O amor nunca morre Camila Sampaio Pelo espírito Ronaldo Sinopse


- Sinto dizer, Carlos, mas sua esposa está realmente alucinando. Não é normal continuar ouvindo vozes com tanta medicação, já estou dando até anti psicótico para ela



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- Sinto dizer, Carlos, mas sua esposa está realmente alucinando. Não é normal continuar ouvindo vozes com tanta medicação, já estou dando até anti psicótico para ela.

- Obrigado, doutor Parente. Tenho fé que uma hora minha esposa vai se recuperar, e agradeço toda a ajuda que o senhor está prestando.

A ida à casa de dona Eulália se fazia urgente. Mas algo sempre o impedia.

Chegando em casa naquela noite Carlos disse:

- Oi meu amor, trouxe os remédios.

Você sabe como funciona, todo tratamento espiritual precisa da ajuda do tratamento físico em casos mais graves.

Depois de dar o beijo de boa noite e tomar os remédios, Mariana ficou

entregue novamente aos seus pensamentos. E tentava sempre se motivar.

- É, só me resta fé que um dia vai passar! – ela sempre repetia para si mesma.

Capítulo 13

Mergulho

Os dias foram passando, e Mariana foi obrigada a assumir que realmente

precisava de ajuda e de um tempo para reagir.

- Querida, por favor, come essa sopinha que fiz para você. Fiz com tanto carinho...

- Não quero.

- Mariana, essa situação já está passando dos limites. Assim não é

possível!

- Leva essa porcaria daqui! – ela gritou, jogando a sopa longe e sujando todo o quarto.

- Deus me dê forças para aguentar essa situação...

Suzette exultava. Como Mariana estava entregue às energias, sabia que

nem precisava mais dos serviços de Pedro. Pelo menos o pequeno Murilo passou a ser poupado, e todas as atenções obsessivas recaíram sobre Mariana.

- Mas chefinha, pensei que Mariana fosse boníssima!

- E é, meu querido. Mas é médium que não trabalha. Assim, deixa todas as brechas abertas para a gente fazer a festa por aqui! Mesmo eu, que sou vida passada, acabo tendo entrada para fazer o que bem entendo!

- Pois é, chefinha, o povo é cheio de achar que só obsessor tem vez no campo da maldade. Graças a isso eu me divirto com meus implantes astrais, e a senhora reina soberana!

- Mari, você precisa reagir!

- EU NÃO CONSIGO!!!

À noite, sozinha, Mariana pensava:



- Sei que ainda tenho a escolha de reagir. Mas acho que estou desistindo mesmo. Será que vale a pena viver o resto da vida com essa tristeza consumindo meu peito? Que tipo de vida é essa? Não é melhor morrer logo? Nesses momentos ela se lembrava de tudo que já tinha lido sobre suicidas sofrendo no vale, e dos atendimentos que presenciara no centro de sua mãe. O grande problema é que o nível de sofrimento que ela presenciara e lera estava chegando ao mesmo nível do seu. Então, para que continuar?

A maior preocupação de Ciça era a negligência, era que eles estivessem

deixando de fazer algo. Ela até discutiu isso com seu terapeuta, que era espírita também:

- Cecília, já atendi muito casos parecidos aqui no consultório. Alguns inclusive se mataram. É muito difícil ajudar, especialmente se a pessoa não aceita.

- Gustavo, você acha que eu não estou fazendo algo?

- Pelo que você me conta, não é esse o problema. O que acredito que você e Carlos precisam trabalhar internamente é a aceitação. Quem manda na vida de Mariana é ela, tudo irá ocorrer conforme o que ela definir. E não há nada que vocês possam fazer em relação a isso. E, sem dúvida, essa é a parte mais difícil.

- E se ela for embora?

- Ela irá ser cuidada pelos seus mentores. A prova é dela, não sua. Você não pode resolver a situação por ela.

- Não, Mari sempre foi uma pessoa carinhosa, querida, amada por todos. Ela está agressiva e insuportável no momento, mas não é assim.

