Para publicar em actas



Baixar 110.67 Kb.
Encontro03.11.2017
Tamanho110.67 Kb.
Representações do suicídio nas baladas inglesas (1641-1797)

Zaniboni Neto, Osny (Universidade de Brasília – UnB)

“PARA PUBLICAR EM ACTAS”




  1. Introdução

Apenas recentemente a historiografia voltou-se com a devida atenção para o suicídio. Sofrendo de uma forte inércia historiográfica ao longo do século XX devido à duradoura influência da interpretação durkheimiana, os estudos históricos sobre o suicídio podiam ser considerados ainda um “green field site1 no fim da década de 1980. Esse quadro, entretanto, muda sensivelmente a partir de 1990, quando da publicação Sleepless Souls: suicide in early modern England, por Michael MacDonald e Terence R. Murphy2.

A história do suicídio ganhava, então, novo fôlego à luz de uma linha interpretativa que o compreende na esteira de um processo mais amplo de secularização e modernização por toda a Europa. Essa abordagem historiográfica apresentou importantes méritos e tornou-se a narrativa dominante sobre o tema; mas, por sua ênfase demasiada nos processos de rupturas da modernidade, tem mostrado sérios esgotamentos e limitações. Assim, a necessidade historiográfica reside principalmente em estudos que busquem refinar e nuançar essa narrativa clássica da modernização, bem como as representações do suicídio através da modernidade.

Nesse contexto, as perspectivas historiográficas pioneiras sobre cultura impressa aparecem, por sua vez, como particularmente profícuas para acessar os discursos elaborados em torno do suicídio. Tendo em vista que a consolidação da cultura impressa possui um impacto significativo no sistema de comunicação da Idade Moderna, a análise dos modos de difusão social da informação há de ser de grande valia para acessar o imaginário da sociedade sobre o tema, em suas problematizações e limitações. Igualmente, pretende-se explorar um gênero específico da cultura impressa, com o objetivo de investigar as formas como o suicídio aparece representado na Inglaterra dos séculos XVII e XVIII, qual seja: o broadside, especificamente, a “balada” ou ballad.

No presente trabalho, portanto, realiza-se inicialmente uma exposição geral acerca da historiografia sobre o suicídio no período moderno, num esforço de esboçar seu estado da arte e algumas linhas interpretativas principais. Em seguida, concentra-se, num primeiro momento, em discorrer em torno da noção de cultura impressa popular; e, num segundo, apresenta-se o gênero documental escolhido nesse trabalho, caracterizando-o em suas dimensões material e social, de modo a justificar sua relevância no estudo do suicídio na modernidade. Finalmente, apresenta-se e problematiza-se o corpus documental eleito, expondo os critérios de sua seleção; os parâmetros de seus recortes lógico, espacial e temporal; e a metodologia analítica a ser utilizada, sistematizada em seus aspectos tanto morfológicos quanto hermenêuticos.




  1. O suicídio na Europa Moderna: síntese historiográfica e perspectivas

A temática do suicídio tem sido objeto de estudo de diversas disciplinas, mas tornou-se apenas recentemente uma área de relevo na pesquisa histórica. Operando em certo vácuo historiográfico, com trabalhos esparsos até a metade da década de 19803, os historiadores encararam ainda um forte consenso sobre as causas e padrões do suicídio estabelecidos por Durkheim no nascimento da sociologia moderna, de acordo com sua obra Le suicide, de 1897. De acordo com ela, basicamente, as raízes do suicídio residiriam na relação do indivíduo com a sociedade em vez de fatores físicos, corporais ou ambientais, e sua crescente exposição à sociedade ao longo da vida. Admitindo um papel restrito à insanidade, Durkheim postulou a existência de motivos reais em grande parte dos casos de suicidas, ancorando-se em dados estatísticos oficiais que o permitiram instituir leis sociológicas gerais do suicídio em detrimento da inspiração individual do ato4.

Dessa forma, os historiadores dispunham de uma explicação esquemática do suicídio como um modelo geral, carecendo, porém, em sensibilidade à contextura histórica. Modelo esse assentado fortemente em estatísticas fabricadas pela burocracia de época, as quais, como a historiografia posterior haveria de questionar5, revelam-se altamente problemáticas, diante de definições unilaterais de suicídio, variando de acordo com a conveniência oficial. Tais dados, portanto, não constituem por si mesmos uma fonte documental bastante para tratar o suicídio enquanto problema histórico, requerendo um cuidadoso olhar preocupado em historicizar o suicídio e seus significados a partir de um corpo documental mais amplo. Isso aponta, por sua vez, para outra limitação no trabalho de Durkheim: ele não se preocupa em investigar as significações sociais do suicídio nem reconhece suas variações ao longo do tempo6.

A partir disso, Michael MacDonald e Terence R. Murphy publicam o livro Sleepless Souls: suicide in early modern England (1990)7, que representaria um divisor de águas na pesquisa histórica sobre o suicídio. Nessa obra, então, os autores se propõem a abordar a história do suicídio como um complexo fenômeno social no início do período moderno, voltando-se para a prática e o significado sociais do ato. Assim, pondo em xeque a validade de estudos puramente estatísticos, eles se concentram na análise empírica de um espectro documental mais amplo, de forma a iluminar as atitudes em direção ao suicídio e suas representações culturais através de diferentes camadas sociais. Nessa direção, concluem que entre os anos de 1500 e 1800 a noção moderna de suicídio se desenvolve num largo processo, desvencilhando-se do sobrenatural e demoníaco, numa perspectiva secularizada, descriminalizada e medicalizada. Trata-se, de fato, da “modernização” do suicídio, compreendido na esteira de um processo mais abrangente de modernização da Europa e seus desdobramentos.

