Projeto: o humanismo europeu entre a Devotio Moderna e as Guerras de Religião: valores e percursos de investigação. O caso de Damião de Góis (1502-1574). Fonte



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Pádua, 1 de novembro de 1537
BLX. Tiago Sadoleto a Damião de Góis p.261

Roma, 30 de dezembro de 1537.
Com efeito, sabei que grandes inquietações me advieram da missiva há tempos enviada ao vosso amigo, porquanto, divulgada que foi entre os alemães, infâmia não pequena e suspeita concitou contra mim, qual se eu quisera abandonar a antiga causa e conluiar-me com os luteranos, do que por meu juízo estou imensamente afastado. Como, no entanto, conheço bem o que fiz e não esqueço tratar de interesses de Deus, vou sofridamente suportando as calúnias de homens desta estofa.

Acerca de Melanchthon, entrementes, escrevem-me coisas diversas; uns dizem-no mais probo e modesto que os restantes adversários nossos, outros acusam-no de fraudulento e falaz, o que eu na verdade não quereria, pois tal estima lhe dedico na suposição de que seja bom, simples, sincero,- predicados que àquela inteligência e saber se me afiguram convir melhor. Uma coisa vos afirmo: é que, a concordância vir a ser possível entre mim e ele, e nisso de há muito me empenho, sem dificuldades alcançaremos ambos a glória de haver a concórdia restabelecida e a Religião Católica pacificada. ” (p.261)


BLXI. Pedro Bembo a Damião, português p.263

Veneza, 5 de abril de 1539
BLXII. Lázaro Buonamici a Damião de Góis p.265

Pádua, 17 de abril de 1539
BLXIII. Pedro Nanninck a Nicolau Olah p.267

Lovaina, 6 de maio de 1539
BLXIV. Pedro Nanninck a Nicolau Olah p.269

Lovaina, 12 de maio de 1539
BLXV. Segismundo Gelénio a Damião de Góis p.269

Basileia, 23 de junho de 1539
BLXVI. Lázaro Bonamico a Damião de Góis p.271

Pádua, 9 de julho de 1539
BLXVII. Lázaro Bonamico a Damião de Góis p.273

Pádua, 29 de outubro de 1539.
Li de mui bom grado a história que recentemente deste à estampa: e não só por costumar aprazer-me neste género literário, que estou convencido ser de interesse aos negócios públicos e particulares e não menos à própria filosofia, mas também porque era atraído pela fama do autor e de sua nação poderosíssima; acrescendo a isto essa nobre derrota do seu adversário, o qual em todo o tempo eu ao máximo odiei, como inimigo dos cristãos, da cultura, do bem, da virtude mesma, e cujo império, sem embaraço de nossa discórdia ou estultícia16 ou indolência ou certa cega e assinalada ousadia haver feito temível, já que parece ter nascido e aumentado à custa sempre de meio indignos.” (p.273)
BLXVIII. Cristóvão Madruzzi a Damião de Góis p.275

Trento, 5 de novembro de 1539.

BLXIX. Clareano a Damião de Góis p.277

Friburgo, 6 de novembro do ano de 1539

BLXX. Tidemano Giese a Damião de Góis p.281

Löbau, 16 novembro de 1539.
Comentário: Trata a respeito do opúsculo acerca dos cometimentos dos portugueses na Índia.
Pois a obra vossa, imediatamente lida, exibiu-me por si mesma uma prova manifesta da ascensão constante de vosso engenho para o mais e melhor. Teria logrado agradecê-la pessoalmente em certo modo, caso ela de carta se houvera feito acompanhar: mais grata até se me deveria por este título. Apesar disso, da-me ventura o perceber que ainda guardais afectuosa memória de mim, e não mérito da narração, o que me suscitou a cobiça de outrossim ler o restante que prometeis dar-nos à volta das empresas da Índia, volumes que aliás não tardarão e recheados, atento que, no conjunto das Musas, como reparo, é Clio aquela a quem distinguis com particular homenagem.

