Série de ficço mais lida no mundo, Deixados Para Trás vendeu mais de 70 milhões de livros e foi traduzida



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- Você ouviu falar da esposa dele?

- Só sei que ela vai conosco hoje à noite. O que ela pensa da nova fé do marido?

- Então você não sabe? -N ão.

- De acordo com Chaim, Jacov afirma que sua mulher também se converteu. Chaim achou

graça e pediu que eu usasse o poder que Jesus me deu para ver se ela também tem o

selo na testa.

Buck balançou a cabeça.

- Estamos fazendo a colheita de almas. Continuo orando por Rosenzweig.

Hannelore, a esposa de Jacov, comprovou ser uma judia nascida na Alemanha. Tinha

cabelos cor de areia, olhos azul-claros, sorriso tímido. Ela foi ao encontro de Jacov,

Stefan, Buck, Chloe, Tsion e Chaim na saída da garagem, e os guardas abriram as portas

do Mercedes para eles. Chloe deu-lhe um abraço apertado. Apesar de tê-la conhecido

naquele momento, ela afastou os cabelos da testa de Hannelore.

Buck também a abraçou, cochichando ao seu ouvido.

Bem-vinda à família.

Minha esposa, ela não entende muito bem inglês – disse Jacov.

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Bem, e daí? - perguntou Chaim, com um brilho nos olhos. - Ela tem a... - neste ponto,



ele abaixou o tom de voz e resmungou - ...tal marca secreta?

A bem da verdade, tem sim, Dr. Rosenzweig - disse

Chloe, visivelmente contrariada diante da ironia de Chaim.

- Oh, que bom! - ele exultou, dirigindo-se ao banco da frente. - Agora vocês são uma

grande família, não? E quanto a você, Stefan? Você já foi promovido à categoria dos santos

da tribulação?

Talvez esta noite! - disse Stefan. - Quase na última noite!

Caramba! - disse Chaim. - Daqui em diante, vou ser a minoria, não?

Somente Jacov e Chaim sentaram-se no banco da frente. Hannelore sentou-se atrás de

Jacov, Chloe no meio e Tsion atrás de Chaim. Buck e Stefan se espremeram no

compartimento traseiro. Jacov já começara a acelerar o carro quando Jonas parou na frente

deles e fez um sinal para que Chaim abaixasse o vidro. Ele falou apressado com Chaim em

hebraico.

Buck, que estava com o rosto perto da cabeça de Tsion, cochichou:

- O que está havendo?

Tsion virou-se e disse em voz baixa.

- Eles receberam um telefonema de Leon. Ele está enviando um helicóptero para cá. O

trânsito está muito congestionado; o estádio já está lotado. Tiveram de abrir os portões

com duas horas de antecedência. - Tsion parou para continuar a ouvir. - O segurança

disse a Fortunato que havia sete pessoas para serem transportadas, um número muito

grande para um helicóptero. Aparentemente, Fortunato pediu que ele dissesse a Chaim

que, se recusarmos a ajuda da CG, teremos de seguir por conta própria. Chaim está

dizendo que o segurança fez bem em avisá-lo. Espere um pouco. Ele está murmurando

uma outra coisa. Oh, não.

- O quê?

- Fortunato avisou que Jacov não pode fazer parte da comitiva. Chaim está zangado,

exigindo que o segurança chame Leon de volta ao telefone.

Jonas fez um sinal para que Jacov encostasse o carro perto da guarita. O telefone foi

passado a Chaim, que imediatamente começou a argumentar com veemência em

hebraico.

- Então vou falar em inglês, Leon. Pensei que você conhecesse todos os idiomas do

mundo como seu patrão parece conhecer. Eu chamo Nicolae de potentado porque sempre

o admirei, mas não vou chamar você de senhor

e muito menos de supremo-sei-lá-o-quê. É melhor você me ouvir. Sou amigo pessoal do

potentado. Ele prometeu proteger meus convidados. Ficarei sentado ao lado de Jacov no

estádio esta noite, sim, no meio do povo! Não vou me esconder nos bastidores... Para

você, ele pode ser um simples motorista ou criado. Para mim, ele faz parte de minha

família, e não poderá sofrer ameaças. Fugir de seus guardas e atirar para o alto pode ter

sido uma imprudência, mas ele não teria feito isso se não tivesse percebido que nossos

hóspedes estavam sendo ameaçados pelas próprias pessoas que lhes prometeram

segurança!