Essa linha interpretativa influenciou profundamente a historiografia posterior, haja vista o livro organizado por Jeffrey R. Watt8. Pressupondo o suicídio como “a constructed phenomenon that can be experienced and understood in radically different ways in different cultures9, a obra ambiciona investigá-lo através de perspectivas diversas, por meio de estudos de caso de variadas regiões da Europa ao longo da Idade Moderna. Dessa forma, esse conjunto de trabalhos se interligam na direção de indicar que


the period stretching from the Renaissance to the Romantic era witnessed dramatic changes in the judicial treatment of, popular attitudes toward, and frequency of suicide. It is no exaggeration to say that the modern suicide was a product of early Modern Europe. Suicide as we know it – decriminalized, secularized, and medicalized – had taken hold among Europeans by the late 1700s.10
MacDonald e Murphy, assim, estabelecem o paradigma da “secularização do suicídio”11, remetendo ao seu descolamento de visões religiosas, ao desenvolvimento de explicações calcadas em discursos social e médico sobre o ato e à crescente leniência de seu tratamento judicial, levando, finalmente, à sua descriminalização12. Nessa direção, extrapolam meramente uma história do suicídio, na medida em que essas viradas [shifts] nas respostas ao suicídio aparecem como indícios de mudanças fundamentais na sociedade europeia dos primórdios da modernidade – a saber, o processo de secularização e o surgimento da concepção moderna de indivíduo.

Essas transformações apresentariam ainda um denominador comum, um fator que perpassa ambas – em suma, um agente central que as possibilitou e catalisou, a profunda alteração nos modos de comunicação, nomeadamente, o advento da imprensa popular e suas “literary conventions and epistemological assumptions13. Desse modo, a imprensa realizaria a conexão entre a “alta” (esclarecida, das elites) e a “baixa” (popular), permitindo a capilarização dos ideais do Iluminismo amplamente pela Europa e o triunfo da ciência e da razão em detrimento de visões pré-modernas sobre religião e suicídio14.

Enfim, diante de uma escassez e certa inércia historiográfica, a narrativa da secularização do suicídio na modernidade foi responsável por reposicionar o problema em termos culturais e históricos. Voltou-se para suas representações e sentidos e como variaram historicamente, de modo que, posto no centro do processo histórico, tornou-se possível compreender o suicídio “within the complex interplay of religious, political, social, scientific, and cultural developments15.

Essa perspectiva historiográfica representa a tônica maior dos estudos sobre a modernidade e ganha respaldo na interpretação histórica clássica. Porém, ela também apresenta limitações para os estudos sobre o suicídio, uma vez que sugere uma evolução linear entre tradição (religiosa) e modernidade (secular), postuladas de forma estanque e a posteriori. Oblitera-se a imbricação muito mais profunda e complexa entre o religioso e o secular durante o início e toda a Idade Moderna16.

Nesse sentido, Morrissey aponta para a necessidade de pesquisas históricas que busquem escapar a esse enquadramento normativo, investigando suas omissões e ambiguidades e explorando narrativas alternativas. Ora, “the modern era has thus been characterized by the conflict and dialogue between competing authorities and paradigms. One result has been the creation of hybrid meanings for suicide with new regulatory practices”17. A perspectiva proposta por Morrissey é de tal modo inspiradora e promissora que Healy, em sua valiosa síntese bibliográfica, conclui que
the term ‘hybridization’, proposed by Morrissey to describe the gradual and contested growth of leniency [towards suicide], deserves to replace the older term ‘secularization’. It is certainly clear that, despite the dominance of Christianity as a belief system in early modern and modern Europe, other tradition – older classical models, folkloric beliefs, new literary depictions, communist and fascist ideologies – competed with it to shape Europeans’ understanding of suicide.18


  1. Cultura Impressa Popular

Sob a luz do estado da arte mais atual da historiografia sobre o suicídio, revela-se a necessidade de estudos empíricos no sentido de investigar as representações e discursos em torno dele, de forma a transcender a narrativa histórica tradicional sobre a modernidade. Nesse contexto, a aproximação com recentes estudos sobre a cultura impressa popular é de particular interesse, visto que toca diretamente nas fundações dessa interpretação, em que a invenção da prensa de tipos móveis figura como peça-chave no processo de modernização; e se presta a relativizá-la, chamando atenção para as nuances e complexidade do desenvolvimento dos meios de comunicação na Idade Moderna.


    1. Cultura impressa e cultura popular

Entre os anos de 1660 e 1700, materiais impressos haviam angariado papel de destaque no cotidiano de uma parcela significativa da população da Inglaterra e do País de Gales, representando um artefato largamente difundido pela cultura e sociedade, direta e indiretamente. Ademais, constituíam importante commodity: em termos estatísticos, é possível identificar um crescimento gradual na produção de materiais impressos entre 1500 e 1640 – ainda que com algumas flutuações, que não invalidam, no entanto, essa tendência geral, refletindo eventos e conjunturas específicas –, com um notado impulso na produção de livros a partir de 164119.

Conquanto elucidativos e importante fonte empírica, é necessário ir além do estudo quantitativo ao se abordar o impacto da imprensa de tipos móveis na modernidade, posto se tratar antes de um processo de mudança estrutural, anterior inclusive a expressões quantitativas mais notáveis. De acordo com a definição dual de Chartier, trata-se de investigar “the profound transformations that the discovery and then the extend use of new techinique for the reproduction of texts brought to all domain of life, public and private, spiritual and material”, bem como “the set of new acts arising out of the production of writing and pictures in a new form20.