Neste género de literatura, vossos compatriotas supeditam17-vos matérias riquíssimas e de tal forma rival da ancianidade18, que pode bem imortalizar vosso nome de escritor; o que para melhor conseguirdes, julgo não somenos importar que à história associeis a topografia, matéria de ninguém quiçá apetecida tanto como de mim, quando os acontecimentos ilustres leio dessas regiões ignotas19. Ora há (ao que ouço) exemplares desta indústria, esmeradamente tirados, com o esforço dos matemáticos, em cartas e globos; de modo que vos não faz mister muito canseira neste ponto, contanto que atendias ao leitor para que não ache dificuldade. “ (p.283)
BLXXI. Tiago Sadoleto a Damião de Góis p.285

Carpentras, 24 de dezembro de 1539
Acuso a recepção de vossa epístola escrita de Lovaina no dia quatorze de Outubro, e bem assim do opúsculo referente aos costumes e religião dos Etíopes, porque o outro, intitulado Da Guerra Carmânica, nem me veio agora nem aquanto da anterior missiva vossa, e que eu então respondi. Admira-me nada vos ter chegado à mão. ” (p.285)
BLXXII. Pedro Bembo a Damião de Góis p.287

Roma, 31 de dezembro de 1539
Li com aprazimento sumo o escorço histórico a respeito das hostilidades contra a fortaleza de Diu, na índia, e que com tão amigas palavras me enviastes.

Na verdade, ali ressumbram o heroísmo de vossos compatriotas, o que grandemente me maravilhou: a perfídia dos turcos, a qual bem útil é toda a gente anote e pondere; e vários acontecimentos de coisas e pelejas, de envolta com a testificação clara da nossa amizade e da vossa singular benevolência para comigo, o que me foi de regalo quanto nada o granjearia ser. Aceitai, pois, em troca o testemunho insofismável da minha profunda estima.” (p.287)
BLXXIII. Tiago Sadoleto a Jorge Coelho p.289

Carpentras, 3 de maio de 1540
Mas além do mais que é merecedor de aprovação no poema, outro aspecto deve sumamente louvar-se e pôr-se em destaque, qual o patrocínio que evidenciais calamitosa época, com quantos menos conta para legítima e corajosamente a dos seus defensores, e não obstante os prémios imortais junto de Deus, distingui-los outrossim com honras humanas. Nesse número toca-vos um lugar egrégio que a preclara Paciência cristã, acuradamente ilustrada no vosso poema, bem em primeira instância nos patenteia. Mas basta, nesse assunto. ” (p.291)
BLXXIV. Tiago Sadoleto a Damião de Góis p.291

Carpentras, 25 de agosto de 1540.
BLXXV. Jorge Coelho a Damião de Góis p.295

Lisboa, 26 de agosto de 1540.
A respeito da tua história acerca das acções dos portugueses, a verdade é que a percorri toda, com a maior satisfação. E não é amizade, Damião caríssimo, que isto me dita. Compuseste-la realmente com elegância, o que aliás a uma voz asseveram quantos a hão tido à mão. Ao nosso Rei, visto me pedisse opinião sobre o livro, respondi aquilo que nesse momento se me antolhou justo, isto é, que entendia ser obra notável, que com ela óptimos serviços prestaras à pátria; e ainda, neste género, outras muitas coisas cuja enumeração seria penoso em carta. ” (p.295)
Não ignoras o demasiado desconcerto e liberdade desta época, na maneira de apreciar a quantos que, suposto autores de algo valia, não gozam contudo de nome notável. Sob a tua autoridade, porém, que em toda a parte é grande como ser deve, confio que não só há-de facilmente achar-se protegida e defendida contra quaisquer detractores 20a minha obra, mas também contribuir para fama e algum louvor do meu nome. Ajudarás deste modo a um concidadão, a uma pessoa afeiçoadíssima a todos os teus, a um homem, enfim, que te vota amizade profunda. ” (p.297)
BLXXVI. Adão Carolus a Damião de Góis p.299

Neustadt, Áustria, 28 de novembro de 1540

Comentários: Trata a respeito do opúsculo sobre a Etiópia.
[...] Isto maiormente depois que ouvi, o próprio Chansonnete, conter o volume tão profunda Teologia e em tão sucinta e brilhante exposição de pensamento, que deve fazer-nos grande pejo a nós, que o Cristianismo professamos, o parecermos a modos que superados pelos Etíopes, no culto e observância da Religião. “ (p.299)
Nós cá combatemos contra os mais perversos monstros humanos; e a não ser que subtraindo da garra destes homens, à força ou mediante qualquer condição, o reino da Hungria, por certo que a Cristandade detrimento grande padecerá. Mas não duvido de que, através de cartas de outros, muito saibais e este respeito. ” (p.301)
BLXXVII. Nicolau Clenardo a todos os cristãos p.301

