Perfil e Opinião



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Encontro03.11.2017
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Transcrição completa da entrevista concedida pela Psicóloga Clínica Sonia Gomes ao programa "Perfil e Opinião" da TVE

Link para entrevista em vídeo: http://www.irdeb.ba.gov.br/tve/catalogo/media/view/1232



Denny Fingergut: Boa noite! Enchentes, inundações, terremotos, tsunamis, separações, acidentes. O trauma é um fato que permeia a vida humana e pode levar a depressão, pânico, dores crônicas e a uma incapacidade de viver plenamente a vida. No Perfil e Opinião de hoje, nós convidamos a Psicóloga Clínica, especialista em Experiência Somática, que auxilia pessoas em todo o mundo a lidar e curar o trauma, Dra Sonia Gomes. Boa noite!

Sonia Gomes: Boa noite!

Denny Fingergut: É um prazer termos você aqui em nosso programa Perfil e Opinião.

Sonia Gomes: É um prazer para mim ter essa oportunidade de me expor e poder trazer um pouco daquilo que eu faço na vida, com muito amor.

Denny Fingergut: Eu comecei dizendo que você auxilia pessoas no mundo inteiro a curar, entender e também a divulgar o que vem a ser justamente a Experiência Somática, para que outras pessoas possam continuar ajudando a outros que precisam. E eu fico pensando assim... Quem é que não precisa? Porque quando agente falou no início, nos referimos a algumas catástrofes naturais, mas também a processos que todos nós ao longo de nossa vida passamos, como por exemplo, separação, ou pessoas que tem nascimentos traumáticos, tudo isso... Então, na verdade o que vem a ser o trauma?

Sonia Gomes: O trauma como você disse inicialmente é um fato da vida, todos nós estamos dispostos a situações que ocorrem na vida. Quer dizer, o trauma não esta no evento traumático, ele é instalado através do sistema nervoso, como a pessoa recebe e experimenta essa situação, o evento.

Denny Fingergut: Mas o quê eu posso entender disso? Por exemplo, se todos estão dispostos de alguma forma a um evento traumático, sejam eles de grande proporção como enchentes, tsunamis, terremotos ou outros mais cotidianos a exemplo da separação, o quê que faz para algumas pessoas receberem isso de fato como um evento traumático, ou que venha marcar momentaneamente ou para toda uma vida e outras pessoas não?

Sonia Gomes: É a experiência do choque. Porque quando a pessoa que passa por uma experiência dessa o trauma chega de uma forma inesperada, rápida demais, que o sistema nervoso não da conta de processar. Então, nisso ocorre uma má adaptação fisiológica. Todos nós temos um mundo interno e temos um mundo externo, desde os insetos até os humanos. Este mundo interno tem uma regulação, tem uma ordem, tem um funcionamento e ele deve lidar com a experiência do ambiente. Então nesta relação podem acontecer eventos externos que desorganizam àquela estabilidade e a regulação do seu mundo interno.

Denny Fingergut: O quê você quer dizer como, por exemplo, com “o trauma não esta no fato ou evento em si, mas sim na forma como o sistema nervoso vai captar essas informações”. Isso é uma diferença fundamental de entendimento para outras linhas?

Sonia Gomes: A gente pode dizer em termo de resiliência do sistema nervoso. Existem pessoas que são ou estão mais flexíveis. Por exemplo, se um sujeito toma uma queda, se ele for um esportista, cheio de músculo é diferente de uma criança que toma um tombo, uma queda. Isso também faz parte da resiliência ou da resistência de cada pessoa. Cada pessoa, com sua própria natureza vai reagir a mais ou a menos diante destes eventos. Isso a gente chama de “resiliência”, a capacidade e a sustentabilidade de uma pessoa enfrentar essas situações externas.

Denny Fingergut: Mas o que vem a ser exatamente a Experiência Somática? Porque eu acredito que outras linhas dentro da psicologia também tratam o trauma, inclusive muitos dos sintomas que com certeza a gente vai ver aqui relacionados ao que a Experiência Somática chama de trauma.

Sonia Gomes: A Experiência Somática é uma terapia que estuda e trata o trauma dentro de uma base mais neurobiológica, que enfatiza o conhecimento do funcionamento do sistema nervoso, baseado especialmente no Sistema Nervoso Autônomo, que tem dois ramos principais, simpático e parassimpático. Somatic Experiencing, por isso o nome Experiência Somática, foi fundada e idealizada por Dr. Peter Levine, um americano. Então, o SE trabalha com a sensopercepção, nós utilizamos a experiência traumática para treinar o cérebro para que ele retome o seu caminho natural, utilizando a “sensopercepção”, o que a gente chama de sensação sentida. Treina-se o sistema nervoso, titulando, ou seja, estimulando a pessoa a sustentar o mínimo dessa energia traumática gradualmente. Se a gente puder fazer uma relação, pode-se imaginar que a Experiência Somática trabalha relativamente baseada dentro dos princípios da homeopatia.

Denny Fingergut: Por que essa relação exatamente com a homeopatia? O que você quer dizer com isso?

Sonia Gomes: Queremos dizer o seguinte... Nós não evitamos o trauma como muitas terapias fazem, também nós não levamos nosso cliente a ser inundado ou a querer ficar livre deste trauma. O SE foca a atenção na sensopercepção buscando experiências do trauma, o que se chama de “vórtice traumático”, e fazemos um movimento dessa energia que ficou congelada para experiências de mais expansão, baseado na biologia.

Denny Fingergut: Ok. Vamos tentar traduzir melhor. Como que o Sr. Peter Levine descobriu, encontrou de alguma forma essa experiência e esse tratamento revolucionário que vem se propagando por todo o mundo, trazendo resultados surpreendentes como a gente vai ver aqui?

