CG. Vamos ter de

lutar para conseguir alguma coisa em um imenso mercado negro. Quanto dinheiro temos?

O Comando Tribulaço? Não muito. Buck e eu tínhamos bons salários, mas agora não

temos mais. Tsion e Chloe não têm nenhuma fonte de renda. Não sei se Mac e David

poderão nos socorrer, mas acredito que farão o que puderem. Ainda não conversei com

Floyd sobre alguma reserva que ele porventura tenha.

Eu tenho algumas economias escondidas.

Buck e eu também, mas não serão suficientes para pagar a manutenção e o combustível

do avião, muito menos para sobrevivermos.

Não será nada fácil, não é, Ray?

Não posso impedi-lo, mas, por favor, não diga isto novamente.

Ken tirou um bloco de anotações amarelo da sacola. Rayford observou que as páginas

tinham dobras nos cantos, e quase a metade estava escrita à mão.

Sei que nunca assinei nada nem fiz nenhuma promessa quando me juntei a vocês - disse

Ken -, mas tenho pensado um bocado. Nunca fui a favor do socialismo nem do

comunismo, mas parece que, de agora em diante, vamos ser uma comunidade.

No sentido do Novo Testamento, conforme Tsion diz.

- Certo. Eu nao sei o que você pensa, mas tenho um problema quanto a isso.

Rayford sorriu.

Aprendi a acreditar totalmente na Bíblia. É só o que posso lhe dizer.

Não sei o que você vai fazer a respeito dos futuros membros, mas talvez a gente tenha

de formalizar a coisa e doar tudo o que temos à causa.

Rayford mordeu o lábio. Até agora, esse assunto não havia sido problema.

Devemos pedir a cada um que distribua seus bens com os companheiros?

Sim, desde que eles se juntem ao grupo com sinceridade.

Eu estou disposto, e sei que Buck, Chloe e Tsion também estarão. O problema é que não

temos muita coisa. O que Buck e eu temos chega a pouco mais de meio milhão de

dólares. Parece muito dinheiro, mas não vai durar muito

e não será suficiente para financiar os ataques contra Carpathia.

Vocês poderiam transformar esses dólares em ouro rapidamente.

Você acha?

95

Tenho 90% dos meus bens em ouro - disse Ken. - Assim que passamos a ter três



moedas, eu percebi o que ia acontecer. Agora só temos uma, e, não importa o que

aconteça, posso trocar o ouro por qualquer mercadoria. Fiquei obcecado por essa ideia

quando completei 40 anos. Nem sei por quê. Bem, acho que sei. Tsion acredita que Deus

opera em nossa vida mesmo antes de o aceitarmos. Durante quase 20 anos, tenho vivido

sozinho e feito voos fretados. Passei a ser pão-duro. Nunca tive um carro novo, e minhas

roupas duram anos. Sempre usei relógios baratos, até hoje.

Não me importo de dizer a você, mas ganhei milhões de dólares e economizei quase 80%.

Rayford deu um assobio entre os dentes.

Eu já lhe disse qual é a anuidade para ser membro do Comando Tribulação?

Você está brincando, mas o que vou fazer com esses milhões em ouro? Temos menos de

cinco anos pela frente. A palavra férias parece uma bobagem neste momento, não é

mesmo? Estou falando sério, Ray. Quero comprar dois Gulfstreams e, depois, farei uma

oferta pelo Palwaukee.

O aeroporto?

Ele agora não passa de uma pista quase sem uso. O proprietário me disse que sou eu quem

mais utiliza aquela pista. Sei que ele gostaria de vendê-lo, e é melhor que eu o compre antes

que Carpathia tome conta de tudo. O local poderia abrigar vários aviões pequenos, talvez

dois helicópteros, tanques de combustível, torre, equipamentos diversos.

- Você tem pensado muito, não? Ken assentiu com a cabeça.

Mais do que você pode imaginar - ele disse, erguendo o bloco. - Isto aqui está cheio de

ideias. Cooperativas rurais, exploração marítima e até mesmo bancos comerciais.

Ken! Você está maluco! Exploração marítima?