Tsion estendeu o braço e pousou a mão no ombro de Rosenzweig como se quisesse

acalmá-lo. Buck podia ver a tensão no pescoço daquele homem idoso e as veias saltadas

em suas têmporas.

- Não preciso fazer você se lembrar de que, pouco tempo atrás, o rabino Tsion Ben-Judá

perdeu sua família simplesmente por ter manifestado na televisão a sua crença! Ele foi

banido de seu país natal como se fosse um criminoso comum!... Sim, eu sei o quanto os

judeus se sentiram ofendidos! Eu sou judeu, Leon! E há mais coisas que posso lhe dizer...

Tsion me disse que sua religião está fundamentada em fé e também em erudiço, mas

este não é o ponto!... Não! Não sou um deles, conforme você está

dizendo. Mas, se eu descobrir que Nicolae desrespeita estes devotos de Deus da mesma

forma que você, talvez eu passe para o lado deles!

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- Neste momento, estamos nos dirigindo para o estádio em um veículo de minha



propriedade. Vamos dar um jeito de desviar do trânsito porque conhecemos os atalhos, e

acredito que os seguidores de Tsion abrirão caminho para nós... Já que assumi um

compromisso com você, está bem, vou usar um outro motorista... - Chaim fez um rápido

sinal para

que Jacov e Stefan trocassem de lugares - ...mas saiba que estamos de saída e

contamos com a proteço prometida pelo potentado.

- ... Se eu vou me desculpar? Você faz muita questão de títulos, Leon. Não, não vou me

desculpar por ter ofendido você. Você me ofendeu, e daí? Tenho tentado manter a calma,

e minha vida tem sido a mais normal possível apesar das honras e riqueza que consegui

com minha fórmula... Não faço questão de um novo título ou de um pedestal mais alto, e

francamente isso também não combina muito bem com você.. Estamos saindo, Leon, e

meu novo motorista parece ter-se esquecido de que meu telefone tem fio! Adeus!

Chaim riu.

- Stefan, seu traidor! Você quase arrancou o telefone do fio!

- Eu, um traidor? - disse Stefan, sorrindo. - O senhor me colocou no lugar mais perigoso!

Chaim virou-se no banco.

- Tsion, meu filho, você sabe o que Leon disse enquanto estávamos saindo?

- Nem imagino.

- Que ele vai encontrar um título mais apropriado para um homem de minha posiço! Você

já conheceu uma pessoa tão desinformada e com tantos argumentos?

- Nunca - disse Tsion.

Buck não conseguia compreender como uma viagem tão perigosa poderia tornar-se tão

divertida.

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DEZ



RAYFORD pilotou a maior parte do trecho sobre o Atlântico, programando sua chegada de

modo a permanecer o mínimo de tempo no solo. Mac o informara de que Carpathia e seus

asseclas continuavam hospedados no Hotel Rei Davi e que o Condor 216 estava no hangar

do aeroporto Ben Gurion em Tel-Aviv. Rayford calculou que a segurança deveria estar mais

severa no Ben Gurion, mas Carpathia estava sendo transportado em um helicóptero da CG

diretamente do aeroporto de Jerusalém.

- Você continua com a idéia de se encarregar do helicóptero enquanto eu aguardo na

pista com as turbinas deste jato aquecidas? - perguntou Ken.

- Desde que ninguém saiba que desertei. Se a notícia sobre minha fuga já se espalhou e

se me pegarem pilotando um helicóptero da CG sem autorização, adeus missão.

- Ponha seus pensamentos em ordem, Rayford. Estou querendo dizer que sou um bom

soldado, e faço o que me mandam. Mas preciso que me digam o que devo fazer.

- Eu preciso de sua ajuda, Ken. Ainda tenho minhas credenciais de alta patente, mas...