De fato, os desdobramentos da impressão na sociedade inglesa do início da modernidade foram profundos a partir de possibilidades inéditas de circulação e quantidade de escritos e dos custos e tempo envolvidos em sua produção. Primeiramente, assiste-se ao desenvolvimento comercial da venda de livros no Reino Unido, juntamente com a ampliação da produção impressa – da década de 1500 à de 1650, os livros impressos no Reino Unido ou em inglês passam de 439 para 16.52321; e o número de publicações aumentou de 79 para 280 durante o período Elisabetano (1559-1602)22.

Essa expansão produtiva aponta para o desenvolvimento pari passu de redes efetivas de distribuição oficiais e clandestinas que, no caso inglês, possibilitavam a difusão de materiais impressos através do país, transcendendo mesmo a dicotomia simplista cidade-campo23. Ora, o processo da distribuição da impressão é radicalmente multidirecional e dinâmico, importando levar em conta o sentido da distribuição, para além de sua implicação meramente geográfica, enquanto categoria de agente. Posto de outra forma,


distribution was not merely a mechanical phenomenon but also a process laden with meanings that were experienced by the movers and recipients of books. These meanings and these experiences were not incidental to the distribution networks but fully a part of them, defining and mutating their contours.24
Afinal, a impressão não representava o exclusivo meio de comunicação do período, nem seu aparecimento significou a obsolescência e bancarrota a todos os demais meios “concorrentes”. Ao contrário, ela se desenvolveu correlacionando-se a uma rede maior de comunicações e a outros media, mostrando sua eficácia social justamente por sua conectividade25 – revelando-se, aqui, seu caráter fortemente interativo e coesivo em um contexto social mais amplo, enquanto uma “shared culture” [that] was disseminated along lines of communication which connected the country, both socially and geographically26. Em suma,
[p]rinted items existed in relation to a network, and that network provided the economic basis of the production and distribution of print, but also gave it its meaning and its social life.

Print offered alternatives to older forms of communications, but also developed alongside and transformed them […] as part of a much richer set of interpersonal connections than printer-bookseller-reader, as part of a communicative landscape that extends beyond the domestic and urban into the transnational, but which nonetheless shapes the experience of the local27.
Além disso, o aumento das dimensões produtivas e distributivas da impressão se relaciona a uma expansão da demanda por produtos impressos, ao passo da difusão social de seu consumo e da leitura – dir-se-ia da “popularização” da cultura impressa28. Encontra-se aqui, todavia, um problema conceitual importantíssimo no tratamento historiográfico do tema, uma vez que a definição de popular constitui uma chave de leitura central e determinante na interpretação histórica da modernidade.

Nesse sentido, o primeiro cuidado que se deve tomar é com relação a definições simplistas da cultura impressa, contrapondo de forma dicotômica “alta” versus “baixa” cultura – na esteira, aliás, de pressuposições generalizantes e verticais acerca de grupos sociais, a saber, “elite” e “população”. Essa visão, com efeito, fundamenta-se em algumas premissas enganosas, como bem elucida Chartier:


first, that it is possible to establish exclusive relationships between specific cultural forms and particular social groups; second, that the various cultures existing in a given society are sufficiently pure, homogeneous and distinct to permit them to be characterized uniformly and unequivocally; and third, that the category of ‘the people’ or the ‘popular’ has sufficient coherence and stability to define a distinct social identity that can be used to organize cultural differences in past ages according to the simple opposition of populaire versus savant.29
Nesse contexto, embora em um cenário de estratificações sociais e identidades culturais várias30, elas inter-relacionam-se de modo dinâmico, não apenas pelo conflito e pela divisão, mas também por um elevado grau de confluência31. Logo, há que se olhar para como essas sobreposições compõem um todo maior – isto é, a cultura popular: o sistema unificado de práticas e valores compartilhados e de performances e objetos que os materializam, veiculam e exprimem32.

Moldada por forças internas e externas, a cultura popular aparece, portanto, como múltipla antes que singular, como “a mosaic made up of changing and often contradictory fragments33. Nessa conjuntura, a cultura impressa popular representa, mais que uma série de textos e materiais impressos, “the social dialogue, and the mediations of experience, that these objects facilitated34.




    1. Broadsides, ballads e ‘popularity’

O broadside constitui um amplo e plástico gênero documental, definido a partir de sua natureza material, isto é, uma publicação de uma única página e impressa em face única, frequentemente de grande formato, variando grandemente em tamanho e qualidade – grosseiramente de 66 por 44 cm a 8 por 24 cm. Apesar de efêmero, o broadside teve um papel duradouro e consistente na economia impressa, constituindo importante fonte de renda para seus editores e representando, talvez, a maior proporção de produtos impressos no mercado. A exemplo disso, balads e hornbooks, estima-se, foram vendidos em dezenas de milhares, enquanto que outros single-sheet itens comissionados aos milhares35.

Assim, aponta-se sua capacidade de atingir amplas e variadas camadas da sociedade, ou melhor, sua dimensão eminentemente pública, desempenhando papel fundamental na definição de identidades social, cultural, religiosa e política no início da modernidade, estabelecendo uma conexão entre tradições da cultura oral, visual e literária, numa das formas mais populares de produtos impressos. Dessa forma, propiciavam a aglutinação de pessoas em espaços públicos para o compartilhamento de informação e entretenimento, instigando o debate público e um olhar crítico sobre o social, político e religioso, bem como oferecendo exemplos literários e veículos de expressão para aqueles sem capital cultural36.