Sonia Gomes: Dr. Peter Levine se inspirou na natureza, no nível do reino animal. E para ele ficou essa pergunta intrigante... Por que os animais na floresta com constantes ameaças de sobrevida não são traumatizados como o homem traumatiza? Então, foi essa primeira pergunta e questionamento que ele sempre defendeu e procurou entender, compreender, estudar. Ele como holfista, assim como eu, estuda a questão da estrutura humana no corpo.

Denny Fingergut: Mas não estamos falamos aqui somente da questão emocional.

Sonia Gomes: Sim. Estuda a questão da estrutura humana no corpo, de como o corpo se sustenta na gravidade. Peter Levine como médico, físico, biofísico e psicólogo estudou a relação do homem com o animal, e encontra a mesma resposta (agora falo outro termo) de “imobilidade tônica” que paralisa a pessoa diante de um fato traumático. Ele encontra isso no próprio corpo.

Denny Fingergut: Então, para a gente entender... Vamos pegar como exemplo prático na natureza, o que é considerado um trauma e como um animal reage a este momento traumático? Para que se possa fazer essa relação com o ser humano.

Sonia Gomes: Vocês já devem ter visto um vidro transparente, onde o pássaro não percebe que é vidro, bate no vidro e nesse momento ele cai e fica duro, parecendo que está morto. Se a gente não toca nesta ave, naturalmente, existe um mecanismo de sobrevivência que de repente este pássaro se movimenta e sai voando. Então, este pássaro não morreu, ele ficou fingindo como morto porque ele recebeu um choque. Isso significa que o trauma mais pela própria natureza... Existe esta imunidade na natureza. Peter Levine fez essa relação também com o homem. Como temos a herança filogenética, uma herança evolucionária, nós a herdamos também dos animais, desde os insetos até os humanos, esta capacidade de se defender diante da vida com a mesma resposta fisiológica que a gente chama de “congelamento”.

Denny Fingergut: Por que o animal consegue fazer isso e nem todos os seres humanos conseguem?

Sonia Gomes: Primeiro falamos na resiliência de cada um, há pessoas que tem mais ou menos resiliência. Nem todo mundo fica traumatizado com todos os eventos. O trauma é para aquele que perdeu sua capacidade de se defender. Então, o homem traumatiza mais que o animal porque ele tem uma natureza diferente do animal, ele tem o neocórtex que é a parte mais evoluída do ser humano, assim o racional do humano provoca um travamento no sistema natural do animal e do ser humano.

Denny Fingergut: Mais por que se a gente tem dentro de nós essa capacidade de autocura e praticamente muita rápida, assim como acontece em todo reino animal, o ser humano pelo que estou entendendo com essa nova parte de seu cérebro, o neocórtex, ele de alguma forma se sabota, não se livra logo desse trauma e continua vivendo aí livremente.

Sonia Gomes: O racional do homem tem uma mente que ele supõe que possa controlar os instintos e na realidade o corpo tem a sua sabedoria inata, o corpo sabe mais do que a mente, nós não podemos suprimir esta realidade! Vou dar um exemplo para você: um réptil, um lagarto, ele tem a natureza dele de ficar tomando sol, se espreguiça no galho de uma árvore, de repente este réptil na hora da fome bota a língua para fora e ingere um mosquito, vamos supor... Agora, você imagina um homem, na mesma situação, ele não vai fazer o mesmo ato deste réptil, ele vai perguntar, será que não tem calorias este mosquito? Será que não tem sujeira? Será que está gostoso? Essa é a função neocortical, essa é a função racional. O homem, por exemplo, quando passa por uma situação difícil de enfrentar, um medo diante de uma situação perigosa, começa a raciocinar. Eu sou homem! Eu não posso ter medo! Eu não posso chorar! Esse tipo de comportamento, de atitude que é inerente ao homem é um tipo de resposta que leva a um travamento. Então, é uma forma de condicionar uma resposta que poderia ser facilitada por uma descarga mais natural.

Denny Fingergut: Ao mesmo tempo é uma defesa... Eu acredito assim! Nós temos aqui um filme que ilustra isso, “Sem Medo de Viver”, nós vamos ver e comentar um pouco.

Sonia Gomes: Pode-se observar nessa imagem um acidente, uma tragédia que foi revelada através de um filme, “Sem Medo de Viver”, contando e apresentando uma situação real que aconteceu nos Estados Unidos de um avião que caiu e teve vários sobreviventes. Pode-se ver que essa criança quer ficar com ele. Ele que salvou muita gente... Como um dado de realidade!

Denny Fingergut: Ele também carrega uma criancinha que é sobrevivente, a qual pretende devolver a mãe. Assim como um acidente aéreo, poderíamos estar vendo também enchentes como as que ocorreram no Nordeste brasileiro, tsunamis, etc.

Sonia Gomes: Quem passa por uma situação desta vive uma grande tragédia. É um estado de choque em que a pessoa fica extremamente paralisada. É uma sensação e experiência de terror. Isso é avassalador e essa experiência vai para o inconsciente!

Denny Fingergut: Nós vemos agora uma mulher sendo carregada, que grita e está aterrorizada. Enquanto isso tem outras pessoas que estão reagindo de outras formas, umas chorando, outras como ele procurando salvar crianças e andando, até parecendo como se nada tivesse acontecido. No caso dela o que acontece?

Sonia Gomes: Ela esta em um estado avassalador, de grande terror, com medo, e sabendo que o bebê ficou dentro do avião e que não tem como socorrer e salvar esta criança. Imagina o desespero! Observa a pessoa andando, correndo, chega a um momento do trauma que o próprio sistema nervoso secreta certas substâncias por um lugar do cérebro chamada amídala que funciona como um amortecedor. Então, a pessoa entra em um estado do sonho. Acho que todos já viveram isso! Quem já sofreu um acidente de carro, quem já viu uma situação dramática é como se tivesse acontecendo um filme, como se não tivesse acontecendo com você. Esse é um estado do sonho de câmara lenta.

