Secretaria de registro parlamentar e revisão sgp



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SECRETARIA DE REGISTRO PARLAMENTAR E REVISÃO – SGP.4

EQUIPE DE TAQUIGRAFIA E REVISÃO – SGP.41

NOTAS TAQUIGRÁFICAS

SESSÃO SOLENE :




DATA:







O SR. PRESIDENTE (Coronel Camilo - PSD) - Está aberta a sessão. Sob a proteção de Deus, iniciamos os nossos trabalhos.

A presente sessão solene destina-se à entrega do Título de Cidadão Paulistano ao Coronel PM Nilson Giraldi, nos termos do Decreto Legislativo 41, de 9 de setembro de 2014, de autoria deste Vereador, que contou com a aprovação unânime dos Srs. Vereadores desta Casa.

Passo a palavra ao Mestre de Cerimônias, Sr. Arthur Alvares de Souza, para a condução dos trabalhos.
MESTRE DE CERIMÔNIAS – Senhoras, senhores, autoridades, sejam bem-vindos à Câmara Municipal de São Paulo.

Para compor a Mesa, convidamos os Srs. Julio Cesar Fernandes Neves, Ouvidor da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo; Nilva Giraldi, filha mais velha do homenageado, representando todas as suas filhas, acompanhada da Srta. Isadora Giraldi Santos, neta mais nova do homenageado, também representando todos os seus netos.

Vamos receber calorosamente o homenageado desta noite, Coronel PM Nilson Giraldi, acompanhado de sua esposa Ivone Giraldi.
- Acompanhado do Vereador Coronel Camilo, adentra o plenário o homenageado, sob aplausos.
MESTRE DE CERIMÔNIAS – Convidamos todos para, de pé, ouvirmos o Hino Nacional Brasileiro, executado pela Banda da Polícia Militar do Estado de São Paulo, regida pelo Maestro 1º Sargento Músico PM Jéferson Bernardo.
- Execução do Hino Nacional Brasileiro.
MESTRE DE CERIMÔNIAS – Registramos e agradecemos a presença dos Srs. Coronel PM Kenji Konishi, Comandante do Policiamento de Área Metropolitana Três; Coronel PM Airton Martinez, Comandante do Policiamento da Região I4 – Bauru; Coronel PM Claudio Ricom, Comandante do Policiamento de Área Metropolitana VI, região do ABC; Coronel Mendes, Vice-Presidente do MMDC 32; Tenente Coronel Flávio Kitazume, Comandante do 4º Batalhão de Polícia Militar do Interior – Bauru; Major PM Edson Lima de Oliveira, Diretor da Guarda Municipal de Santo André; Major PM Robson Cabral de Oliveira, Chefe da Assessoria Policial Militar da Procuradoria Geral de Justiça; Major Dario Nogueira Gomes, representando neste ato o Coronel Godoy, da SPPrev; Major Paulo Sérgio Merino, da Escola de Educação Física da Polícia Militar do Estado de São Paulo; Michael Horak, Diretor e Chefe da Escola de Polícia de Dallas – College Police Eastfield in City of Dallas; Adriano de Souza Fernandes, Comandante 1ª Companhia do 7º Batalhão de Polícia Militar Metropolitana, representando neste ato o Coronel PM Celso Luiz Pinheiro, Comandante do CPA/M-1; Capitão Gonçalves, da Diretoria de Polícia Comunitária e de Direitos Humanos – DPCDH; Tenente Lemos, Comandante da Academia do Tiro da Polícia Militar do Estado de São Paulo; Tenente Claudemir Canesso, da Escola de Educação Física da Polícia Militar do Estado de São Paulo; 3º Sargento Elcio Inocente, Presidente da Associação dos Policiais Militares Portadores de Deficiência no Estado de São Paulo; Marta Lilia Porta, Presidente da Associação de Moradores e Amigos do Bairro da Consolação e Adjacências; Chu Kan Kow, Médico e Conselheiro Suplente do Serviço Público Federal do Conselho Regional de Corretor de Imóveis; Ronaldo Carmo Scheibel, Diretor de Comunicação Social da Associação dos Cabos e Soldados da Polícia Militar de São Paulo; Luiz Rizzo, da Associação dos Policiais Militares Portadores de Deficiência do Estado de São Paulo; Josué Ramiro, Vereador da Câmara Municipal de Várzea Paulista; Isaías Dutra, Presidente Nacional do Conselho Internacional de Pastores e Ministros - Cipam; Alfredo Giantônio, Presidente do Conseg Bom Retiro; Professor Givaldo Batista, Vice-Reitor da Fatecamp, representando neste ato o Professor Bruno Pereira, Reitor; Cristo Teodoro Copolus, membro do Conseg; Jarim Lopes Roseira, Presidente da Associação Internacional de Polícia – IPA. (Palmas)

Recebemos diversas mensagens cumprimentando-nos pelo evento, dentre as quais destacamos as dos Srs. Geraldo Alckmin, Governador do Estado de São Paulo; Guilherme Afif Domingos, Vice-Governador do Estado de São Paulo; Fernando Haddad, Prefeito da Cidade de São Paulo; Nádia Campeão, Vice-Prefeita da Cidade de São Paulo; Samuel Moreira, Presidente da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo; José Américo, Presidente da Câmara Municipal de São Paulo; Liseo Zampronio, Vice-Almirante Comandante do 8º Distrito Naval; Maria Doralice Novaes, Presidente do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo; Paulo Adib Casseb, Presidente do Tribunal de Justiça Militar do Estado de São Paulo; Edson Simões, Presidente do Tribunal de Contas do Município de São Paulo; José Roberto Rodrigues de Oliveira, Coronel PM Secretário-Chefe da Casa Militar; Fernando Grella Vieira, Secretário de Estado de Segurança Pública; Benedito Roberto Meira, Coronel Comandante Geral da Polícia Militar do Estado de São Paulo; David Uip, Secretário de Estado da Saúde; Rogério Hamam, Secretário de Estado de Desenvolvimento Social; Herman Voorwald, Secretário de Estado de Educação; Mônika Bergamaschi, Secretária de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo; Paulo Frateschi, Secretário Municipal de Relações Governamentais; José de Filippi Junior, Secretário Municipal de Saúde; Professor Cesar Callegari, Secretário Municipal de Educação; Marianne Pinotti, Secretária Municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida; José Floriano de Azevedo Marques Neto, Secretário Municipal da Habitação; Celso Jatene, Secretário Municipal de Esportes, Lazer e Recreação; Rogério Sottili, Secretário Municipal dos Direitos Humanos e Cidadania; Artur Henrique da Silva Santos, Secretário Municipal do Desenvolvimento, Trabalho e Empreendedorismo; Paula Maria Motta Lara, Secretária Municipal de Licenciamento; Simão Pedro, Secretário Municipal de Serviços; Mauro Cesar dos Santos Richarelli, Coronel PM Comandante do CPRV; e dos Vereadores Alfredinho, Goulart, Atílio Francisco, Aurélio Nomura, Claudinho de Souza, Dalton Silvano, Edir Sales, Eliseu Gabriel, Pastor Edemilson Chaves, Gilson Barreto, Natalini, Jair Tatto, José Police Neto, Marco Aurélio Cunha, Noemi Nonato, Paulo Frange, Ricardo Nunes, Ricardo Young, Rubens Calvo, Coronel Telhada e Toninho Paiva.

