Plantas tóxicas



Baixar 35.24 Kb.
Encontro29.10.2017
Tamanho35.24 Kb.
11/04/2007

Plantas tóxicas

MÓDULO: PLANTAS TÓXICAS QUE INTERFEREM NA REPRODUÇÃO DOS BOVINOS

INTRODUÇÃO

Em um sistema de criação essencialmente extensivo, como o adotado na maioria das regiões do Brasil, a ingestão de plantas tóxicas representa uma importante causa de problemas relacionados ao estado sanitário do rebanho bovino, afetando diferentes áreas da saúde animal, sendo uma delas a reprodução. Várias plantas são capazes, quando ingeridas, de causar dano a saúde dos bovinos, afetando os mais diferentes órgãos ou sistemas, inclusive o reprodutivo. 
Por definição consideramos plantas tóxicas de interesse pecuário justamente aquelas que, quando ingeridas espontaneamente, possam causar danos a saúde ou mesmo a morte dos animais. Estas plantas não causam “sintomas de intoxicação”, de maneira inespecífica. Pelo contrário, afetam sistemas ou órgãos específicos, causando, dependendo de cada planta, sinais clínicos e patológicos também específicos. Dentro deste conceito, as plantas tóxicas podem ser divididas conforme os sintomas que provocam, de maneira que consideraremos aqui aquelas que afetam a reprodução. Não podemos também deixar de lembrar que algumas destas plantas afetam mais de um sistema, provocando mais de uma apresentação clínica. Então, em certos casos, como na intoxicação por Enterolobium contortisiliquum, que além do aborto causa fotossensibilização, não poderemos deixar de mencionar a sintomatologia não relacionada a reprodução. Os diferentes quadros clínicos provocados por ingestão da mesma planta podem ocorrer concomitantemente, constituindo inclusive importante informação para a conclusão do diagnóstico.
As plantas que afetam a reprodução dos bovinos serão divididas em dois grupos; um primeiro grupo constituído por aquelas capazes de induzir o aborto em vacas ou novilhas gestantes; e um segundo grupo formado por plantas que podem levar à infertilidade. 

1- PLANTAS QUE CAUSAM ABORTO

A- Ateleia glazioviana

Foto 1: Ateleia glazioviana

Ateleia glazioviana é uma árvore com até 15 metros de altura, da família Leguminosieae, encontrada em matas, beiras de estradas e pastos. Tem sido considerada a planta tóxica mais importante do oeste de Santa Catarina e noroeste do Rio Grande do Sul, especialmente nos municípios próximos ao rio Uruguai. Em certas propriedades constitui vegetação predominante. Conhecida popularmente como cinamomo-bravo, maria-preta ou timbó, é apontada tanto por criadores como profissionais e pesquisadores como causa de aborto em rebanhos bovinos. Recentemente foram descritas outras formas clínicas da intoxicação, relacionadas à insuficiência cardíaca congestiva.

EPIDEMIOLOGIA

Aparentemente de boa palatabilidade, a ingestão ocorre principalmente quando estão associadas fome, seja por falta de pasto, transporte recente e prolongado ou superlotação, e plantas na fase de crescimento. Também podemos observar a ingestão após queda das folhas no chão, por exemplo, por ocasião de geadas.
Os bovinos são as principais vítimas da intoxicação, embora outras espécies possam ser afetadas.

DOSE TÓXICA

Entre 22 e 30g/kg observamos nascimento de bezerros fracos e doses acima de 35g/kg produziram aborto entre 6 e 16 dias após a ingestão das folhas da planta.

SINAIS CLÍNICOS

O mais importante sinal clínico é o aborto em qualquer fase da gestação. Antes, porém, podemos observar pelos arrepiados, letargia, andar cambaleante, perda de apetite e até cegueira em alguns animais. Não obstante, algumas vacas podem apresentar estes sinais, sem contudo abortar. Nestes casos nascem bezerros fracos, com apatia, cabeça baixa e dificuldade para mamar, geralmente morrendo em questão de horas ou dias. Retenção de placenta e endometrite também tem sido relatados como seqüelas da intoxicação.