Denny Fingergut: No caso agora ele devolveu a criança para mãe que a estava procurando e entra tranquilamente no taxi! Não é isso?

Sonia Gomes: Ele entrou em um estado de dissociação muito bem representado neste filme. É como se a gente entrasse num túnel, que é o corredor deste hotel (imagem do fillme)... Ele negou que estava dentro da aeronave para o motorista de táxi. O motorista achou que era uma coisa inusitada ele fazer isso. E tudo passa a ser extremamente sensório!

Denny Fingergut: Ou seja, ele que também era vítima, diz que não estava presente.

Sonia Gomes: Isto é mecanismo de defesa.

Denny Fingergut: Ok. Ele esta tomando banho...

Sonia Gomes: Sim. E aí tudo que se chama dos cinco sentidos fica extremamente aguçado. Existem várias substancias dentro desse circuito neural, existe muita endorfina, perde-se a sensação de dor. Agora ele começa a descobrir que ele tem cortes. E se olha no espelho, e perceba que situação mais incrível! Ele entra na negação!

Denny Fingergut: Na realidade, ele olha no espelho e sabe que ele esteve lá mesmo e pensa eu não morri! É quando ele se da conta que de fato participou daquele acidente.

Sonia Gomes: Porque todos nós somos programados para sobreviver, programados para defender a vida. Quando estamos diante de uma ameaça existe uma programação neurofisiológica para isso.

INTERVALO – Voltaremos comentando a respeito da reação do ator no filme para que venhamos a entender melhor como que as pessoas reagem de forma de diferente e como principalmente a gente pode sair dessa.

Denny Fingergut: Estamos conversando com a Psicóloga Clínica Dra Sonia Gomes, que é também holfista, atende e dá aula em todo mundo a respeito da Experiência Somática. Nós vimos o filme “Sem Medo de Viver”, onde vimos muitas cenas chocantes de uma experiência real ocorrida nos Estados Unidos de um acidente aéreo. – Sonia, como vimos no filme àquele personagem que ajuda a salvar algumas vidas praticamente não acredita, pensa que não estava naquele acidente. Somente depois que ele passa a se dar conta de fato que estava lá... Por que isso ocorre?

Sonia Gomes: Isso a gente chama de “dissociação”. É muito interessante o que a gente nomeia como dissociação e o que a gente nomeia como trauma. Nós não utilizamos a patologia no SE, nós usamos a palavra dissociação, porque se acolhe a pessoa e sabe que em estado de choque ela dissocia... Isso significa que a consciência sai do corpo. Então, ela não pode voltar àquela experiência traumática porque é dolorida demais. Então ela dissocia, sai do corpo, ou seja, vai para um lugar de uma memória, evitando ficar em contato com essas lembranças, com essas memórias.

Denny Fingergut: Mas em um momento se há trauma isso vai voltar.

Sonia Gomes: Ela se manifesta a nível inconsciente como vários distúrbios, se você não trata é como uma dor, se você não minimiza a dor, não cura a dor, especialmente se for uma dor aguda imediatamente, ela vai provocar mais dor, é um estímulo agressivo. A mesma coisa com o trauma! Se você não cura o trauma, se você não busca uma intervenção adequada ele vai de alguma forma se instalar em alguns dos sistemas. Ele pode se transformar numa depressão, ansiedade... Por que uma ansiedade? Por que uma depressão? Porque o ser humano ou mesmo o animal fica buscando a fonte da ameaça, de onde é que vem essa ameaça? Nós temos um sistema natural de orientação, nós temos um sistema natural e uma programação, um mecanismo de defesa para lutar e para fugir. Temos também um mecanismo que se chama “congelamento”. Então, a dissociação é um mecanismo do congelamento!

Denny Fingergut: O que vem a ser exatamente o congelamento? Porque você deu um exemplo aqui do pássaro que bate no vidro e que muitas vezes ele fica ali paralisado... Na natureza se vê muito isso não é?

Sonia Gomes: É uma resposta de imobilidade tônica. É uma imobilidade tônica que se associa a uma paralisia, só que a paralisia não acontece em só em si, ela está associada a um terror da morte. Então, existe um acoplamento, um engajamento, como um engavetamento do medo como a imobilidade tônica. Isso se releva numa paralisia. Outro exemplo é como se existisse o breque e o acelerador ligados ao mesmo tempo. Então, você não sai do lugar, é como se você estivesse com um pneu dentro de uma lama, esta atolado, não vai nem para frente e nem para trás. É praticamente essa experiência que uma pessoa vive quando experimenta uma situação traumática e que não pôde descarregar esta energia excedente.

Denny Fingergut: O que é descarregar a energia excedente? Como se descarrega essa energia?

Sonia Gomes: Pois é... Existe uma energia ou uma resposta diante do medo, diante de uma tragédia, como por exemplo do filme... As pessoas que estavam vivendo essa experiência... É uma forma tão aterrorizante que imagina uma pessoa com um tremendo medo, fixa o quê? Os olhos! Você já viu uma pessoa com os olhos fixos, sem se mover? Ou seja, há uma quebra da continuidade, do movimento natural do olhar, de se mover. Há por exemplo uma resposta de uma constrição neuromuscular, às vezes, você fica com os ombros para cima, às vezes, com um aperto no peito. Você fica com aquela sensação de inacabado! Você não consegue finalizar, ou seja, o estado de choque é a mesma coisa que quando se brinca quando é criança, parado, parado!!! E a pessoa fica como uma estátua! É exatamente a mesma coisa que acontece conosco. Então, há a necessidade de acessar com segurança esse sistema involuntário, inconsciente, para que essa resposta, ou seja, esse congelamento, essa dureza que fica presa no sistema, especialmente neuromuscular, ou muitas vezes até mais profundo, dependendo do tempo em que aconteceu o trauma... Você precisa trazer essa resposta que é mobilizada pela luta e pela fuga, para que haja também uma descarga neuromuscular.