- Então, minha querida, o que resta é esperar. Esperar que ela encontre a cura dentro dela mesma.

- Assim espero... tenho medo que eles se separem.

- Carlos também é forte. Tenha fé.

Capítulo 14

Abismo de tristeza

Os dias passavam e a vida de Mariana parecia estar ruindo a olhos vistos. Ela sequer se levantava da cama. Carlos tinha que carregá-la ao banheiro para o banho e a higiene pessoal. Foi necessário atendimento médico domiciliar com alimentação via intravenosa, pois ela se recusava a comer qualquer alimento. Carlos mal podia acreditar no que via. - Ciça, eu não sei mais o que fazer. Não é mais a Mari! Mas toda a minha intuição diz que devemos ser firmes com ela e esperar.



- É muito difícil esperar nessa situação! Eu morro de medo que ela faça uma besteira!

- Eu tenho um bom dinheiro guardado, então estou pensando em tirar férias e ficar com ela – disse Ciça.

- Não, não posso admitir que você se prejudique assim. Porque não deixa eu te pagar o que pagaria para uma enfermeira?

- De jeito nenhum, Carlos! Mari é como uma irmã para mim!

Mariana estava em um tremendo conflito interno. Só conseguia pensar em morrer, fazia planos e ficava pensando qual metodologia iria usar: faca, se jogar de algum lugar alto, tiro, cortar os pulsos, se jogar na frente de um caminhão ou tomar veneno.

Como sabia que iria ficar no astral repetindo por um bom tempo o método que escolhesse, pensava qual seria menos doloroso. A opção que lhe parecia mais viável era cortar os pulsos. Ela já tinha inclusive ouvido falar que o corte tinha que ser vertical, para morrer mais rápido.

Esses eram os pensamentos diários de Mariana. E mal sabia ela que um

grupo considerável de espíritos suicidas estava por ali fazendo companhia para Suzette e Emir. Afinal, agora sim a tradicional afinidade vibratória se fez e um verdadeiro bolsão a rondava, esperando por companhia.

- Sofia, por que não posso saber onde eles estão? Não quero o mal de Mariana, mas não aguento mais essa tristeza!

- Emir, você precisa se libertar desse apego, querido. Você os encontrará na hora certa, é sempre necessário que respeitemos o fluxo natural das coisas. Mas posso te adiantar que eles estão bem mais perto do que você pensa! Esse teu comportamento apenas os afasta mais...

- Mas eu não consigo fazer diferente! Preciso saber deles!

Todas as noites que Mariana se lembrava de rezar antes de dormir, Sofia a embalava no colo.



- Calma, minha querida – Sofia dizia, enquanto velava o sono de sua

protegida. Tudo está acontecendo como tem que ser, você verá depois. Estou aqui ao seu lado, e daqui nunca sairei!

Ao acordar, Mariana sentia uma onda de carinho e sorria. Mas logo a

tristeza voltava, os pensamentos repetitivos e o desespero interno.



- Ciça, andei pensando: não é possível simplesmente me sentir assim, devastada emocionalmente. Tem que haver alguma explicação.

- Explicação tem, Mari. Mas você precisa de ajuda especializada. Toda a parte afetiva estamos fazendo, mas a parte espiritual precisa de um atendimento treinado e profundo.

- Ih, lá vem você de novo...

- O que eu sei é que vale a pena pelo menos tentar. E olha, Mari, por mais que a gente te ame, paciência tem limite. O mundo não pode parar porque você decidiu assim, sabia?

- Eu sabia, sou mesmo um estorvo...

- Se continuar assim, você vai acabar se tornando um. É o que você quer?

Ciça foi para casa chorando, respirar um pouco. Era muito difícil ser dura

com a amiga naquele estado, mas alguém tinha que falar o que ela precisava ouvir. O problema era o preço emocional que a própria Ciça estava pagando por isso – cada vez maior.