Convidamos para o seu pronunciamento o Sr. Carlos Alberto dos Santos, Chefe da Equipe de Tiro da Polícia Militar de São Paulo.
O SR. CARLOS ALBERTO DOS SANTOS – Cumprimento o nobre Vereador Coronel Álvaro Batista Camilo, Presidente desta sessão solene, nosso eterno Comandante e nosso representante nesta Casa, que tem feito um excelente trabalho em prol de uma sociedade mais justa e com qualidade de vida na cidade de São Paulo. Também cumprimento o nosso eterno Paizão, como é chamado, porque somos todos filhos, com todo o respeito, o Coronel Giraldi. Cumprimento todos os integrantes da Mesa, a família do Coronel Giraldi, Coronéis presentes, autoridades militares, pessoal da Guarda de Santo André e os Professores do Método Giraldi.

Senhoras e senhores, no quadro de violência que vivemos no Brasil, o policial se vê, em vários momentos de sua carreira, obrigado a usar arma de fogo para preservar sua vida ou a da sociedade; e não fazê-lo com maestria e destreza pode custar a vida de inocentes ou a sua própria vida.

No confronto armado, que é a ocorrência de maior complexidade e gravidade numa instituição policial, embora alterado fisicamente em razão da adrenalina no sangue, o policial, com atuação técnica e legal, tem frações de segundo para decidir se atira ou não, pois seu tiro só tem uma finalidade: cessar a ação de morte do criminoso. Sendo assim, se decidir errado, o policial vai para a cadeia, vai para o cemitério ou vai para uma cadeira de rodas.

Infelizmente, as maiores tragédias ocorridas na nossa instituição – e não é diferente nas outras instituições policiais – foram em razão do uso incorreto da arma de fogo. Destinada a servir e proteger a sociedade, a arma de fogo se vê contra a própria sociedade; Essas tragédias, por imposição da mídia e da sociedade, têm nome e endereço: caso Favela Naval, caso do dentista, do motoboy, do publicitário, e outros tantos que deixam marcas indesejáveis na nossa história.

Por essa razão, consideramos a matéria de tiro policial a mais importante de uma instituição policial. Como acabar com essas tragédias ou, ao menos, reduzi-las no nosso contexto? Treinamento correto. Não existe forma mais eficiente. Podemos dizer que uma boa polícia é consequência do seu treinamento. Se quisermos bons policiais, que atendam bem à sociedade, temos de investir em treinamento.

A Polícia de São Paulo passou a adotar o Método Giraldi desde 1997, logo após a tragédia, já citada, da Favela Naval, quando um policial despreparado – em todos os sentidos – usou sua arma de fogo de forma incorreta, causando a morte de uma pessoa. Esse extraordinário Método de treinamento de tiro policial foi idealizado pelo Coronel Nilson Giraldi, batizado e registrado como Tiro Defensivo na Preservação da Vida – Método Giraldi.

O Método é reconhecido internacionalmente e recomendado pela ONU, pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha, pela Secretaria Nacional de Segurança Pública, pois está totalmente de acordo com os direitos humanos, com a nossa legislação e a nossa realidade, além de atender às necessidades do nosso policial, que se vê preparado para proteger a si mesmo e à sociedade.

O Método de tiro tem como finalidade a preservação da vida; mais do que simples instrução de tiro, é uma doutrina de atuação armada da instituição policial, pois bem sabemos que o tiro é a última alternativa. Na maioria das vezes, são os procedimentos corretos que salvam as vidas dos nossos policiais e também da sociedade. O Método traz para dentro dos centros de treinamento casos imitativos da realidade, condicionando o policial a fazer o correto, antes de se ver envolvido em casos reais.

Como diz nosso Paizão, Coronel Giraldi: “Deixo o meu suor no campo de treinamento, para não deixar meu sangue e minhas lágrimas no campo de batalha”. No campo de treinamento seus erros são corrigidos, mas, na vida real, nosso policial não pode errar, porque senão ele vai preso, ou morre, ou vai para uma cadeira de rodas.

Para difundir o Método para toda a nossa instituição, foi necessária a composição de uma equipe, batizada pelo Coronel Giraldi como Equipe Diamante. Inclusive estão presentes alguns dos professores da Equipe Diamante. Os passos iniciais, sob a coordenação e supervisão do Coronel Giraldi, foram dados por essa equipe. Em seguida formaram-se novos professores. Hoje somam-se mais de mil professores por todo o Estado, e podemos dizer que 99,9% do nosso efetivo, do soldado mais novo ao Comandante Geral, Coronel Meira, está habilitados no Método Giraldi, com exceção, talvez, dos que ingressaram recentemente na Polícia Militar.

Se professor é importante, é nobre, imagine ser professor do Método Giraldi, a matéria mais importante da nossa instituição, pois nossos ensinamentos são levados a profissionais que arriscam a vida diariamente para proteger a sociedade.

Quantas vidas já foram salvas graças às nossas instruções? Tenho certeza de que foram milhares de vidas. Basta olhar os dados estatísticos da Polícia Militar antes e após a implantação do Método Giraldi para ver quantas vidas foram poupadas.

Portanto, nobre Vereador Coronel Camilo, em nome dos professores do Método Giraldi, agradeço imensamente a sua atitude de homenagear um dos maiores exemplos de vida, de família, de honestidade, de integridade, de inspiração para os novos policiais, que é o nosso querido Paizão, Coronel Giraldi.

