Nos caminhos da vida girlene silva



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CAPÍTULO III

O CASAMENTO

Em 02 de novembro de 1990, lá estava eu no Fórum da comarca da cidade de Gavião na Bahia, estava me casando, era pra está feliz, mais na verdade parecia mais um velório, algo estava estranho, que não amava o Rogério eu já sabia, tinha conhecido recentemente no colégio, garoto demais, era muito bonito, cobiçado por todas as garotas de minha idade, porém um tremendo moleque, eu fui avisada por muitos até mesmo da família dele, mesmo assim não desistir.

Casar naquele momento seria minha melhor atitude, sairia de casa, teria uma nova vida, esses, eram os meus planos, já não aguentava mais viver aquela vida...

O casamento foi simples, apenas pra família e alguns amigos íntimos, mais foi desde o início acontecendo tudo errado, porém finalmente casamos, no começo iríamos ficar em casa, pois minha madrasta tinha ido embora com os meus irmãos, separando-se de meu pai. Meu casamento foi um grande erro, por que nem eu e nem ele sentíamos o principal, o amor. Cada um de nós tinha um objetivo com aquele casamento, eu pra sair de casa, ele achando que estava fazendo um grande investimento financeiro, afinal eu era fazendeira, tinha uma boa situação financeira.

Se antes eu achava que sofria, agora eu sabia o que era sofrimento, por que casei no papel, mais meu esposo só pensava em malandragem e assim estava indo todo o meu dinheiro, depois vieram as traições, extraconjugais, os meus filhos eram a única coisa boa em minha vida.

Sem saber o que fazer, passei a viver depressiva, cheia de traumas, as responsabilidades, eu assumia sozinha, tinha que cuidar da casa, dos filhos, não tinha mais tempo para estudar, todo sacrifício feito pra estudar tinha acabado em nada. A cada dia tinha um endereço diferente, vendendo tudo pra manter a casa, morei em vários lugares, vivi as piores situações, uma vez morando na cidade de Feira de Santana, sempre na Bahia, tive minha casa arrendada de tiros por bandidos querendo o pescoço dele, por se envolver com mulher de bandido, tinha revólver apontado pra minha cabeça, mesmo sem devedora no causo. Assim eu seguia, não tinha coragem de separar, por que meu pai havia me educado pra casar e ser pra sempre, mais nem podia entender completamente, já que até meu pai estava separado, a minha família nunca mais seria a mesma. Lembro-me ainda no início do casamento, não aguentando as humilhações, tomei a atitude de viajar, fui até São Paulo lá conheci uma vida deferente, a civilização, o luxo, o prazer que nunca tinha conhecido, via casais que se amavam, o carinho, e percebi que eu não tinha nada parecido com um casamento...Era tão carente, tão infeliz. Precisava tomar uma atitude inteligente, só que não sabia como, querendo ou não estava casada, mesmo não sendo feliz...

Fui trabalhar em casa de família, por falta de estudo foi o único trabalho que encontrei, dava um duro danado... Apesar de todos os obstáculos que encontrei pela minha vida, apesar dos contratempos que me deparei e até hoje deparo, apesar das portas fechadas que vejo, apesar das dificuldades que enfrento, ainda assim, tenho à esperança. À esperança vive em mim, amanhece comigo, percorre o dia todo e, quando anoitece, ela está ainda mais fortalecida.

Quando os meus pensamentos estão confusos e minhas ideias não são decifráveis, não desisto! Lembro-me da esperança que me move... Quando meu caminho está tortuoso, e minhas chances são diminuídas, lembro- me da esperança que devo ter sempre. Esperança é a certeza de que algo de bom vai acontecer, é a confiança de que tudo vai dar certo. Devemos ter essa esperança, para que não caíamos, para que nosso dia seja menos tumultuado, e para que nosso coração esteja menos pesado.

Por mais nebuloso que fossem os meus dias, eu logo levantava a cabeça, não podia jamais parar de lutar, mesmo que fosse contra a maré, de ser feliz eu não desistiria nunca.

Um belo dia escrevi um bilhetinho ao meu eis amor o José Ribeiro, estava tão perto, tinha se passado quase três anos e não tinha o esquecido, apesar de estar casada, e não demorou pra que eu recebesse, um telefonema e sem pensar duas vezes fui ao seu encontro. Foi muito emocionante, ao revê-lo depois de tanto tempo, desmaiei em seus braços e quando acordei estava no terceiro andar de um prédio, situado na Avenida Sumaré, centro de São Paulo..

Conversamos por um bom tempo, entre lágrimas, pois nosso reencontro já não fazia mais sentido pelo o menos pra mim, pois apesar de não ser feliz, como ele mesmo havia dito, eu era uma mulher casada e tinha que zelar o meu nome, afinal tinha passado por tanto transtorno e não era agora que ia jogar tudo para o alto, nossa conversa foi muito difícil, ele dizia que ainda me amava e que não tinha me esquecido, que ia ser pai, mais pra ele não seria problema, já que poderíamos assumir juntos essa criança... Ele não entendia o por quê de eu não aceitar já que o amava também, mais eu achava que não tinha o direito de entrar na vida daquela futura família, já não fazia mais sentido, aparecer e acabar com os sonhos de pessoas que não tinham nada a ver, com o que nos aconteceu.

Aquela mulher o amava também e aquela criança que estava chegando, precisava de uma família de verdade, pai e mãe juntos e assim dei adeus a ele, decidida na decisão certa, mais fui logo surpreendida com um revólver em minha frente, a, mais ou menos um metro direcionado para a minha cabeça. Apontado pelo meu ex. O qual acabaram de declarar tanto amor.

Naquele momento senti pela primeira vez a morte em minha frente e não sabia nem como lidar, pois eu via um homem chorando, desesperado, sem controle, nem noção, do que estava fazendo, eu era ainda muito jovem, apenas 19 anos, não podia deixar a minha vida ir embora assim, ainda tinha meu pai que me amava e não aguentaria me perder, respirei fundo e pedi a ele que ele abaixasse aquela arma, por que não seria a solução matar e depois morrer, só deixaria as pessoas infelizes, ele ia ser pai, por muito pedir ,ele jo- gou a arma no chão e sem esperar mais um segundo, eu com muito medo, pois um homem apaixonado como ele sem controle é muito perigoso, e desci as escadas correndo até chegar à rua, graças a Deus, pois ali estava salva. Em São Paulo, eu conheci muitas coisas que antes desconhecia, recebi vários convites que me levariam à fama e â realização de meu sonho de ser atriz, mais o vendo o meu sonho tão perto de meu alcance, faltava-me coragem, via que era apenas um sonho de criança e que era bem deferente de meu mundo, agora achava que não era pra...

Naquela época era muito fechada, apesar da inteligência, zelava por demais de meus princípios, lembro-me quando andava pela Penha um bairro no centro de São Paulo, que encontrei com um rapaz que me propôs pousar pra Revista Playboy, nossa fiquei sem saber onde colocava a cara, e na mesma hora simplesmente, pedi que me respeitasse que eu não era daquilo, a minha beleza me levava a certas situações como aquela.

Outro dia encontrando com o pessoal da produção do SBT fui convidada a visitar o teatro do SBT e fazer um teste pra ser dançarina de palco do Silvio Santos, aquele convite me encheu os olhos, mais quando lembrei que iria dançar quase nua pra todo o Brasil me ver, recusei sem me arrepender, eu era muito fiel a minha integridade moral.

Com sete meses voltei pra minha cidade e novamente fui viver apenas por viver, foi nessa época que veio meu filho, dois anos depois minha filha e minha vida era uma tortura só...

Eu queria que meu casamento fosse normal, que o Rogério mudasse, não o amava, mais gostava dele e tinha um grande carinho... Faria o impossível pra ser feliz, só que tudo dava errado, a essa altura estava cada vez mais longe de minha realidade...

Meus esforços eram todos em vão, pois quando menos esperava ele aprontava mais uma, de suas artimanhas, e eu sempre perdoando, para tentar viver normal como os outros casais.

Acabando todo o meu dinheiro, a única alternativa agora era ir novamente, morar com o meu pai na FAZENDA, pois não tinha mais nem os móveis, pois ele já tinha vendido tudo, nem tinha condições de sustentar meus filhos...

Voltei a minha antiga diversão, o rádio de pilha e assim ficar mais perto de meus amados locutores, que levavam ao meu mundo de sonhos que eu não podia ter, mais sonhar não custava nada, meus programas preferidos eram o ¨Boa Tarde Cidade¨ com o José Ribeiro que não era o meu ex... O ¨Toca Tudo Regional¨ com Celso Oliveira, e à noite tinha o ¨Espaço Brega¨ com Jorge de Almeida. Assim eu vivia naquele deserto que já não era tão ruim, já tinha escola perto, uma estrada melhor, o movimento de carro aumentara, as coisas mudaram um pouco por lá...

Cinco anos depois vivendo aquela vida monótona, veio a decisão final, a separação, eu já não aguentava mais viver com o Rogério, estava prestes a ter um enfarte e optando por viver eu me separei, ali se dava o ponto final a uma união de dez anos, que não sabia contar nada de felicidade, mais não seria fácil seguir com aquela decisão, por que não éramos só nós dois, existiam duas crianças que amavam o pai, que na verdade ele era ruim pra mim, mais sabia dar amor e carinho para as crianças.

Não me arrependo de tal decisão, por que se sigo em frente, com o meu casamento fracassado, talvez hoje não estivesse aqui contando essa história, eu estava perdendo minha saúde, vivia com depressão, e então começava aí pra mim uma nova etapa, só que talvez pior, por que eu tinha que ser pai e mãe para as minhas crianças, que choravam demais com a falta do pai, isso me cortava o coração quando eu via a Paula Kayne ajoelhada na cama, com as mãozinhas postas para o Céu, pedindo para o Papai do Céu que trouxesse seu pai de volta pra casa, já o Pablo Rangel era mais calado, fechado em seu silêncio, nem sabia o que se passava com ele, mais dava pra ver que ele também estava sofrendo, vivia olhando as fotos do pai e relembrando dos detalhes, dos assovios, das brincadeiras, por muitos e muitos dias eu chorava interminavelmente, vendo meus filhinhos sofrerem.

Mas a decisão tinha sido tomada, não dava mais pra voltar atrás tinha que seguir, seria uma escolha pra mim viver ou morrer, por que sem sombra de dúvidas, eu não iria suportar muito tempo tantas privações e maus tratos, falta de amor, traições, roubos que ele fazia e volta e meia tinha que pagar, abuso a menores de idade, lembro-me de uma garota que foi criada no meio de nós, era pra mim como uma filha, ele deflorou a menina em nossa própria casa, eu com 28 dias que tinha a Kayne, ainda em repouso de parto, levei tão grande, quando veio o pai da menina e o vizinho armado até os dentes pra matar o meu marido dentro de nossa casa, e na frente de nossos filhos, e Deus em sua bondade fez a obra, por que ele não estava em casa. E logo depois o encontraram na venda, onde eles paravam pra falar de futebol e lá acertaram a cabeça dele com uma cacetada, que levou pra mais de dez pontos e seguida ao atirar o tiro não saiu, Deus o amava e o protegia a cada maluquice que ele fazia. Aquilo pra mim foi demais, era dez anos de casamento sem sentido, que só me fizeram sofrer...

Agora era o fim, estava aliviada, apesar das desordem e do desespero das crianças, mais tudo passaria, com certeza...

Agora tinha que superar mais uma tempestade de fofocas que viria, agora eram que era discriminação, que não ficaria um homem casado, por que eu estava separada ditados populares que segundo algumas pessoas eu havia me separado pra tomar os maridos das outras. Nossa quanto e um monte de desempregada, que não tinha o que fazer da própria vida e se preocupavam com a minha, mais eu não estava nem ai pra nada, queria mesmo sair daquelas tristezas que vivia.

