Série de ficço mais lida no mundo, Deixados Para Trás vendeu mais de 70 milhões de livros e foi traduzida



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Encontro03.11.2017
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enquanto ele se acotovelava no meio delas. Finalmente, chegou a uma distância de onde

conseguia ouvir Jacov, mas ele estava falando em hebraico, e Buck não entendia nada.

Bem, quase nada. Jacov gritava e gesticulava, tentando atrair a atenço de todos.

Os freqüentadores do bar riam dele e o ridicularizavam, assobiando e atirando tocos de

cigarro em sua direção. Duas mulheres entornaram bebidas nas roupas dele.

Jacov tinha o rosto vermelho e parecia eufórico, mas não estava bebendo, pelo menos

naquele momento. Buck identificou a palavra Yeshua, que significa Jesus em hebraico. E

Hamashiach, que significa Messias.

O que ele está dizendo? - Buck perguntou a um dos homens por perto. O homem bêbado

olhou para ele como se tivesse visto um ser de outro planeta. - Você fala inglês? - insistiu

Buck.

Que os ingleses morram! - gritou o homem. - E os norte- americanos também!



Buck virou-se para os outros.

Inglês? - ele perguntou. - Alguém fala inglês?

Eu falo - disse a garçonete, que carregava uma bandeja contendo vários copos vazios. -

Aprendi rápido.

-O que ele está dizendo? Ela olhou para Jacov.

- Ele? A mesma coisa que vem dizendo a noite inteira. "Jesus é o Messias. Eu sei. Ele me

salvou." Um monte de asneiras. O que mais posso dizer? O patrão já deveria ter colocado

este homem para fora, mas ele está divertindo os fregueses.

Jacov fazia mais do que divertir os fregueses. Seu objetivo era puro, mas não estava

surtindo efeito. Buck aproximou-se e agarrou-lhe o calcanhar. Jacov olhou para baixo.

Buck! Meu amigo e irmão! Este homem vai contar tudo a vocês! Ele estava lá! Viu a água

transformar-se em sangue e vice-versa! Buck, suba aqui!

Vamos embora, Jacov - disse Buck, balançando a cabeça negativamente. - Não vou subir

aí! Ninguém está prestando atenço! Vamos! Rosenzweig está esperando!

Ele está aqui? - indagou Jacov, com ar de espanto. - Aqui? Peça a ele que entre!

Ele esteve aqui dentro. Agora, vamos.

Jacov desceu da mesa e acompanhou Buck para fora do estabelecimento, aceitando tapas

nas costas e aplausos dos fregueses. Os dois já estavam perto da porta quando Jacov

avistou Stefan caminhando na direção oposta.

Espere! - ele gritou para Buck. - Meu amigo está ali! Preciso dizer a ele que estou indo

embora.

Logo ele vai saber - disse Buck, conduzindo Jacov para a porta.

Quando eles chegaram ao carro, Rosenzweig olhou firme para Jacov.

Eu não bebi nada, doutor - ele justificou. - Nem uma gota!

Oh! Jacov - disse Rosenzweig enquanto Buck afastava-se do meio-fio. - Você está

cheirando a bebida. Eu vi você em cima da mesa.

O senhor pode cheirar meu bafo! - ele disse, inclinando-se para a frente.

Eu não quero cheirar seu hálito!

Pode cheirar! Vamos! Vou provar que não bebi! – Jacov exalou ar perto de Rosenzweig, o

qual fez uma careta e virou o rosto para o outro lado.

Rosenzweig olhou para Buck.

Ele comeu alho hoje, mas não está cheirando a álcool.

Claro que não! - protestou Jacov. - Eu estava pregando! Deus me deu esta coragem! Sou

uma das 144.000 testemunhas, conforme o rabino Ben-Judá diz! Vou ser um evangelista a

serviço de Deus!

Chaim afundou-se no banco do carro e levantou as duas mãos.

- Eu gostaria que você estivesse bêbado.

