Revista de Educação do Curso de Pedagogia do Campus Avançado de Jataí da Universidade Federal de Goiás



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Revista de Educação do Curso de Pedagogia 

do Campus Avançado de Jataí da Universidade Federal de Goiás

[Vol I – n.3] [Jan/Jul] [2007]

ISSN : 1807-9342

A CULTURA E AS DIFERENTES CONCEPÇÕES APREENDIDAS 

NAS DETERMINAÇÕES HISTÓRICAS

PINTO, Suely Lima de Assis 

1

 Docente do Curso de Pedagogia CAJ/UFG

RESUMO

O presente texto analisa as diferentes concepções de cultura, em seus elementos objetivos e 

subjetivos.   Ela   pode   ser   compreendida   como   objetivação   das   necessidades   humanas 

externalizadas   no   trabalho   e   como   subjetivação   e   compreensão   do   mundo   simbólico 

constituído no campo ideológico. O  texto ressalta ainda que a cultura se constitui não 

apenas enquanto trabalho ou reposição das necessidades humanas por meio dos produtos 

materiais gerados pelo trabalho, mas também enquanto símbolos, regras, valores, ações, 

modo de ser e de ver o mundo.



Palvras-Chave: cultura, educação, conhecimento. 

ABSTRACT

This paper analyses the different conceptions of culture, in its subjective and objective 

elements. It might be understood as objetivization of human needs externalized in work, as 

well as subjectivation and understanding of the symbolic world set in the ideological field. 

The text also emphasizes that culture constitutes itself not only as work or reposition of 

human needs through material products generated by work, but also as symbols, rules, 

values, actions, and the way to be and see the world.

Key words: culture, education, knowledge.

Introdução

A paisagem humana é necessariamente construída pelas obras culturais, 

pois só elas atestam ao homem a essência e o sentido da sua presença no 

mundo: a presença de um sujeito que compreende, transforma e significa. 

Elas são a objetivação da essência do homem como consciência de si.

1

 Mestre em Educação Brasileira – Faculdade de Educação / UFG, professora do curso de Pedagogia – 



Campus de Jataí/UFG.

1

DOI:  10.5216/rir.v1i3.208



Com esta afirmativa Vaz (1966, p.5) faz sua definição de cultura – a presença do 

homem no mundo humano. Ele nos apresenta um conceito de cultura definido em duas 

instâncias: cultura objetiva e cultura subjetiva. Na face objetiva da cultura, ela se apresenta 

nas obras culturais. Para ele, o mundo só é significativo ao homem neste movimento que 

opera a passagem do ser natural para o cultural. É no exercício do ato de criação cultural 

que o homem se realiza e emerge para o espaço humano da consciência de si mesmo. É 

neste espaço humano que se exprime a cultura subjetiva. 

Se o mundo da cultura é o mundo no qual o homem se reconhece, diz Vaz, só a 

compreensão do seu sentido permite ao homem realizar-se como homem, e acrescenta, o 

homem é ser histórico porque transforma o mundo, cria a cultura. Este caráter social e 

histórico da cultura é estabelecido por meio da objetivação do sentido em obras culturais, 

ou seja, é a transformação do sinal subjetivo em um sentido compreendido e comunicado. 

Se não fosse este caráter de significações, o homem regridiria a comportamentos que o 

autor denomina de infra-humanos. A cultura é, então, a dimensão histórica do ser humano 

e, neste sentido, a definição que para Vaz melhor caracteriza essa dimensão é esta do autor 

Waelhens, na qual cultura é:

 

O   processo   social   e   histórico   constituído   pelas   relações   de   conhecimento   e 



transformação do homem como natureza e pelas relações de reconhecimento do homem 

com o outro homem, processo que cria um mundo humano, e através do qual o homem 

se realiza como homem neste mundo humano. (De Waelhens A., apud: Vaz,1966, p. 6)

É, neste sentido, que o autor concebe cultura como social e histórica, porque ela, na medida 

que traduz um sentido a ser compreendido, é humanizante, é o próprio sentido da presença 

do homem no mundo. Outros autores apontam este sentido – o momento de interação do 

homem com o outro – como fundamental neste processo de humanização e socialização do 

homem.


Segundo Vaz, a criação e a compreensão das obras culturais definem uma tarefa 

social e histórica, capaz de traduzir, em termos de cultura, o projeto que constitui e remete 

o  homem   à  existência   histórica.   Isto   é,  em   uma  dimensão  pessoal,  a  cultura   passa  do 

domínio   da   necessidade   para   o   domínio   da   liberdade,   no   qual   se   torna   possível   a 

comunicação   com   o   outro   e  o   próprio   projeto   do   existir   social.   É   este   movimento   de 

personalização que impõe à cultura o caráter de universalidade. 