- Ela tem que aceitar ajuda... não sei como irão ficar as coisas se continuar assim!
Capítulo 15

Traição

Carlos decidiu buscar ajuda mesmo sem a colaboração de Mariana.



- Alô, Ciça? Tudo bom, é Carlos.

Você pode me dar o endereço da Dona Eulália e os horários de atendimento?

Obrigado por não

abandonar Mariana, mesmo com todas as grosserias que ela te fez.

- Pois nem a família dela está tendo paciência com a situação. E olha que meus sogros e cunhados são pessoas boníssimas, que sempre me trataram a pão de ló. Eu sei, ela está intratável mesmo, nem sei como tenho aguentado.

- Bom, posso passar aí amanhã às quatro? Vou ligar para dona Eulália e ver se posso marcar um horário em particular com ela, para não precisarmos expor o caso.

- Está ótimo. Estarei te esperando.

Nem cinco minutos se passaram, e um vaso voou na parede ao lado dele, quebrando em mil pedaços.



- Eu sabia, Carlos! Você está me traindo! E com a minha melhor amiga! Como vocês tiveram coragem?

- Mari, você está fora da sua razão normal. Você sabe muito bem que te amo e que jamais faria isso! Estava marcando com a Ciça para irmos na Dona Eulália, buscar ajuda para você.

- E você pensa que me engana com essa conversa mole? Vocês vão é fazer tudo de novo comigo. Que raiva, que ódio! Ao lado de Mariana estava Katy, uma jovem inglesa do século XVI. Ela estava furiosa, e praticamente pegava o braço de Mariana para ajudá-la a mirar melhor. Uma verdadeira entrada triunfal para a terceira vida aflorada.

Na sua época, em 1545, Katy era uma linda moça debutante. Loira, com

cabelos cacheados, dona de lindos vestidos e muitas criadas para mimá-la e fazer tudo a seu agrado. Sua família a levou ao seu primeiro baile e ela foi apresentada ao futuro noivo. O casamento em sua época era arranjado, mas, por sorte, imediatamente ela se apaixonou. Richard era lindo, alto, charmoso, muito disputado entre as damas da corte.

A família de Katy não era muito rica, mas eles tinham uma vida

confortável. O pai tinha economizado a vida toda para o dote de sua única filha, e estava muito feliz em poder financiar um casamento com um bom rapaz, da corte. Katy inclusive seria responsável pela ascensão social da família toda, já que Richard era bem abastado. Um acordo político satisfatório para ambos, pois Katy era muito bonita e seria um belo cartão de visitas. Katy passava os dias sonhando com seu casamento. Andava pela casa pensando em todos os detalhes, resolvendo tudo com sua melhor amiga, Amy. O vestido, as flores, o local. Toda a cidade estaria presente! Amy morava na casa ao lado, as duas eram amigas desde pequenas, absolutamente grudadas. Amy passou a viver um grande conflito, pois sem saber quem era o prometido de sua amiga, já tinha se envolvido com Richard antes do tal baile. Se fosse só isso, ela rapidamente terminaria o romance e deixaria o caminho livre. Mas no decorrer dos dias, ela foi percebendo que estava grávida de Richard. E o que é pior: os dois se amavam e não conseguiam parar de se encontrar às escondidas.

Quando pequena, Amy ficou órfã, e acabou sendo adotada por seus tios.

Na época, alguém com um histórico desses dificilmente conseguiria um bom casamento, mas o que mais tornava difícil esse caso é que a família de Richard e de Katy eram muito amigas e não aceitariam um casamento com Amy. A data do casamento estava chegando, uma decisão era necessária, mas ninguém tinha coragem de tomá-la. Amy assistia Katy empolgadíssima com seu lindo vestido, e corria para o quarto chorando de desespero. Quando os dois se encontravam escondido, conversavam muito sobre o que fazer.

- Richard, eu não aguento mais. Ela é minha melhor amiga! Como posso fazer isso com ela?