Li que Carpathia está concedendo direitos de exploraço aos seus dez homens, os dez reis

conforme diz Tsion, para que eles possam abrir canais para alimentos e petróleo, e

comecei a imaginar coisas. Ele pode fechar a fazenda de qualquer pessoa, jogar uma

bomba nela, queimá-la, confiscar equipamentos. Mas como ele vai conseguir patrulhar

todos os oceanos? Podemos reunir crentes que tenham equipamentos e experiência em

pesca. Estou falando de profissionais. Eles vão ter uma clientela de milhões de santos da

tribulação. Podemos coordenar essa operaço, ajudar no processo de embarque e

despacho de mercadorias, cobrar uma porcentagem razoável para financiar a obra do

Comando Tribulaço. Rayford verificou os comandos e virou-se para Ken.

De onde você tirou esta ideia?

Você pensou que eu fosse um boboca, não?

Não pensei, não. Mac também gosta de se fazer de bobo, mas é esperto demais. Você tem

algum estudo nessa área ou..

Você não vai acreditar se eu disser que sim.

Neste momento, estou acreditando em tudo.

Escola de Economia de Londres.

Você está me levando na conversa.

Eu disse que você não ia acreditar.

Agora, falando sério, conte como foi.

Faz 35 anos, mas é verdade. Ingressei na aviaço, planejava fazer voos comerciais, mas

primeiro queria dar um giro pela Europa. Acabei gostando da Inglaterra. Eu não me lembro

dos detalhes agora, mas fui parar na Escola de Economia de Londres por causa das

minhas notas no curso ginasial.

Você se saiu bem no curso ginasial?

Fui o orador da turma, meu caro. Eu mesmo escrevi o discurso. Achei que ia ser professor

de inglês. Eu falo deste jeito porque é mais fácil, mas você é um eminente conhecedor dos

parâmetros da gramática.

Estou boquiaberto.

Às vezes, eu também fico boquiaberto comigo mesmo.

Não duvido.

96

A multidão que saía do estádio tinha um ar de felicidade no rosto, mas Buck não



conseguia localizar seu pessoal e não queria perder Tsion de vista. O rabino conversava

com Daniel e com a delegaço local, porém ele estava agitado e desatento, como se

desejasse ir embora dali. Buck esquadrinhou o estádio inteiro, principalmente a ala

reservada, mas não viu nenhum dos cinco que procurava. Talvez Rosenzweig estivesse

cercado de gente pedindo-lhe autógrafo ou de alguns crentes que resolveram convertê-lo.

Porém, não havia aglomeraçes, apenas pessoas felizes saindo do estádio em fila sob o

olhar severo dos guardas da CG.

Buck voltou a olhar para o local em que Tsion se encontrava. O grupo havia diminuído, e

ele não queria deixar o rabino sozinho. Por ser uma das pessoas mais conhecidas no

mundo, Tsion não poderia misturar-se à multidão e sair sem ser percebido.

Buck caminhou apressado para falar com Daniel, mas Tsion, com o semblante sério, o

interceptou.

- Cameron, por favor! Reúna o pessoal, e vamos embora! Quero conversar com Chaim

esta noite, mas nada vai atrapalhar nossos planos. Tudo está organizado, e não podemos

deixar Rayford e Ken expostos ao perigo.

- Eu sei, Tsion. Estou procurando o pessoal, mas... Tsion agarrou Buck pelo braço.

- Vá atrás do nosso pessoal para sairmos logo daqui. Tenho um terrível pressentimento,

que só pode ter vindo do Senhor. Precisamos voltar para a casa de Chaim. Os guardas da

CG a estão vigiando, portanto temos de chegar lá rapidamente e dar-lhes a falsa

impressão de que já nos acomodamos para dormir.

Apenas Daniel e quatro ou cinco membros da delegaço continuavam nos bastidores.

- Não quero deixar você sozinho, Tsion. Se não houver testemunhas, a CG poderá fazer o

que quiser com você e jogar a culpa em outra pessoa.

Vá, Cameron. Por favor. Vou ficar bem.

Daniel - disse Buck -, você poderia tomar conta de Tsion até eu voltar?

Tomar conta do rabino? - disse Daniel, sorrindo. – Claro que sim!

Buck, com ar de preocupação no rosto, puxou Daniel para perto de si e cochichou-lhe ao

ouvido.


