O amor nunca morre Camila Sampaio Pelo espírito Ronaldo Sinopse


- Gente, será que estou pirando? Virei doente mental?



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- Gente, será que estou pirando? Virei doente mental?

Esse era o maior medo de Mariana: enlouquecer.



Capítulo 6

Primeira ajuda

Carlos decidiu pedir ajuda a seus antigos amigos, do grupo de estudos do qual fizera parte na faculdade. Fez contato com o líder e soube o endereço do centro espírita que eles abriram, que inclusive era próximo da sua casa. Mariana acabou aceitando ir lá para tratamento antes de viajar, pois realmente algo errado estava acontecendo e ela queria resolver logo aquilo, não fazia nem de longe parte do seu perfil ser uma pessoa triste e macambúzia. Só podia ser coisa de espírito obsessor mesmo. Logo chegou sua vez, e após tomar um passe foi encaminhada para a sala de desobsessão.



- Minha irmãzinha, vamos conversar?

- Não quero conversa – gritou Suzette. Não se metam com a minha vida!

- Mas você percebe que não vive mais entre nós? – disse o doutrinador.

- Claro que sim, não sou burra!

- E por que tem acompanhado então a nossa irmã?

- Porque ela vive entre vocês, e eu não posso fazer nada!

- Minha irmã, tudo que você precisa é de descanso. Deite nessa maca e receba a ajuda de nossa equipe. Vá em paz.

Foi explicado a Carlos e Mariana, que não assistiram ao tratamento:

tratava-se de uma mulher obsediando Mariana, e já estava tudo resolvido. De fato, Mariana se sentia bem mais disposta, como era antes. Agora sim estava pronta para viajar.

Por quatorze dias, Suzette dormiu. Quando acordou percebeu Sofia ao pé de sua cama.



- Por que fui trazida para cá?

- Para dar uma trégua a Mariana.

- Ninguém nunca se preocupou em dar uma trégua para mim!

- Suzette, você só está lembrando a parte que quer da história. Lembra das conversas que teve com Rolland?

- Não sei do que você está falando.

- Então vou te ajudar.

Sofia tocou o chakra frontal de Suzette. Então ela foi se lembrando de tudo o que aconteceu após aquele primeiro encontro. Todos os dias ela saía com Rolland para passear, alegando que queria confessar-se. E todos os dias confessava seu amor a ele. Apesar de também amá-la, Rolland resistia e explicava a ela como deveria proceder. Aquele amor era impossível e ela teria que aceitar. Rolland tinha uma grande determinação nesse sentido, pois seu amor à causa que abraçara era realmente sincero e desprovido de hipocrisias.



- Suzette, você é tão linda, pode ter o homem que quiser a seus pés.

Desista de mim.

- Rolland, você é que tem que desistir dessa batina. Tudo bem, você fez seus votos, mas pode desfazê-los!

Estou enlouquecendo! Penso em você todo o tempo, sem parar!

- Suzette, não seja caprichosa. O amor nunca morre, nós nos

encontraremos depois no Reino do Senhor, se ambos cumprirmos nossas missões.

- Eu não quero esperar tanto!

Estavam os dois sozinhos em um campo florido, e ela apaixonadamente o beijou. O beijo foi tão forte e tão intenso que Rolland correspondeu. Os dois se beijaram com amor e desespero, pois Rolland sabia que aquele seria o primeiro e único beijo que dariam naquela vida.

Carinhosamente, ele a segurou nos braços e disse:

- Guarde esse beijo como prova do meu amor por você. Não nos veremos mais, farei isso pelo seu bem. Um dia você entenderá.

Ele se afastou e quando chegou à Igreja foi falar com seu superior,

pedindo transferência para outra paróquia.

Suzette gritou, se desesperou, implorou, mas foi inútil. Rolland foi para a

clausura e não a recebeu mais, pedindo que ela se confessasse com o padre que o substituiria.

Para ela sua vida tinha acabado.

