Nos caminhos da vida girlene silva



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NOS CAMINHOS DA VIDA

GIRLENE SILVA

Girlene Maria da Silva

Nos Caminhos da Vida

Experiências vividas que darão exemplos e ajudarão a melhorar os relacionamentos pessoais

SUMÁRIO


1­ - A FAMÍLIA

2 - PRIMEIRA PAIXÃO

3 - O CASAMENTO

4 - CONTINUAÇÃO VIVIDA

5 - AS DESAVENÇAS

6 - UMA NOVA MULHER

AGRADECIMENTOS

Meus agradecimentos especiais a Deus, nosso pai celestial, dono de minha vida e de todos os meus sentidos.

E meus filhos, Pablo Rangel e Paula Kayne, que acompanharam toda a minha trajetória de vida e caminharam ao meu lado nessa minha jornada, dando forças e apoiando em todos os momentos. Minha netinha Sophia que deu um sentido novo em minha vida.

Meus irmãos Edilan, Edissandro e Juliano, que, direta e indiretamente, contribuíram, apoiando coletivamente, me incentivando para que eu seguisse em frente.

Meu pai, José Inácio da Silva, que hoje em memória, sempre foi o carro- chefe da história e por ter sido o melhor pai do mundo .

Ao meu companheiro, Ariosvaldo, conhecido por Dinho da oficina, que chegou a há pouco tempo em minha vida, mais tem sido um grande companheiro.

Agradeço ainda ao próprio Jorge, que entre tantos tumultos deixou um bom ensinamento pra mim, apesar de tudo.

E finalmente e as minhas amigas, Ivonélia Vandinélia, Terezinha, Gisleide, Juscineide, Gleide e Iara, pessoas que acompanharam de perto toda a minha história e me ajudaram com palavras de apoio e carinho, lado a lado comigo me ajudando a chegar até aqui..



CAPÍTULO I

A FAMÍLIA

Em meados dos anos 80, um tempo de pessoas simples, porém trabalhadoras, humildes, pessoas que tinham amor no coração por seu próximo vivia lutando na maneira do possível por seus objetivos, pela honra do nome da família, pelo contato com a natureza, ar puro, longe da poluição, um paraíso no meio do nada. Ali podiam cultivar alegrias, sorrisos e pureza nos corações humildes de cada pessoa.

Fazenda Caminzãozinho, cidade Capela do Alto Alegre Bahia, sertão do interior baiano, quase nada de civilização, estava nessa época sendo emancipada, com ruas em terra pura.

Só tínhamos de comunicação o correio, uma pequena Telebahia, e o rádio, isso tudo na cidade, por que na fazenda somente o rádio de pilha, que levava ao mínimo possível de civilização, e a carta. --- Era ali meu pequeno paraíso.

Era uma jovem mulher que na pureza de meus sonhos , vivia uma vida humilde, porém isenta de certas preocupações que temos hoje.

Carregava em meu semblante, uma história de dor e tristeza pela perda de uma família linda e de grande valor, por que naquela época o ser humano honesto tinha valor, não era como é hoje que cada ser humano tem valia na sociedade pelo o que possui.

Era uma família de princípios e valores especiais, não pelos dotes financeiros que tinha, mas sim pelo caráter..

E superação, por que apesar de tanta dor ainda sorria e sonhava.

E principalmente estava ali contando a minha história, mesmo sem muitas realizações favoráveis. O melhor era que estava ali e isso, já era uma grande vitória.

Uma tarde de verão ensolarada, por volta de novembro, ano de 1999, parei para fazer uma retrospectiva de minha vida passada, onde podia descrever meus dias de dor e lágrimas e assim colocar no papel a minha história.. Como narradora e escritora de minha própria história passarei, a partir desse momento, a dividir com o mundo, o meu convívio real.

Não sabia eu como , nem quando, poderia chegar ao conhecimento da mídia , mais estava ali naquele momento colocando no papel, seria apenas um passo, com um pouquinho de sorte e com o passar do tempo, poderia um dia ter essa oportunidade, mais sabia que nas condições de vida que vivia seria muito difícil, só que não perderia nunca a esperança.

Aos 20 dias do mês de novembro de 1971,quando cheguei a esse mundo de ilusão, era uma criança linda, cabelos negros, pele branquinha, a alegria no lar de minha família Silva. Nessa época morava na Fazenda Santo Antônio do Argúim, Município de Monte Alegre no estado da Bahia, hoje conhecido por Mairi Bahia, na verdade nasci na Fazenda Santa Rosa de propriedade do Sr. Pedro de Ranulfo, como era conhecido por todos na região. Um fazendeiro de nome, minha mãe estava a passeio por ser parente e amiga da família e ali eu nasci..

