O crescimento da china no mercado mundial e os seus impactos para o brasileiro


Economia Chinesa e Brasileira 1990 - 2007



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2.2 Economia Chinesa e Brasileira 1990 - 2007

A Tabela 1 mostra o desempenho econômico do Brasil e China no período de 1990 a 2007, considerando-se a taxa de crescimento do PIB, do PIB per capita e da população. A média de crescimento do Brasil foi de 2,56% e 0,57% para o PIB e PIB per capita respectivamente e para a China de 10,57% e 8,18%. Os dados mostram um excepcional desempenho da China nessas duas últimas décadas. O maior crescimento da China se dá no período de 1992 a 1995, com taxas acima de 10% ao ano. Esse forte crescimento volta a ser apresentado a partir de 2004 até o último ano em análise. Já o Brasil apresenta taxa de crescimento bastante inconstante, sendo destaque os anos de 1994, 2004 e 2007 onde o PIB cresceu a taxa de 5% ao ano. Em relação ao PIB per capita, que leva em conta o crescimento da população, podemos perceber que o crescimento Chinês esta se dando de forma bem mais rápida que a taxa de crescimento populacional, esta que vem apresentando uma queda significativa nos últimos anos, tendo uma média de crescimento de 0,97% nas duas últimas décadas. No Brasil a média da taxa de crescimento populacional ficou em torno de 1,56%, sendo observadas várias oscilações da taxa de crescimento do PIB per capita, apresentando estagnação no começo e final da década de 90.



Tabela 1- Crescimento econômico e populacional do Brasil e China – 1990 a 2007.

 

BRASIL

CHINA

Taxa de crescimento do PIB

(% anual)

Taxa de crescimento do PIB per capita

(% anual)

Taxa de crescimento da populaçional (% anual)

Taxa de crescimento do PIB

(% anual)

Taxa de crescimento do PIB per capita

(% anual)

Taxa de crescimento da populaçional (% anual)

1990

-4.30

-5.9

1.72

3.80

2.3

1.47

1991

0.94

-0.3

1.65

9.20

7.7

1.36

1992

-0.37

-2.0

1.58

14.20

12.8

1.23

1993

4.66

3.3

1.53

14.00

12.7

1.15

1994

5.35

4.3

1.51

13.10

11.8

1.13

1995

4.40

2.7

1.51

10.90

9.7

1.09

1996

2.11

1.2

1.51

10.00

8.9

1.05

1997

3.33

1.8

1.51

9.30

8.2

1.02

1998

0

-1.4

1.50

7.80

6.8

0.96

1999

0.31

-0.7

1.49

7.60

6.6

0.95

2000

4.29

2.8

1.47

8.40

7.6

0.71

2001

1.32

-0.1

1.45

8.30

7.5

0.73

2002

2.61

0.5

1.43

9.10

8.4

0.67

2003

1.27

-0.8

1.41

10.00

9.3

0.62

2004

5.72

3.5

1.38

10.10

9.4

0.60

2005

2.90

0.9

1.35

10.40

9.5

0.64

2006

3.72

 

1.33

11.60

 

0.56

2007

5.42

 

1.20

11.90

 

0.62

Fonte: Dados Brutos: World Bank. Elaboração própria.
Fazendo-se uma análise setorial podemos ver uma grande diferença na estrutura econômica entre os dois países, como é mostrado na Tabela 2. No Brasil se verifica uma perda de participação, ao longo das duas últimas décadas, do setor agrícola, representando em 2007, 4,95% do PIB. O setor industrial apresentou um leve aumento de participação no início da década de 90, mas após 1994 sua participação no PIB caiu bastante, voltando a apresentar um leve aumento a partir de 2004. O principal setor da economia brasileira apresenta-se, assim, sendo o setor de serviços, representando 66,18% de média na participação no PIB nas duas últimas décadas.

Já a estrutura da economia chinesa apresenta o setor industrial como o principal setor da economia, que vem mantendo uma participação média de 45,80% no PIB. O setor agrícola apresenta uma queda na participação ao longo dos anos enquanto o setor de serviços aumenta sua participação.

Essa configuração da estrutura econômica chinesa é de certa forma compatível e explicada pela ênfase dada para a exportação no seu processo de desenvolvimento e o importante papel que os investimentos tiveram.

Tabela 2 - Participação setorial no PIB do Brasil e China – 1990 a 2007



 

Brasil

 

 

China

 

 

Parte superior do formulário

AnoParte inferior do formulário

Agricultura (% do PIB)

Indústria (% do PIB)

Serviços (% PIB)

Agricultura (% do PIB)

Indústria (% do PIB)

Serviços (% PIB)