Não era fácil passar por tudo que eu estava passando e ainda conviver com tamanha descriminação. O que cada uma delas não sabia é que eu era diferente de todas, não por essa razão, mais por que eu mesma jamais suportaria a ideia de querer me envolver com um homem casado, nunca, tinha nojo quando em tempos atrás alguns me apareciam com piadinha, quantas vezes botava pra correr, quando não batia na cara de .um ou outro.

E agora que era mais madura, mais experiente, iria cair numa besteira dessas? Jamais! Era bem mais fácil, um camelo passar no fundo de uma agulha.

Aquela situação de aperto no peito, dedicação dobrada e carinho estavam cada dia mais me pesando e me deixando sem vida, não por estar sempre perto de meus filhos, mas sim pelo fato que para eu viver separada não seria fácil, já estava completando um ano de solidão, sentia falta de um homem ao meu lado, eu era muito jovem pra viver a vida toda sem ninguém, tinha 29 anos, uma vida monótona, não tinha diversão, era de casa para o trabalho que havia assumido, tirando licença de uma amiga querida, que estava muito doente. E tudo que restara de minhas finanças, a velha casa de meu pai e o meu trabalho de merendeira na Escola Vencelêncio Martins dos Santos, na Fazenda Caminzãozinho. Com este emprego ajudava meu pai nas despesas de meus filhos, já que o Rogério, tinha ido embora para Mato Grosso sem nem sequer perguntar pelos filhos, se já era ruim assumir despesas morando com ele, já que ele nunca tinha assumido eu assumia sozinha, agora era melhor aem ele morar mais mas comigo, pois era um a menos e o que meu pai me ajudava era pouco, mais me servia muito.

Fim de ano estava chegando o ano 2000...Ano de muito falatório, quase todo mundo morreu de tensão na hora da virada, porque até a TV tinha anunciado que o mundo iria se acabar naquela noite, eu particularmente não acreditava naquela hipótese, tanto que deixei meu pai que não saía de jeito nenhum, e fui passar o Réveillon, com os meus irmãos em Mairi na Bahia. Fazia tempo que não os via, e que já eram três rapagões muito bonitos.

Edilan estava com 20 anos, seu hobby era cantar, fazia festas e faz até hoje, tinha uma paixão desde aquele tempo por músicas, o sonho dele de ser cantor famoso, e reconhecido pela mídia eram sem medidas, queria muito comprar seus próprios instrumentos musicais e montar seu próprio grupo musical, mais não tinha nenhuma condição financeira pra isso, pois não tinha emprego fixo e fazia festas pra ganhar seus cachês humilhantes, mas se sentia feliz, por que fazia o que gostava... Já o Edisandro, também com o dom pra música, mas não cantava, a vocação deste era por percussão, instrumento que ele gostava muito e tocava na Banda Extra de Mairi, sendo essa a primeira de muitas outras que vieram depois, como a Prakaramba, também de Mairi e a Paradaize, de Seabra na Bahia, tinha 17 anos. E por fim tinha o Juliano com 16 anos, o caçula da família, esse não cantava, e sim encantava as meninas, desde novinho era muito travesso.

Nossa eu estava muito feliz, apesar da felicidade não preencher a satisfação e o vazio por ter me criado distante deles, eu queria que nunca tivéssemos que nos separar, amava demais os meus irmãos queridos, mais o destino revirou tudo, escreveu tudo ao contrário, entre os meus lindos irmãos, um deles, me trazia muitas recordações de Irênio, o nosso irmão que partira pra outra vida tão jovem, o Edissandro era muito parecido com Irênio, era como se ele estivesse encarnado ali, Deus é um ser maravilhoso e faz tantas maravilhas que a gente, às vezes, nem consegue ver, ele havia levado um mais deixou outro no lugar com tamanha semelhança, já o Edilan parecia com a sua mãe a Ainda que era minha inimiga, agora já podia ter uma boa aproximação, pois tivemos uma longa conversa sobre tudo em nosso passado, nossas diferenças e o porquê de nunca se combinarmos, e acabamos amigas, não adiantava agora tá guardando mágoa do que passou, já bastava o que a distância causava que nos separava. Aquele fim de semana e fim de ano foram muito especiais pra mim, muitas emoções vividas em apenas um fim de semana, as minhas crianças também amaram o passeio.

CAPÍTULO IV

A VIDA E OS DESENCONTROS.

Depois de muitos anos, meu livro escrito com tanto carinho estava engavetado, quase não se via mais as letras de tão semiapagadas, parecia ter morrido juntos com os sonhos... E anos depois.

Era junho de 2012, aos 40 anos de vida, não tinha conseguido realizar meus sonhos, nem tão pouco conseguido a vida que sonhava, mais me considero uma vencedora, por que, superei tudo de cabeça erguida e parando pra renovar, minha intelectualidade, retirei minha história da gaveta que estava empoeirada há muito tempo e resolvi continuar, pois havia parado no terceiro capítulo, por causa dos desencontros e das tribulações da vida, fizeram-me, parar, mesmo por que me faltou inspiração, minha vida se tornava mais e mais tortuosa, um abismo sem fim.

No presente dias olho dentro de mim e já não sei dizer se estou na fase da superação ou da destruição de minha própria vida, mais vamos deixar o presente caminhando na ordem e vamos falar de onde parei a escrita de minha biografia. Falarei do meu presente no final da história.

Ainda no ano de 2000, decidida a mudar minha vida, de preferência pra melhor, eu me mudei com os meus filhos pra Capela do Alto Alegre, minha cidade, deixando o sítio e meu pai sozinhos, eu não aguentava mais viver ali. Já havia conhecido outra vida e assim decidi, queria continuar os meus estudos, e a razão além dos estudos, era um rapaz que estava mudando os meus planos. Depois de um ano sozinha, eu me descobri em uma nova paixão, que me fez viver momentos incríveis, mais infelizmente não durou muito tempo, foi apenas um ano de muita emoção, não sabia definir o que sentia por aquele rapaz, afinal nos conhecemos em um momento de muita carência. A esta altura o povo falava demais de mim, e eu não estava mais me preocupando, tinha conseguido conhecimentos diferentes e passei a mudar os meus conceitos e foi aí que aprendi a viver pra mim e deixar de viver para a sociedade curiosa, dane-se quem parasse pra falar de mim por que aquilo não mim incomodava mais e seria Ibope

Voltei ao colégio com muito sacrifício, terminei o meu segundo grau, não foi fácil, mais eu queria vencer, crescer na vida Essa mudança pra cidade foi muito complicada, sem emprego eu saía de Capela do Alto Alegre, a cidade pra trabalhar na Fazenda Caminzãozinho e contava, além desse trabalho, com a ajuda que pai me dava e mesmo assim era pouco, dava apenas pra o necessário e por isso tinha preocupações a cada dia.

Mais não podia desistir de meus objetivos, pois queria um dia reconstruir tudo que perdi, dar uma vida boa para os meus filhos... Que estavam com oito e e seis anos, e com muita dificuldade eles superavam toda a situação.

Com mais um relacionamento fracassado, minha vida ainda mais se complicava, cada dia eu ficava longe do sonho de ter uma família de verdade, queria tanto ter um marido bom, que me amasse e fosse um bom padrasto para os meus filhos, eram somente sonhos, por que a realidade mesmo, era cada dia pior.

Os tempos haviam mudado, na cidade e a devassidão era demais, meninas que se vendiam, por qualquer coisa, outras que nem cresciam e já estavam se envolvendo sexualmente com vários homens, meu Deus do Céu muito diferente de meus tempos.

E o pior era que os homens eram acostumados com essa situação, nem um queria mais nada sério com ninguém e cada dia ficava mais difícil confiar e acreditar em alguém.

Em 2001 conheci outro rapaz numa noite de festa, a maior festa da cidade, o São João, achei que seria apenas aquela noite, pra amenizar a carência, mais não, no dia seguinte, tive uma tremenda surpresa, ele lá estava dentro de minha casa de mala e cuia, não sabia nem como agir naquele momento, queria mandá-lo embora, mais por outro lado eu precisava de alguém, vivia tão só, mais ao mesmo tempo sabia que era mais um erro que estava cometendo, não podia dar certo algo que começava errado, mesmo assim por muito que ele pediu pra ficar, eu concordei, já não tinha mais nada a perder tudo poderia ser lucro. Se não desse certo o mandaria embora, não seria o primeiro, nem tão pouco o último, e de certa forma poderia melhorar no orçamento de casa, já que eu passava tanta dificuldade com os meus filhos, então não tinha muita escolha.

O início de nossa convivência foi boa, prazerosa, ele me ajudava muito, não tinha um emprego fixo, apenas vivia fazendo bico aqui e ali, e fazia festa, e assim como o meu irmão ele gostava de cantar e assim comecei a me divertir de festa em festa com ele, minha vida era mais fácil, não sentia amor por ele, mais havia me acostumado, era companheiro e amigo.

Mais depois, com o passar do tempo, ele foi mudando, começou a brigar com os meus filhos, a beber demais, a falar palavrões terríveis na frente de meus meninos que agora já eram adolescentes.

Para tentar viver, pelo o menos, uma boa parte do tempo, eu levava em banho-maria mais não combinava comigo o fato de estar trocando de homem, como se troca de roupa, meu pai nem sabia como me enxergavam, por que não dava jeito, e eu assumia minha vida, minha casa, apesar de que meu pai nunca, em momento algum, deixou de me ajudar, mais mas em minha vida particular ele não interferia.

Tempos depois acabei perdendo o meu emprego de merendeira por questão de mudança de prefeito, aquilo me chocou demais, era tudo que tinha de renda, exceto a ajuda de meu pai que não era muita, na administração de Carlinhos, prefeito daquela época, perdi o emprego que colocava o pão de minhas crianças à mesa, o cara que morava comigo, apenas ajudava quando tinha e agora as despesas eram maiores para eu sozinha dar conta, mais uma temporada de crise e ninguém consegue viver sem comer.

A convivência com Jurandir era cada vez mais difícil, estava prestes a dar um basta, mais pensava ainda muito em como encarar mais uma vez a sociedade, com certeza para o povo eu seria a ruim, afinal já era o segundo marido e não dava certo.

E assim ia continuando com ele, mais com o coração preto de tristeza, e ainda mais quando ele ofendia os meus filhos, eram uns amores de adolescentes, dou graças a Deus por isso, por que eu criava sozinha, sem conforto, sem a presença do pai, e eles ainda eram submetidos a ouvir coisas de quem não eram o pai deles, mesmo assim eles foram bem educados, eram bons alunos, tiravam boas notas, e nunca se rebelaram, pra usufruir de coisas que lhe cercavam, pois morávamos numa favela, rodeada de adolescentes no mundo das drogas, e dou mais mil vezes mais, graças ao meu bom Deus, por eles nunca se juntaram a esse mundo.

Apesar de tantos transtornos ainda podia me divertir, eu me sentia feliz por algumas horas, por que a todo o momento seria impossível. Vivia preocupada com o meu pai que já era velhinho e permanecia no capricho de morar na Fazenda sozinho, não queria nem saber da cidade. Em 2005 comecei a trabalhar com empréstimos consignados, para aposentados e pensionistas do INSS, o que ajudou muito no orçamento de casa, fui pagando minhas dívidas, mais uma vez me reerguendo da queda, se tem uma coisa que sempre tive em minha vida e com muita dedicação a Fé, muita Fé em Deus, tinha certeza que vivia protegida e não tinha nada que me vencesse em nome de Jesus, nem mesmo as tradicionais macumbas que se falavam a todo vapor, não me intimidavam, por que eu confiava por demais no poder de Deus...