Denny Fingergut: Para a gente entender melhor, quem consegue lutar e fugir esta mais livre do trauma?

Sonia Gomes: Exatamente isso! O animal ou o ser humano mobiliza energia. Esta energia é mobilizada pelo sistema nervoso simpático, que gasta energia. Nós somos totalmente preparados para lutar e para fugir. Então, há uma mobilização dessa carga, ou seja, de uma ativação no sistema nervoso. Então, preste atenção, o Simpático carrega, ativa, aumenta a carga do sistema nervoso. E quando você descarrega diminui esta carga. O animal faz isso muito lindamente! Por exemplo, se um gato corre atrás do rato, se o rato consegue escapar, fugir do gato ele vai ficar super feliz. Aquela energia que foi mobilizada para ele fugir, que é uma energia altíssima, ele consegue descarregar correndo aquela energia. Por quê? Porque o medo passa quando ele consegue escapar.

Denny Fingergut: E no caso do pássaro, o que acontece? Depois ele sai voando como se nada tivesse acontecido. Ele não fugiu.

Sonia Gomes: A própria natureza, se você não mexe no pássaro ele vai passar um tempo onde o próprio mecanismo autoregulador entra em ação. O estado de choque vai passando à medida que ele percebe que o perigo já passou.

Denny Fingergut: Ok. Nós temos algumas imagens aqui... Hoje você está no Brasil, faz alguns atendimentos aqui, mas prioritariamente faz cursos no mundo inteiro. As imagens que vemos agora é de uma de suas aulas na Holanda. Aí você está fazendo um tratamento com uma senhora. O que aconteceu?

Sonia Gomes: Esta senhora teve um acidente de carro. Na realidade ela estava com uma bicicleta e foi atropelada por um carro. E, nesse mesmo momento ela associou a perda do namorado que também estava indo embora... Então, ela teve um trauma acumulado do choque do acidente e ao mesmo tempo o namorado dela tendo que pegar o trem. Foi muito forte esse choque que aconteceu há mais de 20 anos.

Denny Fingergut: O que aconteceu ali? Nós vimos que ela estava numa certa posição sentada, agora esta focalizando nos braços dela. O que esta acontecendo?

Sonia Gomes: Você lembra que eu falei da constrição neuromuscular, o choque ficou preso nessa memória neuromuscular. Ou seja, ela precisa finalizar a resposta de luta ou fuga. Ela não pôde nem lutar nem fugir!

Denny Fingergut: O que você esta fazendo com ela para ela ter essas reações?

Sonia Gomes: Primeiro, eu estabeleci uma relação de confiança e de vínculo que é muito importante. E ela tem segurança e está se sentido confortável comigo. Levei essa pessoa a ter uma relação de sensopercepção, de observar o que estava acontecendo no corpo.

Denny Fingergut: Ela tem certas convulsões, é isso?

Sonia Gomes: Exatamente! Nesse momento ela está fazendo a descarga que eu lhe falei. Lembra do pássaro que vai voando e se chacoalha todo... Eu estou fazendo a mesma coisa com o ser humano!

Denny Fingergut: Ela começa a chorar?

Sonia Gomes: Quando ela começou a chorar é quando eu acessei outra coisa importante que é a emoção. Uma emoção que estava contida aí dentro por muitos anos. Nesse momento também eu estou dando outro recurso... Do toque, sustentando, fazendo com que ela sinta o apoio de estar com alguém de segurança para poder descarregar essa energia excedente, dando apoio no braço que ela não teve na hora do trauma, na hora do choque. Agora eu estou podendo dar esse suporte.

Denny Fingergut: Esse chacoalhar do corpo dela significa alguma coisa?

Sonia Gomes: Exatamente. Este é um tremor que veio do sistema involuntário dela.

Denny Fingergut: Que deveria ter acontecido naquele exato momento do acidente.

Sonia Gomes: Isso! Muitas vezes a pessoa cai no chão e você vai lá e tira a pessoa. Às vezes, é necessário que ela fique lá mais quietinha descarregando, esse é o caminho mais natural. SE é um caminho natural.

Denny Fingergut: Ou seja, esses movimentos no corpo dela são naturais, deveriam estar acontecendo caso o nosso neocórtex, como você falou, não tivesse entrado em ação.

Sonia Gomes: Aí ela está sofrendo porque ficou jogada na rua, sem o socorro. Agora eu dou esse suporte para ela!

Denny Fingergut: São mais de 20 anos.

Sonia Gomes: Mais de 20 anos depois.

Denny Fingergut: Aí você esta dando esse suporte. Inclusive você pede para que ela te abrace, para que ela sinta isso. É isso?

Sonia Gomes: Ela que vem precisando desse suporte. Eu acolho.

Denny Fingergut: Ok. Agora ela está em que momento?

Sonia Gomes: Agora eu estou fazendo um toque na parte frontal, na área orbitofrontal, que é a parte que eu estou chamando mais para esse diálogo entre o cérebro superior e o cérebro primitivo, inferior para que ela possa estar bem presente comigo! E eu segurando atrás e na frente, na área do tronco cerebral.

Denny Fingergut: Trazendo ela para o aqui e agora.

Sonia Gomes: O SE é uma terapia do aqui e agora.

Denny Fingergut: Ok. E a partir daí o que vai acontecendo com essa senhora? Você pode ir descrevendo para nós...