Suzette pegou uma carruagem e saiu em

desabalada carreira. Tudo que queria era morrer. Conduziu os cavalos até um local de mata fechada e ficou esperando o fim.



- Lembra-se agora, Suzette?

- Sim, Sofia, obrigada por me torturar mais ainda com essas lembranças.

- Não fiz por isso. Rolland cumpriu sua promessa, e lutou muito para reencarnar ao seu lado. Carlos e Mariana hoje são felizes. Por que você, uma vida passada dela, não se sente feliz com isso, e se comporta como uma obsessora?

- Porque ela está vivendo a felicidade que tinha de ser minha! Eu não quero Rolland vivo ao lado dela, eu o quero desencarnado ao meu lado!

-Sim, Suzette, sabemos disso – disse Sofia. Essas explicações foram

apenas para começar o seu processo de entendimento. Você é apenas a primeira etapa do processo de Mariana.

Suzette estava irredutível e não tensionava desistir. Mesmo sabendo que seria assim, às vezes Sofia desanimava. Mas como sabia que não podia se deixar abater, ela logo se recolhia às suas meditações.



- Não posso me deixar dominar por esse cansaço e desânimo, é o que as trevas querem. Quando aceitei o cargo, sabia que não seria fácil. Mas confio no Pai, sei que isso é apenas passageiro. E que preciso estar bem para ser útil.

Sofia recolheu-se em prece, e ficou algumas horas concentrada. Sabia que era necessário proceder assim, para harmonizar sua energia.

Seu orientador, Agenor, observava ao longe.

Capítulo 7

A viagem

Mariana se sentia ótima desde o dia em que foi à casa espírita. Estava

alegre, junto com Ciça, esperando o avião completar o trajeto entre São Paulo e Maceió.

- Ciça, você tinha razão! Tudo que eu precisava era de uma mudança de ares! Sabe que nem faço questão de sair do resort? O lugar é tão lindo que só de ficar no hotel relaxando já estarei feliz!

O lugar realmente era paradisíaco, ela nem podia acreditar que estava ali de graça – até a estadia Ciça conseguiu de presente.

Deitada ali na espreguiçadeira, começou a pensar no quanto era feliz e

abençoada. Tinha uma família maravilhosa, um emprego que amava, era feliz em todos os sentidos.

Pensando nisso, adormeceu. O sol estava forte, mas ela nem se importou. Ficou ali pelo menos uma hora dormindo, sentindo suas energias sendo restauradas.

Acordou com o calor. Levou um grande susto, pois podia jurar ter visto

um homem que a encarava de frente. Mas quando abriu melhor os olhos ele desapareceu. Quem estava chegando era Ciça, trazendo uma água de coco.

- Sonhou de novo, Mari? Era a moça da carruagem?

- Não, essa não vi mais. Desta vez, quando acordei, pensei ter visto um homem na minha frente. Ele parecia um daqueles beduínos árabes, com aqueles panos na cabeça, e me olhava de forma firme.

À noite, as amigas foram jantar e depois assistir um show que o hotel

estava promovendo. Era uma linda dançarina do ventre, que encantava a todos com seus movimentos precisos. Mariana sempre fora apaixonada por dança, mas aquela moça era realmente especial.

Acompanhada no derbake (um instrumento de percussão) por um árabe,

ela rodopiava pelo salão com uma espada na cabeça, fazendo uma dança tradicional. Mariana não conseguia tirar os olhos da espada.

Quase hipnotizada, sua mente a levou para o passado. Uma dançarina

parecida estava dançando no meio da roda, enquanto a tribo de beduínos assistia ensandecida, batendo palmas e se alimentando com tâmaras. Emir olhava a dançarina e já fazia planos para passar a noite com ela. Mas o seu rival, Mustafá, também queria a mesma moça. Os dois resolveram duelar, e Emir ganhou. Não foi fácil, Mustafá era um dos melhores guerreiros da tribo, mas a vontade de Emir de ter a linda dançarina era tão forte que lhe deu motivação.