- Se eles descobrirem e você for pego, como vou poder levar o nosso pessoal até o

Gulfstream2.

Rayford meneou a cabeça.

- Preciso ligar mais uma vez para Mac.

- Você continua no comando, e eu ligo. Vou ter de pilotar durante muitas horas.

Ken passou o telefone a Rayford.

- Ei, companheiro, estou feliz por você ter ligado – disse Mac. - Passei por um

interrogatório sobre você durante uma hora. Eles não suspeitam nada de mim, mas

acham que você está em Jerusalém.

- Espero que não estejam me caçando nos Estados Unidos.

- Eu gostaria que estivessem, Ray. Eles estão dando busca por toda Jerusalém, e vão

encontrá-lo.

- Eles não pensariam que sou tão idiota a ponto de estar num aeroporto.

- Talvez não, mas não saia do Gulfstream.

- Você acabou de responder a uma pergunta muito importante para nós, Mac. Obrigado.

- O quê? Você estava pretendendo buscar o pessoal de helicóptero? Não seria uma atitude

inteligente. Mesmo que seu instrutor tenha sido excelente, eu nunca achei que você fosse

talhado para pilotar helicópteros.

- Vai ser melhor assim. Ken já esteve na casa de Rosenzweig. Se não chamarmos muito a

atenção, poderemos nos sair bem. Onde Carpathia vai estar?

- Não há nenhum plano de vôo, e ele já deixou bem claro que não vai atrapalhar de novo

a festa no estádio. Ele vai ficar perto do Rei Davi esta noite, e eu já fiz o roteiro de um

vôo no meio da manhã para a Nova Babilónia saindo de Tel-Aviv. Ele estará bem longe

daqui quando alguma coisa violenta acontecer.

Como você vai levá-lo a Tel-Aviv?

De helicóptero, saindo do aeroporto de Jerusalém.

Se os dois helicópteros forem idênticos, como vamos saber qual é o nosso?

- Eles vão ficar lado a lado, de frente para o sul. Pegue o do lado oeste. Ninguém está

tomando conta deles como do Condor no Ben Gurion.

- Você viu o helicóptero que David providenciou para nós?

- Não, mas ele está lá. O pessoal do aeroporto ligou perguntando o que deveria fazer com

ele. Você vai ficar orgulhoso de mim, Ray. Adotei uma postura de chefe e disse ao sujeito:

"O que você acha que deve ser feito

com um helicóptero de reserva? Afaste os curiosos dele! Se eu encontrar alguém que não

pertença à minha tripulação encostando um dedo nele, cabeças vão rolar!" Ele ficou

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impressionado.



- Você é o máximo, Mac. Veja, então, qual vai ser o nosso plano. Vou pousar o Gulfstream

e fingir que estou fazendo uma viagem de negócios e parei para abastecer e verificar o

sistema. Ken vai pegar o helicóptero e decolar enquanto eu estiver abastecendo. Será que

alguém vai vê-lo?

- Não, desde que ele siga na direço sul, com os faróis apagados, até estar bem afastado

do terminal. Seria muita desventura alguém vê-lo. A parte mais complicada vai ser

levantar vôo novamente, digamos, 20 minutos depois. Você não deve ficar em evidência

enquanto estiver aguardando que ele pouse com seus passageiros, para não despertar

suspeitas. É claro que você vai acompanhar tudo pelo telefone sigiloso para que a torre

não escute a conversa. Taxie o Gulf até o final da pista onde é mais escuro. Ken poderá

pousar ali, com os faróis apagados. Se a torre perceber a manobra, vocês estarão a meio

quilómetro de distância, e

não haverá tempo de alguém alcançá-los, portanto sigam em frente. Se tudo correr bem,

ninguém verá o helicóptero partir ou chegar. O sujeito que o trouxe até aqui está em

Haifa. Eu disse a ele que o avisaria se precisasse de alguma coisa. Ficou combinado que

ele vai levar o helicóptero de volta para a Nova Babilónia depois que partirmos.

Ore por nós, Mac. Acho que estamos preparados, mas nunca se sabe o que poderá

acontecer.