O tempo foi passando e eu crescendo , só que o destino já tinha escrito minha história com letras negras, Sabia cada passo que daria e o que iria me acontecer, até ali éramos uma família feliz, composta de cinco pessoas, um casal e três filhos, onde dois já haviam partido ainda bebês, antes que eu mesma nascesse...

Quando completei quatro anos de existência, um fato muito triste me aconteceu, aliás, o primeiro dos fatos que o destino havia reservado em minha vida, a perda de minha mãe pra outra vida, eu só tinha quatro aninhos, tão pequena, tão frágil, quem nem podia me explicar o porquê, eu tinha que passar por tanta dor, como continuaria sem o amor de minha mãezinha...

Hoje deparamos com fatos como esse a todo o momento e ainda é difícil de definir. Apesar de ninguém se acostumar com uma perda dessa Mais, ainda mais naquela época. Era um acontecimento raro, as pessoas se amavam mais, conservavam mais, tinham mais respeito pela família e quando um fato como esse acontecia, especialmente numa localidade como aquela que o povo era amoroso, solidário, era na verdade um golpe muito grande, ainda mais no coração de uma criança...

Infelizmente hoje vemos casos piores, de crianças que perdem suas mães violentamente pelo próprio pai, ou pela sociedade cheia de gente monstruosa que traga seus membros de forma brutal. Mas o que descrevo aqui é uma sociedade diferente de hoje, onde não conhecíamos violência e só tínhamos em nossos corações amor verdadeiro, esse é o fato que destaca a dor dilacerada no peito materno.

Daquele dia em diante o destino começou a trabalhar em minha história cuidadosamente ao contrário de uma vida feliz.

Existem pessoas hoje que dizem que não existe destino, que cada um de nos faz sua própria história. Até cheguei a acreditar nessa possibilidade, mas me pergunto quem gostaria de ter uma vida ruim se nós pudéssemos escrevermos uma história para nós mesmos?

Eu mesma jamais escreveria essa história para mim se pudesse escolher diferente.

A vida difícil que cada pessoa leva corrompe nossa boa índole e nos leva a cometer inúmeros erros e quando percebermos lá estamos nós sem saber o caminho de volta. Claro que, quando erramos, estamos somando no pacote as responsabilidades de nossos erros e até podemos mudar sim nossa história.

Eu comecei cedo a saborear a dor e a tristeza. Apesar de me transformar em uma criança rebelde, eu tinha meus sonhos, como toda criança, só não tinha ideia de como torna-los reais .

Eu sonhava ser uma atriz de sucesso, o que eu não sabia explicar era como tinha aquele sonho, já que nem mesmo sabia o que era ser uma atriz. Nunca tinha visto uma TV, já existia na cidade grande, mais eu mesma nunca tinha visto, só ouvia uma vez ou outra algumas pessoas falarem.

Era uma criança curiosa, prestava atenção em tudo a minha volta, naquela época nós até tínhamos uma boa condição financeira, mais meu pai era um fazendeiro daqueles de mão fechada e só trazia pra casa o que era mesmo necessário á sobrevivência, O que era relacionado a cultura, e educação ele chamava de luxo e dizia não haver necessidade, tinha mesmo era que economizar, e eu nem tinha como exigir o contrário, era pequena, se meus irmãos que eram maiores não se preocupavam, eu jamais poderia tomar qualquer decisão.

Tinha que me contentar apenas com os meus sonhos de criança, meu pai, além de fazendeiro, era marceneiro bem procurado e conhecido na região, o povo comentava entre eles que uma vez ele havia tentado fabricar um avião, era muito inteligente e só tinha ido á escola dois dias e já era bom leitor para o tempo tão atrasado que vivíamos.

Três anos depois meu pai se casou de novo, contra a vontade de meus irmãos que achavam muito cedo, a partir daquele momento o nosso lar, passou a ser terrível pra nós, minha madrasta me maltratava muito pra tentar controlar minha rebeldia, mais era inútil...

Minha irmã estava prestes a se casar obrigada por meu pai, com um homem de caráter sujo, por ter sido vítima de uma gravidez indesejada . Os pais daquela época não perdoavam, nem criavam filho de ninguém, engravidou tinha que casar, e por ser decidido, ele a obrigou a se casar com o sujeito, não sabendo que estava cavando a própria sepultura dela

Depois do casamento forçado, ela era torturada, agredida, passava privações escondida, pois ele vendeu tudo que ela tinha recebido de herança de nossa mãe, até que foi viver numa casinha bem humilde, com apenas dois cômodos sem nenhum conforto.

