Mapeamento do uso do solo em uma bacia hidrográfica na cidade de paranaguá/PR/brasil como estratégia de formaçÃo continuada de professores de geografia da educaçÃo básica



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Figura 1. Localização de Paranaguá. Fonte: SEMA/IAP. Org. Faria, 2017.

O crescimento da cidade ocorre na planície litorânea, sobre os sedimentos marinhos do quaternário e imerso na vegetação da Floresta Ombrófila Densa das Terras Baixas e seus ecossistemas associados, como o manguezal e a restinga. São ambientes que, por um lado, mostram-se extremamente vulneráveis a à ocupação urbana e, por outro, configuram-se hoje, como espaços de acentuados problemas socioambientais resultantes de fases de desenvolvimento econômico polarizado pelo setor portuário, que produziu formas desorganizadas de uso e ocupação dos espaços contínuos e desorganizados (Figura 2).


Figura 12: Ocupação urbana contínua em direção a densa malha hídrica denotando deficiência de infraestrutura urbana e necessidade de reforma urbana a fim de mitigar o descontrole nas ocupações de terrenos: , ausência de planejamento e investimentos públicos.


Entende-se que os espaços se constroem a partir das relações sociais e de poder entre aqueles que os habita. Os espaços de Paranaguá, primeira cidade paranaense, guardam em suas raízes todas as principais fases de desenvolvimento do estado e a opção do poder público pela reprodução do espaço para o capital.

As áreas urbanas de Paranaguá, ainda no final do século XIX e com posição privilegiada na Baía de Paranaguá, se organizaram a partir do Porto, pioneiramente sediado as às margens do rio Itiberê. Até a década de 1950, o urbano estava compreendido e se estreitando entre os rios Itiberê e Emboguaçu, tornando-se uma densa malha urbana que ocupou as áreas de outros pequenos canais que contribuíam, ora com a baía, ora com os rios mencionados.

Os espaços urbanos além de contemplarem todas as transformações portuárias foram, ao longo do tempo, que também contempla todas as transformações portuárias, configurando-se de modos destoantese maneira precarizada, sobretudo com relação aos loteamentos de novas áreas, os sistemas de transporte (motorizado, não motorizado), a adequação aos fluxos rodoviários ao Porto, a restrição na ocupação de áreas, . Assim, a organização urbana e dos serviços básicos de para o funcionamento da cidade foram organizados tendo como centralidade o funcionamento do Porto de Paranaguá.

A rigor, as raízes da organização urbana de Paranaguá datam do século XVIII, mas foram nas décadas de 1940 e 1950 que a ocupação dos espaços intensificou-se. A dinâmica que se imprimiu impressa neste momento, retratava a intensa troca entre o porto e cidade motivada pelo trabalho em torno da economia do café. (Figura 3)

Mesmo com o declínio da cultura cafeeira no estado do Paraná, que atendeu a aspectos mais gerais de reorientação da ordem econômica mundial, o município de Paranaguá continuou somando mobilizando grandes contingentes populacionais em sua direção, motivadas motivados entre outros, segundo Godoy, pela propaganda dos recordes de exportação alcançada pelo porto (GODOY, 2002). Desse modo, nas décadas posteriores, o crescimento urbano de Paranaguá ganhou intensidade e avançou desordenadamente sob em direção a áreas ambientalmente frágeis e restritivas, como canais, margens de rios e manguezais. As ocupações irregulares (Figura 4), quando comparadas a mapeadas nos processos de expansão urbana, denotam ocorrências que se intensificaram nas décadas de 1960 até 1990.

Principalmente nas últimas décadas e sob influência dos aspectos mais recentes da mundialização da economia, o setor portuário tecnificou-se, acentuando as disparidades observadas na configuração da distribuição urbana do município. Trata-se de dinâmicas que respondem hoje por carências que se multiplicam, ora nos ambientes urbanos, sobretudo pela necessidade de moradias dignas, ora na potencialidade dos recursos naturais.