Secretaria de registro parlamentar e revisão sgp



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SECRETARIA DE REGISTRO PARLAMENTAR E REVISÃO – SGP.4

EQUIPE DE TAQUIGRAFIA E REVISÃO – SGP.41

NOTAS TAQUIGRÁFICAS

SESSÃO SOLENE : 515-SS




DATA: 23/03/2016







SR. PRESIDENTE (Alessandro Guedes- PT) - Está aberta a sessão. Sob a proteção de Deus, iniciamos os nossos trabalhos.

A presente Sessão Solene destina-se à entrega do Título de Cidadão Paulistano ao músico Cleber Augusto, nos termos do Decreto Legislativo n° 37, de 24 de setembro, de 2015, de autoria deste Vereador, que contou com a aprovação unânime dos Srs. Vereadores desta Casa.

Passo a palavra ao Mestre de Cerimônias, Sr. Antonio Carlos Vieira Junior, para a condução dos trabalhos.
MESTRE DE CERIMÔNIAS – Senhoras, senhores, autoridades, sejam bem-vindos à Câmara Municipal de São Paulo.

Para compor a Mesa, convidamos os Srs. José Carlos Medeiros, Chefe de Gabinete do nobre Vereador Alessandro Guedes; Carien Bastos, bailarina e filha do homenageado; Jorge Luiz Oliveira, Assessor Parlamentar, representando, neste ato, a Deputada Leci Brandão; radialista Moisés da Rocha, da Rádio USP; Mazinho Xerife, compositor, representando, neste ato, Grêmio Recreativo Escola de Samba Salgueiro; Dedé, cantor, compositor, representando, neste ato, a comunidade Família Bate Palma Aí, de Ermelino Matarazzo; Beto Devis, violonista; Breno, músico do grupo Katinguelê.

Convidamos todos para, de pé, ouvirmos o Hino Nacional Brasileiro, executado pela Banda da Guarda Civil Metropolitana
- Execução do Hino Nacional Brasileiro.
MESTRE-DE-CERIMÔNIAS – Registramos a presença do Sra. Andrea Nascimento, Assessora, representando, neste ato, a Secretaria da Promoção da Igualdade Racial do Município de São Paulo e do Sr. Asaad Aladreh, músico.

Recebemos diversas mensagens cumprimentando-nos pelo evento, dentre as quais destacamos as dos Srs. Dr. Geraldo Alckmin, Governador do Estado de São Paulo; Márcio França, Vice-Governador do Estado de São Paulo; Dr. Fernando Haddad, Prefeito da Cidade de São Paulo; Nádia Campeão, Vice-Prefeita da Cidade de São Paulo; Vereador Antonio Donato, Presidente da Câmara Municipal de São Paulo; Desembargadora Silvia Regina Pondé Galvão Devonald, Presidente do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo; Dr. Silvio Hiroshi Oyama, Presidente do Tribunal de Justiça Militar do Estado de São Paulo; Cel PM José Roberto Rodrigues de Oliveira, Secretário-chefe da Casa Militar; Edson Aparecido, Secretário-chefe da Casa Civil; Prof. José Renato Nalini, Secretário de Estado da Educação; Dr. David Uip, Secretário de Estado da Saúde; Deputado Floriano Pesaro, Secretário de Estado de Desenvolvimento Social; Francisco Macena da Silva, Secretário do Governo Municipal; Celso Jatene, Secretário Municipal de Esportes, Lazer e Recreação da Cidade de São Paulo; Artur Henrique da Silva Santos, Secretário Municipal do Desenvolvimento, Trabalho e Empreendedorismo; dos Srs. Vereadores: Ari Friedenbach, Aurélio Miguel, Aurélio Nomura, Claudinho de Souza; David Soares, Gilberto Natalini, Jair Tatto, José Police Neto, Laércio Benko, Nelo Rodolfo, Patrícia Bezerra, Paulo Fiorilo, Ricardo Young, Rubens Calvo, Sandra Tadeu e Toninho Paiva.