O casal não passou somente aquela noite juntos. A dançarina, Silsih,

conquistou o amor de Emir e tempos depois eles se casaram. Ela passou a integrar a caravana, e foi a mãe de seus filhos.

Os dois tiveram anos de felicidade casados, criando os filhos. Eram

apaixonados e companheiros, faziam tudo juntos. Mesmo vivendo na dura realidade do deserto, eram felizes.

- Silsih, você é a mulher dos meus sonhos, é como um oásis!

- Alá seja louvado por te trazer para mim como marido, Emir. Vou te amar para sempre e nunca vou te esquecer!

Toda aquela história passou pela frente de Mariana em um segundo e ela deu um grito, assustada. Cecília achou melhor tirar a amiga dali, pois algumas pessoas já estavam intrigadas com seu comportamento.



- Mari, eu acho que o que você tem é espiritual. Eu tenho lido muito sobre isso, estudado mesmo a fundo. Acho que você está tendo lembranças de suas vidas passadas.

- Então, Ciça, você quer dizer que esse homem que vi, e aquela mulher da carruagem, eles são vidas passadas minhas?

- É o que parece. Se fossem só espíritos, e fosse a sua mediunidade

aflorando, as vivências não seriam tão fortes, você não sentiria como se a história fosse sua.

- Mas Ciça, se a vida já passou, por que eu iria sentir as coisas assim, de um jeito tão forte?

- Bom, Mari, eu não sou nenhuma expert no assunto, mas pelo que entendi das leituras podemos ter assuntos inacabados das vidas, e aí elas ficam meio como um capítulo de livro que não foi terminado, sabe?

- E o que eu posso fazer, então?

- Eu conheço um lugar que cuida disso. É uma casa de Apometria, que é uma técnica nova que trata essas coisas. A dirigente de lá chama Dona Eulália, ela é um amor. O que acha de quando voltarmos para São Paulo eu te levar lá?

Ciça fez uma prece sentida, pedindo para o mentor ou mentora de Mariana recolher aquela vida passada para tratamento, até que as duas fossem ao centro.

Graças à intervenção de Sofia, o resto da viagem correu sem problemas.

Capítulo 8

Aliados

Suzette, a moça da carruagem, ainda não sabia que podia viajar

mentalmente, então ficou esperando Mariana em casa. Estava louca para continuar seu trabalho, pois na cabeça dela Mariana tinha que se matar, assim Suzette ficaria com Rolland todo para ela.

Enquanto o casal ficava atualizando as novidades da semana e Mariana

contava todas as maravilhas de Maceió, Suzette pensava em como agir para acabar com aquela felicidade toda. Quando viu os dois falarem das crianças, achou a ideia ótima!

Foi até o leito de Fabrício e Murilo. Observou bem e viu que Murilo era

mais sensível, por ser o mais novo. Resolveu então cobrar uma velha dívida.

Pedro era o especializado em implantes parasitas do grupo. Suzette foi ter com ele, para conseguir seu intento.



- Pedro, como anda seu trabalho com os aparelhos parasitas? Desenvolveu algo novo?

- Ando sempre estudando para aprimorá-los, chefinha. Quem é o alvo dessa vez?

- Murilo, uma criança de sete anos.

- Pode deixar, chefinha!

Nesse momento chegou Emir, o beduíno, a segunda vida passada aflorada de Mariana. Ele entrou no quarto, andando com a cabeça refeita e chorando pela morte de sua mulher e filhos.



- No meu caso, tudo que eu queria era minha mulher e meus filhos. Não sei onde eles reencarnaram. Você sabe?

- Não, não sei. E se soubesse não te diria. Quero que você me ajude a deixar Mariana triste.

Suzette estava feliz com o bom andamento de seus planos. Emir que não

conseguia pensar em outra coisa a não ser sua Silsih.

E a cada dia Mariana se sentia mais triste, com uma saudade profunda no peito, dava até vontade de gritar. Era a dor que Emir não podia evitar. A dor da saudade, do amor perdido, do medo, da falta de aceitação.