DIAGNÓSTICO

Devemos considerar a constatação de fatores como o corte recente das árvores favorecendo a brotação e sinais de período letárgico antes do aborto.
Obviamente, deve ser estabelecido o diferencial com as outras causas de aborto, principalmente as infecciosas, através dos exames e procedimentos citados nos outros capítulos do curso.

CONTROLE E PROFILAXIA

Não existe tratamento preconizado para as vacas afetadas.
O corte das árvores não é recomendado devido à possibilidade de brotação, a não ser quando do uso de herbicidas ou óleo queimado com sal sobre o toco para provocar a morte da planta. Medidas alternativas seriam evitar o acesso das vacas prenhez aos pastos onde a planta existir, ou pelo menos evitar a super lotação nestas áreas.

B- Tetrapterys spp

Foto 2: Tetrapterys spp

Tetrapterys acutifolia e Tetrapterys multiglandulosa são plantas arbustivas conhecidas como trepadeiras ou cipós e pertencem à família Malpighiaceae. Ocorrem somente na região Sudeste, tendo como nome popular “cipó-ruão”, “cipó-preto”, “cipó-vermelho”, ou ainda “cipó-ferro”. São consideradas plantas importantes ccccomo causa de mortes em rebanhos bovinos em regiões como o vale do Paraíba, em São Paulo; ou a região de Governador Valadares, em Minas Gerais. Também nos estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo são relatadas intoxicações.


Na verdade estas plantas foram estudas inicialmente devido ao seu efeito sobre o sistema circulatório, mais especificamente no coração, onde pode causar fibrose cardíaca grave, acompanhada de um quadro de insuficiência cardíaca congestiva (ICC). Devido as perdas econômicas geradas à partir da morte dos animais acometidos, chegando a inviabilizar a atividade pecuária em algumas propriedades, vários estudos foram realizados, identificando, então, como a causa destes problemas as espécies de Tetrapterys spp citadas. 
Porém, um fato constante nos relatos dos criadores durante estes estudos foram os abortos atribuídos à ingestão da planta. Em dados não publicados, teriam sido realizados experimentos que comprovariam tais afirmações. Além disso, lesões encontradas nos fetos abortados semelhantes àquelas encontradas em vacas acometidas pela intoxicação, forjam fortes evidências da participação do Tetrapterys spp como importante causa de aborto nas regiões acima citadas. 
Não obstante, devemos considerar que ainda não existem relatos na literatura disponível da reprodução experimental do aborto em bovinos devido a ingestão de Tetrapterys spp. 

EPIDEMIOLOGIA

A distribuição geográfica das principais espécies é distinta. Tetrapterys acutifolia , conhecido como “cipó-ruão” ou “cipó-preto”, ocorre em Minas Gerais, nos municípios próximos a Governador Valadares, e norte do Espírito Santo. Já o Tetrapterys multiglandulosa está presente principalmente nos municípios de Lorena e Guaratinguetá.
A intoxicação acontece principalmente na época da seca, quando há falta de pasto (fome) e a planta está em fase de brotação, portanto mais palatável.

SINAIS CLÍNICOS

Considerando o enfoque sobre a reprodução que o atual curso tem, o principal sintoma seria o aborto precedido ou concomitante com a manifestação clínica dos sinais de Insuficiência Cardíaca Congestiva. Por outro lado, não poderíamos ignorar a ICC, pois além de tratar-se, na verdade, do sinal clínico mais importante, associado ao aborto irá constituir um forte indicativo da referida intoxicação.
Os sinais circulatórios mais evidentes são edema de barbela e da região esternal, veia jugular ingurgitada e arritmia cardíaca. Também observam-se fraqueza, letargia, anorexia e dispnéia. O índice de mortalidade é elevado.
Como mencionado, o aborto pode acontecer em animais que ainda não manifestaram a ICC, mas certamente vão manifestar, ou ainda em animais que estão apresentando estes sintomas. Um autor cita que num experimento não publicado todas as vacas que receberam a planta abortaram e depois morreram. Observações de campo também reforçam a expectativa de que a maioria dos animais que abortarem devido a ingestão de Tetrapterys spp ou já apresentam ou vão apresentar ICC. Tal associação assume importante papel no diagnóstico da intoxicação.