Ali nasceu seu primogênito, que em pouco tempo descobrimos que era uma criança com deficiência mental e quando completou dois anos nem andava ainda, talvez por causa das sequelas , e mesmo assim nasceu mais um bebê naquele lar sem estrutura alguma.

Nesse mesmo tempo já existiam mais dois irmãos em minha casa, por um lado alegria, do outro, vinha mais uma grande tristeza. Minha irmãzinha, três dias depois de chegar da maternidade, sofreu mais uma de suas violências e dessa vez veio a fatalidade, pois ficou muito doente após aquele espancamento de murros, e apenas um ano depois ela veio a falecer.

Mais uma grande perda em minha família, eu amava minha irmãzinha e estava ali me despedindo dela pra sempre, tinha prometido silêncio pra ela, sobre a violência terrível que ela havia sofrido, só que naquele momento nada mais me fazia calar e comecei a falar pra todos que estavam presentes, que existia um culpado por aquilo tudo e que ele estava ali , chorando lágrimas de crocodilo, quando na verdade ele tinha matado minha irmã.

O povo assustado com tamanha declaração, nem mesmo queriam acreditar por minha pouca idade, meu pai logo me levou para o quarto, tentando me acalmar e dizendo aos demais que era coisa de criança. Eu já era uma mocinha, tinha 11 anos, mesmo assim fui considerada como criança. O importante era que ali desmascarei aquele canalha e desabafei minha dor.

Agora mais uma etapa dolorosa tinha que passar, a perda dela, o destino das crianças, com quem ela, iriam morar, meu pai queria criar os dois, mais foi de seus planos descartado, quando o canalha do meu cunhado teve a autoridade de doar o Márcio para um casal, onde tinham parentesco com a nossa família e sendo assim, meu pai não quis criar um neto sozinho, por que queria os dois irmãos juntos, então também doou o Marcelo, para um tio nosso e assim foi tomado um destino diferente cada um..

Estava começando a minha adolescência, além da rebeldia, agora enfrentava um grande trauma, era meu destino, escrito com letras vermelhas, semelhança de sangue e dor, agora uma nova história para toda família , passava da alegria para a tristeza. Por que tinha que ser assim? Será que existia uma explicação? O que levava a destruição de uma família tão linda e feliz? Como ainda explicar que nós mesmos traçamos nossa história, nosso próprio destino?

Parecia que minha família, carregava uma sentença de partir tão cedo e não parava por aí, mal conseguimos amenizar a perda de minha irmã, o meu irmão Irênio, um jovem com apenas 23 anos, cheio de vida pela frente, trabalhador, que passava as horas vagas a cantarolar e tocar violão na melodia da música “Os Botões da Blusa”, de Roberto Carlos, que me lembro como se fosse agora, ouço até a voz dele, era alegre, apesar de tanta perda, mas sabia superar calado, calmo, carinhoso comigo, ele me amava, eu vivia sentada em seu colo, apesar de ter quase 12 anos, mais era criança quando estava perto dele, parecia ser forte e saudável e de uma hora para a outra, veio mais uma fatalidade, uma doença , onde não foi possível encontrar a cura, por ter sido descoberta sua verdadeira origem tarde demais, Doença de Chagas Havia sido picado pelo mosquito transmissor dessa terrível doença, o Barbeiro que acabou levando a vida de meu irmão querido, um ano depois da morte de minha irmã.

Eu tinha 12 anos, tão jovem e já com uma série de problemas, traumas, dores, tristezas, uma adolescente que não sabia como seguir... Aqueles momentos eram muito difíceis, não tinha ninguém para dividir a minha dor, não tinha diálogo com o meu pai, eu o amava muito, mais existia uma distância entre a gente, que nos separava da realidade levada pela rebeldia, Com a minha madrasta era muito pior, essa era minha inimiga de carteirinha, da família feliz citada no início da história ficou só um sonho, por que a mesma tinha se transformado em um pesadelo, tinha agora três irmãos no meio de todos esses acontecimentos, eles nem tiveram o sabor de ter uma família alegre, como eu tive, mesmo por pouco tempo.

Após toda aquela tempestade de dor e tristeza meu pai decidiu vender todos os bens, entre eles estava a Fazenda Santo António do Arguim e assim mudamos para um pequeno sítio, que tínhamos, onde morava nossa avó, no município de Capela do Alto Alegre na Bahia, denominado Fazenda Caminzãozinho, aproximadamente a 40 km de Mairi, distância calculada pela estrada de chão, a única que ligava os dois municípios.