- Eu não sei mais o que fazer, querida. Gosto de Katy, mas amo você. Não posso te abandonar assim, o que vai ser dessa criança? Em breve sua barriga vai aparecer, o que vamos fazer, como vamos explicar aos seus tios? Eles podem até te matar!

Os dois choravam abraçados, completamente apavorados. Amy sentia a

criança dentro do seu ventre como se estivesse encolhidinha, não querendo atrapalhar. Mas o estrago já estava feito. Na véspera da festa, Richard foi buscar Amy na calada da noite, e juntos resolveram fugir para longe. Amy deixou uma carta explicando tudo que aconteceu, chorando muito. Mas acabou decidindo fugir, principalmente em nome do filho que carregava no ventre. A carta dizia: “Querida e amada Katy, sei que nem posso ousar pedir o seu perdão pelo sofrimento que farei você passar. Mas quero pelo menos explicar o que aconteceu, e estou pronta para

assumir as consequências. Conheci Richard antes de você, e nunca pretendi que nada disso acontecesse. Quando soube do noivado estava pronta para revelar tudo e me afastar, até me mudar de cidade. Mas logo soube da minha gravidez. E, além disso, Richard e eu nos amamos. Por mais difícil que seja te magoar, decidimos dar uma chance de vida

para essa criança que carrego no ventre. Por favor, esqueça tudo isso, case com outro rapaz e seja muito feliz. Eu sempre te amarei, apesar de saber que você sempre irá me odiar. Eu mereço. Com amor, Amy”

No dia seguinte, em meio às confusões dos preparativos, Katy só deu falta de Amy quase na hora de entrar na Igreja. Quando entrou no seu quarto e encontrou a carta, ela nem pensou: se matou na mesma hora, correndo e se jogando de um penhasco, vestida de noiva e tudo.

A desgraça foi geral, e quando Amy ouviu dizer o que tinha acontecido,

nunca conseguiu se perdoar. Nesta vida Amy, que agora era Ciça, sabia antes de encarnar que em determinado momento toda aquela disputa viria à tona, e que agora ela deveria se posicionar para ajudar o casal a permanecer junto. Quando Carlos ligou novamente, pedindo para ir à casa de dona Eulália sozinho, Ciça sentiu gelar a espinha. Sabia que algo terrível estava acontecendo e que de alguma forma aquilo a envolvia. Logo sentou e fez sentida prece:

- Senhor, minha intuição diz que fiz muito mal a esse casal no passado.

Que o Senhor permita que dessa vez eu possa me redimir e ajudar. Eu te perdoo e peço perdão, eu me perdoo e perdoo a situação. Senhor, mande luz para o coração de Mariana, para que ela perceba que só quero o bem dela! Katy entrou desdobrada no quarto, atraída pelos pensamentos de Ciça. Chorou muito, pois percebeu que dessa vez a amiga estava arrependida e sendo sincera. Mas logo veio Suzette atrás dela:



- E você vai esquecer assim fácil? Lembra de todo o tempo que ficou caindo daquele penhasco sem parar? Lembra de quando ficou lá, sozinha e abandonada, sem ninguém para te ajudar? Agora é a sua chance de vingança!

- Não vou deixar meu marido se afastar de mim e ficar com ela, farei o que precisar!

Capítulo 16

O mundo espiritual

Depois da briga horrível que tiveram, sabia que teria que fazer aquilo sozinho. Para não provocar mais o que quer que fosse que estivesse acompanhando sua esposa, decidiu não chamar Ciça e ir direto falar com dona Eulália.

Ao chegar à Casa Espírita de Apometria Luz do Senhor, a impressão foi

das melhores. Dona Eulália marcou um horário especial para recebê-lo e já o esperava com um largo sorriso. Ela era uma senhora de seus setenta anos, com cabelos bem cuidados, parecia uma avó acolhedora. Imediatamente Carlos simpatizou com ela e sentiu que era uma pessoa do bem.



- Seja bem vindo, Carlos! É um prazer recebê-lo.

- Dona Eulália!