A literatura de broadside, portanto, constitui um profícuo registro eminentemente público da sociedade de sua época, apresentando-se como evidências frutíferas da mentalidade popular no início do período moderno. Ou melhor, ela expressa um momento histórico de mútua negociação social, cultural e política entre camadas desiguais duma sociedade em dinâmica interação entre atividades culturais populares e o exercício editorial, lato sensu.

Além disso, suas funções principais – de instrução, exortação, entretenimento e persuasão – variavam largamente, assim como os seus diversos formatos e gêneros possíveis, que podem ser divididos em duas grandes, ainda que não excludentes, categorias: de um lado, têm-se peças comissionadas por interesses oficiais e propósitos pessoais, como indulgências, proclamações, declarações e instruções – voltadas primariamente não para o lucro, senão para os interesses e a autoridade de setores superiores da sociedade. De outro, apontam-se produtos especulativos, voltados para a produção de mercado ou de varejo, como single-sheet ‘ABC’ ou hornbooks, sheet-almanacs, poemas, anúncios, músicas, broadsides pictóricos, itens decorativos e as “baladas”37.

A “balada”, por sua vez, é tida como o exemplo clássico da literatura popular de larga venda de broadside, em constante contato com a opinião pública e a cultura cotidiana, apresentando uma infinidade de temas, subgêneros e audiências – ela figura notadamente como importante elemento de decoração e entretenimento em espaços fechados e é amiúde usada como presente. Seu preço costumeiro variava entre meio e um penny, ao passo que uma “balada” subversiva poderia custar entre dois e seis pennies nos séculos XVI e XVII38.

Ainda, sua dimensão comum era metade de uma folha inteira (66 por 44 cm), ou seja, de 33 por 22 cm, possibilitando cerca de mil “baladas” por impressão [ream]. Aliás, o peso das “baladas” na cultura impressa do início da época moderna pode ser dimensionado pelo fato de elas somarem de um quarto a um terço de todas as publicações listadas na Stationers’ Register – valendo mencionar que, durante os séculos XVI e XVII, assiste-se a uma diminuição nas “baladas” de temática divina, enquanto que “baladas” relativas a músicas de amor e “questões de estado” se tornam francamente comuns e constituem parte expressiva de sua produção39.

Ela pode ainda ser dividida em duas espécies: primeira, a white-letter balad, impressa em tipo romano e em papel de melhor qualidade e usada sobretudo para fins de sátiras políticas, com propósitos menos de lucro do que de persuasão, mesmo que em média fosse mais barata; voltando-se frequentemente para estratos sociais superiores e inscrevendo-se num código literário de difícil acesso ao grande povo, numa apropriação e paródia da “balada tradicional”. Por sua vez, a segunda espécie, que mais nos diz respeito aqui, é a black-letter balad, a qual se voltava principalmente para o lucro e, embora entre uma das mais baratas formas de impressão e de indubitável acessibilidade e popularidade, era relativamente cara de se produzir e comprar40.

A qualidade de sua impressão era menor em comparação à white-letter balad, feita também em papel de menor qualidade e dimensão, possuindo frequentes vezes xilogravuras decorativas e ilustrativas, num formato de “balada” de três até cinco colunas, dividindo-se convencionalmente em duas partes ou, às vezes, em duas “baladas” menores. Ademais, apesar de possuírem um estilo e conteúdo bastante diretos e em certo sentido simples devido a sua proximidade com a transmissão oral de músicas, black-letter balads não se divorciavam da “alta” cultura, deixando-se influenciar por modelos e alusões clássicas da poesia, na medida em que o objetivo maior de seus editores era estabelecer um clássico, visando transformar seus eventos inspiradores em músicas que perdurassem a mera novidade deles e possibilitando futuras reimpressões41.

Em suma, as broadside balads, especificamente essas de cunho mais de mercado, aparecem como produtos impressos baratos e acessíveis, relacionando-se às preferências populares e suas mudanças. Elas aparecem, pois, como gênero privilegiado para acessar o “dia a dia”, de relevante impacto na vida das pessoas e crucial importância no aumento da literacy no início do período moderno. Semelhantemente, haja vista sua profusão e circulação, funcionaram como fundamental meio de articulação e disseminação de ideias religiosas, sociais e políticas e construção de identidades em diversos níveis da sociedade.

Nesse sentido, o presente trabalho ambiciona contestar uma investigação documental sobre as representações e narrativas sobre o suicídio nesse gênero – sem perder de vista sua dimensão material, no contexto da cultura impressa – com a interpretação historiográfica sobre o surgimento da concepção moderna de suicídio mencionada no início. Além disso, busca-se analisar o meio pelo qual se propagavam percepções distintas sobre tal fenômeno, bem como num esforço de remontar seu significado cultural e diversas associações valorativas em cada época. Desse modo, mapeando as diferentes narrativas acerca do suicídio, será possível estabelecer uma tônica dominante em termos de representação? Em que extensão e de que forma isso se relaciona à ideia moderna de suicídio?




