Sabrina nº 196 "Ele gosta de você, minha filha. Seja agradável." Roxanne não conseguia



Baixar 1.05 Mb.
Pdf preview
Página1/10
Encontro18.06.2020
Tamanho1.05 Mb.
  1   2   3   4   5   6   7   8   9   10

P
P
O
O
R
R
 
 
U
U
M
M
 
 
C
C
O
O
R
R
P
P
O
O
 
 
D
D
E
E
 
 
M
M
U
U
L
L
H
H
E
E
R
R
 
 
Promise to Pay 
D
D
a
a
p
p
h
h
n
n
e
e
 
 
C
C
l
l
a
a
i
i
r
r
 
 
 
 
 
Sabrina nº 196 
 
 
"Ele gosta de você, minha filha. Seja agradável." Roxanne não conseguia 
entender por que o pai encorajava tanto o interesse de Sebastian Blair por ela. 
Estava certo que era riquíssimo, o todo-poderoso dono da maior indústria 
eletrônica da Nova Zelândia, mas tinha antipatizado profundamente com ele à 
primeira vista. Além disso, para que precisavam de seu dinheiro, se também 
eram ricos? Então, o pai confessou um segredo que vinha guardando há muito 
tempo: estavam à beira da falência e só uma união com a firma de Sebastian 
poderia salvá-los. E Roxanne compreendeu que, se não fosse boazinha com 
aquele homem, ficariam na miséria. Mas até que ponto podia ceder, sem, vender 
seu corpo a ele? 
 
 
Digitalização: Zaira Machado 
Revisão: Cris Paiva 

Daphne Clair – Por um corpo de mulher 
(Sabrina 196) 
Projeto Revisoras 
 
 

 
Copyright: DAPHNE CLAIR 
 
Título original: "PROMISE TO PAY" 
 
Publicado originalmente em 1981 pela  
Mills & Boon Ltd., Londres, Inglaterra 
 
Tradução: NINA HORTA 
 
Copyright para a língua portuguesa: 1982 
 
ABRIL S.A. CULTURAL E INDUSTRIAL — São Paulo 
 
Composto e impresso em oficinas próprias 
Foto da capa: KEYSTONE 
 

Daphne Clair – Por um corpo de mulher 
(Sabrina 196) 
Projeto Revisoras 
 
 

 
CAPITULO  
 
Era  uma  noite  de  verão,  bonita,  com  lua,  a  brisa  fresca  trazendo  perfume  de 
jasmins. Mark guiou o carro pela alameda de tamarineiros que levava à casa de 
Roxanne e parou no portão. No escuro, voltou-se para ela, procurou sua boca, e 
a moça encostou-se nele, retribuindo o beijo com carinho. De repente, Roxanne 
se  endireitou  ao  sentir  as  mãos  curiosas  e  a  respiração  entrecortada  do  rapaz. 
Afastou-o com força. 
— Pare com isso, Mark — falou, enquanto tratava de sair do automóvel. 
Ainda ofegante, Mark pôs o carro em movimento e respondeu, brusco: 
— Você deu corda. Sabe que deu. Só sabe me provocar...  
Roxanne  nem  responder  podia  porque  uma  briga,  agora  e  ali,  seria  demais. 
Furiosa, tentava abrir a porta da casa. Sair com rapazes era sempre uma batalha 
de  antemão  perdida:  se  não  retribuísse  os  beijos  de  um  que  a  agradasse,  era 
frígida; se retribuísse, estava querendo mais. Dava para odiar todos os homens 
e era exatamente como se sentia no momento. Com ódio! Droga! 
O escritório do pai ficava junto da entrada, e, ao virar-se, deu com ele saindo de 
lá  com  um  rapaz.  Ah,  meu  Deus,  isso  lá  era  hora  de  encontrar  alguém!  Só 
queria  esgueirar-se  para  o  quarto  e  botar  sua  raiva  para  dormir.  Foi  com 
exasperada  resignação  que  respondeu  ao  cumprimento  amável  do  pai  e 
estendeu a mão para a visita que ele lhe apresentava. 
— Sebastian Blair, minha filha Roxanne. 
Sentiu na voz do pai alguma coisa que a fez olhar rapidamente para o rosto do 
estranho. Moreno, olhos brilhantes e inteligentes e um aperto de mão forte. 
O  homem  não  sorriu,  mas  seus  olhos  se  divertiam,  olhando-a  com  interesse, 
entendendo  tudo,  inclusive  o  seu  cabelo  escuro  despenteado,  sua  boca  sem 
batom,  os  lábios  ainda  trêmulos  dos  beijos  de  Mark.  Ficou  vermelha,  mais 
zangada ainda, e só então o rapaz sorriu. 
— Encantado, srta. Challis. 
Roxanne retribuiu, com um leve aceno de cabeça. 
— Boa noite, sr. Blair. Boa noite, papai. Já vou dormir. 