Além disso, ele é um ícone no mundo da matéria de tiro e armamento. Sua experiência e sabedoria nessa área são reconhecidas por diversas polícias no Brasil e no mundo, que recorrem aos seus conhecimentos e disponibilidades para levar algo de melhor para suas instituições.

Muito obrigado, Coronel Giraldi, pelo que o senhor já fez, está fazendo e continuará fazendo pela nossa instituição e pela nossa sociedade. É uma honra ser professor do Método Giraldi.

Senhoras e senhores, diante de tantas bondades e valores deste homem, Coronel Giraldi, acho que falei pouco. Mas acredito ter transmitido uma noção da dimensão dos valores do Coronel Giraldi.

Muito obrigado. (Palmas)
MESTRE DE CERIMÔNIAS – Convidamos todos para assistirem a uma apresentação de vídeo sobre o Método Giraldi.
- Apresentação audiovisual.
MESTRE DE CERIMÔNIAS - Os senhores observaram os alvos da Polícia Militar no vídeo? Esses alvos tinham faces, que não apareceram ao acaso. Para quem esteve presente na evolução do tiro da Polícia Militar, lá atrás, pista zero, pista oito; depois pistas policiais; por fim, na mudança de tiro da PM, entrou o Método Giraldi. A Polícia Militar de São Paulo promovia um campeonato de tiro anualmente. Nos anos de 1996 e 1997, o Coronel Giraldi foi a essa competição. De repente, avistamos um boneco embaixo do carro do Coronel, com uma arma, vestido com a farda da PM com manchas de catchup. Os policiais passavam por esse veículo para atender a ocorrência, do outro lado. Estava lançada ali a semente do Método Giraldi.

Quem é da área de tiro sabe que os alvos eram uma silhueta preta, sem face. Nós atirávamos no alvo, e os buracos eram tapados com obreias pretas, na área preta; e obreias brancas na área externa do alvo. A filha do Coronel Giraldi perguntou para ele: “Pai, por que vocês atiram num alvo que não tem cara, sem saber se estão atirando na frente ou atrás?” Ele disse: “Ah, você tem razão”, e num dos treinamentos colocou duas obreias brancas no rosto. Então a sua equipe fantástica, criativa, começou a inventar ideias. Um tirava foto do outro, imprimia e botava a caricatura no alvo. Assim começaram a surgir rostos nos alvos.

Praticamente toda a prática de relatoria do Método, desde o início, foi feita pela filha do Coronel, a Sra. Nilva Giraldi. Neste momento, convidamos para o seu pronunciamento a filha do Coronel Giraldi, Sra. Nilva Giraldi.
A SRA. NILVA GIRALDI – Boa noite. Vou ler algumas palavras que vieram do meu coração. Eu precisaria de mais de cinco minutos para expressar todo o sentimento, mas tentei resumi-lo nestas palavras.

Educar é ato de amor e de coragem, é uma arte. Nessa Escola cujo objetivo é proteger e salvar vidas, onde os alunos são anjos de farda; o livro, um distintivo e a caneta, uma arma, soa até mesmo como um paradoxo. Salvar vidas empunhando armas? Um paradoxo quebrado com o amor e a coragem dele, através da sua obra: o Método Giraldi.

Ele conseguiu se multiplicar em milhares, transpor qualquer fronteira. Muitos passaram a apoiá-lo e a acreditar em seu projeto, tornando-o possível, como vocês aqui presentes, inclusive a Sra. Ivone Giraldi, sua esposa, minha querida mãe.

Venho acompanhando e vivenciando essa sua luta há aproximadamente duas décadas, quando começou a história dos alvos, e o ajudando na parte da informática, porque foi quando ele começou a usar o computador. Foi uma empreitada de teor filantrópico, em que muitas vezes usou recursos próprios por acreditar em seu risco, e que hoje se tornou possível e um sucesso.

Presenciei muitas vezes suas aflições e preocupações na busca por soluções de como proteger vidas num mundo vil, e ao mesmo tempo proteger a tropa de anjos fardados. Os senhores não fazem ideia de como ele admira e ama a família militar.

Por meio desse projeto, cada anjo de farda aprende carregar em si a valorização da vida, da resolução de conflitos, da paz na sociedade, do respeito aos direitos humanos, do amor ao próximo, da doação de si mesmo e do uso eficiente de seu distintivo e arma. Sinto muito orgulho desses anjos.

Falar do meu pai – do meu não, do nosso – é falar de dedicação, determinação, perseverança, ética, humildade, exemplo ímpar de renúncia de si mesmo em benefício de todos.

Suas conquistas, meu amado pai, são devidas ao seu amor incondicional a todos nós, todos; devidas a sua coragem de não desistir de seus sonhos e de transformá-los em realidade, plantando por onde passa a esperança de um mundo melhor.

Agradeço à Casa por esta maravilhosa homenagem. Sua relevante importância fala por si mesma, e o quanto nosso pai, Coronel Giraldi, é grande e vanglorioso. Ele realmente a merece.

Por fim, meu obrigado ao nosso pai Giraldi por tudo o que nos vem ensinando, por nos mostrar caminhos e por nunca desistir.

Amo-te muito. (Palmas)
MESTRE DE CERIMÔNIAS – Anunciamos as palavras do proponente e Presidente da sessão solene, Vereador Coronel Camilo.
O SR. PRESIDENTE (Coronel Camilo – PSD) – Boa noite. É uma honra, Comandante, meu mestre, que carinhosamente chamamos de Paizão na equipe de tiro, e um privilégio homenageá-lo.

Parabéns à sua esposa, Sra. Ivone Giraldi, a famosa Tigresa, pois sabemos que ao lado de um grande homem há sempre uma grande mulher, em tudo o apoia, ajudando-o a construir esse grande Método. Com certeza a senhora tem participação em tudo o que ele conquistou na vida.

Também parabenizar a filha e a neta do Sr. Giraldi, que demonstram a família, a forma como é o nosso professor.

Gostaria de saudar o Dr. Julio Cesar Fernandes Neves, Ouvidor da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo. Quando chegarem denúncias à Secretaria, o senhor verá que a Polícia trabalha corretamente; e os casos que estão fora são com certeza um desvio de conduta que precisa ser apurado, porque eles aprendem com o Método a forma certa de agir. Muito obrigado pela sua presença.

