O envolvimento dos Estados Unidos da America na atuação do Estado Islâmico



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O envolvimento dos Estados Unidos da America na atuação do Estado Islâmico

João Marcos Justo Lins, Brasil. Faculdade Asces

Adilson Ferraz, Brasil. Faculdade Asces, FAFICA (Orientador)

Resumo:

As relações internacionais enfrentam um novo contexto de ameaça a segurança internacional, o surgimento de um grupo radical que está causando destruição, medo, desespero e preocupação no Oriente médio e no mundo. Este artigo pretende discutir como e de qual forma os Estados Unidos da América contribuiu para a atuação do grupo que se denomina Estado Islâmico do Iraque e Levante (ISIS). Usando de breves análises históricas iremos procurar no passado das ações políticas ou militares, as possíveis relações que possam ter gerado a tensão e a motivação para os acorridos fatos realizados pelo ISIS. Analisaremos o que é o Estado Islâmico e quais são as suas intenções, como estão organizadas e de onde provem o arsenal por eles utilizado.



Palavras-Chaves:

Estado Islâmico, extremismo, terrorismo, invasão ao Iraque 2003, envolvimento dos EUA.



O envolvimento dos Estados Unidos da America na atuação do Estado Islâmico

Introdução:

Em 11 de setembro de 2001, os EUA sofreram um dos maiores ataques terrorista da historia. Com a estimativa de 3000 mortos, o país entrou em colapso e pânico geral, após dois ataques consecutivos, um em Nova Iorque, e outro em Washington D.C. Atuantes de grupo terrorista denominado Al’queda sequestraram quatro aviões americanos, dois deles lançados contra as Torres Gêmeas, um lançado contra o Pentágono, e um no estado da Pensilvânia. Estes acontecimentos marcaram o inicio do século XXI para os americanos profundamente.

Na época o então presidente dos EUA, George Bush declarou em redes nacionais e internacionais:
...Our war on terror begins with al Qaeda, but it does not end there. It will not end until every terrorist group of global reach has been found, stopped and defeated(...)...These measures are essential. But the only way to defeat terrorism as a threat to our way of life is to stop it, eliminate it, and destroy it where it grows(...) [BUSH, George, 2003.]

Assim dando início a Guerra ao Terror, começando a criar e alimentar indiretamente um novo, imponente e poderoso adversário para o mundo e para as relações internacionais contemporâneas. Em 1988 a união soviética tentava a ocupação do Afeganistão, os Estados unidos forneceram suporte a Osama Bin Laden na luta contra os soviéticos para libertar o Afeganistão. Após a guerra do golfo em 1990, quando tropas militares lideradas pelos EUA atacaram o Iraque, a Jihad da Al’qaeda passa a ter o Ocidente como inimigo por causa da constante presença militar no Oriente médio.

Em 2003 os Estado Unidos decidira invadir o Iraque sem o aval das nações unidas. Com a intenção de derrubar Saddam Hussein, implantar uma democracia e eliminar o terrorismo do mundo. A invasão não teve justificativas claras, mas os EUA buscavam por armas de destruição em massa que estariam no domínio iraquiano e estariam sendo escondidas por Hussein. Temendo a hegemonia de um Estado fundamentalista antiamericano na região do golfo era vital que fosse impedido de uma potência regional exercesse o controle absoluto das reservas de petróleo do golfo pérsico. Os EUA procuraram fortalecer, armar e treinar as capacidades militares de sues aliados na região para reduzir a hostilidade e potência dos Estados mais fortes contra os interesses americanos. O objetivo não era tornar esses estados fortes militarmente nem criar grupos revolucionários e sim reforçar as forças americanas no local caso houvesse conflitos maiores para aumentar a velocidade de ação das tropas americanas.

Fortalecer os aliados seria uma garantia estratégica para evitar o surgimento de um hegemôn regional. O fortalecimento destes aliados criaram grupos fundamentalista que se motivavam a iniciar revoluções contra a presença ocidental que seria um profanação dos lugares sagrados do Islã, causando pobreza de parte do povo mulçumano e impondo a cultura ocidental na região ofendendo o Islã tradicional. A “Guerra ao terror” tinha como alvo a prevenção da segurança nacional o que deixava os EUA decididos a atacar preventivamente qualquer inimigo que pudesse ameaçar o poder americano. Defendendo também que os valores americanos seriam universais, que seriam um padrão a ser seguido por todos os povos. “Um único modelo sustentável para o êxito de uma nação: liberdade, democracia e livre iniciativa.” (BUSH, 2003).

