Relatório técnico científico



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  1. INTRODUÇÃO

O presente relatório refere-se às atividades realizadas durante o período de doze meses no projeto de pesquisa “Narrativas IFNOPAP: Quem são esses narradores e personagens em espaciotemporal amazônico?”, coordenado pela Prof.ª Dr.ª Maria do Perpétuo Socorro Galvão Simões, em que se procedeu ao levantamento da transcrição de narrativas orais, extraídas do acervo publicado no livro “Santarém Conta...”, tendo por objetivo a identificação do narrador, dos personagens, do espaço e do tempo das narrativas propostas.

Inicialmente, sob a orientação da Prof.ª Dr.ª Maria do Perpétuo Socorro Galvão Simões analisou-se a diferença entre narrador e contador, uma vez que, narrador, segundo Carlos Reis1, “trata-se de um sujeito com existência textual”. Embora as narrativas analisadas sejam contadas, por pessoas do município de Santarém, utilizou-se esta metodologia destinada à literatura canônica, devido à carência de estudos acerca de narrativas orais. Após este momento, iniciou-se a discussão dos demais elementos narratológicos e por fim a classificação das narrativas.




  1. JUSTIFICATIVA

Atualmente o projeto segue no trabalho de classificação em eixos temáticos, através de pesquisas, para se fazer um levantamento de identificação dos narradores, personagens e o espaciotemporal dos depoimentos recolhidos em Santarém e publicados no livro “Santarém conta...”. O projeto IFNOPAP contabiliza, até a presente data, mais de 5.300 narrativas orais populares da Amazônia paraense; há também 24 livros publicados e diversas monografias, dissertações e teses que tiveram, como suporte, os dados recolhidos pelo projeto.

Esta pesquisa visou, portanto, observar nas narrativas registradas, no livro “Santarém conta...”, encontrado na série “O Pará conta...”, de que maneira se apresentam os elementos estruturais, considerando a figura do narrador-contador, personagens e o espaciotemporal destas histórias amazônicas. É significativo notar os resquícios da cultura indígena na cultura paraense da mesma maneira que se dá a importância do misticismo nesta mesma cultura e que é passada, através da oralidade, pelas gerações a sabedoria do povo inscrita nestas narrativas recolhidas pelo Ifnopap. Vale, também, refletir acerca dos ensinamentos morais deixados através dessas narrativas, além de referências as experiências de vida dos narradores-contadores. Trata-se, portanto, de um somatório entre história, tradição e sabedoria popular




  1. OBJETIVOS

Anteriormente as atividades se voltaram para a discussão do arcabouço teórico e deu-se início ás primeiras análises dos componentes narratológicos. Finalizada esta primeira etapa iniciou-se o processo de análise de cada narrativa quanto à sua construção, incluindo-se peculiaridades e traços comuns entre as narrativas analisadas. A pesquisa fundamentou-se principalmente em observar o comportamento do contador e as diversas formas utilizadas, pelo contador, na contação dessas narrativas, como é o caso das narrativas acerca de boto e de outras figuras míticas da Amazônia paraense.

  1. MATERIAIS E METÓDOS

Anteriormente foram estabelecidas discussões acerca dos múltiplos conceitos que poderiam ser trabalhados, as quais foram apresentadas no relatório parcial desta pesquisa. Entretanto, alguns conceitos foram substituídos por outros que melhor se adequaram à fórmula do contar oral. Outrossim, houve mudanças nas classificações devido ás contribuições diferentes apresentadas no primeiro relatório. Após ter se realizado a leitura das narrativas foram assinalados os elementos estruturais requeridos, ponderando o papel desenvolvido pelo narrador – que em narrativas orais deve ser entendido como contador – a diversidade de personagens, as designações espaciotemporais presentes nas narrativas analisadas e as particularidades pressentes nas narrativas.


  1. RESULTADOS OBTIDOS

A partir dos dados que foram apontados no relatório anterior baseando-se nos estudos realizados acerca dos conceitos referentes aos componentes narratológicos, com auxílio de autores, indicados no plano de trabalho do projeto, foram realizadas classificações de acordo com os conceitos pesquisados e as discussões com a orientadora Prof.ª Dr.ª Maria do Perpétuo Socorro Galvão Simões.

  • Narrador

Os estudos para determinar o conceito, a ser seguido, acerca de Narrador foi o que necessitou de maior atenção. Inicialmente, privilegiou-se o estudo de Genette, e a sua explicação de diegese. Este termo é usado pelo autor para denotar a história e o universo espaciotemporal em que ela se desenrola, que segundo O Dicionário de termos literários, de Carlos Reis2 (David Lodge).

