Projeto: o humanismo europeu entre a Devotio Moderna e as Guerras de Religião: valores e percursos de investigação. O caso de Damião de Góis (1502-1574). Fonte



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PROJETO: O Humanismo europeu entre a Devotio Moderna e as Guerras de Religião: valores e percursos de investigação. O caso de Damião de Góis (1502-1574).

Fonte: GÓIS, Damião. Correspondência Latina. São Paulo. Editora Annablume Clássica; Coimbra: Imprensa da Universidade de Coimbra, 2011.pp.37- 123.

Resumo Geral: O interesse principal é o conjunto formado pelos tópicos Lapônia, Etiópia, contatos com “alemães” e com Erasmo de Roterdã. Ajuda a formar uma ideia dos valores expressos por Damião e compará-los com os dos humanistas do XVI.



Pesquisadora: Ana Beatriz Morais

Correspondências Activas de 1531 a 1548.

A I. Damião de Góis a João de Gothus envia muito saudar1. P.37

Antuérpia, 1531
[...] aconteceu falarmos das gestas lusitanas, quer dizer, das expedições à Índia, do oceano vastíssimo, das lutas constantes com os árabes, os persas, os indianos, de aquém e além – Ganges; das incursões anuais dos turcos, que com grandes armadas desde o Golfo Arábico até a índia Menor duramente, embora sem êxito, atacam os nossos. ” P.37

Ora, acabando eu de vos contar isso ponto a ponto, rogastes-me vós que, uma vez por ventura regressado à Bélgica, vo – lo enviasse em descrição sumária, juntamente com os artigos da fé, do culto e do estado do seu Império, o que por meu lado prometi diligentemente fazer. “ p.37



Mando desta sorte, em primeiro lugar, a cópia da carta que esse grande imperador das Índias, Preste João, escreveu ao Rei de Portugal nosso Senhor, e seguidamente os trechos em que aponto aquilo que o seu ilustre embaixador indicou, de modo sucinto, acerca da religião, dos ritos, do poder imperial, da ´excelência da corte. ” P.37 [Etiópia]

E já agora, vou explicar em poucas palavras como é que vi e ouvi todas as coisas, a fim de melhor ressaltar a verdade dos factos. ”

Recebidos não só festivamente, mas com extraordinária satisfação por nosso Rei, permaneceram na corte um triénio inteiro, cercados de grande consideração, vivendo durante todo esse tempo a expensas do soberano, até nos dizerem alegres o adeus do retorno [...]” p.39

[...] mando – o vir poucos dias depois à sua presença, mai – lo companheiro, e perante alguns doutos, com a assistência da assembleia dos nobres, interroga – los, através de um intérprete, acerca da sua fá e ritos, bem como do estado do reino etíope.

Tinha então doze anos de idade, sendo um dos pagens régios a que, por terem encargo de levar os pratos a mesa, se chama pagens das iguarias, e nesse ofício servi a Alteza Real durante dois anos. De modo que presenciei todas as coisas, e , simultaneamente com os restantes cortesãos, vi e ouvi tudo; e, quanto a idade o permitia, também entendi.” P.39 [Descreve seu lugar de testemunha].

[...] o cristianíssimo Rei D.Manuel, meu protector, dava – me novo cargo mandando –me aqui para a Bélgica, a tratar dos seus negócios. Chegando cá, tive a sorte de encontrar um homem não apenas nobre mas também sagaz, comparticipante da minha ordem e cargo, de nome Rui de Fernandes, que aqui desempenha a função de chefe dos negócios régios ou feitor... “ p.39

Ora, alcançada a amizade de Rui Fernandes... veio a talhar menção das coisas das Índias, informando – me ele então possuir, por atenção de António Carneiro, cópia quer dos textos susoditos2 quer da carta do grande imperador das Índias, Preste João, ao nosso Rei. ” P.39

E então reparai no que esse grande Imperador das Índias escreveu ao nosso Rei; reparai, na carta dele ao nosso Monarca, não simulada, mas verdadeira e com toda a fidelidade traduzida, quase à letra, da língua caldaica, que eles principalmente usam, para português e finalmente latim. “ p.41