A vida com Jurandir era cheia de aventuras, além de ele ser cantor e eu trabalhar com empréstimos, ainda ganhava uma comissão a mais colocando rádios piratas de forma escondida da Anatel, assim era minha rotina de vida, por um lado feliz, por ser uma guerreira, por outro não era, faltava algo, mais mesmo assim a gente fazia da vida prazerosa.

Lembro-me de uma viagem maluca que a gente fez a, Umburanas no sertão da Bahia, andamos por muitas horas num deserto que não via ninguém, nenhuma casa, e nosso carro era um Uno 89, quase batendo o motor, o combustível era o botijão de gás, e via a hora de ficar na estrada.

E ao chegar lá eu, o Jurandir e mais dois amigos nossos, iríamos colocar uma rádio pirata por lá pra aumentar nosso orçamento, mais mudamos de planos ao encontrar um sujeito meio estranho, que nos chamou pra trocar os carros, que o nosso carro era muito feio para um cantor, e ao ver o carro do rapaz eu pensei que seria impossível, que não teria o dinheiro suficiente. O carro era um Corsa ano 2004, seminovo, ar—condicionado, todo equipado e arrumado, e com ajuda de nossos amigos acabamos fazendo a troca dando ainda na troca os aparelhos que levávamos pra instalar a rádio. No caminho de volta parecia um sonho que aquele carro agora era meu, não dava nem pra acreditar, era muito lindo, mais a empolgação foi tanta que não nos preocupamos em olhar o óleo do motor e o mesmo bateu muito antes de chegar perto de casa, resumindo a história, nos perdemos tudo, nem carro velho, nem novo, levamos até nossa casa, mais não tivemos condições de consertar, ficou mais de ano na oficina acabando as peças com o tempo... Ele foi desfeito quando me separei de Jurandir, pois ele exigiu que eu desse o carro pra ele ir embora de casa e assim aconteceu.

CAPÍTULO V

AMOR VERDADEIRO OU PLATÔNICO.

A convivência com Jurandi, estava cada vez mais complicada pra continuar, porém mesmo assim eu lutava pra da certo e nessas idas e voltas de muitas diversões que tínhamos, fatos que ainda nos unia apesar das desavenças, fomos até a cidade de Serrinha na Bahia, estávamos buscando divulgação pra o CD do Jurandi que tínhamos acabado de gravar e para isso fomos até a Rádio Regional AM de Serrinha Estado da Bahia, rádio que eu tinha tanta apreço e sonhava conhecer aqueles grandes amigos do rádio e na naquele momento eu estaria realizando mais um dos meus sonhos e assim conheci o amigo locutor Celso Oliveira. Que nos recebeu com uma bela recepção, e nos deu total apoio.

Era dia vinte e dois de setembro de 2006, eu estava em um telefone público conversando com meu amigo locutor o José Ribeiro, onde o mesmo me informava, que o nosso amigo também locutor o Celso Oliveira estaria em minha cidade, o mesmo teria ido a Fazenda Queimada Grande, conhecer uma ouvinte também muito querida a Daiane Oliveira, muito feliz com aquela notícia corri para casa para junto com o Jurandi preparar uma visita surpresa, iríamos até a Fazenda onde morava a Daiane pra novamente encontrar com aquele amigo admirável. Mais fomos interrompidos de nossos planos ao receber uma visita inesperada. Se tratava de um velho amigo e colega trabalho em nossas rádios piratas, junto com ele um senhor de aparentemente 40 anos, que formalmente nos cumprimentou.

_ Bom dia. Eu sou o Jorge, trabalho na empresa São Luiz, que faz a linha de Capela do Alto Alegre à Feira de Santana e vim até aqui trazer um recado de nosso amigo o Celso oliveira, que teve que ir em um almoço de trabalho em Riacho da Onça na Bahia e que na próxima semana ele virá aqui. Você é o Jurandi e a senhora quem é?

_ Bom dia eu sou Girlene Silva.

Aquele senhor aparentemente muito simpático, me deixou uma breve lembrança, era como se eu o conhecesse de outro tempo ou de algum lugar e pausadamente ele continuou. Não parecendo surpreso e nem ao mesmo tempo estranho.

_ Girlene Silva, Capela do Alto Alegre, tem alguma coisa a ver com a Fazenda Caminzãozinho?

Eu fiquei aturdida diante daquela declaração e

Em entender de onde aquele senhor me conhecia e como ele sabia que eu morava naquela Fazenda e logo quis saber.

_ Quem é o senhor e como sabe que eu sabe que eu morava na Fazenda Caminzãozinho?

_ Eu sou o Jorge de Almeida, que fazia o programa¨ Espaço Brega¨ Rádio Regional AM de Serrinha, esse nome te lembra alguma coisa?

_ Meu Deus! Isso foi à vinte anos, como você lembrou de mim?

_ Como esquecer de uma ouvinte, tão especial, você era minha melhor ouvinte, além disso, em Serrinha todos tem um grande carinho por você.

Aquele dia foi uma festa, fomos em povoado do Município, onde estava acontecendo um tradicional torneio de futebol, comemoramos aquele momento tão especial e nos divertimos muito. A partir daquele dia o Jorge se tornou um grande amigo muito especial, além de ser aquele antigo locutor de tamanha admiração.

Todos os dias ele visitava nossa humilde casa e nos dava muita alegria. Uma semana depois como prometido, tivemos o prazer de receber o nosso amigo locutor o Celso oliveira, e com ele veio outro locutor da mesma rádio o Genivaldo Casa Nova e na praça principal da cidade, especialmente no Kiosk, ponto turístico de nossa cidade, reunimos todos, para mais uma bela noite de alegria com toda nossa turma de amigos. Turma formada a partir do dia que conheci o Jorge pessoalmente, que era composta por mim, Jurandi, o Rubi, o Jorge e amiga Iara, amiga de mais de dez anos de amizade e que praticamente morava em nossa casa, frequência que nos visitava.

Dia dois de novembro de 2006, data que nunca esquecerei, precisamente feriado dia de finado, e como de costume mais uma reunião entre amigos em nossa casa, pois o Jorge estava sempre em minha casa além de todos os dias a noite, sempre nos reuníamos todos os domingos e feriados, para tomar uma cerveja e jogar conversa fora, era uma linda amizade, nunca havia conhecido alguém assim, tão alegre, tão especial e aquele parecia um dia como todos os outros que nos reuníamos em nossa casa ou lugares diferente, mais justamente naquele dia, que minha mudou pra sempre.

Era oito horas da manhã, quando o Jorge chegou em minha casa, e com ele um licor muito bom, parecido com um que o Celso trouxe naquela noite.

E com seu sorriso farto, características que ele carregava diariamente, estava sempre alegre. Era uma qualidade que eu admirava muito nele, além do amigo especial que era.

_ Bom dia amigos, hoje trouxe um licor mais desse licor só pode beber eu e dona Girlene.

_ Não tenho inveja já que Rubi trouxe um também, respondeu Jurandi, meio desconcertado.

Como de costume ele foi até a cozinha, colocou o licor na geladeira e em seguida foi deitar em pequeno quarto que servia de quarto de hospede, mais na verdade era o quarto de minha filha.

Eu e Iara fomos cuidar dos preparativos para o nosso almoço daquele, dia que seria um cardápio normal, arroz branco, feijão tropeiro e franco assado no forno, tudo aparentemente normal, ate aquele momento estava tudo sobre controle, um dia normal como os outros.

Mais logo após o almoço, fomos beber o tão cobiçado licor, e o mesmo me surtiu um efeito estranho, além de ficar tonta, não era de ficar bêbada fácil, quase nunca tinha acontecido um fato assim e naquele momento me surpreendia, além do pouco domínio de consciência, eu estava estranha, me sentia completamente estranha e o mais estranho de tudo é que naquele momento o Jorge havia deixando de ser meu amigo e eu nem se quer sabia explicar como aquilo tinha acontecido. Eu não tinha nenhum controle emocional e queria ficar olhando pra ele, não conseguia parar de olhar pra, estava sentindo algo diferente, podia dizer que era algo devastador e que nunca em minha vida eu havia sentido igual.

_ Dona Girlene venha aqui, venha ver as mulheres que tem à venda em Feira de Santana.

_ Mulheres à venda?

Não conseguia entender o que ele queria dizer, como podia ter mulheres à venda, jamais podia imaginar, pois eu era muito ingênua.

_ Olha essa aqui, mulher de 35 anos, morena, simpática, é cara;

`_ Cara! Nunca fale isso.

Respondi num tom sarcásticos, nem eu mesma podia entender aquela minha reação e terminando de ler o anúncio do jornal que concluía com as seguinte frase ¨realiza fantasias¨

_ Retiro o que falei dona Girlene.

Tudo para mim era muito estranho naquele dia, nem mesmo sabia dizer o por que daquela estupidez. Talvez por eu ter a mesma idade da mulher daquele anúncio e de certa forma me sentia ofendida, essa seria uma explicação, mais a realidade mesmo era não entender e nem saber explicar tamanho sentimento que havia nascido em meu coração de um minuto para outro.

À aquela altura ninguém entendia nada, os demais presente apenas observava, todas aquelas senas, mais ninguém conseguia dizer nada.

O Jurandi estava jogado no sofá da sala completamente embriagado, já que não aguentava beber muito e mesmo assim sempre exagerava e no meio daquela confusão, o Jorge me fez pisar no chão novamente com uma pergunta muito profunda.

_ Dona Girlene, a senhora não ama o Jurandi, acho que ele lhe ama, muito mais.

_ È acho que sim.

Respondi meio aturdida, naquele momento tudo para me era confuso, em pouco de consciência que ainda restava, podia pensar que tudo aquilo seria por causa do efeito do licor e que no dia seguinte tudo voltaria ao normal.

Mais era engano, no dia seguinte, tudo continuava na mesma, já havia passado todo o efeito da bebida e eu continuava com o mesmo sentimento, queimando como fogo dentro de mim. Depois daquele dia, antes mesmo que o Jorge estacionasse o carro eu já estava na calçada esperando por ele, com o coração prestes a sair pela boca e as pernas trêmulas, não me dominava mais, mal conseguia esconder.

Na semana seguinte, nos encontramos na praça da cidade, para mais uma de nossas reuniões de fim de semana e dessa vez ere somente eu o Jorge e a iara, o Jurandi, estava em Nova Fátima, cidade vizinha para mais uma de suas festas rotineira.

Chegamos em minha casa e tudo estava diferente, o clima era estranho, algo me incomodava muito, eu não me sentia confortável mais, parecia está frente á um estranho, ou pior alguém que eu não conhecia, mais que tinha um tremendo domínio sobre minha vida.

Coloquei uma música romântica, era o CD do Pablo do Grupo Arrocha, que dominava toda a noite e aquela noite prometia, o Jorge conversava normalmente com a Iara e servia os copos de cerveja, e o primeiro gole descia queimando tudo por dentro e eu tremia feito vara verde, nem mesmo parecia ser noite e verão porque eu sentia um frio, imenso em meu corpo.

O Jorge cuidadosamente pegou um banquinho de madeira e sentou a minha frente, colocando uma das mãos sobre meus joelhos, me deixando mais trêmula ainda e maliciosamente falou.

_ Dona Girlene posso ver que a senhora tem algo á me dizer e se não me falar agora passarei os próximos oito dias, sem conseguir dormir.

_ Não Jorge, não tenho nada pra falar não.

_ Tem sim, não nasci ontem, calma vou te ajudar, é emoção ou o coração.

Eu tremia ainda, não conseguia olhar nos olhos, apenas olhava para o chão, o que eu estava sentindo era muito forte, não conseguia entender de onde vinha aquela força estranha que mim dominava completamente. Ele sem perda de tempo, segurou em minhas mãos.

_ Eu sou seu amigo, confia em mim, fala o que está acontecendo, o que realmente você está sentindo.