Saúdo também os Coronéis presentes: Coronel PM Kenji Konishi, Coronel PM Airton Martinez, Coronel PM Claudio Ricom; também os que trabalham comigo na equipe, Coronel Giannoni, Coronel Pinhata, Coronel Antão; os demais oficiais, os nossos alunos oficiais.

Também quero saudar o Tenente Coronel Carlos Alberto dos Santos, Chefe da Equipe de Tiros, que hoje é um propagador do Método Giraldi, e na sua pessoa cumprimentar todos os que compõem a equipe tanto da Polícia como um todo, dos nossos amigos da Guarda Civil Metropolitana, e outras que estão presentes.

Saúdo o Coronel Mendes, Vice-Presidente do MMDC 32; 3º Sargento PM Elcio Inocente, Presidente da Associação de Policial Militar dos Deficientes Físicos do Estado de São Paulo, na pessoa de quem cumprimento todas as associações de Polícia; também a Sra. Marta Lilia Porta, Presidente da Associação dos Moradores e Amigos de Bairro da Consolação e Adjacências; Chu Kan Kow; Médico e Conselheiro Suplente do Serviço Público Federal do Conselho Regional de Corretor de Imóveis, na pessoa de quem cumprimento todos os Consegs presentes. É um prazer muito grande recebê-los.

Por fim, é um privilégio prestar esta homenagem ao Sr. Giraldi, por tudo o que ele representa para a nossa Polícia Militar. Vou dizer algumas curiosidades sobre o nosso homenageado.

O Coronel Giraldi idealizou o Tiro Defensivo na Preservação da Vida, num momento difícil da Polícia, que acabou ficando conhecido no mundo todo, nos mais de 30 países aonde ele ministrou palestras sobre o Método Giraldi. Também levou a imagem de São Paulo, da nossa Polícia, do respeito que a Polícia Militar tem pelo cidadão e, mais do que isso, por todos os cidadãos, até o infrator da lei. Lembro-me de que ele falava, quando nos ensinava o Método: “Acabou aqui o trabalho da Polícia Militar. Quem vai cuidar dele agora é a Justiça”. Isso é muito importante. Sempre defendeu a sociedade com suas ideias.

Filho de Ferdinando Mario Giraldi e Antonia Gabrielli Giraldi, nasceu em Lins em 1935. Ingressou na PM em 1954 como soldado. Foi cabo e sargento. Ingressou no CPFO em 1959. Concluiu o CFO em 1963, como primeiro colocado da turma, como um bom estudioso.

Naquela época, além de ser estudioso, era preciso ser uma pessoa de bom comportamento, de bom conceito. Até a década de 1980, a aprovação da Academia era composta de duas notas: uma avaliava as 30 matérias do curso; a outra avaliava a vida do aluno durante, sua retidão, dedicação, vontade de ser oficial. Então, para ser primeiro colocado, tinha de ser bom em tudo, como era o nosso Comandante. Ele foi a fortaleza como aspirante.

Foi buscar Dona Ivone em Fortaleza, com quem se casou e a quem ele chama de Tigresa. Casado há 51 anos, tem três filhas, um neto e duas netas - a caçula está presente.

O Coronel Giraldi se destacou como um dos maiores competidores de tiro da história da nossa PM. Antes de se tornar mestre do tiro, foi um grande atirador. Passou para a reserva em 1983, quando começou a sistematizar o Método que enfatizava o treinamento do policial na proteção não só do policial, mas da própria sociedade.

Ele trouxe uma inovação muito grande, que foi a verbalização. Até então a polícia não verbalizava; quando algum oficial ou integrante o fazia era sem uma sistemática. Trabalhei na Polícia naquela época. Depois disso foi instituída a verbalização como a primeira forma do uso gradativo da força.

Na época ele se deslocava em um Corcel II, conhecido por seus alunos de todo o Brasil. Formou uma legião de fiéis admiradores e seguidores, hoje comandada pelo Coronel Carlos Alberto, presente aqui hoje.

Em 1997 ele foi decisivo na Polícia Militar. Para que todos os senhores saibam, foi quando a Polícia Militar passou o momento mais crítico. O episódio da Favela Naval foi um problema muito sério para a instituição, mas a sequência foi pior ainda, quando o Governador do Estado, Mario Covas, propôs extinguir a Polícia Militar de São Paulo e manter somente a Policial Civil. Os policiais militares que quisessem ingressar na Polícia Civil teriam de passar por um teste de conduta para ver se podiam entrar na outra instituição.

Realmente foi um projeto que acendeu a luz vermelha na instituição da Polícia Militar. A partir daquele momento a instituição se reiventou, e o Coronel Giraldi foi um dos responsáveis por essa mudança, capitaneada na época pelo Coronel Carlos Alberto de Camargo, grande Comandante.

O Coronel Giraldi conseguiu condensar no Método os três princípios que a Polícia Militar segue até hoje. O primeiro é o respeito constitucional aos direitos humanos, aos direitos individuais e aos das pessoas. O segundo é trabalhar com as melhores práticas, com gestão, fazendo o melhor. Terceiro, trabalhar com a comunidade, com o policiamento comunitário.

Ao incluir a verbalização no Método, o Coronel Giraldi incluiu um pouco do policiamento comunitário; ele colocou no seu Método as melhores práticas quando ensinou a técnica de tiro. Quando ele ensinou a todos os policiais que o tiro é a última opção, usado somente no caso de se manter vivo e de salvar o cidadão, e que a verbalização é importante, que prender o infrator é o importante, foi por respeitar as pessoas, a vida em primeiro lugar.

Parabéns por ter ajudado a nossa Polícia naquele momento muito difícil, e foi momento de mudança.

Ele ajudou a implantar o Método de instrução de tiro da Polícia Militar do Estado de São Paulo; após período experimental, foi implantado oficialmente em 2000, recomendado e aplicado pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha por todas as polícias da América Latina. Sua dedicaçao ao projeto é tal que passou a ser convidado para ministrar palestras em todo lugar.

Eu quis fazer uma aproximação muito grande da Polícia Militar com a comunidade, então pedimos ao Coronel Giraldi que nos ajudasse e fizemos vários treinamentos e demonstrações do Método Giraldi para juízes, promotores, repórteres, para entenderem a dificuldade que o policial tem de agir e decidir em poucos segundos. Decidir depois, sentado a uma mesa, numa sala com ar-condicionado, lendo um papel, é muito mais simples do que no ato, em questão de segundos, decidir se deve atirar ou não; permanecer vivo ou morrer. Isto é o que acontece. Perdemos policiais constantemente, e não são poucos. Infelizmente hoje perdemos um policial militar em serviço.