2


A cultura institui o reino  do universal e possibilita  ao homem construir  um 

mundo histórico, ou seja, o mundo humano é construído como um mundo de significações 

e   valores.   Desta   forma,   afirma   Vaz,   as   obras   culturais   exprimem   e   comprovam   a 

consciência histórica do grupo, a forma de sua auto-realização e o índice de seu auto-

conhecimento.

Mesmo   considerando   a   influência   destes   fatores   no   processo   de 

desenvolvimento  de uma determinada  cultura, e embora a cultura seja  apresentada por 

diferentes autores como o processo de humanização do homem em sua relação com o outro, 

percebe-se que seu caráter ideológico e alienável a desumaniza, ou seja, a cultura perde seu 

caráter de universalidade em função da individualização do homem, que ocorre tanto no 

processo de desenvolvimento do homem no trabalho, quanto nos processos de socialização 

do homem nesta sociedade, que é mediado pela ideologia presente na mídia e nos meios de 

comunicação.

Neste sentido, compreende-se que o caráter subjetivo e objetivo que apreende a 

definição de cultura apresentada por Vaz irá reger diferentes concepções de cultura. Se Vaz 

apresenta a cultura como a externalização do homem em diferentes momentos históricos, 

bem como a compreensão de si em si, percebe-se que esta definição de cultura assemelha-

se a definição de Marx (1993) e Chauí (1982), - cultura como objetivação de necessidades 

humanas externalizadas no trabalho, – em Geertz (1989) – cultura como subjetividade, a 

compreensão do mundo simbólico – e por fim a cultura compreendida no campo ideológico 

que é concebida tanto por Chauí quanto por Adorno (1998). Assim a presente proposta de 

análise   do   conceito   de   cultura   pretende   apresentar   estes   diferentes   autores   que   a 

compreendem em seu caráter objetivo e subjetivo.

2   –   A   dimensão   histórica   e   antropológica   da   cultura   e   seu   caráter 

ideológico.

Uma última observação acerca do uso da expressão ‘cultura do povo’ 

concerne   ao   risco   que   poderemos   correr   se   a   encararmos 

romanticamente, isto é, se considerarmos que a cultura, por ser do povo, 

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é   imediatamente   libertadora.   O   romantismo   pode   prestar   serviços 

inestimáveis aos dominantes, seja porque atribui a este último a origem 

do desmantelamento da consciência de classe dos dominados, que, sem 

ele,   teriam   feito   o   caminho   da   libertação.   Ora   prestando   serviços   ao 

populismo, ora lastimando tê-lo deixado destroçar a autonomia da luta 

dos dominados, a atitude romântica é vítima de dois esquecimentos: não 

só   esquece   o   problema   da   alienação   e   da   reprodução   da   ideologia 

dominante pelos dominados, como também esquece de indagar se, sob o 

discurso   ‘alienado’,   submisso   à   crença   nas   virtudes   de   um   poder 

paternalista,   não   se   esconderia   algo   que   ouvidos   românticos   não   são 

capazes de ouvir. (Chauí, 1982, p. 46)

Iniciar   uma   exposição   sobre   o   conceito   de   cultura   tendo   como   enfoque   a 

caracterização   que   Chauí   apresenta   sobre   ‘cultura   do   povo’   e   ouvi-la   dizer   que   o 

romantismo que envolve esta concepção está a serviço dos dominantes, é o mesmo que 

ouvir Adorno (1998), ao falar acerca de uma visita ao museu, “só está livre do mal tão bem 

diagnosticado   por   Valéry   aquele   que   junto   com   o   guarda-chuva   também   entregou,   na 

entrada, a sua ingenuidade”

2

.



Tanto Chauí quanto Adorno apontam para uma visão de cultura em que todas as 

determinações   que   envolvem   uma   ação   cultural   são   impregnadas   de   ideologia.   Neste 

contexto,   torna-se   impossível,   após   a   influência   destes   autores,   a   permanência   deste 

romantismo; percebe-se, também, o quanto o desvelar desta realidade assemelha-se para 

muitos como um desvirginar da consciência. 

 A proposta aqui empreendida de se compreender o conceito de cultura torna-se, 

neste contexto, extremamente difícil, pois, no mínimo, ela deve ser clara e concisa, sem, no 

entanto, deixar de ser densa, revelando, em sua essência, o poder da ideologia implícita na 

cultura e na indústria cultural.

Na ânsia de uma compreensão nesta perspectiva optou-se, inicialmente, pela 

exposição desse conceito com base em Chauí

3

. Trabalhar com a questão cultural é um 



grande   desafio   dada   a   multiplicidade   de   concepções   a   respeito   deste   termo.   E,   na 

2

 No texto “Museu Valéry Proust”, Adorno analisa duas concepções de museu, apresentada por dois autores, 



Proust   e   Valéry.   Considera-se   aqui   as   afirmativas   que   Adorno   levanta   no   texto,   de   que   a   exposição 

museológica, elaborada com uma visão do dominador, é ideológica. Prost acredita na possibilidade de uma 

verdadeira experiência estética, Valéry a considera impossível dado seu caráter ideológico. Adorno concorda 

com Valéry, a não ser que a exposição seja vista com criticidade, isto é, deixando a ingenuidade na entrada do 

museu.