Apenas eu e meu pai mudamos para aquele pequeno paraíso distante de tudo o que era civilização, porém de ar natural, onde podíamos acordar com os acordes dos pássaros , respirávamos ar puro, tinha alimentos com fartura , dificilmente perdia uma colheita, existia uma tranquilidade, um convívio com a paz.

Distante da civilização, mas também das lembranças. Só tinha a saudade de todos que partiram para outra vida e os que ficaram para trás, por arrogância da mãe deles, pois a minha madrasta e as crianças tinham ficado na Fazenda Minação, de propriedade da mãe dela, até decidirem onde iriam morar, pois ela se negou a nos acompanhar por não gostar daquela região.

Ali me deparava, com uma nova vida, onde não tinha muita opção, nem escolha, nós tínhamos dinheiro, mais não usufruía, não tinha onde comprar nada, a cidade mais próxima era Capela do Alto Alegre, porém a 20 km e só tinha um transporte de oito, em oito dias que nos levava á feira livre.

Só tinha como diversão o rádio de pilha que me ligava á civilização e ajudava a desenvolver a minha inteligência. Ali comecei uma nova descoberta, fazer amigos á distâncias através de cartas ,era o único meio de comunicação que tínhamos. Assim construir um grande círculo de amizades saudáveis que até hoje nunca conheci a todas, cheguei a conhecer algumas, mais perdi logo o contato, além delas os meus amigos locutores, que eu venerava demais, Tinha um carinho imenso por cada um deles, posso me lembra de José Ribeiro, da Regional AM, também o Celso Oliveira e o Jorge de Almeida, esse era idolatrado por mim, fazia um programa á noite e eu não dormia sem ouvi-lo.

E ainda existiam as meninas, filhas de uma vizinha, e nessa família fiz morada, adotei como a minha família e ali ganhei uma nova mãe e um monte de irmãs, que faziam a minha vida mais alegre dia após dias...

Em meio a tanto conflito e emoções vividas, parei pra analisar meu presente; lágrimas rolavam de meus olhos como um rio, em tempo de enchente, falar de meu passado era viver tudo de novo, estava agora com 28 anos, ainda vivia no mesmo sitio.

Era agora uma mulher vazia e solitária, onde os sonhos tinham passados junto com o tempo, estava separada de um casamento fracassado, onde havia sofrido inúmeras privações, podia ver a vida de minha irmã em minha própria vida, apenas tive mais sorte que ela, porque fui corajosa enfrentando a sociedade preconceituosa daquela época, e optei pela separação, escolhi viver, em vez de morrer, Havia um motivo muito especial para tal decisão, pois algo de mais importante é que eu era mãe, ao contrário de minha irmã, que morreu pra não separar, com isso deixando para trás dois filhos, que sofreram nas mãos de outras pessoas, mesmo sendo da família, jamais seria a mesma coisa.

Meus dois tesouros Pablo Rangel e Paula Kayne, duas crianças lindas que tinham seis e quatro anos e agora eu tinha o dever, de dar amor dobrado, ser mãe e pai ao mesmo tempo.

Eles me olhavam naquele momento assustados, por não saber o que tanto me fazia chorar, enquanto andava de um lado para o outro em minha sala vazia.

Era uma casinha simples, com paredes esburacadas e amarrotadas, era sem nenhum conforto, mais era o meu único lar. E tinha que agradecer a Deus, por que á aquela altura, eu tinha o apoio de meu pai, que em momento algum ele me deixou sozinha, até podia me divertir com a mobília velha e o tradicional fogão a lenha.

As lembranças de meu passado passavam como cenas de filmes de terror em minha cabeça, podia sentir o cérebro quente e o coração batendo descontroladamente e, no entanto, escrevia, misturando a tinta da caneta com as lágrimas que insistiam cair de meus olhos, molhando minha face triste.

Lembro-me que minha adolescência foi toda errada,. Comecei a namorar muito cedo, nem sequer havia parado para pensar nas consequências, que viriam depois que aquela rebeldia sem freio passasse e o quanto tudo iria me afetar emocionalmente.



CAPÍTULO II

PRIMEIRA PAIXÃO

O ano era 1987, tinha dezesseis anos, uma adolescente inteligente, descobrindo novas emoções, agora tinha um círculo de amizade diferente, afinal ali tudo era novo, Amigos, novos ares que só respirava ar puro, para quem entende o que falo, era um paraíso no meio do nada, que hoje pode não ter tanto valor, mais quem viveu sabe o quanto se é feliz, no meio do nada, e também acordava com o canto dos pássaros, tinha disposição pra tudo.