Fez, c, 1540-1541.
Comentários: Carta acerca do ensino do árabe e da milícia a organizar contra Mafoma.
Cá, entretanto granjeei muitas novas amizades. Antes de mais, de Jorge Coelho, celebrando de tal forma, além da perícia nas letras gregas, na prosa e no verso, que se duvidará em qual dos dois géneros é mais excelente. Por mim acho ser na prosa, pois não vejo quem hoje tanto se aproxime da velha eloquência romana. A linguagem é pura, côncina 21e de elegante nitidez, sem sombra de afectação. Julgo não haver sido sem motivo que coloquei Resende entre os poetas e Jorge Coelho entre os oradores. Por isso, até já tenho como solução a adoptar que imagino contra Mafamede Coelho possa preferivelmente pregar, Resende mais refinadamente compor versos. [...] “ (p.303)
BLXXVIII. Justo Velsius a Damião de Góis p.303

Antuérpia, 1 de janeiro de 1541
BLXXIX. Pedro Bembo a Damião de Góis p.305

Roma, 11 de janeiro de 1541
BLXXX. João Rod a Damião de Góis p.307

Porto, 13 de janeiro de 1541
BLXXXI. Reginaldo Pole a Damião de Góis p.311

Roma, c, inícios de 1541.
BLXXXII. João Magno Gothus a Damião de Góis p.313

Roma, 1 de abril de 1541

BLXXXXIII. Pedro Bembo a Jorge Coelho. P.315

Roma, 9 de abril de 1541.
BLXXXIV. Cristóvão Madruzzi a Damião de Góis p.317

Trento, 21 de maio de 1541.

BLXXXV. João Magnus Gothus a Pedro Bembo p.319

Roma, 7 de julho de 1541.
P.S – Por intermédio de seu irmão Olau Magno: Chegou, sensivelmente ao mesmo tempo, um livro impresso em Lovaina, da autoria do ilustríssimo varão Damião de Góis, cavaleiro português Acerca dos costumes dos Etíopes dedicado ao Sumo Pontífice Paulo III, em cujo fecho, a modos de apêndice, vinha anexo um testemunho fiel de como em defesa da Fé em Cristo o mesmo arcebispo expulso da pátria para o exílio na cidade prussiana de Danzig ( onde então o citado Damião de Góis com ele várias vezes falou de assuntos bem importantes) e daí para Vicenza, em Itália, no ano de 1538, por aí se acreditar ir celebrar-se o Concílio Ecuménico. Este livro enviou-o arcebispo ao senhor cardeal de Santa Cruz, juntamente com esta exígua súplica (v. a Carta seguinte, BLXXXVI). “ (P.321)
BLXXXVI. João Magnus Gothus ao cardeal Santa Cruz p.321

Roma, 13 de julho de 1541.

Comentários: João Magnus Gothus nessa carta registrou o envio que fez ao Cardeal Santa Cruz do livro sobre os costumes da Etiópia de Damião.
BLXXXVII. João Vaseu a Damião de Góis p.323

Évora, 18 de Outubro de 1541.
Vi a obra vossa sobre o Preste João, com cuja leitura me recreei não pouco. Admiro nela a douta facilidade de estilo, beleza de exposição, fidelidade histórica e encantos do assunto, e não lobrigo, palavra de honra, a quem possa desprazer tão a gosto e propósito que se adequasse a todos os paladares; ao contrário, é glória mais alta, a verdade surgirá, que decerto poder ser acabrunhada mas de interessadíssimo, como é justo, por vós e pelas vossas coisas. ” (p.325)
BLXXXVIII. Pedro Nanninck a Damião de Góis p.325

Lovaina, c, inícios de dezembro de 1541
Comentários: Trata sobre o opúsculo da Hispânia.
É aí admirável, a ordem, a distribuição de cada um dos assuntos por suas classes, modo de escrever que Suetónio parece haver sobremaneira amado. Vem, de facto, no teu livro, cada coisa em seu lugar próprio: aqui descrevem-se os recursos dos reinos, além as riquezas dos bispos e fidalgos; os santos da Hispânia tem o seu catálogo, e têm-no igualmente os varões eruditos; os chefes notáveis da guerra lá os puseste também em legítima avidência; lá têm as suas praças (p.325) as mercadorias que a Hispânia importa e exporta; e lá finalmente se enumeram as dádivas dos antípodas, as quais por dupla razão pertencem aos hispanos: já porque descobriram essa parte do mundo, já porque só eles para os seus celeiros todas estas coisas transportaram. Em resumo: nada omites do que respeito diz à glória da Hispânia. ” (p.327)
[...] na verdade, apontas tão inumeráveis tesouros de riquezas e produtos, que se nos antoja que Pluto e Ceres não habitaram noutro lugar afora a Hispânia, ou ao menos ali de um modo particular. ” (p.327)
E, nesta ordem de ideias, lá meti ao prelo o livro de tão subida utilidade, que tu mandavas deitar ao fogo ou mostrar apenas aos amigos. É que julguei realmente criminoso, reter-se entre as mãos de poucos o que de tamanha vantagem pode ser para todos. Que se de cada nação houvessem da mesma forma sido explanados os recursos e riquezas, grande instrumento decerto estaria à mãos dos doutos para comporem a História, visto como os nervos das guerras são o dinheiro, e a sua carência ou abundância multíplices ensejos proporciona de derrotas e vitórias. É impossível alguém versar rectamente História, sem prévio conhecimento das riquezas e recursos de ambas as partes, o qual exponha ao leitor, e oxalá neste ponto fossem mais diligentes alguns escritores latinos, no que imitariam Tucídides. ” (p.327)