Daphne Clair – Por um corpo de mulher 
(Sabrina 196) 
Projeto Revisoras 
 
 

Sentiu alguma coisa diferente no ar, como se o pai a quisesse por ali, como se 
não pudesse ficar a sós com a visita. Mas isto era ridículo! Imagine só, ele, um 
homem  tão  firme,  seguro  e  bem-sucedido,  precisar  da  ajuda  dela,  a  filha  de 
vinte e três anos que, naquela hora, não passava de uma simples mocinha boba 
e  zangada  com  os  homens  em  geral.  Só  em  sua  cabeça  perturbada  poderia 
surgir uma idéia tão tonta de que o pai a queria por perto, segurando sua mão. 
Ora bolas! Dormir era o melhor negócio. 
No dia seguinte, um domingo dourado e quente, Roxanne, depois de ter ido à 
igreja  com  a  família,  resolveu  não  fazer  nada  além  de  tomar  sol  em  casa  e  ler 
um livro de mistério. Bastante preguiça, sol e calma. Um biquíni bem pequeno, 
a loção bronzeadora cobrindo cada centímetro do corpo, e já estava se deitando 
no colchão de ar, quando Rhonda, a irmã caçula, gritou, lá de dentro. 
— Roxanne, telefone! Voz de homem! Não era possível. Logo agora! 
— Diga que não estou! — respondeu, pensando nas desculpas esfarrapadas que 
Mark devia estar querendo lhe dar por seu comportamento na noite anterior. 
— Como é? Não entendi! 
— Diga a ele... Não, nada. Esqueça. Já vou. 
Levantou-se  com  má  vontade,  suspirando.  O  sol  que  brilhava  na  piscina 
machucou  seus  olhos,  o  calor  queimou  os  ombros,  enquanto  atravessava  o 
gramado arrastando os pés. 
— A-a-alô. 
Espantou-se ao ouvir a resposta. 
— É Roxanne? 
Ora, não era Mark. Quem seria, então? Não conseguia reconhecei a voz. 
— Sebastian Blair. Nós nos encontramos ontem.  
— Ah, pois não. Claro. 
Pequena pausa. Talvez ele notasse a surpresa dela. Continuou: 
— Estou completamente sem programa, hoje. Pensei que talvez você... Que tal 
um passeio? Um banho de mar? 
Roxanne  olhava  para  o  disco  do  telefone,  com  cara  de  espanto.  Sabia  que  era 
bonita, que os homens caíam por ela, que isso e mais aquilo, mas impressionar 

Daphne Clair – Por um corpo de mulher 
(Sabrina 196) 
Projeto Revisoras 
 
 

Sebastian Blair? Huum... não tinha visto admiração naqueles olhos, só avaliação 
e uma ponta de troça. 
Respondeu, devagar: 

