O crescimento da china no mercado mundial e os seus impactos para o brasileiro



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2.3 Conclusão


De acordo com o que foi mostrado neste capítulo, podemos ver primeiramente que o desenvolvimento Chinês se deu através de políticas iniciadas a partir de 1978 e que adotaram uma estratégia política de direcionar os esforços para o desenvolvimento econômico e levar adiante uma política de reformas e abertura econômica. Mas diferentemente das demais economias, a China seguiu um caminho de abertura gradual, em que ao mesmo tempo que protegia as suas indústrias, liberava áreas limitadas para as importações. Como foi visto, foram essas reformas que tornaram a China uma das principais economias em crescimento no período atual.

Na análise dos panoramas econômicos do Brasil e China podemos ver uma estabilidade nas variáveis econômicas chinesas, com o país mantendo um crescimento relativamente estável durante todo o período, enquanto o Brasil teve bastantes flutuações nessas duas últimas décadas.

Um dos principais pontos para o desenvolvimento Chinês é dado pela elevada formação de poupança, pelos elevados investimentos diretos externos e pela direção da economia, voltada ao comércio exterior.

Em relação ao comércio sino-brasileiro, mostrou-se que este vem crescendo a elevadas taxas desde 1999, devido ao aumento da demanda chinesa por produtos de base. Dado isso, conclui-se que a estratégia política internacional do Brasil para os próximos anos deve incluir a China em suas prioridades. Para tanto é imprescindível estudar o comportamento do comércio internacional chinês e sua influência nas importações e exportações brasileiras. Tal estudo será realizado no capítulo subseqüente.



3. ANÁLISE DO COMÉRCIO INTERNACIONAL


Esse capítulo 3 visa analisar os impactos do crescimento da China para o comércio exterior brasileiro. Para tal análise, foi adotado um modelo econométrico chamado de modelo gravitacional de comércio. Segue-se assim, neste capítulo uma breve fundamentação teórica do modelo, logo após serão expostas a proposta do trabalho, a metodologia e a aplicação econométrica. Para finalizar, será feita uma conclusão dos resultados obtidos.

3.1 Fundamentação Teórica da Equação Gravitacional

Pode-se dizer que o modelo gravitacional do comércio é uma derivação do modelo gravitacional de Newton formulado em 1687, onde a atração entre dois corpos (F) é diretamente proporcional ao produto de suas massas (m) e inversamente proporcional ao quadrado da distância (d) entre eles.





Em 1962, Jan Tinbergen propôs que a mesma função gravitacional de Newton poderia ser aplicada para o comércio internacional, onde o comércio entre eles dependeria diretamente de suas massas (PIB) e inversamente as suas distâncias. Esse modelo começou a ser aplicado, com sucesso, para um grande número de outras interações sociais, como imigração e investimento direto externo. Uma equação preliminar pode ser dada para as interações sociais como segue abaixo.




Fij consiste no fluxo de comércio da origem i para o destino j; Mi e Mj são respectivamente o tamanho das economias dos dois locais; D é a distância entre eles; e G a constante.

Usando-se logaritmos, essa função pode ser convertida numa forma linear de análise econométrica, dada por:


  1. ln (Fluxo de comércio bilateral) = α + βln(PIB país1) + βln(PIB país2) – βln(distância) + ε

Apesar do sucesso empírico dessa equação em explicar o comércio bilateral, essa metodologia foi criticada pela falta de fundamentação teórica.



Assim, Linnemann em 1966 tentou dar uma fundamentação teórica ao modelo. Ele fez uma extensão do trabalho de Tinbergen, com o objetivo de analisar o que determinava os fluxos bilaterais de comércio. Na sua fundamentação teórica ele usou um modelo de formato Walrasiano que trabalha com três produtos e três países. O autor supôs que cada produto é produzido em um único país, dessa forma, três funções de demanda e uma de oferta são definidas para cada bem. No seu modelo, ele apresenta três tipos de variáveis independentes: o custo de transporte, a população e a renda. Linnemann chegou a um formato final da equação dada por:



onde, Xij são as importações do país i do país j; Y a renda; N a população; D a distância e P fatores preferenciais. “Linnemann chamou essa formalização de quase-Walrasiana porque em um modelo Walrasiano típico não se estuda o tamanho das transações entre as duas partes. Segundo ele, os modelos de equilíbrio geral a la Walrás determinam somente a oferta externa total e a demanda externa total, e não a magnitude dos fluxos comerciais”.( MORAIS, 2005, p.26).



Essa tentativa de fundamentação recebeu várias críticas por abusar das hipóteses ad hoc,e segundo Bergstrand (1985, pg. 474), “critics have argued that this approach is ‘loose’ and does not explain the multiplicative functional form”.

Uma segunda linha de fundamentação surgiu inserindo os fluxos comerciais numa estrutura probabilística. Se considerarmos Zi o total das importações do país i e T como o somatório dos Zi de todos os países (T = Ʃi Zi), então assume a forma de uma distribuição probabilística do comércio mundial. Alternativamente, é o potencial de comércio. Dessa forma, a probabilidade de ocorrer o comércio entre o país i e o j é dada por: . A expectativa do tamanho do comércio dado T é . O termo T é considerando como uma constante em estudos cross-section, assim, pode ser negligenciado e a variável distância (D), que causa uma resistência ao comércio, pode ser acrescentada ao modelo, obtendo-se a equação gravitacional.

