Ministro é a vida do seu ministério



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PIEDADE E PAIXÃO
HERNANDES DIAS LOPES
A vida do ministro

é a vida do

seu ministério

_______________'>_______________________________________________________________


2002- editora candeia

As citações bíblicas foram extraídas da Bíblia Nova Versão Internacional, da sociedade Bíblica Internacional.


Digitalizado por: Pammella Carvalho


_______________
Este livro foi digitalizado com o intuito de disponibilizar literaturas edificantes à todos aqueles que não tem condições financeiras ou não tem boas literaturas ao seu alcance.
Muitos se perdem por falta de conhecimento como diz a Bíblia, e às vezes por que muitos cobram muito caro para compartilhar este conhecimento.
Estou disponibilizando esta obra na rede para que você através de um meio de comunicação tão versátil tenha acesso ao mesmo.
Espero que esta obra lhe traga edificação para sua vida espiritual.
Se você gostar deste livro e for abençoado por ele, eu lhe recomendo comprar esta obra impressa para abençoar o autor.
Esta é uma obra voluntária, e

caso encontre alguns erros ortográficos

e queira nos ajudar nesta obra, faça

a correção e nos envie.

Grato

_______________

Índice

Prefácio ______________________________ Página 04


Introdução ____________________________ Página 05
1. Piedade ____________________________ Página 08
2. Fome por Deus ______________________ Página 13
3. Fome pela Palavra de Deus ____________ Página 20
4. Unção _____________________________ Página 23
5. Paixão _____________________________ Página 26
Conclusão ____________________________ Página 28

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Dedico este livro aos doutores David Jussely e Elias Medeiros, meus professores e conselheiros, homens de vida piedosa, ministério profícuo e profundo compromisso com a exposição fiel das Escrituras.

Prefácio
A igreja evangélica brasileira está crescendo assustadora e desordenadamente. Qualquer pastor ou líder que pretende avaliar honestamente a condição em que ela se encontra, terá que fazer uma introspecção muito cuidadosa.

Por quê?

Porque a igreja é o reflexo do seu pastor.

No entanto, infelizmente, os ministros evangélicos têm sido arrastados por uma tormenta espiritual, emocional e social que desabou sobre suas casas e igrejas, comunidades e culturas.

Será que o ministério faz diferença nestes tempos moralmente atribulados e desconexos? Sim! Necessitamos urgentemente de homens de deus para liderarem os rebanhos. Porém os pastores, aqueles que têm a missão de orientar, equipar, socorrer as ovelhas, também correm sérios perigos. Com o crescimento numérico da igreja, “bebês” na fé esperam ser alimentados. O desafio é gigantesco!

Meu amigo, Pastor Hernandes Dias Lopes, que tem percorrido todo o Brasil, pregado em centenas de igrejas de várias denominações, inclusive no exterior, ouviu atentamente pastores e membros. Viu ministros sérios desenvolvendo trabalhos dignos do nome de cristo; viu pastores íntegros e bem intencionados, porém que, por desconhecimento ou pura desobediência, quebraram princípios bíblicos e estavam recebendo dividendos vergonhosos.

Viu líderes e ministros evangélicos serem tentados, viu colegas vendendo seu ministério, seu pastorado no altar do evangelho da prosperidade. Homens que priorizam o crescimento quantitativo e financeiro, enquanto as pessoas morrem de fome por falta de instrução bíblica clara, de um pastoreio compassivo e um comprometimento irrestrito.

Depois de analisar cuidadosamente a situação da igreja, o pastor Hernandes está convencido de que a maior necessidade que ela apresenta atualmente é de uma profunda restauração espiritual na vida dos próprios pastores.

Em seu livro instigante, ele destaca a vida, o caráter do pastor, sua intimidade com Deus através do estudo da Bíblia, da oração e do jejum – e a suprema importância de ser ungido e cheio do Espírito santo, tendo paixão pelo ministério.

Após ter lido “Piedade e Paixão” fui sensivelmente desafiado a refletir e avaliar minha própria vida, minha intimidade com deus e meu ensino e pregação. Para mim, pessoalmente, este livro é um recado divino: “Cuide-se!!!”.