AII: Damião de Góis a João Magnus Gothus. P.41

Antuérpia, 1 de Dezembro de 1531

[...] quando estivesse entre vós, que sob o domínio do vosso arcebispado se achava aquela assaz vasta região da Cítia chamada Lapónia, onde nenhum conhecimento há de Deus e de Cristo, nem lei, nem qualquer padrão de vida dignamente humano [...] ” p.41

Ouvi ainda, da parte dos varões bons e piedosos, ser mais que verdade os vossos nobres (oh vergonha imensa!) darem causa a que aquelas gentes, de selvagens tornadas mais civilizadas, se não façam cristãs, porquanto julgam eles deste modo virem a auferir para si muito boa soma do torpíssimo lucro e da costumada rapina com que, por insaciável avareza, esmagam gravissimamente aqueles míseros e inocentes. ” P.41

[...] e de verdade, por ofício a Vós cometido por Cristo, o deveis fazer – que, rechaçada a avareza dos vossos nobres, condenável e extremamente tirânica, aquelas simplicíssimas almas sejam finalmente atraídas ao conhecimento de Cristo, pagando de futuro aos seus senhores os impostos adequados, tal como os demais cristãos espontaneamente se acostumaram a pagar aos deles. “ p.41



A III: Damião de Góis a Bonifácio Amerbach muita saúd3e. P.43

Lovaina, 18 de Maio de 1533

A IV: Damião de Góis a Erasmo de Roterdão saúde. P.45

Antuérpia, 20 de junho de 1533.
Dizem, com efeito, que aprovais aquele divórcio inglês, asserção de que não pude admirar – me bastante, porquanto sabia ter ouvido da vossa boca o contrário em Friburgo. Em razão disso comecei por meu lado a impugnar, até que alcancei finalmente, com minhas humildes alegações, desviá – los de suspeita contra vós. “ p. 47
Lembro – me de vos haver aí oferecido o opúsculo acerca da fé e costumes do Preste João e de seus súbditos, no fim do qual se encontra uma exortação nossa a João Magno Gothus, arcebispo de Upsala, a propósito da Pilápia ou Lapónia, província bastante extensa da Cítia, em boa parte integrada da diocese do dito arcebispo [...]. “ p.47
Receiam, com efeito (por demasiado cônscios da sua tirânica avareza), que, um avez de simples e rudes tornados mais esclarecidos pela pregação do Evangelho e convivência com homens cristãos, justamente lhes recusem depois suportar tão indevidas imposições tributárias. Uma miséria como esta é evidentemente impossível de tolerar por parte de consciências rectas. [...].” p.47
A V: Damião de Góis a Bonifácio Amerbach muito saudar. P.51

Basileia, 1534
A VI: Damião de Góis a Bonifácio de Amerbach p.51

Friburgo, 1534
A VII: Damião de Góis a Bonifácio de Amerbach muito saudar p. 53

Friburgo, 18 de julho de 1534
A conselho de uns certos amigos sou obrigado a separar – me do Senhor Erasmo, o que faço não sem a mais profunda mágoa. Escrevem que a Alemanha é suspeita por toda a parte, razão por que me irei daqui para Pádua, para onde preciso de enviar alguma ligeira bagagem. “ p.53

A VIII: Damião de Góis a Bonifácio de Amerbach muito saudar p. 55

Friburgo, 21 de julho de 1534
A IX: Damião de Góis a Bonifácio de Amerbach muito saudar p.57

Pádua, 31 de Outubro de 1534
A X: Damião de Góis a Bonifácio de Amerbach muito saudar p.57

Pádua, 23 de junho de 1535
A XI: Damião de Góis a Bonifácio de Amerbach muito saudar p.59

Pádua, 28 de setembro de 1535
A XII: Damião de Góis a Desidério Erasmo de Roterdão muita sáude p.61