A partir dos estudos da narrativa cinematográfica de Étienne Souriau (que chamava diegese àquilo que os formalistas russos já haviam chamado fábula) aplicados por Gérard Genette à narrativa literária, considera-se diegese o conjunto de acontecimentos narrados numa determinada dimensão espaciotemporal ("l'univers spatio-temporel désigné par le récit"), aproximando-se, neste caso, do conceito de história ou intriga.

Com base nesta discussão, foram aplicadas, durante a pesquisa, as classificações usadas por Genette para narrador, quais sejam: Autodiegético (aquele em que o narrador se funde com o papel do personagem principal) Homodiegético (narrador que participa da história que narra como personagem, mas não como protagonista) e Heterodiegético (narrador que não participa da história que narra). No entanto, há de se ressaltar que esta terminologia é usada em estudos de narrativas canônicas. Tal conceituação não se aplica, de forma adequada, às narrativas orais, pois diegese, como foi visto acima, é um termo aplicado a narrativas literárias.

Para melhor compreensão, do que está sendo dito, é necessário lembrar que o termo literário é proveniente da palavra Literatura e esta, vem do latim ‘litteris’, que traduzido para o português significa letras e, por isso, não pode ser considerado como premissa ao se tratar de narrativa oral. No entanto, se fez necessário o uso desses conceitos por ainda não existirem estudos específicos acerca deste assunto, aplicados diretamente à oralidade, já que o estudo deste assunto ser ainda recente.

Dentre as narrativas estudadas pode-se perceber que o tipo de narrador (compreendido como contador de uma narrativa oral) que mais se destacou foi o narrador em terceira pessoa, pois as narrativas contadas pelos informantes, em geral, foram ouvidas de alguém ou de algum lugar. Por exemplo, a narrativa Mistério no rio (os demais dados narratológicos podem ser verificados ao final , em anexo3) contada por Maria José O. da Cunha, nesta narrativa o narrador-contador conta a história usando os verbos em terceira pessoa, que segundo as conformações de Genette pode ser considerado narrador Heterodiegético, logo que começa a narrativa com o seguinte trecho apresenta: “Os pescadores, eles estavam pescando, que quando eles viram, perto da canoa deles, embaixo, boiou um bicho, parece pau.” Nesta narrativa, por fim, é perceptível que o narrador-contador se põe a distância do fato ocorrido.

Ocorreram, também, narrativas em que o narrador-contador se utilizou da primeira pessoa da voz verbal, pois, narrativas em que o narrador conta uma experiência vivida por alguém, que conhece, sendo também participante do evento ocorrido, mas não se comportando como protagonista da narrativa. Ao se considerar as postulações de Genette este narrador-contador seria designado como Homodiegético. e.g. a narrativa Curupira informada por José Oliveira, (os demais dados narratológicos podem ser vistos em anexo); nesta narrativa o narrador-contador relata sobre uma experiência vivida pelo seu amigo Antônio, na qual foram presenciadas, pistas desta classificação diegética, que aparecem no extrato seguinte:

Eu tinha um amigo que se chamava Antônio. (...). Saímos pra caçar e eu levei um pouco de cachaça num vidro. Aí ela passou perto de mim e fez cococococotrum. Então eu disse assim: - Minha vó, me dê uma caça, que eu não posso demorar. E esse colega meu disse assim pra mim: - Rapaz, que negócio de vó, eu não estou vendo ninguém aí. Eu agarrei, botei a cachaça na cabeça de um toco deixei ele pra trás e fui embora pra frente. Quando eu cheguei numa certa mediação, escutei o grito, ai, ai, ai, ai, e vap, vap, batendo. Eu fiquei assim. No duro ela está dando nele. Justamente, quando eu cheguei lá, ele estava caído no chão apanhando.

Em meio às narrativas analisadas houve aquelas em que o narrador-contador contava uma história da qual participava como personagem principal, um tipo de relato de uma experiência vivida pelo mesmo, que para Genette este narrador seria classificado como Autodiegético, narrador em primeira pessoa. O seguinte fragmento da narrativa Parece mentira, mas não, informada por Francisco Bezerra se percebe esta possiblidade de classificação, (os demais elementos da narrativa podem ser consultados em anexo):

Era uma noite, que eu saí para pescar... Tinha um capinzal sobre a água, muito bonito. A lua clara, que era uma maravilha! E nada de peixe... Ainda, os barrigudos, todos em casa, com fome. E eu pensando: -‘Ai, meu Deus! O quê que eu vou levar pra os... para os barrigudos comerem? ’.