Jaime kemp

Introdução

Pregadores rasos e secos pregam sermões sem poder

para auditórios sonolentos.
Todos nós precisamos de modelos para viver. Aprendemos pela observação. Quando seguimos as pegadas daqueles que percorrem as veredas da probidade, visamos aos objetivos de uma vida bem-aventurada; porém, quando seguimos os modelos errados, colhemos os amargos frutos de uma dolorosa decepção. São referenciais e marcos balizadores em nosso caminho. Eles são como espelhos para nós. Quando olhamos para o espelho, vemos a nós mesmos. O espelho nos mostra quem somos e aponta-nos onde precisamos melhorar a nossa imagem. O espelho possui algumas características que lançam luz sobre a vida do pregador como um referencial para a igreja.

Em primeiro lugar, o espelho é mudo e nos mostra quem somos não pelo som, mas através da imagem. Ele não discursa, ele revela. Não alardeia, reflete. Assim deve ser o pregador. O seu sermão mais eloqüente não é o sermão pregado do púlpito, mas aquele vivido no lar, na igreja e na sociedade. Ele não prega apenas aos ouvidos, mas também aos olhos. Não prega apenas com palavras, mas sobretudo com vida e com exemplo. O exemplo não é apenas uma forma de ensinar, mas A única forma eficaz.

Em segundo lugar, o espelho deve ser limpo. Um espelho embaçado e sujo não pode refletir a imagem com clareza. Quando o pregador vive uma duplicidade, quando usa máscaras vivendo como um ator, quando fala uma coisa e vive outra, quando há um abismo entre o que professa e o que pratica, quando os seus atos reprovam as suas palavras, então ficamos confusos e decepcionados. Um pregador impuro no púlpito é como um médico que começa a fazer uma cirurgia sem fazer assepsia das suas mãos. Ele causará mais mal do que bem.

Em terceiro lugar, o espelho precisa ser plano. Um espelho côncavo ou convexo distorce e altera a imagem. Precisamos ver no pregador um exemplo de vida ilibada e irrepreensível. O pecado do líder é mais grave, mais hipócrita e mais danoso em suas conseqüências. Mais grave porque os pecados do mestre são os mestres do pecado. É mais hipócrita porque ao mesmo tempo em que ele combate o pecado em público, ele o pratica em secreto. Ao mesmo tempo que o condena nos outros, capitula-se à sua força e o abriga no coração. É mais danoso em suas conseqüências porque o líder, ao pecar contra um maior conhecimento, sua queda torna-se mais escandalosa. Quanto maior uma árvore, maior é o estrondo da sua queda. Quanto mais projeção tiver um líder, maior será a decepção com o seu fracasso. Quanto mais amada for uma pessoa, maior poderá ser a dor se ela destruir com suas próprias mãos o referencial em que ela investiu toda uma vida para nos ensinar.

Finalmente, o espelho precisa ser iluminado. Sem luz podemos ter espelho e olhos, mas ainda assim ficaremos imersos em trevas espessas. Deus é luz. Sua palavra é luz. Sempre que um líder afasta-se de Deus e da sua Palavra, a sua luz apaga-se e todos aqueles que o miravam como um alvo, ficam perdidos e confusos. Os mourões que sustentam os valores da sociedade estão caindo. As cercas estão se afrouxando. Os muros da nossa civilização estão quebrados e as portas de proteção e liberdade estão queimadas a fogo. Estamos expostos a toda sorte de influencias destrutivas, porque os nossos referenciais estão fracassando.

A crise avassaladora que atinge a sociedade, também alcança a igreja. Embora estejamos assistindo a uma explosão de crescimento da igreja evangélica brasileira, não temos visto a correspondente transformação na sociedade. Muitos pastores, no afã de buscar o crescimento de suas igrejas, abandonam o genuíno evangelho e se rendem ao pragmatismo prevalecente da cultura pós-moderna. Buscam não a verdade, mas o que funciona; não o que é certo, mas o que dá certo. Pregam para agradar os seus ouvintes e não para levá-los ao arrependimento. Pregam o que eles querem ouvir e não o que eles precisam ouvir. Pregam um outro evangelho, um evangelho antropocêntrico, de curas, milagres e prosperidade, e não o evangelho da cruz de Cristo. Pregam não todo o conselho de Deus, mas doutrinas engendradas pelos homens. Pregam não as Escrituras, mas as revelações de seus próprios corações.

O resultado desse semi-evangelho é que muitos pastores e pregadores passam a fazer do púlpito: um balcão de negócios, uma praça de barganhas, onde as bênçãos e os milagres de Deus são comprados por dinheiro. Outros, passam a governar ovelhas de Cristo com dureza e rigor. Encastelam-se no topo de uma teocracia absolutista e rejeitam ser questionados. Exigem de seus fiéis uma obediência subserviente e cega. O resultado é o que o povo de Deus perece por falta de conhecimento e de padrões.