Eu não conseguia mais esconder, era bem mais forte que eu e a com voz...

_ Jorge eu estou gostando muito de você, á verdade é que desde aquele dia que bebemos aquele licor aqui em casa, que não parei mais de pensar em você, naquele dia você deixou de ser meu amigo, penso em você de forma diferente, quero você como homem, como meu amor, pois o que sinto é muito especial não explicar.

_ Ho dona Girlene, posso lhe chamar de Gil?

_ Sim, claro que pode.

_ Ou melhor a parti de hoje vou te chamar de Gigi. Olha Gigi, você sabe que esse sentimento não pode ser, eu sou um homem livre para amar, mais você não. Você é a esposa de meu amigo Jurandi, por essa razão nada pode acontecer entre a gente.

_ Eu sei Jorge, eu só queria desabafar, jogar pra fora, dividi com você, pois eu não aguentava mais segurar sozinha, daqui pra frente, vou mim controlar, tentar esquecer.

_ Gigi pode me dá um abraço?

_ Não Jorge, seria melhor que a gente não se tocasse, pois já sinto algo tão profundo sem nem ao menos tocar em você, imagine se nos tocamos.

Antes mesmos que eu terminasse de falar me roubou um abraço, o resultado foi incrível, nunca fui abraçada com tanta intensidade, nossos corpos tremiam, nossos corações batiam descompassadamente e acelerados, e cada vez nos apertávamos muito forte e nem eu, nem queria sair daquele abraço, um abraço que durou meia hora aproximadamente.

Quando nos soltamos do abraço eu tremia mais ainda, ao toque das mãos daquele homem, o contato com seu corpo, me deixou mais envolvida não tinha dúvida que seria o homem de minha vida, mais era apenas fantasias de minha mente, ou talvez um sonho, a realidade era bem mais cruel, como ele mesmo tinha dito eu não livre, eu tinha um companheiro, o qual já somava cinco anos de convivência. Sabia que não amava, mais devia a ele respeito e consideração, separar de Jurandir não seria fácil, pois ele dizia que a todo momento que me amava e que dependia de mim pra ser feliz, aquilo tudo era patético demais pra mim, e eu como ficaria? Estava amando outro homem, não seria justo para mim, viver o resto de minha vida infeliz. Nos despedimos naquela noite, eu não sabia se estava melhor ou pior, desabafar tinha tirado uma parte do peso que carregava, mais não tinha tirado o sentimento tão profundo e tão especial que eu sentia. Conviver com Jurandir não conseguiria jamais, sempre fui mulher de um homem só, não conseguia mais nem tocar nele, não tinha a menor vontade.

O Jorge a partir daquele dia buscou uma estratégia diferente, pois depois de minha declaração e especialmente aquele abraço, ambos tinha mexido com ele profundamente também, porém a reação dele foi de fugir, não podia trair o amigo, ele e o Jurandir tinha tinham uma amizade muito forte e ele não podia de jeito nenhum, se envolver comigo seria terrível para os dois. Ele não conseguindo segurar mais o que estava sentindo por mim, buscou em nossa amiga Iara uma forma de aliada para encontrar força para fazer o que seu coração tanto queria.

_ Gil eu vim lhe convidar para irmos á Feira de Santana amanhã.

_ Mais logo amanhã Iara, sinto muito não posso, tenho muitos afazeres, meu dia tá cheio amanhã.

_ Gil você não pode me deixar agora, sabe que não sei andar sozinha lá, vou comprar umas roupas lá, por favor Gil vamos, a gente iremos com o Jorge.

_ Mais porque com o Jorge? Iara, tem mais carros que vai também. Por que tem que ser com o Jorge?

_ Porque o Jorge é nosso amigo.

_ Tudo bem Iara, você mim convenceu iremos amanhã, á Feira de Santana, o que você me pede que eu não faço.

_ Assim que se fala amiga.

Mais na verdade, aquela viajem era armada, Iara não iria comprar nada e sim, estava atendendo a um pedido do Jorge, que me levasse á aquela cidade, e lá longe dos olhos de todos, ele poderia se aproximar de mim com segurança. Eu completamente inocente, nem imaginava o que iria me acontecer. No dia seguinte, era cinco horas da manhã, do dia 09 de novembro de 2006, estávamos nós no ponto do ônibus, e pela primeira vez, logo após estacionar o carro, pude ver através do retrovisor, o Jorge me olhando, com aquele olhar que vai fundo dentro da alma e naquele momento, pude ver amor nos olhos dele, eu mim descontrolei completamente e tremendo sem parar nem sei como conseguir entrar naquele carro. As pernas não tinha nenhum domínio, mal segurava em pé. E no meu silêncio me perguntava, por que tinha que ser daquela forma, por que eu tinha que conhecer o amor verdadeiro naquelas condições que eu me, encontrava, era demais para mim, era torturante, ver aquele homem, tão perto de meu alcance e não poder tocar, e agora que eu também pude ver amor da parte dele e o que eu mais queria na vida era amá-lo e não podia porque tinha que ser assim meu Deus. Chegamos em Feira de Santana ás oito horas da manhã, o Jorge logo pediu que nós esperasse por ele, não entendi o por que mais permaneci em silêncio, e em seguida Iara inventou uma desculpa para colocar seu plano em ação.

_ Gil eu peço que você acompanhe o Jorge, pois comadre Aline me ligou pedindo que eu fosse com ela no hospital.

_ Mais o que aconteceu com a Aline? E porque tenho que sair com o Jorge? Porque não posso ir no hospital com vocês?

_ Não é nada grave não Gil, ela vai fazer uma consulta, pois quer fazer alguns exames de rotina, quero que você acompanhe o Jorge para ele não ficar sozinho.

_ Iara o Jorge tem o trabalho dele, com certeza não vai precisar de minha companhia.

_ Vamos comigo Gigi, aproveitando que vocês estão aqui, pedi folga para ficar o dia inteiro com vocês, pena que Iara vai sair com a comadre dela, então só resta nós dois, vamos aproveitar o dia.

_ Bem, se é assim, então vamos.

Saímos pelas ruas de Feira de Santana, o sol estava muito quente, não sei se suava tanto pela temperatura, ou pelo nervosismos de estar ao lado daquele homem, que eu desejava tanto, amava tanto. Mesmo assim andávamos naturalmente, eu mim esforçava ao máximo para esconder, a emoção que sentia, por estar tão perto dele.

_ Gigi, eu conheço vários lugares legais aqui, onde um cavalheiro pode levar uma dama, onde você quer ir?

_ Eu não conheço a cidade, vou onde você me levar.

_ Olhe que nem todo lugar que eu possa te levar, que possa ir.

_ Confio em você, sei que você não vai mim levar onde eu não posso ir.

_ Só levo se você quiser.

Não entendia naquele momento o que ele queria dizer, nem tão pouco estava me preocupando, estava muito feliz só por estar perto dele. Nem os saltos ado sapato mim incomodava, nem mesmo o suou que escorria por minha face me preocupava, aqueles momentos eram mágicos. Enquanto andávamos ele mim falava de muitas coisas do passado dele, lugares que frequentou, pessoas que conheceu, trabalhos, assunto era o que não faltava, pra ele, muito simpático, elegante, um perfeito cavalheiro, educado, nossa o homem que eu sonhava a vida toda encontrar.

_ Gil, você está suando muito, um banho de piscina caía bem agora.

_ Era bom mesmo Jorge, mais eu não trouxe biquíni.

_ Não seja por isso, toma com a roupa mesmo.

_ E depois como fico com a roupa molhada?

_ Você tira e coloca para secar?

_ E como ficarei sem roupa perto de você?

_ Posso lhe garantir que não olho não.

_ À não, vou fingir que acredito, nesse seu comentário.

_ Sério Gigi.

Eu estava tão feliz, que nem percebia maldade naquelas palavras e naturalmente, ouvia sem reclamar. .Apenas curtia aqueles momentos. Até que ele chegou longe demais, ao passarmos em frente de um hotel.

_ Gigi, você tem coragem de entrar aqui comigo?

_ Tenho sim Jorge, eu sou doida mesmo.

_ É eu também sou doido deu certo.

Em alguns minutos estávamos em um quarto de hotel, foi aí que vim cair na real, que eu estava no lugar errado e com o cara errado, mais era muito tarde, sabia que tinha ido longe demais, mais como voltar atrás? Nem queria sair dali estava tudo tão bom, sabia que era errado o que estava fazendo, mais meu coração queria está ali, queria está com ele, queria ele.

_ Venho aqui quase todos os dias, dormir um pouco pra descansar, nossa como você está suando Gigi, ligar o ventilador pra você. Olha se quiser tomar um banho, fica a vontade o banheiro é logo ali.

_ Obrigada Jorge está tudo bem, não precisa você se preocupar.

_ Eu vou deitar um pouco, vou tirar meus sapatos, não se preocupe eu não tenho chulé.

_ Fique a vontade Jorge.

Ele deitou e por baixo do boné, ele me olhava, com um olhar malicioso, que mim fazia tremer por inteira.

_ Gigi deita aqui pertinho de mim.

_ Deitar? Eu? Perto de você?

_ Sim eu não mordo. Gigi o que você sente por mim?

_ Jorge já falamos sobre isso.

_ Eu quero ouvir novamente, agora que estamos á sós.

_ Melhor não falarmos sobre esse assunto, ainda mais que estamos sozinhos.

_ E por Jurandir o que você sente?

_ Eu não sinto nada por ele, nunca - o amei, mais vivia com ele assim mesmo, mais a partir de agora não sei como será.

_ E por mim? Fala Gigi, é importante ouvir, por favor.

Voltei a tremedeira de sempre, pois a todo momento eu tremia, bastava vê-lo e falar do que eu sentia então, pior. E com a voz trêmula;

_ Jorge, eu...Eu não sei o que estou sentindo, só sei que é algo muito forte, me domina completamente, eu nunca havia sentido antes por ninguém. Só sei que penso em você todo o tempo e não é como amigo.

Mal terminei de falar, ele pulou por cima de mim, com uma fúria louca, ele parecia descontrolado, queria me beijar a força, louco de desejo por mim, o mais estranho é que ele estava normal, eu desconhecia aquela atitude dele ,na verdade mal conhecia, aquele homem, por quem meu coração queria loucamente, estava cega de amor. Rolamos na cama por mais de meia hora, ele na tentativa de me beijar, mim possuir, e eu tentava impedir, com pouca força, defendendo dos ataques brutal dele. E vencida pelo cansaço acabei cedendo, pois lutava além do amor que sentia, pois minha mente dizia não, mais meu coração queria, tudo aquilo e quanto mais ele era agressivo mais eu gostava, mais mim envolvia, no calor do corpo dele, o cheiro a sua respiração, tudo eu queria, era bem mais forte que eu. Por mais que minha mente dissesse que era errado, que eu ainda estava casada, meu coração nem se quer queria pensar em qual quer detalhes ou razão, só queria amar loucamente. E ali fizemos o amor mais louco e bonito que um dia pensei fazer, nunca tinha vivido, um momento como aquele. Só depois de nossos corpos realizados e saciados que podemos ver as marcas que ficaram em nossos corpos, marcas do sexo mais violento, meu coração estava feliz demais. Mais não demorou pra realidade de minha vida, ele foi tomar banho e voltou muito estranho, pedindo que eu me vestisse e que fossemos embora e o pior, pediu que eu esquecesse tudo que tinha acontecido ali, pois foi errado, que precisávamos continuar como antes, apenas amigos, que ele não sabia como iria olhar pra o Jurandir, que um amigo como ele ninguém precisava de inimigos. Levantei em silêncio e fui até o banheiro, não sabia naquele momento o que dizer, nem o que fazer, sentia uma vergonha muito grande e uma tristeza maior ainda, à minutos meu coração pulava no peito de felicidades e em seguida uma grande dor, tristeza, decepção era estranho demais. Sairmos daquele hotel em silêncio, mau podíamos olhar um para o outro, caminhávamos em passos rápidos e paramos pra almoçar num restaurante, eu não tinha fome, tudo revirava dentro de mim, o cardápio estava perfeito, mais eu não tinha vontade de almoçar, estava tiste, muito triste, tudo em mim chorava por dentro.