Pádua, 22 de Dezembro de 1535
Aqui nenhumas outras novidades há, salvo acerca do nosso César e do dos turcos do nosso, aguardado em Roma após a festa de Natividade, envio – vos o seu ingresso em Nápoles, em idioma italiano, juntamente com algumas poesias latinas apresentadas em louvor do mesmo, do dos turcos coisas tristes, tristes repito, para os turcos e para os que bem querem ao seu império, Este, carregado de muitos despojos e presa dos tauros4, resolvera regressar à pátria. Lança – se ao caminho, avança lentamente porque tamanho exército, tantas bagagens, tanto medo dos inimigos teriam obstado à convivência de apressar – se. A 13 de Outubro, no decurso da primeira vigília, quinze mil homens persas escolhidos irrompem sobre o acampamento; quarenta mil turcos perderam a vida, quatro mil são feitos cativos; a ingente multidão dos persas que fora reduzida às misérias do cativeiro, por assim dizer por efeito do direito de regresso à pátria, foi restituída à liberdade, O próprio Sultão, com o resto do exército, mal pôde, pela fuga, escapar ileso, perdendo conjuntamente quanta maquinaria bélica possuía. “ p.61
Envio – vos aqui fragmentos acerca da morte de Rofense5, conseguidos de um inglês amigo. Tão constante foi no próprio martírio que, a meio do caminho enquanto era conduzido ao suplício, a certo monge que lho pedia, explicou algumas passagens do Novo Testamento nas quais desde há muito firmemente acreditava, exprimindo-se de tal modo que parecia aos circunstantes ouvirem um anjo do Céu. “ p.61
O vosso Concionator já entre nós se encontra, obra digna de vós em que seriamente trabalhastes tanto tempo. “ p. 63
Confiei esta carta a Jorge Paungartner, filho de João Paungartner, com quem aqui mantenho familiaridade, esperando que com maior diligência cuidará de ve – lo fazer chegar. [...] A vertigem atormenta – me de contínuo e, quando aperta, nem a frios nem a calores me posso acomodar. Ao que vejo, terei sempre de migrar com os grous6. “ p.63
A XIII: Damião de Góis a Desidério Erasmo de Roterdão muita saúde p.63

Pádua, 26 de janeiro de 1536
O vosso Ecclesiastes está entre nós e, consoante o notei na missiva precedente, não sem grande honra. “ p.63
Agradeço – vos o relato da morte de Thomás More, foi ele um dom gratíssimo para nós. Vossos amigos, que aqui haveis muitos e eruditos, e com os quais mantenho boas relações, admiram – se de que em escritos vossos não celebreis o desaparecimento de tão claro e íntimo amigo. Alguns dizem que a menção que deste e do de Rochester consignais no prólogo do Ecclesiastes, não está em conformidade com tão excelentes varões, pois que devíeis, afirmam eles, proceder mais desenvolvidamente em assunto tão digno. Vós sabeis o que heis – de fazer; eu apenas aviso, como amigo que sou. “ p.65
A XIV: Damião de Góis a Desidério Erasmo de Roterdão muito saudar p.69

Nuremberga, 15 de julho de 1536
Lancei – me amantíssimo Erasmo, àquela viagem acerca da qual bastantes vezes vos escrevi. E como havia percorrido as restantes cidades da Alemanha excepto Nuremberga, decidi visitar esta antes de seguir a vossa casa, no intuito de, concertado negócio que aí me levava, estar de regresso directo a Itália, no início de outono. “ p.69
Cheguei finalmente aqui, onde tanto se conta da guerra na Suíça que não somente andam aterrados os que para aí querem partir, mas ainda os que da sua casa e lar não querem mover o pé. Entretanto, se estas coisas fossem incertas como mais vezes acontece aos boatos, não teria hesitado em prosseguir no meu intento. Acrescentam, porém, aqueles de quem ouvi estas e muitas outras novas, que um certo senhor de Russ, de Arrás, intendente do Imperador, e que muito bem conheço, reunira em Worms e Ulm um exército de vinte mil soldados, com o qual acompanhado de tropas borgonhesas ia avançar da Borgonha sobre a Suíça, caso os helvécios dêem ajuda ao Francês, afirmando – se já lha terem enviado em trinta mil soldados. Donde as maiores perturbações surgidas por aí, creio eu. “ p. 69
Em Ingolstadt, onde permaneci dois dias, ouvi de alguns estudantes meus amigos, desde tempo atrás comigo familiarmente relacionados, haver uns túmidos7 doutores que de vós proferem mirabolâncias diante do povo e dos estudiosos, nas tribunas, nas assembleias e em conversas particulares. Dizem que mudastes para Basileia a fim de mais à vontade poderdes seguir a seita de Zuínglio, acrescentando que sempre nela estivestes. E muitas outras coisas que será prolixo narrar. “ p.71
A XV: Damião de Góis a Bonifácio Amerbach muita saúde 8 p.73