  1. Corpus documental

Em se tratando de um gênero específico da cultura impressa, então, segue-se a proposta de pesquisa sugerida por Chartier42, de modo a priorizar o particular em detrimento de generalizações, a partir de estudo de caso – ou melhor, de objeto, em sua concretude e materialidade, buscando reconstruir os usos e os significados da documentação dentro de seu contexto particular e local. Essa perspectiva de trabalho, ainda, há de se mostrar particularmente valiosa no estudo histórico do suicídio, pois
[…] when the study of representations of reading practices is crossed with the study of printed pieces as material objects (the route followed here), we can perhaps reach a new and better comprehension of a major phenomenon in western cultural history, the distribution on a large scale and for a host of uses, of the written word made possible by the printing press.43


    1. Apresentação

O corpus documental da pesquisa é composto por dezoito “baladas” disponíveis na Broadside Ballads Online from the Bodleian Libraries, que se mostrou a ferramenta de busca mais completa para tal propósito, dispensando outros sites semelhantes. Nesse levantamento documental, três recortes essenciais guiaram sua seleção: i) lógico, dizendo respeito ao gênero da “balada” cuja temática central recai, de uma forma ou de outra, sobre o suicídio; ii) espacial, limitando-se à Inglaterra, nomeadamente Londres (15), Newcastle (1), Bath (1), Coventry (1), Liverpool (1) e Manchester (1); e iii) temporal, compreendendo os anos entre 1641 e 1797, da publicação da primeira “balada” sobre suicídio no acervo até a última dentro do século XVIII, de modo a abarcar o período histórico de surgimento do suicídio moderno, de acordo com o “paradigma da secularização”.

Contudo, há que se apontar algumas limitações e problematizações desse corpo documental. Ora, se as “baladas” representam um gênero de grande expressão quantitativa no período em questão, não seria essa amostra documental – de apenas dezenove documentos dentre milhares – demasiadamente pequena para se portar como ilustrativa em relação ao suicídio? Em adição a isso, é necessário guardar em mente que a preservação de broadsides e sua chegada à contemporaneidade são muito problemáticas e duvidosas, visto que se devem ao mero acidente, geralmente em descartes e reutilizações editoriais, ou a práticas de coleção bastante inconstantes, de acordo com cada época e com cada predileção estética particular, amiúde destrutivas. Há, aliás, um agravante: a escassez de evidências externas, ou seja, registros minuciosos que viessem a dar conta do enorme volume de produção desse gênero. “Consequently, assessing popularity, typicality, or change over time of production levels, content, or form can be only tentative at best44.

Em sequência, estabelece-se a metodologia analítica a ser empregada na sistematização e descrição minuciosa de aspectos tanto morfológicos quanto hermenêuticos, visando aferir a existência (ou não) de um certo padrão entre os documentos, de forma que se possa estabelecer comparações e mudanças entre eles e realçar características predominantes ao longo do tempo. Assim, restrito o corpo documental, com a atenção voltada para mudanças textuais e editoriais, é possível inventariar as variantes que inserem novos significados e usos do artefato. Finalmente, tendo como ponto de partida a descrição de elementos formais juntamente com a identificação dos usos (implícitos e/ou explícitos) a eles relacionados, mira-se compreender o “process of the construction of meaning by which readers diversely appropriater the object of their reading"45 Nessa direção, em termos de morfologia, chama-se atenção para a ausência ou presença de elementos pictóricos (e de qual natureza técnica); para a divisão textual (colunas e disposição do texto) e organização rítmica da “balada”; para as características e variações tipográficas; e para demais elementos paratextuais.

Em relação à hermenêutica, por seu turno, partindo da leitura sistemática das fontes, a estratégia analítica desenvolvida baseou-se no estabelecimento de quatro perguntas norteadoras na comparação documental. Refletindo questões recorrentes nas baladas e fundamentais para sua interpretação de forma serial, as perguntas tratam da caracterização do ato do suicídio em si, das personagens envolvidas e suas motivações, das consequências sociais em decorrência do ato e do julgamento moral sobre ele. Ou, de forma esquemática, quem se suicida? Como se suicida? Por que se suicida? Qual o impacto do suicídio na sociedade? E qual a mensagem ou julgamento moral em torno do suicídio?





    1. Análise

À exceção de uma, em todas as baladas o suicídio está relacionado a questões amorosas, envolvendo homens e mulheres geralmente jovens e virtuosos, desesperados ou desiludidos com o amor. Isso se origina, de um lado, da relação dos amantes com seus pais e, de outro, da relação mesma entre os amantes. Dessa forma, reunindo narrativas semelhantes no que diz respeito aos motes e linhas centrais, principalmente à motivação do suicídio e a mensagem moral em torno dele, adota-se como estratégia heurística a análise de baladas em conjuntos

De um lado, a principal motivação que aparece, contando com sete casos46, inclusive com quatro títulos iguais, para o suicídio liga-se à ação parental na interdição da realização do amor dos jovens amantes. Nesse contexto, o ato do suicídio leva ao arrependimento dos pais, expressando uma lição moral contra sua tirania e ganância (ligada a condições sociais assimétrica), além de uma preocupação com as preferências dos filhos em assuntos amorosos.

De outro lado, é possível distinguir ainda duas tônicas que centram o motivo do suicídio na própria relação entre os amantes: a primeira, contando com cinco baladas47, diz respeito à ação e conduta imprópria de um dos amantes. A motivação do suicídio reside, então, na falsidade, evasão, engano e rejeição de uma das partes, ocasionando o arrependimento e a conscientização moral do outro, muitas vezes assombrado pela aparição do suicidado, culminando ou não em um segundo suicídio. Destaca-se aqui dimensão da redenção moral do amante “injusto” ou “cruel” por meio de seu próprio suicídio.

A segunda tônica, em três ocorrências48, relaciona o suicídio à impossibilidade da realização terrena do amor e à reunião dos amantes na morte. Diante da perda do amado por morte natural, o suicídio constitui não apenas uma libertação da dor, mas também a possibilidade de comunhão amorosa na vida após a morte, louvando o ato como uma prova, mesmo que trágica, da lealdade do amor.