_ Por favor Gil vou lhe pedir mais uma vez, esqueça tudo que aconteceu naquele hotel e mais não fale pra ninguém, nem mesmo pra sua amiga Iara.

_ Tudo bem Jorge, se você quer assim, assim será.

_ Não é questão e querer, não podemos, é um relacionamento proibido, você é casada e com um amigo meu.

_ Você está certo, não podemos.

_ Pra todos os efeitos nada aconteceu.

_ Seja feita a sua vontade.

Voltamos para o Terminal Rodoviário, onde nos juntarmos novamente com Iara, ela com seu sorriso largo, acabou de me matar por dentro, lembrei que não podia nem falar o que aconteceu com a gente.

_ E ai amiga quero saber tudo, todos os detalhes.

_ Tudo o que Iara?

_ Tudo que aconteceu com você e Jorge.

_ Bem, sairmos andando pela cidade e depois fomos pra o restaurante, só isso.

_ Só isso? Não acredito, você está escondendo alguma coisa Girlene? E essa felicidade estampada ai em seus olhos?

_ Felicidade? Que felicidade Iara? Eu estou triste.

_ Mais o que aconteceu? Tinha tudo pra dá certo.

_ Certo? O que tinha tudo para dá certo?

_ Nada Girlene esquece.

Tudo estava muito estranho, já podia entender nada, voltamos pra casa, eu não mim segurava de tanta tristeza, nem podia disfarçar estava evidente, , tudo está escrito em minha testa. Os dias passavam e eu naquela tristeza, fora da realidade tudo que passava em minha mente era como acabar com a relação com o Jurandir, queria que ele fosse embora de minha casa o mais rápido possível, pois achava que a culpa era dele, por está ali ocupando e empatando minha vida, e por isso não podia ter o homem que eu amava, não podia ser feliz.

Uma semana depois, estava em casa muito estressada com Iara que insistia em saber o que acontecera naquele dia, tudo em mim doía, o coração e todos os músculos do corpo, era uma dor terrível vinha da alma, quando de repente aparece o Jorge, alegre e sorridente como se nada tivesse acontecido com a gente, mesmo assim não conseguir disfarçar minha alegria por vê – lo, era como se nascesse uma pequena esperança. Que ele iria considerar que foi estúpido me pedindo pra esquecer. O Jurandir estava na cidade vizinha fazendo uma festinha rotineira e novamente estávamos eu ele e Iara em minha casa.

_ Boa noite meninas! Como vocês estão?

_ Boa noite Jorge, estamos bem, quer dizer agora, estamos bem, por que essa mulher até você chegar estava insuportável, estressada, tudo nela doía, agora se transformou ao você entrar por essa porta.

_ Quer dizer então que também sou remédio para você Gil?

_ Nada Jorge, bobagem de Iara ela que estava mim perturbando demais.

_ A verdade Jorge é que estou muito chateada com vocês dois, por esconderem de mim o que aconteceu com vocês naquele hotel em Feira.

_ Que hotel Iara? O que você está insinuando?

_ Estou falando que já sei de tudo Jorge, Gil me falou tudo.

_ O que você falou pra ela Gil?

_ Eu não falei nada Jorge, a Iara está louca, desde aquele dia que me aborrece, com perguntas e insinuações.

_ Mais não aconteceu nada demais naquele dia, apenas saímos como dois bons amigos.

_ Chega Jorge desse teatrinho ridículo e assume a verdade, Girlene me falou tudo, que vocês se amaram muito.

_ Meu Deus, onde vim amarrar minha égua!

E dizendo isso ele saiu apressadamente, podia ver decepção nos olhos dele a decepção, ele estava decepcionado comigo e nem mim deu a chance de tentar explicar que não passava de um mau entendido. Não aguentando a dor que partia meu peito chorei ali mesmo na frente de Iara, além das lágrimas decepcionada com minha amiga o que ela tinha feito comigo ali naquele momento, acabava de morrer um fiozinho de esperança que a pouco havia sentido.

_ Desculpe amiga, eu tinha que fazer isso pra descobrir a verdade, não sei porque vocês estão escondendo de mim o que aconteceu, quando na verdade eu sei de quase tudo, eu não fui á hospital nenhum, eu seguir vocês e vim quando vocês entraram no hotel.

_ Meu Deus, por que você fez isso comigo Iara? Você viu como ele saiu daqui, chateado comigo, achando que sou uma mentirosa, ele nunca mais irá confiar em mim.

_ Ho amiga não podia imaginar que iria ficar tão bravo, calma amanhã, falarei com ele e concerto meu erro.

_ Do jeito que ele saiu daqui nem vai querer te ouvir Iara.

No dia seguinte era domingo e após Iara conversar com ele, nos encontramos no campo de futebol, para que ele nos ensinassem a dirigir moto, eu, ele, Iara e a Reisy, filha do Rubi.

_ Jorge a verdade é que Gil não mim falou nada, eu fui longe demais, querendo saber algo que ne mim diz respeito.

_ Iara, você não sabe como fico aliviado, pois estava muito chateado com ela, mais no fundo eu sabia que ela não teria mim traído.

_ Ela não mim falou nada, eu só queria saber a verdade e joguei pesado, mais vendo minha amiga tão desesperada vim te falar a verdade.

_ Obrigada Iara, por ter me falo a verdade, eu também vou te falar a verdade, ela não falou pra você eu proibir, aconteceu sim, nos amamos sim e fomos muito felizes naquele dia, porém eu pedi pra que ela não falasse a ninguém, nem pra você, tenho medo que Jurandir descubra tudo, eu também estou apaixonado por ela, penso nela a todo instante.

_ Vou ajudar vocês dois a ficarem juntos Jorge.

_ Como Iara? E Jurandir?

_ Que se dane Jurandir eu não gosto dele.

A parti daquele dia eles trocaram telefones e formaram um pacto de amizade o qual trocariam informações sobre, onde ele queria saber todos os meus passos, era muito estranho, pra ela ele falava do amor que sentia por mim, falava de planos pra o futuro, e assim todos os dias ele telefonava pra ela, uma cumplicidade sem tamanho o que ele nem sonhava era que ela por mais que ele pedisse, ela me falava tudo que ele falava pra ela. O que mais era estranho que para ele, era totalmente indiferente, queria a todo preço que continuássemos amigos, aquilo tudo estava cada dia mais me enlouquecendo, o a amor aumentando a cada dia mais e sem saber o que fazer, apenas na espera de realizar meus sonhos e minha vontade de amar.

Na semana seguinte novamente foi à minha casa, nossa turma , tinha desfeito, agora éramos somente nos três, eu estava a cada dia mais distante de Jurandir, e não o acompanhava mais nas festas que ele fazia, tudo que mais queria era que fosse embora de minha vida de vez, mais ele não aceitava a separação nem queria sair de minha casa.

_ Boa noite meninas, voltei, já estava com saudades de vocês.

_ Boa noite Jorge, nos também estávamos com saudade de você.

_ Você sumiu Jorge pensei que não voltasse mais aqui, em minha casa.

_ Andei muito ocupado Gil colocando os pensamentos em ordem, bem estou aqui, e aquela farofinha tem hoje?

E naquela noite entre conversas e boas risadas, acabamos nos amando e pela segunda vez, fizemos amor, com tanta intensidade e desejos, erámos perfeitos na cama, nossos corpos se encaixavam e se amavam loucamente com toda a força do amor e do sexo. Pelo o menos naquele dia ela não me falou que não podia nem pediu silêncio do que tinha acontecido, mais também não me prometeu nada, apenas se despediu, normalmente. Os dias passavam e nada, ele não tomava nenhuma atitude, apenas nos encontrávamos de vez em quando e de preferência na casa dele. Eu mim contentava apenas, com a cumplicidade que ele dividia com Iara e me enchia de esperanças e ilusões, e mesmo assim me sentia feliz, esperava pacientemente o dia dele cumprir tudo que falava pra Iara, mais os dias passavam e nada acontecia.

Eu era livre, livre para amar e ser feliz ao lado de Jorge era o meu sonho maior, mais esse sonho tão esperado cada dia ficava longe de se tornar realidade, por que mesmo o Jurandir saindo de casa, ele pedia que não falasse pra ninguém de nós dois, que eu esperasse mais um pouco e aquela espera era interminável.

Numa dessas idas e voltas a casa dele, pois ele não vinha mais em minha casa, agora, segundo ele, não podia, por que o Jurandi não morava mais comigo e o povo ia falar de mim, então era melhor a gente se encontrar na casa dele.

Era véspera do Natal, a promessa tão esperada de assumir nosso relacionamento as filhas dele viriam e eu iria conhece-las e na qualidade de namorada dele, era bom demais pra ser verdade.

.Mais ele mim ignorou completamente, na frente das filhas dele, fingia completamente e nem tinha o menor interesse em falar quem eu era, me recebeu como uma pessoa qualquer e eu não sabia, nem podia entender.

Voltei pra casa muito triste, era como se todo o meu sonho fosse escapando de mim, sem que eu pudesse fazer nada, mesmo por que até onde eu me perguntava, não tinha feito nada, não fazia a menor ideia do que pudesse esta acontecendo, o porquê de ele agir daquela forma comigo.

No dia seguinte eu saí mais uma vez ao encontro de Jorge, não aguentava de tanta agonia, precisava saber o que estava acontecendo, não tinha conseguido dormir de noite pensando e não chegava a nenhuma conclusão, ao bater na porta gelei.

Não dava mais pra correr, tinha que enfrentar agora, a filha dele, que abriu a porta com um sorriso largo parecido com o dele, era uma menina linda, físico esguio, olhos verdes, muito simpática, que me recebeu com um abraço e me convidou a entrar, logo atrás da outra porta, estava sua outra filha, de cara fechada, enciumada por certo, não havia gostado nada de minha presença.

_ Boa tarde, Jorge, desculpe, se soubesse que você estava com visita , não teria vindo sem avisar.

_ Gil, elas são minhas filhas, eu te falei que elas vinham, eu peço desculpas por não poder te fazer sala como você merece, pois estou muito cansado, cheguei quase de manhã, trabalhei até uma e meia, mais as meninas vão fazer sala pra você. A noite a gente se vê.

Não entendi tanta formalidade, mais com certeza ele queria passar boa impressão para as meninas.

_ Tudo bem Jorge, eu já estou de saída, descanse. Vá lá em casa à noite.

_ Não... não, vá agora, fica com as meninas um pouco. A noite vou a sua casa.

Sentei ao lado da filha mais velha, enquanto a mais nova mal apertou a minha mão e permaneceu em pé atrás da porta me olhando com cara de quem não aceitava mesmo nenhuma aproximação minha com o seu pai, trocamos poucas palavras, pois não tinha assunto, além do meu nervosismos.

À noite ao me aproximar dele percebi que ele estava fugindo de mim e eu não sabia o porquê, nos encontramos rapidamente em minha casa, mais ele estava muito estranho.

Aquela noite de Natal pra mim seria, muito triste, só imaginava que seria apenas o primeiro Natal que passaria sem alegria.

O tempo passava lentamente, e eu não conseguia mais ser eu mesma, não sabia como poderia viver dependendo daquele homem, daquele sentimento, eu que sempre fui dominante de minhas atitudes não aceitava de

forma nenhuma ser submissa á ninguém e lá estava eu sendo escrava sentimental daquele homem, que conhecia há pouco tempo e tão pouco, mais já fazia parte de minha vida.