A crise teológica e doutrinária deságua na crise moral. Nessa perda de referenciais, muitos líderes têm caído nas armadilhas insidiosas do sexo, do poder e do dinheiro. A crise moral na vida de muitos pastores brasileiros tem sido um terremoto avassalador. Muitos ministros do evangelho que eram considerados modelos e exemplos para suas igrejas têm sucumbido na vida moral. Muitos líderes de projeção nacional têm naufragado no casamento. Não poucos são aqueles que têm dormido no colo das Dalilas e acordado como Sansão, sem poder, sem dignidade, sem autoridade, ficando completamente subjugados pelas mãos do inimigo. A cada ano cresce o número de pastores que naufragam no ministério por causa de sexo, dinheiro e poder. É assustador o número de pastores que estão no ministério, subindo ao púlpito a cada domingo, exortando o povo de Deus à santidade, combatendo tenazmente o pecado e ao mesmo tempo vivendo uma duplicidade, uma mentira dentro de casa, sendo maridos insensíveis e infiéis, pais autocráticos e sem nenhuma doçura com os filhos. Há muitas esposas de pastor vivendo o drama de ter um marido exemplar no púlpito e um homem intolerante dentro de casa. Há muitos pastores que já perderam a unção e continuam no ministério sem chorar pelos seus próprios pecados. Não são poucos aqueles que em vez de alimentar o rebanho de Cristo, têm apascentado a si mesmos. Em vez de proteger o rebanho dos lobos vorazes, são os próprios lobos vestidos de toga. Charles Spurgeon dizia que um pastor infiel é o melhor agente de satanás dentro da igreja.

O número de pastores e líderes que estão abandonando o lar, renegando os votos firmados no altar, divorciando-se por motivos banais, não permitidos por Deus, e casando-se novamente é estonteante. Esta perda de referencial é como um atentado terrorista contra a igreja de Deus. Ela produz perdas irreparáveis, sofrimento indescritível, choro inconsolável e feridas incuráveis. O pior é que o nome de Deus é blasfemado entre os incrédulos por causa desses escândalos.

A classe pastoral está em crise. Crise vocacional, crise familiar, crise teológica, crise espiritual. Quando os líderes estão em crise a igreja também está. A igreja reflete os seus líderes. Não existem líderes neutros. Eles são uma benção ou um entrave para o crescimento da igreja.

A crise pastoral é refletida diretamente no púlpito. Estamos vendo o empobrecimento dos púlpitos. Poucos são os pastores que se preparam convenientemente para pregar. Há muitos que só preparam a cabeça, mas não o coração. São cultos, mas são vazios. São intelectuais, mas são áridos. Têm luz, mas não tem fogo. Têm conhecimento, mas não têm unção. Pregadores rasos e secos pregam sermões sem poder para auditórios sonolentos. Se quisermos um reavivamento genuíno na igreja evangélica brasileira, os pastores são os primeiros que terão que acertar suas vidas com Deus.

É tempo de orarmos por um reavivamento na vida dos pastores. É tempo de pedirmos a Deus que nos dê pastores segundo o seu coração. Precisamos de homens cheios do Espírito, de homens que conheçam a intimidade de Deus. John Weslwy dizia: “Dá-me cem homens que não amem ninguém mais do que a Deus e que não temam nada senão o pecado, e com eles eu abalarei o mundo”.

Quando o pastor é um graveto seco que pega o fogo do Espírito, até lenha verde começa a arder.

1

Piedade



Precisamos desesperadamente, sobretudo, de pregadores piedosos
Uma das áreas mais importantes da pregação é a vida do pregador. John Stott afirma que a prática da pregação jamais pode ser divorciada da pessoa do pregador. A pregação com consistente exegese, sólida teologia e brilhante apresentação não glorificará a deus, não alcançara os perdidos nem edificará os crentes sem um homem santo no púlpito. O que nós precisamos desesperadamente nestes dias não é apenas pregadores eruditos, mas sobretudo, pregadores piedosos. Errol Hulse define pregação como sagrada eloqüência através de um embaixador cuja vida deve ser consistente em todos os aspectos com a mensagem que ele proclama. A vida do pregador fala mais alto que os seus sermões. “A ação fala mais alto que as palavras. Exemplos influenciam mais que preceitos”. E. M. Bounds descreve esta realidade da seguinte maneira:

Volumes têm sido escritos ensinando detalhadamente a mecânica da preparação do sermão. Temos nos tornado obcecados com a idéia de que estes andaimes são o próprio edifício. O pregador jovem tem sido ensinado a gastar toda a sua força na forma, estilo e beleza do sermão como um produto mecânico e intelectual. Como conseqüência, temos cultivado esse equivocado conceito entre o povo e levantado um clamor por talento em vez de graça. Temos enfatizado eloqüência em vez de piedade, retórica em vez de revelação, fama e desempenho em vez de santidade. O resultado é que temos perdido a verdadeira idéia do que seja pregação. Temos perdido a pregação poderosa e a pungente convicção de pecado... Com isto não estamos dizendo que os pregadores estão estudando muito. Alguns deles não estudam. Outros não estudam o suficiente. Muitos não estudam ao ponto de se apresentarem como obreiros aprovados que não tem de que se envergonhar (II Timóteo 2.15). Mas nossa grande falta não é em relação à cultura da cabeça, mas à cultura do coração. Não é falta de conhecimento, mas falta de santidade... Não que conheçamos muito, mas é que não meditamos o suficiente sobre Deus e sua Palavra. Nós não temos vigiado, jejuado e orado o suficiente.

A vida do ministro é a vida do seu ministério. “A pregação poderosa está enraizada no solo da vida do pregador”. Uma vida ungida produz um ministério ungido. Santidade é o fundamento de um ministério poderoso. Piedade é um vital necessidade na vida de todo pregador. Errol Hulse define piedade:



Piedade é uma constante cultura da vida interior de santidade diante de Deus e para deus, que por sua vez se aplica em todas as outras esferas da vida pratica. Piedade consiste de oração junto ao trono de Deus, estudo de sua Palavra em sua presença e a manutenção da vida de Deus em nossas almas, que afeta toda a nossa maneira de viver.

R. L. Dabney diz que a primeira qualificação de um orador sacro é uma sincera e profunda piedade. Um ministro do evangelho sem piedade é um desastre. Infelizmente, a santidade que muitos pregadores proclamam é cancelada pela impiedade de suas vidas. Há um divórcio entre o que os pregadores proclamam e o que eles vivem. Há um abismo entre o sermão e a vida, entre a fé e as obras. Muitos pregadores não vivem o que pregam. Eles condenam o pecado no púlpito e o praticam em secreto. Charles Spurgeon chega a afirmar que “o mais maligno servo de satanás é o ministro infiel do evangelho”.

John Shaw diz que enquanto a vida do ministro é a vida do seu ministério, os pecados do ministro são os mestres do pecado. Ele ainda afirma que é uma falta indesculpável no pregador quando os crimes e pecados que ele condena nos outros, são justamente praticados por ele. O apóstolo Paulo evidencia esse grande perigo:

Tu, pois, que ensinas a outrem, não te ensinas a ti mesmo? Tu, que pregas que não se deve furtar, furtas? Dizes que não se deve cometer adultério e o cometes? Abominas os ídolos e lhes roubas os templos? Tu, que te glorias na lei, desonras a Deus pela transgressão da lei? Pois, como está escrito, o nome de Deus é blasfemado entre os gentios por vossa causa”. Rm 2.21-24

Richard Baxter diz que os pecados do pregador são mais graves do que os pecados dos demais homens, porque ele peca contra o conhecimento. Ele peca contra mais luz. Os pecados do pregador são mais hipócritas, porque ele tem falado diariamente contra eles. Mas também os pecados do pregador são mais pérfidos, porque ele tem se engajado contra eles. Antes de pregar aos outros, o pregador precisa pregar a si mesmo. Antes de atender sobre o rebanho de Deus, o pregador precisa cuidar de sua própria vida (Atos 20.28). Conforme escreve Thielicke, “seria completamente monstruoso para um homem ser o mais alto em ofício e o mais baixo em vida espiritual; o primeiro em posição e o último em vida”.