Pádua, 31 de Agosto de 1536
A XVI: Damião de Góis a Bonifácio de Amerbach p.77

Pádua, 24 de Setembro de 1536
A XVII: Damião de Góis a Bonifácio Amerbach p.79

Pádua, 14 de Dezembro de 1536
Lamento Erasmo não ter podido, antes da morte, enviar – me o catálogo das suas obras, qual cartas me prometera, assim como as notas que eu muitíssimo desejava sobre a sua vida. A havê – lo feito, não faltaria por minha parte ao prometido: a expensas próprias me encarregaria de dar à estampa tudo o que no seu catálogo incluísse. Uma vez falecido, porém, sem tal levar a cabo, não acho que viesse a ser – me honroso o imprimi – las à minha causa. ” P.79
A XIII: Damião de Góis ao cardeal Tiago Sadoleto muito saudar p.81

Pádua, 1 de Julho de 1537
Trouxe – me, vigilantíssimo Prelado, uma carta vossa Pedro de Bechim, varão da antiga nobreza do reino da Boémia e pessoa de inviolada fé. Sem embargo de já antes – desde o início, em idade assaz adulta, dos estudos liberais a que comecei a dedicar – me consoante a minha condição e os negócios áulicos o permitiram – eu ter sempre estimado muitíssimo os vossos costumes e doutrina, todavia agora, que de moto próprio endereçar carta vos dignastes a quem apenas de nome conhecíeis, realmente que não só me atraístes mais e mais à vossa afeição, como por igual me deixastes em absoluto preso a vós. “ p.81
Porque de facto o conceito de bondade há muito que pela nossa Cristandade foi desvirtuado, a modos de ser até possível ver tantos e tantos, dentre os por si mesmos denominados colunas e protectores da Igreja de Cristo, que não dão audiência a quenquer constituído abaixo deles em nível humilde de fortuna, senão a preço de bastas rogativas ou na mira do lucro da demanda: um erro este que espero há – de em breve, com vosso exemplo e integridade de vida, acabar por desaparecer da mente daqueles que em vós, qual em espelho, contemplam uma imitação fiel de Cristo. Por isso vos rogo não desistais do empreendimento e hajais por bem avançar caminho até ao feliz resultado e término de vosso tão pio e sacrossanto propósito, já que, em tal fazendo, indubitavelmente nos trareis os melhores augúrios de salvação próxima para a Cristandades. “ p.81 {Damião parece tratar da tentativa do Cardeal de unir as fés cristãs},
A carta que me requereis remeta para Filipe Melanchton, cuidei de transmiti – la por correio fidedigno para Augsburgo, no dia seguinte ao da recepção. Dali será conscienciosamente levada para Vitemberga; e o que Filipe responder a Vossa Eminência, eu vo – lo mandarei em segurança. “ p. 83
Na quaresma passada adquiri o discurso sobre a preparação do Concílio, cujo autor é vossa exímia prudência. Enviei – o logo a Melanchton, a fim de que através dele conhecesse a piedade e amor vossos à Igreja de Cristo. Ulteriormente recebi da Alemanha, de certo amigo, o que foi apresentado nas reuniões de Esmalcalda no intuito de recusar o concílio Mantuano. Creio que o possuí; mas, como Pedro de Bechim me asseverou nenhuma menção aí se haver feito dele, apensei – o de caminho à minha carta. “ p.83
A XIX: Damião de Góis a Nicolau Clenardo manda muita saúde p.85