O que me deixava triste era a dificuldade para estudar, tinha que andar vinte e quatro quilômetros percurso feito de ida e volta para encontrar a escola mais próxima.. Tinha um desejo interminável por estudar, e com essa dificuldade via meus sonhos indo pelos ares, mais eu tinha um potencial avantajado se comparado a todo a minha volta.

Gostava muito de ler, escrever, criava sonetos, e poesias, eu nem sabia como se chamavam aqueles versos que se juntavam, mais sabia juntar as palavras e formar uma bela poesia e um lindo soneto, ás vezes dava inveja nas pessoas, ao verem tanta inteligência, saia gente de longe para pedir que eu escrevesse uma carta, era o único meio de comunicação das pessoas naquela época,. Telefone nem se falava, internet ninguém nem sonhava com esse nome, e eu era cúmplice dos segredos de todos que vinham até a mim precisando de ajuda, assim eu era conhecida como a menina sábia porque apesar do pouco conhecimento social possuía inteligência que vinha da alma, dom dado por Deus. Eu tinha amigos verdadeiros que podia confiar e dividir os meus segredos, primeiro foram os de amor que toda jovem tem, todo final de semana, mesmo naquele lugarejo, tinha um local de diversão; ali tinha música tocada na antiga radiola, que funcionava a pilha, não tinha muita potência, mais mesmo assim a moçada dançava, ao som do cantor Amado Batista, era um dos melhores cantores da época. Entre eles estavam também o cantor Carlos Santos o cantor saudoso Carlos Alexandre e ainda tinha a música mais antiga do tempo de meu pai, o José Ribeiro e Waldick Soriano e muitos outros, tudo música de verdade por que existiam letras nelas, e foi em uma dessas poucas diversões que eu conheci o meu primeiro amor, aos 16 anos, Eu parecia uma princesa, tinha a pele linda, cabelos negros, não precisava de muita coisa pra ficar bela, maquiagem, nem pensar, era beleza natural mesmo os tempos eram outros, onde tudo era natural, a química não tinha espaço, mesmo por que, tínhamos sorte grande, meninas do interior do sertão, sem precisão, ou vaidade de estar pintando cabelo, eram coisas sem necessidades.

Ainda existem pessoas que se lembram e afirma com clareza. Não estou aqui pra me exaltar, foi um tempo passado, onde eu era muito feliz.

Descobrindo o primeiro amor de adolescência o escolhido foi o José Ribeiro um rapaz simpático, elegante, de boa formação cultural, e seu cartão de visita eram o seus belos par de olhos verdes, tinha 23 anos, lindo charmoso, perfeito e estava naquela região tão deserta, a trabalho, era vigilante da firma Odebrecht. Fui apresentada ao belo e encantador através de minhas amigas e vizinhas, numa dessas tardes de meio de semana que sempre que podíamos nós estávamos juntas e na casa da Florisvalda, conhecida carinhosamente por Flor, e em um desses dias, estava o José Ribeiro e dois amigos que a partir daquele dia tornaram= se grandes amigos também e dessa amizade, nasceu uma história de contos de fadas, muito linda...

Achava eu que ainda poderia ser feliz e por que não? A tempestade havia passado, os entes queridos que se foram não podiam voltar mais e agora precisava apenas guardar no coração as boas lembranças daqueles tesouros que perdi, eu tinha que entender que estava viva e precisava continuar vivendo. O meu coração, como é até hoje, era tão bobo que se derretia todo a cada emoção, e agora como se tivesse encontrado algo de mais encantador, batia feliz parecendo um pandeiro em noite de forró na roça. Que tempo bom !

Agora tinha brilho nos olhos, podia sorrir de verdade, a alegria era interminável e agora poderia eu realizar meus sonhos, afinal a mulher era criada pra isso, naquela época. Então curtia o meu convívio caipira, onde a felicidade estava em um amor, casar, ter filhos.... Não sou do tempo da antiguidade, mais ainda alcancei quando a mulher era criada e educada pra isso, quem falava em profissão, trabalhar fora de casa, era coisa que existia, só existia na capital, no interior a coisa funcionava assim mesmo, a mulher era educada pra encontrar o amor e casar.

Era tudo que eu precisava, com a diferença do tempo de meu pai e de meus avós que não tinham o direito de escolher o amor, tinha que ser sempre o primogênito, ou a primogênita, que fosse de boa família, então este era o pretendente escolhido pelos pais.

No meu tempo já podia escolher quem seria o pretendente e o meu era aquele jovem, assim o meu coração me dizia.

Mais como dizem os velhos ditados populares :tudo que é bom dura pouco ou ainda que Alegria de pobre acaba logo ao amanhecer, e assim foi escrita a nossa história.