É bem conhecido o que disse Stanley Jones, que “o maior inimigo do cristianismo não é o anticristianismo, mas o ‘subcristianismo’”. O maior perigo não vem de fora, mas de dentro. Não há maior tragédia para a igreja do que um pregador ímpio e impuro no púlpito. Um ministro mundano representa um perigo maior para a igreja do que falsos profetas e falsas filosofias. É um terrível escândalo pregar a verdade e viver uma mentira, chamar o povo à santidade e viver uma vida impura. Um pregador sem piedade é uma contradição, um inaceitável escândalo. Um pregador sem piedade presta um grande desserviço ao Reino de Deus. William Evans adverte:



O pregador precisa ser puro em todos os hábitos de sua vida. Pequenas raposas destroem a vinha. Ele não pode ter hábitos impuros nem vícios secretos. Deus abertamente exporá a vergonha pública aqueles que cometem seus pecados em secreto. A vida de Davi é uma ilustração dessa verdade (II Samuel 12.12). A exortação de Paulo a Timóteo é pertinente: fuja das paixões da mocidade. O pregador será privado do poder no púlpito se não for limpo em sua vida privada. Não poderá pregar ao seu povo com poder se sabe que sua vida é impura. A confiança do povo repreenderá a sua hipocrisia. Se um pregador não purificar a si mesmo não será um vaso de honra nem poderá ser usado pelo divino Mestre para toda a boa obra.

Segundo Charles Spurgeon “é uma coisa horrível ser um ministro inconsistente”. O apóstolo João adverte:”Aquele que diz que permanece nEle, esse deve também andar assim como Ele andou”(I Jo 2.6). O apóstolo Paulo dá o seu testemunho: “Sede meus imitadores, como também eu sou de Cristo” (I Co 11.1). Pedro e João disseram ao paralítico que estava mendigando à porta do templo: “Olha para nós.” (At 3.4). Gideão disse aos seus soldados: “Olhai para mim e fazei como eu fizer”. (Jz 7.17). O pregador deve ser um modelo para todos os crentes (I Tm 4.16). Quando os pregadores não são coerentes, a sua pregação torna-se vazia, pobre e infrutífera. Eloqüência sem piedade não pode gerar verdadeiros crentes. Ortodoxia sem piedade produz morte e não vida.

Em I Timóteo 6.11-14, Paulo lista quatro marcas de um homem de Deus. Um homem de Deus deve ser identificado por aquilo que foge, por aquilo que segue, por aquilo pelo qual luta e por aquilo ao qual é fiel. A Bíblia não é um livro silencioso a respeito da necessidade imperativa do caráter integro e da profunda piedade do pregador. O apóstolo Paulo adverte seu filho Timóteo: “Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina” (I Tm 4.16). Em suas cartas a Timóteo (I Tm 3.1-7) e a Tito (Tt 1.5-9), Paulo oferece um check-up para o pregador; na primeira carta aos Tessalonicenses (2.1-12), aprofunda o tema sobre a vida do pregador. Nesse texto, Paulo apresenta três solenes princípios. Primeiro, o pregador precisa de uma missão concedida pelo próprio Deus (v.12). Segundo, o pregador precisa de uma genuína motivação (v. 3-6). Terceiro, o pregador precisa de maneiras gentis. O apóstolo Paulo dá o seu próprio exemplo. Ele era como uma mãe para o seu povo (v.7-8), era como um trabalhador (v.9-10) e comparou-se a um pai (v.11-12).

Muitas das derrotas que os pregadores têm sofrido é porque não tem fome de santidade. Infelizmente, muitos pregadores estão vivendo como atores. Representam diante do povo o que não vivem em seus lares ou em suas vidas privadas. Usam máscara, vivem uma mentira, pregam sem poder e levam a congregação a dormir ou se entediar com sermões vazios e secos. Muitos pregadores pretendem ser no púlpito o que não são na realidade. Piedade no púlpito precisa ser acompanhado de piedade no lar. É impossível ser um pregador eficaz e ao mesmo tempo um mau marido ou pai. Nem ser boca de Deus e carregar ao mesmo tempo um coração ensopado e entupido de impureza (Jr 15.19). Não é possível lidar de forma elevada e santa com as coisas espirituais e lidar de forma má e impura com as coisas terrenas. A. N. Martin afirma: “Muitos ministérios de alguns preciosos servos de Deus estão fracassando pelo insucesso da prática de piedade no reino da vida doméstica”.

Piedade é um estilo de vida. Isto inclui vida doméstica, relacionamento do marido com a esposa e do pai com os filhos. O apóstolo Paulo exorta, “Pois, se alguém não sabe governar a própria casa, como cuidará da igreja de Deus?” (I Tm 3.5). Assim, um ministro sem piedade não tem autoridade para pregar o santo evangelho. Não atrai pessoas para a igreja, antes as repele. Ele não constrói pontes para aproximar-se das pessoas; cava abismos para separá-las do Senhor. Charles Spurgeon afirma que “A vida do pregador deveria ser como um instrumento magnético a atrair as pessoas para Cristo; mas é triste constatar que muitos pregadores afastam as pessoas de Cristo”. Ministros sem piedade têm sido o principal impedimento para o saudável crescimento da igreja. É bem conhecido o que Dwight Moody disse: “O principal problema da obra são os obreiros”. Semelhantemente, David Eby escreve: “Os pregadores são o rela problema da pregação”.