Essa formalização também recebeu críticas pelo fato de usar apenas a matemática e omitir fundamentos econômicos.

Dada essa insatisfação com as fundamentações teóricas feitas em trabalhos anteriores, Anderson (1979) escreveu A Theoretical Foundation for the Gravity Equation, com o objetivo de explicar teoricamente a equação gravitacional aplicada as commodities.

Ele parte de um sistema mais simples, onde cada país é especializado na produção de um único bem comercializável. Nessa forma mais simples ele deriva a equação de um rearranjo do sistema de gastos de Cobb-Douglas. Nesse modelo, não existe tarifas ou custos de transporte.

A fração da renda gasta em produtos do país i é representada por bi e é a mesma para todos os países. Assim, o consumo do bem i pelo país j, isto é, as importações, é dada por:



onde, Yj é a renda no país j.

Uma vez que a renda deve ser igual as vendas totais, temos:



Substituindo-se bi na equação (5) temos:




Assim, obtemos a forma mais simples do modelo gravitacional.

Depois desse modelo simples, ele parte para um modelo misto, em que supõe que cada país produz dois bens: um bem comercializável e um bem não comercializável. Anderson constata que a quota da despesa nacional gasta com bens comercializáveis tem uma grande variação a nível mundial e esta pode então ser representada como uma função não identificada do rendimento e da população, sendo ϕj = F(Yj, N j). Assim, ele obtêm:




Com F(Yi, Ni) tomando uma forma log-linear, esta equação toma a forma de uma equação gravitacional, com o termo que representa a distância suprimido e um termo de escala adicionado.

Para finalizar, Anderson abandona a hipótese de que cada país produzia apenas um tipo de bem. Assim, vários bens estariam sendo comercializados entre o país i e j, com tarifas sendo cobradas por cada país e custos de transporte, essas duas variáveis que dificultam o comércio vão ser representadas pela distância entre os países. As preferências entre os bens comercializáveis são idênticas entre os países e são homothetic, e que continua sendo uma função da renda e da população. Os produtos passam a ser diferenciados por local de origem, e será a distância a determinar a quota de exportações de cada país, sendo a distância negativamente relacionada com o fluxo de comércio. Dessa forma, a equação gravitacional derivada por Anderson agora é dada por:






Para Anderson, como m e ϕ são uma função log-linear da renda e da população, esta equação é igual à equação gravitacional básica




  1. ()

com três diferenças: “First, (9) is an aggregate equation rather than commodity specific. Second, is not a log-linear function. Finally, the square bracket term is missing in (10)”(Anderson, 1979, pg. 113). Anderson interpreta isso explicando que o fluxo de comércio entre i e j depende da “distância econômica” entre esses países em relação a uma média ponderada das “distâncias econômicas” de i para todos os pontos do sistema.



Outra importante fundamentação teórica foi dada por Bergstrand em 1985. O objetivo de Bergstrand ao escrever esse artigo foi desenvolver uma fundamentação microeconômica para a equação gravitacional. É através das funções de utilidade e produção que se gera a forma multiplicativa da equação. Ele deriva um modelo de equilíbrio geral assumindo a existência de um único fator de produção em cada país. Assim, o equilíbrio se dá quando o volume total do comércio (Xij ) for igual a demanda ( e a oferta ( do comércio mundial.

  1. Xij = = i, j = 1, ..., N

Ele desenvolve uma equação geral, mas que não é, segundo ele, uma equação gravitacional, uma vez que, por definição, “A bilateral trade flow equation must include exporter and importer incomes as exogenous variables to be a gravity model.” (Bergstrand, 1985, pg.475).

Em seguida Bergstrand mostra que a equação gravitacional pode ser obtida fazendo-se certas suposições.

A primeira suposição é que o mercado agregado do comércio de i para j é relativamente pequeno em relação a outros mercados observando a seguinte relação: N2 – 1. Essa suposição permite uma forma reduzida da equação bilateral de comércio com Yi e Yj sendo exógenos. Em conseqüência os preços também podem ser tratados como exógenos.

A segunda suposição admite as funções de utilidade e produção idênticas através dos países, o que assegura parâmetros na equação iguais através de todos os países. Deriva-se assim uma equação gravitacional generalizada sendo esta uma função das rendas da origem e do destino, do custo de transporte, do nível da renda da origem e do destino, do custo de transporte e dos preços.

A equação deduzida é complexa e bastante diferente das equações gravitacionais utilizadas em trabalhos empíricos, o próprio Bregstrand modifica a equação na aplicação empírica que efetua.

A Bergstrand pertence o mérito de atribuir às variáveis utilizadas e aos coeficientes estimados interpretações econômicas concretas.

Vários outros autores procuraram dar fundamentação teórica para o modelo gravitacional, o que fez Frankel (apud, BARCELOS NETO et al. 2006) afirmar que a equação gravitacional passou de uma falta para um excesso de fundamentação teórica. O presente trabalho apenas apresentou os modelos de Anderson (1979) e Bergstrand (1985), por considerar estes os pioneiros e mais importantes, uma vez que conseguem derivar um modelo que se aproxima dos modelos gravitacionais mais correntes.



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