  • Personagem

Ao analisar as narrativas orais surgiu a dúvida de como determinar quem é e quem não é Personagem, mas Cândida Gancho (1998) diz que para que uma figura seja classificada como personagem de uma narrativa, é necessário que esta participe efetivamente do enredo, ou seja, que aja ou fale durante a ocorrência do mesmo, é necessário que esteja ligada ao núcleo da narrativa e não apenas como referência.

Entre os teóricos estudados muitos apresentaram diversas designações para os personagens, estas que às vezes se entrecruzam e por sua sensibilidade de determinação se fez necessário classificá-los de acordo com o grau de proeminência nas narrativas, da maneira que Massaud Moisés classifica: protagonista, antagonista e deuteragonista. Uma vez que as narrativas orais apresentam uma personagem protagonista, inúmeras designadas como deuteragonista (que também podem ser entendidos como coadjuvantes, já que estes ajudam no desenrolar do enredo) e há os antagonistas que, em sua maioria, são as figuras amazônicas. Todas as narrativas passaram pelo processo de classificação de personagem e poderão ser consultadas na tabela em anexo.



  • Tempo

A Questão Tempo é um enigma para a sociedade há vários séculos, diversos filósofos tentaram compreender ou chegar ao fim de suas Questões, mas sem muito sucesso, pois quanto mais questões eram respondidas, mas questionamentos surgiam da palavra em questão e uma das mais pertinentes perguntas a serem feitas eram: como conceituar Tempo sem a interferência de algum objeto que possa medir o começo e fim? De acordo com a bibliografia indicada, no plano de trabalho desta pesquisa, Benedito Nunes é quem melhor discute esta temática e apresenta conceitos contundentes que podem ser usados em narrativas orais.

Para ele o Tempo pode ser divido em: Tempo Físico (aquele que pode ser medido de acordo com o movimento em relação entre o anterior e o posterior); Tempo Psicológico – ou Tempo De Duração (este tem como principal característica a sua discordância com as medidas temporais objetivas.); Tempo Cronológico (é ligado ao tempo físico pelo fato de ser baseado em movimentos naturais recorrentes, é aquele que firma o sistema dos calendários); Tempo Histórico (representa a duração das formas históricas de vida e pode ser dividido em intervalos curtos ou longos, ritmados por diversos fatos como guerra, revoluções migrações, etc.); Tempo Linguístico (aquele que revela a condução intersubjetiva da comunicação linguística. Por basear-se na linguagem, sua ordenação é de acordo com a organização da fala e por isso possui em sua essência um teor cultural.).

A partir de então, as classificações de tempo nas narrativas compreendidas no livro “Santarém conta...” seguiram as conceituações citadas acima de tempo cronológico e o psicológico, pois estes foram os tempos que mais apareciam nas narrativas orais, pois quando não seguiam uma sequência cronológica em horas ou em dias (seguindo uma sequência semelhante à realidade), seguiam a sequência criada pelo narrador-contador, e.g. a narrativa A vaca malhada contada por Maria José O. Cunha que apresenta um tempo cronológico.

Então, uma noi... parte da noite, isso na madrugada... a chuva foi até meio-dia. Não parava de chover. Então eles, quando parou a chuva, né, eles foram verque tinha acontecido, por que tanto barulho à noite. E viram que estava faltando umas reses, né.

Entretanto, consultando A criação literária de Massaud Moisés (esta uma das bibliografias que foram inseridas no decorrer dados pesquisa) acrescentou-se, às análises, a terceira classificação que compreende "o tempo metafísico, ou mítico, situado num espaço transcendental.


  • Espaço

Para a classificação de Espaço nas narrativas analisadas utilizaram-se as concepções de Borges Filho4, pois para este autor o espaço não é apenas uma referência de lugar geográfico, mas pode, também, exercer uma influência sobre os personagens desde a sua caracterização à realização de ações que possa sofrer (ou executar). Para tanto, o autor agrupa as características de espaço em três momentos, que são: Espaço Realista (que na classificação foi chamado de espaço real, este é o tipo de espaço que se equipara à vida real); Espaço Fantasia (é o tipo de espaço que não possui semelhança a vida real); Espaço Imaginativo (este é caracterizado, segundo o referido autor, como aquele que é fictício, porém com semelhança ao mundo real).