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Depois de ouvir o que se passara por trás dos bastidores em Israel, Ken concordou que



Carpathia seria capaz de engendrar "alguma tragédia fora de seu controle, algo que ele

pudesse jogar a culpa em outra pessoa, mas, seja lá como for, as pessoas de quem

gostamos vão morrer".

- Eu não quero agir com imprudência, Ken - disse Rayford.- Mas também não vou ficar

escondido aqui esperando que eles saiam de lá.

- Já trabalhei várias vezes como piloto para seu genro desde os desaparecimentos, e você

vai ter de ser um pouco mais imprudente do que aquele rapaz. Vamos ter de contatar

aquele seu co-piloto. Posso ensinar você a pilotar o Gulfstream, mas ninguém é capaz de

descer com ele se não houver uma pista lá embaixo.

- Isto significa o quê?

- Que você vai ter de inventar uma forma de tirá-los rapidamente de lá, certo? Talvez da

propriedade desse Rosen-não-sei-o-quê.

- É verdade. Vou sugerir a Tsíon que divulgue algum plano para sábado, algo que

Carpathia acredite que não poderia perder por nada. Assim, poderemos chegar lá após a

meia-

noite de sexta-feira e resgatar nosso pessoal.



- Se eles não puderem se encontrar conosco perto do aeroporto, teremos de descer para

pegá-los. Significa que vamos precisar de um helicóptero.

- Não poderíamos alugar um? Eu poderia pedir a David Hassid, nosso amigo que trabalha

na CG, que providenciasse um e o deixasse à nossa espera no aeroporto de Jerusalém ou

no Ben Gurion.

- Ótimo, mas vamos precisar de dois pilotos. E McCullum não poderá nos ajudar.

- E eu, para que sirvo? Por acaso sou um zero à esquerda? Ken deu um tapa na testa.

- Como eu sou idiota! - ele disse. - Você aprendeu a pilotar helicópteros, não?

- Mac me deu algumas aulas. Eu poderei pousar perto do local onde eles estão e

transportá-los até o aeroporto, certo?

- É melhor você conseguir uma planta do lugar antes de partirmos. Você vai ter

pouquíssimo tempo para descer com aquela coisa barulhenta numa área residencial. Se

alguém vir você por lá, vai chamar os guardas, e eles chegarão antes de você levantar

vôo!


- Sua esposa sabe por onde você andou? - perguntou Rosenzweig a Jacov quando Buck

parou em frente ao prédio de apartamentos onde ele morava.

- Eu liguei para ela. Ela não entendeu nada do que eu estava falando.

- Por que você foi àquele lugar horroroso?

- Eu fugi e me escondi na casa de Stefan. Ele queria ir até lá. Que lugar melhor haveria

para pregar?, pensei.

- Você é um idiota - disse Rosenzweig.

- Sim! Eu sou!

Buck passou seu celular a Jacov.

- Ligue para sua esposa para que ela não morra de susto quando você entrar.

Porém, antes de Jacov começar a discar, o telefone tocou.

- O que hou ve? - ele perguntou. - Eu não fiz nada.

- Aperte a tecla Send e diga: "Telefone de Buck."Era Chloe.

- Ela quer falar com o senhor com urgência, Sr. Williams.Buck pegou o telefone e disse a

Jacov:

- Espere aqui até avisarmos sua esposa que você está chegando.



Chloe contou a Buck sobre o telefonema recebido de seu pai e seu pedido para ter um

esboço da planta da propriedade de Rosenzweig.

- Vou falar com ele sobre este assunto no momento apropriado - sussurrou Buck.

Mais tarde, depois de atravessar os portões da propriedade de Chaim, Buck achou que o

momento não era apropriado para falar da planta. Rosenzweig ainda era um simpatizante

de Carpathia e não compreenderia. Poderia até mesmo dar com a língua nos dentes.

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Chaim desceu do carro, mas Buck permaneceu dentro dele.



- Você não vai entrar?

- Você me emprestaria seu carro por um pouco de tempo?

- Pegue o Mercedes.

- Este aqui serve - disse Buck. - Se Chloe ainda estiver acordada, diga-lhe que pode ligar

para mim.

- Aonde você vai?