Dois dias depois do Natal foi que descobri algo inesperado, que poderia explicar tanta indiferença.

Ao chegar á casa dele muito feliz, eu estava com uma amiga que, apresentaria a ela o grande amor de minha vida.

E lá dei de cara com uma terrível decepção, ao abrir a porta lá estava a família completa, filhas e esposa de Jorge, esposa que ele escondia e fazia questão de dizer que era ex, quando na verdade ele nunca havia separado.

Naquele momento senti meu mundo desabar, mais fui firme, abracei-a e me apresentei como amiga, afinal se tinha alguém sobrando naquela história era eu e não podia de forma nenhuma atrapalhar aquela família.

Voltei pra casa, sentindo meu coração aos pedaços, nunca havia conhecido dor tão grande, lágrimas e mais lágrimas caiam de meus olhos, em forma de desabafo, a dor me consumiu e eu só tinha que aceitar, e esperar, no mínimo por uma explicação dele, afinal, ele tinha entrado em minha casa e me derrubado de pernas para o ar.

Oito dias de silêncio perdendo a calma, chorando dia e noite, até que repentinamente ele me convida pra viajar com ele para Feira de Santana, achava eu que seria uma explicação, e seria sim, mais foi simplesmente o desabamento de meus sonhos quando...

_ Gil te chamei aqui pra te dizer que voltei com a minha ex a mãe de minha filhas.

Naquele momento eu pensei que morreria ali mesmo, perdi minha voz, minhas pernas endureceram e eu só tremia como se estivesse numa geladeira.

_ Gil fala comigo, fala alguma coisa.

Eu só olhava pra o chão e não conseguia falar nada

_ Gil eu não imaginava que você me amasse tanto assim, mais isso vai passar, você logo me esquecerá e arrumará uma pessoas que te faça feliz.

Eu permanecia imóvel e naquela situação fiquei até a tarde, sentada no mesmo lugar, não queria nem tinha vontade de levantar dali, as pessoas passavam e me olhavam, mais seguiam seus destinos.

Ele se afastou para uma viajem de trabalho e eu fiquei ali sem me mexer ate a tarde, na hora de voltar pra casa eu estava sem comer, nem beber nada, eu me alimentava das lágrimas e da dor que rasgava o meu peito.

A partir daquele dia eu entrei em depressão profunda, não conseguia trabalhar, alimentar-me, e pior me divertir, vivia dentro de um quarto e no escuro, não queria ver ninguém, só as lembranças como um filme passavam em minha mente e eu sabia que não podia competir com aquela mulher, era 20 anos de casamento, duas filhas lindas, na verdade uma família linda.

Eu me sentia envergonhada, como ele pôde fazer tamanha traição, enganar-me dizendo que era separado quando na verdade não era, era muita dor pra mim.

Depois de cinco meses de silêncio, eu já estava numa situação lamentável, passava por uma série de problemas, a separação de meu filho que havia viajado pra Mato Grosso, para ficar com o pai. Acabava também de descobrir que aquela profunda tristeza que dominava a minha vida. tinha desenvolvido uma célula cancerígena e eu estava doente, com o começo de um câncer no útero, e entre todos esses problemas a perda daquele amor era o maior dos meus problemas, não sabia ainda como, mais precisava lutar pela vida, só não sabia onde encontrar forças.

Foi aí que me entreguei pra Deus, eu não podia morrer e só ele poderia me curar, e ali comecei uma corrente de oração, agradeço primeiramente a Deus e as igrejas que em corrente de fé oraram por mim.

Percebi que eu era querida em minha cidade, porque as igrejas se mobilizaram, minhas amigas, que mostraram serem amigas e me ajudaram nessa luta, e ao receber o resultado da biopsia, uma descoberta incrível, eu estava curada, já estava diagnosticado meu tratamento e seriam dois anos no Hospital Aristides Maltes, Hospital do câncer em Salvador. No entanto Deus, o médico dos médicos, curou-me. Pela minha fé.

Mesmo recebendo aquela notícia, eu não conseguia sorrir, a luta pela vida, foi concluída, mais na verdade por dentro eu já havia morrido, desde o momento que perdi aquele amor.

Minha amiga Iara, vendo meu estado depressivo, mesmo depois daquela vitória, tomou a iniciativa de telefonar pra Jorge e dizer que eu ia morrer se ele não voltasse, e ele depois de cinco meses de silêncio veio me visitar.

Ao me ver tão desfigurada, ele tentou me confortar com os seus bons conselhos, era como se não tivesse passado por nada, pra trás e a sua presença fazia a diferença em meu coração, durante aqueles meses, toda noite às nove horas, eu tinha um compromisso comigo mesma, que era ir á rua, e me escondia atrás de alguma coisa, carros, casas, pra simplesmente vê-lo de longe, só o fato de vê-lo de longe alimentava o meu ego e eu voltava pra casa aliviada.

E naquele momento ele estava ali presente, era como um presente de Deus, a importância maior era vê-lo ali na minha frente, meus olhos brilhavam, meu sorriso fechado que havia colado diante da dor agora era largo, só não entendia o porquê, se ele momentos depois, partiria novamente, mais só a presença dele ali era como um remédio que me aliviava toda a dor.

Ele estava emocionado com a real descoberta de meu amor por ele e não se controlou e nem hesitou em me pedir um abraço, não sabia por que ele tinha tomado toda aquela decisão, mais sabia que ele me amava também e emocionados nos abraçamos fortemente por mais de meia hora, nem eu, nem ele conseguíamos nos separar daquele abraço, nossos corpos tremiam, nossos corações batiam forte e descompassados, naquele momento o amor falava mais alto e eu sem perder tempo quebrei o silêncio com uma frase que saía exclusivamente de meu coração.

_ Jorge você pode nunca ser meu, viver com quem for, mais saiba que sempre você será o amor de minha vida.

Mal terminei a frase e ele me beijava loucamente, ninguém pensava em mais nada além de viver aquele momento e entre delírios e loucuras nos amamos, nossos corpos não conseguiam parar, estavam envolvidos de tal forma, na ânsia do amor e do prazer, que se entregavam ás maravilhas do amor, e os pequenos detalhes já não importavam mais, naquele momento.

Fizemos amor e sabia que ele também me amava, por que um amor tão bonito como aquele que fazíamos ali, não podia ser apenas desejo da carne, vinha profundamente de nossos corações.

_ Gil e agora? Depois desse amor tão bonito que fizemos você me aceita, mesmo sabendo que sou um homem casado?

_ Sim Jorge, eu aceito, nunca pensei em minha vida que um dia iria aceitar uma situação como essa, mais não tenho escolha, amo você demais, pra dizer não agora.



CAPÍTULO VI

AS DESAVENÇAS

E assim continuamos nosso amor dia após dias, nos encontrávamos sempre que podíamos e agora tinha que ser escondido, não mais por Jurandir, na verdade ele era só um pretexto pra não ser descoberto que ele era casado.

Era uma tortura para mim, mais era melhor que nada, tinha que ver ele com ela na rua e não podia dizer nada, quanta dor, quanta humilhação eu suportava em nome do amor, não sabia por que ele agia daquela forma, parecia que ele fazia de propósito, por que agora ela vinha em minha cidade quase todo fim de semana.

Sofria demais e só sabia que eu era dependente daquele sentimento, e não era nada bom pra mim viver daquela forma, o amor tão lindo que carregava na alma, não respeitado por ele, pois fazia pouca questão, agora eu já não tinha tanta certeza se ele sentia alguma coisa, tudo aquilo pesava dentro de mim, me deixando entre a cruz e a espada.

Eu amava sozinha, queria poder apagar de minha vida, de meu coração aquele sentimento, mais era impossível, ouvia minhas amigas falarem que eu precisava me amar, colocar-me em primeiro lugar, parar de viver em função do amor, em função de um homem que não estava nem aí para os meus sentimentos.

Sabia que elas estavam certas, porém chegava a sentir raiva de ouvir tanto aqueles apelos, causava ainda mais dor e tristeza, pois eu amava aquele homem, era algo meu, e se eu estivesse sofrendo ninguém tinha o direito de interferir, mesmo por que, nenhuma delas podia mudar e só aumentava a minha tortura. Já não bastava ter que aguentar tudo aquilo era pior ainda e ninguém me entendia.

Eu não sentia raiva dele, cada dia o amava mais, nem eu mesma me entendia, por que se me lembro bem de tudo que vivíamos, ele nunca havia feito nada por nós dois.

Quantas vezes ajoelhava pedindo a Deus pra esquecer e se não conseguia tinha certeza que nada seria em vão, afinal nada nesta vida acontece por acaso. Nem mesmo o encanto que nascera de nós dois quando nos descobrimos naquele romance, eu sempre fui fácil de amar, sempre me entreguei de corpo e alma, quando o meu coração queria, e das outras vezes não havia sentido nem a terça parte, do que eu sentia por ele, tantas coisas passavam pela minha cabeça, sabia que estava sofrendo, mais o que eu poderia fazer? E quem seria capaz de dizer o que eu devia ou não fazer, atitude, só eu poderia tomar. Eu sabia o que sentia e como estava por dentro, se fosse juntar os pedaços, nem sei em quantos estaria, só sabia que meu coração estava esmagado por dentro e entre o desprezo dele e o que as pessoas falavam, eu entrei em desespero mais uma vez , e a principal atitude foi o ciúmes tomar conta de mim já não sabia mais como falar de sentimentos para ele.

O diabo possui poder de certa forma na vida das pessoas, por que eu fazia coisas sem pensar, achando que era certo e, no entanto, era tudo errado, o medo descontrolado que eu sentia de perdê-lo, me fazia agir como criança, ciumava dele de todas as mulheres e nem se quer me tocava que tudo estava errado, não tínhamos mais diálogos e brigávamos mais do que namorávamos, ele me humilhava demais.

E além de ter que me conformar com as migalhas de amor que sobrava pra mim quando dava certo de mês em mês, era assim que nos encontrávamos, e na maioria das vezes somente para brigar, saía com o coração cheio de amor e de saudade, e os ciúmes incontroláveis onde via chifre em cabeça de cavalo, me levavam à loucura e quanto mais eu agia daquela forma, mais ele me humilhava, saía com todas as mulheres menos comigo, pra eu ficar com ele tinha que ser escondido, conto poucas vezes que aparecemos juntos na rua em algum lugar, me passava muitas vezes na cabeça que ele tinha vergonha de mim. por eu ser humilde, por talvez morar num bairro favelado, por não ter um emprego fixo, eram nossas diferenças na sociedade, pensamentos sem fundamentos, pois apesar do pouco que o - conhecia, sabia que era um cara simples, mais era a dúvida que me deixava sem noção de como agir em relação a ele.

Ele não podia imaginar o quanto eu sofria, o quanto me rasgava a alma a cada palavra feia que ele me falava, eu simplesmente voltava chorando pra casa, não conto as vezes, era como se eu fosse um lixo, um objeto descartável, que ele usava e jogava fora logo em seguida, e a cada dia aquele desprezos me levava à loucura.

Levada pelo desespero e por inúmeros conselhos, tendo o coração partido, eu decidi abandonar o Jorge e tentar esquecê-lo com outra pessoa, se tivesse um pouco de sorte, segundo meus pensamentos e muitos conselhos, poderia dar certo.

Dedicar meu tempo á outra pessoa e assim eu pararia de sofrer, alguém que me visse como gente, que me respeitasse, que me amasse e assim aconteceu.