Com a palavra o Sr. Dedé, da Comunidade Família Bate Palma Aí.
O SR. DEDÉ – Boa noite a todos! Em nome da Família Bate Palma Aí, gostaria de compartilhar a alegria de estar aqui falando de uma das referências em todos os lugares, que é o mestre Maestro Cleber Augusto.

Quero participar de muitas e muitas homenagens direcionadas a essa pessoa. Em nome da Família Bate Palma Aí, deixo meus parabéns a quem teve essa iniciativa.

Mestre Maestro Cleber Augusto, muito obrigado por esse movimento. Quem me convidou foi o Mauricio Rocha e o Alberto, sempre que nos chamarem, estaremos aqui com maior prazer. A Família Bate Palma Aí abraça a todos, em especial, você, Cleber Augusto. Você merece muito mais que isso. Muito obrigado!
MESTRE DE CERIMÔNIAS – Com a palavra o Violonista Beto Davis.

O SR. BETO DAVIS – Como o Dedé acabou de dizer, é questão de referência. Acho que todo músico do samba tem o Cleber Augusto como referência e eu, por tocar violão, fico muito lisonjeado de ter ele como o meu padrinho, para mim é uma honra, e que sorte a minha e de tantos músicos bons que têm em São Paulo e no Brasil. Ele me abraçou como seu afilhado, enfim, é um mito da música popular brasileira e eu não tenho muito o que dizer. A minha homenagem eu guardo com meu violão. Eu, sem o violão, não sou nada. A minha homenagem a ele vai ser através da música. Coloquei quase todas as músicas dele numa só.

Obrigado e parabéns mestre. (Palmas)


MESTRE DE CERIMÔNIAS – Convidamos o compositor Mazinho Xerife para saudar o homenageado.
O SR. MAZINHO XERIFE – Falar de Cleber Augusto é muito fácil pela pessoa que ele é. Primeiramente, quero agradecer ao Vereador Alessandro Guedes que teve a iniciativa de homenagear esse grande poeta, músico e amigo. Como costumo dizer, a melhor homenagem é quando feita em vida. Quero agradecer através de vocês, minha mulher Cátia, Luiz, todos vocês. Eu presenciei a chegada do Cleber Augusto no Fundo de Quintal, onde se iniciou com o meu compadre Almir Neto, Neuci, Arlindo, com aquele pessoal todo, Bira, Sereno. O Cleber Augusto para mim é um dos maiores músicos do Brasil, compositor como eu sou, tem um trabalho memorável e fez músicas que todo o Brasil cantou.

Aqui me despeço agradecendo a todos vocês que iniciaram esse trabalho: Maurício, Alberto e a todo mundo da produção. Um abraço. (Palmas)


MESTRE DE CERIMÔNIAS – Convidamos o Chefe de Gabinete José Carlos Medeiros para saudar o homenageado.
O SR. JOSÉ CARLOS MEDEIROS – Boa noite a todos. Cleber, primeiramente, parabenizo-o pela sua história. Lembro quando ouvia suas músicas nos barzinhos, nossas vidas eram muito gostosas, namorávamos com o som de um sambinha gostoso.

Há duas pessoas aqui que fizeram parte para que essa homenagem pudesse acontecer, uma delas é o Maurício e quero parabenizá-lo. Cleber, o que o Maurício deu trabalho aqui no gabinete para que isso pudesse acontecer. Então, Maurício nós o agradecemos por esse momento. E o outro é o Luiz. A gente o acompanha, estando no samba, estando no bar. Vocês fazem parte dessa homenagem porque vocês brigaram muito para que isso pudesse acontecer, e o Vereador Alessandro abraçou essa ideia.

O Alessandro é um menino da comunidade, da rua. Quando o Maurício veio cobrar essa homenagem ele falou: “Zé se vira e faz isso acontecer”. Então, agradecemos a presença de vocês.