Há, ainda, três ocasiões que merecem menções mais detidas e individualizadas, justamente devido à sua particularidade temática. Em Marshall, White e Hazard49, a causa do suicídio de Molly remete à falsa promessa de casamento de Richard, que a rejeita em seguida juntamente com seu filho. Depois disso, Molly, morta, atormenta e assombra seu amado, levando-o a uma vida mais desregrada e abreviando seu fim. A mensagem do relato, porém, centra-se antes no perigo e na moralização de uma vida hedonista, imediatista e pecaminosa do que na irresponsabilidade e deslealdade no amor.

Em Turner50, o enredo envolve não apenas uma problemática amorosa na realização do suicídio, como também está presente a influência demoníaca no ato. Aqui, uma moça justa e charmosa (“charming maiden fair”) mata-se com um canivete (“penknife”) em seu coração, em consequência da falsa promessa de casamento, evasão e desdém de seu amado, um capitão. Ela então procura vingança por meio de um acordo com o diabo, que a engana requerendo sua alma; arrependida e desolada, ela perde a fé e se mata, de modo que seus pais são deixados em profundo sofrimento pela perda da filha, e o capitão é atormentado em seus sonhos e assombrado pela morta que, finalmente, o arrasta para o mar e logra vingar-se. Assim, a advertência moral presente na história está na importância tanto da lealdade e do compromisso no amor quanto na necessidade da fé e confiança em Deus.

Por fim, em Gilbertson51, embora a qualidade e legibilidade da digitalização da fonte não lhe permitem a leitura integral, é possível identificar o relato do suicídio de George Gibbs, um jovem lenhador (“Sawyer”). Essa balada é especialmente interessante, pois se trata de o único suicídio com motivações exclusivamente sobrenaturais: “being many times tempted by the Divill to destroy himselfe, [...] most cruelly Ripp up his own Belly, and pull’d out his Bowells and Guts, and cut them in pieces52. O evento causa grande choque naqueles que presenciaram o ato e grande tristeza a seus amigos e sua recente esposa, de modo que a lição essencial da história é que se deve rezar continuamente para Deus e não confiar demasiado em sua própria força, temendo a tentação demoníaca.

O suicídio aparece representado nessas baladas com uma evidente função moralizadora, suscitando a dimensão do arrependimento e da lição moral naqueles que o motivaram, em vez de se preocupar com a reprovação do ato em si. O julgamento moral sobre o suicídio constitui, na maioria das vezes, um aviso aos jovens sobre a importância da lealdade e do comprometimento no amor, e um aviso aos pais contra a tirania e a negligência com os sentimentos e desejos dos filhos.




  1. Considerações finais

A análise documental aponta para narrativas sobre o suicídio mais relativizadas entre meados do século XVII e fins do XVIII. Elas não se limitam a representações ligadas ao sobrenatural e demoníaco nem apresentam uma tendência a uma perspectiva mais secularizada, tal como o paradigma da “secularização do suicídio” sugeriria. Antes, a tônica maior diz respeito a suicídios cometidos por motivos passionais desde o início do período estudado.

Aponta-se, uma vez mais, que sérias lacunas se interpõem na construção de um corpo documental mais amplo de baladas relativas ao suicídio, dificultando, inclusive, o entendimento de sua representatividade temática no universo de baladas como um todo. Apesar disso, o presente estudo satisfaz-se em aproximar os estudos sobre cultura impressa popular da historiografia sobre o suicídio, abordagem que se mostra de extrema valia para acessar a questão do suicídio na Idade Moderna, apresentando caminhos e meandros ainda não explorados no tratamento desse tema.



  1. Referências Bibliográficas

    1. Fontes primárias53

BURTON, R. Loves Dovvn-fall (1641-1674a), Londres.

________. Loves Dovvnfall (1641-1674b), Londres.

VERE, T. The faithful Lovers downfal: or, The Death of Fair Phillis Who Killed her self for loss of her Philander (1644-1680), Londres.

GILBERTSON, W. The Divils cruelty to Mankind. Being a true Relation of the Life and Death of George Gibbs (1662), Londres.

DEACON, J. Loves lamentable Tragedy (1671-1704), Londres.

BROOKSBY, P. The London Damsels fate by unjust Tyrany: Or, the Rash Lover (1672-1696), Londres.

COLES, F.; VERE, T.; WRIGHT, J.; CLARKE, J.; THACKERAY, W; PASSINGER, T. Loves Downfal (1678-1680), Londres.

THACKERAY, W.; PASSENGER, T.; WHITWOOD, W. Loves Downfall (1678), Londres.

BACK, J. The Damosels Tragedy: or, True Love in Distress (1682-1703). Londres.

WHITE, J. The Covetous Old Mother; Or, The terrible Overthrow of Two Loyal Lovers (1711-1769), Newcastle.

DICEY, W. AND C. The Oxfordshire Tragedy; Or, The Death of Four Lovers (1736- 1763), Londres.

THE Durham Tragedy. A Warning-Piece to all Young Ladies (1784-1807), Londres.

THOMPSON, G. William and Diana (1789-1820), Liverpool.

JENNINGS, J. Sequel to Maria (1790-1840), Londres.

_________. Bateman’s Tragedy (1790-1840), Londres.

MARSHALL, J.; WHITE, R; HAZARD, S. Robert and Richard; or, The Ghost of poor Molly, who was drowned in Richard's Mill Pond (1796), Bath, Londres, Londres.