Pádua, 19 de Agosto de 1537
[...] originastes – me não pouca satisfação, porquanto acerca dos estudos de D.Henrique, infante de Portugal e irmão do nosso Rei mui poderoso, me pressagiais aquelas coisas que tanto convém a um príncipe, a fim de tornar-se exemplo de vida aos outros e sabedor na pública governação. Nunca a opinião da sua probidade enganou alguém, nem jamais será capaz de enganar. “ p.85
Regozijou – nos o rumor, aqui difundido, a respeito da vossa ascensão ao canonicato, e a custo suportamos haja sido boato apenas. Muito maior júbilo, porém, me causou a inteireza de carácter com que, segundo dizeis, recusastes a cura de almas, às quais não podíeis assistir por desconhecimento da língua. Quem dera bastos contássemos iguais a vós neste campo, ou sequer não grandemente inferiores! “ p. 85

Pedis com instância, em consequência da minha tradução portuguesa do De Senectute de Cícero, a indicação das datas dos cônsules romanos. Olhai que exemplares degenerados induziram em erro muita gente! O varão disertíssimo que é Teodoro Gaza, apercebendo – se disso mesmo e julgando a questão inextricável, omitiu na sua versão grega, onde se fala de Lívio Andronico, os nomes dos cônsules. Pois nesse lugar, em vez de Cethego e Tuditano, lede “C. Cláudio Centão e M. Semprónio Tuditano, cônsules”, e aclarar – se – vos – à tudo mais do que a luz. O consulado destes verificou – se no ano de 513 da fundação de Roma; o de P.Semprónio Tuditano e Marco Cornélio Cethego em 550 item, no tempo em que Catão exerceu a questura, andando pelos trinta anos. ” P.85
A XX: Damião de Góis a certo amigo seu muita saúde p.89

Pádua, 27 de agosto de 1537
Mandaste – me, caríssimo amigo, no dia 31 de Dezembro, uma carta, interrompidos, contudo largo período os caminhos, devido ao tumultuante estrépito de guerras por toda a parte, só me veio às mãos em Agosto, quando eu regressava da Alemanha. “ p.89
Ao douto Cícero é evidente que compete a precedência entre os latinos como prosador, e que em nada ficou diminuída a sua personalidade pelo facto de nos haver condimentos de bom gosto; de resto, afastou – se até, quando pôde, de obras desta espécie, pois nem seguer consigo mesmo estava assaz contente. “ p.89
A XXI: Damião de Góis ao cardeal Pedro Bembo manda muita saúde p.91

Lovaina, c. IX. 1539
Agora, porém, remeto – vos aquilo que a vós mesmo e à história da nobilíssima República de Veneza, a qual para vossa mui grande glória futura tendes entre mãos, sei que vai ser agradável e talvez até não inoportuno. ” P.91
Não ignoro quanto vos deleitais com as gestas dos nossos portugueses, principalmente com as praticadas em prol da nossa sacrossanta fé. Procedeis assim, como bom e devotado veneziano, conhecedor das antigas alianças de nossos compatrícios com os vossos, das amizades e benefícios de parte a parte outorgados. “p. 91

A XXII: Damião de Góis ao cardeal Pedro Bembo muito saudar p.93

Lovaina, 13 de Setembro de 1539
Tive para mim que, para glória dos cristãos, importava trazer – se à luz o opúsculo sobre a guerra no passado ano travada com os gedrósios9: a vós, eminentíssimo Cardeal, a quem sempre tributarei uma afeição profunda, o dedico e envio. Por vossa parte, porém, indulgente como sois, não deixeis de vista grossa fazer perante os nossos erros, que em grande cópia haverá. De resto, saiba Vossa Eminência que continuamente me encontra na melhor disposição de tudo, e de outro tanto minha esposa e émula10 vos quer inteirado11, a qual, tal como eu o opúsculo, a vós consagra o feto agora em geração. “ p.93
A XXIII: Damião de Góis ao Papa Paulo III manda saudar p.95