Foto 3: Vaca intoxicada por Tetrapterys spp apresentando ICC.

ACHADOS PATOLÓGICOS

À necropsia das vacas as lesões mais importantes são observadas no coração, sob forma de áreas claras e endurecidas no miocárdio. Edema cavitário e fígado com aspecto de noz-moscada são alterações também passíveis de serem encontradas. 


No exame histológico o miocárdio apresenta edema intracelular, lise das fibras, necrose incipiente e necrose massiva das fibras, além de atrofia. No fígado podemos observar congestão e edema dos espaços de Disse, tumefação, vacuolização e lise dos hepatócitos e fibrose. 

DIAGNÓSTICO

A descrição das lesões cardíacas acima realizada é de suma importância para o diagnóstico, visto serem exatamente estas as lesões encontradas também nos fetos abortados, constituindo forte evidência da intoxicação como causa do aborto. Como as lesões são confirmadas na microscopia, é imprescindível a necropsia e coleta dos vários órgãos do feto em formol a 10 % para o envio ao laboratório de Patologia Animal mais próximo. Além disso, a constatação dos fatores epidemiológicos citados e descarte de outras possibilidades de causa de aborto são cruciais para a conclusão do diagnóstico.

CONTROLE E PROFILAXIA

Não existe tratamento eficiente para os animais doentes, de maneira que sua permanência no rebanho deve ser o mais breve possível. Após o aparecimento dos primeiros casos devemos retirar o rebanho dos pasto contaminados, evitando-se assim maior prejuízo. A erradicação da planta com herbicidas ou enxadão seriam alternativas, a longo prazo, para o reaproveitamento das áreas contaminadas.

C- Stryphnodendron obovatum

Foto 4: Stryphnodendron obovatum

Árvore típica do cerrado e conhecida popularmente como “barbatimão” ou “barbatimão-da-folha-miúda”, Stryphnodendron obovatum pertence à família Leguminoseae Mimosoideae. É uma árvore de ramos acinzentados e rugosos. O fruto é um legume séssil, castanho escuro, com 10 a 14 cm de comprimento. Floresce de julho a agosto e frutifica de setembro a novembro.


Sempre houveram suspeitas por parte dos criadores à respeito da propriedade abortiva da planta, fato constatado por Tokarnia et al. 1998, que conseguiu reproduzir o aborto experimentalmente através da ingestão forçada e controlada da planta em vacas gestantes.

EPIDEMIOLOGIA

Históricos de criadores e profissionais revelam avidez dos animais, principalmente das vacas, pela ingestão das favas maduras do Stryphnodendron obovatum, excepcionalmente na época da seca, que coincide com o amadurecimento e queda das favas desta árvore no chão e escassez de pastagem. Segundo estes relatos, as vacas viciam-se nas favas, de maneira a não sair debaixo das árvores, emagrecendo bastante e terminando por abortar. Geralmente não ocorrem mortes, ficando porém os animais com seu estado geral bastante debilitado. Reconhecidamente, na região de Cuiabá, Mato Grosso, o índice de abortos é alto em fazendas de cerrado com pastagens nativas, em que as vacas ingerem as favas de Stryphnodendron obovatum. Os abortos podem ocorrer em todas as fases da gestação, porém são melhor observadas no seu terço final.
Os casos de intoxicação relacionados ao aborto tem sido descritos nos estados de São Paulo e Mato Grosso.