SWINDELLS, J. Fair Maria (1796-1853), Manchester.

TURNER, J. The Plymouth Tragedy (1797-1846), Coventry.




    1. Bibliografia secundária

BRANCACCIO, Maria Teresa; ENGSTROM, Eric J.; LEDERER, David. “The Politics of Suicide: Historical Perspectives on Suicidology before Durkheim. An Introduction," Journal of Social History 46.3, pp. 607-619, 2013.

CHAMPION, Justin. “Review: Sleepless Souls. Suicides in Early Modern England”. Literature & History, v. 1, pp. 108-111, set. 1992.

CHARTIER, Roger (Ed.). The Culture of Print. Power and the Uses of Print in Early Modern Europe. Cambridge: Polity Press, 1989.

HARMS, Roeland; RAYMOND, Joad; SALMAN, Jeroen (Ed.). Not Dead Things: The Dissemination of Popular Print in England and Wales, Italy, and the Low Countries, 1500-1820. New York: Brill, 2013.

HARRIS, Tim. “The problem of ‘popular political culture’ in seventeenth-century London”. History of European Ideas, 10, pp. 43-58, 1989.

HEALY, Róisín. “Suicide in Early Modern and Modern Europe”. The Historical Journal, 49, pp 903-919, 2006.

KESSON, Andy; SMITH, Emma (Ed.). The Elizabethan Top Ten: Defining Print Popularity in Early Modern England. Ashgate Publishing, Ltd., 2013.

MACDONALD, Michael; MURPHY, Terence R. Sleepless Souls: Suicide in Early Modern England. Clarendon Press, 1991.

MORRISSEY, Susan. Suicide and the Body Politic in Imperial Russia. Cambridge University Press, 2006.

RAYMOND, Joad (Ed.). The Oxford History of Popular Print Culture. Vol 1: Cheap Print in Britain and Ireland to 1660. Oxford: Oxford University Press, 2011.

SCRIBNER, Bob. “Is a history of popular culture possible?”. History of European Ideas, 10, pp. 175-191, 1989.

WATT, Jeffrey R. (Ed.). From Sin to Insanity: Suicide in Early Modern Europe. New York: Cornell University Press, 2004.



WATT, Tessa. Cheap Print and Popular Piety 1550-1640. Cambridge: Cambridge University Press, 1991.

1 HEALY, Róisín. “Suicide in Early Modern and Modern Europe”. The Historical Journal, 49, pp. 903-919, 2006, p. 905, apud ANDERSON, Olive. Suicide in Victorian and Edwardian England. Clarendon Press, 1987, p. 425. Trata-se de um “campo de estudo verde” no sentido de que apresenta várias possibilidades de pesquisa ainda pouco exploradas e em aberto.

2 MACDONALD, Michael; MURPHY, Terence R. Sleepless Souls: Suicide in Early Modern England. Clarendon Press, 1991.

3 Conforme a valiosa síntese de HEALY, R. Ibidem p. 905: valendo mencionar brevemente as obras de Olive Anderson, Suicide in Victorian and Edwardian England (Oxford, 1987); Jack Douglas, The social meanings of suicide (Princeton, 1967); Markus Schär, Seelennöte der Untertanen:Selbstmord, Melancholie und Religion im alten Zürich, 1500–1800 (Zurich, 1985); Barbara T. Gates, Victorian suicide: mad crimes and sad histories (Princeton, 1988); Jeffrey Merrick, ‘Patterns and prosecution of suicide in eighteenth-century Paris’, Historical Reflexions, 16 (1989), pp. 1–53; e Dorinda Outram, ‘The body and the French Revolution’ (New Haven and London, 1989), pp. 68–105.

4 HEALY, R. Ibidem, p. 906.

5 Cf. p. ex.: ANDERSON, O. Ibidem.

6 Cf. DOUGLAS, J. Ibidem.

7 MACDONALD & MURPHY. Ibidem

8 WATT, Jeffrey R. (Ed.). From Sin to Insanity: Suicide in Early Modern Europe. Cornell University Press, 2004.

9 WATT, Jeffrey R. “Introduction”, p. 3, in: ibidem.

10 Ibidem, p. 8.

11 Termo aparece pela primeira vez em ANDREW, Donna T. “The Secularization of Suicide in England 1660-1800”. Past and Present, 119, pp. 158-165, 1988.

12 MORRISSEY, Susan. “Introduction”, p. 4, in: ibidem. Suicide and the Body Politic in Imperial Russia. Cambridge University Press, 2006.

13 MACDONALD & MURPHY, ibidem, p. 302.

14 CHAMPION, Justin. “Review: Sleepless Souls. Suicides in Early Modern England”, p. 110. Literature & History, v. 1, pp. 108-111, set. 1992.

15 MORRISSEY, S. Ibidem, p. 4.

16 Ibidem, p. 5-6.

17 Ibidem, p. 7.

18 HEALY, R. Ibidem, p. 918.

19 RAYMOND, Joad. “The Origins of Popular Print Culture”, p. 11-12, in: Joad Raymond (Ed.). The Oxford History of Popular Print Culture. Vol. 1: Cheap Print in Britain and Ireland to 1660. Oxford: Oxford University Press, 2011, pp. 1-14.

20 CHARTIER, Roger. “General Introduction: Print Culture”, p. 1, in: ibidem (Ed.). The Culture of Print. Power and the Uses of Print in Early Modern Europe. Cambridge: Polity Press, 1989, pp. 1-10.