Cleber, você tem um monte de amigos aqui que fizeram questão da gente estar fazendo essa homenagem acontecer. Obrigado pela sua presença e parabéns pela sua história. (Palmas)


MESTRE DE CERIMÔNIAS – Convidamos o Sr. Jorge Luiz Oliveira, que representa neste ato a Deputada Leci Brandão, para saudar o homenageado.
O SR. JORGE LUIZ OLIVEIRA – Muito boa noite a todos. Quero saudar a Mesa, em nome do Vereador Alessandro Guedes, saudar a todos os presentes e dizer que falar em Cleber Augusto - o Mazinho até antecipou e disse na fala dele - é fácil. E todos os dias nós estamos ouvindo o Cleber Augusto, estamos lembrando. Em finais de semana nem se fala. Então, é muito fácil e a gente tem de agradecer por existirem pessoas como o Cleber Augusto. Maurício, a sua briga foi realmente muito válida. O Cleber tem de ser exaltado diariamente.

Obrigado. (Palmas)


MESTRE DE CERIMÔNIAS – Anunciamos as palavras do Presidente e proponente da Sessão Solene, Vereador Alessandro Guedes.
O SR. PRESIDENTE (Alessandro Guedes – PT) – Boa noite, gente. Primeiramente eu quero aqui cumprimentar o Sr. José Carlos Medeiros, Chefe do nosso Gabinete, toda a assessoria do nosso mandato que trabalhou duro para realizar esse evento hoje. Cumprimento também o Sr. Jorge Luiz de Oliveira, Jorginho Saracura, Assessor da grande Deputada Estadual Leci Brandão; que leve nosso cumprimento e nosso abraço a S.Exa.; Beto Davis, violonista; Dedé, cantor e compositor da Comunidade Família Bate Palma Aí, de Ermelino Matarazzo, seja muito bem-vindo; Mazinho Xerife, compositor do Grêmio Recreativo Escola de Samba Salgueiro; Moisés da Rocha, radialista da Rádio USP, outro grande ativista cultural; Carien Bastos, bailarina e filha desse grande guerreiro, nosso homenageado de hoje, Cleber Augusto. Quero cumprimentar também a Cátia que está aqui presente, assessora do Luis Antônio Medeiros; Luis Mário que é o nosso jornalista mais sambista que conheço, lá da zona Leste, vive colocando no jornal notícias sobre samba, sobre as escolas de samba; é um cara que acredita muito na cultura e valoriza isso nas suas publicações. Quero fazer um agradecimento especial ao Maurício Rocha, gostaria que usasse a palavra para falar do Cleber. Ele que veio me trazer essa ideia, que veio me falar sobre o Cleber e por que devíamos homenageá-lo.

A gente que está enfiado em movimentos de moradia, regularização fundiária, na área da habitação como um todo, no esporte, qualificação profissional, às vezes a gente passa desapercebido pela questão cultural.

Nosso mandato, no ano que passou, desenvolveu diversos projetos nessa área cultural e por isso nos aproximamos. Através das nossas emendas parlamentar fizemos projetos na Cidade inteira, projeto até na zona Leste. Está aqui o Passarinho, que está junto com o Faet, um grande sambista da zona Leste, com o Projeto Samba/Rap. Um projeto que acontecia nas praças, onde se levava cultura, música e entretenimento para aquelas famílias que visitavam a praça para brincar com seus filhos e tinha música ao vivo, levando o samba, o rap e cultura para a população. Deu tão certo que a gente resolveu inovar esse ano e mais que dobramos o recurso que nós mandamos da outra vez. Conseguimos, esse ano, mandar 850 mil reais em emendas parlamentares para a Secretaria de Cultura para poder promover cultura nos bairros e na periferia, que é onde precisa cada vez mais.

Essa é uma atuação que o nosso mandato tem e, a partir dessas andanças, vamos tendo ligações, conhecendo as pessoas, e é um grande prazer receber todos vocês aqui hoje, que são ligados à cultura, ao samba, à música e vieram homenagear o nosso grande guerreiro Cleber Augusto.

