Somos sobreviventes do pdv. Vulnerabilidade e resistência entre ex-servidores pedevistas



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Arremates

Diante de tantos percalços, pareceu-me que a participação mais ativa no MURP funciona não só como estratégia de luta efetiva, mas como uma forma de fincar raízes em algum lugar, de se sentir parte de algum grupo, de comungar um passado, um presente de lutas e objetivo comuns. O desenraizamento, a ausência de laços, ao lado das dificuldades financeiras que sucederam a adesão ao PDV, surgem como um dos maiores traumas ou como uma das maiores transformações nas vidas dos pedevistas. Sendo assim, estar filiado ao MURP e acompanhar amiúde os



7 Algumas destas frases foram citadas nas entrevistas e outras foram ouvidas em conversas informais com funcionários que não aderiram.

8 Aqui reproduzo a fala de Seu Jorge, mas este relato apareceu em outras entrevistas também.

desdobramentos desta luta é resgatar o sentimento de pertencimento, é estar protegido de alguma maneira.

Este efeito positivo da militância ficou sempre muito evidente durante as reuniões do Movimento. As conversas com os meus informantes nesses momentos onde estavam juntos foram sempre reveladoras, uma vez que as lembranças de um eram complementadas pelas dos demais, ou às vezes corrigidas pelas do outro. As discussões também foram sempre um campo maravilhoso de observação. Desde as discussões mais simples, como a que tiveram sobre quantas pessoas conseguiram fazer o curso do Sebrae, ás mais gerais sobre política partidária e sobre formas de lutas político-sociais (entre os pede vistas há uma enorme diversidade, como em uma das minhas visitas estávamos às vésperas do pleito eleitoral, houve um debate intenso sobre tal assunto. Havia os petistas ou pedetistas que defendiam o voto em Dilma Rousseff, havia os "Sem-Partido", mas que temiam a volta do PSDB - partido este que estava na liderança do governo quando houve os PDVs - mas havia também os que defendiam o voto nulo como a verdadeira postura revolucionária, o caso de Seu Jorge que se define como anarquista, mesmo sendo dizimista fiel de uma denominação evangélica). Deste modo, a militância no MURP significa reafirmar-se como sujeito histórico, livrar-se da sensação de estar "à deriva".

Finalmente, creio ser possível afirmar que, dos mecanismos elencados por Araújo (2007), as Redes Sociais, o Estado Social e as Atividades de Substituição, entre os meus entrevistados houve uma maior mobilização do primeiro e do terceiro mecanismos de compensação. Mas para além desses três, o campo de minha pesquisa revelou um quarto mecanismo de compensação e sobrevivência aos processos de crescente precarização e desenraizamento impostos pelas relações de trabalho pós-reestruturação produtiva e neoliberalismo. Este mecanismo é exatamente o engajamento político, a militância, mais ou menos consistente, no MURP.



LISTA DE SIGLAS

CEG – Companhia Estadual do Gás do Rio de Janeiro

FASSIMPAS – Organização Estadual dos Servidores da Previdência IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística

INCA – Instituto do Câncer

INSS – Instituto Nacional de Serviço Social PDV – Programa de Demissão Voluntária

SINDSPREV - Sindicato dos trabalhadores da Saúde, Trabalho e Previdência Social SUS – Sistema Único de Saúde


Bibliografia

ALENCAR, Mônica M. T. de. “As Políticas Públicas de Emprego e Renda no Brasil: do ‘nacional- desenvolvimentismo’ ao ‘nacional-empreendedorismo”. In.: Behring, E. R. & Almeida, M.H.T. de (orgs.). Trabalho e Seguridade Social. Percursos e dilemas. São Paulo: Cortez; Rio de Janeiro: FSS/ UERJ, 2008 (pp.117-138).


ALVES, Maria A & TAVARES, Maria A “A dupla face da informalidade do trabalho: ‘autonomia’ ou precarização. In: Antunes, R. (org.) Riqueza e Miséria do Trabalho no Brasil. São Paulo: Boitempo, 2006 (pp. 425-459).
ALVES, Giovanni. “Trabalho e Sindicalismo no Brasil dos anos 2000: dilemas da era neoliberal. In: Antunes, R. (org.) Riqueza e Miséria do Trabalho no Brasil. São Paulo: Boitempo, 2006 (pp. 461-474).
ANTUNES, Ricardo. Adeus ao trabalho? Ensaio sobre as metamorfoses e a centralidade do Mundo do Trabalho. São Paulo: Cortez; Campinas, SP: EdUNICAMP, 2007.
_. A era da informatização e a época da informalização: riqueza e miséria do trabalho no Brasil. In: Antunes, R. (org.) Riqueza e Miséria do Trabalho no Brasil. São Paulo: Boitempo, 2006 (pp.15- 26).
ARAÚJO, Pedro. A tirania do presente. Do trabalho para vida às incertezas do desemprego. Coimbra, 2007.
BHERIING, Elaine.R. Brasil em contra-reforma. Desestruturação do Estado e perda de direitos. São Paulo: Cortez, 2008.
BOLTANSKI, Luc & CHIAPELLO, Ève. O novo espírio do capitalismo. São Paulo : Martins Fontes, 2009.
Bourdieu, Pierre (1981), “Préface”, in Paul Lazarsfeld et al. (1981) [1932], Les Chômeurs de Marienthal. Paris: Les Éditions de Minuit.
MARANHÃO, Cezar H. “Capital e Superpopulação relativa: em busca das raízes contemporâneas do desemprego e do pauperismo”. In: Behring, E. R. & Almeida, M.H.T. de (orgs.). Trabalho e Seguridade Social.Percursos e dilemas. São Paulo: Cortez; Rio de Janeiro: FSS/ UERJ, 2008 (pp.38-58).
“Desemprego e precarização: um grande desafio para a esquerda” In: Antunes, R. (org.) Riqueza e Miséria do Trabalho no Brasil. São Paulo: Boitempo, 2006 (pp. 27-44).
Ministério do Planejamento Orçamento e Gestão. Governo Federal. Cartilha do Programa Gestão de Pessoal. Brasília, DF, Brasil. Agosto, 1999.
Ministério da Administração Federal e da Reforma do Estado. Governo Federal. Programa de desligamento voluntário do Servidor Público Federal. Você tem a chance de escolher. (Cartilha de esclarecimento). Brasília, DF, Brasil. 1996.
POCHMANN, Márcio. “Desempregados do Brasil”. In: Antunes, R. (org.) Riqueza e Miséria do Trabalho no Brasil. São Paulo: Boitempo, 2006 (pp. 59-73).

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