Carlos estava nos limites de suas forças. Aos soluços, abraçou a gentil

senhora, que apenas retribuiu com carinho sem nada dizer. Após deixá-lo chorar livremente por quase meia hora, Carlos conseguiu se controlar.

- Carlos, por se tratar de um caso grave, eu tomei a liberdade de já

consultar nossos mentores antes de encontrá-lo, para poder te dar informações mais precisas.

- O caso de Mariana não é uma obsessão comum - disse dona Eulália. Ela está sofrendo do que chamamos de auto-obsessão, que é a obsessão causada pelas nossas próprias vidas passadas.



- É nessa parte que queria a sua ajuda, dona Eulália: como as nossas vidas podem nos fazer mal, se já passaram?

- Funciona assim: no decorrer de nossas existências, vamos passando por uma série de experiências, umas boas, outras ruins. As boas são a base que vamos formando, a nossa conquista evolutiva. As ruins são partes que ainda não conseguimos resolver, que ficaram pendentes. Aos poucos vamos reencarnando e cuidando dessas pendências, como se fosse uma lição de casa acumulada, sabe?

- E onde entra exatamente a auto-obsessão?

- Uma parte que vem sendo estudada mais a fundo recentemente é a autoobsessão. Estamos já familiarizados com todo o processo obsessivo. Mas pode acontecer um processo interessante quando temos vidas passadas com pendências como essas que te

falei, elas podem ficar dissociadas no nosso psiquismo, como se fossem terceiras pessoas.

- No caso de Mariana, a mentora dela me informou que ela ficou com uma defasagem evolutiva em relação a você, por uma razão específica: por quatro vidas ela cometeu suicídio.

- Quatro vidas? Meu Deus! Então ela vai se matar de novo!

- Calma, é justamente para evitar isso que iremos trabalhar.

A grande maioria de nós já cometeu um ou mais suicídios no passado.

- Normalmente o suicida é uma pessoa com grandes problemas em relação à aceitação. As dificuldades chegam e a tendência deles é fugir. Além da dificuldade de aceitar, o suicida também tem a auto estima muito baixa. Ele não acredita ser capaz de resolver seus problemas. Acredita que seu sofrimento é sem fim, é destituído de esperança. O tipo de depressão e auto-obsessão de Mariana é um dos mais difíceis de ser entendidos pelos familiares. É a obsessão que foi iniciada por um gatilho, uma situação de passado.

Segundo o que me foi contado por Sofia os sintomas de Mariana começaram após um quase acidente de carro, não foi?

- Sim, é verdade.

- Foi nesse dia que a primeira vida passada aflorou. Ela se chama Suzette e se matou jogando uma carruagem em disparada na direção de uma árvore. É a líder das vidas passadas.

No caso, essas quatro vidas passadas de Mariana querem que ela cometa o suicídio de novo, cada uma por um interesse particular. A forma de tratar isso é trazer cada uma dessas vidas para tratamento. Conforme ocorre a sintonia com o médium, o doutrinador consegue entender qual é o motivo da perseguição e esclarecer o que é necessário.

- Conforme vamos passando pelas experiências dolorosas em nossas vidas, vamos nos harmonizando. Mas se ficaram pendências, elas precisam ser resolvidas o quanto antes.

- Mas o que pode ser feito para ajudar então no caso dela, se ela sequer aceita vir aqui e está tão agressiva?

- Temos que agir com calma e cuidado. Você vem fazendo um ótimo

trabalho, segundo tudo que Sofia me contou. Sofia é a mentora de Mariana.

- Ah, é? Que bom, agora já sei para quem rezar!

- Uma coisa que é importante entender e ter claro: pode ser que, por mais esforços que empreendamos, ela chegue a consumar o suicídio. E isso não será culpa de ninguém, será uma escolha dela.

- Você precisa manter o otimismo. Você, mais do que ninguém, sabe que essa não é a verdadeira Mariana.

