Sabrina nº 196 "Ele gosta de você, minha filha. Seja agradável." Roxanne não conseguia



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Projeto Revisoras 
 
 
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Agarrava-se  às  pedras  em  desespero,  e  o  vapor  enchia  seu  nariz,  seus  olhos. 
Sabia que a terra ia se abrir, e engoli-la... 
Gritou, gritou. 
A mão da guia maori tocou seu ombro e Sebastian apareceu, como um anjo da 
guarda,  no  meio  da  fumaceira  e  ajudou  a  nativa  a  levantá-la  e  libertar  sua 
perna. 
Roxanne  agarrou-se  a  ele,  segurando  firme,  enquanto  o  vapor  diminuía  e  se 
afastava  deles.  Seus  braços  eram  fortes,  sólidos  e  protetores.  Estava  em 
segurança, graças a Deus! 
Ele perguntou preocupado: 
— O que aconteceu? Você está bem? 
Ela  percebeu  que  sim,  reagiu,  afastou-se  e,  apertando  os  dentes,  sacudiu  a 
cabeça, tentando se livrar do pânico irracional que tomara conta dela. 
— Pisei  num  buraco... Só isso.  — Apertou  mais ainda os dentes,  sentindo  que 
estava à beira de um ataque de histeria. — Fiquei com medo. Foi o vapor. Não 
conseguia enxergar. 
Os turistas se aproximaram, e ela sorriu, trêmula. A guia achou que ela estava 
muito pálida ainda e sugeriu que Sebastian lhe desse alguma coisa para beber. 
—  É  perigoso  andar  por  aqui  sozinha  sem  ver  direito.  Melhor  ficar  junto  dos 
outros turistas — aconselhou a nativa. 
—  Obrigado  pela  ajuda  —  disse  Sebastian.  —  Acho  que  já  vimos  o  bastante. 
Vamos, Roxanne? 
— Você está satisfeito? Não quero atrapalhar. 
— Estou, e você viu mais do que o suficiente. 
Ao chegarem ao hotel, foram direto para o quarto, tomaram um gim tônica e ela 
ficou  um  pouco  tonta.  Deitou-se  na  cama  ainda  fraca  pelo  susto  e  Sebastian 
curvou-se sobre ela. 
— Melhorou? 
— Melhorei. Vou só descansar um pouco, antes de me vestir. 
— Você odeia  isso aqui, Roxanne. Por que, então, sugeriu que viéssemos para 
cá? Não faz sentido. 

Daphne Clair – Por um corpo de mulher 
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—  Estava  só  fazendo  graça.  É  o  lugar  para  onde  vão  todos  os  casaizinhos 
apaixonados. 
Sebastian  ficou  taciturno  e  se  conservou  assim  durante  todo  o  jantar.  A 
orquestra tocava e ela pediu para dançar. 
— Como você quiser. 
Na  pista,  ela  derreteu  nos  braços  dele,  o  rosto  contra  seu  peito,  os  olhos 
fechados.  Queria  estar  assim,  bem  juntinho,  sentir  que  ele  a  apoiava.  Era 
simplesmente delicioso. Depois daquela descida ao inferno, subia ao céu. Nada 
mais importava. Ela o amava, ela o queria. Quando Sebastian tocou na sua testa 
de leve com os lábios, ela ofereceu a boca. 
Pararam  de  dançar  e  saíram  do  salão,  sem  dizer  uma  palavra.  Não  havia 
necessidade. 
Tomaram o elevador, e o ar frio que fazia lá dentro a arrefeceu um pouco. Isto e 
o  fato  de  Sebastian  tirar  o  braço  protetor  da  sua  cintura  ao  apertar  o  botão 
indicando o andar. Pôs a mão de leve nas costas dela para guiá-la pelo corredor 
atapetado, e, quando acendeu as luzes do quarto, Roxanne temeu que o encanto 
tivesse se quebrado. 
Foi  até  a  janela  e  fechou  as  cortinas,  enquanto  tirava  os  sapatos  de  salto  alto. 
Levantando  os  olhos,  viu-o  parado  na  soleira,  o  rosto  com  expressão  fria  e 
distante. 
— Sebastian... — balbuciou, perturbada e ansiosa. 
Ele  deu  alguns  passos  em  sua  direção  e  ela  estendeu  a  mão,  convidando, 
aceitando. 
Abraçou-a com tanta violência, que ela o agarrou, primeiro para se equilibrar, e 
depois para demonstrar também o seu ardor, sua alegria e o grande amor que a 
sufocava, fazendo o peito doer. O prazer era tanto, que se sentia como se fosse 
desmaiar. 
Ele  parou  de  beijá-la  e  deitou-a  na  cama.  Roxanne  levantou  os  braços  para 
recebê-lo, mas Sebastian continuou sentado, resistindo ao convite. 
— Quer que eu vá para a cama com você? Quer fazer amor comigo, Roxanne? 
As mãos dela acariciavam seus ombros. Tímida, disse que sim. 
— Por favor, Sebastian... querido... 