SINAIS CLÍNICOS

Sinais de pertubação digestiva e até fotossensibilização em bovinos que ingeriram favas desta árvore foram descritos na literatura, embora a reprodução experimental da fotossensibilização ainda não tenha sido realizada com sucesso por nenhum dos autores.
Experimentalmente, em vacas gestantes, a ingestão de favas de Stryphnodendron obovatum, na dose de 5g/kg/dia, durante 9 a 26 dias, causou sintomas como diminuição do apetite e da atividade ruminal, sialorréia, dificuldade em se levantar, andar desequilibrado, tremores musculares, acentuado emagrecimento e finalmente aborto ou morte fetal com mumificação.
O aborto ocorreu entre 20 e 30 dias após o início da administração das favas, tanto em fetos de 3 como de 7 meses de idade. As placentas foram eliminadas junto com os fetos, exceto numa vaca cuja placenta foi eliminada poucos dias depois do aborto.

PATOLOGIA

Os fetos não apresentaram lesões, a não ser edema subcutâneo, principalmente na cabeça. Os exames histológicos não revelaram alterações.

DIAGNÓSTICO

O histórico de aborto em vacas na região de cerrado em época coincidente com o amadurecimento das favas do Stryphnodendron obovatum é bastante sugestivo da ocorrência da intoxicação. Devemos considerar a inexistência de lesões fetais ou placentárias como dados para confirmação do diagnóstico, sendo, entretanto, imprescindível o diferencial com as outras causas de aborto.

CONTROLE E PROFILAXIA

Evitar o acesso dos animais e, obviamente, das vacas gestantes, aos locais onde existir Stryphnodendron obovatum , principalmente durante o período de amadurecimento das favas, parece ser uma medida simples e altamente eficaz na prevenção de novos casos.

D- Enterolobium contortisiliquum

Foto 5: Frutos de Enterolobium contortisiliquum

Enterolobium contortisiliquum é uma árvore da família Fabácea, subfamília Mimosoideae, largamente distribuída no Brasil, particularmente na região de cerrado. Os frutos são vargens recurvas, pretas, brilhantes e de bordas onduladas, que lembrariam uma orelha, sendo de fato um dos seus nomes populares, além de outros como “orelha de negro”, “orelha de macaco”, “tamboril”, “tamboril do campo”, “ximbúva” ou “timbaúba”. O período de frutificação acontece nos meses de agosto a novembro e a ingestão espontânea dos frutos tem sido associada por técnicos e produtores a surtos de aborto e fotossensibilização hepatógena em bovinos. 


Outros autores relatam casos de intoxicação em que, além dos frutos, ocorre a ingestão de galhos derrubados pelo vento ou podas, ou de partes mais baixas da planta. 
Embora o quadro de fotossensibilização hepatógena tenha sido reproduzido experimentalmente, o mesmo não se verificou em relação ao aborto. Neste caso, deve-se salientar que a ocorrência freqüente de casos de fotossensibilização seguidos de aborto em vacas que ingeriram folhas ou frutos de Enterolobium contortisiliquum, suportam fortemente a possibilidade de que esta planta esteja associada a abortos nesta espécie animal.
Como a reprodução experimental do aborto ainda não foi realizada com sucesso, alguns autores relutam em afirmar tal efeito, mesmo reconhecendo esta possibilidade; enquanto outros acreditam ser questão de tempo a demonstração experimental do aborto em bovinos associada a ingestão das favas ou brotos do Enterolobium contortisiliquum. 