 
Bem, sr. Blair, eu quase nunca fico completamente sem programa. Quanto a 
nadar, estou aqui na piscina. Mas obrigada pelo convite. Foi muito gentil. 
— Algum outro dia, talvez?  
— Talvez — respondeu, amavelmente. — Até qualquer hora, sr. Blair. 
O pai passava junto ao telefone na direção do escritório e parou de repente, ao 
ouvir as últimas palavras, dela. 
— Sebastian Blair? O que é que ele queria? Por que não me chamou? 
— Era comigo, papai. Queria marcar um encontro. 
Um sorriso se abriu no rosto de Owen Challis, e Roxanne logo acrescentou: 
— Mas eu recusei, 
Por um minuto, o sr. Challis pareceu assustado, mas logo se recompôs. Mesmo 
assim, ainda havia em seu rosto uma pontinha de preocupação. 
Intrigada, Roxanne perguntou: 
— Ele é importante, papai? 
— É. É sim. 
— Se você quer que eu saia com ele... 
A  voz  dela  foi  diminuindo,  insegura,  pois  nunca  tinha  tido  aquele  tipo  de 
experiência  com  o  pai  e  estava  confusa.  Por  um  instante,  ele  pareceu  olhá-la 
com ansiedade; depois, em voz baixa e rouca, pigarreando, disse: 
— Não, é claro que não deve sair com ele, se não o aprecia. Esqueça, 
Passou  a  mão  distraída  pelos  cabelos  dela,  encaminhou-se  para  o  escritório  e 
fechou a porta.  
Roxanne  voltou  para  o  seu  colchão  e  seu  livro,  mas  nada  a  interessava  mais. 
Estava preocupada. Sebastian não era homem para se expor a um segundo fora. 
Também  o  pai  poderia  ter  dado  uma  indireta,  antes  do  telefonema.  O  que 
estaria acontecendo? 
Owen Challis não conversava sobre negócios com a família. A mãe de Roxanne 

Daphne Clair – Por um corpo de mulher 
(Sabrina 196) 
Projeto Revisoras 
 
 

fazia  questão  de  não  saber.  Era  decorativa,  simpática,  ótima  anfitriã,  mas 
admitia  que  não  tinha  cabeça  para  números;  que  o  marido  se  incumbisse  de 
tudo. Estava contente com a casa bonita e em poder comprar tudo que lhe desse 
na cabeça. 
Às filhas não faltava nada; Roxanne acabara a faculdade de sociologia e viajara 
três meses pela Europa com a  mãe. Na volta para a Nova Zelândia, procurara 
um bom emprego que combinasse com seu novíssimo diploma, mas o mercado 
de trabalho estava saturado e só tinha conseguido cargos públicos sem a menor 
possibilidade de futuro. 
O sonho de Bettina Challis havia sido sempre ter as filhas com ela em Waimiro, 
a cidade progressista, na rota turística, bem ao norte de Auckland. Em Waimiro, 
Owen  Challis  gostava  de  se  chamar  de  "um  peixe  grande,  em  lago  pequeno". 
Empregava quase duzentos operários na indústria de montagem de estéreos e 
fabricação de discos e expandia os negócios cada vez mais em vários pontos do 
país. 
Quando Roxanne, caçoando de suas limitações de socióloga* suspirara ao ver á 
placa de "Vende-se" em sua loja favorita de artesanato nativo, a mãe percebeu o 
suspiro  e  o  interpretou  como  vontade  de  ficar  em  Waimiro.  O  pai  ofereceu-se 
para  comprar  a  loja  e,  apesar  de  seus  protestos  de  que  era  cara,  e  seria  um 
sacrifício para ele, comprou. — Do mundo nada se leva, minha filha. 
Foi  um  bom  investimento,  e  a  oportunidade  de  Roxanne  se  tornar 
independente.  
Bettina  Challis  havia  conseguido  o  que  queria:  não  ficar  com  o  ninho  vazio. 
Rhonda iria no mês seguinte para a faculdade, estudar artes plásticas, e a mãe 
estava  no  seu  elemento,  naquelas  férias  de  Natal,  com  as  duas  filhas  debaixo 
das asas. 
Roxanne  pôs  o  livro  de  lado,  virou-se  e  abaixou  as  alças  do  biquíni  para  não 
ficar  com  os  ombros  marcados.  A  piscina  brilhava,  e  ouvia  a  voz  da  mãe 
cantando, enquanto preparava coisas gostosas para o chá. 
— Somos mimadas demais — pensou a moça. 
Os amigos se escandalizaram quando ela voltou para casa. E a independência? 
A  privacidade?  Mas  a  verdade  era  que,  depois  da  vida  de  dormitório,  da 
comida de cantina, da bagunça de um quarto dividido, a paz e a comidinha da 