Sonia Gomes: O que eu estou fazendo agora é também dando um suporte na parte da coluna, na parte dorsal dela para que ela restaure o seu sistema tônico.

Denny Fingergut: E agora ela já é uma pessoa completamente diferente. Já saiu daquele choro para...

Sonia Gomes: Aquele momento que ela estava é o que se chama de “vórtice traumático”. Pelo nível de segurança e intervenção que eu estava fazendo ela começa a entrar na outra polaridade que se chama de “contra-vórtice”, que é mais a realidade da expansão, como funciona verdadeiramente a biologia, contração e expansão. Esse é o verdadeiro trabalho do SE, pendulando entre a energia traumática e a energia da expansão.

Denny Fingergut: Eu que assisti a este vídeo antes de começarmos nossa entrevista vi que no final ela começa a dizer que estava se sentindo muito leve e que finalmente estava se sentido livre. Não é isso? Agora resta saber que Experiência Somática não é uma mágica de uma hora para outra. A gente esta vendo aí uma sessão! E ela conseguiu esse resultado. O que isso significa na prática?

Sonia Gomes: Na prática significa que há pessoas que podem ser beneficiadas e livres desses traumas até mesmo com poucas sessões, especialmente com o trauma de choque. O trauma de desenvolvimento, que é um trauma mais emocional requer muito mais tempo.

Denny Fingergut: O que vem a ser trauma de desenvolvimento?

Sonia Gomes: O trauma de desenvolvimento vem a ser uma experiência intra-uterina, ou perinatal, ou fases do desenvolvimento, ou seja, crescimento do desenvolvimento de uma criança até chegar ao estado da adolescência e adulto. Podem ocorrer maus tratos, podem ocorrer relações muito complicadas no desenvolvimento. Trauma de desenvolvimento significa o seguinte: Existe um crescimento e desenvolvimento motor, sensório ao mesmo tempo em que há um desenvolvimento cerebral. Substâncias são secretadas na circulação... E na relação com o ambiente essa criança vai desenvolvendo físico, sensório, motor e psicologicamente fases... E muitas vezes entre uma fase e outra a transição não é natural. Há traumas que podem ocorrer de choques e traumas na relação crônica com o ambiente.

Denny Fingergut: Eu fico pensando assim... O que as pessoas apresentam em geral quanto a sintomas que podem estar relacionados a traumas e que, às vezes, pensamos que nem é, nem sabe que está relacionado a um trauma? Pensa apenas que é uma carga genética, que veio do pai, enfim... Você citou a depressão, o distúrbio de ansiedade, pânico, dores crônicas, o que mais pode estar relacionado ao trauma e como nós podemos fazer essa diferença?

Sonia Gomes: Distúrbios de comportamento, obsessão, respostas compulsivas... E aí inclui uma série de coisas, pois existem muitas vertentes da depressão e ansiedade! Vários desdobramentos, várias síndromes, várias doenças podem ocorrer com uma grande probabilidade de serem manifestadas através dos traumas que não foram curados.

Denny Fingergut: Por exemplo, o abuso sexual que é tão constante... Embora a sociedade procure deixar velado... Mas é tão comum o abuso sexual infantil! Isso causa obviamente um trauma!

Sonia Gomes: Quem mais deveria proteger e cuidar dessa criança em geral são as pessoas que mais ameaçam e estas pessoas passam por traumas severos. Isso tem conseqüências gravíssimas no comportamento adulto, especialmente se a criança não tem resiliência suficiente para sustentar e traduzir isso para algo bom. Porque o trauma pode ocorrer a nível físico, emocional, psicológico e energético... Por exemplo, se você quebra um braço, naturalmente o osso que é quebrado a natureza é que cura! Então, onde foi quebrado fica mais forte. O que eu quero dizer com isso é que se uma pessoa que passa por essa dádiva da cura do trauma ela fica muito mais forte do que antes!

Denny Fingergut: Mas a gente ver que tem algumas pessoas que quando passam por um trauma parecem que passam a vida inteira repetindo esse trauma, ou seja, procurando situações que de alguma forma venha a repetir isso também. Assim, como é muito comum também o abusado muitas vezes vir a se tornar um abusador na idade adulta.

Sonia Gomes: A pessoa perde a capacidade... O trauma tem esse aspecto difícil de criar uma incapacidade. A falta da potência da energia agressiva da vida, porque nós somos frutos da vida. Então, na vida a gente precisa ter essa força, essa agressividade para enfrentar os debates mesmo! As rebarbas da vida! Mas, com o trauma você vai perdendo essa capacidade de se defender. Então, esse projeto de nosso trabalho de reeducação somática é restaurar esta resposta de fuga, luta e congelamento. Quando a gente leva a pessoa para o estado de curiosidade, como essa pessoa que você viu no filme, ela fica mais leve, sente-se melhor, livre... Significa que eu levei essa pessoa a um estado de curiosidade, ao estado de prazer, ao estado de equilíbrio dinâmico. Como, por exemplo, quando você ver um animalzinho em casa, um gatinho, um cachorro... Você ver aquele animal em um estado natural, que brinca, que pode se acasalar, que pode comer, que pode dormir. Esse é o estado natural nosso, humano, do nosso organismo vivo! Nós temos esta capacidade de autoregular! É esta confiança que o trabalho demonstra e que nós confiamos. Então, na medida em que você leva a pessoa para experimentar este estado de paz, de resiliência, este estado de curiosidade... Que ela estava dando risada, brincando... Estimulando esta pessoa a se sentir bem... O bem-estar... Este é o trabalho natural que o próprio organismo, que o próprio sistema nervoso precisa como antídoto ao trauma.

Denny Fingergut: Ela só conseguiu aquele estado depois de ter passado por toda aquela descarga que observamos anteriormente.