Conheci um rapaz através de um antigo colega e coloquei em prática a minha tentativa, precisava esquecer aquele homem que me maltratava demais, mais minha atitude precipitada, não deu certo, por que eu não conseguia gostar do rapaz, por mais que ele cuidasse de mim, que me dedicasse todo amor do mundo, mesmo assim não conseguia parar de pensar no Jorge, e minha situação piorava mais, porque agora eu não podia vê-lo mais e a saudade dele me consumia por dentro e a tristeza só crescia, aquela aventura durou apenas três meses.

Ele talvez acreditasse que eu pudesse casar com aquele rapaz e ele me perderia pra sempre, então ele tomou uma atitude.

Em sua jornada de trabalho, falou dentro do ônibus que estava se despedindo, que o último dia de trabalho seria aquele, o objetivo daquele comentário não seria se despedir do povo e que assim chegasse aos meus ouvidos, como de fato chegou, através de Mauricio, filho de minha amiga Vandy, ele que vinha no carro e o ouviu falar com tanta firmeza , que até parecia mesmo ser verdade.

_ Gil, tu, sabe que Jorge está indo embora de Capela? Segundo ele ontem seria seu último dia de trabalho e amanhã ele estará indo embora.

_ Não Mauricio, não pode ser...

Saí correndo e chorando na rua feito louca, não sabia como, mais não podia deixa-lo ir embora, o pior é que eu tinha arrumado outro, já não podia ir até ele, mais tinha que fazer alguma coisa, nem que me prejudicasse, e na verdade não estava nem um pouco preocupada com o meu romance, pra mim tanto fazia estar acompanhada ou não, não o amava, nem sentia nada por ele.

Minhas amigas não queriam me deixar de forma nenhuma eu ir atrás de Jorge, que meu namorado não merecia, de fato ele era um bom rapaz, fazia tudo por mim, queria casar comigo, mudar de vez pra minha casa, enquanto terminava de construir a dele, mais eu não aceitava, não queria repetir mais uma vez o mesmo erro, casar sem amor.

À noite me livrei de minhas amigas e fui ao encontro de Jorge, ele estava na praça principal da cidade, acompanhado de um amigo quando me aproximei. Ele me recebeu com o sorriso de uma orelha a outra e falou...

_ Eu sabia que você vinha, veio se despedir de mim?

_ Você vai mesmo embora, Jorge?

_ Amanhã cedo.

_ Por favor, não vá....

_ Senta aqui do meu lado Gil, pare de chorar, não era sua maior vontade, estar ao meu lado na rua? Sorria, você está comigo na rua, não vou tomar uma cerveja com você, por que tenho que arrumar muitas coisas, preciso entregar a casa ainda hoje, só é ruim se seu namorado chegar aqui e ver você comigo. Na verdade era isso que ele queria, acabar com o meu namoro, tinha aberto aquela exceção de estar ao meu lado na rua, e eu burra, como sempre, nem me tocava que tudo era planejado.

_ Quanto a isso, não se preocupe ele está ali a nossa frente nos olhando.

_ E agora Gil?

_ Não se preocupe quanto a isso..

_ Você pode ir em minha casa? Pra gente conversar e se despedir melhor.

_ Sim, daqui a 20 minutos estarei lá.

Não podia imaginar o que estava prestes a me acontecer, amava aquele homem de tal forma que jamais podia esperar maldade.

Ele já me esperava, quase sem roupa, apenas uma toalha na cintura, enquanto eu chorava por dentro, ele parecia muito feliz.

Quase caí dura no chão, quando entrei e vi as coisas dele tudo arrumada, ali estava junto com seus pertences, o meu coração e eu nem sequer podia pegar de volta.

Era uma sensação forte de perda, que parecia ali morrer toda a minha esperança, eu chorava por dentro sem apelo.

Caí de joelhos aos seus pés, implorando que ele não fosse embora, Serrinha não era tão longe, mais para mim parecia ser o fim do mundo, já que pra eu sair de casa era tão difícil.

_ Pelo amor de Deus Jorge não vá embora.

_ Gil, você se lembra de quando nos conhecermos, tinha recebido uma proposta de ser transferido, pra trabalhar na praia, onde eu saía sete horas da manhã e voltava as cinco da tarde, não precisava acordar cedo, nem dormir tão tarde.

_ Lembro Jorge.

_ Você lembra por que eu não aceitei? Porque preferir ficar aqui em Capela, saindo cinco horas da manhã e chegando nove da noite?

Eu Não conseguia nem falar, naquele momento eu me sentia a pior pessoa do mundo, esquecia as ingratidões que ele fazia, que tinha tomado tal atitude ele falava de um jeito que e a culpa caía sobre mim._ Eu não fui Gil por que eu já estava gostando de você. E agora como você me pede pra não ir embora, se você mesma arrumou outro, saiu com ele desfilando na rua pra me ferir, só por que eu não podia sair com você.

E terminando aquelas palavras, ele partiu pra violência sexual e física, me batia pela cara e eu não sentia a dor, por que dentro de mim tinha uma dor tão grande, ele batia com muita força, eu tinha bebido muito, estava anestesiada e só percebi que havia algo errado, quando ele chorava loucamente em cima de mim.

_ Gil, chama a polícia.

_ Você está louco Jorge, por que vou chamar a polícia?

_ Gil, eu sou um monstro, eu te violentei, chama a polícia, eu preciso pagar pelo que fiz.

_ Você não me fez nada Jorge, para com isso.

_ Fiz sim Gil, amanhã é que você vai sentir o que fiz em você.

_ Você não fez nada, a maior dor que estou sentindo é de perder você, pelo amor de Deus não vá embora.

Como tudo era difícil em minha vida, se minha história era tão banal, e dentro dela eu era tão volúvel em termo de vida nem mesmo sabia se era burrice ou ingenuidade.

Talvez fosse ingenuidade da alma, por que se bem me lembro do que eu sentia, tinha uma pureza sem limite, eu só sabia amar e em momento algum sabia controlar meus sentimentos, passava sempre os pés pelas mãos, foi assim o tempo todo, especialmente quando me relacionava com o Jorge, eu não soube esperar, paciência foi o que faltou em toda a nossa história, ele era um ser difícil de lidar e eu loucamente apaixonada, sem noção de como lidar com tanto sentimento, sonhava demais , fantasiava demais, queria que tudo fosse do meu jeito, que acontecesse o conto de fadas, queria que tudo desse certo sempre, queria casar com ele, era o maior sonho de minha vida, mais como podia acontecer, se nossa história tinha começado toda errada?

Os meses se passavam e vendo tudo na mesma situação, fui perdendo a esperança, esperança de ter de volta o amor, esperança de ser feliz, fui cada dia me insolando mais, a depressão eram minhas refeição diárias, eu havia perdido a vontade de viver, é inacreditável como o ser humano é capaz de chegar a tal ponto. Nessa situação que a minha vida se aprofundava mais e mais, eu tinha medo de tudo, só queria ficar na escuridão, não queria ver ninguém, quantas vezes eu me sentia como se ouvisse vozes do além, pedindo que eu tirasse a minha própria vida.

Mesmo assim a minha vida seguia, mesmo depois de muito tempo sem rumo, desvalida, sem ânimo, sem noção, não tinha vontade de me cuidar, nem mesmo de tomar banho, eu me entreguei completamente ao desleixo.

No coração só um pensamento: esperar pelo tempo. Não queria mais homem nenhum em minha vida, estava decidida a seguir a vida sozinha, sem ninguém, tanto que essa espera durou três anos de solidão, sem um homem tocar em mim no fundo da alma eu tinha esperança de Jorge voltar pra mim.

Quem sabe acontecesse, um milagre e ele se separasse dessa mulher que vivia e se arrependesse de tudo que fez comigo.

E durante essa espera eu vivia baseada em depoimentos de pessoas, eu me lembro de um rapaz, uma noite na casa de minha amiga Vandinélia, enquanto eu acessava a internet, quando ele me chamou pra conversar, aquele parecia um anjo enviado por Deus pra me dar tanto conforto na alma naquele momento, ele falava de Deus, do amor de Deus por mim e uma frase dele me chamou atenção.

_ Dê graças a Deus por ele estar com outra em sua cidade. Aquela frase caiu em meu coração no momento como uma ofensa a minha dor, mais ele passou a explicar. _ O amor de sua vida está com outra em sua cidade, você mesmo de longe pode vê-lo quando a saudade apertar, já o amor de minha vida sumiu no mundo e eu não sei onde encontrar

Foi aí que percebi que ele tinha razão, pude me colocar no lugar dele, naquele rapaz e naquele momento eu pude ver a profundidade da dor que ele sentia e se fosse eu, talvez não aguentasse não saber onde meu amor andava, pude ver que aquele jovem também sofria do mesmo mal de amor que eu, e baseado nesses depoimentos eu ia alimentando minha dor dia após dia..

Lembro ainda com muita emoção de minha amiga Gleide, uma jovem evangélica que vivia em oração junto à igreja pra me curar da depressão, me dava apoio com palavras bonitas e quase todo dia vinha fazer uma oração comigo em minha casa pra alimentar o meu espírito, ela tinha a colocação dela quanto aquela história, que era mais algo do inimigo, que o amor não fazia tanto mal assim. Eu ficava apavorada com ela, da parte dele podia ser sim algo do demônio, por que ele que me maltratava demais, mais de minha parte eu podia sentir a suavidade daquele sentimento, o quanto eu me sentia bem quando estava perto dele, parecia que eu estava em outra dimensão, no eterno paraíso, como um sentimento tão puro e tão especial podia não vir de Deus.

Entre todas autoajuda, eu ouvia mais a Iara, ela trazia recado que parecia real e me iludia completamente fazendo eu me sentir confiante em todas as informações sobre ele que ela me passava, criei coragem e comecei a desabafar minha emoção nas redes sociais, onde sem pensar no perigo comecei a colocar fotos dele com declaração de amor no facebook, chamando atenção de todo o público, que me dirigiam mensagens de piedade e até algumas de gozações. Mas o pior mesmo foi receber a visita dele sem esperar em minha casa, pra mais uma vez me ofender, dos piores nomes possíveis, me deixando no chão, eu sonhava tanto em vê-lo, tinha tantas coisas bonitas pra dizer, mais acabava de sofrer agressões morais da boca do homem amado e minha reação naquele momento retribuir à altura e trocamos muitas ofensas;

Era véspera do mês de junho de 2013 e quando ele se afastou ficou em mim um buraco sangrando de dor, foi aí que pisei no chão e passei a duvidar de minha amiga Iara que eu confiava tanto, passei a ver que tudo era uma completa mentira que ela vivia me manipulando emocionalmente, chegamos a ter várias discussões sobre o assunto e ela sempre negava e jurava de pé junto que era verdade, eu ficava sem saber em quê e em quem acreditar, como acreditar depois de tanta coisa feia que tinha acabado de ouvir de Jorge?

A não ser que ele fosse um excelente ator, por que nas palavras dele parecia muito ódio e não amor, e foi aí que aproveitando a presença dela naquele momento eu os coloquei de frente e esperei pela verdade, ele afirmou na frente dela que era mentira dela e ela afirmou com mais coragem ainda que era verdade, e tudo ficou na mesma, porque a reação dele foi fugir meio desconcertado, assim encerrando ali aquele assunto.

Mais como dizem que o amor e ódio andam juntos, quem pode jurar no que acontecia de verdade na mente dele.

Ainda no mês de junho de 2013, eu passei pela maior dor que um dia pensei sentir em minha vida, vendo meu filho, o Pablo Rangel, meu menino adorado sair de casa, pra tão longe de mim aquela foi a gota d’água pra minha vida cai de vez.

Meus filhos, eu criei sozinha, mimando, dando amor demais, não deixava sair de perto de mim pra nada e, no entanto, ele estava partindo, aos 20 anos, queria seguir a vida dele, trabalhar, fazer a faculdade, ir em busca de seus sonhos, ele estava certo e era para sentir orgulho, e pensando firme em seus objetivos, ele partiu para Denise no Mato Grosso, e vive lá até hoje.