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Em vez de abraçá-la, ele se levantou rápido. 
—Você levou um bom susto, está nervosa e abalada. Não aceito o seu convite, 
nestas circunstâncias. Quero você bem consciente de estar me querendo. Agora, 
no momento', o seu problema é insegurança. Não sou seu ursinho, nem seu pai. 
Comece tudo de novo, quando estiver fria e sóbria. Talvez eu me interesse. 
A  rejeição  dele  foi  como  uma  bofetada,  arrancando-a  da  nuvem  cor-de-rosa. 
Lúcida, pensou. Lúcida? Sentiu que nunca mais ia conseguir pedir o amor dele. 
Ainda mais, sóbria... Virou-se para o travesseiro e tentou dormir. 
 
 
CAPÍTULO VIII 
 
Quando  Roxanne  acordou,  Sebastian  já  não  estava  mais  no  quarto.  Ficou 
prendendo  o  cabelo  num  coque,  e  ele  apareceu  todo  cheiroso,  banho  tomado, 
camisa aberta no peito, calça clara. O  cabelo  revolto parecia trazer um pedaço 
da manhã fresca, lá de fora. 
— Por onde andou? — perguntou ela. 
—  Sentiu  saudades?  —  Não  esperou  resposta  à  pergunta  irônica.  — 
Passeando... Quer voltar para casa? 
Virou  de  costas  para  o  espelho,  o  pente  na  mão,  esquecido.  Espantada,  até 
assustada. 
—  Para  a  minha  casa  —  disse  ele.  —  Nossa  casa  na  praia.  Deu  até  para 
esquecer? 
Com  certeza,  durante  o  passeio  solitário,  tinha  chegado  à  conclusão  de  que 
aquela  lua-de-mel  não  fazia  nenhum  sentido.  Roxanne  pensou  na  casa 
escondida,  cheia  de  paz,  no  ar  fresco  cheirando  a  mato  e  mar,  nos  arbustos 
floridos, no grito súbito das gaivotas. E imediatamente concordou: 
— Quero. Só quero. Por favor... 
Passaram  a  manhã  fazendo  compras  e  partiram  depois  do  almoço.  Roxanne 
sentia-se  muito  menos  tensa  e  Sebastian  ia  guiando  quieto  e  com  o  olhar 
distante, mas atento à estrada. 

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Depois de algum tempo de silêncio, ela disse: 
— Desculpe por ter sido tão idiota, ontem... nas grutas. 
— Idiota? 
Mordeu o lábio e confessou: 
— Eu estava apavorada. Quando era criança, quase morri de medo lá, e parece 
que fiquei traumatizada. Eu me comportei como uma menininha e estou muito 
envergonhada. Mas não espero que você compreenda... 
— Por que não? 
Roxanne  sacudiu  os  ombros.  Não  podia  imaginar  Sebastian  com  terrores 
infantis. Como se tivesse adivinhado as suas dúvidas, ele contou: 
— Se você quiser me ver gritar e sair correndo, deixe-me em um lugar fechado, 
com  uma  vespa.  Fui  mordido  na  pálpebra,  quando  menino,  e  nunca  mais 
esqueci. Além da dor terrível, fiquei apavorado, pensando que estava cego para 
sempre. 
Sorria,  mas  não  achava  graça.  É  claro  que  não  sairia  correndo  aos  berros,  ela 
sabia.  Percebeu  sua  testa  suada  de  repente  e  compreendeu  que  até  mesmo 
aquela lembrança o atormentava. Era estranho... Roxanne imaginou que tipo de 
menino ele teria sido. Solitário, com certeza, pelo pouco que deixava escapar de 
sua vida familiar e de sua infância. 
Tinham  feito  algumas  compras  de  manhã  e  escolhido  um  caminho  mais 
comprido, que não passava por Waimiro, porque não queriam que ninguém de 
lá  soubesse  ainda  que  estavam  de  volta.  Ótima  idéia,  Roxanne  achara.  Não 
queria ter que arranjar desculpas por ter interrompido a lua-de-mel pelo meio. 
O  pôr-do-sol,  como  sempre,  era  lindíssimo  naquela  região  e  dava  vontade  de 
parar o tempo naquela hora vermelha. A casa apareceu no meio da folhagem: o 
lugar ideal para viver um romance. 
Sebastian  devia  ter  pensado  o  mesmo,  pois,  assim  que  pararam  em  frente  da 
porta, pegou-a no colo e levou-a até a sala. 
—  Vamos  fazer  as  coisas  como  mandam  os  costumes.  Não  é  assim  que  a 
noivinha deve entrar na casa nova? 
Deu-lhe um beijo rápido no rosto, sorriu e foi apanhar as malas. Parecia até um 
outro homem! 