Podia lembrar naquele momento de todo acontecido e vivia tudo novamente.

Por um momento pensei em parar, a cabeça parecia querer explodir de tanta dor, mais precisava continuar e se havia chegado a essa conclusão, não podia agora desistir no meio, tinha que ser forte e encarar o meu passado... E lembrar bem que era passado, agora era outra vida, apesar, que também não muito boa.

Como nos dias de hoje, existia naquele tempo aquelas pessoas que gostam de interferir na vida dos outros, os tradicionais fofoqueiros, isso era raro mais tinha, eram fofocas, inveja, ambição, mais eu era tão ingênua, que nem podia acreditar que eu seria vítima de tal coisa.

O coração estava em festa e era tudo que importava pra mim desde o primeiro beijo que já não tinha nenhuma dúvida que Ribeiro seria o homem certo e que me faria feliz.

Só que um dos amigos de Ribeiro, o Joílson, um rapaz moreno, com 19 anos, natural de Pernambuco, precisamente da cidade de Cabrobó, estava ali na qualidade de amigo e com ele seu irmão o Noel, dois anos mais velho que ele, e todos os três, eram segurança da mesma firma, e desde o início de contrato andavam juntos. Antes de namorar o Ribeiro, o Joílson havia me paquerado e não aceitando um não como resposta, decidiu atrapalhar o nosso namoro,

O primeiro passo foi uma terrível calúnia, onde violava a minha integridade moral, hoje isso é natural demais, mais por que o povo aceita? Existe punição, naquela época, quem era punido era a vítima, por que tinha de todo jeito que casar se fosse verdade aquele comentário.

Hoje existe a punição por lei, temos a presença de três modalidades de crimes que violam a honra no Código Penal seja ela objetiva ou subjetiva : a calúnia (art. 138), a difamação (art. 139) e a injúria (art. 140). Tais crimes são causadores de frequentes dúvidas entre os profissionais da área jurídica, mais naquele tempo era apenas imperdoável. Se um rapaz desonrasse uma moça, Este era obrigado a casar com ela e baseado nessa esperada possibilidade, Joílson foi até Ribeiro falando que ele não podia se casar comigo e o motivo era por que eu o havia traído, no português daquela época tinha me deitado com ele, com isso ele era o devedor de minha honra, enquanto eu me fazia de santinha.

Foi pra Ribeiro uma descoberta dolorosa que a princípio criou uma grande barreira entre nós dois, duvidando de minha pureza.. A nossa relação se desmoronou e com medo de perdê-lo e ainda ser obrigada a me casar com Joílson, tomei uma atitude severa e precipitada, era muito ingênua, muito jovem, queria provar que Joílson estava mentindo, que era uma calúnia e a solução seria me entregar pra Ribeiro, assim ele poderia ver que eu era casta e não perderia o meu amor. Como planejado em meu pensamento, assim aconteceu; só não pensei nos riscos que correria, já não morava mais sozinha com o meu pai, a minha madrasta severa, tinha vindo morar com a gente, com os meus três. irmãozinhos e ela me perseguia com sua proteção demasiada, de olho bem aberto em meu namoro e não perdeu tempo em descobrir meu sumiço da cama naquela noite.

Nos braços de meu amor eu vivia delírios de prazer, inocente, não tinha nenhuma maldade, estava loucamente apaixonada e tinha certeza que não me arrependeria jamais do que estava fazendo, aquele rapaz de olhos verdes, me proporcionava muita felicidade e meu coração dizia que era só o começo de tudo, mais na verdade era o começo de muito transtorno que ainda viria pela frente, não teria dúvida. Ainda hoje, tenho essa certeza que seria sim o homem da minha vida, porém mais uma vez o destino escrevia uma nova história para mim.. Agora já era uma mulher... Uma mulher feliz, mas foi apenas um pequeno espaço de tempo até Joílson, se manifestar com o seu novo plano, maquiavélico, para acabar nossa relação amorosa e feliz, Parecia uma fotonovela, por que a cena do próximo capítulo estava ali novamente, foi aí que pude ver que já era a atriz principal de minha própria vida, minha própria história, ali vivia meu papel principal, era sim uma atriz na vida real.

E assim o próximo plano de Joílson aconteceu, reunindo alguns colegas. Forjaram um falso assalto. O objetivo era serem demitidos e transferidos para outra cidade, de preferência bem distante dali, assim o Ribeiro ficaria pra sempre longe de mim.