Vou orar, Ray. O tempo todo. Deixe-me falar rapidamente com Ken.

Rayford passou o telefone a Ken.

- Muito obrigado - disse Ken. - Eu também quero muito conhecer você, mas, pelo que

estou entendendo, isso só vai acontecer quando você passar a ser um fugitivo como o

meu amigo Rayford. Por enquanto, tome cuidado. Manteremos contato.

A cada dia que passava, Buck ficava mais surpreso diante da desenvoltura de sua esposa.

Apesar de jovem, Chloe conhecia o momento certo de lidar com as pessoas. Sabia

quando agir, quando falar e quando não tomar nenhuma atitude. Ela aguardou até

estarem perto do estádio, parados no trânsito, para abordar o assunto da chave.

- O senhor sabe de uma coisa, Dr. Rosenzweig? – ela começou a dizer. - Eu fui pegar

nossa mala no armário no fim do corredor e vi que a chave que o senhor me mostrou

outro dia sumiu.

- Como a chave pode ter sumido se eu sei onde ela está?Chloe riu.

- Então, está bem. Eu só quis avisá-lo, caso o senhor não soubesse.

- Você estava com medo de que eu a acusasse de ter pego a chave? - ele perguntou, com

ar de brincadeira.

Chloe balançou a cabeça negativamente.

Eu notei a falta da chave - ela disse. - Só isso.

Foi por medida de segurança - disse Chaim. Ela encolheu os ombros, e Buck aprovou o

gesto da esposa por fingir que o problema não lhe dizia respeito. - Achei que foi uma

tolice deixá-la pendurada lá durante todos estes anos. Eu estava correndo um risco, não?

-Acho que seria muito mais arriscado se o senhor a tivesse deixado pendurada do lado de

fora. - Este comentário provocou um acesso de riso tão grande em Chaim que o carro

quase chegou a balançar. - Nos Estados Unidos - ela prosseguiu -, não temos muitas

portas que podem ser trancadas por dentro e por fora.

- Verdade? Elas são comuns aqui, principalmente as que não são muito usadas. Imagino

que no tempo em que minha casa foi sede de uma embaixada, aquela porta era usada

frequentemente, e trancada e destrancada a chave só pelo lado de fora.

Chloe fingiu estar mais interessada na multidão que fervilhava do lado de fora do carro.

- Jacov - disse Chaim -, você ainda tem a chave, não?

- Tenho! - ele gritou do fundo do carro, perto de Buck.

- Neste momento, ela está dentro do bolso de minha calça, cutucando minha perna!

Chaim virou-se para trás e disse a Chloe em tom de segredo.

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- É a única chave que tenho para aquela fechadura. Acho que nunca precisarei sair por lá,



mas seria melhor ter uma cópia. Jacov cuidará disso na segunda-feira.

Ela assentiu, virou-se para trás e cruzou o olhar com o de Buck.

O que devo fazer?, pensou Buck. Tentar surrupiá-la? Ele não queria que Jacov tomasse

conhecimento da fuga antes de estarem bem longe. Rosenzweig também não poderia

saber de nada, apesar de sua discussão acalorada com Leon Fortunato.

Quando Stefan entrou em um estacionamento particular perto da entrada do lado oeste,

Buck sentiu-se satisfeito por aquela reunião ser a última do evento. O Encontro das

Testemunhas havia sido melhor do que ele imaginara, mas como acomodar toda aquela

multidão? A cada noite, o número de assistentes aumentava. As pessoas se acotovelavam,

o estádio estava lotado e havia mais gente afluindo para lá. A imprensa, reconhecidamente

controlada pela Comunidade Global, espalhava-se por toda parte, uma clara evidência de

que Nicolae estava monitorando todos os detalhes.

O grupo chegou à área perto do palco, onde a delegaço local aguardava. Buck ficou

impressionado com o efeito causado pelo tom peremptório da voz de Tsion. Ele devia

estar se sentindo como um pastor, cujo rebanho era composto de dezenas de milhares de

ovelhas dentro e fora do estádio. Nos dois dias anteriores, ele havia deixado a

programaço a cargo do mestre-de-cerimônias e da delegaço local, e só apareceu no

palco para pregar quando chegou sua vez. Agora, ele parecia tomar conta da situaço,

pelo menos de determinados detalhes.