3

 A definição inicial aqui proposta encontra-se no livro “Convite à filosofia” de Marilena Chauí, editado pela 



Ática, sem data de edição.

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expectativa de compreender estas diferentes concepções, faz-se necessário uma reflexão 

sobre este conceito, inicialmente, percebida pelo senso comum.

A cultura é vista por diferentes autores como uma ação humana, um processo de 

humanização do homem em uma relação ao outro e consigo mesmo. É nessa relação entre 

os homens que surgem as diferentes concepções ressaltadas pelo senso comum. A cultura 

nessa   perspectiva   é   compreendida   em   diferentes   linhas   de   pensamento,   podendo 

caracterizar-se com o conhecimento erudito; como trabalho de criação ligado às artes; e 

significa, também, possuir um conjunto de conhecimentos e informações compreendidas no 

cotidiano e nos processos de socialização.

Para Chauí, as percepções de cultura no senso comum são respaldadas em ações 

do cotidiano que naturalizam o comportamento humano, bem como o seu modo de viver e 

agir.   A   cultura,   neste   sentido,   constitui   uma   natureza   humana   que   definiria   o   homem 

culturalmente. Isto é, cultura é percebida como se a caracterização do gênero ou etnia fosse 

parte desta natureza e, portanto, definisse formas de se pensar ou agir do homem e da 

mulher, bem como da criança, do jovem ou do idoso, do negro ou do branco. 

O conceito de cultura, para Chauí, se delineia em três campos: o primeiro, como 

pôde ser visto no parágrafo anterior, em uma perspectiva do senso comum, apresenta quais 

são os erros e ou acertos mais comumente utilizados pelas pessoas no cotidiano; o segundo, 

em uma perspectiva histórica, é a relação dos homens no tempo e com o tempo, podendo 

ser   analisado   em   Hegel   como   movimento   do   espírito   e   em   Marx   como   produção   e 

reprodução das relações humanas no trabalho; e por último, cultura como um conceito 

antropológico, analisada  por uma perspectiva  simbólica.  Aqui a natureza  humana seria 

representada   pelo   homem   no   desenvolvimento   de   suas   relações   no   seio   das   diferentes 

sociedades, principalmente, nas relações coercitivas, como normas, regras, e que formam 

um conjunto denominado pela antropologia como cultura.

Nesta   perspectiva   antropológica,   Chauí   define   cultura   em   três   sentidos: 

primeiro,   a   criação   da   ordem   simbólica   da   lei   –   sistemas   de   interdições   e   obrigações 

estabelecidas a partir da atribuição de valores – tanto a coisas, quanto ao humano e suas 

relações aos acontecimentos. Em seguida, há a criação de uma ordem simbólica, na qual os 

símbolos surgem tanto para representar quanto para interpretar a realidade, e, como terceiro 

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sentido,   o   conjunto   de   práticas,   comportamentos,   ações   e   instituições   com   quais   os 

humanos se relacionam entre si e com a natureza.

A  abordagem  da  cultura na  perspectiva  histórica   irá  refletir  essa  relação  do 

homem com a natureza e com outros homens na sua produção material, momento em que 

seu próprio existir adquire sentido como natureza humana.

A reflexão de Chauí possibilita perceber que o desenvolvimento deste conceito 

se deu historicamente e que, por isso, uma mesma sociedade, sendo temporal e histórica, 

passa por transformações culturais amplas e, neste sentido, tanto o conceito antropológico 

quanto o histórico são fundamentais na construção do conceito de cultura. Considerando 

estes   dois   sentidos   na   análise   da   cultura,   Chauí   acrescenta   um   terceiro   conceito,   que 

designa a criação de obras da sensibilidade e da imaginação, as obras da inteligência e da 

reflexão, mas que na realidade, é este conceito que origina os preconceitos vinculados ao 

senso comum. 

Assim, para Chauí, a cultura unida tanto nos sentidos anteriores, quanto neste 

último,   pode   ser   compreendida   na   relação   entre   os   homens   e,   desta   relação,   surgem 

diferentes   caracterizações   para   o   conceito   de   cultura,   a   saber,   cultura   de   elite,   cultura 

popular, cultura erudita, cultura de massa. É no escopo destes diferentes conceitos que a 

cultura   passa   a   ser   utilizada   como   instrumento   de   discriminação   social,   econômica   e 

política.