Buscando legitimar a invasão ao Iraque em 2003, foram defendidas as justificativas da produção de arsenal nuclear para destruição em massa, e uma suposta ligação entre Hussein e Bin Laden para o ataque de 11 de setembro, que nunca foram comprovadas publicamente. O ataque preventivo seria justificado caso essa ligação fosse provada, mas Bin Laden combatia não só os EUA e a influencia ocidental como também os governos árabes seculares, como o governo de Saddam. O Iraque não colocariam em risco sua própria cabeça para ajudar um inimigo. A ameaça terrorista serviu como justificativa para os interesses americanos, recebendo o apoio dos cidadãos fragilizados e comovidos com os atentados, tendo que na realidade a invasão e o 11 de setembro não tiveram relação direta.

Essa invasão sem explicações impondo sofrimento cruel a civis inocentes e indefesos assistindo a exibição de armas poderosas de alta destruição, deixando o país destruído economicamente, socialmente, politicamente e militarmente acaba por semear regimes totalitários, treinamentos terroristas, e surgimento de grupos extremista revolucionários. “O fracasso das operações militares poderia levar a um novo Vietnã e a criação de um terreno cada vez mais favorável a formação de coalizões anti-hegemônicas e um distanciamento profundo da sociedade e do governo dentro do país.” (PECEQUILO, Cristina.) A guerra ao terror acabou se tornando um dos doze trabalhos de do semi-deus da mitologia grega Hércules, trabalho esse de enfrentar a Hydra, criatura que de cinco cabeças e para cada cabeças cortada nasciam mais duas no lugar, quanto mais se caçam os lideres terroristas e eliminam eles, acaba surgindo outros novos e mais poderosos.



Terrorismo: conceitos e definições

As definições e conceitos sobre terrorismo atuais não entram em concordância nos debates acadêmicos, passando a não existir assim um conceito unânime para definir o que é o terrorismo em suma, e com o aumento da letalidade e violência das ações terroristas no contexto contemporâneo dificultam ainda mais a criação de um conceito amplamente aceito sobre o assunto. Trataremos então do terrorismo como tática de guerra onde o combate não é travado em batalha. O terrorismo é uma guerra psicológica, onde é decidida em níveis estratégicos e também mentais, demandando o combate de inimigos não estatais, com propósito explicito de vitimar o maior numero de inocentes possíveis, necessitando de poucos agentes envolvidos e com um custo físico mais barato se comparado aos custo da ação militar organizada. Com uso intenso de conexões internacionais, vinculo com crime organizado, trafico de drogas e lavagem de dinheiro. Para fundamentar as ações terroristas as causas pode ser revolta política, movimento religioso ou levante social. Usando a ameaça de violência, gerando pânico e medo, para coagir, persuadir e ganha a atenção publica para seus idéias. Na definição de Wardlaw terrorismo seria:

Terrorism is the use, or threat of use, of violence by an individual or a group, whether acting for or in oppositon to established authority, when such action is designed to create extreme anxiety and/or fear-inducing effects in a target group large than the immediate victims with the purpose of coercing that group into accending to the political demands of the perpetrators. ( Wardlaw 1982).

O terrorismo configura assim uma forma de guerra estratégica que tem como a maior a arma o medo, deixando o inimigo em estado de choque nas vitimas imediatas e nas posteriores que tomarem conhecimento do ocorrido através dos noticiários, jornais e diversos outros meios de comunicação, envolvendo um número cada vez maior.

Existe diferença entre “ação terrorista”, “terrorismo”, e “grupo terrorista”. A primeira refere o ato que pode ser praticado, ou de forma sistemática, ou esporadicamente, por qualquer agente, político ou não, quando no uso da violência. A segunda refere‑se a uma forma particular de violência, que se objetiva na prática de “ações terroristas” com finalidade expressamente política. A terceira designa aquele grupo, alegadamente político, que elege a ação terrorista como forma única ou, no mínimo, largamente predominante, da sua prática da violência.
O terrorismo e as redes sociais