SINAIS CLÍNICOS

Os dados da literatura são coincidentes em afirmar o efeito abortivo desta planta, porém raros são os casos acompanhados com detalhes a respeito desta manifestação clínica. Um dos poucos relatos precisos com relação ao assunto foi realizado em 1997, onde três surtos de fotossensibilização associada a ingestão de frutos de Enterolobium contorsiliquum foram acompanhados por técnicos do DMV/UFMS (Departamento de Medicina Veterinária da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul). Dois ocorreram no pantanal do Mato Grosso do Sul e um em São Paulo. Os três surtos aconteceram no mês de outubro.
Em dois destes surtos os animais afetados eram bezerros ou bois, onde foram observadas lesões de fotossensibilização.
Já o terceiro surto ocorreu no município de Miranda, região do pantanal, afetando 25 vacas adultas prenhez de um total de 570 animais. Além dos sinais de fotossensibilização, 18 animais abortaram no terço final de gestação, sendo que todos os abortos ocorreram de forma súbita e em dois dias. Os animais foram imediatamente retirados do pasto onde Enterolobium contorsiliquum estava presente para uma área livre da planta, e não foram observados novos casos. O pasto era formado por capim Tanzânia e Brachiaria humidicola, apresentando bom estado de desenvolvimento e sendo utilizado pela primeira vez. Segundo o responsável pelo manejo dos animais, estes ingeriam o fruto com avidez. O rebanho era monitorado sorologicamente e vacinado para as principais enfermidades da esfera reprodutiva.
Nos três surtos os sinais clínicos descritos foram semelhantes no que diz respeito a fotossensibilização, caracterizada por inquietação, edema da barbela, ressecamento e perda de elasticidade da pele, com posterior desprendimento da pele e do couro na região flanco, virilha, barbela, úbere e períneo. As orelhas apresentavam-se contorcidas. A evolução foi variável, sendo que em casos graves a morte ocorreu em 3 a 5 dias, e em casos menos severos a recuperação levou semanas.

Foto 6: Vaca intoxicada por Enterolobium contortisiliquum, apresentando fotossensibilização.

ACHADOS ANATOMOPATOLÓGICOS

Além da icterícia e lesões da pele já mencionados, o principal achado de necropsia nas vacas ou novilhas que sofrerem a intoxicação vão apresentar é o aumento de volume do fígado e da vesícula biliar. Histologicamente, observam-se necrose individual e tumefação de hepatócitos, que em alguns casos são acompanhadas por discreta proliferação de células das vias biliares. Não são descritas, até o momento, alterações ou achados nos fetos ou placenta dos fetos abortados.

DIAGNÓSTICO

O diagnóstico baseia-se na epidemiologia, quadro clínico e patológico. Os principais diagnósticos diferenciais devem ser realizados com outras plantas fotossensibilizantes, devendo-se considerar também as enfermidades que causam aborto, principalmente a brucelose e leptospirose. 

CONTORLE E PROFILAXIA

Em casos de surtos da enfermidade, a principal medida a ser adotada é a retirada imediata dos animais do pasto problema para uma área livre da planta e com bastante sombra. Não existe tratamento específico para a intoxicação, embora os protetores hepáticos sejam freqüentemente utilizados. A única medida preventiva realmente efetiva é evitar o acesso dos animais a planta, principalmente de agosto a outubro, época em que as favas maduras caem no chão.

2- PLANTAS QUE CAUSAM INFERTILIDADE:

A- PLANTAS DE AÇÃO ESTROGÊNICA

Existem plantas com capacidade de produzir substâncias com ação semelhante ao estrógeno, sendo por isto chamadas de fitoestrógenos ou estrógenos de planta. Estes fitoestrógenos podem pertencer a dois grupos químicos, a saber: as isoflavonas e os cumestanos. Estes análogos hormonais já foram identificados em mais de 50 plantas, sendo que algumas com maior concentração e maior nº de casos de intoxicação registrados. Nesta situação encontramos plantas utilizadas para pastejo direto como o trevo subterrâneo (Trifolium subterraneum ) e a alfafa (Medicaco sativa). As variedades de Trifolium subterraneum com teores mais elevados de fitoestrógenos são Yarloop, Dwalganup, Dinninup e Geraldton. O trevo vermelho (T. pratense) e o trevo branco ( T. repens) também podem apresentar estrógenos, sendo que no último a concentração destas substancias só pode atingir níveis capazes de intoxicar algum animal diante da infecção do trevo por fungos ( Pseudopeziza trifoli).