- Prefiro não dizer. Se você não souber, não vai precisar mentir se alguém lhe perguntar.

- Esta história toda está me cheirando mal, Cameron. Tome cuidado e volte logo, está

bem? Você e seus amigos terão um dia agitado amanhã. Ou, melhor dizendo, hoje.

Buck seguiu direto para o Muro das Lamentações. Conforme ele esperava, a discussão

entre as duas testemunhas e Carpathia e as ameaças feitas por Nicolae pela TV, em rede

internacional, atraíram um grande número de pessoas para perto da cerca onde Eli e

Moisés costumavam falar ao povo. A CG estava bem representada, com guardas armados

cercando a multidão.

Buck estacionou em um local afastado do Monte do Templo e caminhou sem pressa, como

se fosse um turista curioso.

Moisés e Eli estavam em pé, de costas um para o outro. Buck nunca os vira nessa posiço

e imaginou que talvez Moisés estivesse vigiando o outro lado. Eli, de frente para a

multidão, falava com voz forte e penetrante, mas naquele momento suas palavras foram

abafadas pelo chefe dos guardas da CG, que se dirigia ao povo por meio de um megafone.

O guarda estava falando em diversos idiomas -primeiro em hebraico, depois em espanhol

e, em seguida, em uma língua asiática que Buck não conseguiu distinguir. Finalmente,

quando o guarda da CG falou em inglês, com um acentuado sotaque hebraico, Buck se

deu conta de que ele era israelense.

- Atenço, senhoras e senhores! O supremo comandante da Comunidade Global

encarregou-me de fazer lembrar a todos os cidadãos a advertência feita por Sua

Excelência, o potentado Nicolae Carpathia.. . - Neste ponto, a multidão começou a gritar e

aplaudir. - ...que os dois homens diante dos senhores estão em regime de prisão

domiciliar. Eles estão confinados a esta área até o término do Encontro das Testemunhas

na sexta-feira à noite. Se eles saírem deste local antes, qualquer funcionário da CG ou

cidadão comum poderá exercer o seu direito de detê-los à força, feri-los ou matá-los. E

mais, se eles forem vistos em qualquer lugar - eu repito, em qualquer lugar - após sexta-

feira à noite, serão mortos no ato.

Depois de aplaudir freneticamente, a multidão começou a rir e zombar de Eli e Moisés,

apontando e fazendo-lhes ameaças. Porém, todos permaneciam a uma distância de, no

mínimo, dez metros por terem ouvido falar de gente que foi morta pelas testemunhas.

Muitas afirmavam ter presenciado dois casos de pessoas que morreram por ter chegado

muito perto das testemunhas. Buck havia visto um soldado apontar-lhes um rifle possante

e ser incinerado na hora pelo fogo que

saiu da boca das testemunhas. Um outro homem, que saltara na direção delas com uma

faca na mão, pareceu chocar-se contra uma parede invisível e caiu morto.

As testemunhas, evidentemente, não se impressionaram com a advertência de Carpathia

nem com as palavras do guarda. Continuaram imóveis e de costas uma para a outra,

mas, agora, a aparência delas era completamente diferente da que Buck se lembrava

quando as vira pela primeira vez. A imprensa em geral havia convergido para aquela área

em razão de Eli e Moisés terem aparecido na tela da TV durante a reunião no estádio

Teddy Kollek e seus nomes terem sido mencionados por Leon Fortunato e Nicolae

Carpathia.

Lâmpadas gigantescas iluminavam a área, focalizando diretamente as duas testemunhas.

Mas o clarão das luzes não lhes ofuscava os olhos, e só servia para acentuar suas feiçes

estranhas: rostos magros e de traços firmes, olhos escuros e sobrancelhas espessas.

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Ninguém jamais os viu chegando ou saindo dali; ninguém sabia de onde vieram. Desde o



início, sempre pareceram criaturas muito estranhas, trajando roupas de aniagem e

andando descalços. Tinham o corpo musculoso e ossudo, pele rija de tonalidade escura,

cabelos desgrenhados e barbas compridas. Algumas pessoas diziam que eles eram Moisés

e Elias reencarnados, mas, se Buck tivesse de adivinhar, diria que eram os próprios

personagens do Antigo Testamento. Pareciam ter vivido séculos atrás, e cheiravam a

poeira e fumaça.