O uso das redes sociais proporcionam um aumento na velocidade em que as informações circulam, os grupos terroristas encontram uma nova ferramenta para espalhar as ações e, conseqüentemente, proliferar o terror e as suas causas com agilidade e para um número de pessoas cada vez maior tornando esse medo mais difundido entre todos que tem acesso a rede de internet. A mídia é, ao mesmo tempo, tanto uma causa para o terrorismo quanto um meio de comoção da sociedade para o alcance de certos fins políticos, além de medir e revelar a eficácia de um ataque terrorista no tocante às suas consequências. A mídia representa um meio pelo fato de gerar um forte impacto psicológico nas massas, fazendo com que quanto maior for o número de vítimas e os danos à infraestrutura do local atingido, mais trágico e mais insuperável o choque, maior a probabilidade de uma atenção midiática mais intensa e uma maior chance de consequências favoráveis aos objetivos pretendidos. Então a internet com uso das redes sociais provasse como uma ferramenta valiosa para os terrorista.

“A pureza ideológica do Estado islâmico tem uma virtude compensadora que nos permite prever algumas ações do grupo... Por contraste, o ISIS abre livremente seus planos, não todos eles, mas o suficiente para que se escutando atentamente, possamos deduzir as intenções de governo e expansão.” (The New York times). Isso é possível graças aos pronunciamentos e discurso divulgados pelos mesmos nas redes sociais. Outro papel importante que o terrorismo pelas redes sócias assume é a provocação a America, com os vídeos de homem encapuzados de preto referem-se ao Presidente Obama pelo nome, e ameaçam a morte de um civil americano, tentando trazer a America para guerra.
Papel da Securitização no terrorismo

A securitização constrói ameaças a partir do campo de consenso entre os locutores e receptores da mensagem, onde o locutor goza de uma posição superior.(Waever) O discurso e a mídia tem um papel essência na disseminação na construção de um risco a segurança dos indivíduos. Mas e algo que só funciona quando a audiência aceita esse mensagem e passa a determinar um lugar especifico ou um contexto especifico como nocivo para a sua segurança. A mídia e o discurso serviram perfeitamente como condições auxiliadoras e facilitadoras, para fazer o intermédio entre locutores e receptores, mobilizando-os e os comovendo de forma ultra veloz. O tempo é marcado pelo drama relatado, seus personagens e a moral da historia, todos ouvem e contam historias em todos os lugares em todos os tempos, criando assim um inimigo comum para a segurança dos individuo.


A democracia como modelo ideal

As sociedades democráticas estão empenhadas nos valores da tolerância, da cooperação e do compromisso. As democracias reconhecem que chegar a um consenso requer compromisso e que isto nem sempre é realizável. Nas palavras de Mahatma Gandhi, “a intolerância é em si uma forma de violência e um obstáculo ao desenvolvimento do verdadeiro espírito democrático”. As democracias entendem que uma das suas principais funções é proteger direitos humanos fundamentais como a liberdade de expressão e de religião, o direito a proteção legal igual, e a oportunidade de organizar e participar plenamente na vida política, econômica e cultural da sociedade.” (Departamento de Estado dos EUA). A democracia é o conjunto princípios que tem como ideal proteger a liberdade dos seres humanos, diferentemente do que é observado nas ocupação americana a liberdade não é protegida, caracterizando assim um imperialismo ditador de regras por via das formas militares.

“A intervenção trata-se fundamentalmente da ingerência de um Estado nos negócios internos ou internacionais de outro, sendo ambos soberanos, com o fim de um impor sua vontade sobre o outro. O dever de os Estados se absterem de intervir nos assuntos internos dos demais representa o colorário do princípio da independência e da igualdade entre Estados, e reúne diversas regras específicas sobre a competência jurídica e a responsabilidade dos Estados.”(BROWNLIE, 1997, p.313). Não se pode simplesmente invadir a casa do outro, quebrando a autoridade dele e ditar as suas regras, impondo o seu modo de fazer. O que funciona para alguns estados pode não funcionar para outros, e pelos princípios democráticos de liberdade os mesmo deveria ser livres para escolher as regras, princípios e valores que quer que a sua sociedade siga.