Então é só para entender a dificuldade da profissão. Com isso o Coronel conseguiu diminuir a letalidade e conseguimos mostrar as dificuldades à comunidade, ao Judiciário, ao promotor público. É certo de que nada elimina o erro, mas só para entender, porque o erro policial é grave e pode tirar uma vida.

O Coronel Giraldi fez questão que a família estivesse à Mesa, junto dele. Este é outro exemplo de vida que devemos seguir: a valorização da família. E a equipe de tiro é uma família para o Coronel Giraldi. Isso eu trouxe para o meu comando geral. Quando falava para os policiais, eu sempre dizia que integrávamos a família policial militar.

Muitas vezes, infelizmente, temos de enterrar um filho nosso. Todos os Comandantes já passaram por isso. Amanhã o Subcomandante, representando o Comandante que está fora do Brasil, deve ir ao enterro do policial que faleceu, para entregar a bandeira para a mãe e o pai desse policial. Essa é uma demonstração de que nos consideramos uma família.

Uma das virtudes do nosso Coronel Giraldi é cuidar da família e dos valores morais, éticos. Saber o momento de atirar e saber o momento de parar; saber o momento de fazer a prisão e de entregar à Justiça; com isso, fazer justiça e criar o sentimento de punidade, sempre seguindo os preceitos de respeito aos direitos individuais das pessoas.

Por tudo isso, parabéns, Coronel Giraldi. É um orgulho, uma honra, um grande privilégio prestar esta homenagem. Outros vereadores disseram que também iriam propor a mesma homenagem, mas eu já havia proposto. Repito o que disse ao repórter da TV Câmara São Paulo, que o senhor merecia não o Título de Cidadão Paulistano, mas o Título de Cidadão do Mundo, pelo que fez pelas pessoas, pela humanidade, salvando vidas no mundo inteiro.

Parabéns. (Palmas)


MESTRE DE CERIMÔNIAS – Convidamos para o seu pronunciamento o Sr. Julio Cesar Fernandes Neves.
O SR. JULIO CESAR FERNANDES NEVES – Nobre Vereador Camilo, futuro Deputado; autoridades militares; Coronel Giraldi e sua família, as minhas sinceras saudações.

Tomei a liberdade de pedir ao Mestre de Cerimônias para falar em nome da sociedade civil do Estado de São Paulo, que é tão grande, e não posso deixar de contar algumas situações que vivenciei.

Há alguns anos tive o privilégio de conhecer o Coronel Giraldi, quando fui convidado pelo Ouvidor Antônio Funari a fazer o curso que o Coronel ministrava em Pirituba. O curso foi muito emocionante. Quando saí daquele curso, não sabia explicar o que sentia para transmitir ao mundo todo.

Desde aquela época tive a felicidade de ter sido Ouvidor Adjunto do Sr. Funari, que atualmente é Presidente da Comissão de Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo.

Naquela ocasião fiz questão de conhecer o Coronel Giraldi. Talvez ele nem se recorde disso, mas eu nunca esqueci. Perguntei a ele como surgiu a ideia de ministrar o curso. Fui criado numa cidade pequena, onde todos eram amigos, e conhecia os policiais, então eu não imaginava aquela situação de risco.

Ele me contou uma história de quando era jovem, quando perdeu um grande companheiro num confronto; no velório desse militar, os outros colegas diziam para ele: “Não fique triste assim, porque foram cinco contra um. Nós matamos cinco bandidos”. Então ele disse: “Esse um valia cinco mil, cinco milhões”. Foi nesse momento que ele viu que havia algo errado.

De lá para cá, toda vez que posso, sempre cito e indico o Método Giraldi, em todo lugar. Em Brasília, quase que mensalmente, temos reuniões de todos os ouvidores do Brasil, e recomendo o Método Giraldi. Sinto-me muito honrado por ter o privilégio de representar a sociedade civil do Estado para homenagear esse homem que, para nós, torna-se até uma pessoa santa.

A Ouvidoria em São Paulo é composta por entidades civis, dentre elas várias entidades de direitos humanos, OAB, Ministério Público, o próprio Poder Executivo etc. E na minha posse eu gostaria que tivessem vindo duas pessoas dessas representações; uma delas é o Cardeal; a outra é o Coronel Giraldi. Na época da minha posse ele estave numa situação de enfermidade. Fiquei muito triste, mas hoje é um dos meus dias mais alegres porque, no meu mandato de Ouvidor do Estado de São Paulo, em nome da sociedade civil tenho o privilégio de saudar essa pessoa tão digna que é o Coronel Nilson Giraldi.

Muito obrigado. (Palmas)
MESTRE DE CERIMÔNIAS – Convidamos os presentes para, de pé, assistirmos à entrega do Título de Cidadão Paulistano ao ilustre homenageado, Sr. Coronel PM Nilson Giraldi, pelas mãos do nobre Vereador Coronel Camilo.

“Município de São Paulo, Título de Cidadão Paulistano. A Câmara Municipal de São Paulo, atendendo ao que dispõe o Decreto Legislativo 41, de 9 de setembro de 2014, concede ao Sr. Coronel PM Nilson Giraldi o Título de Cidadão Paulistano. Palácio Anchieta, 24 de março de 2014. José Américo, Presidente; Claudinho de Souza, 1º Secretário; Coronel Camilo, Proponente; Rodrigo Pimentel Ravena, Secretário-Geral Administrativo; Karen Lima Vieira, Secretária-Geral Parlamentar.”


- Entrega do Título de Cidadão Paulistano ao Sr. Coronel PM Nilson Giraldi, sob aplausos.
MESTRE DE CERIMÔNIAS – Convidamos os presentes para, de pé, assistirmos à entrega de homenagem à Sra. Ivone Giraldi, esposa do homenageado.
- Entrega de flores à Sra. Ivone Giraldi, sob aplausos.
MESTRE DE CERIMÔNIAS – Convidamos a Sra. Nilva Giraldi, filha do homenageado, e a Srta. Isadora Giraldi, neta do homenageado, para que recebam nossas homenagens.
- Entrega de flores à Sras. Nilva Giraldi e Isadora Giraldi, sob aplausos.
MESTRE DE CERIMÔNIAS – Convidamos os integrantes da Mesa para uma foto oficial.
- Registro fotográfico.
MESTRE DE CERIMÔNIAS – Convidamos os integrantes da Equipe de Tiros para uma foto oficial.
- Registro fotográfico.
MESTRE DE CERIMÔNIAS – Uma curiosidade sobre o Coronel Giraldi é que a Sra. Ivone, sua esposa, é carinhosamente conhecida pelos integrantes da equipe como Dona Tigresa; ela controla o Coronel Giraldi quando ele passa dias a mais em São Paulo; ela vem dirigindo do interior e diz quando é hora de voltar para casa.