Lovaina, c. VIII de 1540
Mas agora, por não falarmos nessas moléstias preocupações ... venhamos a outras mais suaves e que consigo trazem belos auspícios de que outro e em certa maneira novo Mundo reconheça, com a fé em Cristo, a majestade e dignidade de Vossa Santidade. Se este assunto por vossa prudência assim tratardes de modo que, convosco por piloto, a Igreja quer na Europa quer na Etiópia, evitados os riscos e naufrágios, alcance o porto da salvação, de Vós entoaremos aquele cântico profético da Sabedoria: “ Penetrarei todas as partes inferiores da Terra, e lançarei os olhos por todos os que dormem, e iluminarei a todos os que esperam no Senhor. Vêde que não trabalhei só para mim, mas para todos os que buscam a verdade. “ p.95 – 97
A fim de todas estas coisas se levarem a cabo, é finalmente chegado já este tempo, em que confiamos tais vaticínios se vão através de Vós realizar. Estão agora aqui abexins, povo numeroso e avidíssimo de Cristo e cujo santíssimo Imperador, desejoso da amizade dos cristãos da Europa, a vós e aos invictíssimos Reis de Portugal endereçou como embaixadores, pelos quais, consoante de suas cartas se observa, não só anela12 que os príncipes europeus o façam partícipe da amizade e caridade cristãs, senão ainda também (porquanto os sabe a cada passo em dissenções tremendas) os exorta mui piedosamente à cristã concórdia, facto que por certo nos deve a todos cobrir de vergonha.” P.97
Mas eis que ressuscitou a Rainha de Sabá e nos chama a juízo, increpando os nossos erros. Realizam – se as profecias de Jesus, vão – se pouco a pouco desgarrando do seu convívio os que Ele próprio escolheu, e os preceitos seus e promessas são entregues àqueles que eram considerados pagãos e alheios a Cristo. Com efeito, este imperados dos Etíopes aspira a com todos os seus reinos, conforme da nossa exposição ressaltará, viver sob a jurisdição vossa, nada ambicionado com maior ardor, nem por outro lado ignorado que, segundo a doutrina dos Apóstolos, que ele distribuída tem em oito livros, o principado de todos os bispos da Terra é devido ao Bispo de Roma, a quem absoluta e santamente quer submeter – se e por quem santa e rectamente ser instruído nos ensinamentos da Igreja Católica. Neste intuito solicita, além disso, se lhe enviem homens sabedores, e tal visa ardentemente alcançar por suas súplicas. Não contente disto e no objectivo de que outrossim à posteridade se legue memória destas suas pretensões, roga fique menção desta ocorrência nos Anais pontifícios, afim de que deste modo as suas cartas e pientíssimo desejos sejam revelados pela História eclesiástica, e os vindouros saibam em que tempo e sob que pontífice tais factos se passaram. “ P.97
Mas porque não seja a minha exortação mais prolixa do que convém, especialmente àquele de cuja vida e doutrina todos somos e devemos ser imitadores, reporta – me – ei ao exórdio13 da história, QUE um tanto de mais longe retomarei, para, assim, com maior clareza manifestar os princípios em que assentaram esta santíssima amizade e estas alianças entre o Preste João e os Reis de Portugal. E tenho esperanças de que, enquanto estas coisas conto que são verdadeiras e legítimas, me seja possível os ânimos entusiasmar dos leitores e atraí – los a estes serviços, a fim de que mais largamente a fé de Cristo se dilate, pregue e pratique em todos os cantos da terra. “ p.99
A XXIV: Damião de Góis ao Pontífice romano Paulo III