BLXXXIX. Jorge Coelho a Damião de Góis p.329

Lisboa, 13 de dezembro de 1541.
BXC. Beato Rheinauer a Damião de Góis p.329

Sélestad, 21 de março de 1542.
BXCI. João Diogo Fugger a Damião de Góis p.331

Ausgburgo, 8 de maio de 1542.
BXCII. Beato Rheinauer a Damião de Góis

Sélestad, 21 de maio de 1542
Aqui anda tudo em movimento por causa da guerra turca, que se aparelha com extraordinária despesa para os alemães. O bom Deus omnipotente defenda a Cristandade. ” (p.333)
BXCIII. Guilherme Zenocaro Agripa a Damião de Góis p.335

Bruxelas, 12 de julho de 1542
BXCIV. Viglio Van Zuichem a Jorge Hermann p.337

Bruxelas, 5 de agosto de 1542.
Decera entretando a Rainha, enviar-me a Nuremberga, aos comícios que agora lá se realizam: e já estava preparado para a caminhada quando aqui nos sucedei a dificílima guerra com o Rei da França [...]. ” (p.337)

Da Guéldria, na verdade, irrompe sobre o Brabante Martin van Rossem, marechal do ducado gueldriano, com 14.000 peões e um milhar de cavaleiros a soldo do monarca francês Daí se originou um medo tremendo nesta província; e em Antuérpia ao princípio a perturbação era tamanha que, se de imediato não houvessem sido enviados para lá alguns chefes e aí entrado cavaleiros e peões, teríamos chegado a um grandíssimo perigo quanto à mais rica cidade entre todas. “ (p.337)



BXCV. Tidemano Gysius p.339

Löbau, 22 de outubro de 1542.
BXCVI. Splinter Van Hargen a Cristóvão Madruzzi p.339

Haia, 3 de março de 1543. {Holanda}
Com efeito, o Rei da França por astúcia e desprezo dos tratados, lançou de repente um exército, organizado em segredo por obra do duque de Juliers, contra o Brabanate sob o comando do general Martim van Rossem, nobre da Guéldria, que despovoou a ferro e fogo os campos e levou a efeito grande pilhagem, começando também a aterrorizar cidades alheias a qualquer hostilidade.” (p.341)
“ Entre as demais, havendo atacado Lovaina, exigiu a sua rendição. Os lovanienses, perturbados com o inesperado acontecimento, não possuindo dentro guarnições de soldados nem podendo facilmente só por eles salvaguardar uma cidade mais ampla que munida; nem, por outro lado, mantendo esperança em meio de socorro, dadas as garantias de parte enviam o Pretor e Damião de Góis a entenderem-se com Martinho a fim de obterem dele monetariamente o compromisso de não atacar a cidade com o exército. Enquanto decorem as missões de ambos, soldados de Rossem sobem pela calada a muralha para a ocuparem e assim aproveitarem nos pactos. Os cidadãos, reconhecida a fraude, levou consigo cativos para França a Damião e ao Pretor. ” (p.341)
De resto, por intervenção do rei de Portugal, o monarca francês pôs Damião em liberdade, com suma contestação dos adversários que lhe marcaram um iniquíssimo preço de resgate, o de nove mil ducados, concedendo-se contudo ao Rei português que, reconhecia a causa se concluir que a captura se fez sob direito de guerra pague mil ducados, caso contrário restitua-se na íntegra a quantia, pelo que espero tal venha a acontecer em breve. ” (p.341)
BXCVII. João Magno Gothus a Damião de Góis p.343

Roma, 21 de março de 1543.
No meu país, os católicos tentaram algumas vezes sacudir de seus ombros a severidade luterana; mas, por ábdito juízo de Deus, ainda forçoso lhe é sopesar esse cruel jugo. Quanto aqui a Roma, esperança nenhuma ou pouca havemos de bom nos podemos prometer. Negligenciam-se os mandamentos divinos, desprezam-se e blasfema-se deles até, e não raro por parte daqueles que seriam obrigados a expor o sangue e a vida pela lei divina. ” (p.343)
BXCVIII. João Diogo Fugger a Damião de Góis p.345

Augsburgo, 4 de dezembro de 1543.