Entre as narrativas analisadas algumas causaram estranhamento quanto ao espaço, pois houve aquelas que, segundo a classificação de Borges Filho. são consideradas Espaço Fantasista e Espaço Imaginativo. Desta maneira este estranhamento pode ser causado por vacilações que fogem à realidade, mas que são aceitos perante a natureza (considerado por Borges Filho como Espaço imaginativo). Outra maneira como o fenômeno de estranhamento se manifesta é através das vacilações que fogem às leis da natureza e são consideradas sobrenaturais (que neste caso recebe a designação de espaço Imaginativo).



  1. PUBLICAÇÕES

Com a riqueza de conhecimentos obtidos através desta pesquisa foram feitos artigos que discutiam os pontos principais da pesquisa, cujo título recebe o mesmo nome título da pesquisa, há também um outro artigo à espera de publicação chamado As diversas faces do boto em Santarém, e neste busca-se discutir as diversas maneiras que a lenda do boto é contada pelas pessoas da cidade. Usou-se o Boto como personagem a ser destacado devido à grande quantidade de narrativas encontradas no livro “Santarém conta...”. E assim como se solicitam as normas para este tipo de trabalho, foram feitas apresentações de painel, nos quais estão compreendidos os dados de análises constituídos e as suas exposições renderam novos frutos para pesquisas futuras.

  1. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS USADAS NA PESQUISA

Durante os seis meses posteriores ao relatório parcial foram concluídas as análises das narrativas contidas no livro “Santarém conta...”. As análises partiram de estudos a priori de Lígia Leite, mas as classificações feitas por ela foram consideradas sensíveis e sem distinção entre elas, causando ambiguidade nas categorizações dos elementos narratológicos. Desta maneira, após verificar o Dicionário de Narratologia de Carlos Reis & Ana Lopes, indicado no plano de trabalho desta pesquisa, Reis & Lopes (1987) utiliza as concepções de Genette e por isso se prosseguiu a classificação usando os termos deste autor para designar narrador como Autodiegético, Homodiegético, Heterodiegético, mesmo sabendo que estas concepções designam narrativas canônicas, como foi referido outrora, se utilizou esta metodologia pela carência de estudos voltados para narradores-contadores.

A depois de chegar a estas considerações, o próximo passo foi classificar os personagens e para isto se usou as considerações de Cândida Gancho, mas da mesma forma que muitas dúvidas restaram, outro autor melhor se adequou ao que investiga esta pesquisa e por isso Massaud Moisés foi procurado, pois sua classificação sucinta acerca de personagem em protagonista, deuteragonista e antagonista se encaixou melhor as narrativas orais.

Para a classificação de tempo nas narrativas orais do livro “Santarém conta...” foi selecionado o autor Benedito Nunes, desta maneira as narrativas seguiram as classificações, mencionados anteriormente, de Tempo Físico, Tempo Psicológico, Tempo Cronológico, Tempo Histórico e Tempo Linguístico, com maior predominância as classificações de Tempo Cronológico, e Psicológico. No entanto, couberam para esta categoria as teorias de Massaud Moisés, criando uma terceira predominância, a de Tempo Mítico.

A investigação também abrangeu o espaço e para esta categoria foi selecionado o autor Borges Filho, uma vez que sua categorização acerca do espaço melhor se adequa as narrativas orais, Carlos Reis foi estudado, no entanto suas determinações foram limitadas ao encaixá-las nas narrativas orais, deixando então apenas as considerações de Borges Filho.



  1. CONCLUSÃO

Neste período de doze meses desta pesquisa, 52 narrativas foram analisadas, e esta análise consistiu na investigação e classificação de Narrador (como Contador), Personagens, Tempo, e Espaço, a partir dos conceitos estudados anteriormente, tendo em vista este momento da pesquisa. Discussões foram empreendidas, a fim de melhor se definir quais autores e linhas de pensamentos melhor se ajustavam ao estabelecido pela coordenadora Prof.ª Dr.ª Maria do Perpétuo Socorro Galvão Simões. Muitos autores foram selecionados, no entanto, apenas alguns dos escolhidos atenderam às necessidades exigidas pela investigação.