Tinham olhos avermelhados, e suas vozes eram tão fortes que podiam ser ouvidas a mais

de um quilômetro e meio sem amplificadores.

Um israelense fez uma pergunta em hebraico, e o guarda da CG a traduziu para diversas

línguas.

- Ele quer saber se não será castigado se matar estes homens agora, no lugar em que

estão.


À medida que o guarda traduzia a pergunta, ouviam-se aplausos do grupo que

compreendia aquele idioma. Finalmente, o guarda respondeu à pergunta.

- Se alguém quiser matá-los esta noite, só será punido se houver alguma testemunha

ocular que o incrimine. Não estou vendo nenhuma testemunha ocular aqui.

O povo riu e concordou. Os outros guardas também. Buck teve um sobressalto. A CG

acabara de dar permissão para qualquer pessoa matar as testemunhas sem sofrer

represálias! Buck sentiu vontade de alertar a pessoa que tentasse cometer tal tolice que

ele vira pessoalmente o que aconteceu a um dos pretensos assassinos, mas Eli se

antecipou.

Mal movimentando os lábios, mas falando tão alto que parecia estar gritando a plenos

pulmões, Eli dirigiu-se ao povo:

- Aproximai-vos e não questioneis esta advertência do Senhor dos Exércitos. Aquele que

se atrever a afrontar

os servos escolhidos do Deus Altíssimo, sim, os baluartes daquele que se assenta acima

dos céus, certamente morrerá!

A multidão e os guardas recuaram diante da potência da voz de Eli. Porém, em seguida,

avançaram alguns passos novamente, com risos de zombaria. Eli voltou a falar.

- Não tenteis os escolhidos de Deus, porque estais afrontando as vozes que clamam no

deserto e permitindo que vossa carcaça se queime diante dos olhos dos outros chacais. O

próprio Deus consumirá vossa carne, e ela se desprenderá de vossos ossos antes que

exaleis o último suspiro!

Um homem com ar desvairado e gargalhando empunhava um rifle de alta potência. Buck

prendeu a respiração ao ver o homem erguer a arma acima da multidão, que gritava

para adverti-lo. A arma tinha uma marca na coronha que a identificava como um rifle de

precisão e de longo alcance. Por que, perguntou Buck a si mesmo, um homem portando

uma arma de tal precisão se arriscaria a aproximar-se das testemunhas, que já haviam

comprovado seu poder de destruição?

O guarda da CG posicionou-se entre o homem e a cerca de ferro, por trás da qual estavam

as testemunhas, e falou com o homem em hebraico, mas ele não compreendeu.

- Inglês! - gritou o homem, que não parecia ser norte- americano. Buck não identificou

seu sotaque.

- Se o senhor atirar neles - o guarda começou a dizer em inglês - a serviço da

Comunidade Global, terá de assumir total responsabilidade pelas conseqüências.

- Você disse que não havia testemunhas oculares!

- Senhor, o mundo inteiro está nos assistindo pela televisão e pela Internet.

- Então eu serei um herói! Saia da frente!

O guarda não se moveu até o homem apontar-lhe a arma. Em seguida, ele desapareceu

na escuridão, deixando o homem sozinho, de frente para a cerca. Não havia ninguém ali.

As testemunhas haviam desaparecido.

- Vocês não vão ameaçar queimar meu corpo? – esbravejou o homem. - Venham

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enfrentar esta arma, seus covardes!



O guarda da CG voltou a falar ao megafone, gritando em tom de urgência:

- Vamos dar uma busca na área atrás da cerca! Se os dois não estiverem lá, é prova de

que descumpriram a ordem direta do potentado e poderão ser mortos por qualquer

pessoa, sem que ela seja acusada de ter cometido um crime!