Então fica essa lição de vida para nós, pais de família. A primeira coisa que os senhores têm de fazer ao chegar a casa é deixar todo o material dentro do carro; depois fechar a porta da sua casa e abraçar sua família. Isto é o que se deve fazer para ter uma família íntegra e totalmente unida por toda a vida.

Convidamos para o seu pronunciamento o Sr. Coronel Giraldi, homenageado desta noite.
O SR. NILSON GIRALDI – Excelentíssimas autoridades já mencionadas, excelentíssimos convidados, excelentíssimos policiais, demais presentes, agradeço primeiro a Deus pela força e coragem que me deu para levar adiante, mesmo com as dificuldades e os obstáculos encontrados, projeto extraordinariamente complexo que visava à mudança de cultura de quase 100.000 homens e mulheres da Polícia Militar do Estado de São Paulo, projeto este posteriormente expandido para outras polícias, em benefício da sociedade e do policial.

Agradeço à Câmara Municipal de São Paulo, em especial ao Coronel Vereador Álvaro Batista Camilo, agora eleito Deputado Estadual, meu eterno Comandante, pelo reconhecimento do nosso trabalho e pela concessão de tão honroso Título.

Agradeço também aos seus três fiéis companheiros de luta, com os quais forma a base de sustentação do seu trabalho: Coronel Antão, Coronel Gianoni e Coronel Arruda. São pessoas extraordinárias que deixaram fizeram história na nossa instituição policial.

Agradeço à minha família, pois esse trabalho teve início dentro do meu lar, continua na ponta da linha e volta para dentro do meu lar; toda ela está envolvida nesse trabalho, principalmente minha esposa Ivone, a quem carinhosamente chamo de Tigresa; minha filha Nilva, minha neta Isadora; todas aqui presentes, a quem peço uma salva de palmas. (Palmas)

Mesmo prejudicada pelas minhas constantes ausências, minha família me dá todo apoio e incentivo de que necessito para cumprir minhas missões. Já são 17 anos de trabalho ininterrupto, de uma aposentadoria que foi cassada nem bem começou. Minha família, extremamente pacienciosa para comigo, é fonte da minha inspiração, sustentáculo e incentivadora da minha fé, luz do meu caminho, equilíbrio das minhas ações; sem ela nada disso existiria.

Agradeço a todos que apoiaram, apoiam e dão condições para o treinamento e aplicação desse trabalho, cuja finalidade é servir e proteger a sociedade e o policial.

Cumprimento todos os presentes na pessoa do Coronel Carlos Alberto de Camargo, ex-Comandante Geral, que determinou a implantação do Método Giraldi na Polícia Militar do Estado de São Paulo, como disse o Coronel Camilo - num momento difícil para a nossa instituição policial.

Agradeço a todos os professores do Método Giraldi que com enormes sacrifícios, vencendo todos os obstáculos, com grande desenvoltura, profissionalismo, altíssima responsabilidade, dedicação nos horários de serviço ou de folga, de forma gratuita e depreendida se lançaram à luta em benefício dos seus companheiros, da Polícia Militar do Estado de São Paulo, da sociedade, da vida e da dignidade da pessoa humana.

Solicito aos professores do Método Giraldi que se levantem, por favor, e repitam comigo, em alto e em bom som o lema: "Nenhum de nós é tão bom quanto todos nós juntos".

Uma salva de palmas para esses heróis. (Palmas)

Agora vou falar um pouco sobre segurança pública. Por falta de segurança pública à altura das suas necessidades, o Brasil é o país mais violento do mundo.

Afinal, o que é segurança pública? É tudo aquilo que o Estado faz ou manda fazer para dar segurança ao cidadão. Não estou falando de ordem pública, mas de segurança pública. Ordem pública é responsabilidade da Polícia Militar.

E quem é responsável pela segurança pública? Muitos são responsáveis. Segurança pública é como um time de futebol. O time da segurança pública é constituído por mais de 50 jogadores, cada um com sua missão; todos transversalizados, cujas responsabilidades são compartilhadas, e são dependentes uns dos outros.

A polícia é um desses jogadores. Portanto a polícia não é a segurança pública, como muitos imaginam, mas integra a segurança pública. E a segurança pública não é a polícia, como outros imaginam, mas é também por ela integrada.

E por que a polícia, principalmente a uniformizada, é tão cobrada como se fosse a única responsável pela segurança pública? Porque é o único jogador que trabalha no meio do povo, é visto pelo povo 24 horas por dia, todos os dias do ano, e ao qual 100% desse povo tem acesso, inclusive em domicílio.

E qual é a posição da polícia nesse time? É o goleiro, a última barreira. Mas pode um time jogar só com o goleiro? E quais seriam os outros jogadores do time da segurança pública? Vamos citar, rapidamente, apenas alguns, pois o tempo é escasso.

Combate às causas da violência é um dos jogadores. E quais são as causas da violência? Muito se fala, pouco se esclarece. Nenhuma criança nasce violenta ou criminosa; é o meio em que vive e a forma como é tratada que a transforma; Assim, toda criança que sofrer violência ou presenciar violência, se no futuro tiver estímulos, será uma profissional da violência. A neurociência comprova e prova isso. E onde a criança sofre ou presencia violência na quase totalidade das vezes? Dentro do próprio lar. Provocada por quem? Pelos próprios pais. Assim podemos afirmar que boa parte dos lares brasileiros se tornou fábricas de violentos, e boa parte dos pais, artífices dessa violência. Portanto a polícia não atua nas causas da violência, mas nas suas consequências, isto é, enxuga o chão com as torneiras abertas.

E quais seriam as vacinas contra a violência? Amor e educação para com as crianças. Como se ama? Como se educa? As respostas estão em um dos capítulos do Método Giraldi direcionado aos policiais, mas que serve a todas as pessoas.