Lovaina,1 de Setembro de 1540
Não reputo indigno, Sumo Pontífice, no final deste, nosso opúsculo, atento que também isto concerne à fé e união da Igreja, alguma alusão fazer de João Magno Gothus, arcebispo de Upsala, no reino da Suécia, para dele chegarmos à miseranda gente lapónia. ” P.99
Demora, na arquidiocese Upsalense daquele, parte dessa vasta província da Lapónia, cujos habitantes nenhum conhecimento têm das leis de Cristo nosso Salvador, o que me verdade è sequela do torpíssimo interesse de prelados e nobres conforme da boca de muitos probos e fidedignos homens ouvi, enquanto por essas províncias andava. Efectivamente, se cristãos fossem, estariam isentos daqueles impostos e tributos com que, como pagãos são onerados; e graças aos quais a nobreza e bispos se locupletam14. Proíbem – lhes, por isso, que se tornem cristãos, - não esquivem eles, súbditos do suave jugo de Cristo, algum lucrozinho à sua tirania e rapacidade, e algo diminua dos impostos com que esse infeliz povo é ignóbil e insaciavelmente oprimido e torturado pelos próprios monarcas, que se indignam extraordinariamente se aqueles, feitos cristãos, lhes não pagarem muito maior soma de impostos do que os restantes cristãos pagam aos seus príncipes; e eis porque à fé e religião cristã antepõem esta ganância sórdida e sacrílega, desprezando a salvação de tantas almas e possuindo verdadeiramente umas chaves com que nem eles mesmos entram nem deixam entrar os outros. “ p.101
Isto mesmo me confirmou ele amiúde em cartas posteriormente, por influxo das quais eu próprio emocionalmente ainda não refeito lavrei menção acre deste assunto no fim daquela primeira embaixada do Preste João (que consagrei ao dito João Magno Gothus), nem sequer então me havendo dado por satisfeito no caso, senão que epistolarmente me entendi com Erasmo de Roterdão para que recomendasse tal causa nos seus escritos. Pouco depois, na sua intimidade durante cerca de cinco meses em Friburgo de Brisgóvia pessoalmente lhe falei da questão, acerca da qual, por estas razões impulsado, ele tinha resolvido editar volume conveniente, mas cujas achegas, que já acumulara, se dispersaram com o advento da sua morte. Apesar disso não calou, no seu Ecclesiastes impiedade tão nefanda, que realmente é de molde a todos os cristãos, a quem Deus concedeu o domínio e a doutrina, poder de certa maneira tornar réus, a um tempo que sobre os mesmos vingança reclamar no julgamento derradeiro, diante de Cristo, justo juiz. ” P.103
[...]E entretanto Vós, Sumo Pontífice, sois agora o único que pode curar esta enfermidade, sois Vós quem é capaz de mostrar a este povo os caminhos do Senhor, e fazer com que neles ande rectamente; só Vós conseguires e por virtude de vossa dextra libertarem – se das cadeias e insídias do demónio, e bem assim gozarem, neste e no outro mundo, da superabundante redenção do Senhor. “ p 103
Há presentemente ao lado de Gustavo, rei da Suécia e da Gótia, alguns magnates separados da Igreja romana; e há também nos seus reinos quem absolutamente divirja deles. Por vossa dignidade e ofício pastoral, podíeis enviar cartas a ambas as facções, a suplicar – lhes pelas Chagas de Cristo ( que todos eles, embora discordando da Igreja de Roma, confessam ser Filho de Deus e nosso Salvador) permitam que esta Lapónia oriental e ocidental, com as províncias extensíssimas da Finnmark, Escricfínia e Biármia, a maior parte das quais ignora a Cristo, venha ao seu julgo suavíssimo; e que delas somente cobrem e arrecadem quanto os demais príncipes cristãos se acostumarem a dos seus súbditos exigir o direito ou obter por exacções precárias. P.103
Além disso, parece que não só cartas devem ser mandadas, mas outrossim varões doutos e recomendados pela santidade de vida, a fim de que estas províncias se apreguem, pela fé em Cristo, à Igreja Romana. “ p.105


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