E hoje sinto sim orgulho de meu filho, trabalhador, na luta conquistando seus sonhos, hoje sinto orgulho de ter criado meu filho tão bem, me enche de alegria vê-lo batalhando, um jovem honrado, querido por todos, isso é de encher os olhos de uma mãe de alegria, mais naquela época eu quase morria vendo ele partir. Pois não estava em meus planos ver nenhum de meus filhos partir pra longe de me, quando ainda pequeninos indefesos, eu era mãe e pai pra eles, se a comida do prato deles sobrasse, eu comia, se não ficava para o outro dia, muito tempo vivi assim após a separação, e mesmo ainda casada com o pai deles, eu vivia essa situação difícil porque o Rogério não gostava de trabalhar, e por muitas vezes ele saía da casa da mãe e aos amigos pra almoçar, enquanto eu ficava sem quase nada em casa pra dividir com as minhas duas crianças, era uma vida muito difícil. Mais venci, superei, criei todos os dois e formei duas criaturas abençoadas, especiais em minha vida, um pedacinho de mim. E depois de grande meu filho sai de casa, sem que eu esperasse, sem ser planejado, era muito triste pra mim, mais não era o fim do mundo, tinha que continuar seguindo, a sensação era que estava faltando um pedaço de meu, longe de meu menino a vida se arrastava pior pra mim.

Eu ainda tinha a Paula Kayne, pra me dar atenção e eu ela, a Paula com o seu jeito muito diferente do Pablo, gênio forte, mais uma doce menina quando queria ser gentil, tão jovem, e já dividia a vida ao lado de um companheiro, tinha me dado o maior presente que alguém poderia ter na vida, a Sophia, a nossa princesa, uma criança linda, eu era a avó mais coruja do mundo, foi a Sophia que me ajudou a seguir com a saudade

A Sophia, minha netinha linda, nasceu em oito de março de 2011, nasceu no Dia Internacional da Mulher, uma homenagem sagrada a mim por ser um dia especial, e eu ganhava o meu maior presente.

A vida tinha outro rumo pra mim, mais ocupações para ocupar a mente, parar de pensar demais naquele amor obsessivo, que não saía do coração, embora depois daquele dia difícil entre a gente, eu prometi pra mim mesma que tudo ia a mudar, que eu iria deixar de pensar nele, me amar mais, pensar mais em mim e estava dando certo.



CAPÍTULO VI

UMA NOVA MULHER

Fim de mais um ano se aproximava, 26 de dezembro de 2013, eu estava completamente confiante em minha decisão, precisava agir, não dava mais pra esperar por um milagre, que nunca aconteceria, e depois eu tinha meu direito de tentar ser feliz, pois o Jorge já tinha feito a escolha dele há muito tempo, ele refez a vida dele ao lado de outra mulher e a essa altura eu me perguntava pelo o quê mesmo eu continuava esperando, um milagre? E se for mesmo real que milagres não acontecem, eu iria esperar a vida toda? Seria patético demais de minha parte deixar morrer os restos de meus sonhos junto com a minha vontade de viver e analisando a minha situação, a vida que eu vivia, a solidão cruel que enfrentava dia e noite sem ninguém, decidi mudar o rumo de minha vida, precisava arriscar.

Era uma escolha, nada relacionado com sentimento, era questão de sorte de ambas as partes, também seria uma grande responsabilidade de minha parte, porque eu não tinha de forma nenhuma o direito de envolver uma pessoa em minha vida sem ter a certeza do que estava fazendo, mesmo sem pensar muito na situação, apostei em meu plano.

A vítima, ou o sortudo, era um velho amigo, amigo de mais de seis anos, onde acompanhou grande parte de minha dor, por muitas vezes me deu o colo pra chorar minhas tristezas, e essa situação se repetia frequentemente a cada mesa de bar que sentávamos pra tomar uma gelada, já era rotina, porque eu bebia demais naquela época de grande angústia, entre nossas conversas eu já havia percebido certo interesse dele em mim, muitas das vezes cheguei a agir com frieza, estava pouco me lixando se era sentimento da parte dele ou não, reconhecia que tinha certo egoísmo, mais a situação que eu vivia não tinha cabeça pra pensar em outras pessoas, estava quase virando uma alcoólatra.

Mais Cansada de tanto sofrer, coloquei em prática a minha decisão, convidei o meu amigo, que a essa altura, já estávamos afastados das rotinas de bar e fazia uns três anos, então- o convidei pra Ceia de Natal em minha casa e assim partia pra o ataque seria direta mesmo, não tinha nem um pouco de paciência pra jogo de sedução, era pegar ou largar.

Só que na Ceia não foi possível agir como o planejado, mais no dia seguinte o meu amigo, provavelmente percebendo, veio me visitar e sem perder tempo, eu o chamei pra tomar uma cerveja, pois assim eu criaria coragem.

E na volta do Bar da Morena, de propriedade de minha prima Solange, joguei minha investida, sem medo de errar.

Ariosvaldo, conhecido por todos por Dinho da oficina, por ser mecânico de moto há muito tempo na cidade Capela do Alto Alegre, pessoa de bem, respeitado na cidade por ser humilde, comunicativo , já não era mais um jovem, estava com 58 anos, um homem de meia idade, que, com certeza, não estava ali pra brincar com os sentimentos de ninguém, mesmo por que ele já tinha sofrido muito na vida, tinha sido abandonado de um casamento de mais de 30 anos, onde ele sofria demais com as diferenças do mesmo, por incrível que pareça tínhamos algo em comum, nossas histórias eram parecidas, e pensar dessa forma me passava segurança.

Era tudo que eu precisava a certeza de que nunca mais seria machucada por ninguém e via no Dinho essa segurança e que nos dois poderíamos sim dá certo, éramos a companhia que nós dois precisávamos pois ambos estávamos solitários, sofridos, e foi focada nessa possibilidade que fiz o meu pedido.

_ Dinho, aquela sua proposta de tempos atrás ainda está de pé? Por que estou aqui no momento decidida a encontrar alguém pra minha vida e esse alguém eu decidi que seria você. Por uns minutos ele ficou atônito, sem saber até mesmo o que responder, meio trêmulo e sem cor, não tinha noção, ou então eu não era mais querida por ele, não até onde chegava a dimensão de seus sentimentos, sei que ele ficou sem cor e me vendo naquela situação meio crítica até brinquei com ele. _ Calma, não morra, pois eu quero você vivo. Ele mais aliviado começou a sorrir e sem perder tempo, continuei falando.

_ Dinho, eu sei que somos amigos de muito tempo e nossa amizade é muito importante, por isso pensei muito pra tomar essa decisão, tenho medo de não dá certo nós dois, e isso fica claro que a nossa amizade a partir daí com a certeza ficará abalada ou até mesmo pode acabar, mais a gente só vai ficar sabendo tentando.

_ É verdade, também pensei muito, mais você está certa, essas coisas acontecem é com amigos mesmo, só não pode acontecer com inimigos, né verdade?

_ Então o que você está esperando pra me beijar?

O beijo aconteceu, não com muito entusiasmo, mais deu certo e na verdade o que começou como uma brincadeira virou uma sólida relação de companheirismo e afeto, onde já estamos completando dois anos de convivência, nós combinamos em tudo que fazemos, nos respeitamos por demais, entre nós dois temos carinho, solidez , companheirismo, respeito, posso garantir que vivo muito bem ao lado dele, só fico triste por não poder dar amor pra ele, o amor tão sonhado, que o coração precisa ter pra sermos completamente felizes, mais a vida é assim mesmo, aprendi que não podemos ter tudo que queremos.

Tenho uma vida atarefada, cuido de meu pai, que em consequência de uma artrose, meu velhinho perdeu os movimentos das pernas, vive imobilizado, em cima de uma cama, nem se mexe de um lado para o outro, eu que cuido de todos os seus movimentos são feito com minha ajuda. é uma vida muito difícil, é muito triste ver o meu pai assim nessa situação, vivo pedindo forças a Deus para cuidar dele, continuar sendo forte o suficiente, é uma luta pesada, muito stress, muita correria, cuido ainda de minha netinha, a Sophia com quatro anos de idade, uma princesa, ela me faz companhia, adoça e azeda o meu dia com as suas bagunças. coisas de criança.

Convivo ainda com a saudade de meu filho o Pablo que ainda mora em Mato Grosso, vivo alimentando os planos de ir morar lá perto dele, pois já são quase dois anos sem vê-lo sinto, muita saudade, muita vontade de ver o meu menino.

Minha filha é hoje separada da relação que ela tinha de cinco anos com o pai da Sophia, isso me deixa com certo medo, não sei ainda se foi bom ou ruim, tenho medo dela seguir a minha história, não posso nem pensar em ver minha filha sofrendo e vivendo o que vivi, quero vê – la sempre feliz, assim eu posso viver em plena tranquilidade.

Janeiro de 2016, novo ano e com ele mais uma perda, dia 28, terminando o mês de janeiro, meu querido e amado pai veio a óbito, muita tristeza pra mim, de muita saudade, meus dias dali pra frente seriam de mais saudade ainda, mais por outro lado, apesar da despedida ser triste por demais, podia pensar em agradecer a Deus, por ter deixado meu tesouro por todo aquele tempo ao meu lado, ele partiu aos 86 anos, meu herói, meu guerreiro. O velório reuniu algumas pessoas da família, meus dois irmãos, o Edilan que ainda hoje vive cantando, tem hoje o seu próprio grupo musical e o Juliano, já o Edissandro não foi possível a presença dele pelo fato de estar realizando o curso na polícia militar, era esse o maior sonho da vida dele, havia trocado o emprego de muitos anos sendo escriturário de Bancoob, e nesse dia ele estava muito longe de nós, infelizmente não pôde se despedir de nosso pai.

O tão esperado reencontro como o meu amado filho, aconteceu na cidade de Tangará da Serra, em Mato Grosso, foi no dia 18 de março de 2016, finalmente tive a alegria de ver meu filho ele havia mudado \á apenas um mês de Denise, para Tangará da Serra, ambas no Mato Grosso, e eu com a perda de meu velho pai, não esperei mais tempo em mudar para perto de meu menino. Hoje moramos todos em uma casa, eu o meu filho, minha filha e minha netinha, o meu companheiro, tem vindo apenas passar tempo e volta em função de muitas coisas pendentes na Bahia, apenas planejando se mudar também pra perto de mim.

Aqui em Tangará, mudei completamente minha vida, hoje trabalho, numa empresa grande e bem destacada na cidade, sou operador de caixa, no BigMaster Supermecados.

Além disso me encontro com o primeiro semestre concluído, na faculdade UNOPAR, no Curso Superior de Processos Gerenciais, finalmente realizada , e vitoriosa.

FIM


52

Resumo fFinal

Sou Girlene Maria da Silva, autora e narradora dessa minha história, sou natural do interior da Bahia, cidade natal Mairi , tenho hoje 44 anos, nasci em 20/11/1971.

Meu histórico acadêmico tem o ensino médio completo, e alguns cursos proficionalisantes profissionalisantes, foi até aqui os únicos objetivos que conquistei.

Terei ainda muito a conquistar, pretendo em breve cursar psicologia , esse é o primeiro dos cursos que tenho em mente.

Após, eu pretendo cursar litereturaliteratura, jornalismo, enfim, uma longa estrada pela frente a caminhar.

Hoje resido em Tangará da Serra MTem Mato Grosso, ao lado de meus dois filhos e meu comapnheiro companheiro Ariosvaldo, eu me sinto uma vencedora e uma mulher realiszada, ainda cheia de sonhos e em busca de meus objetivos. Enfim uma literalmente feliz.

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