Cleber, prazer é o meu mandato poder proporcionar a você essa homenagem, porque essa é a mais alta condecoração da Cidade de São Paulo que se possa oferecer para alguém, no caso esse carioca querido. Vou dizer uma coisa, ainda é pouco pelo currículo de serviços prestados que você tem para a música, para o samba e a cultura.

Então é um prazer muito grande para todos nós. É uma alegria poder compartilhar desse momento. Não sei se todos sabem, o Cleber é arquiteto de formação e quando se formou em arquitetura resolveu se especializar em arquitetura da música e da composição. Quem nunca dançou, namorou, ouvindo a música do Cleber Augusto sendo tocada por alguém ou por ele mesmo?

O Cleber é um verdadeiro guerreiro que faz parte da cultura brasileira como tantos outros que às vezes ficam no anonimato. É muito difícil a vida dos músicos. Andamos pelas periferias e vemos que às vezes um barzinho organiza uma roda de samba, uma feijoada com samba ao vivo e com grupos muito bons, mas é muito difícil ver alguém vencer, porque não é fácil esse meio. Sabemos que em todos os lugares há problemas e esse é um lugar em que há muitas dificuldades para as pessoas transporem as barreiras.

É como no futebol, há muitos garotos bons. O Brasil não deixou de ser a pátria do futebol. É só andar e ver os moleques jogando nas ruas, mas só que hoje há uma espécie de empresariado tomando conta e tornou-se uma coisa tão comercial por trás de tudo isso que às vezes o verdadeiro talento não consegue chegar a um time de futebol.

Hoje temos a honra de homenagear você que é um verdadeiro mito, uma referência do samba, como foi falado por nossos colegas que nos antecederam.

Quero dizer que a Câmara Municipal de São Paulo oferece a cada Vereador a oportunidade de homenagear oito pessoas em seu mandato. Eu não saí distribuindo honrarias para as pessoas, para homenagear alguém com a mais alta honraria é preciso que realmente a pessoa mereça. E das oito entreguei três, você é o quarto. Vou encerrar meu mandato só com essas quatro honrarias, porque não é todo mundo que merece. E você merece muito mais do que isso. É um prazer fazer parte da sua história e um grande prazer te receber aqui em São Paulo como Cidadão Paulistano. Você que tanto traz alegria e cultura para o povo de São Paulo, o que está demonstrado pelo número de pessoas que vieram te prestigiar.

Parabéns a você. Parabéns a todos. Muito obrigado. (Palmas)
MESTRE DE CERIMÔNIAS – Convidamos os presentes para, de pé, assistirmos à entrega do Título de Cidadão Paulistano ao ilustre homenageado, Sr. Cleber Augusto, pelas mãos do nobre Vereador Alessandro Guedes.
“Município de São Paulo, Título de Cidadão Paulistano. A Câmara Municipal de São Paulo, atendendo ao que dispõe o Decreto Legislativo nº 37, de 24 de setembro de 2015, concede ao Sr. Cleber Augusto o Título de Cidadão Paulistano. Palácio Anchieta, 23 de março de 2016. Antonio Donato, Presidente; Adolfo Quintas, 1º Secretário; Vereador Alessandro Guedes, Proponente; Luiz Carvalho Diniz, Secretário-Geral Administrativo; Breno Gandelman, Secretário-Geral Parlamentar.”
- Entrega do Título de Cidadão Paulistano.
MESTRE DE CERIMÔNIAS – Convidamos os integrantes da Mesa e familiares presentes para foto oficial.
- Registro fotográfico.
MESTRE DE CERIMÔNIAS – Convidamos para o seu pronunciamento a Sra. Carien Bastos, filha do homenageado.
A SRA. CARIEN BASTOS – Boa noite. De antemão vou me defender porque sou péssima para falar em público. Acredito que - senão todos - uma grande maioria dos presentes conhece a história de meu pai. Foi uma pessoa que sempre viveu no mundo do samba, apesar de ter vindo de outras iniciativas como blues, jazz e afins, caiu meio de paraquedas no Fundo de Quintal e percorreu essa vida ao lado dos demais integrantes do grupo durante 20 e tantos anos.