2. 1 - As determinações que interferem no conceito de cultura

Em uma perspectiva histórica, a cultura se apresenta nas diferentes necessidades 

geradas no processo de desenvolvimento do trabalho que se dá em condições determinadas 

e não escolhidas, nas quais os homens produzem materialmente sua cultura e dão sentidos a 

essa produção material.

Para Marx (1993), o homem é portador de necessidades, tem necessidades de se 

alimentar, vestir, e para satisfazê-las ele entra em relação com outros seres humanos, com a 

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sociedade, se objetivando, desta forma, como portador de necessidades. Essas necessidades 

serão supridas no trabalho, no ato de vestir-se, alimentar-se, abrigar-se. Historicamente elas 

foram   sendo   atendidas,   gerando,   neste   contexto,   diferentes   formas   culturais   de 

sobrevivência,   ora   individual,   ora   coletiva,   mas   em   sua   essência,   produzidas 

historicamente.

Do ponto de vista histórico, o homem vive em uma relação de interdependência, 

gerado pela produção e a relação do indivíduo com o produto; essas relações são materiais 

e   apreendidas   historicamente.   Segundo   Marx,   quanto   mais   se   recua   na   História,   mais 

dependente aparece o indivíduo, e mais amplo é o conjunto a que pertence, ou seja, o 

homem, para suprir suas necessidades sociais, cria a família, a tribo e as diversas formas de 

comunidade; o homem cria a história.

Para   Marx   (1993),   o   material   do   trabalho   e   o   homem   interagem   por   uma 

necessidade histórica e representam o caráter social e universal de todo o movimento de 

produção. Marx considera que toda atividade social do homem, comunitária ou individual, 

representa a expressão da sociabilidade humana. Sendo o trabalho a atividade social como 

fator fundante do homem como ser social, será a produção humana que Marx considerará 

como uma das determinações históricas fundamentais para compreensão do próprio homem 

na sociedade capitalista. É essa produção humana que irá gerar diferentes formas culturais 

de ser e viver, ocasionando transformações no campo cultural. 

As transformações ocorridas no campo da cultura, na sociedade capitalista, são 

sempre constantes, causadas principalmente, por lutas e divisões internas. Tanto o caráter 

ideológico quanto a alienação são determinações que interferem no desenvolvimento dos 

processos culturais do indivíduo e estão presentes no contexto desta sociedade. 

Por   meio   da   ideologia,   as   sociedades   apresentam   a   cultura   como   única   e 

uniforme,   ocultando   totalmente,   a   divisão   social   interna.   O   poder   de   dominação   da 

ideologia, para Chauí (1982), está impregnado no cotidiano social, econômico e político. 

Analisando   historicamente   o   poder   da   classe   dominante,   percebe-se   que   a   ideologia 

elaborava   diferentes   discursos   que,   independente   das   transformações   históricas,   era 

mantido   por   controle,   por   meio   de   um   discurso   competente.   Em   um   dado   momento 

histórico, um conhecimento era execrado,

 

no seguinte, apropriado pelo discurso ideológico, 



era exaltado como o mais importante saber. 

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Na concepção de Chauí, toda a vida humana se encontra mediada por diferentes 

discursos ideológicos. O homem relaciona-se com a vida, com seu corpo, com a natureza e 

demais seres humanos por meio de diferentes modelos, que em sua origem, estão mediados 

pela ideologia por meio de um discurso competente. 

O   autoritarismo   e   a   dominação   presentes   na   cultura   de   elite   são   outras 

determinações que sobrepõe a análise da cultura. Chauí, ao analisar a relação entre a cultura 

do povo e o autoritarismo das elites, afirma que as elites são autoritárias por natureza, 

principalmente quando essa mesma elite se encontra refletida na cultura do povo. Para ela 

as idéias dominantes de uma época são as idéias da classe dominante dessa época, que, 

refletidas nos padrões culturais, tornam-se mera reprodução. Ou seja, como a cultura do 

povo – que não é do povo – pois a cultura de elite, dominante, sobrepõe-se a do povo, é, 

então, sinônimo da cultura dominada. Utilizando uma frase de Walter Benjamim na qual 

ele afirma que todo documento  de cultura é também documento de barbárie,  presente, 

inclusive,   no   processo   de   transmissão   da   cultura,   Chauí   afirma   que   isso   ocorre 

principalmente “porque a cultura dominante se realiza às expensas da violência exercida 

sobre aqueles que a tornam possível, seja porque a cultura dominada fica exposta a barbárie 

do dominante, seja, enfim, porque a cultura dos dominados exprime a barbárie a que estão 

submetidos”. (Chauí, 1982, p. 44). É por esse motivo que ela afirma que a cultura do povo 

não é libertadora, pois reflete a cultura dominante. 