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OITO


Nas primeiras horas da madrugada de quinta-feira, o clima ainda era festivo no Monte do

Templo. Centenas de pessoas rondavam a área, falando sobre a ousadia dos dois anciãos

que desafiaram Carpathia e agora podiam ser mortos por alguma pessoa de qualquer lugar

do mundo. Não haveria puniçes, e, em questão de minutos, eles certamente seriam

mortos. Buck, contudo, conhecia o assunto mais a fundo. Ele recebera ensinamentos de

Bruce Barnes e, depois, de Tsion Ben-Judá, e sabia o que as testemunhas queriam dizer

com "tempo determinado". A Bíblia diz que as testemunhas receberiam poder de Deus

para profetizar por 1.260 dias, vestidas de pano de saco. Tanto Bruce como Tsion

afirmavam que aqueles dias foram contados a partir da assinatura de um tratado entre o

anticristo e Israel por sete anos de paz - que coincidiam com os sete anos de tribulação.

Aquele tratado havia sido assinado pouco menos de dois anos antes, e 1.260 dias

divididos por 365 eram iguais a três anos e meio. Buck calculava que o tempo

determinado seria dali a pouco mais de um ano.

De repente, do ponto mais alto da encosta de uma elevação chamada Monte das Oliveiras

ouviram-se os gritos das testemunhas, pregando em uníssono. O povo começou a correr

naquela direço, falando em morte e assassinato. Apesar da confusão, do vozerio e dos

guardas destravando suas armas enquanto corriam, as testemunhas falavam tão alto que

suas palavras eram ouvidas perfeitamente.

- Ouvi o que temos a dizer, servos do Senhor Deus Todo- Poderoso, criador do céu e da

terra! Prestai atenço! Somos as duas oliveiras, os dois castiçais diante do Deus da terra.

Se algum homem nos ferir, será lançado fogo de nossa boca e destruiremos nossos

inimigos. Se algum homem tentar nos ferir, será morto da mesma maneira que nos

tentou ferir! Ouvi e acautelai-vos!

- Recebemos o poder de fechar o céu, que não haja chuva nos dias de nossa profecia.

Sim, temos poder sobre as águas para transformá-las em sangue e para flagelar a terra

com todos os tipos de pragas, sempre que assim o desejarmos.

- E qual é a nossa profecia, ó geraço de serpentes

e víboras que transformou a terra santa, onde o Messias morreu e ressuscitou, em uma

terra semelhante ao Egito e Sodoma? Que Jesus de Belém, filho da virgem Maria, estava

com Deus desde o início, que Ele era Deus, e que Ele é Deus. Sim, Ele cumpriu todas as

profecias sobre a vinda do Messias, e reinará agora e para sempre, até o final dos

séculos, amém!

Os gritos irados dos israelenses e turistas encheram o ar. Buck seguia atrás do grupo,

ouvindo as batidas do próprio coração. Não havia holofotes incidindo sobre as

testemunhas e nenhuma luz vinda do céu, e, mesmo assim, elas brilhavam como o dia na

escuridão entre os ramos das oliveiras. A visão era terrível e assustadora, e Buck desejava

ajoelhar-se e adorar o Deus que era fiel à sua palavra.

Quando o grupo chegou à base da encosta e começou a andar sobre a grama úmida pelo

orvalho, Buck o alcançou.

- Temos o poder de fazer chover - gritaram as testemunhas.

De repente, uma chuva gelada vinda do céu desabou sobre o povo, encharcando todos,

inclusive Buck. Fazia 24 meses que o local não recebia uma gota de chuva. As pessoas

esticavam o pescoço, olhavam para o céu e abriam a boca. A chuva, porém, cessou

imediatamente, como se Eli e Moisés tivessem aberto e fechado uma torneira com um só

movimento.

- E temos o poder de fechar o céu durante os dias de nossa profecia!

O povo estava atônito, reclamando e murmurando novas ameaças. Quando as pessoas

começaram a caminhar na direço dos dois homens iluminados na encosta do monte e

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chegaram a menos de 100 metros de distância, as palavras dos profetas as impediram de



prosseguir.