A maior alegria de um filho é ver seus pais se amando; a maior tristeza de um filho é ver seus pais brigando. No entanto, os casais brasileiros são os que mais brigam no mundo; a criança brasileira é a que mais apanha no mundo; a criança brasileira é a mais estressada do mundo; e o Brasil é o país mais violento do mundo. Uma simples constatação de causas e efeitos.

E quais seriam as vacinas para que isso não mais ocorresse? Harmonia conjugal, que também é um dos capítulos do Método Giraldi direcionado aos policiais, mas que serve para todas as pessoas.

A família é a célula mater da sociedade. Famílias doentes geram uma sociedade doente, e nenhuma polícia do mundo consegue curar uma sociedade doente. Lembrando que o Brasil dobrou sua população nos últimos 30 anos; que a mulher analfabeta brasileira tem, em média, sete filhos, normalmente de vários pais; que a mulher instruída tem 1,2 filhos, isso é um fato complicador.

Outro jogador importantíssimo se chama: investimentos sociais e educacionais. Segurança pública é muito mais problema social, educacional, do que policial, penal. Só se torna policial e penal quando o social e o educacional falham.

Outro jogador: álcool, porque 22% da população brasileira é alcoólatra, consome álcool em excesso, e álcool e violência caminham de mãos dadas.

Impunidade, outro jogador. No nosso país, apenas 1% dos autores de homicídios, estupros, roubos e outros crimes cumprem pena. Isso é um tremendo estímulo à violência e à criminalidade.

Outro jogador se chama reincidência criminal; a do Brasil é a mais elevada do mundo, pois a falta de punidade estimula a repetição do crime.

Outro jogador: consumo de drogas alimentando o crime organizado. É uma epidemia, e digo isso porque trabalho na área de recuperação de dependentes químicos. Nossas fronteiras, portos e aeroportos são entradas fáceis para as drogas. As polícias estaduais não atuam nesses setores.

Número insuficiente de magistrados é outro jogador desse time. A média mundial é de um magistrado para cada 8.000 pessoas; a média no Brasil é de um magistrado para cada 28.000 pessoas. Milhões de processos mofam nas prateleiras dos tribunais brasileiros.

E muitos outros jogadores. A polícia, sozinha, não vai a lugar algum. Pode um time jogar apenas com o goleiro?

Consequências da inexistência de uma segurança pública à altura das necessidades da sociedade: de acordo com a Organização Mundial de Saúde, a profissão do policial é a segunda mais perigosa do mundo; no Brasil é a mais perigosa. A cada 12 horas um policial brasileiro é assassinado, fora os que terminam seus dias numa cadeira de rodas ou amparados por um par de muletas. Isso não ocorre em nenhuma outra parte do mundo.

O número de civis assassinados no Brasil está em torno de 28 para cada grupo de 100.000 pessoas por ano. E um dos mais altos do mundo, senão o maior. O número de policiais assassinados no Brasil está em torno de 750 para cada grupo de 100.000 policiais por ano, isto é, 27 vezes mais do que cidadãos civis. Recorde, negativo, absoluto em todo o mundo.

Só no Rio de Janeiro, neste ano, já foram 230 policiais militares assassinados; e o efetivo da PM de lá não chega à metade do da Polícia Militar do Estado de São Paulo. Em 1999 foram assassinados, no Estado de São Paulo, 318 policiais militares. A previsão era a de que, 10 anos depois, isto é, em 2009, a continuar naquela ascensão, seriam assassinados em torno de 450 policiais militares. Mas com a aplicação da nova metodologia, em 2009, foram assassinados 12 militares, sendo que nenhum deles ainda havia aprendido o Método.

Não acreditando mais no Estado, na Justiça e nos outros jogadores do time da segurança pública, em torno de 70% da população estimula o policial a matar; e em torno de 60% estimula o policial a praticar tortura contra pessoas suspeitas, desde que não sejam parentes seus.

Não se deixe contaminar. Na hora do seu julgamento, você estará sozinho no banco dos réus, e quem o estimulou a matar estará em casa, tranquilo; nem testemunha sua aceitará ser. Cuidado. Não se deixe contaminar.

O que encontro de pessoas que sabem que sou contra esse tipo de coisa e me falam: “Coronel, tem que matar, tem que matar!” E respondo: “Ótimo! Tenho em casa um revólver e duas caixas de balas. Eu vou dar para você matar”. E me falam: “Não, mas vocês que têm que matar!” O policial, num confronto armado, não dispara porque quer, mas porque é obrigado; o agressor, com sua atitude de morte contra a vítima, obriga o policial a disparar. Isso muda tudo.

Agora vou falar um pouquinho do Método Giraldi.

O Método Giraldi não é uma simples instrução de tiro, mas uma doutrina da atuação armada da polícia e do policial com a finalidade de servir e proteger a sociedade e o policial.

Não podemos esquecer que a Polícia Militar é uma empresa de prestação de serviços; seus clientes são os integrantes da sociedade e têm que ser tratados com respeito e educação. Para o agressor, a lei!

Finalidade do Método: ensinar o policial a servir e proteger a sociedade e a si próprio; ensinar o policial a regressar, íntegro, ao seio da sua família após uma jornada de trabalho, e não para o necrotério, para uma cadeira de rodas ou para a prisão; ensinar o policial a preservar a sua vida e a sua liberdade. No Método Giraldi: violência, nunca; tortura, jamais; força, a necessária; total respeito aos direitos humanos; total respeito às leis.

A sociedade quer uma polícia forte, mas não arbitrária. Simples.

E qual a base de sustentação do Método? Todo o Método Giraldi tem como base de sustentação as neurociências, portanto é científico.

Inicialmente nós estudamos o que era um confronto armado: o agressor atua fora da lei, o disparo é sua primeira alternativa, porque a vida não vale nada para ele. Em compensação, o policial tem de atuar totalmente dentro da lei; o disparo é sua última alternativa; a vida é sua prioridade.

Depois verificamos o que sentia um policial durante os confrontos armados: ocorrem alterações físicas e psíquicas. Diante da morte, que está sempre presente nos confrontos, a pupila dilata, suor frio, estômago encolhe, pernas tremem; o raciocínio é reduzidíssimo; as condições físicas também ficam alteradas. Então fomos estudar como preparar o policial para esse instante, e a resposta veio das neurociências. Por isso o Método é científico, e por isso ele tem sucesso, e não sou eu quem digo isso.