21 RAYMOND, J. Ibidem, p. 2.

22 FARMER, Alan B.; LESSER, Zachary. “What is Print Popularity? A Map of the Elizabethan Book Trade”, p. 24, in: KESSON, Andy; SMITH, Emma (Eds.). The Elizabethan Top Ten. Defining Print Popularity in Early Modern England. Farnham: Ashgate, 2013, pp. 19-54.

23 WATT, Tessa. Cheap Print and Popular Piety 1550-1640. Cambridge: Cambridge University Press, 1991, p. 5-6.

24 HARMS, Roeland; RAYMOND, Joad; SALMAN, Jeroen (Ed.). Not Dead Things: The Dissemination of Popular Print in England and Wales, Italy, and the Low Countries, 1500-1820. New York: Brill, 2013, p. 4.

25 RAYMOND, J. Ibidem, p. 9.

26 WATT, Tessa. Ibidem, p. 5.

27 RAYMOND, J. Ibidem, p. 10.

28 Ibidem, p.2.

29 FARMER & LESSER, Ibidem, p. 19, apud CHARTIER, R., The Cultural Uses of Print in Early Modern France, Tradução de Lydia G. Cochrane. Princeton: Princeton University Press, 1987, p. 3.

30 HARRIS, Tim. “The problem of ‘popular political culture’ in seventeenth-century London”. History of European Ideas, 10, pp. 43-58, 1989.

31 RAYMOND, J. Ibidem, p. 11.

32 SCRIBNER, Bob. “Is a history of popular culture possible?”. History of European Ideas, 10, pp. 175-191, 1989.

33 WATT, Tessa. Ibidem, p. 3.

34 RAYMOND, J. Ibidem, p. 12.

35 MCSHANE, Angela. “Ballads and Broadsides”, in: Joad Raymond (Ed.). The Oxford History of Popular Print Culture. Vol. 1: Cheap Print in Britain and Ireland to 1660. Oxford: Oxford University Press, 2011, p. 344-345.

36 Ibidem, 341.

37 Ibidem, p. 341-342.

38 Ibidem, p. 347.

39 Ibidem, p. 344.

40 Ibidem, p. 357-359.

41 Ibidem, p. 359-362.

42 CHARTIER, R. Ibidem, p. 3.

43 Ibidem, p. 9.

44 MCSHANE, A. Ibidem, p. 343.

45 CHARTIER, R. Ibidem, p. 4.

46 BURTON, R. Loves Dovvn-fall (1641-1674a), Londres. ________. Loves Dovvnfall (1641-1674b), Londres. BROOKSBY, P. The London Damsels fate by unjust Tyrany: Or, the Rash Lover (1672-1696), Londres. COLES, F.; VERE, T.; WRIGHT, J.; CLARKE, J.; THACKERAY, W; PASSINGER, T. Loves Downfal (1678-1680), Londres. THACKERAY, W.; PASSENGER, T.; WHITWOOD, W. Loves Downfall (1678), Londres. WHITE, J. The Covetous Old Mother; Or, The terrible Overthrow of Two Loyal Lovers (1711-1769), Newcastle. THOMPSON, G. William and Diana (1789-1820), Liverpool.

47 DEACON, J. Loves lamentable Tragedy (1671-1704), Londres. BACK, J. The Damosels Tragedy: or, True Love in Distress (1682-1703). Londres. DICEY, W. AND C. The Oxfordshire Tragedy; Or, The Death of Four Lovers (1736- 1763), Londres. THE Durham Tragedy. A Warning-Piece to all Young Ladies (1784-1807), Londres. JENNINGS, J. Bateman’s tragedy (1790-1840), Londres.

48 VERE, T. The faithful Lovers downfal: or, The Death of Fair Phillis Who Killed her self for loss of her Philander (1644-1680), Londres. JENNINGS, J. Sequel to Maria (1790-1840), Londres. SWINDELLS, J. Fair Maria (1796-1853), Manchester.

49 MARSHALL, J.; WHITE, R.; HAZARD, S. R. Robert and Richard; or, The Ghost of poor Molly, who was drowned in Richard's Mill Pond (1796), Bath, Londres, Londres

50 TURNER, J. The Plymouth Tragedy (1797-1846), Coventry.

51 GILBERTSON, W. The Divils cruelty to Mankind. Being a true Relation of the Life and Death of George Gibbs (1662), Londres

52 Ibidem.

53 As fontes encontram-se disponíveis em Broadside Ballads Online from the Bodleian Libraries (http://ballads.bodleian.ox.ac.uk/) e aparecem aqui em ordem cronológica.



Baixar 110.67 Kb.

Compartilhe com seus amigos:




©bemvin.org 2020
enviar mensagem

    Página principal
Prefeitura municipal
santa catarina
Universidade federal
prefeitura municipal
pregão presencial
universidade federal
outras providências
processo seletivo
catarina prefeitura
minas gerais
secretaria municipal
CÂmara municipal
ensino fundamental
ensino médio
concurso público
catarina município
reunião ordinária
Dispõe sobre
Serviço público
câmara municipal
público federal
Processo seletivo
processo licitatório
educaçÃo universidade
seletivo simplificado
Secretaria municipal
sessão ordinária
ensino superior
Universidade estadual
Relatório técnico
Conselho municipal
técnico científico
direitos humanos
científico período
pregão eletrônico
Curriculum vitae
espírito santo
Sequência didática
Quarta feira
conselho municipal
prefeito municipal
distrito federal
língua portuguesa
nossa senhora
educaçÃo secretaria
Pregão presencial
segunda feira
recursos humanos
educaçÃO ciência
Terça feira
agricultura familiar