A alienação caracteriza-se como mais uma determinação presente na análise da 

cultura. Ao falar de cultura popular, as pesquisas apontam para uma cultura dominada e 

manipulada   pela   classe   dominante,   mas,   segundo   Chauí,   ao   se   acercar   do   conceito   de 

alienação   percebe-se   que   não   há   exemplificação   suficiente   capaz   de   desvendar   uma 

diferenciação   e   identificação   entre   cultura   popular   e   ideologia.   Para   ela,   alienação, 

fenômeno presente na representação que os sujeitos elaboram nas relações sociais, é uma 

determinação objetiva da vida social no modo de produção capitalista e, por isto, ela se 

apodera tanto da cultura dominante quanto da dominada.

A alienação do trabalhador, na análise de Marx, se processa não apenas na 

relação com os produtos de seu trabalho, mas também no processo de produção. O trabalho 

é uma condição ontológica do ser, uma atividade que diferencia o homem do animal. A 

alienação, neste contexto, afasta o homem de sua condição genérica, sendo um dos motivos 

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de sua desumanização. A interferência da alienação na esfera da cultura irá impossibilitar 

sua ação libertadora, podendo se estabelecer como processo de barbárie. Pode-se dizer que 

a cultura será o reflexo da barbárie ao qual Walter Benjamim se referiu.

A   barbárie   se   apresenta,   neste   contexto,   impulsionada   tanto   pela   alienação 

quanto   pela   ideologia,   que   aderindo   totalmente   à   cultura   transformará   a   realidade   em 

aparência do real e cultura em ideologia. É neste campo que a barbárie se instaura e o 

homem, por meio da cultura, se desumaniza.

2. 2 – Cultura e ideologia

A   compreensão   do   conceito   de   cultura   foi   enfocada   em   diversas   áreas   do 

conhecimento, pois a cultura se efetiva na interação do homem com o outro e nas suas 

relações   com   o   trabalho.   Nesta   perspectiva,   percebe-se   a   influência   da   sociedade,   em 

diferentes momentos históricos, na construção deste conceito, bem como, a influência da 

ideologia presente nos diversos campos de atuação do homem em sociedade.

Adorno,   no   texto   “Crítica   cultural   e   sociedade”   (1998),   explora   as   condições 

ideológicas em que se encontra a cultura e como a crítica da cultura é inoperante ao lidar 

com seu objeto de conhecimento. Nesta lógica a crítica é apenas adesão. No escopo da 

expressão crítica cultural, está presente uma flagrante contradição que se apresenta, para 

Adorno, entre o crítico e seu objeto de análise. O crítico fala como se fosse o representante 

de uma natureza imaculada ou de um estágio histórico superior; no entanto, diz Adorno, ele 

é da mesma essência daquilo que acredita estar subjugado a seus pés.

A   insuficiência   do   sujeito   que   pretende,   em   sua   contingência   e   limitação   julgar   a 

violência do existente (...) torna-se insuportável quando o próprio sujeito é mediado até a 

sua   composição   mais   íntima   pelo   conceito   ao   qual   se   contrapõe   como   se   fosse 

independente e soberano. (Adorno, 1998, p. 7)

A racionalidade na qual o crítico trabalha é a mesma em que ele acredita e por 

isso não é possível seu distanciamento do objeto de sua crítica. Quando ele analisa um 

determinado produto cultural, a lógica de construção de seu pensamento opera na mesma 

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lógica de construção do produto cultural analisado. Neste sentido, percebe-se o quanto a 

cultura que se apresenta como realidade é falsa e, ao mesmo tempo, respaldada por uma 

crítica velada, se configura para os indivíduos como a única realidade possível.

A   liberdade   de   expressão   que   em   determinados   momentos   históricos   foi   tão 

reprimida, em outros, onde a cultura se encontra impregnada pela ideologia do dominante, 

passa a ser a reprodução e a expressão do existente. Por isso não é preciso reprimir a 

liberdade de expressão, pois a possibilidade deste espírito de se expressar é legítima, no 

entanto ele vai repetir o existente. Sua liberdade de expressão não desvela a realidade – 

impregnada de ideologia – ela não consiste na crítica do existente. A cultura se transforma 

em ideologia, e, como afirma Adorno,

a cultura só é verdadeira quando implicitamente crítica, e o espírito que se esquece disso 

vinga-se   de   si   mesmo   nos   críticos   que   ele   próprio   cria.   A   crítica   é   um   elemento 

inalienável da cultura, repleta de contradições e, apesar de toda sua inverdade, ainda é tão 

verdadeira quanto não-verdadeira é a cultura. A crítica não é injusta quando destrói – esta 

ainda seria sua melhor qualidade - mas quando, ao desobedecer, obedece.  (Adorno, 1998, 

p. 11)


Ao obedecer, a crítica opera na mesma lógica da barbárie, a cumplicidade entre a 

crítica e cultura torna-se a mesma coisa, ela legitima a cultura vigente. 