Após a seleção bibliográfica, identificada no plano de trabalho, somada ao que foi posteriormente identificado como necessário à realização do trabalho, se iniciou o processo de organização de dados em forma de tabela, para melhor visualização dos resultados. De início, a classificação que recebeu maior atenção foi a relativa a narrador, que, nas narrativas orais é representada pelo papel de contador, conformação explicitada anteriormente. Para estudo desta foram utilizadas as postulações feitas por Gérard Genette, contudo, frisando o fato de que os termos Homodiegético, Autodiegético e Heterodiegético aplicam-se mais seguramente às narrativas canônicas, pelo fato de serem relacionadas ao termo diegese, já anteriormente referida. A utilização desta terminologia justifica-se por não se poder com um estudo e uma terminologia, específica, relacionada aos estudos de narrativas orais.



Passados os momentos iniciais da pesquisa, iniciou-se o processo de análise do comportamento de cada elemento narrativo. A priori foram levantadas conclusões a carca dos personagens, e destes podem ser destacados os personagens com formas distintivas, que ora se comportavam como antagonistas, ora comportavam-se como heróis. Após a chegada desta conclusão, passou-se para os demais itens narrativos, e concluiu-se que os Narrador-contadores sempre relatavam algo de que tinham ouvido falar ou algo que acontecera consigo e que tenha marcado a sua vida. Quanto ao Tempo, pôde-se compreender que, em muitos casos, onde se encontrava uma viagem ao reino dos botos o tempo passava a ser mítico, outra peculiaridade a ser destacada é quanto a Espaço, que se apresentava como imaginativo quando na narrativa este espaço era criado pela imaginação do contador, mas que possuía algumas semelhanças com o real; ou como fantasista quando na narrativa o espaço descrito não possuía semelhanças com a vida e a História, este que em muitos casos foi a classificação dada as narrativas em que alguém viajava para o reino dos botos.

  1. DIFICULDADES

Entre as dificuldades enfrentadas, no decorrer desta pesquisa, a mais pertinente foi relacionada à classificação das narrativas, de acordo com o tempo estipulado no cronograma do planejamento, uma vez que, a formalização de conceitos cabíveis e seleção bibliográfica levou grande parte do tempo, principalmente para determinar a diferença entre narrador e contador, uma vez que este assunto ainda é pouco explorado.

  1. PARECER DO COORDENADOR:

A pesquisa foi desenvolvida de acordo com as proposições do Plano de Trabalho apresentado, sendo que a bolsista atendeu à proposta, com pontualidade e responsabilidade requeridas pelo projeto. A ausência de produção científica justifica-se pelo fato de que, no tempo decorrido desta pesquisa, não aconteceram em eventos acadêmicos de interesse da área. É meu parecer.
DATA: 10 de agosto de 2015




_________________________________________

ASSINATURA DO ORIENTADOR

11. BIBLIOGRAFIA

BORGES FILHO, Osíris. Espaço e literatura: introdução à topoanálise. Franca: Ribeirão: gráfica e editora, 2007.

GANCHO, Cândida Vilares. Como analisar narrativas. 5ªEd. São Paulo: Ática, 1998, p. 14.

GENETTE, G. Introduction à I’architexte.Paris: Seuil, 1979.

MOISÉS, Massaud. A criação literária. Ed. rev. e atual. - São Paulo: Cultrix, 2012.

NUNES, Benedito. O Tempo Da Narrativa. São Paulo: Edições Loyola, 2013.

REIS, Carlos; LOPES, Lígia. Dicionário de narratologia. 7º Ed. São Paulo: Almedina, 2002. p. 249.

TODOROV, Tzvetan, Introdução à literatura fantástica. 2ª ed. Editora perspectiva, São Paulo, 1981.


    1. OUTRAS BIBLIOGRAFIAS.

acessado em 26 de janeiro de 2015.


  1. ANEXO – tabelas de mostra de resultados no período de doze meses.

NARRATIVA

NARRADOR

PERSONAGEM

TEMPO

ESPAÇO

A vaca malhada

Terceira pessoa

Protagonista (a vaca malhada)

Psicológico

Fantasista

Mistério no rio

Terceira pessoa

Protagonistas (pescadores),

Antagonista (bicho)



Cronológico

Imaginativo

A língua da caveira

Primeira pessoa

Protagonista (caveira)

Deuteragonista (Dona Maria)



Psicológico

Imaginativo

O boto e o rapaz

Primeira pessoa

Protagonista (Davi)

Antagonista (boto)



Cronológico

Imaginativo

Curupira

Primeira pessoa

Protagonista (Antônio)