Ele pode estar correndo grande perigo. Prometa-me.

Vou ficar de olho nele, Sr. Williams.

Buck subiu a rampa apressado, atravessou o palco e pulou no chão. Dali, ele tinha uma

visão menor que do palco, portanto começou a subir de novo. Um guarda da CG o

interceptou.

O senhor não pode subir aí. Buck mostrou-lhe sua credencial.

Faço parte da delegaço - ele disse.

Eu sei quem o senhor é. Aconselho-o a não subir.

Mas eu preciso passar pelo palco para chegar ao nosso carro e estou tentando encontrar

meu pessoal.

O senhor pode chegar ao carro pelo mesmo caminho que todos estão fazendo.

Mas eu não posso sair sem meu pessoal e preciso antes falar com alguém nos bastidores.

Buck começou a subir novamente, porém o guarda lhe disse em voz áspera.

-Senhor, não me obrigue usar a força. O senhor não pode sair por este caminho.

Buck evitava encarar o guarda para não deixá-lo mais agitado.

Você não está entendendo. Sou Cam...

Eu sei quem o senhor é - disse o guarda, com voz autoritária. - Todos nós sabemos

quem o senhor é, quem faz parte de seu grupo e com quem o senhor vai se encontrar.

Buck olhou firme para o guarda.

- Então, por que não me deixa passar? - O guarda levantou o quepe, e Buck viu o selo em

formato de cruz em sua testa.

- Você é, você é um...

Apareceu esta noite - cochichou o guarda. – Enquanto eu estava aqui. O povo começou a

97

notar, e eu também vi o selo na testa deles. Tive de puxar a aba de meu quepe para



baixo para não chamar a atenço. Se eles descobrirem, serei um homem morto. Deixe-me

ir com o senhor.

Mas você está em posiço estratégica! Pode nos ajudar em muitas coisas. Os crentes não

vão denunciá-lo. Vão saber quem você é. Tsion está correndo perigo?

O guarda apontou a arma para Buck.

- Vá andando! - ele gritou, abaixando a voz em seguida.

-Seu pessoal já está dentro da van. Os atiradores de elite estão aguardando para alvejar

o Dr. Ben-Judá nos bastidores. Duvido que o senhor consiga tirá-lo de lá.

Eu preciso! - murmurou Buck. - Vou até lá!

Eles vão atirar no senhor!

Então atire em mim aqui! Chame a atenção! Grite pedindo ajuda! Faça alguma coisa!

O senhor não pode ligar para ele?

Ele não trouxe telefone, e não sei o número do mestre-de-cerimônias. Faça o que achar

melhor, mas vou subir.

Minha funço é manter qualquer pessoa afastada dos bastidores.

Buck passou por ele e subiu os degraus, de dois em dois. O guarda começou a gritar.

-Espere! Pare! Preciso de ajuda!

Quando chegou ao palco, Buck olhou de relance para trás e viu o guarda falando pelo

walkie-talkie e, em seguida, apontando-lhe a arma. Buck correu na direço dos bastidores

até encontrar Tsion, que continuava ao lado de Daniel, com

ar de extremo cansaço. Ao ver Buck, Daniel afastou-se dali, dando a entender que sua

missão terminara. Quando Buck ameaçou gritar para que ele voltasse, o tiroteio começou.

Tsion, Daniel e algumas pessoas que passavam por ali se deitaram no chão. Ao ouvirem o

som de tiros, os guardas da CG correram na direço do palco. Buck ajudou Tsion a

levantar-se.

- Daniel - ele gritou -, ajude-me a levá-lo até o carro! Os três passaram pelo meio de

pessoas em pânico, rumo ao Mercedes. Do lado de fora do estádio, o povo gritava e

afastava-se do local o mais que podia. As portas do carro estavam abertas. Buck

acomodou-se rapidamente no fundo do carro, enquanto Daniel empurrava Tsion para

dentro e fechava a porta.

Todos se abaixaram no carro até Stefan conseguir chegar à rua. De dentro do estádio,

ecoavam mais tiros, e Buck orava o tempo todo para que a CG não se sentisse tão

frustrada a ponto de matar pessoas inocentes.

Tsion começou a chorar ao ver o povo fugindo do local.