 1990

8.10 

38.69 

53.21 

27.05 

41.61 

31.34 

 1991

7.79 

36.16 

56.05 

24.46 

42.11 

33.43 

 1992

7.72 

38.70 

53.58 

21.77 

43.92 

34.31 

 1993

7.56 

41.61 

50.83 

19.49 

46.57 

33.94 

 1994

9.85 

40.00 

50.15 

19.65 

46.57 

33.78 

 1995

5.77 

27.53 

66.70 

19.77 

47.17 

33.05 

 1996

5.51 

25.98 

68.50 

19.51 

47.54 

32.95 

 1997

5.40 

26.13 

68.47 

18.06 

47.54 

34.40 

 1998

5.52 

25.66 

68.82 

17.32 

46.21 

36.47 

 1999

5.47 

25.95 

68.58 

16.22 

45.76 

38.02 

 2000

5.60 

27.73 

66.67 

14.83 

45.92 

39.25 

 2001

5.97 

26.92 

67.10 

14.15 

45.15 

40.70 

 2002

6.62 

27.05 

66.33 

13.50 

44.79 

41.72 

 2003

7.39 

27.85 

64.77 

12.57 

45.97 

41.46 

 2004

6.91 

30.11 

62.97 

13.11 

46.23 

40.67 

 2005

5.65 

30.34 

64.01 

12.55 

47.52 

39.94 

 2006

5.15 

30.90 

63.95 

11.66 

48.13 

40.21 

 2007

4.95 

30.58 

64.47Parte inferior do formulário

..  

..  

..  

Fonte: Dados Brutos: World Bank. Elaboração própria.
Dessa forma, para se entender os condicionantes do elevado crescimento econômico chinês é preciso levar em consideração a sua taxa de poupança e investimento, que como é mostrado no Gráfico 1 é bem superior às outras economias em desenvolvimento.

Os dados de Formação Bruta de Capital Fixo (FBKF) são importantes, pois indicam se a capacidade de produção do país está crescendo, assim como a confiança dos empresários em relação ao futuro.

Na China a FBKF tem variado pouco ao longo das duas últimas décadas, permanecendo sempre com elevadas taxas numa média de 39,60%.

No Brasil, mesmo com a recuperação econômica a partir de 1994 a FBKF vem se reduzindo progressivamente, atingindo em 2006 o índice mais baixo em comparação às outras economias. Isso se deve às incertezas da economia brasileira que impossibilitam a projeção dos retornos futuros por parte dos empresários.


Gráfico 1 - Comparação da Formação Bruta de Capital Fixo das economias em desenvolvimento



Fonte: Dados Brutos:World Bank. Elaboração própria.


Um dos elementos chave para o processo de desenvolvimento da China, como visto anteriormente, foi a atração de Investimento Estrangeiro. De acordo com o Gráfico 2, pode notar-se, a partir de 1992, uma aceleração na entrada de IDEs na China. Em 1999 e 2000 o volume de IDEs declinou um pouco, mas ainda contabilizaram quase US$ 40 bilhões, um volume bastante alto. A partir de 2003 pode notar-se uma nova aceleração, com destaque para o ano de 2005 onde o crescimento do volume de IDE foi 30,5% maior que o ano de 2004, atingindo um valor de US$79.126.731 bilhões.

Notadamente o Brasil tem um volume muito menor que o apresentado pela China. Ainda assim, de acordo com dados da UNCTAD (2006), o Brasil é um dos maiores receptores de IDEs entre os países em desenvolvimento, junto com China, Hong Kong (China), México e Singapura.



O Brasil apresenta, um período de crescimento no volume de entrada de IDEs de 1996 até 2000, logo após, começou a ocorrer uma queda no volume de investimentos, permanecendo numa média de US$ 16,5 bilhões nesses últimos anos.
Gráfico 2 - Investimento Direto Externo

Fonte: Dados Brutos: WorlBank. Elaboração própria.


Toda essa evolução macroeconômica da China gerou reflexos sobre as variáveis externas da economia, até porque um dos componentes essenciais para a transformação da China foi dado pela suas relações econômicas com o exterior. Segundo Vieira (2006), “Uma das características que tem marcado o desempenho econômico e o ajuste das contas externas na China está atrelada à obtenção de recorrentes superávits comerciais nas últimas décadas, situação distinta de várias economias emergentes que em diferentes momentos têm problemas na conta corrente”.

Como mostrado na Tabela 3 abaixo, podemos ver uma evolução das exportações e das importações chinesas. Em 2006 as exportações chegam a representar quase 40% do PIB, enquanto as importações 32%. Refletindo essa evolução favorável das exportações, o saldo da balança de transações correntes tem sido positivo em quase todos os anos, apenas com exceção em 1993. Para esse rápido crescimento das exportações tem contribuído uma política cambial de desvalorização da moeda que assegura a competitividade internacional da China.

No Brasil, se verifica um período ruim após a estabilização da economia, onde a moeda permaneceu sobrevalorizada, o que fez com que o Brasil obtivesse um déficit até o ano de 2000. Após a crise cambial de 1999 e a conseqüente desvalorização da moeda, o Brasil passou a obter saldos positivos na balança comercial.

Em relação ao comércio sino-brasileiro, este apresentou um grande salto nas últimas décadas. A China aumentou muito a sua demanda por matérias-primas e impulsionadas por isso, as exportações brasileiras para a China cresceram cerca de 97,45% de 1990 até agora.