No Brasil e ao redor do mundo muitos pregadores têm caído em terríveis pecados morais, provocando escândalos e produzindo grande sofrimento ao povo de Deus. Catástrofes espirituais que vão de pastores adúlteros a divórcio na família pastoral têm se tornado inaceitavelmente muito freqüente. Charles Colson comenta:

O índice de divórcio entre os pastores está aumentando mais rápido do que entre outras profissões. Os números mostram que um em cada dez tem tido envolvimento sexual com um membro de sua congregação e vinte e cinco por cento têm tido contato sexual ilícito”.

A única maneira de viver uma vida pura é guardar puro o coração através da meditação da Palavra (Sl 119.9). Salomão exorta: “Sobre tudo o que deves guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as fontes da vida” (Pv 4,23). Jó disse que fez uma aliança com os seus próprios olhos, de não fixa-los com lascívia em uma donzela (Jó 31.1). Aquele que guarda o seu coração bem como os seus olhos estará seguro. Adultério tem sido a principal causa da queda de muitos ministros hoje. Todos os pregadores devem estar alerta.

Há, contudo, muitos pregadores que vivem uma vida mundana e mesmo assim, recebem muitas pessoas em suas igrejas. Para alcançar seus objetivos, esses pregadores se rendem a filosofia pragmática. Para eles, o importante não é mais a verdade, mas o que funciona; não o que é certo, mas o que dá certo. Assim, muitos têm mudado a mensagem e pregado um outro evangelho (Gl 1.6-8). Mas, o sucesso desses pregadores aos olhos dos homens não representa necessariamente sucesso aos olhos de Deus. O crescimento numérico não é o único critério pelo qual devemos analisar um verdadeiro ministro e uma bem sucedida e fiel igreja. Deus não julga a aparência, mas as motivações e intenções do coração. Ele requer que os seus despenseiros sejam encontrados fiéis (I Co 4.1-2).

Mudar a mensagem e pregar o que o povo quer ouvir e não o que precisa ouvir; mercadejar a Palavra de Deus para atrair pessoas à igreja é um caminho errado para conduzir a igreja ao crescimento. Alistair Begg citando Dick Lucas, escreve: “Os bancos não podem controlar o púlpito”. O pregador não pode ser seduzido pelas leis do mercado. Ele não prega para agradar os ouvintes, mas para levá-los ao arrependimento. As pessoas precisam sair do templo não alegres com o pregador, mas tristes consigo mesmas. O pregador não é um animador de auditório, é um arauto de Deus. Sua agenda de pregação não é determinada pelos grandes temas discutidos pela humanidade, mas pelas próprias Escrituras. O pregador não sobe ao púlpito para entreter ou agradar seus ouvintes, mas para anunciar-lhes todo o desígnio de Deus. Sem uma pregação fiel não há santidade. Sem santidade não há salvação. Sem santidade ninguém verá a deus. A Palavra de Deus não pode ser mudada, atenuada ou torcida para agradar os ouvintes. Ela é imutável. O pregador precisa pregar a Palavra integralmente, completamente e fielmente. Ortodoxia é a base da santidade. Teologia é a mãe da ética. Piedade deve ser fundamentada na verdade. Piedade sem ortodoxia é misticismo, e misticismo deve ser rejeitado.

John Piper comentando sobre a vida e o ministério de Jonathan Edwards, diz que a experiência deve estar fundamentada na verdade. “Calor e luz, fogo e brilho são essenciais para trazer luz à mente porque afeições que não brotam da apreensão da verdade pela mente não são afeições santas”.

Há muitas igrejas cheias de pessoas vazias e vazias de pessoas cheias de Deus, porque os pastores estão produzindo discípulos que se conformam com a sua própria imagem e semelhança. Por isso, estamos vendo o crescimento vertiginoso da igreja evangélica brasileira, mas não estamos vendo transformação da sociedade. Se o pregador não é um homem de Deus, se vive uma vida misturada com o mundo, se é um pregador sem piedade, será uma pedra de tropeço e não um exemplo para sua igreja. Hipocrisia sempre repele. Um pregador impuro não permanece por muito tempo no ministério sem ser desmascarado. Um pregador jamais será uma pessoa neutra. Ele é uma benção ou uma maldição!


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