"Por toda a sua conversa grandiosa sobre o estabelecimento no Iraque um exemplo brilhante para o mundo árabe, o governo tem até agora não foi dispostos a dedicar as tropas ou recursos necessários para a tarefa. O recente afluxo de jihadistas na esperança de tirar proveito do caos no Iraque, a fim de fazer com ele "o novo Afeganistão", sugere uma outra possibilidade de que o Iraque, longe de se tornar um símbolo da promessa de democracia no Oriente Médio, pode ficar aflita com um de baixo nível e guerra nacionalista prolongado com os islamitas usaria para atrair recrutas e construir seu movimento politicamente, enquanto eles usam de terror e outras táticas de guerrilha para sangrar e diminuir os Estados Unidos e enfraquecer a sua posição no Oriente Médio.1” A tentativa de impor uma democracia no Iraque na base da força militar imperialista não foi bem sucedida, e ao contrario do que se planejava se implementou o caos na região.



Definindo o Estado Islâmico

O Estado Islâmico é uma organização política e militar que atua com um alto teor de extremismo no Oriente médio. Baseados na teologia da Sharia (Lei Síria) eles não diferenciam governo de religião, praticando o islamismos com única e principal doutrina onde os que não seguem seus ensinamentos e vontades são denominados de Takfir (Ateu), tendo como castigo para os que praticam a heresia é a morte. Depois da invasão ao Iraque em 2003 e da guerra civil Síria em 2013, o caos dominou a região, e começaram a surgir grupos de extremistas. O vazio existencial deixado pelas varias guerras e intervenções na região do oriente médio acaba sendo preenchido pela pulsão em tornar real o ideal de retirar a ocupação do ocidente na base da força, e instaurar o seu estado de direito com os fundamentos do islã para isso se às vezes é necessário qualquer custo e a despeito de qualquer obstáculo, motivando aos que queiram seguir o mesmo ideal através do discurso religioso onde os inimigos estão invadindo a terra santa. Em 29 de junho de 2014, primeiro dia de Ramadan, o Estado Islâmico se alto declarou um Califado e Abu Bark al-Baghdadi como califa, clamando pela lealdade imediata de todos os mulçumanos no mundo.

Muito bem organizados politicamente, estão divididos em nove consulados. O consulado de liderança; que faz as leis e toma decisões políticas. O consulado Shura, que trata de assuntos militares e políticos de acordo com a lei Sharia. O consulado militar, organiza os guerrilheiros. O consulado legal, regulariza as infrações religiosas e disputas familiares, recruta seguidores e dita as punições. O consulado de segurança, faz o controle de território e as execuções. O consulado de inteligência, repassa informações estratégicas para os demais consulados. O consulado de finanças organiza o dinheiro arrecadado com a venda de petróleo. O consulado de assistência aos guerrilheiros, organiza os jihadistas que vem de outros estados para se alistar. O consulado de mídia, organiza os pronunciamentos, e a exposição dos vídeos na internet.(Wall Street Jornal).
Objetivos do ISIS

"Nosso objetivo é estabelecer na Estado islâmico que não reconhece fronteiras, sobre a metodologia Profético.”2 (Al-Baghdadi,2013) O Estado islâmico tem metas de curto, médio e longo prazo.3 Os de curto prazo são consolidar as áreas de controle, capturar e dominar mais territórios na região da Síria e do Iraque. Tentando alcançar essas metas massacrando a população civil que eles declaram takfir onde e quando eles podem fazer. Os de médio prazo é expandir o território de dominação para a vizinhança próxima de estados sunitas. Parece que a Arábia Saudita e a Jordânia serão os próximos alvos.³ E os de longo prazo o estabelecimento da Sharia na dominação mundial. Este grupo pretende redesenhar as fronteiras reclamando direitos sobre o território e neste local estabelecer um estado islâmico com fundamentalismo no islamismo que busca pelo islamismo perfeito e puro, buscando fielmente sua raízes, o sonho de uma nova sociedade. Onde a violência é um meio justificável para se alcançar um fim sagrado. Fascinado com o enredo e motivados pela fé e pela vontade em comum de criar a nova a elaboração de uma narrativa para se obter as metas tem um peso e um porte enorme amadurece ao longo do tempo e adquire com o tempo a solidez de uma rocha entre os ouvintes.