- Era isto que eu temia - ele disse. - Trazer estas pessoas para dentro do campo do

inimigo, conduzi-las à morte.

Chaim mantinha um comportamento estranhamente silencioso. Não dizia nada nem se

mexia no lugar, limitando-se a olhar firme para a frente. Ele só desviou o olhar quando

Stefan, ao parar no semáforo, tirou as mãos do volante, levantou os braços com os

punhos cerrados e agitou-os diante do rosto em sinal de comemoração. Chaim olhou de

relance para ele e virou-se para o outro lado.

O sinal de trânsito mudou para verde, mas um guarda da CG continuava a segurar o

tráfego, permitindo que uma fila de carros da rua transversal prosseguisse. Stefan

aproveitou o momento para olhar-se no espelho retrovisor. Afastou os

cabelos e examinou sua testa. Chaim olhou para ele, com ar de enfado, e disse:

- Você não vai conseguir ver nada, Stefan. Só os outros vêem o seu selo.

Stefan virou-se para trás.

E então? - ele perguntou.

Está aí - disse Chloe, e Tsion concordou.

Stefan tentou trocar um aperto de mão com todos os que estavam atrás dele. Chaim

levantou as duas mãos, com ar de resignação, encolheu os ombros e sacudiu a cabeça.

- Só vou ter certeza quando esse selo aparecer em minha testa.

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Buck avistou os guardas da CG correndo na direção do cruzamento.



- Vamos embora, Stefan! - ele gritou.

Stefan virou-se para trás e viu que o guarda de trânsito continuava acenando-lhe para

não prosseguir.

Mas...


Confie em mim, Stefan! Vá em frente!

Stefan pisou fundo no acelerador, e o Mercedes avançou. O guarda parou na frente do

carro, com as duas mãos levantadas, mas saltou de lado quando Stefan quase o

atropelou.

-Leve-nos para a casa de Chaim o mais rápido que puder - disse Buck. Stefan aceitou o

desafio.

- Então, Ken - disse Rayford -, como especialista em economia, você ainda confia nos

bancos?


Eu não confiava nos bancos antes de Carpathia ser oque é hoje.

Onde você escondia suas barras de ouro?

-Eu não tinha muitas. Moedas, na maioria. Quem tem troco para uma barra de ouro?

Rayford deu um longo suspiro.

Quem tem troco até mesmo para um pedacinho de ouro? Seria necessário comprar uma

loja inteira para não ter de receber um monte de troco.

Espero que não chegue o dia de precisarmos usar ouro como moeda corrente. Se, por

acaso, eu comprar Palwaukee, estarei adquirindo uma propriedade muito valiosa.

Você não está dizendo que...

Eu sei o que você está pensando. Um sujeito especialista em finanças que vai perder

milhões de dólares por aplicar seu dinheiro num negócio furado.

Exatamente. Até eu conheço um pouco essas coisas.

Faz pouco tempo que guardei todas as minhas economias debaixo da terra. Bem debaixo

do meu barraco. Durante anos, eu só guardei os lucros. Depois do Arrebatamento, que na

época eu achava que se tratava de desaparecimentos,entendi o que ia acontecer com a

economia. - Ken riu.

O quê?

Pensei ter perdido tudo no terremoto. Quase morri por ter ido atrás dele, quero dizer, do



meu tesouro escondido. O chão se partiu, e minhas barras de ouro e caixas de moedas

escorregaram por uma fissura e afundaram mais de seis metros do local onde estavam

guardadas. Poderiam ter afundado mais uns 100 metros ou chegar até o centro da terra.

Eu não sabia o quanto ia ser difícil buscar meu ouro, honestamente não sabia. Cavar

aqueles entulhos era a coisa mais estúpida que um homem podia fazer depois de um

terremoto, e com todos aqueles tremores de terra que aconteceram em seguida. Mas

meu desespero era tanto que imaginei que morreria se não encontrasse meu ouro. Resolvi

começar a cavar. Quando encontrei o que procurava, eu

parecia um garoto que achou suas bolinhas de gude. Foi aí que vi que estava errado.

Comecei a aprender com seu genro.

Como?

Achei que ele tinha virado um fanático, e, apesar de não aceitar, eu não podia deixar de



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