Sonia Gomes: Exato! Se você não descarrega, você não pode restaurar esta energia de defesa. Porque todos nós precisamos resgatar essa agressividade da vida. Então, a pessoa que passa por um trauma fica com a sensação de impotência, fica com uma raiva impotente, ela mobiliza esta energia da raiva, ela mobiliza a energia do medo que fica paralisada porque ela foi demais!

Denny Fingergut: Eu fiquei entendendo o seguinte... Muitas pessoas, até no caso do abusador como falamos aqui... É claro que com essa minha percepção eu estou falando ainda de forma superficial, mas me parece que essa re-atuação da vida do evento traumático é uma tentativa desta pessoa de vir resolver o que não pôde resolver no passado.

Sonia Gomes: É o inconsciente pedindo socorro... Olha eu estou aqui! Essa é a re-incidência, esse é o lugar. Agora, faltam os profissionais capazes de perceber que estas pessoas estão pedindo... Procurando socorro, procurando um caminho. É o sistema nervoso naquele condicionamento (tentativa de se restabelecer). Isso é um círculo vicioso que nós com esse trabalho do SE vamos quebrando o mais rapidamente possível este condicionamento.

INTERVALO – Voltaremos mostrando para vocês como essas pessoas e profissionais atuam em todo o mundo, inclusive de forma voluntária, socorrendo pessoas que são vítimas de muitos acidentes, a exemplo de terremotos, tsunamis, enchentes, enfim... Daqui a pouco a gente volta.

Denny Fingergut: No Perfil e Opinião de hoje nós estamos conversando com a Psicóloga Clínica Dra Sonia Gomes que trabalha com a Somatic Expiriencing que é um trabalho de cura do trauma. Ela dá workshops e ministra cursos no mundo inteiro além de organizar grupos de pessoas que trabalham com sobreviventes de grandes catástrofes em todo mundo. Mas, eu vou aproveitar e mostrar um best-seller mundial para as pessoas aprenderem ou pelo menos lerem como elas podem conhecer um pouco mais a respeito dessa abordagem que é esse livro do Peter Levine “O Despertar do Tigre”. Este foi o primeiro livro do Peter sobre trauma?

Sonia Gomes: Ele tem vários outros, mas esse é o mais importante. São vários livros e auxílios que ele dá para a comunidade científica. Ele é uma pessoa muito importante, um ser humano incrível, que ama o Brasil, especialmente a Bahia. Esta todo ano aqui, é um grande amigo, um mestre.

Denny Fingergut: Esse livro inclusive foi indicado para o prêmio Nobel.

Sonia Gomes: Em 1998 foi indicado.

Denny Fingergut: Quando eu falei a respeito desse trabalho humanitário que é feito através de uma Fundação, como isso funciona?

Sonia Gomes: Eu sou professora avançada a nível mundial pela Fundação do Henriquecimento Humano que é “Foundation for Human Enrichment” e temos uma representação aqui no Brasil pela Associação Brasileira do Trauma em que eu sou também uma das sócias fundadoras. Nós somos cinco e representamos esta Fundação. Temos pela Fundação professores e assistentes que tem uma formação voltada para os primeiros socorros. Então, quando há tragédias, como o Katrina... Isso aconteceu de primeira mão com o atentado terrorista de 11 de Setembro em Nova York. A partir daí nós começamos a desenvolver o trabalho de primeiros socorros. E a gente atende a tragédias dos Tsunamis, Katrina nos Estados Unidos, terremoto da China, Tailândia, Índia. Também fizemos um trabalho com um grupo de São Paulo para as enchentes de Santa Catarina e estamos também nos propondo a auxiliar as enchentes do Nordeste.

Denny Fingergut: Como é que vocês trabalham? Como é que vocês levam essa abordagem para essas vítimas?

Sonia Gomes: O que a gente oferece é um suporte para a pessoas sairem da paralisia, sair do congelamento e retomarem suas vidas.

Denny Fingergut: Mas são tantas pessoas! Como vocês conseguem fazer isso? Eu sei que todos são voluntários... Vocês preparam outros profissionais? Como é isso?

Sonia Gomes: Existe agora essa possibilidade de nós prepararmos... Eu estou agora inclusive ajudando a construir um manual para treinar bombeiros, paramédicos, voluntários, para que isso possa se multiplicar. É um atendimento bastante simples, mas que a gente auxilia a pessoa a desenvolver a sensopercepção, ou seja, desenvolver uma contenção. Igual quando há uma comporta que se abre... Cai água... Sabe aquele Titanic, lá o navio... A gente fecha os compartimentos! Então, este fechar o compartimento a gente chama de dar limites. Ensinamos através de uma reeducação as pessoas poderem conter o que antes ele não podia conter. As pessoas que passam por essas tragédias ficam desesperadas, ficam sem chão, perdem muitas vezes a confiança na vida, perdem a confiança na terra se há um terremoto. Nós poderemos ver mais adiante em uma imagem sobre as reações de pessoas que passam por estas catástrofes.

Denny Fingergut: Você tem relatos com certeza de pessoas em todo mundo... Eu lembro que já algum tempo algumas pessoas foram à Índia, acho que uma delas era você também, em função de um tsunami que ocorreu lá e fazia esses atendimentos. Como que a população em geral é atendida? É em qualquer lugar? Porque às vezes você chega a um lugar desses e não existem condições de se levar a pessoa a um consultório, não é um atendimento formal!