- Buck - ele disse, chamando-o com um movimento de cabeça. Quando Buck se

aproximou, Tsion o agarrou pelo braço e puxou-o na direço do mestre-de-cerimônias. -

Você já conhece Daniel, é claro. - Buck assentiu, cumprimentando-o com um aperto de

mão. - Daniel, preste atenço - prosseguiu Tsion -, quero que você reserve cinco lugares

para meus convidados na ala especial. Eles são: o Dr.

Rosenzweig e dois funcionários, a esposa de um deles e a esposa de Buck. Entendido?

Claro.


Eu gostaria que Buck ficasse na parte do fundo do palco, como sempre. - Tsion virou-se

para Buck. - Chloe não terá problemas por ficar longe de você?

De jeito nenhum. A pergunta é se conseguirei ficar longe dela.

Aparentemente, Tsion estava concentrado demais para achar graça do comentário de

Buck.

- Daniel - disse Tsion -, eu também gostaria que a presença do Dr. Rosenzweig fosse



mencionada com a dignidade que ele merece. Ele não me pediu nada, mas trata-se de

uma cortesia diante da posição que ele ocupa neste país.

Cuidarei disso.

Após a saudaço, anuncie a reunião de sábado para a delegação local no Monte do

Templo, mencione a presença do Dr. Rosenzweig, ore, conduza um hino e deixe o resto

por minha conta. Nada de apresentações hoje. Eles já sabem quem eu sou.

Mas, senhor...

Por favor, Daniel. Estamos na linha de fogo, e a situação está ficando cada vez mais

perigosa. Somos inimigos do sistema mundial e teremos muitas oportunidades de expor

essa gente ao ridículo. Fazer alarde sobre mim não adiantará nada e simplesmente...

Desculpe-me interrompê-lo, doutor. Sr. Williams, estou certo de que o senhor concorda

comigo em que estas pessoas estarão ansiosas por aplaudir o Dr. Ben-Judá, porque esta

talvez seja a última oportunidade que terão de vê-lo. Por favor...

Se o público reagir espontaneamente - disse Tsion -, aceitarei de bom grado. Mas nao

quero uma apresentação pomposa. Você poderá fazer isso sem usar o meu nome. Faça de

conta que é um desafio pessoal. Daniel parecia estar pesaroso.

O senhor tem certeza?

Tenho certeza de que você se sairá muito bem.

Rayford, sem ter nada pela frente a não ser o oceano, recebeu um telefonema de Floyd

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Charles.



O que houve, doutor?

Detesto ter de aborrecer você - disse Floyd -, mas este assunto parece ser importante.

Hattie passou um bocado de tempo falando ao telefone com um rapaz chamado Ernie,

amigo de Ken.

Eu o conheci.

Acho que ela falou com ele quando ligou para você.

Sim, e daí?

Ela quer ver o tal rapaz.

Será que Hattie não sabe que ele é dez anos mais novo do que ela?

- Não é a mesma diferença de idade entre Buck e sua filha?

Rayford fez uma pausa.

- O que há com você? Está preocupado com um relacionamento entre eles? Já conversou

com o rapaz?

- Já. Ele é crente. Parece ser um bom sujeito.

- Ele é um ótimo mecânico, mas não parece ser um homem para Hattie. Não se preocupe.

Ela é sua paciente, Floyd, mas é também uma mulher adulta. Não temos autoridade sobre

ela.

- Não é isso o que me preocupa, Rayford. Ela quer que ele venha até aqui.



-Epa!

- Minha reaço foi a mesma. Não queremos que ele conheça este lugar, não é mesmo?

- Não. Ele é um irmão, mas não sabemos se é maduro o suficiente para ficar de boca

fechada, esse tipo de coisa.

- Foi o que pensei. Só queria trocar ideias com você.

- Não deixe que ela dê nem uma dica sequer do local onde estamos.

- Certo! Eu devia recompensá-la por bom comportamento e levá-la para passear um ou

dois dias em Palwaukee. Assim, ela poderia conhecer o rapaz.