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Enquanto isso, ela acendeu as luzes, e estava fazendo café, quando ele entrou. 
Parou  com  uma  colher  de  pó  de  café  solúvel  encostada  na  beirada  da  xícara, 
escutando.  Percebeu  que  ele  entrava  no  quarto  de  casal  com  as  malas.  Depois 
saiu  de  novo.  Ouviu  seus  passos  se  aproximando  da  cozinha  e,  sem  querer, 
suspirou de alívio. Ele não tinha entrado no quarto menor, aquele com a cama 
de solteiro. 
Deixou  o  café  cair  na  xícara  e  não  olhou  para  Sebastian,  mas  seus  dedos 
tremiam ao pegar o açucareiro e colocá-lo na mesa. 
— Quer comer alguma coisa? 
—  Posso  esperar.  Deixei  alguns  ovos  e  temos  as  verduras  que  compramos  de 
manhã. Quer cozinhar, ou cozinho eu? 
—  Pode  deixar.  —  Jogou  água  quente  no  café  e  pôs  as  xícaras  em  cima  da 
mesinha. 
Sentaram-se frente à frente, bebendo aos golinhos, porque estava muito quente. 
Roxanne mantinha os olhos fixos na xícara, como se estivesse lendo sua sorte lá 
no fundo. 
— O que é que há? — perguntou ele. Fazendo força para levantar a cabeça, ela 
disse: 
— Nada. 
Olhou-a, desconfiado, acabou de tomar o café de um só gole e levantou-se. 
—  Vou  arrumar  minhas  coisas.  Há  bastante  lugar  para  as  suas:  seis  gavetas  e 
metade do guarda-roupa. 
Os olhos dele zombavam. 
— Está bem. Arrumo minhas malas depois. 
Tinham comprado alguns legumes, carne e leite, concordando tacitamente que 
não  passariam  em  Waimiro  para  as  compras.  Roxanne  fez  uma  salada  de 
repolho  temperada  com  mostarda  e  pimenta-do-reino,  que  parecia  apetitosa  e 
dava água na boca só com o cheiro picante. 
Grelhou bifes e um tomate cortado ao meio, colocando em cima de cada bife um 
ovo  frito  de  gema  mole  e  clara  muito  branca.  Arrumou  a  mesinha  da  cozinha 
em  vez  da  grande,  de  mogno,  que  ficava  no  centro  do  living  e  chamou 
Sebastian. 