Daphne Clair – Por um corpo de mulher 
(Sabrina 196) 
Projeto Revisoras 
 
 

mãe  eram  como  o  paraíso.  Nem  podia  se  lembrar  da  cama  mal  arrumada  do 
colégio,  latas  pelo  chão,  cabides  pelas  paredes  e  aquele  pôster  horroroso  que  a 
vizinha  teimava  em  espetar  bem  na  frente  do  seu  travesseiro:  uma  menininha 
Vestida  de  pastora,  fundo  cor-de-rosa,  uma  porção  de  carneiros  pastando, 
margaridas nos braços. 
A  comida  era  o  pior.  Sanduíches  engolidos  com  refrigerantes,  em  pé,  ou 
bandejas com o indefectível café morno, batatas frias e um picadinho de carne 
ou frango bem gorduroso e enjoativo. 
A  hora  de  voltar  para  o  dormitório,  uma  corrida;  parecia  Cinderela,  sem  o 
príncipe encantado. 
Ainda  se  as  aulas  fossem  uma  maravilha...  mas  não  eram,  Cada  dia,  alunos 
menos  interessados,  professores  mais  relaxados,  pesquisas  apressadas.  Nos 
velhos  tempos,  a  escola  já  havia  sido  muito  boa,  mas  agora  só  fornecia 
diplomas. 
Os  pais  nunca  interferiam  na  vida  social  de  Roxanne  e  havia  vantagens  em 
trazer  os  namorados  para  lá,  onde  sentiam  uma  vigilância  discreta.  Como 
nunca quis passar a noite com nenhum deles, voltava sempre em hora razoável 
e, se por qualquer motivo  sabia que  ia chegar mais tarde, avisava. Sem regras 
impostas, sem proibições. Era um arranjo agradável. 
Gostava  da  cidade.  Nem  pequena  nem  grande,  com  tudo  o  que  uma  cidade 
moderna tinha a oferecer: lojas onde podia se vestir bem, livrarias que recebiam 
os  últimos  lançamentos  só  com  um  pouquinho  de  atraso,  um  cinema  muito 
bom e outros nem tanto... Restaurantes havia três, com estrelinhas e tudo, onde 
podia  comer  desde  escargots  e  trufas,  até  um  peixe  ensopado  à  moda  de 
Waimiro. Mas a principal atração eram mesmo as praias. Por falar em praias... 
Em qual delas Sebastian Blair queria levá-la? 
O pensamento de Roxanne começou a vagar distraído. Como era o rosto dele? 
Cabelos  pretos,  olhos  escuros...  Castanhos  ou  pretos?  Parecia  um  aventureiro 
espanhol. Decididamente, nada moderno. Medieval. Mais alto do  que seu pai, 
isso  ela  lembrava.  Um  palmo,  talvez.  Forte.  Não  gostara  dele,  mesmo.  E  não 
teria  saído  com  ele  de  jeito  nenhum.  Lembrou-se  do  pai.  Nunca  pedia  nada  a 
ela, e por ele seria até capaz do  sacrifício. Por  que motivo estaria pedindo  um 
favor? 