Deuteragonista (Galiby)

Antagonista (curupira)


Cronológico

Imaginativo

Fogo-fátuo

Terceira pessoa

Protagonista (Manuel)

Deuteragonista (Dona Jaíde)

Antagonista (carro pegando fogo)


Cronológico

Imaginativo

A madrinha

Terceira pessoa

Protagonista (menino batizado)

Deuteragonistas (padre e mãe)

Antagonista (mesa madrinha)


Cronológico

Fantasista



NARRATIVA

NARRADOR

PERSONAGEM

TEMPO

ESPAÇO

A mão

Terceira pessoa

Protagonista (criança morta)

Deuteragonista (mãe)



Cronológico

Imaginativo

A cobra e a moça

Terceira pessoa

Protagonista (moça)

Deuteragonista (padre)

Antagonista (cobra)


Cronológico

Imaginativo

O pombo-rei

Terceira pessoa

Protagonista (irmão malcriado)

Deuteragonistas (irmãos e índios)

Antagonista (pombo-rei)


Psicológico

Imaginativo

Os pescadores e o boto

Terceira pessoa

Protagonista (pescador)

Antagonistas (boto soldado e boto ferido)



Psicológico

Fantasista

A parturiente

Terceira pessoa

Protagonista (parteira)

Antagonista (boto)



Cronológico

Fantasista

O bicho5

Terceira pessoa

Protagonista (Seu Jovino)

Deuteragonista (Dona Maricota)

Antagonista (cobra)


Histórico

Imaginativo

A mulher dos bichos

Terceira pessoa

Protagonista (moça)

Deuteragonistas (irmãos)

Antagonista (embuá)


Cronológico

Imaginativo



NARRATIVA

NARRADOR

PERSONAGEM

TEMPO

ESPAÇO

Um boto diferente

Primeira pessoa

Protagonista (Manuel)

Deuteragonista (Zé)

Antagonista (boto)


Psicológico

Fantasista

Saci Pererê

Primeira pessoa

Protagonista (Saci Pererê)

Psicológico

Imaginativo

Parece mentira, mas não é.

Primeira pessoa

Protagonista (eu - contador)

Antagonista (boto)



Psicológico

Fantasista

Onorato: cobra grande

Terceira pessoa

Protagonista (avó das crianças)

Deuteragonista (mãe das crianças)



Cronológico

Fantasista

A morta viva

Terceira pessoa

Protagonista (marido)

Deuteragonista (padre)

Antagonista (morta)


Psicológico

Imaginativo

A saída

Terceira pessoa

Protagonista (João)

Antagonista (pássaro)



Cronológico

Fantasista

A inveja

Terceira pessoa

Protagonista (Rapaz)

Cronológico

Fantasista

História do Agapito

Primeira pessoa

Protagonista (Agapito)

Deuteragonista (professora)



Cronológico

Imaginativo

Um encantamento

Primeira pessoa

Protagonista (eu – contador)

Antagonista (Ele)



Cronológico

Fantasista



NARRATIVA

NARRADOR

PERSONAGEM

TEMPO

ESPAÇO

Era sexta-feira santa

Terceira pessoa

Protagonista (Oscar)

Deuteragonista (papai)



Psicológico

Fantasista

Visões e caçadas

Terceira pessoa

Protagonista (tio)

Deuteragonista (primo)



Cronológico

Fantasista

A cobra grade

Terceira pessoa

Protagonista (piloto)

Deuteragonista (proeia)

Antagonista (cobra grande)


Cronológico

Fantasista

Gigantesca jiboia

Terceira pessoa

Protagonista (caçador)

Cronológico

Fantasista

O curupira

Terceira pessoa

Protagonista (caçador)

Antagonista (curupira)



Cronológico

Fantasista



1 REIS, Carlos; LOPES, Lígia. Dicionário de narratologia. 7º Ed. São Paulo: Almedina, 2002. p. 249.

2 acessado em 26 de janeiro de 2015.

3 As classificações para este elemento narratológico seguiram as nomenclaturas de Primeira Pessoa, Terceira Pessoa para não serem considerados termos diegéticos, uma vez que termos como estes se referem às narrativas canônicas e não narrativas orais, como é visto acima.

4 NUNES, Benedito. O Tempo Da Narrativa. São Paulo: Edições Loyola, 2013.

5 BORGES FILHO, Osíris. Espaço e literatura: introdução á topoanálise. Franca: Ribeirão: gráfica e editora, 2007.


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