Saiu do Fundo de Quintal devido a um câncer que teve e que, graças a Deus, não afetou 100% sua carreira profissional, porque além de ser cantor, intérprete, sempre foi compositor, músico e vive disso até hoje. Temos um projeto novo em que meu pai toca as composições dele e o cantor Darlan Arruda interpreta. Assim continuamos fazendo shows pelo Brasil inteiro levando um pouquinho mais de música para todos.

Estamos honrados com a homenagem recebida por meu pai. É muito gratificante para nós que percorremos esse meio ter um reconhecimento desses, nós que somos de fora, do Rio de Janeiro, sermos abraçados por vocês. É muito legal e gratificante.

Agradeço de coração, e já que meu pai é Cidadão Paulistano eu também me considero.

Muito obrigada. (Palmas)
MESTRE DE CERIMÔNIAS – Convidamos para o seu pronunciamento o Sr. Maurício Rocha.
O SR. MAURÍCIO ROCHA – Boa noite. Acho que todos que gostam da boa música, do samba, sempre se espelharam em Fundo de Quintal, que é uma referência para todos. E o Sr. Cleber Augusto é uma das feras do grupo Fundo de Quintal – sou suspeito para falar desse cara,pois sou fã. Eu trabalhava numa agência de publicidade e na sexta-feira ia para o show, já estava casado. Depois comecei a ir no sábado, depois no domingo e se tivesse show na segunda ia também. Eles sempre foram simples, nunca houve grandes produções., era só um ônibus. Havia esse grupo e mais três. Não vou nem citar o nome dos grupos, mas chegou um do interior com duas carretas. Eles chegaram só com um ônibus, seis no palco, não havia nem o Ademir ainda, e quebraram tudo. E o cara com duas carretas. São coisas do mercado.

Aí, coincidiu que, quando foi lançado o disco É Aí Que Quebra A Rocha – estou ficando velho, pois era disco! -, duas músicas estouraram, e nem eram músicas de trabalho: Amizade, que virou um hino, e Lucidez. Essas músicas, naturalmente, por meio das rodas de samba, tornaram-se hinos.

Nunca fui fã tresloucado, sempre fui controlado, admirador com controle, mas, não sei por que cargas d'água fui convidado para trabalhar na produção da turnê do disco É Aí Que Quebra A Rocha, e foi um aprendizado bacana, aprendi muito como músico e como pessoa.

Estamos hoje numa casa política, de representantes do povo, e estamos em um momento meio conturbado. Mas o problema não é a política, o problema são algumas pessoas do meio. É como na música, como o Vereador falou há pouco. Eu também não costumo conjugar na primeira pessoa “eu”. Eu agradeço as palavras e as homenagens, mas conjugo o verbo na terceira pessoa, “nós”. Acho que cada um de nós aqui, cada uma dessas personalidades têm responsabilidade sobre o trabalho: Sambista, Zeca, Dando, a rapaziada toda; também o Jah, do reggae, o Olegário, grande violonista. A gente pode fazer um pouquinho para melhorar essa situação que está aí fora. Cada um de vocês: Ricardo Barranco, Flávio, Fábião - impossível nominar todos - a gente pode contribuir para que as coisas melhorem um pouquinho, e a música é um instrumento para isso, porque a música é divina.

Quero agradecer a você, Vereador Alessandro, ao Zé, a todos aqui, porque não se trata de quantidade, mas de qualidade. Choveu e como vocês estão aqui, provaram isso hoje. Parabéns.