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Já  estava  escuro  lá  fora  e  o  brilho  da  luz  da  cozinha  era  tão  forte  que 
incomodava  os  olhos.  Sebastian  deu  uma  olhada  para  a  mesa,  depois  para 
Roxanne (como se não acreditasse em seus talentos culinários) e pegou copos e 
uma garrafa de vinho tinto no armário. 
Quando ela se sentou, ele imediatamente colocou um copo cheio à sua frente. 
— Obrigada. 
— Você não acha que velas seriam uma boa pedida? 
—  Achei  que  você  gostaria  de  ver  o  que  está  comendo.  Além  disso,  onde  eu 
arranjaria velas? 
— Pois achou errado, mocinha. 
Foi  até  o  armário  e  pegou  dois  castiçais  de  cerimônia  e  duas  velas  brancas, 
arranjou-as  simetricamente  em  cada  canto  da  mesa  e  apagou  a  luz. 
Imediatamente, o ambiente ficou acolhedor e simpático. 
Assim que ele voltou a se sentar diante dela, Roxanne falou, rapidamente, para 
quebrar aquela intimidade: 
— Nunca pensei que fosse tão romântico, Sebastian. 
—  Você  tem  uma  porção  de  idéias  erradas  sobre  mim,  não  é,  mocinha?  Não 
acerta uma. 
Meio nervosa, começou a comer. 
— Não tocou no vinho, Roxanne. Não gostou? Ela deu uma provadinha. 
— Está bom, mas muito seco para o meu gosto. 
— Tem vinho branco, se preferir. Roxanne não queria. 
— Aceita sobremesa? Tem sorvete e frutas em calda. 
—  Não,  eu  me  arranjo  por  aqui  mesmo.  —  Ele  pegou  uma  maçã  na  fruteira  e 
um pedaço de queijo cheddar. — Quer? 
—  Só  a  metade  —  disse  ela,  empurrando  o  prato  para  o  lado  dele.  Sebastian 
cortou  a  maçã  ao  meio,  depois  em  quatro,  tirando  as  sementes  com  a  faca,  e 
colocou dois pedaços no prato dela. 
A  fruta  estava  ácida  e  refrescante,  contrastando  com  o  gosto  suave  do  queijo. 
Foi  um  fim  gostoso  para  um  jantar  agradável.  Ela  tomou  mais  um  gole  de 

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vinho, enquanto Sebastian enchia o copo e bebia tudo de uma vez só. 
— Café? 
— Para mim, não. Obrigado. 
— Então, também não quero. 
Roxanne  tirou  os  pratos  sujos,  pôs  na  pia  e  foi  limpando  a  mesa,  observando 
Sebastian esvaziar o terceiro copo. Então, ele se levantou, dizendo: 
— Vou abrir uma garrafa de vinho branco para você. 
— Não, muito obrigada. Quero ficar sóbria. 
Silêncio elétrico, e sentiu o olhar dele procurando o dela. Por que tinha dito logo 
aquela palavra?, pensou. Afinal, Sebastian falou pausadamente. 
— Humm, isso pode significar muita coisa interessante. 
—  Significa  o  que  eu  disse.  Nada  mais,  nada  menos  —  garantiu,  um  pouco 
rouca. — Bebi demais, ontem. 
—  E  de  que  você  se  arrepende?  De  sua  reação  tão  inesperada?  Ou  da  minha 
recusa à sua oferta generosa? 
Evitando os olhos dele, Roxanne se dirigiu para a sala, respondendo friamente. 
— Talvez tenha me arrependido da dor de cabeça que senti de manhã. 
Ele riu, como se duvidasse. 
— Talvez... 
Apagou as velas e a seguiu, acendendo, um abajur de canto e deixando o resto 
do  living  na  penumbra.  Pegou  o  braço  dela  e  sentaram-se  no  sofá  grande, 
acomodando-se  lado  a  lado.  Ele  segurava  um  copo  de  vinho  e,  com  o  outro 
braço, enlaçava seus ombros. 
A lua estava grande e gorda, tomando conta de metade do mar. O ar pesava um 
pouco e um besouro atarantado bateu no vidro, procurando a luz. Não desistiu 
e  zumbiu  de  novo,  querendo  entrar.  Hipnotizado.  Como  a  própria  Roxanne, 
que fechou os olhos e deixou que o barulho das ondas a embalasse.  
— Quer ouvir música? 
Ela sacudiu a cabeça, dizendo que não. 
Tinha preguiça até de falar. O bater das ondas era o suficiente. Então, lembrou-