E assim como o planejado aconteceu, eles fuzilaram todos os carros da empresa que estava ali na Jazida, era pavoroso pra mim, ver tamanha violência, quando nunca tinha visto antes, de tiro só conhecia a espingarda que meu pai usava pra caçar e naquele dia me parecia mais uma terrível revolução, e era mesmo uma revolução diabólica, planos para destruição de felicidade e sonhos, no dia seguinte o esperado aconteceu. Foram todos demitidos da empresa.

Agora a gente não podia mais se ver como antes, era uma região de difícil acesso de transporte, contava, apenas com a bondade de Osvaldo, o moço que transportava a refeição da turma.

Nesse sacrifício passou um mês, então Joilson vendo que não tinha resolvido ele, não parou por aí e ficou enfurecido, por que Ribeiro conseguiu provar que não estava presente naquele atentado, sendo readmitido e por saber que mesmo assim a gente ainda estava juntos.

Reuniu novamente a turma de aproveitador como ele e planejou um novo atentado e dessa vez o alvo seria o gerente da empresa, o Sr. Adalberto, Ele seria espancado brutalmente por todos do grupo maquiavélico de Joílson, que passou de funcionário se tornou agressores e em sequência fugitivos da polícia, tendo que fugirem pra longe e levando junto o meu amor.

Era sábado, 30 de novembro de 1988, quando eu seguia até São José do Jacuípe BA, cidade vizinha, a convite de Ribeiro para uma noite de festa, estava tão feliz, nunca havia participado antes de uma festa assim, com banda ao vivo, as únicas que conhecia eram com sanfoneiro e nada mais. Mais foi grande a minha decepção quando me deparei, com uma realidade contrária, Ribeiro havia fugido junto com os outros e ninguém sabia dele, aquela foi a noite mais triste que vivia em minha vida, primeira decepção amorosa, tinha apenas 16 anos, não sabia na verdade se o que sentia era amor ou paixão, só podia sentir naquele momento uma dor no peito que sufocava tudo por dentro, uma angústia que não tinha fim, Fiz uma pausa, em minha escrita e mais uma vez, deixei as lágrimas quentes rolarem de meus olhos e cada vez mais eu podia ver que escrever minha história não seria fácil, por que podia sentir na pele, tudo de novo, como se estivesse acontecendo naquele momento, minhas crianças davam voltas de suas brincadeiras, ficavam inquietos ao meu lado, ás vezes choravam e me vendo chorar, tinha que da consolo, por que eles não entendiam, nem tinha culpa de nada.

Lembrei- me do casamento que era tão sonhado por mim e que o mesmo havia acontecido, com a pessoa errada e tudo de bom que podia lembrar era dos meus filhos, já não era fácil aguentar um casamento sem amor, ainda mais o meu que tinha sido com um moleque, que só vivia me traindo, roubando meu dinheiro e confiança, muitas humilhações, eu estava sempre só, sem carinho, sem diálogo, sem respeito e o pior de tudo é que não podia separar, por que seria condenada pela sociedade preconceituosa, que jamais aceitaria com bons olhos uma mulher separada....

Respirei fundo, enxuguei as lágrimas e continuei a escrita, tinha que terminar, a tarde já ia caindo e eu não estava, nem mesmo na metade da escrita, a noite não dava pra escrever, por causa da única luz que tinha ser a de um lampião de gás.

Continuaria na manhã seguinte após fazer os trabalhos domésticos, logo mais meu pai chegaria da roça, tinham as crianças para dar banho, afinal minha vida era corrida, eu tinha muitos afazeres durante o dia...Só que não podia esquecer que precisava colocar minha história no papel e se conseguisse publicar, apesar de ser muito difícil, por que não tinha dinheiro, nem tão pouco noção de como faria, para realizar este sonho, mais mesmo assim não perdia a esperança, nem que ficasse engavetada anos e anos, tinha certeza de que um dia, algo acontecer ou alguém no mundo moderno, tudo dependia do tempo. Mais a ansiedade de ver pronto, como iria ficar, não perdia tempo, todo tempinho que tinha nas horas vagas, estava eu com o caderno e caneta na mão escrevendo cada etapa vivida...

Três meses se passaram e eu ainda sem conseguir recomeçar a minha vida, então decidi passar um tempo em Capim Grosso, também na Bahia, na casa de uma tia paterna, assim conheceria gente nova, ficaria livre por um tempo, dos falatórios dos fofoqueiros de plantão, era mais fácil de encarar a minha realidade, ali não tinha muitas lembranças, mais precisava voltar, por que não era minha casa, o que precisava mesmo era encarar a vida e os fatos, afinal era a minha realidade e eu jamais poderia mudar. Depois de seis meses, me encorajando, decidi voltar pra casa, não sabia se conseguiria esquecer, por que desde aquele tempo, apesar de ser, a primeira decepção amoroso, e quando eu gostava era pra valer, joia rara, que na maioria das vezes, os homens não gostam, mais naquele tempo eu nem sabia, se quer pensava em nada, então, pior seria tirar conclusões, de como deveria ser ou não.