- Permanecei onde estais e ouvi, ó geraço perversa de Israel! Vós, que blasfemastes o

nome do Senhor Deus, vosso Criador, sacrificando animais no templo que vós mesmos

construístes para sua honra e glória! Não sabeis que Jesus,

o Messias, foi o Cordeiro que foi sacrificado para levar os pecados do mundo? Vossos

sacrifícios oferecendo sangue de animais exalam mau cheiro diante das narinas do vosso

Deus! Arrependei-vos de vossos atos ilícitos, ó pecadores! Olhai para os vossos corpos

corroídos pelo pecado! Não avanceis contra os escolhidos cujo tempo ainda não foi

cumprido!

De repente, Buck viu, horrorizado, dois guardas da CG passarem correndo por ele e pelo

povo, com as armas engatilhadas. Durante a corrida, eles escorregaram na encosta do

monte, sujando seus uniformes de lama e grama.

Em seguida, começaram a subir o monte rastejando-se, iluminados pela luz irradiada das

testemunhas.

- Ai daqueles que fecharem os ouvidos às admoestaçes dos escolhidos! - gritaram as

testemunhas. - Fugi para vossas grutas, se desejais salvar vossas vidas! Vossa missão

está condenada ao fracasso! Vossos corpos serão consumidos! Vossas almas não

alcançarão perdão!

Os guardas, porém, prosseguiram. Buck semicerrou os olhos, aguardando o desfecho. O

povo repetia palavras de ordem e ameaçava as testemunhas com braços erguidos e mãos

fechadas, incentivando os guardas a abrirem fogo. Sons ensurdecedores de tiros ecoaram

enquanto as armas disparavam rajadas de balas, produzindo um efeito amarelo e

alaranjado.

As testemunhas, em pé lado a lado, olhavam impassíveis para seus agressores, que se

arrastavam a uns 30 metros abaixo. O povo silenciou, e os tiros cessaram. Todos olhavam

admirados e sem entender por que os guardas, posicionados a uma distância tão curta,

não conseguiram acertar o alvo. Eles rolaram de lado, descartando os projéteis

disparados e substituindo-os por outros. O povo ouvia o ruído das armas sendo

engatilhadas. Os guardas abriram fogo novamente, provocando violentas explosões.

As testemunhas não haviam saído do lugar. Os olhos de Buck estavam grudados nelas, e

ele viu quando suas bocas expeliram um jato de luz tão branca que chegou a ofuscar-lhe

a visão. As testemunhas pareciam ter bafejado um vapor fosforescente na direço dos

guardas. Antes que os agressores tivessem tempo de reagir, já estavam carbonizados. As

armas continuavam apoiadas nos ossos de seus braços e mãos à medida que a carne de

seus corpos se derretia. Os esqueletos das caixas torácicas e dos quadris formaram figuras

grotescas sobre a grama.

Em questão de segundos, a luz branca derreteu as armas até o ponto de começarem a

pingar. Os ossos dos guardas transformaram-se em cinzas. O povo fugiu em pânico,

gritando, praguejando e quase derrubando Buck ao passar correndo por ele. Suas

emoções entraram em conflito, como sempre, quando ele presenciava a morte de seres

humanos. As testemunhas haviam declarado que, quando os agressores morressem, suas

almas estariam perdidas para sempre. Eles não levaram essa advertência a sério.

Horrorizado diante da morte e do castigo eterno imposto aos guardas, Buck sentiu os

joelhos trementes. Ele não conseguia despregar os olhos das testemunhas. O brilho da

substância mortífera ainda fazia seus olhos arderem, e a luz irradiada por eles havia

desaparecido. Parado na escuridão e com os olhos piscando diante dos vestígios que

restaram, Buck percebeu que as testemunhas estavam descendo lentamente do monte.

Por que, ele se perguntava, os dois se dirigiam a pé para o local que desejavam? Por que

não se deslocavam de modo invisível como haviam feito na noite anterior quando

surgiram no estádio e, depois, quando sumiram do Monte do Templo e apareceram no

Monte das Oliveiras? Buck não conseguia entender, e prendeu a respiração quando as



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