Daphne Clair – Por um corpo de mulher 
(Sabrina 196) 
Projeto Revisoras 
 
 

Rhonda desabou ao lado dela. 
— Nossa, que sorte a sua, Rox! Por que eu não consigo um bronzeado desses? 
A pele de Rhonda era muito clara e sua sina eram as saídas que pipocavam ao 
menor sinal de sol. Os cabelos loiro-avermelhados, bastante ondulados, seriam 
bonitos, se ela tivesse o hábito de penteá-los mais vezes, e até as sardas na ponta 
do nariz arrebitado lhe davam graça e charme. Era uma menina bonita, pensou 
Roxanne. 
—  Os  homens  vitorianos  teriam  adorado  sua  cor,  Rhonda.  Estariam  todos  a 
seus pés, cofiando os bigodes e escrevendo poemas e odes em homenagem ao 
seu nariz. 
— Então, nasci fora de época. Mas nem os vitorianos gostariam das sardas. 
— Mamãe tomaria cuidado para que elas não aparecessem. Você, teria que usar 
um daqueles lindos chapelões de palha italiana amarrada debaixo do queixo e 
uma sombrinha florida. 
— Posso até ver mamãe como uma dama antiga. Acho que ela também nasceu 
fora  de  época.  E  sabe  quem  mais?  Aquele  rapaz  que  esteve  aqui  ontem. 
Definitivamente, não nasceu no século vinte. 
— Gozado, eu estava pensando nisso agorinha mesmo. Medieval, não é? 
— Você o viu? 
— Por uns instantes. Ficou aqui muito tempo? 
—  Séculos.  Tomou  um  aperitivo  com  mamãe  e  papai,  enfiou-se  no  escritório 
com papai para conversar sobre negócios. Acho que está pedindo conselhos ou 
alguma coisa do gênero. 
— Você acha? 
Roxanne  não  acreditava.  Não  tirava  da  cabeça  a  ansiedade  do  pai,  que,  por 
algum motivo, queria agradar a Sebastian Blair. Isso era tão inesperado nele... 
Mark  ligou  antes  das  cinco  horas,  convidando-a  para  um  churrasco  na  praia. 
Ela perguntou à mãe se podia faltar ao chá. 
— É claro que pode, minha filha. Mas vai perder a salada e o bolo de carne. 
As  saladas  de  Bettina  eram  a  perfeição  de  uma  culinária  muito  fina,  com 
florzinhas  de  tomates  e  rabanetes  que  levavam  horas  para  serem  cortadas.  O 

Daphne Clair – Por um corpo de mulher 
(Sabrina 196) 
Projeto Revisoras 
 
 

bolo de carne, qualquer coisa fofa e deliciosa, que não seria possível comparar 
aos  bifes  queimados  e  salsichas  cheias  de  areia  engolidas  com  bebidas 
enlatadas.  Em  outra  ocasião,  Roxanne  não  perderia  aquelas  maravilhas  por 
nada  no  mundo.  Mas  passara  o  dia  intrigada  com  a  atitude  dó  pai.  Queria  se 
distrair um pouco e disse a Mark que iria. 
A praia ainda estava quente, apesar das sombras das pohutukawas prateadas que 
se  estendiam  e  aumentavam  ao  cair  do  sol.  As  árvores  começavam  a  perder 
suas enormes flores vermelhas, e a areia era toda sangue de pétalas amassadas, 
junto a troncos e raízes nodosos. 
Havia  quatro  carros  e  mais  ou  menos  vinte  pessoas  no  grupo.  Mark  havia 
trazido  mais  um  casal  no  carro.  Pararam  no  gramado  acima  da  praia,  tiraram 
cobertores, toalhas e cestas de comida e foram se juntar aos outros que tinham 
se apossado  de uma área limitada por duas  pohutukawas,  cheia de pedras lisas 
que serviam de mesas e cadeiras. 
As famílias que haviam estado na praia o dia inteiro estavam indo embora, e só 
um pescador solitário dividia a areia com eles. 
Roxanne  cumprimentou  várias  pessoas  conhecidas,  enquanto  tentava  escapar 
do braço de Mark, que queria enlaçar sua cintura. 
Quando uma voz profunda, atrás dela, disse "Alô", assustou-se. Apesar de só a 
ter  ouvido  duas  vezes,  reconheceu-a  na  hora.  Virou-se  para  os  olhos 
enigmáticos de Sebastian Blair. 
— Olá, sr. Blair — disse, friamente. — É uma surpresa. 
—  Mundo  pequeno  —  respondeu  ele,  rindo-se  da  cerimônia  do  cumprimento 
dela. 
Uma garota chegou até Blair, segurou-o pelo braço. 
— Alô, Roxanne. — E, atrás do sorriso, Roxanne leu a mensagem: "Este é meu. 
Não toque". 
—  Oi,  Delia  —  respondeu  e,  instintivamente  deu.um  passo  atrás,  para 
divertimento mudo de Blair. 
—  Dá  licença  —  disse  Delia,  puxando  Sebastian.  —  Quero  apresentar  você  a 
alguém. Venha. 
Roxanne  ficou  observando  os  dois.  Um  homem  alto  de  cabelos  escuros, 