Todas as noites ele sentava e olhava para as estrelas, como fazia com sua Silsih. Mariana fazia o mesmo, procurando o que quer que fosse, que nem ela mesma sabia.

Capítulo 9

Atuação das trevas

Pedro rapidamente desenvolveu a espécie de implante astral que faria no

pequeno Murilo.

Já implantara aparelhos magnéticos de todos os tipos: em forma de chip,

normalmente na nuca, pois já trabalhava no próprio cordão de prata e no chakra umeral

No caso de Murilo, Pedro escolheu uma poção líquida, pois seria fácil

atrair as vidas passadas de alcoólatras e preguiçosos para ingeri-la. O efeito no menino seria como ficar bêbado sem nada beber: tonteira, desmaio, dor de cabeça, agressividade, comentários impróprios

- Mamãe, não posso ir na escola hoje. Não sei o que tenho, estou tonto, parece que vou cair.

- Ah, meu filho, de novo querendo inventar doenças para não levantar?

Seu irmão sempre reclama da hora e você inventa pretextos para não ir à aula. Mamãe já te explicou que é preciso!

- Não, mamãe, é serio, eu tô mal mesmo.

Dizendo isso, Murilo tombou no chão, sem conseguir levantar. Mariana,

assustada, chamou Carlos e correu para acudí-lo.

- Mamãe, eu tive um sonho muito estranho essa noite - disse Fabrício, o irmão. Tinha um moço mau aqui no quarto. Ele me olhava de um jeito que dava medo.

- Tudo bem, filho, deve ter sido um pesadelo. Vai agora tomar café, por favor, mamãe precisa cuidar de Murilo.

Mais tarde, à noite, o casal se abraçou depois do dia estressante.



- Carlos, eu fiquei tão assustada. Fiquei com muito medo de perder meu filho, de algo acontecer com ele.

- Eu também, amor. Mas agora ele está melhor, não deve ser nada grave.

- Depois do que a Ciça disse, eu fui hoje numa livraria e comprei tudo que existe sobre auto-obsessão e Apometria.

- Já vi muitos casos acontecerem, mas era um pouco diferente do seu. Normalmente tem algum encarnado envolvido, querendo se intrometer na história e sem escrúpulos, disposto a qualquer coisa.

Suzette estava perto ouvindo, junto com Pedro.



Acabaram de me dar uma brilhante ideia.

No caso dele é a secretária, Claudia, que o ama secretamente. Assim que ela vier vou investir nessa secretária, ela vai ser muito útil para meus planos!

Capítulo 10

Suporte

Só tinha uma coisa que atrapalhava muito a atuação de Suzette e das

equipes trevosas: o amor puro que unia Mariana, Carlos, Fabrício e Murilo. Aquela era realmente uma família feliz: sem fachadas, sem hipocrisias, sem máscaras.

- Por que continuo me sentindo triste? O que mais eu poderia esperar da vida? Não posso deixar que ele perceba!

Carlos olhava ao longe, brincando com Murilo no colo, sorrindo para ela.

E pensava:

- Como a Mari é boba de achar que eu não percebo que ela tá só

disfarçando. Às vezes acho que conheço essa mulher melhor do que me conheço! Eu falo para ela que tudo vai dar certo, mas será que vai mesmo? Será que vai ser algo além do meu alcance?

As incertezas fizeram o padrão vibratório cair, e logo Murilo pulou do

colo do pai gritando:

- Eu odeio vocês! Eu quero que vocês morram! Eu quero morrer!

Os pais, assustadíssimos, correram para ajudar o menino. Como ele estava totalmente fora de si, tiveram que ir embora do parque. Quando chegaram em casa ele dormiu, exausto, depois de muito gritar coisas do gênero e de muitas preces serem proferidas.



Eu não me preocupo com os gritos de Murilo, porque sei que ele está incorporado e que aquilo não é verdade.

- Carlos, como eu disse para a Mari, eu andei estudando e conheço um centro bom de Apometria, o da dona Eulália. Vocês querem ir lá amanhã?