O Gráfico 3 mostra uma trajetória de intercâmbio comercial ascendente, principalmente a partir da última década. Desde então o Brasil vem aumentando as suas exportações para a China, que coincide com o aumento da demanda chinesa por produtos de base. O comércio bilateral tem resultado em superávits comerciais brasileiros desde 2001, entretanto, a partir de 2003 as importações da China começaram a apresentar uma elevada aceleração e vem diminuindo esse saldo positivo nos últimos anos.

Tabela 3 - Exportações, Importações e Saldo Comercial da China e Brasil 1990- 2006.



China

exportações

% do PIB

importações

% PIB

Saldo

Parte superior do formulário

1990Parte inferior do formulário



Parte superior do formulário

62.091.391.501 Parte inferior do formulário



19.2 

53.345.121.297

15.7 

8.746.270.204

 1991

Parte superior do formulário

71.842.514.590 Parte inferior do formulário



21.0 

63.790.621.602

17.3 

8.051.892.988

 1992

Parte superior do formulário

84.940.015.164 Parte inferior do formulário



22.5 

80.585.300.523

20.7 

4.354.714.641

 1993

Parte superior do formulário

91.743.948.346 Parte inferior do formulário



23.3 

103.958.939.693

25.4 

-12.214.991.347

 1994

Parte superior do formulário

121.006.259.433 Parte inferior do formulário



24.6 

115.613.601.803

22.7 

5.392.657.630

 1995

Parte superior do formulário

148.779.499.983 Parte inferior do formulário



23.1 

132.083.499.604

20.9 

16.696.000.379

 1996

Parte superior do formulário

151.047.461.759 Parte inferior do formulário



20.1 

138.832.734.845

18.0 

12.214.726.914

 1997

Parte superior do formulário

182.791.584.798 Parte inferior do formulário



21.8 

142.370.324.066

17.3 

40.421.260.732

 1998

Parte superior do formulário

183.808.987.822 Parte inferior do formulário



20.3 

140.236.765.269

16.0 

43.572.222.553

 1999

Parte superior do formulário

194.930.778.542 Parte inferior do formulário



20.4 

165.699.066.576

17.6 

29.231.711.966

 2000

Parte superior do formulário

249.202.551.015 Parte inferior do formulário



23.3 

225.093.731.030

20.9 

24.108.819.985

 2001

Parte superior do formulário

266.098.208.590 Parte inferior do formulário



22.6 

243.552.880.618

20.5 

22.545.327.972

 2002

Parte superior do formulário

325.595.969.765 Parte inferior do formulário



25.1 

295.170.104.110

22.6 

30.425.865.655

 2003

Parte superior do formulário

438.227.767.355 Parte inferior do formulário



29.6 

412.759.796.407 Parte inferior do formulário

27.4 

25.467.970.948

 2004

Parte superior do formulário

593.325.581.430 Parte inferior do formulário



34.0 

561.228.747.993

31.4 

32.096.833.437

 2005

Parte superior do formulário

761.953.409.531 Parte inferior do formulário



37.3 

659.952.762.119

31.7 

102.000.647.412

 2006

Parte superior do formulário

968.935.601.013 Parte inferior do formulário



39.9 

791.460.867.850 Parte inferior do formulário

32.1 

177.474.733.163Parte inferior do formulário

Brasil




Parte superior do formulário

1990Parte inferior do formulário



31.411.257.344

8.2 

22.458.519.552

7.0 

8.952.737.792

 1991

31.621.120.000

8.7 

22.976.327.680

7.9 

8.644.792.320

 1992

35.975.315.456

10.9 

22.345.572.352

8.4 

13.629.743.104

 1993

38.700.838.912

10.5 

27.299.446.784

9.1 

11.401.392.128

 1994

43.557.826.560

9.5 

35.508.473.856

9.2 

8.049.352.704

 1995

46.504.931.328

7.3 

53.734.285.312

8.8 

-7.229.353.984

 1996

47.745.933.312

6.6 

56.729.460.736

8.4 

-8.983.527.424

 1997

52.985.810.944

6.8 

65.074.597.888

9.0 

-12.088.786.944

 1998

51.119.869.952

6.9 

60.793.118.720

8.9 

-9.673.248.768

 1999

48.011.410.609

9.4 

51.747.393.438

10.8 

-3.735.982.829

 2000

55.118.913.952

10.0 

55.850.546.401

11.7 

-731.632.449

 2001

58.286.592.791

12.2 

55.601.756.872

13.5 

2.684.835.919

 2002

60.438.649.875 Parte inferior do formulário

14.1 

47.242.654.093 Parte inferior do formulário

12.6 

13.195.995.782

 2003

73.203.221.846

15.0 

48.325.649.661

12.1 

24.877.572.185

 2004

96.677.246.370

16.4 

62.835.613.536

12.5 

33.841.632.834

 2005

118.528.688.118

15.1 

73.600.375.464

11.5 

44.928.312.654

 2006

137.806.190.344 Parte inferior do formulário

14.7 

91.342.783.548 Parte inferior do formulário

11.7 

46.463.406.796

Fonte: Dados Brutos: UN Comtrade. Elaboração própria.
Gráfico 3 – Evolução do comércio Sino - brasileiro

Fonte: Dados Brutos:UN Comtrade. Elaboração própria.





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