Daphne Clair – Por um corpo de mulher 
(Sabrina 196) 
Projeto Revisoras 
 
 
10 
bermuda e sandálias claras, camisa marrom aberta no peito bronzeado,  e uma 
garota miúda, com um short mínimo e blusa vermelha amarrada, cabelos loiros 
pelos ombros. 
Tinha  sido  colega  de  Delia,  quando  a  outra  ainda  era  uma  mocinha  gorda  e 
cheia  de  espinhas.  Ao  sair  da  escola,  fora  trabalhar  no  salão  de  beleza  mais 
conhecido de Waimiro e lá aprendera todos os truques da mulher fatal. 
No  começo  era  tida  como  uma  piada  pelas  outras  moças,  piada  que  foi 
deixando de ter graça à medida que os rapazes começaram a desertar para o seu 
lado.  Ódio  e  irritação  não  tocavam  Delia.  Acostumada  a  ser  o  patinho  feio, 
queria mais era a glória e a reputação de destruidora de corações. 
Onde  teria  Delia  encontrado  Blair?  Roxanne  logo  teve  a  resposta.  Todos  do 
grupo  estavam  curiosos  para  saber  de  onde  aparecera  o  estranho. 
Aparentemente,  procurava  uma  casa  no  bairro.  Tinha  negócio  em  Auckland, 
mas queria  um pouco de distância da cidade. Max Ansell, que era corretor de 
imóveis,  havia  lhe  mostrado  uma  casa,  de  manhã,  e  resolvera  apresentá-lo  ao 
pessoal,  levando  Delia  como  companhia  de  Sebastian.  Ele  próprio  estava  com 
uma bonita morena. 
Todos se prepararam para cair na água. Roxanne tirou a canga que usava sobre 
o  biquíni  branco,  e  correu  para  o  mar,  atravessando  as  ondas  num  mergulho 
bonito.  Delia  brincava  e  corria  na  arrebentação,  com  vários  rapazes  ao  lado, 
rindo e espalhando água por todos os lados. Roxanne boiou um pouco, pegou 
algumas ondas e veio caminhando para a praia. Mark apareceu ao lado dela e 
juntos correram para se enxugar. 
Max Ansell e outro rapaz estavam fazendo um círculo de pedras grandes, para 
o churrasco, e Roxanne disse a Mark: 
— Vamos ganhar o nosso jantar, catando gravetos. 
Voltaram  com  os  braços  carregados.  Roxanne  ficou  ajudando  a  montar  a 
fogueira, enquanto Mark, meio desconsolado, juntou-se a um grupo que saiu à 
cata  de  mariscos.  Quando  voltaram  com  um  balde  cheio,  já  tinham  colocado 
uma  grelha  sobre  a  fogueira  e  Max  e  Roxanne,  cuidadosamente,  colocaram 
sobre ela os bifes. 
A moça saiu de perto do fogo, até conseguir dois pratos. Um para Mark, outro 
para ela. Sentaram-se juntos na areia. 