Para terminar, dentro desse aprendizado, em 2010, o Cléber sumiu porque saiu do Fundo de Quintal para gravar um CD e deu tudo errado – não é, Cléber? O mundo virou de ponta cabeça. Aí, me juntei com Fábio, Marcos, Alberto, e dissemos: “Vamos encontrar Cléber”. E somos fãs. Imaginem cantor que não tem mais voz, jogador que não joga mais... Para finalizar, chegamos lá e, em vez de darmos força a ele, foi ele que nos levantou a autoestima. Saímos de lá com a alma lavada, pelo exemplo de vida e de resignação diante da situação que lhe acometeu. Então, que isso sirva de exemplo para todos nós, para que levemos um pouquinho de experiência para nossas famílias, filhos e amigos, como diz a música Amizade.

Deus abençoe você. Estamos juntos. (Palmas)
MESTRE DE CERIMÔNIAS – Convidamos para fazer seu pronunciamento a grande autoridade do samba, que tem um programa na Rádio USP, o radialista Moisés da Rocha.
O SR. MOISÉS DA ROCHA – Excelentíssimo Vereador Alessandro Guedes, componentes da Mesa, todos os presentes e amantes do samba, solidários e parceiros nesta jornada em defesa da nossa cultura popular.

Gosto sempre de repetir, nas diversas vezes em que tenho estado nesta Câmara Municipal, em eventos similares, que muito me alegra o estágio a que chegou a nossa cultura popular, particularmente o nosso samba.

Não vou me estender, mas falar rapidamente dos anos 1980, quando frequentávamos um barzinho com o pessoal do grupo Samba Lá de Casa, na Rua Santo Antonio. Todo dia a gente se encontrava lá às 18 horas e ficava até depois das 23 horas batendo papo. Eles foram gravar, a gente os levou para gravar lá na Continental, aquela coisa toda. O Nelson Mecha Branca dizia, lá da Penha, que se reunia conosco: “Tenho um primo que veio do Rio, o Beto, que trabalha na RGE, na Marquês de São Vicente. Chegou um disco lá, que no Rio ninguém está tocando, e em São Paulo também ninguém conhece, meteram uns instrumentos diferentes, mudaram o som. Eu não ouvi ainda, mas ele disse que está lá parado. Você não quer ouvir?” A gente combinou: “Traga aí, que eu vou ouvir para tocar”. Mas, como sempre, claro, a gente ficava até meia noite, 1 hora da manhã, e fui direto para a USP no dia seguinte e cheguei na hora do programa, ao meio dia; então, não deu tempo de ouvir o disco. Eu peguei, então, e toquei direto. Eu dizia muito o seguinte: “Vou tocar direto um disco novo que chegou para mim, veio do Rio” - contei a história, e tal -, “Se for bom, vou tocar sempre; se for ruim, a gente não toca nunca mais”. Assim eu fazia com todo mundo, inclusive com o disco do Zeca, que eu já conhecia um pouco. Quando parei o disco disse: “Vou tocar esse disco todos os dias”. Era o primeiro disco do grupo Fundo de Quintal. E é engraçado quando falamos da formação do grupo, na sequência, quando sai um dos componentes do Fundo de Quintal, entra o Cléber Augusto. Logo ficamos amigos, eu, ele e o Ademir Batera. A gente era muito chegado, havia muita gozação, aquela coisa toda. A gente brincava muito com o seguinte: o Arlindo Cruz fez curso de piloto da Aeronáutica no Interior, para pilotar jato. Imaginem isso! Só que ele era mais magrinho na época. O Cleber era arquiteto, outro era fisioterapeuta, e por aí vai, cada qual com uma formação, e todos preocupados com a vida profissional, levados pela Beth Carvalho.

A USP tornou-se praticamente a primeira FM do Brasil a tocar sertanejo. O Mano Brown fala disso no primeiro disco dele, faz alusão ao fato de a rádio tocar o rap. A gente já tinha um envolvimento, desde a Rádio Difusora, com o hip hop, com o Nelson Triunfo, aquela turma toda.