- Estaremos de volta antes disso, doutor. Faremos um piquenique. Vamos reunir o

Comando Tribulaço inteiro, com exceço de David e Mac, é claro.

Depois que o grupo orou nos bastidores, Tsion continuou de cabeça baixa e olhos fechados.

Buck não sabia dizer se Tsion estava mais nervoso que o usual, e manteve os olhos fixos

no rabino até Daniel passar por eles e seguir em direço ao palco. Tsion olhou para Buck

e acenou para que ele se aproximasse.

- Fique perto de mim, Cameron - ele disse.

Buck sentiu-se honrado. Postou-se ao lado de Tsion na lateral do palco enquanto Daniel

saudava a multidão e anunciava a reunião de sábado.

- A maior parte dos senhores já terá ido embora, mas os que moram nesta cidade ou vão

ficar mais uns dias poderão comparecer. Lembrem-se, contudo, de que se trata apenas de

uma reunião de agradecimento à delegaço local.

Em seguida, ele pediu ao Dr. Rosenzweig que se levantasse para receber o aplauso da

plateia.

Como você vai conseguir a chave? - Tsion perguntou.

Ainda não sei, mas vou sondar Jacov para saber onde ela está e pedir-lhe que não faça

perguntas. Creio que ele vai acreditar em mim até que eu possa explicar.

Tsion assentiu com a cabeça.

- Estou sentindo uma vibração diferente esta noite, Cameron - ele cochichou de repente.

Buck não sabia o que dizer. Quando Tsion curvou novamente a cabeça, Buck passou o

braço ao redor do ombro dele e ficou surpreso ao perceber que o rabino tremia.

Daniel orou e, em seguida, conduziu o cântico do hino "Santo, Santo, Santo".

- Excelente escolha - murmurou Tsion, limitando-se a ouvir o hino.

Buck tentou cantar e fez um gesto afirmativo quando Tsion lhe disse:

- Ore por mim.

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Quando o hino terminou, Tsion olhou para Buck, que levantou a mão fechada, o rosto



estampando entusiasmo.

- E agora - dizia Daniel - convido todos os presentes a ouvirem uma mensagem da

Palavra de Deus.

Buck emocionou-se ao ver o povo levantar-se e aplaudir. Não houve gritos nem assobios.

Apenas aplausos demorados e vibrantes que pareceram enternecer Tsion. Ele acenou

timidamente para a multidão e, quando terminou de arrumar suas anotações em cima do

púlpito, deu um passo para trás e aguardou o término dos aplausos.

- Deus colocou uma mensagem em meu coraço para esta noite - ele disse. - Antes de abrir

a Bíblia, eu gostaria de convidar a vir à frente todos aqueles que queiram aceitar a Cristo. -

Imediatamente, de todas as partes do estádio e até mesmo de fora, filas de pessoas

começaram a caminhar na direçao do palco. Muitas choravam, provocando aplausos dos

santos da tribulaço. - Os senhores conhecem a verdade prosseguiu Tsion. - Deus já lhes

chamou a atenção. Os senhores não necessitam de mais argumentos nem de apelos. Basta

reconhecer que Jesus morreu, e que Ele morreu por nós.

O povo continuava a caminhar em direção ao palco. Tsion pediu aos crentes que orassem

com aqueles que necessitassem de oração. Parecia que todos os que ouviram o convite

de Tsion - com exceço do pessoal da Comunidade Global - se apresentaram em busca da

salvação.

- A Rede Comunidade Global está transmitindo este evento para o mundo inteiro pela TV e

pela Internet - disse Tsion.

- Estou certo de que todas as pessoas entenderão nossa mensagem, e a CG não deve

temer por ter permitido que a proclamássemos. A CG dirá que a nossa mensagem não fala

do ecumenismo e da tolerância que eles promovem, e digo que estão certos. Existe o

certo e o errado, existem verdades absolutas, e algumas coisas não podem, não devem e

não deverão ser toleradas jamais.

- A Rede Comunidade Global não vai nos tirar do ar, a menos que tenha medo de nossa



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