Sonia Gomes: Eu não cheguei a fazer esse trabalho fora do Brasil das tragédias, nós estamos nos oferecendo a fazer agora aqui no Nordeste. Mas têm os meus amigos, meus colegas. Eles fazem isso, é um trabalho voluntário. Primeiro tem que ter uma autorização das autoridades para que se possa fazer esse trabalho. Muitas vezes a gente vai a escolas, abrigos, onde possa ter acesso e damos o suporte para as pessoas, como você viu naquela imagem eu cuidando daquela pessoa, fazendo toques, ensinando a pessoa a reconhecer seu corpo... Porque muitas vezes as reações de um sistema que está desorganizado, porque há uma desorganização na fisiologia, qualquer associação com o trauma a pessoa começa a ter reações de se travar. Então, a gente orienta a pessoa a tocar no corpo, sentir o batimento cardíaco, mas ao mesmo tempo lembrar de recursos positivos. A gente trabalha com o que se segura e o que relaxa no mesmo sistema. Se a pessoa está com constrição se leva para expansão. Então se estimula o que se chama de “engajamento social”. Esta é a chave para que se possa tirar a pessoa do trauma, ou seja, favorecer a cura.

Denny Fingergut: O que é engajamento social?

Sonia Gomes: Engajamento social vem em função de pesquisas recentes do funcionamento Sistema Nervoso Parassimpático. O Sistema Nervoso Simpático nós temos muito conhecimento a nível científico, mas o conhecimento sobre o Sistema Nervoso Parassimpático ainda é muito desconhecido. O que leva, por exemplo, os médicos que trabalham com dor crônica ficarem extremamente sensibilizados por muitas vezes não saber que tipo de intervenção fazer para que a pessoa possa sair das dores crônicas.

Denny Fingergut: Uma informação curiosa que eu gostaria de dar é que você Sonia já trabalhou bastante em locais de atendimento de dor crônica, hospitais, clínicas e tudo isso... Quantas pessoas sofrem... E muitas vezes é a principal causa de ausência no trabalho... Com dores crônicas na coluna, com enxaqueca, com a dita fibromialgia, essa síndrome... Fadiga crônica... Não se consegue entender, vai a tudo quanto é médico! As pessoas até pensam... Será que é uma questão de personalidade? Tem alguma coisa haver mesmo com a personalidade de cada um?

Sonia Gomes: Claro que tem também haver com a personalidade. É aquilo que falamos sobre resiliência. Tem pessoas que lidam melhor com a situação, outras sucumbem, assim como pessoas sucumbem diante do trauma.

Denny Fingergut: Ok. Vamos voltar para a questão da dor. No caso da fibromialgia, enxaqueca, fadiga crônica, tudo isso pode estar de fato relacionado ao trauma?

Sonia Gomes: Hoje existem várias pesquisas que comprovam que pessoas que manifestam dores crônicas no passado evidenciam o trauma. E às vezes, muito precocemente! Traumas muitas vezes pré e perinatal, partos muito difíceis, abusos, abusos sexual ou abuso crônico em termos emocionais, relações muito difíceis com marido, separação, divórcio, abandono. Isso pode dar ênfase a uma desorganização maior, ou seja, está nesse intrincamento relacionado ao Sistema Nervoso Parassimpático. Isto é, a capacidade de inibir o processo excitatório perde a sua função. Como no trauma a pessoa traumatizada perde a sua capacidade de se defender, lutar ou fugir, ou seja, essa capacidade de inibir o que foi mobilizado, a mesma similaridade acorre em uma pessoa que está manifestando dor crônica. Existe um estímulo altamente agressivo que é impulsionado através da medula e chega ao Sistema Nervoso Central... Não há suficiente processo inibitório desse estímulo, ou seja, esse sistema de modulação fica travado.

Denny Fingergut: Ou seja, o fato é que trauma tem cura e a dor também. Graças a Deus! Sonia eu quero que a gente comece ver agora...

Sonia Gomes: Só um minutinho... Quero dizer uma coisa – o trauma tem cura quando você pode dizer sim a vida!

Denny Fingergut: Maravilha! Bem Sonia, passo de um trabalho como esse que é feito em todo mundo por pessoas que conhecem essa técnica foi feito, por exemplo, no terremoto que ocorreu na China em 2008. O que vamos ver agora é uma imagem de um profissional que é brasileiro, mas que mora nos Estados Unidos. Você pode falar melhor do trabalho...

Sonia Gomes: Esse é o nosso querido Alexandre Duarte, que me presenteou com esse vídeo para que a gente pudesse oferecer para essa entrevista.

Denny Fingergut: O que acontece com essa criancinha?

Sonia Gomes: A criança foi vítima do terremoto da China... Ele andava, mas com o choque do terremoto ele parou de andar.

Denny Fingergut: Podemos ver que os braços e as pernas dele estão com poucos movimentos até o momento.

Sonia Gomes: Exatamente. O que Alexandre esta fazendo aí é tonificando as pernas, quer dizer onde ele inibiu o processo de caminhada com o choque.

Denny Fingergut: Mas, por exemplo, os pais dele já não faziam esse tipo de movimento, até em brincadeiras? É específico o que ele faz aí?

Sonia Gomes: Olha... O pai não vai focar na resolução traumática. Esse garoto foi encaminhado para um tratamento porque ele não conseguia mais andar depois do choque do terremoto.

Denny Fingergut: Agora o que Alexandre está fazendo?

Sonia Gomes: Ele está estimulando aquilo que eu falei em termos de engajamento social, está convidando o sistema nervoso mais inteligente, que é voltado para a parte dos pares cranianos e está estimulando os sentidos desta criança.

Denny Fingergut: Ou seja, a criança já está estimulando mais aí as perninhas...

Sonia Gomes: E toda hora você vê que ele dá um impulso. Então, é assim, uma criança que não pode andar em função de um choque tão grande significa que houve uma inibição desse movimento da caminhada.

Denny Fingergut: Até então ele estava se arrastando, aí...