- Claro, Ciça, maravilha!

Carlos e Mariana eram amigos muito queridos de passado. Eles já tinham vivido juntos várias vezes, ocupando os mais diversos papéis. Sofia era da família espiritual daquele grupo, e estava muito feliz por vê-los reagindo. Já Suzette, se pudesse, mandava um esquadrão atrás dela. Mas Sofia estava protegida e não poderia ser alcançada por vibrações pesadas, já estava em outro patamar vibracional. Restava continuar atacando os encarnados e tentar impedir a ida ao centro de Dona Eulália.

Grande parte do que Mariana sentia tinha a ver com a perda traumática de Emir.

Emir, ao lado dela, chorava quase o dia inteiro.

- Alá seja louvado, onde estarão os meus pequenos? Por que a vida é tão cruel a ponto de proibir um pai dedicado de reencontrar os seus? Ela é feliz, mas como posso ser feliz junto com ela? Sofia muitas vezes abraçava Emir e o deixava chorar.

- Emir, sempre que precisar de ajuda lembre-se de mim. Sou solidária à sua dor, pode contar comigo. Por que você não liberta toda essa mágoa e tristeza do seu coração? Sua morte já foi tão triste...

- Não consigo, Sofia. A única finalidade da minha existência é sofrer. Não consigo me permitir ser feliz enquanto não rever minha família. Que tipo de pai e de marido eu seria? Preciso encontrá-los!

E os dias corriam assim: Emir triste, sendo consolado por Sofia. Suzette

mandando as ideias fixas para Mariana e dando ordens à sua equipe. E Mariana sentindo todo o impacto vibracional daquilo tudo.

Capítulo 11

Há tempos

Sofia se lembrou da proposta encarnatória de Mariana, da reunião que foi feita 31 anos antes para definir as principais metas da encarnação dela.



- Sofia, vai ser o máximo, vou saber como vai ser a minha nova vida!

- Estamos aqui reunidos para tratar da encarnação de Mariana. Como você é inteligente e tem bastante entendimento do mundo espiritual, apresentaremos a proposta de uma vez, sem interrupções. Será no Brasil, na cidade de São Paulo. Você reencontrará seu grande amor, Carlos, e dessa vez vocês ficarão juntos sem maiores problemas.

Terão dois lindos filhos, Fabrício e Murilo, e serão uma família muito feliz. O ponto chave dessa encarnação será a auto-obsessão, girando em torno do tema suicídio. Você se matou quatro vezes no decorrer de suas encarnações, e nas quatro estava fugindo da provação que deveria passar para resgatar antigas dívidas. Essas dívidas se acumularam e precisam ser resolvidas agora.

Até os 30 anos sua vida transcorrerá de forma normal e feliz. Os

afloramentos de vidas passadas começarão nesse período, e acontecerão em um período bem curto, apenas meses.

Como você terá amparo de seu marido e de sua grande amiga, Cecília, que estará lá com você, você não irá demorar muito para buscar ajuda, o que irá aliviar a carga das emoções sentidas.

As quatro vidas precisarão vir à tona. Esse processo não poderá ser nem interrompido nem suspenso. Logo, o impacto sentido será quase insuportável. A tendência ao suicídio voltará muito forte, e seu trabalho será justamente não desistir. O ápice da experiência será quando as quatro vidas estiverem atuando juntas: aí a vontade de morrer será absolutamente intensa.

Você terá apoio do seu marido e da sua amiga, além da ajuda espiritual que buscar na Terra. Terá esclarecimento e se lembrará dessa conversa em seus sonhos. Lembre-se: o objetivo é continuar a viver, entender que o amor nunca morre.

Encerrada a reunião, Mariana respirou profundamente.



- Sofia, será que eu conseguirei?

- Claro, Mari. Estarei lá ao seu lado o tempo todo!

- Tenho medo, quando entramos na matéria esquecemos de tudo por aqui.