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se. 
— Ai, preciso desfazer as malas! — e fez menção de se levantar. 
—  Não  se  mexa.  —  Sebastian  a  segurou,  apertando  seus  ombros  e  puxando-a 
para muito perto, de modo que seus cabelos macios acariciavam o queixo dele. 
— Você pode arrumar as coisas depois. Agora, relaxe. Sossegue. 
Continuou  a  bebericar  o  vinho  e,  depois  de  alguns  minutos,  ela  começou  a 
sentir que a tensão diminuía. Obedeceu, ficando muito quieta, olhos fechados. 
O polegar dele acariciava a seda de sua blusa e ela sentia um calor agradável. 
Os  lábios  dele  roçavam  sua  testa,  Sebastian  pôs  o  copo  no  chão  para  poder 
segurar seu queixo, fazendo com que ela se virasse e o encarasse. 
Os olhos dele estavam escuros, exigentes e fixos em sua boca. Sentiu um arrepio 
na espinha. 
— Você está quase dormindo, Roxanne. 
— Foi um dia cansativo. 
Beijou-a, demoradamente, os dedos em seu pescoço, subindo até o rosto, quase 
machucando, experimentando, passeando por sua pele. 
Roxanne  fechou  os  olhos,  abandonando-se  à  carícia.  Quando  a  largou,  ela  só 
respirou fundo. 
Ainda com o rosto bem junto, Sebastian perguntou: 
— Muito cansada para brigar comigo? Abriu os olhos devagar e o encarou: 
— Quer que eu brigue com você? 
— Não, sua boba! Quero que me responda. Quero sentir você! A voz era macia, 
mas havia frustração nos olhos pretos. 
Roxanne  riu  intimamente,  satisfeita  com  a  pequena  vingança  pela  noite 
anterior. Vendo a sua rejeição e seu desafio, Sebastian começou a se impacientar 
perigosamente. 
Olhos  nos  olhos,  começou  a  abrir  os  botões  da  blusa  dela,  um  por  um... 
Descobriu os seios morenos, num sutiã de renda branca. A mão dele escorregou 
por  suas  costas  e  a  outra  tocou  seus  lábios,  descendo  até  o  pescoço  e  depois 
escorregou por entre os seios. 
Por um longo momento, ela esperou que ele desabotoasse o sutiã. Mas os dedos 

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continuaram  acompanhando  a  curva  dos  seios,  enviando  pequenas  ondas  de 
prazer para os seus nervos. 
Roxanne suspirou, arrepiada: 
— Sebastian... 
— O quê? 
A voz dele era suave, e a mão exploradora parou no fecho do sutiã. 
Olhou  dentro  dos  olhos  dele,  escuros,  indecifráveis,  procurando  achar  a 
resposta  para  a  pergunta  que  não  ousava  fazer.  Só  viu  desejo  e  interrogação 
divertida. Fechando os olhos, vencida, disse: 
— Nada. Não é nada. 
Virou  a  cabeça  para  que  ele  não  visse  a  sua  decepção  e  seu  corpo  cedeu  nos 
braços do marido. Sentia-se profundamente cansada. 
Por  muito  tempo,  Sebastian  não  se  mexeu.  Depois,  encostou-a  no  sofá  e 
começou a abotoar sua blusa. 
Levou um susto, quando ele a puxou com força, fazendo com que ficasse de pé. 
— Vamos — disse. — Vamos passear na praia. Alguma coisa tem que acordar 
você. 
—  Mas  está  tão  escuro  —  protestou.  —  Não  quero  passear  na  praia  nesta 
escuridão. 
— Conheço o caminho como a palma da minha mão. E é noite de lua cheia. 
Abriu a porta do terraço e fez com que ela caminhasse a seu lado, segurando-
lhe o braço. 
As  árvores  começaram  a  cochichar  com  a  brisa  que  vinha  do  mar  e  um  grilo 
solitário gritou no meio do mato. O canto agudo de uma ave noturna quebrou o 
ruído monótono das ondas. 
A areia estava branca e fria à luz da lua, e o vento soprava uma nuvem fina de 
água das beiradas das ondas inquietas. 
Os borrifos molharam o rosto de Roxanne e ela lambeu o sal dos lábios. A areia 
sob  seus  pés  cedia,  macia,  e  a  brisa  varria  até  os  seus  pensamentos.  Tirou  sua 
confusão, sua dúvida, fez com que confrontasse suas próprias emoções. 