BXCIX. Guilherme Bernartius Tiletanus a Damião de Góis p.345

Lovaina, o de agosto de 1544.

Comentários: Nessa missiva podemos observar a preocupação de Guilherme com o avanço das disciplinas liberais e o ensino do método da Retórica e dialética aos alunos do colégio Castrense. Afirma também que segundo os costumes dos colégios que ensinam filosofia aos jovens é comum destinar os estudos filosóficos durante todo o tempo aos cuidados de um único mestre. Porém segundo o mesmo, a doutrina aristotélica poderia contribuir em grande medida aos estudos desses jovens, no que convém as preceptivas de Retórica que o filósofo apresenta em sua obra.

Além disso, tenta convencer Góis em deixa-lo publicar o manuscrito que Erasmo tinha o enviado para auxiliá-lo nos estudos da Retórica.
“ [...] São na verdade ( o que sinceramente deve confessar-se) os livros destes para não citar outros, quanto às artes liberais respeita, que seriam mais acomodados às escolas em que se instrui a tenra idade, se não atulhassem de mui pouco apropriados exemplos todos os escritos em que nos transmitem as boas artes. Quanto prejuízo advém desta prática para a arte literária, com suficiência o atestam as queixas de muitos estudiosos. “ (p.347)
[...] por fim me pôs diante dos olhos um manuscrito desse grande Erasmo, no qual além de vária correspondência a vós endereçada, se continham também umas tábuas sobre a arte retórica, tempos atrás redigidas pelo mesmo para vosso uso particular. Percorridos por alto os seus capítulos, ao presenciar aquela brevidade a que a ordem de abordagem acrescentava uma clareza admirável, começo logo, empunhando como que um tesouro encontrado, a exortar Réscio à edição; e é vergonhoso dizê-lo, um escrito tão útil e de um autor de tal monta achar- se “enterrado” mais tempo, com altíssimo dano para os estudiosos, sobretudo nos nossos dias em que nenhum método de Retórica que possa em segurança leccionar-se se encontra suficiente apto para as escolas. “ (p.347)
[...] É certo que uma carta de Erasmo faz obstáculo, ao proibir a publicação de tais folhas. Aí se lê que tão-só com grande desonra do seu nome escritos daquele género podiam ser divulgados, de sorte que se alguém fora seu capital inimigo não lograria agir mais inamigavelmente. “ (p.347)
BC. Pedro Bembo a Damião de Góis p.349

Roma, 3 de outubro de 1546

BCI. Diogo Pires a Paulo Giovio p.353

Ferrara, Março de 1547.
BCII. Sebastião Münster ao Imperador Carlo V P.355

Basileia, 25 de março de 1550.
E não me importa se Damião ou outro rígido e injusto censor me acusa e repreende por haver eu tratado, agora através de palavras minhas e de algumas novas palavras, matérias vetustíssimas que anteriormente muitos autores referenciaram, nem sequer por outras mas por palavras daqueles; ou por eu haver escrito acerca de reinos exóticos e terras remotíssimas, assim como do que nelas fora achado, coisas que em pessoa não vi nem investiguei. “ (p.355)
Publiquei Münster (diz Góis), quando se lança a escrever os costumes dos povos, apenas aquilo que tenha visto e de que possua notória certeza. Mudam-se povos, todos os dias cidades, as fortalezas, os hábitos e modos de vida dos homens; e a própria Alemanha e França já não são aquelas que César descreveu nem tão bárbaras. ” (p.355)
Damião julga que ignora isso quem, mesmo muito antes de ter lido a sua admonição22, algo deu já à estampa acerca dos costumes de velhas e recentes nações depois de muitos outros escritores. Quanto mais correctamente Damião procederia se, posta de lado a contestação, antes ajudasse o nosso empreendimento e fornecesse dados que tem como certos a respeito do reino português e das navegações índicas, mormente aquilo que, nestes volvidos anos, acontece no Oriente. “ (p.355)
Nós também acreditamos em Damião quanto ao que escreveu sobre os costumes dos etíopes que sob o Preste João vivem, mas a cuja região ele nunca foi nem alguma vez irá. Plínio, Estrabão, Ptolomeu, Diodoro Sículo, Quinto Cúrcio, Eneias Sílvio, João Boemo, etc., escreveram sobre muita coisa que não viram mas receberam de varões fidedignos. [...]” (p.355)
Assim eu registro muitos elementos não vistos, no entanto referindo as experiências alheias, conquanto não me escape a grande dificuldade em descrever províncias exóticas quando outrossim os próprios autores que é forçoso imitar não só se nos manifestam diversos, mas também contrários entre si e fortemente divergentes. [...]” (p.357)
BCIII. Sebastião Münster ao Leitor p.357