Eficiência do Método Giraldi quando colocado em prática: reduz em 100% a morte de pessoas inocentes provocada por policiais em serviço; reduz em 100% a perda da liberdade do policial em virtude do uso incorreto da sua arma de fogo; reduz em mais de 96% a morte de policiais em serviço. Os outros quase 4% são fatalidades impossíveis de ser evitadas; são execuções em que o policial não tem a mínima chance de se defender, portanto, não são confrontos armados, são execuções.

E como é o professor do Método Giraldi? Tem de ser exemplo, modelo e referência para seus alunos; tratar seus alunos com dignidade, respeito e educação.

As pessoas tendem a agir da mesma fornia como são tratadas. Trate bem o policial que ele tratará bem a sociedade. Trate mal o policial que ele tratará mal a sociedade.

Professores imbecis geram policiais imbecis que, por sua vez, gerarão uma polícia imbecil. Professores respeitosos, como os do Método Giraldi, geram policiais respeitosos que, por sua vez, gerarão uma polícia respeitosa.

As pessoas tendem a agir da mesma forma como são tratadas. Isso é comprovado pelas neurociências.

Esse Método tem aprovação nacional e internacional? Sim: ONU, Comitê Internacional da Cruz Vermelha, Polícia Comunitária Internacional, direitos humanos, polícias nacionais e internacionais que dele tomam conhecimento, e outros. Quando desenvolvemos o Método Giraldi, não foi para isso, foi para a Polícia Militar de São Paulo, mas o Método ultrapassou tudo o que podíamos imaginar à época. Integrantes dessas organizações divulgam, recomendam e ensinam o Método Giraldi internacionalmente, inclusive em língua inglesa.

Ainda agora, com patrocínio do Comitê Internacional da Cruz Vermelha, está sendo ministrado mais um curso, no Equador, para policiais da América Latina. E lá estão professores do Método Giraldi da Polícia Militar do Estado de São Paulo, entre eles o Capitão Caparroz; e eu daqui de Bauru acompanhando, recebendo as informações e transmitindo informações.

Ainda nesta noite, recebi mensagem do Comandante da Polícia Nacional do Equador dizendo maravilhas sobre o que estava ocorrendo ali, e já dizendo que deseja nosso pessoal novamente lá no próximo curso. Isso demonstra a aceitação e a forma magnífica com que o próprio policial recebe esse treinamento.

Por iniciativa, metodologia e patrocínio do Comitê Internacional da Cruz Vermelha, através de equipe de especialistas internacionais por ela designada, o Método Giraldi foi oficialmente transversalizado com os princípios da Carta da ONU para o assunto; com os Tratados Internacionais dos quais o Brasil é signatário, com as Sete Normas Internacionais para Defesa do Cidadão; com os Direitos Humanos; e outros, tendo sido integralmente aprovado por estar totalmente de acordo com seus conteúdos, normas e determinações. É o único método do mundo a merecer tamanha consideração.

É uma honra para nós. Mas tem um detalhe: Esse Método foi elaborado com fins lucrativos? Não! Ele é totalmente gratuito, inclusive o trabalho do seu autor; visa colaborar com as polícias, com os policiais e com a sociedade; e está à disposição de todas as polícias de forma gratuita.

Muitas vezes me perguntam: Coronel, o policial que aprende o Método Giraldi não erra mais nas ruas? Pode acontecer de errar. Vamos lembrar que no Brasil morrem em torno de 50 mil pessoas por ano, vítimas de acidentes de trânsito provocados por motoristas devidamente habilitados. Portanto pode acontecer. Para isso, a nossa Corregedoria é atenta.

Há um capítulo especial do Método, que o Sr. Arthur já citou, cujo título é: Investimento e Valorização do Capital Humano do Policial, que visa ensinar o policial a estar de bem com a vida, porque não adianta nada o policial receber bom treinamento, ter bons materiais e boa tecnologia se ele não estiver bem com a vida; a cabeça dele estará em outro lugar. E esse capítulo serve para qualquer outro cidadão.

Aqui temos três representantes da minha família: a querida Tigresa, que o Brasil inteiro conhece, e no exterior; minha filha Nilva e a neta Isadora. Elas são meus esteios, meus sustentáculos. Às vezes tenho dó da bagunça que fica na minha casa, onde há dois escritórios, mas não dá tempo de mantê-los arrumados. Não há um só dia em que vamos dormir antes de meia-noite; fora as nossas viagens. Nos últimos dias, estivemos em Vitória, e nos próximos dias iremos para Rondônia e Brasília.

Senhores, muito obrigado pela paciência, pela presença e por tantos elogios que me foram feitos.

Ainda ontem recebi uma mensagem do Padre Ricci, da paróquia que frequento em Bauru, tecendo muitos elogios. E respondi: Padre Ricci, o senhor está me deixando em situação difícil, porque agora terei de andar na linha, e tenho muitos pecados de estimação.

Agradeço mais uma vez a presença dos senhores; à Câmara Municipal de São Paulo, ao nosso Presidente da Associação dos Deficientes Físicos, que está presente. No início do Método Giraldi, eu os mandava para o Barro Branco e dizia: “Observem e verifiquem o que vocês acham desse treinamento”. Lembro-me que o Presidente anterior começou a chorar e me disse: “Coronel, se eu tivesse recebido esse treinamento não estaria nesta cadeira, porque fui precipitado, fui praticar a valentia perigosa”.

Deus os abençoe. Deus os acompanhe. Muito obrigado. (Palmas)
MESTRE DE CERIMÔNIAS – Para o encerramento oficial, anunciamos as palavras do nobre Vereador Coronel Camilo, Presidente desta sessão solene.
O SR. PRESIDENTE (Coronel Camilo – PSD) – Agradeço a presença de todos na grande homenagem a este homem valoroso, que aprendemos a admirar há muito tempo.

Provavelmente muitos policiais em São Paulo e no mundo todo estão vivos graças ao aprendizado do Método Giraldi.

Nosso mestre, Coronel Giraldi, parabéns pela homenagem, merecida, e agradeço pelo privilégio de ser o portador desta honraria.

Parabéns à sua família e a todos os senhores.

Levem a mensagem, uma verdadeira aula que nos deu em seu discurso, do Coronel Giraldi aos seus lares, principalmente com referência à família, de estar juntos sempre, de colocar sempre a família em primeiro lugar.

Mais uma vez, em nome da Câmara Municipal de São Paulo, agradeço a presença de todos, que serão sempre bem-vindos.

Que Deus nos proteja.

Estão encerrados os trabalhos.





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