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O  vento  aumentou,  e  ela  estremeceu,  sob  a  sua  carícia  gelada.  Sebastian 
perguntou: 
— Está com frio? — e abraçou-a pelos ombros. 
Mas ela respondeu que não, fugindo dele. Tirou os sapatos e correu para o mar. 
Uma onda se ergueu, prateada, e ela segurou a saia acima dos joelhos, deixando 
a  água  fria  bater  nas  pernas  e  sentindo  a  areia  fugir  de  seus  pés,  junto  com  a 
maré. 
Sabia que Sebastian a observava e escutou a voz dele, quando uma onda maior 
alcançou suas coxas. 
— Vai nadar? 
Ele parecia de divertir. 
Estava  frio  para  nadar,  mas  sentia-se  desinibida  e  corajosa.  Saiu  da  água  e 
correu para longe dele. Deixou a saia cair na areia e tirou a blusa, depressa. 
Sebastian  continuou  quieto,  só  observando,  enquanto  ela  entrou  na  água,  sem 
olhar para trás. Mergulhou, ficou cega com a espuma que entrava na boca, no 
nariz.  Enfiou  a  cabeça  de  novo  na  água  e  sacudiu  os  cabelos,  jogando-os  para 
trás. Fez concha com as mãos e molhou o rosto uma, duas vezes. Sentiu-se leve 
como que batizada, a primeira mulher no mundo, sem culpas, sem remorsos. 
Quando ele se juntou a ela, os corpos nus brilhando ao luar, percebeu-se viva, 
vitoriosa, e nadou para mais longe, o coração batendo forte. Sebastian alcançou-
a e prendeu-a num abraço. Mas Roxanne conseguiu se desvencilhar, furou uma 
onda e riu, pois a onda estourou sobre a cabeça dele. 
Estava  rindo  ainda,  quando  sentiu  a  mão  forte  segurando-a  pelo  calcanhar. 
Prendeu a respiração antes que ele a puxasse para o fundo e depois a largasse. 
Agarrou-a pelos cabelos e deu-lhe um beijo salgado.  Depois, foi a  vez  dela de 
empurrar a cabeça dele para a água. Brincaram como duas crianças. O corpo nu 
de Sebastian era muito moreno, bonito, e a excitava. Mas, pela primeira vez, o 
desejo não fazia com que se sentisse culpada. Parecia tão natural estarem ali... 
Como se aquilo já tivesse acontecido. 
Que  gostoso  acariciá-lo  dentro  da  água!  Que  delícia  o  contato  das  peles 
molhadas. Estavam juntos de verdade, coração com coração, no coração do mar. 
Voltaram  para  a  praia,  com  as  ondas  que  os  empurravam  de  leve,  para  que 

Daphne Clair – Por um corpo de mulher 
(Sabrina 196) 
Projeto Revisoras 
 
 
77 
saíssem. Tinha acabado o ritual. Eram dois seres limpos e bons. 
Tremeram  de  frio.  Sebastian  vestiu  a  calça  e  Roxanne  pôs  a  blusa.  Não 
conseguia encontrar os sapatos e a saia estava molhada; enrolou-a na cintura e 
foram caminhando para casa, 
Ela chegou ofegante lá em cima, os braços e as pernas arrepiados. Encolheu-se 
de frio e tentou parar de bater os dentes. 
— Sua maluquinha! — ele se zangou, quando a viu, depois de fechar a porta. — 
Está congelando. 
Roxanne riu. 
— Mas acordada. Acordadíssima. 
Ficou olhando para ela, quase nua, toda molhada, e ela o encarou também, com 
os olhos sorrindo em convite e desafio. 
— Para o banheiro, mocinha. Agora mesmo! 
Seguiu-a, pegou uma toalha felpuda que entregou a ela e começou a se enxugar 
também, vigorosamente. 
Roxanne enxugou o rosto e esfregou a cabeça, distraída, admirando seu corpo 
musculoso.  Até  se  assustou,  quando  ele  colocou  a  toalha  de  lado  e  se 
aproximou,  tocando  seus  cabelos  ainda  molhados,  que  escorria  água  pelas 
costas. 
Sebastian disse: 
— É melhor tirar essa blusa encharcada. 
— Vou ter que desfazer a mala para vestir alguma coisa. 
— E precisa se vestir? 
Olhou  para  ele,  depressa,  percebendo  o  tom  diferente,  e  o  que  viu  em  seus 
olhos a fez corar. 
Chegou perto dela, e, pela segunda vez naquele dia, começou a desabotoá-la. Só 
que, dessa vez, não parou. Tirou a blusa e jogou no chão. Arrancou a toalha de 
suas  mãos  e  colocou-a  sobre  seus  ombros  molhados,  deixando  que  os  cabelos 
caíssem por cima. 
— Então, está acordada? 

Daphne Clair – Por um corpo de mulher 
(Sabrina 196) 
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