EPIDEMIOLOGIA

As condições para a ocorrência da intoxicação é a utilização como fonte exclusiva ou quase exclusiva de alimentação, ou seja, pastejo. A fase de crescimento da planta e área parecem influenciar a possibilidade de intoxicação. Durante a fase de crescimento a concentração de fitoestrógenos é maior, diminuindo na floração. Outros fatores também podem afetar esta concentração. Aumenta após o processo de ensilamento e em plantas que crescem em solo deficiente em fósforo. Já a fenação provoca queda na concentração da maioria dos estrógenos.
Como espécies sensíveis encontramos os ovinos e, de interesse no momento, os bovinos. Na verdade, existem mais estudos a respeito dos ovinos em relação a esta intoxicação. São sensíveis as fêmeas, especialmente as novilhas, e os machos castrados, não afetando os machos inteiros, nem mesmo a produção de semem destes.

QUADRO CLÍNICO

Com relação ao rebanho são verificados baixos percentuais de prenhez, associado a repetição de cio, especialmente no terço inicial da gestação, além de aumento no número de abortos, mastites e partos seguidos de paralisia da fêmea.
Individualmente, podemos notar ovários císticos, mucosa vaginal hiperêmica, tumefação e, ocasionalmente, prolapso vaginal, cornos uterinos edemaciados e espessados, úbere aumentado de tamanho e com secreção de aspecto lácteo nas novilhas (também pode ser observado em machos castrados), dilatação do canal cervical e abundante secreção mucosa na cavidade vaginal. Nas vacas em lactação pode ocorrer queda da produção de leite. Os animais se comportam como se estivessem em cio. Desenvolvimento taurino da cabeça, dos chifres e da cernelha podem ser constatados em casos crônicos.
No Brasil, a única ocorrência de fitoestrogenismo relatada na literatura foi registrada no Rio Grande do Sul, por Pimentel et al.(1977). A intoxicação foi diagnosticada em pastagem com 95% de trevo subterrâneo, var. Yarloop. Os animais tinham permanecido na pastagem por 4 meses, quando foi solicitado exame ginecológico por suspeita de prenhez devido aumento da glândula mamária e vulva. De um total de 13 novilhas, 6 apresentaram cistos foliculares no ovário, 10 tinham turgidez uterina e 8 apresentaram desenvolvimento da glândula mamária. Em todos os animais observou-se hiperemia da mucosa vaginal, dilatação do canal cervical e secreção vaginal abundante.

ACHADOS ANATOMOPATOLÓGICOS

Os achados de necropsia caracterizam-se por cornos uterinos espessados, hidrossalpinge, hiperplasia glandular cística do endométrio, além de alterações inflamatórias da mucosa uterina.

TRATAMENTO E PROFILAXIA

Devem ser consideradas as medidas convencionais para o tratamento de cisto ovariano. Como medida de controle devemos evitar o pastejo de fêmeas destinadas à reprodução em áreas com os cultivares citados, principalmente na época de brotação. Estes pastos podem ser destinados a outras categorias animais. A profilaxia deve ser implementada através de medidas agronômicas como a escolha de cultivares não estrogênicos ou semeando estes com outras forrageiras, procurando evitar a predominância destas leguminosas na pastagem.

COLHEITA E ENVIO DE PLANTAS PARA IDENTIFICAÇÃO BOTÂNICA


Quando existirem dúvidas quanto à identificação botânica de uma planta suspeita de estar causando intoxicação em um rebanho, pode-se remetê-la a outro profissional que realize este tipo de trabalho. Não obstante, não podemos esquecer que este deve, quando necessário, ser o último passo para o diagnóstico, uma vez que a presença de uma planta tóxica na propriedade de maneira nenhuma pode definir o diagnóstico. O veterinário de campo é quem realiza tal diagnóstico, por meio do levantamento do dados epidemiológicos, clínicos e patológicos dos casos acompanhados e só a partir daí é que recorre-se a identificação botânica como auxílio em caso de dúvida sobre o gênero ou espécie suspeita. De modo algum o processo pode ser invertido, procurando-se primeiro a planta e depois os casos de intoxicação. Parece óbvia tal consideração, porém, a experiência mostra que, infelizmente, esse é um fato que vemos se repetir todos os dias.