Mariana olhou para o céu estrelado da colônia, e conectou-se com o Todo, com a Energia Cósmica. Entendeu ali, naquele momento, que era uma alma imortal, e que por mais difícil que fosse a experiência, ela terminaria. E quando terminasse, a alegria seria eterna!

O carma nada mais é do que a lei de ação e reação. Se a ação é boa, a reação também é. Nesse sentido, a volta de Mariana já seria em outro tipo de vibração, já que o foco seria resolver as vidas com suicídio. Ela teria uma vida bem mais harmônica do que o normal das pessoas até chegar a hora de resolver as pendências.

Como só isso já era um grande presente, ela estava bem animada com seu retorno. Começou a passar pela diminuição perispiritual num educandário astral e em breve se transformou em uma linda menina, com olhos brilhantes e curiosidade ímpar.

Quando estava a poucos dias de ir para o útero, gostava de ficar o dia todo mentalizando qual era a sua tarefa:

- Eu não posso desistir, eu não quero desistir, eu não vou desistir!



Capítulo 12

Influências

Mariana continuou sua rotina normal: dando aulas, cuidando da casa, dos filhos e vivenciando a convivência harmoniosa com Carlos.

A doença de Murilo parecia realmente inexplicável, os médicos não

conseguiam entender o que acontecia com o menino. Ele melhorava e piorava, sem qualquer motivo aparente.

Ciça, que estava de folga entre um evento e outro, correu para ajudar a amiga.

- Oi, Mari! – disse Ciça, já trazendo nas mãos uma bandeja com o café da manhã.

- Oi, Ciça... Mariana estava com olheiras quase no meio das bochechas, com um hálito horrível e toda descabelada, enfiada na cama.

- Amiga, que fim de carreira é esse? Pelo amor de Deus, vamos levantar dessa cama!

- Bem que eu queria, mas não consigo... Tô com tanto medo...

- Medo de que?

- Eu não sei o que vai ser de mim desse jeito, Ciça... Eu não consigo

levantar, não sinto vontade nem de tomar banho. Como vou cuidar de todos?

- Bom, Mari, pra começar, você precisa deixar que a gente cuide de você um pouco. Você não quer é assumir que não está bem e nem em condições de fazer as coisas normalmente.

- Pois é, amiga, mas você está lutando contra si mesma. Isso não vai dar certo! Por que não vamos juntas lá no centro da Dona Eulália? Eu até já liguei lá e falei do seu caso, ela me informou os dias de atendimento e disse que somos bem vindas quando quisermos, que se você quiser ela pode até combinar um dia

especial para conversar com você e explicar o que está acontecendo.

- Ciça, não estou gostando dessa conversa. A gente nunca brigou, mas você está me ofendendo! Eu nem te chamei aqui!

Sozinha de novo, Mariana caiu em uma crise de choro, desesperada,

sentindo a tristeza e a vontade de morrer. As ideias vinham claras na sua cabeça:

- Ninguém te ama de verdade, são todos fingidos.

- Essa Ciça aí, ela quer é ficar com o seu marido, ninguém é boazinha assim à toa.

- Essa tristeza não vai acabar nunca, sabia? Ela só vai piorar!

- Você não tem força para lidar com isso. Devia se matar logo.

- Isso, Emir, continue mandando toda a tristeza. Ela não vai aguentar!

- Suzette, nem precisa pedir. Não consigo me sentir diferente. Não vou sossegar enquanto não encontrar minha mulher e meus filhos.

- E eu não vou sossegar enquanto essa palerma não se matar, e eu ficar com Rolland todo para mim!

Os dois faziam marcação cerrada, ficavam o dia todo mandando aquelas

ideias obsessivas. Era para enlouquecer qualquer um. Mas Mariana resistia firme e forte, apesar de todo o impacto que estava sentindo.

A essa altura, o psiquiatra já tinha passado medicação. Mas nem assim

dava resultado, estava realmente difícil. Nem o psiquiatra entendia como ela não melhorava, já que a dose dos remédios estava bem alta. As vozes continuavam e a tristeza era avassaladora.



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