Além dessa história, que eu acho interessante e da qual pouca gente fala – já colocamos na internet, mas pouca gente conhece -, fico admirado de ver esta Casa hoje registrando parte da história. Enche-me de esperança de que nem tudo está perdido para a nossa cultura popular, para o nosso samba esse registro contra o preconceito ainda existente das coisas derivadas da África ou oriundas do povo trabalhador e que sempre comeu, como diria o mestre Plínio Marcos, da banda podre. Quando um escravo fugia, a Câmara Municipal, o Governo era obrigado a indenizar o senhor pela perda do seu produto, pois o escravo era um bem, era uma propriedade da família. Quanto mais escravos uma pessoa tinha, mais importante ela era na sociedade.

O tempo passou e acabamos sendo homenageados dentro dessa mesma Casa que outrora ajudou a nos perseguir, patrocinando a mortandade dos nossos antepassados, coisa de que muita gente se esqueceu. Há pessoas que hoje pensam ser classe média – e não vou usar o termo “coxinha”, que não tem nada a ver com o que estamos falando -, mas não leram ou não conhecem a história. (Palmas)

Então, fico feliz por iniciativas como esta, do Excelentíssimo Vereador Alessandro Guedes, de homenagear figuras de destaque, sim, que marcaram presença para toda a sociedade, independentemente de raça, cor, credo, sem preconceito, sem ódio racial, sem ódio social, que mostra que todos têm que ter oportunidade igual nesta sociedade. A sociedade não existe só para você que pode acampar em lugares centrais da Cidade, com atendimento VIP dentro das associações patronais. Dizem que não se pode parar a Avenida Paulista nos dois sentidos. Dizem que não pode, que há o direito de ir e vir garantido, mas isso quando se trata do pobre, quando se trata do trabalhador, que segue acompanhado por proteção policial, jatos d’água, selfies, uma série de coisas; o cara correndo para tirar selfies com aquele que mata os nossos irmãos da periferia e que nos enquadra de qualquer jeito pela nossa cor, pelo nosso ar de pobre, pela sacola e pela marmita que carregamos.

Então, só acredito, de fato, que vão cassar todas as nossas conquistas, tudo o que nós conseguimos avançar na sociedade e que vamos ficar quietos, não vamos responder, não vamos bradar, não vamos proclamar, não vamos contestar. Só acredito nisso, porque duvido que um pai de família, um trabalhador vá gastar seu rico e parco dinheirinho trazendo duas, três, quatro, cinco, seis, sete famílias para vir para um lugar que nem é seu lugar; lá é lugar de lazer sim para toda a sociedade.

Quando é pobre, nem metem borracha, mas bala para matar mesmo. Na periferia, já somos condenados à morte. Agora, quando é outra população, a polícia vai até lá e a protege, faz a salvaguarda para que não sejam perturbados.

Então, só vou acreditar de fato que tudo está perdido quando pararem a Estrada de São Miguel, a Avenida Dona Belmira Marin; a Estrada do M’Boi Mirim; a Avenida Raimundo Pereira de Magalhães, em Pirituba, meu pedaço; a Avenida dos Autonomistas. Aí, sim, começarei a acreditar que o povo não está ligando. Mas, enquanto isso não acontecer, continuo tendo fé e acreditando nas nossas conquistas sociais, com as quais nunca ninguém se preocupou. Alcançamos conquistas que não podemos perder. Muito pelo contrário, temos que continuar lutando.

Não pensem que o samba, que a cultura popular está salva. Nossos filhos, nossas famílias, nossas crenças e as nossas culturas estão em perigo sim, porque a grande meta da maioria das pessoas que se manifestam contra quem promove conquistas para o povo é acabar com tudo isso, considerado privilégio.

A coisa está feia. Se bobearmos, se não reagirmos, vão nos roubar, nos derrubar e cassar tudo o que conquistamos. Ainda temos que lutar muito, porque o racismo, o preconceito racial e social continua progredindo cada vez mais, incentivado pela imprensa criminosa, falsa, que deturpa a família. Querem nos tirar tudo o que já conquistamos até hoje. (Palmas)

Agora quero ler para os senhores um texto de William Borges e Alberto Dantas.