Quando, diante do diagnóstico, restarem dúvidas a respeito do gênero ou espécie da planta suspeita (observe que o diagnóstico já foi realizado a esta altura), pode-se recorrer a colheita de espécimes para envio a locais onde esta identificação possa ser realizada com mais precisão. Repare novamente que, além do diagnóstico já ter sido realizado, o veterinário também precisa estar familiarizado com a espécie suspeita para selecionar aquela ou aquelas sobre as quais pairam sua dúvida. De outra forma incorre-se em outro erro comum que consiste em remeter dúzias de plantas para um laboratório e ainda sim não conseguir coletar e espécie correta.
Diante de todas estas ressalvas, descreveremos a seguir o manuseio simplificado de colheita para remessa visando à identificação. Deve-se ainda lembrar que quando existir possibilidade de envio rápido, isto é, o espécime chegar às mãos do laboratório ou profissional habilitado no mesmo dia em que foi coletado, não existe necessidade do procedimento que será descrito. O espécime pode ser enviado como foi coletado, sem implicar em dificuldades de identificação. Porém, se o prazo for maior, o que se deve fazer, basicamente, é secar o espécime para conservá-lo até que chegue ao destino. Os passos a seguir visam justamente este objetivo, ou seja, a secagem do material.

1- MÉTODOS DE COLHEITA

Existem três métodos:

a- quando o tempo permite, prensar a planta a medida que é colhida;


b- acumular o material numa caixa de metal (lata);
c- transportar as espécimes num saco plástico (método mais utilizado).

2- CONDIÇÕES PARA ESCOLHA DE EXEMPLARES

a- estarem sem vestígios de ataque de insetos
b- o exemplar deve estar florido ou frutificado (quando possível)

3- DISPOSIÇÃO DO ESPÉCIME NO PAPEL DE PRENSAGEM

a- maior eficiência do papel de prensagem e da prensa quando a máxima superfície do papel estiver coberta pelo espécime;
b- evitar quebra dos caules nos pontos de dobra.

4- PREPARAÇÃO DOS ESPÉCIMES

a- Observar a eficiência da prensa:
- manter o material sob pressão constante e firme;
- secar com pequeno grau de enrugamento;
- manter a cor da planta;

b- prensas de campo constam de :


- um par de prateleiras (dimensão de 30x45 cm);
- folhas de papel de prensa (podem ser utilizadas folhas de jornal);
- cordas para amarrar as prateleiras.

OBS: As prateleiras são peças de madeira que servem, quando amarradas, como uma prensa. Outro método é a utilização de um livro (coloca-se a planta no meio do livro, fecha-o e coloca-se um peso sobre ele). Desta maneira vai funcionar como a prensa de campo. 

5- TÉCNICA DE SECAGEM 

a- coloca-se a planta em papéis de prensagem (jornal) e estes entre as prateleiras de uma prensa de campo;


b- amarra-se as prateleiras com cordas, de maneira que fiquem juntas e comprimam o espécime; 
c- manter a prensa fechada por 24 horas;
d- abre-se a prensa e troca-se o papel absorvente;
e- fecha-se a prensa por 36 horas; altura em que se repete a substituição do papel;
f- este processo repete-se até completar uma semana, quando a planta já está seca e pronta para ser enviada para identificação.