Para Adorno, a crítica cultural compartilha  com seu objeto,  o ofuscamento, e a 

cultura   enquanto   conteúdo   essencial   da   autoconsciência   não   pode   libertar-se   dessa 

aparência. A idéia de consciência para ele opera na universalidade, não existe consciência 

singular sem a idéia de universalidade. E dentro deste contexto na qual a cultura opera, o 

princípio de humanidade fica suspenso nas malhas da ideologia. A noção de ideologia, diz 

Adorno,   foi   transformada   de   um   meio   de   conhecimento   em   um   meio   de   controle   do 

conhecimento. 

Esse   controle   opera   em   diversas   esferas.   A   cultura,   para   Adorno,   tornou-se 

ideológica   também   na   vida   privada,   e   se   apresenta   sob   a   aparência   de   importância   e 

autonomia. É por isso que, para esse autor,

‘ideologia’ significa sociedade enquanto aparência. Embora seja mediada pela totalidade, 

atrás  da qual se esconde a dominação do parcial, a ideologia não é redutível pura e 

simplesmente a um interesse parcial; por isso, de certo modo, está em todas as suas partes 

à mesma distancia do centro.(Adorno, 1998, p. 21)

10


A crítica cultural foi absolvida pela ideologia imanente à cultura. Ela é fruto da 

própria ideologia, daí a dificuldade de transpor a aparência do real. Adorno propõe uma 

crítica dialética, aquela que poderia apreender a cultura em sua totalidade, em sua essência: 

um   método   de   crítica   dialética,   afirma   Adorno,   que   transcenda   a   cultura   e   a   rede   de 

ofuscamento em que se encontra inserida. 

Neste sentido, Adorno traça uma perspectiva pouco alentadora sobre o conceito de 

cultura. Totalmente aderente a lógica do mercado, a cultura se converteu em uma razão 

instrumental.   Nesta   lógica   que   governa   a   razão   que   se   instrumentalizou,   o   sujeito   se 

converte a esta racionalidade; e, mesmo tendo liberdade, escolhe a barbárie simplesmente 

porque não há liberdade de escolha, não há autonomia e a barbárie estará sempre travestida 

de liberdade, de realidade, de desejo, de sonho. 

Todos estes aspectos da barbárie encontram respaldo nas promessas de satisfação 

da   necessidade   instaurada   no   bojo   da   indústria   cultural.   A   cultura   neste   contexto 

transforma-se em pura ideologia. É a cultura dominante sobrepondo-se à cultura dominada 

com   seus   conceitos,   seus   valores,   seu   discurso,   tanto   nas   relações   sociais   quanto   nas 

relações políticas. A cultura, como aparência, torna-se, em sua essência, uma realidade 

velada, ideologizada. 

2. 3 – A compreensão da cultura em seu caráter simbólico

O conceito antropológico de cultura é reconhecido por diversos autores por sua 

dimensão simbólica, vinculada ao comportamento humano. Este processo se caracteriza nas 

relações entre os homens e no desenvolvimento de sua natureza humana, que se efetiva 

principalmente por meio da linguagem. Neste contexto, pode-se dizer que esta dimensão 

simbólica   caracteriza-se   tanto   nos   aspectos   subjetivos   da   cultura   quanto   nos   aspectos 

objetivos, pois a própria produção material do homem possui caráter simbólico, é cheio de 

significações.

Berger e Berger (1978), ao analisarem a linguagem como instituição  social, 

demonstram como ela exerce um controle da conduta individual imposta pela sociedade. 

11


Neste   sentido   a   linguagem   torna-se   uma   instituição   fundamental   no   desenvolvimento 

cultural   do   indivíduo   principalmente   porque   possui   um   universo   de   significados 

construídos   e   que   só   existem   por   meio   dela   mesma.   Desta   forma,   além   de   inserir   o 

indivíduo   nos   processos   culturais   de   sua   sociedade   por   meio   de   uma   socialização,   a 

linguagem  cumprirá  também   um  papel  ideológico   por  meio   da  coercitividade  exercida 

sobre este indivíduo. A linguagem, como ação humana, será padronizada, organizada em 

regras distintas e principalmente carregada de significações. 

Para uma melhor compreensão da cultura e sua dimensão simbólica, ressalta-se 

aqui o estudo elaborado por Geertz, no livro “A interpretação das culturas” (1989), no qual 

o   autor   apresenta   o   estudo   etnográfico   no   âmbito   da   antropologia,   demonstrando   a 

importância da etnografia para o estudo das culturas. A etnografia é, dentre os ramos da 

antropologia, a que melhor possibilita a compreensão deste emaranhado de ações que se 

desenvolvem entre o indivíduo e a sociedade. 

O homem é um animal amarrado a teias de significados que ele mesmo teceu, 

Geertz assume a cultura como sendo essas teias e sua análise, portanto, não é uma ciência 

experimental, mas uma ciência interpretativa, à procura de significados. Sua definição de 

cultura assenta-se, então, na possibilidade de interpretação desses significados.