Daphne Clair – Por um corpo de mulher 
(Sabrina 196) 
Projeto Revisoras 
 
 
11 
— Obrigado — disse ele. — Está se divertindo? Ignorando o tom de sarcasmo, 
ela respondeu: 
— Muito, e você? Como está o bife? 
Mas  não  olhava  para  ele  e,  sim,  para  Blair.  Delia  estava  ajoelhada  ao  lado  do 
rapaz,  com  um  prato  cheio  de  mariscos  fervidos  no  vinagre.  Pareciam  um 
príncipe  oriental  e  uma  escrava  branca.  Seria  engraçado...  Mas  simplesmente 
não achou graça nenhuma. 
Todos  já  alimentados,  escutavam  um  rapaz  tocar  violão,  e  Roxanne,  que  se 
afastara  de  Mark,  percebeu  Delia  de  rosto  encostado  ao  de  Blair,  os  cabelos 
caindo  sobre  sua  camisa  marrom.  Pareciam  muito  íntimos  para  duas  pessoas 
que  só  haviam  se  conhecido  algumas  horas  antes,  mas  poucos  homens 
resistiriam aos avanços de Delia, isso era preciso reconhecer. 
Estava  escurecendo,  o  ar  cheirava  a  lenha  queimada  e  maresia.  As  estrelas 
começavam  a  aparecer  e  o  mistério  no  ar  era  quebrado  pela  crista  das  ondas 
batendo  nas  pedras.  Começou  um  movimento  geral  de  corrida  para  o  mar. 
Roxanne desatou o nó da toalha na cintura e, ao olhar para cima, viu Sebastian 
Blair à sua frente. Já tinha tirado  a camisa e  desabotoava a bermuda, devagar, 
com os olhos fixos na moça. 
Todo  mundo  estava  se  despindo  e,  no  entanto,  ela  ficou  vermelha,  como  se 
houvesse  uma  intimidade  enorme  entre  eles,  como  se  estivessem  tirando  a 
roupa  um  para  o  outro,  em  vez  de  estarem  na  praia,  cercados  de  gente  por 
todos os lados. Era ridículo corar feito uma idiota! 
Com  a  cabeça  quente,  Roxanne  correu  para  a  água  e  nadou  para  longe, 
deixando  Mark  para  trás,  aos  berros.  Afastou-se  muito  mais  do  que  devia  e 
ficou  boiando,  ouvindo  os  gritos  dos  outros  se  perderem  na  calma  noite 
estrelada. 
Sua paz não durou muito. A cabeça de Blair apareceu a seu lado. Era inevitável. 
Devia imaginar que a seguiria, depois daquela troca de olhares. A voz dele era 
mansa. 
— Roxanne, você está indo longe demais. 
— Não se incomode, sr. Blair. Nado bem e sei cuidar de mim. 
— Nem precisa me dizer. Vi como fugiu do seu pobre namorado a tarde inteira.  

Daphne Clair – Por um corpo de mulher 
(Sabrina 196) 

Baixar 1.05 Mb.

Compartilhe com seus amigos:
  1   2   3   4   5   6   7   8   9   10




©bemvin.org 2020
enviar mensagem

    Página principal
Prefeitura municipal
santa catarina
Universidade federal
prefeitura municipal
pregão presencial
universidade federal
outras providências
processo seletivo
catarina prefeitura
minas gerais
secretaria municipal
CÂmara municipal
ensino fundamental
ensino médio
concurso público
catarina município
reunião ordinária
Dispõe sobre
Serviço público
câmara municipal
público federal
Processo seletivo
processo licitatório
educaçÃo universidade
seletivo simplificado
Secretaria municipal
sessão ordinária
ensino superior
Universidade estadual
Relatório técnico
Conselho municipal
técnico científico
direitos humanos
científico período
pregão eletrônico
Curriculum vitae
espírito santo
Sequência didática
Quarta feira
conselho municipal
prefeito municipal
distrito federal
língua portuguesa
nossa senhora
educaçÃo secretaria
Pregão presencial
segunda feira
recursos humanos
educaçÃO ciência
Terça feira
agricultura familiar