Discurso de esperança esse que pode chegar aos ouvidos de pessoas que estão ainda sofrendo com o caos e devastação das guerra, invasões e revoltas civil, trazendo para força para o grupo ao recrutar jovens, desempregados e enfurecidos com a ocupação americana e com as dificuldades que ela trouxe para a vida dessas pessoas. Gerando assim um choque de vontades, os americano defendendo seus interesses e os “rebeldes” querendo dirigir os ocidentais para fora do oriente. E para isso eles começam a agir com inteligência, observam as tropas americana e através do conhecimento adquirido vendo a ação da tropas americanas eles estão se organizando melhor, aprendendo novas técnicas, adaptando suas táticas e procedimentos assim se tornando menos amadores, mais coordenados e mais sofisticados.(DANNER, Mark, 2003)

O ISIS é Terrorista?

"Como um grupo armado vinculado ao artigo 3º comum às Convenções de Genebra e do direito internacional consuetudinário, ISIS violou suas obrigações para com os civis e pessoas fora de combate, no montante de crimes de guerra. Em áreas onde ISIS estabeleceu um controlo eficaz, ISIS tem negado sistematicamente os direitos humanos e as liberdades fundamentais e no contexto do seu ataque contra a população civil, perpetrou crimes contra a humanidade."(ONU, 2014)4

O Estado islâmico usa de tática de medo, de forma extremista para alcançar seus objetivos de modo que qualquer ato violento é justificado em nome do seu ideal religioso. Usando da internet para postar vídeos de agressão violenta contra crianças, jovens e adultos das mais diversas formas torturantes, eles espalham para uma enorme quantidade de pessoas em todo o globo terrestre difundindo o medo, tornando o grupo conhecido e temido pela brutalidade de seus atos. Esse conhecimento de suas ações fazem as preocupações que giram em torno deles ficarem mais alarmantes.

“...Este terror foi infligido por uma imposição sistemática das restrições aos direitos e liberdades fundamentais, por intermédio da Comissão generalizada de violações de direito internacional humanitário e crimes de guerra, incluindo a condenação e as execuções sem o devido processo, matando, mutilando, estupro, violência sexual, forçado gravidez, tortura, tratamento cruel, o uso e recrutamento de crianças, e ultrajes à dignidade pessoal.” (ONU, 2014)5.

Com base em todas essas informações prévias podemos classificar o ISIS como um grupo terrorista, que executam atos inumanos de tortura e violência, tais com: estupro, escravidão sexual, crucificação, mutilação e carbonização dessa forma brutal atentando contra os diretos humanos, e causando pânico na sociedade mundial.
Financiamento do ISIS

“Depois de assumir o controle do ISIS em 2010, Al-baghdadi estabeleceu um consulado de comando financeiro... em 2014 a complexa rede de extorsão estava gerando 12 milhões de dólares por mês.6” (LISTER, 2014) A região da Síria e do Iraque é muito valiosa por questões naturais, questões essas que vale um enorme interesse financeiro, por que este recurso natural e nada mais, nada menos que petróleo. Então seguindo uma linha de raciocínio rápida, que domina a área domina o petróleo e obtém a riqueza provinda da venda desse petróleo, convertida em dinheiro por sua vez serve para custear as necessidades armamentistas do grupo. “Mas em agosto de 2014, analistas energéticos estimaram que o grupo estava vendo uma quantidade de 70,000 barris de petróleo por dia da Síria e do Iraque ( por $26-$35 dólares por barril de óleo bruto e por $60 dólares o de óleo refinado) para compradores do mercado negro internacional, no Iraque, Líbano, Turquia, e Curdistão. Estes cálculos por dia resultam em $1-3 milhões de dólares, que em 12 meses forma uma quantidade de $365 milhões – 1.1 bilhão de dólares.”7(LINSTER,2014) Capital financeiro suficiente para manter o ISIS em atividade por bastante tempo, muito bem armado.




Influência do ISIS fora do Oriente médio

A julgar pelas estatísticas recentes, não são susceptíveis de ser, pelo menos, 15.000 combatentes estrangeiros na Síria e no Iraque a partir de pelo menos 90 países diferentes.8” (LISTER, 2014) Mais uma vez a mídia, e as redes sociais tem sido uma parceira para recrutamentos em massa e simpatizantes com as causas e ideais do ISIS, vindo de vários países diferentes para tornarem-se “jihadistas” ou mártires. Ajudando assim cada vez mais a crescer o numero do contingente de guerrilheiros do ISIS. Seus pronunciamentos na internet provocam o “envenenamento” das pessoas em outros países conquistando seguidores através da dissuasão e encorajando-os a não ter medo de se juntarem ao grupo ou de seguir o ideal.