Geertz   procura   refletir   como   os   conceitos   científicos   importantes   se 

desenvolvem, principalmente, no caso do conceito de cultura, em torno do qual surgiu todo 

o   estudo   da   antropologia.   A   compreensão   da   ciência,   para   ele,   está   vinculada   à 

compreensão do que fazem aqueles que a estudam, isto é, significa conhecer a etnografia, e 

o   que   define   a   etnografia   enquanto   método   é   uma   descrição   densa,   termo   utilizado 

inicialmente   por   Gilbert   Ryle.   Para   este   autor,   segundo   Geertz,   uma   descrição   densa 

consiste   em   captar,   além   da   imagem   física,   a   essência   do   significado   observado.   A 

descrição densa do objeto da etnografia é, então, uma hierarquia estratificada de estruturas 

significantes onde os mínimos gestos serão interpretados. 

Com base neste conceito de descrição densa, Geertz caracteriza cultura como 

aspectos do cotidiano de um grupo que poderão ser apreendidos por uma descrição densa. 

Cultura   é,   portanto,   pública.   Segundo   ele,   dentro   da   antropologia,   existe   um   debate 

interminável sobre a caracterização da cultura como subjetiva ou objetiva ou se é idealista, 

materialista. Em sua opinião, o que se deve perguntar sobre cultura não é se as ações 

12


humanas observadas têm um status ontológico e sim qual é a sua importância, ou seja, o 

que se pretende transmitir com sua ocorrência, e por meio do sentido simbólico

4

, o que está 



sendo transmitido. Mesmo considerando esta questão como óbvia, Geertz afirma que ela 

pode ser obscurecida em duas formas:

uma delas é imaginar que a cultura é uma realidade “superorgânica” outocontida, com 

forças e propósitos em si mesma, isto é, reificá-la. Outra é alegar que ela consiste no 

padrão bruto de acontecimentos comportamentais que de fato observamos ocorrer em 

uma   ou   outra   comunidade   identificável   –   isso   significa   reduzi-la.   (...)   a   cultura   é 

composta de estruturas psicológicas por meio das quais os indivíduos ou grupos de 

indivíduos guiam seu comportamento. (Geertz, 1989, p. 21)

Por  isto, para ele,  descrever uma cultura é elaborar  regras sistemáticas,  que 

possibilitaria ao indivíduo passar como membro de outra cultura. Como resultado desta 

análise, seria refletido o que realmente pensam os membros do grupo analisado, ou se seria 

apenas simulações inteligentes, porém diferentes do que eles pensam. Ao se chegar a um 

determinado grupo, deve-se compreender o sentido simbólico do gesto, para não agir de 

forma que em outra cultura possa ser interpretado diferentemente.  

Geertz evidencia que na análise de significados existem diferentes teorias, mas 

deve-se considerar que a falta de familiaridade com o universo imaginativo de determinado 

grupo, cujos atos são marcos determinados, demonstra que o ser humano pode ser um 

enigma. Por mais que se conheça determinado grupo, não é possível situar-se entre seus 

membros.   Situar-se   dentro   de   um   grupo   é   uma   ação   enervante   que   só   pode   ser   bem 

sucedida parcialmente – nisto consiste a pesquisa etnográfica. 

Uma   das   ações   mais   difíceis   da   pesquisa   etnográfica,   segundo   Geertz,   é 

conversar com membros do grupo analisado, e por isso, um dos objetivos da antropologia 

passa a ser o alargamento do universo do discurso humano. Neste sentido, percebe-se que 

como   sistemas   entrelaçados   de   signos   interpretáveis   (o   que   eu   chamaria   símbolos, 

ignorando as utilizações provinciais), a cultura não é um poder, algo ao qual podem ser 

atribuídos casualmente os acontecimentos sociais, os comportamentos, as instituições 

ou os processos; ela é o contexto, algo dentro do qual eles podem ser descritos de forma 

inteligível – isto é, descritos com densidade”. (Geertz, 1989, p. 24)

4

 Quando Geertz menciona o sentido simbólico, ele exemplifica com a ação humana de piscar. Este piscar 



pode ser um tique nervoso ou um sinal para um amigo. Em uma descrição densa o pesquisador deverá 

apreender o sentido do gesto observado.

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Compreender a cultura de um povo, diz Geertz, expõe a sua normalidade sem 

reduzir sua particularidade, e, compreender o que é interpretação antropológica e em que 

grau ela é interpretação – com base no que ela se propõe ou não a dizer – consiste nas 

formulações ou interpretações dos sistemas simbólicos de outros povos, que, para Geertz, 

devem ser orientados pelos atos, isto é, ‘ver as coisas do ponto de vista do ator’. 