“Na rica história da Música Popular Brasileira, existe um nome que, oriundo do rock, ganhou um enorme destaque no mundo do samba, provando que a música é dádiva divina composta de essência e vertentes, não existindo fronteiras para aqueles que foram agraciados com o dom musical. Grande músico, excelente cantor, espetacular compositor e o mais importante de seus adjetivos, caráter desse excelente ser humano. Cleber Augusto é uma estrela de brilho intenso na constelação do samba.

No Fundo de Quintal, surgiu no final da década de 70 para 80, ao revolucionar a sonoridade do genuíno ritmo com seus jazzísticos acordes. O simples fato de ter feito parte integrante do grupo que até hoje é fonte de inspiração mais pura e cristalina das gerações que sucederam à sua, já faria de Cleber Augusto um importantíssimo nome da nossa música. Mas seu extraordinário talento o leva ainda a voos mais altos e o fazem imortal através da sua extensa e linda obra e poder de criação, pois não há quem não reconheça músicas como Nem Lá, Nem Cá; Cirando do Povo; Lucidez; Romance dos Astros; Deixe estar; Fera do Cio dentre tantas outras que fazem dessa fera um gigante operário da nossa Música Popular Brasileira, pois a sua sublime poesia atravessa gerações com seu inseparável e companheiro violão, retratando atualidades, amores, unificando, exaltando seu povo e seu país. Só a música, que vem do fundo do peito de um grande bamba consegue tal feito, alcança o futuro com a mesma emoção que causou no passado. Assim é sua música: fala direto ao coração apaixonado dos amantes do verdadeiro samba.

Cleber Augusto é a prova concreta de que Deus realmente escreve certo por linhas tortas, pois flertou com o rock numa banda de garagem, namorou a Jovem Guarda como músico de Leno e Lilian, mas apaixonou-se e casou-se com o samba, para o bem desse ritmo e alegria de nossa nação.

Como diz outro também grande bamba da Música Popular Brasileira, Cleber é o gênero mais popular da MPB, pois as experiências vividas no seu passado trouxeram para sua musicalidade um diferencial que é inconfundível e marcante na sua trajetória. Se nas linhas tortas Deus escreveu um ferimento nessa fera, podem acreditar, a fera sobrevive do cio, das boas canções”.

Cleber Augusto, a nossa MPB agradece sua colaboração e agradece a Deus a sua existência. O samba pede passagem. (Palmas)


MESTRE DE CERIMÔNIAS – Para o encerramento desta Sessão Solene, tem a palavra o Presidente e proponente, nobre Vereador Alessandro Guedes.
O SR. PRESIDENTE (Alessandro Guedes - PT) – O Cleber se emocionou algumas vezes com as palavras do Moisés, que foram muito fortes, e gastou todos os lenços de papel que trouxe. Isso só prova o grande ser humano que é, com uma linda família e muitos amigos, além de contar com o respeito do povo da cultura do samba paulistano, hoje representado aqui em sua mais pura e alta qualidade.

Se fôssemos abrir a palavra para todos que estão aqui, todo mundo teria alguma coisa boa para falar de você, Cleber. Não tenha dúvida disso. É gente que o conhece muito, apesar de alguns serem até mais jovens, mas que se inspiraram bastante em você, como uma das cerimonialistas desta Casa, a Michele, que trouxe seu cavaquinho e esperou para tirar uma foto com você. Isso demonstra o grande carinho e respeito que as pessoas têm por você e que você tem por todos.

Volto a dizer que esta honraria da cidade de São Paulo é dedicada só às grandes personalidades. Hoje a cidade de São Paulo tem a honra de homenagear você, Cleber, por meio do nosso mandato e dos nossos amigos Vereadores que aprovaram a concessão desta homenagem.

O Cleber não veio somente ser homenageado e nos homenagear, mas daqui a pouco ele estará na zona Leste, mais precisamente na Avenida Imperador, onde se apresentará no Bar do Juiz, juntamente com o Marquinhos Sensação. Está todo mundo convidado para ver o Cleber em ação.

Agradeço a todos a presença.

Está encerrada a sessão. (Palmas)









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