OBS: Para o envio deve-se colocar o espécime entre folhas de papelão ou outro papel resistente para evitar danos durante o transporte, que pode ser feito pelo correio ou por uma transportadora.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS



BLOOD, D. C. & RADOSTITS, O . M. 1989. Veterinary Medicine. 7 th ed. Bailliere Tindall, London, p. 1335-1336.
LEMOS, RAA. 1998. Principais Enfermidades de Bovinos de Corte no Mato Grosso do Sul. Reconhecimento e Diagnóstico. Editora Universitária / UFMS, 536 pg.
ORTEGA, G. G. & SCHENKEL, E. P. Isoflavonas de Ateleia glazioviana Baill (leguminosa). Cad. Farm. 2 (2): 153-161. 1986.
ORTEGA, G. G. & SCHENKEL, E. P. Ichthyotoxic ativities of Ateleia glazioviana Baill and Thinouia coriaceae. Britt. Journal of Ethonopharmacology 20: 81-84. 1987.
PIMENTEL, C. A. ; BROD, C. L. G.; PIMENTEL, S. M.; MEDEIROS, E. L.; BENTO, C. L. & MONKS, P. Hiperestrogenismo causado por fitoestrógenos em novilhas da raça Holandesa. Rev. Bras. de Reprodução Animal 1:15-20. 1977.
RIET-CORREA, F.; SCHILD, A. L. & MÉNDEZ, M. C. 1998. Doenças de Ruminantes e Eqüinos. Pelotas: Editora Universitária/UFPel, 651 p.
STOLF, L.; GAVA, A.; VARASCHIN, M. S.; NEVES, D. S. Reprodução experimental de aborto em bovinos pela Ateleia glazioviana (Leguminoseae). Em preparação. 1991.
TOKARNIA, C. H.; DÖBEREINER, J. & PEIXOTO, P. V. 2000. Plantas Tóxicas do Brasil. Rio de Janeiro. Editora Helianthus, 320 p.
TOKARNIA, C. H.; DÖBEREINER, J; PEIXOTO, P. V.; CONSORTE, L B & GAVA, A. 1989.Tetrapterys spp., A Causa De Mortalidade Em Bovinos Caracterizadas Por Alterações Cardíacas. Pesq. Vet. Bras. 9 (1/2): 23-44 p.
Catálogo: wp-content -> uploads -> 2014
2014 -> Piraquara, 25 de fevereiro de 2016 Informativo: 022/2016
2014 -> Mar Algarve Expo – 9, 10 e 11 de outubro de 2014 Portimão Arena – Portimão Ficha de Inscrição para Visita de Estudo
2014 -> Mar Algarve Expo – 9, 10 e 11 de outubro de 2014 Portimão Arena – Portimão Ficha de Inscrição para Seminários e Workshops
2014 -> Rt features, Camisa Treze, Downtown Filmes e Paris Filmes apresentam
2014 -> Andreia Santana é licenciada em Artes Plásticas Diplomada da esad. Cr/Ipleiria vence Prémio Novo Banco Revelação
2014 -> Anexo I lista dos lotes de veículos do leilão da cagepa
2014 -> Destaques Telecine: 23 de fevereiro a 1º de março: dia 23: rota de fuga (2013)
2014 -> Telecine cult exibe ‘especial bond, james bond’
2014 -> Pavimentadora santo expedito ltda
2014 -> Superior completo

Baixar 35.24 Kb.

Compartilhe com seus amigos:




©bemvin.org 2020
enviar mensagem

    Página principal
Prefeitura municipal
santa catarina
Universidade federal
prefeitura municipal
pregão presencial
universidade federal
outras providências
processo seletivo
catarina prefeitura
minas gerais
secretaria municipal
CÂmara municipal
ensino fundamental
ensino médio
concurso público
catarina município
Dispõe sobre
reunião ordinária
Serviço público
câmara municipal
público federal
Processo seletivo
processo licitatório
educaçÃo universidade
seletivo simplificado
Secretaria municipal
sessão ordinária
ensino superior
Relatório técnico
Universidade estadual
Conselho municipal
técnico científico
direitos humanos
científico período
espírito santo
pregão eletrônico
Curriculum vitae
Sequência didática
Quarta feira
prefeito municipal
distrito federal
conselho municipal
língua portuguesa
nossa senhora
educaçÃo secretaria
segunda feira
Pregão presencial
recursos humanos
Terça feira
educaçÃO ciência
agricultura familiar