As análises aqui levantadas por Geertz levam a uma compreensão substancial, 

de que os textos antropológicos são na verdade interpretações de segunda e terceira mão. 

Para ele, somente o informante faz a primeira interpretação – é a sua cultura. A análise do 

antropólogo interpretará a essência da cultura analisada. Geertz vai denominá-la como uma 

interpretação fictícia. Fictícia no sentido de algo construído, algo modelado, e que às vezes 

é difícil convencer o antropólogo deste fato. Eles devem saber interpretar, principalmente, a 

simbologia dos gestos observados.

A cultura é, então, uma noção de comportamento apreendido. É através do fluxo 

do comportamento que as formas culturais encontram articulação, mas também em várias 

espécies de artefatos e vários estados de consciência. A interpretação antropológica, neste 

contexto, irá construir  a leitura do que acontece - é a descrição  densa, elaborada pelo 

antropólogo, que levará a essência da cultura analisada.

O autor ressalta que a ênfase na descrição densa e na compreensão dos símbolos 

é um argumento no sentido de que remodelar o padrão das relações sociais é reordenar as 

coordenadas do mundo experimentado. Para ele, fugir destas análises teóricas é transformar 

a cultura em folclore, em instituições, em estruturas, e isto seria fazer da cultura objeto de 

coleção, classificação e brincadeira, o que ele considera apenas como fugas.

Nesta análise da cultura, a posição de Geertz é manter a análise das formas 

simbólicas o mais estreito possível com os acontecimentos sociais e ocasionais concretos, 

organizando   as   formulações   teóricas   com   as   interpretações   descritivas.   Para   Geertz,   é 

fundamental   olhar   as   dimensões   simbólicas   da   ação   social   -   arte,   religião,   ideologia, 

ciência, lei, moralidade, senso comum e não se afastar dos dilemas existenciais da vida e 

sim mergulhar no meio delas.

Assim,   percebe-se   que   ele   enfatiza   a   etnografia   e   a   necessidade   de   se 

compreender a importância da dimensão simbólica na compreensão do conceito de cultura, 

enfocando, na dimensão deste olhar, todas as possibilidades de interpretações simbólicas 

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contidas nas diferentes determinações que envolvem a construção deste conceito. É uma 

tarefa árdua para quem vislumbra a cultura como objeto de pesquisa, dado seu caráter 

ideológico,   mas   é   justamente   a   possibilidade   deste   desvelar   da   ciência   que   incita   o 

pesquisador à efetivação desta tarefa.



3 – À guisa de conclusão

Considerando   os   aspectos   aqui   expostos   sobre   o   conceito   de   cultura, 

compreende-se   que   ela   estará   sempre   sendo   reinterpretada   por   diferentes   autores   em 

diferentes  épocas históricas.  Isso  demonstra uma  dimensão  de movimento  no curso  da 

história. A cultura se constitui não só enquanto trabalho, ou reposição das necessidades 

humanas por meio dos produtos materiais gerados pelo trabalho, mas se constitui também 

enquanto símbolos, regras, valores, ações, modo de ser e de ver o mundo. Neste sentido ela 

se cria, se recria, se forma, se transforma, se externaliza, se objetiva e principalmente, se 

universaliza. 

O caráter universal da cultura, que possibilita ao homem “ser humano”, é que 

gera a possibilidade de uma formação humana não calcada na barbárie, tão empreendida 

por Adorno (1991) e outros autores. No entanto, a análise aqui apresentada demonstra que a 

cultura não pode ser pensada por meio de um romantismo, é fundamental a criticidade do 

pesquisador para a compreensão da ideologia que impregna as entranhas da sociedade.

Assim compreende-se que, de acordo com os autores aqui apresentados (Chauí, 

Marx, Adorno, Berger e Berger, Geertz), não se deve estudar uma cultura sem analisar as 

determinações que a compõem e as ideologias às quais está sujeita, bem como considerar a 

influência da sociedade no desenvolvimento da cultura, implícito na sua simbologia.

É neste sentido que a universalidade da cultura se quebra para se constituir em 

objeto de dominação e discriminação social e política. O caráter libertador da cultura neste 

contexto se torna utópico, mas, como utopia, pode vir a se efetivar em um novo momento 

histórico. É por isto que o conceito de cultura, neste trabalho, não se conclui, pois, no curso 

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do movimento histórico, pode se deparar com uma realidade cultural – utopicamente – 

desvelada.

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4 – Bibliografia

ADORNO, T. W. e HORKHEIMER, M. Temas básicos da sociologia. Trad. de Álvaro 

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  • A CULTURA E AS DIFERENTES CONCEPÇÕES APREENDIDAS NAS DETERMINAÇÕES HISTÓRICAS
  • PINTO, Suely Lima de Assis 1 Docente do Curso de Pedagogia CAJ/UFG
    • RESUMO

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