Re existência e luta da história e memória do toldo chimbangue- sc: os saberes kaingang enquanto possibilidade de formaçÃo no espaço escolar



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Dissertação Final em PDF
Tánh Fidelis e Nauany Jógtá Fidelis.
Mesmo assim, nunca deixei de militar em prol da causa indígena, as brechas de 
folga que tinha, participavam de movimentos, passeatas, reuniões e cursos como 
Gestão Ambiental e Territorial em terras indígenas.
Lembro de uma manhã de julho de 2012, fazia muito frio, quando decidi que 
voltaria a residir novamente na terra indígena. Então, mudo para a Terra Indígena Toldo 
Pinhal, município de Seara, pois ali surgia a oportunidade de trabalhar como motorista 
da saúde indígena.


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No ano de 2013, participei do Acampamento Terra Livre (ATL), que acontece 
todos os anos em Brasília. Participei do mais alto feito alcançado por um movimento 
indígena, que foi entrar no Congresso Nacional “Casa do Povo”, com mais de 1500 
indígenas de todo o Brasil defendemos a não aprovação da Proposta de Emenda à 
Constituição número 2015 (PEC 215). Proposta esta que trazia junto ao texto o 
extermínio de nossas populações, já que passava do executivo para o legislativo a 
competência de demarcar terras indígenas. Com isso, de acordo com nosso 
entendimento, jamais veríamos nossos territórios demarcados no caso de uma 
aprovação. Um dia histórico e memorável, pois conseguimos barrar naquele momento 
a votação da PEC. 215. 
Desde este ato, a força dos movimentos só aumentou, assim como meu 
engajamento. Então, no final de 2013, vi uma oportunidade na UNOCHAPECÓ que 
passará a ofertar o curso de Licenciatura Intercultural Indígena, específico e 
diferenciado somente para povos indígenas do estado de Santa Catarina. As aulas 
seriam durante as sextas e sábados, sempre nas escolas das comunidades indígenas, 
facilitando o acesso e a integração entre os povos.
Assim, durante os cinco anos que fiz o curso, estive diante de muitos desafios. 
Nasceram os filhos Kenuy Yuri Jotiti e Lanay Tãnh Fej e os compromissos com o curso 
aumentaram, mas mesmo assim em nem um momento pensei em desistir. Foram 
tantas as trocas, tantos aprendizados, que por fim resultaram na habilitação em 
Ciências Sociais.
O projeto final da graduação, focou no histórico das comunidades indígenas do 
oeste catarinense, focando principalmente a Terra Indígena Toldo Pinhal. Me desafiava, 
cada vez mais, a apresentar com um olhar indígena sobre a história e memória do povo 
Kaingang na região. Com isso, contribuir com elementos pedagógicos para a educação 
escolar indígena, logo, para as comunidades indígenas.
Assim, a graduação contribuiu e fortaleceu aprender dentro da nossa realidade, 
mesclando o conhecimento “universal” com nossa cultura, crenças e tradições. Com 
isso, nossa comunidade indígena ganhou, nosso povo teve mais visibilidade e além de 
tudo isso, a gratidão de poder contar e ser parte de um grupo de professores que por 
unanimidade se empenharam para garantir e entender o “tempo indígena de aprender”.
Nesse contexto, logo após finalizar a graduação, surge a oportunidade de 
ingressar no Mestrado em Educação da UNOCHAPECÓ. Com a bolsa social, passo a 


23 
realizar um sonho. Porém, já no início, enfrento um grande desafio, conciliar a vida 
acadêmica, social e familiar. Mas afinal, a vida é feita de superação e permanentemente 
temos que enfrentá-los.
Paralelamente ao início do mestrado, me separei da mãe de meus filhos, então 
saindo da comunidade Toldo Pinhal, passando a viver no Toldo Chimbangue. Iniciei 
uma nova etapa da vida com pouco convívio cotidiano com meus filhos. Frente às 
dificuldades, acabei sendo recebido com muito apoio por toda comunidade dessa terra 
indígena. Então, no mês de fevereiro de 2020, começo a trabalhar na Escola Indígena 
Ensino Fundamental Fen'nó como coordenador pedagógico, ampliando meu desejo e 
desafio em pesquisar melhor esta comunidade e os processos que ocorrem dentro dela. 
Pois de imediato, percebi que o Toldo Chimbangue, possui especificidades diferentes 
das outras quatro comunidades indígenas que vivi.
Ao ingressar no mestrado, passo a fazer parte da linha de pesquisa: Diversidade, 
Interculturalidade e educação inclusiva, bem como do grupo de pesquisa: 
Desigualdades sociais, Diversidades Socioculturais e Práticas Educativas. Iniciar o 
Mestrado, cursando as disciplinas, participando de seminários e palestras, bem como, 
a interação com os colegas, oportunizou a identificar as diversas facetas de contribuição 
que os saberes kaingang têm no processo educativo. Tudo isso contribuiu para refletir 
sobre a educação indígena, desde a oralidade, a escuta e a memória como partes 
essenciais dos saberes e da cultura. Vi no mestrado um lugar possível de escrita, de 
poder registrar a sabedoria do povo indígena.
Ser pesquisador indígena nos dias atuais, é desafiar-se ao mundo da leitura, de 
obras que possam contribuir ao máximo na pesquisa, contextualizando sempre na 
melhor intenção de dialogar com o olhar a partir dos saberes indígenas. Sendo 
respeitadas as escritas, e ao que foi dito, porém, nunca deixando de lado as fontes 
inesgotáveis dos saberes indígenas, que passam por vários sábios da comunidade. 
São nas crenças, no canto dos pássaros, nas plantas, na água, no fogo, nos ciclos 
lunares que vivem os saberes indígenas. Além de cultivar um formato único de 
conhecimento na observação das mudanças de comportamento da natureza, podemos 
afirmar que pouco está registrado em livros, pois pouco se conta para os não indígenas, 
e poucos são os indígenas que chegam ao ensino superior e à pós-graduação no Brasil. 
É neste desejo, que me sinto contemplado enquanto Kaingang, de poder escrever 


24 
sobre os saberes de nosso povo, e especificamente daqueles da comunidade do Toldo 
Chimbangue.
Diante desta temática anunciada, buscou-se responder o seguinte problema de 
pesquisa: Como os saberes Kaingang influenciam no modo de ser e viver da 
comunidade Toldo Chimbangue? Como objetivo geral buscou-se compreender como 
os saberes Kaingang do Toldo Chimbangue são percebidos, sentidos, valorizados, 
respeitados e vividos pela comunidade desde a retomada do território tradicional.
Para 
ancorar essas questões, buscou-se através dos objetivos específicos:

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