Apenas estava começando a ver o outro lado da vida, o que pesava na alma, o preço que pagaria por me apaixonar e por inúmeras horas pensava, se seria um dia capaz de esquecer Recomeçar seria difícil, por que o trauma era grande, parece que doía ate mais que a própria perda, o mais desagradável era o fato de todos olharem e falarem mau, por não ser mais honrada, eu era apontada por todos, aquelas mulheres que gostavam de falar da vida dos outros, e os homens que se aproximavam pra falar piadinhas indecentes, tive que aprender a conviver com tudo isso à força, ser doce e bater quando era preciso.

Sabia que seria muito difícil arrumar um bom casamento, já que os homens bons não queriam casar com alguém que já tinha conhecido um homem, ou seja, que já tinha dividido intimidade, naquele tempo era assim, e o pior ainda estava por vir.

Deparei-me com uma grande decepção ao voltar pra casa, minhas amigas não podiam mais serem minhas amigas, por que eu já não era mais como elas, casta, ali foi demais pra enfrentar, tinha agora que seguir sozinha sem ninguém. Eu precisava fazer novos amigos e com certeza não seria mais do nível anterior, por que ninguém que soubesse de minha história, queria se aproximar de mim, mesmo assim não abaixei a cabeça, eu me lembro das muitas vezes, que precisei dar tamancadas em homens safados, procurando intimidades, eu tinha aprendido a me defender muito rápido, eu me sentia suja, mesmo depois de ter aprendido tantas coisas boa, Lembro-me que aos 14 anos eu tinha me convertido em uma igreja evangélica, a Congregação Cristã no Brasil, onde tinha aprendido muita coisas, conhecia o amor de Deus, fui convidada, não sei nem como, já que eu era tão rebelde que ninguém, tinha coragem de me convidar. Mais fui vencida pela insistência e o amor de Deus por mim, eu precisava de freio em minha vida, pois não obedecia ninguém, era tudo do jeito que eu queria, e quando queria sair ninguém me segurava. Conheci muitas outras amigas, ou colegas, pois aquela altura, já não tinha mais tanta confiança, nem podia confiar, por que havia recebido muita tortura, de pessoas que conviveram comigo e me abandonaram.

Agora eu era da noite, gostava muito de festa, dançava, só não me prostituía, paquerava um, ou outro, mais quando o assunto era sexo eu nem olhava mais para o rapaz e assim fui seguindo a minha vida.

No ano seguinte tomei uma decisão inteligente, voltar pra escola, pois tinha feito apenas o primário e já estava com 18 anos, quanto tempo perdido fora da escola por falta de oportunidade. Em 1990 retomei os meus estudos, optei por um curso de aceleração, porque estava muito atrasada, fazia a 5ª e 6ª série do ensino fundamental, e para conseguir esse curso foi muito esforço, tinha que andar três quilômetros no meio da noite e sozinha, pois o carro que nos locomovia até a escola, não ia até a minha casa e eu mesmo assim enfrentava o perigo. Tinha noite que chegava uma hora da manhã eu me esco- ndia a cada carro que apontava ao longe, pra quando ele passasse eu seguisse o meu caminho. Queria recuperar o tempo perdido, queria realizar meus sonhos e agora que já conhecia a sociedade civilizada, sabia que, só com estudo conseguiria realizar os meus sonhos e alcançar os meus objetivos. Ainda sonhava em casar , por que queria sair de vez daquela casa, onde eu brigava muito com a minha madrasta, meus irmãos eram agora três moleques levados e manipulados pela mãe para me insultar, ofender-me e jamais podia bater, eram crianças ainda, sapecas, mais eram, Mesmo sem ter nenhuma formatura acadêmica, era muito inteligente, sabia ler bem e escrever nem se fala, criava lindas poesias, versos, lembro ainda quando eu era criança que reunia muita gente à noite em minha casa só pra me ver ler aqueles livros de histórias lembro bem de Calar, o cachorro dos mortos, eu gostava muito dessa história e foi nos livros que aprendi a ser doce, sensível, mesmo sabendo que a vida era amarga comigo.

Entre palavras, a escrita e lágrimas, eu nem percebi que já era noite, a luz turva do candeeiro, ou seja, no lampião de gás não era suficiente, as crianças choravam com fome e eu precisava descansar, aquele foi um dia muito pesado, tinha revivido muitas emoções e depois de fazer minhas atividades adormeci.




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