Mas passa a se configurar um perigo maior do que o número de recrutado que vem para os territórios controlados pelo ISIS, este perigo são os estrangeiros “blowbacks” aqueles que vão para a Síria ou Iraque e retornam para o seu país de origem. “ A escala de recrutamento dos guerrilheiros estrangeiros para a Síria e Iraque foi tão extensiva que as agencias de inteligência Ocidental deve priorizar isso agora. Em vez de manter um esforço de inteligência ampla focada na prevenção indivíduos de viajar para a Síria e do Iraque, uma abordagem mais eficiente e eficaz seria concentrar especificamente sobre a (menor número) de pessoas que viajam de volta para os países ocidentais.9


Considerações finais

É notável que o Oriente médio é um palco para conflitos, sejam religiosos, estratégicos ou econômico haverá sempre interesses que entraram em discordância por forças maiores ou menores, de curta ou de longa duração. Assim tendo uma enorme influência nas relações internacionais. Nesta analise observamos na história que as intervenções de forma imperialista provocaram o surgimento, e alimentam a atuação deste novo grupo terrorista, um alto risco que é interpretado como ameaça aos valores humanos de soberania, princípios e a vida.

As intervenções americanas na região do Oriente médio criaram um vácuo existencial, uma grande ferida, e já tínhamos como um pré resultado que não se venceria a guerra sem derramar uma lagrima, nem sem criar novos inimigos que pela força das dificuldades as eles impostas iriam se organizar, transformando esse vácuo existencial em perturbação da ordem entre governo e sociedade, e a insurgência destes grupos de guerrilha revolucionários, que juntos por um ideal, acabam construindo um grupo maior com um fundamentalismo na doutrina da religião islâmica, com uso de ações altamente extremistas que podem ser consideradas terrorismo por ferir os diretos humanos. As falhas decisões políticas pode ter resultados não esperados, e danos incalculáveis gerando assim novas dificuldades. Na política, nem amigos ou inimigos são permanentes, mas as lembranças, principalmente as associadas arrogância do poder hegemônico, á perda de influência e margem de manobra e á submissão são duradouras.” (PECEQUILO, Cristina.) Assim a política pode ser uma faca de dois gumes, as ações tomadas hoje podem provocar um efeito inesperado no amanhã, e os que foram aliados poderão ser inimigos quando os idéias estiverem traçando metas divergentes.

“Ao considerar as medidas para combater o crescimento do ISIS e, eventualmente, para derrotá-lo por completo, é preciso tratá-lo como mais do que uma organização terrorista. A contra-estratégia deve incorporar a prática de contra-terrorismo, mas também envolver aspectos da política econômica, política, diplomática, social e religiosa. Efetivamente conter o ISIS vai levar um longo tempo e, crucialmente, vai exigir atores locais, tomando a liderança com o apoio dos países ocidentais, e não vice-versa .”(LISTER, 2014)10.

A resolução desta ocorrência devera ser muito mais do que táticas de contra terrorismo e conflitos diretos, nos encontramos diante de uma ameaça real á paz e a estabilidade mundial e vai ser necessário o envolvimento de vários atores para solucionar esse caso, a começar pelo combate do ISIS nas redes sociais, os atores políticos e diplomáticos devem ter um grande empenho. Com as dificuldades de prever um final para o fato em decorrência e a insatisfação com as possibilidades oferecidas pelas teorias convencionais de relações internacionais para avaliar e analisar o uso da corrente violência na política mundial, seja por atores estatais ou não-estatais. Estamos longe de encontrar uma solução imediata pôs as teorias dominantes limitam a analise dos problemas cada vez mais complexos que caracterizam a realidade internacional atual a compreensão das variáveis tradicionais de interesse e poder que motivam as condutas dos estados.

As teorias de relações internacionais foram sempre essências para determinar o lugar do outro no mundo moderno,ou seja, sempre partiram de pressupostos e tiveram implicações éticas indispensáveis para a legitimidade do poder em nome do qual falavam. Com o fim da guerra fria e a proliferação dos meios de violência em conflitos que envolvem grupos étnicos, grupos armados a serviço de organizações criminosas, terroristas, companhia de mercenários, guerrilhas, etc., a regulação da violência política tornou-se um ponto critico da agenda internacional.(NOGUEIRA, 2004).