Sonia Gomes: Ele só se arrasta por enquanto! Mas o Alexandre está trazendo ele para se relacionar com o ambiente. Estimulando, levando esta criança para aquele estado de curiosidade, de prazer, de brincalhão, de se sentir bem. Isso é o que a gente tem que conseguir com os nossos pacientes, porque eles ficam fixados! O trauma é fixação! Para haver a cura é preciso sair do estado de fixação para o estado de curiosidade, de alegria, de prazer, que são estados de naturais, inatos da própria vida.

Denny Fingergut: Agora a criança já esta se movimentando...

Sonia Gomes: Agora você pode ver que ele colocou o dedo no olho dele, na direção do olho! É aquilo que eu te disse, o olho fica fixado, paralisado com o trauma! Ele está estimulando a continuidade dos olhos, porque o olho fica fixo. Na medida em que ele vai estimulando os olhos ele vai criando uma possibilidade de descarga do sistema ocular.

Denny Fingergut: Ele diz aí que quer chamar a atenção da criança para o mundo de fora!

Sonia Gomes: Porque o menino está fixo dentro do trauma dele. Agora ele está inclusive fazendo esse movimento porque foi um terremoto. Esta criança, provavelmente quando experimentou este terremoto a vista dele deve ter ficado com tontura, um distúrbio vestibular no sistema do equilíbrio proprioceptivo. Então, ele esta resgatando a possibilidade do menino reviver essa cena através destes movimentos.

Denny Fingergut: Ele fala que os braços e as pernas da criança já estão mais ativos neste momento.

Sonia Gomes: Sem dúvida.

Denny Fingergut: Ok.

Sonia Gomes: Olha lá veja o círculo que ele está fazendo o movimento, trazendo a criança para se aproximar.

Denny Fingergut: Este movimento já rápido. A criança tenta agora levantar!

Sonia Gomes: Porque ele perde a confiança na terra, na gravidade! Ele não andava e no final da sessão ele começa a andar... Veja que coisa mais linda!

Denny Fingergut: É surpreendente! Ele faz aquela primeira tentativa e logo depois a gente já ver todas as pessoas em volta e ele já sai correndo...

Sonia Gomes: E isso foi assim! E isso acontece muitas vezes! A gente presencia muito isso. Essa é a alegria de eu fazer o que faço, de eu colocar minha vida, meu trabalho a serviço da humanidade. Porque isso não tem preço!

Denny Fingergut: Realmente emociona a gente.

Sonia Gomes: Experiência Somática é a terapia do futuro. É a necessidade que todos nós temos de confiar e trazer aquilo que nós não temos mais. Antes se tinham àquelas feiras que chegavam aos hospitais e tiravam a gente do choque e que agora não tem mais! É preciso de uma terapia para poder cuidar.

Denny Fingergut: Estou surpresa com essa criancinha que tem 4 anos e que a gente vê um resultado como este. Embora esteja editado, foi em uma sessão que ele fez isso.

Sonia Gomes: 1h20 de sessão.

Denny Fingergut: 1h20 de sessão e ele conseguiu levantar daquela forma! E no final as pessoas batendo palmas e alegres! É isso aí... Temos que agradecer a Deus que nos dotou dessa capacidade nata de autocura através desse estímulo.

Sonia Gomes: Essa é uma terapia natural. Está tudo dentro do nosso corpo, tudo está dentro da gente! A gente precisa do terapeuta para nos ajudar a levar à autoregulação, porque é ela mesma que cura, não somos nós!

Denny Fingergut: Sonia, além do seu conhecimento e de você ter se identificado com sua profissão de Psicóloga Clínica o que mais te moveu na vida para se dedicar hoje a Experiência Somática?

Sonia Gomes: Eu sempre pedi... Quando a gente começa a desenvolver um aspecto mais interno, mais espiritual... Que eu gostaria muito de encontrar o meu tom, como eu posso expressar minha alma de uma forma que eu me sinta feliz, que eu possa ser útil. Então, eu amo servir e é isso que eu faço!

Denny Fingergut: Como que as pessoas em geral querendo saber mais a respeito desse assunto e inclusive sobre essa terapia... Já que você falou que existe uma Associação no Brasil e no resto do mundo, podem ter acesso...

Sonia Gomes: Nós temos vários profissionais, nós temos por volta de 400 ou 500 o que a gente chama de esezistas no Brasil. Não temos muita divulgação, mas pode entrar no nosso site e localizar os profissionais no Brasil inteiro. Eu trabalho, sou diretora da Associação Brasileira do Trauma e também trabalho muito fora do Brasil, praticamente fora do Brasil, mais na Europa do que no Brasil.

Denny Fingergut: Você atende o Brasil e Europa.

Sonia Gomes: Estados Unidos também.

Denny Fingergut: Você já está de viagem marcada para vários lugares até 2013! Como tem gente precisando se curar de traumas!

Sonia Gomes: Eu acho que é importante saber que trauma não é uma sentença de morte! É uma camisa de força. Mas, você pode receber auxílio, você pode curar!

Denny Fingergut: Eu achei o nome do site maravilhoso que é www.traumatemcura.com.br. Aí você pode obter mais informações a respeito da Associação, desse trabalho, da Fundação, enfim... Tudo para ajudar você e ao seu próximo também. Sonia, grata por essa entrevista. Parabéns por esse trabalho e que você continue ajudando seus pacientes e a humanidade que é a isso que você está se dedicando.

Sonia Gomes: Eu agradeço essa oportunidade que você está nos dando e também dando a toda população... Quem tiver oportunidade de pesquisar e ir atrás dessa terapia... Você está sendo um agente muito importante nesse momento da vida.

Denny Fingergut: Nós é que agradecemos. Nós encerramos aqui mais um programa Perfil e Opinião e a gente volta na próxima semana. Até lá!

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