Basileia, março de 1550.
Comentários: Missiva que corresponde a conclusão da Cosmographia Uniuersalis libri VI.
Descrevemos-te até aqui, amigo leitor, os povos e nações do orbe inteiro, os seus estudos, seitas, costumes, comportamentos, leis, religiões, ritos, reinos, principados, mercadorias, antiguidades, terras, regiões novas, animais, montes, rios, mares, lagos, lugar e outras matérias deste género que a cada passo são mencionadas pelos historiadores e cosmógrafos, e sobretudo as que conseguiram, mercê da alguma excelência e dignidade, chegar ao nosso conhecimento. [...]

Confesso que há ainda muitíssimas coisas no orbe vastíssimo que por mim forma passadas adiante ou deficientemente abordadas, em virtude de não ter podido escrever mais sobre elas do que quanto os autores desses escritos me puseram nas mãos. Perante a cláusula, todavia, de Damião, nem isso devia ser publicado, apesar de dentro do possível registado por ilustrados varões, excepto se eu houvesse visitado tais províncias e terras.

No entanto, como ele próprio descreveu os costumes, cerimónias e procedimentos dos etíopes quais os ouviu contar aos legados do Preste João que da Abissínia tinham sido enviados a Portugal, ao Rei Sereníssimo dessa nação, e assim os divulgou pelo mundo, permita também a mim, como Estrabão, Pompólio, Plínio , Cúrcio, Justino, etc., e na companhia de muitos escritores mais recentes, relatar o que não vi mas tirei desses varões dignos de crédito. [...] “ (p.357)


1 Comentários:Tratam assuntos sobre a Etiópia. Góis descreve como foi recebido, Matheus, um armênio enviado ao Rei de Portugal que era o embaixador da Índia.





2 Susoditos: (adj.) que já foi anteriormente dito.




3 ComentáriosGóis escreve essa carta com o propósito de pedir a Bonifácio informações de um certo espanhol “ que, em consequência de algumas altercações aí tidas com pregadores populares” (que não é nomeado) que foi expulso da cidade de Lisboa. Faz alegações sobre conversas “não profanas” que tivera com Bonifácio quando os dois estavam em Basileia.





4 Tauros?




5 Rofense? Quem é?




6 Grous? Será que são as aves gruiformes?




7 Túmidos: Saliente, grosso e vaidoso, arrogante e orgulhoso.


8
 Comentários: Trata da morte de Erasmo e o desejo que teve de fazer a biografia do mesmo.

9
 Gedrósios: nativos de uma região do Sudoeste e do sul da Ásia, mas especificadamente do Baluchistão hoje em dia. Na época de Alexandre o Grande, essa área desértica marcou seu regresso do caminho da Babilônia.

10
 Émula: rivalizar ou competir

11
 Inteirado: Tornar inteiro ou completo; completar;

12
 Anela: ambiciona, anseio, cobiça.

13
 Exórdio:  começo de um discurso; preâmbulo.

14
 Locupletam: tornar rico; enriquecer.

15
 Lábeus: Mancha na reputação, na honra; desdouro, desonra. Nota infamante; calúnia.

16
 Estultícia: atributo, característica do que é ou se apresenta de modo estúpido; tolice, parvoíce, estupidez.

17
 Supeditar: Fornecer, ministrar.

18
 Ancianidade: Qualidade de ancião; velhice, antiguidade.

19
 Ignotas: (adj.). Sobre o qual nada se sabe; que está oculto ou indeterminado; desconhecido.

20
 Detractor: Forma alterada após Acordo Ortográfico.

21
 Côncina: ?

22
 Admonição: advertência, conselho extremoso dado a alguém.



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