As relações internacionais contemporânea vai voltar mais uma vez diante dessa nova situação, seus estudos para as resoluções de conflitos e “peacemaking” para reproduzir no globo terrestre mais uma vez a preservação da paz e da segurança internacional de todos os seus atores participantes. Enquanto isso a confusão permanece o poder para se chegar a uma solução vai ficar nas capacidades das grandes potencias mundiais. Este trabalho pretendeu levantar como surgiu o ISIS, e com base na história procurar os envolvidos, as causas, motivações e objetivos do grupo, e uma analise de como ficara delineada as relações internacionais a partir do ocorrido em diante.

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Acesso em: 26 de Fevereiro de 2015. http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/08/140812_iraque_estado_islamico_dg


BROWNLIE, Ian. Princípios de direito internacional público. Lisboa: Fundação Calouste Gubenkian, 1997.

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DANNER, Mark. Iraq: The New War. 25 de Setembro de 2003

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LISTER, Charles. Profiling the Islamic State. Brookings Doha Center Analysis Paper, number 13, Novembro de 2014.

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PECEQUILO, Cristina. O Momento da Verdade. Revista Meridiano 47, Boletim de análises de conjuntura em Relações Internacionais. Nº 32/33 Março – Abril -2003.

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https://www.youtube.com/watch?v=1HzMucorCwo



WILLIAMS, Paul D. Security Studies: An Introduction. 2ND Edition, Routlegde, 2013. 2 Park Square, Milton Park, Abingdon, Oxon, OX14 4RN.


1¹ “For all its grandiose talk about establishing in Iraq a shinning example for the Arab world, the adminstration has so far not been willing to devote the necessary troops or resources to the task. The recent influx of jihdist hoping to take advantage of chaos in Iraq in order to make of it ‘the new afghanistan” suggests another possibility that Iraq, far from becoming a symbol of the promise of democracy in the middle east, may became afflicted with a low-level and prolonged nationalist war wich the islamists would use to attract recruits and build their moviment politicaly, while they use terror and other guerilla tactics to bleed and diminish the United States and weaken its position in the middle east.”(DANNER, Mark. 2003).

2 “Our goal is to establish na Islamic State that doesn’t recognize borders, on the Prophetic methodology” (Al-baghdadi, 2013)

3 The Clarion Project (2014)

4 “As an armed group bound by Common Article 3 of the Geneva Conventions and customary international law, ISIS has violated its obligations toward civilians and persons hors de combat, amounting to war crimes. In areas where ISIS has established effective control, ISIS has systematically denied basic human rights and freedoms and in the context of its attack against the civilian population, has perpetrated crimes against humanity.”(ONU,2014)

5


 ...This terror was inflicted through a systematic imposition of restrictions on basic rights and freedoms and through the widespread commission of international humanitarian law violations and war crimes, including sentencing and executions without due process, killing, mutilation, rape, sexual violence, forced pregnancy, torture, cruel treatment, the use and recruitment of children, and outrages upon personal dignity. (ONU,2014)

6 After assuming ISIS leadership in 2010, Baghdadi established a finacial command council... By 2014 a complex extortion network there was generating $12 million per month.

7 But by late August 2014, energy analysts estimated that the group was selling as much as 70,000 barrels of oil daily from Syria and Iraq (at $26-$35 per barrel of heavy oil and $60 per barrel of light crude) to internal black market customers and external buyers in Iraq, Lebanon, Turkey, and Kurdistan.57 These calculations result in a daily income of $1-3 million, which over 12 months amounts to $365 million-1.1 billion.

8 Judging by recent statistical studies, there are likely to be at least 15,000 foreign fighters in Syria and Iraq from at least 90 different countries. (LISTER,2014)

9 The scale of foreign fighter recruitment into Syria and Iraq has been extensive enough that Western intelligence agencies must now prioritize it. Instead of maintaining a broad intelligence effort focused on preventing individuals from travelling to Syria and Iraq, a more efficient and effective approach would be to concentrate specifically on the (smaller number of) individuals travelling back to Western countries.

10 When considering measures to counter IS’s growth and eventually to defeat it altogether, one must treat it as more than a terrorist organization. A counter-strategy mus incorporate counter-terrorism practice but also involve aspects of economic, political, diplomatic, social, and religious policy. Effectively countering IS Will take a long time and, crucially, will require local actors taking the lead with the support of Western states, not vice-versa



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