Capítulo 17

Atendimento

Dona Eulália continuou explicando como trabalhava. Ela coordenava a

casa havia dez anos, tinha uma equipe de 50 trabalhadores e atendia em média 40 pessoas por noite.

- Cada pessoa tem um histórico kármico pessoal, Carlos. É feita uma

proposta encarnatória específica para essa vida. Quando a pessoa vai encarnar, é feita uma reunião onde é discutido com detalhes qual será a missão da pessoa, que pendências ela precisa resolver, qual é o seu grau de maturidade, que ritmo pode ser dado para seu desenvolvimento. No caso dela, foi definido que ela teria uma vida tranquila e feliz. Em determinado momento todos os problemas viriam à tona de uma vez. Como já era sabido que ela teria seu apoio e de todos a sua volta – inclusive o meu – foi decidido que esse afloramento de conteúdo seria súbito. Assim, ela também levaria um susto e buscaria ajuda de forma mais rápida e eficiente.

- Carlos, quase 100% das pessoas com tendências suicidas são tratadas por terceiros inicialmente. Como uma das características da doença é ser autodestrutiva, dificilmente o verdadeiro suicida pede ajuda. Afinal, ele está muito ocupado se destruindo. Nesse sentido, dar a ajuda certa depende muito de observação e sensibilidade por parte da família e amigos.

- Então a família pode ajudar?

- Não só pode como deve. Infelizmente muitos suicídios acontecem por desatenção, falta de carinho ou cansaço da parte da família.

Na cultura que vivemos somos muito incentivados a crescer e cuidar das nossas vidas, sem depender de ninguém. Independência é igual a sucesso. Nas cidades grandes, acabamos nos distanciando tanto das pessoas que mal vemos uns aos outros.

Já cansei de receber aqui pais, irmãos, esposos de suicidas que diziam sempre: “Que coisa, nunca imaginei que ele(a) faria isso.

É comum aparecerem aqui depois do suicídio consumado para tratarem da culpa. Mas a verdade é: para o observador atento, o suicida dá muitos sinais. É comum que fique quieto, introspectivo, com um brilho indefinido nos olhos. Sempre para de falar no futuro. Pede para estar sempre acompanhado. Costuma ficar oscilando entre

agressividade e apatia.

- No caso dela, irão aflorar quatro vidas no total. Até agora já vieram três.

O mais importante é dar suporte para ela nessa crise, até que a vida restante venha e ela possa ter forças para lidar com isso e chegar à harmonia.

- Nossa, é difícil entender toda essa complexidade, mas agora estou

começando a me situar.

Carlos ficou pensando em todas aquelas informações, andando de um lado para o outro cabisbaixo. Até que colocou os pensamentos em ordem. A questão é ajudar Mariana a aceitar ajuda. Se ela, como encarnada, não sair da sintonia suicida, as vidas continuarão sendo alimentadas energeticamente.



- E caso ela aceite, como funciona?

- Ela vem para o atendimento e duplas de médiuns e doutrinadores irão sintonizar as quatro vidas e esclarecê-las – a Apometria possibilita que isso seja feito simultaneamente.

A senhora pode imaginar o que é ter uma esposa alegre, feliz, empolgada com a vida, de repente enfiada em um quarto, triste, chorosa, apática, sem reagir a nada.

- É tudo muito triste, Carlos. Mas tenha fé que isso terá uma solução

breve.

- Agora, com a ajuda da senhora e todos esses esclarecimentos, estou começando a ver a luz no fim do túnel.

Capítulo 18

O sofrimento da família

Empolgadíssimos, Carlos e dona Eulália continuaram a edificante



conversa:

- A senhora disse que o que costuma complicar a situação do suicida, em termos de atitudes familiares, é: falta de carinho, desatenção e cansaço. Eu estou vivenciando tudo e vendo o quanto é difícil. O que não entendo é como posso deixar de ter carinho e ficar cansado com alguém que amo tanto?

- Psicologicamente falando, Carlos, é muito doloroso ver quem mais


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