Manual de Primeiros Socorros 2003 Ministério da Saúde



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Todas as providências tomadas para prevenção do estado de choque,
administração de líquidos e cuidados gerais com vítima são as mesmas
aplicadas nos casos de queimaduras de segundo grau. As queimaduras de
terceiro grau têm a mesma gravidade que queimaduras de segundo grau
profundas.
O acidentado de queimadura térmica na face, cujo acidente ocorreu
em ambiente fechado, deve ficar em observação para verificação de sinais
de lesão no trato respiratório. Os sintomas e sinais, muitas vezes, podem
aparecer algumas horas depois da ocorrência e representar oclusão dos
brônquios e edema pulmonar. Pode haver expectoração fuliginosa com
fragmentos de tecido.
Fogo no Vestuário
A combustão das roupas do acidentado agrava consideravelmente
a severidade da lesão. Nestes casos:
· Não deixar o acidentado correr.
· Obrigá-lo a deitar-se no chão com o lado das chamas para cima.
· Abafar as chamas usando cobertor, tapete, toalha de mesa, de
banho, casaco ou algo semelhante, ou faça-o rolar sobre si mesmo no
chão.
· Começar pela cabeça e continuar em direção aos pés.
· Se houver água, molhar a roupa do acidentado.
· Não usar água se a roupa estiver com gasolina, óleo ou querosene.
É absolutamente contra indicado a aplicação sobre a
queimadura de qualquer substância que não seja água na
temperatura ambiente ou pano úmido muito limpo.
É absolutamente contra indicado a aplicação sobre a
queimadura de qualquer substância que não seja água na
temperatura ambiente ou pano úmido muito limpo.
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Primeiros Socorros em Queimaduras Químicas
Os ácidos ou álcalis fortes podem queimar qualquer área do
organismo com a qual entrem em contato. Este contato é mais freqüente
com a pele, boca e olhos, afetando estes órgãos.
Substâncias químicas podem queimar rapidamente; não há tempo
a perder, porém a pessoa que estiver atendendo o acidentado deverá,
basicamente, saber que as tentativas de neutralização química da substância
podem gerar reações com produção de calor e piora da lesão e que pode
se contaminar ao fazer este atendimento.
A área de contato deve ser lavada imediatamente com água, até
mesmo sem esperar para retirar a roupa. Continuar a lavar a área com
água, enquanto a roupa é removida. A melhor lavagem é feita com o
acidentado debaixo de um chuveiro. Pode também ser feita com uma
mangueira, mas, neste caso, a força do jato d'água deve ser levada em
consideração. O jato de água muito forte contra um tecido já lesado causará
maior lesão. O fluxo de água deve ser abundante, mas não pode ser forte.
É impossível determinar exatamente por quanto tempo uma área
queimada por substância química deve ser lavada com água. Em geral, a
água deve correr por um período de tempo longo o suficiente para que
possamos ter certeza de que toda a substância foi removida da pele.
Freqüentemente, o acidentado será capaz de dizer se a irritação parou ou
se a dor diminuiu na medida em que a substância é removida. O tempo
mínimo de 15 minutos tem-se mostrado eficaz.
As lesões das queimaduras ocasionadas por agentes químicos
aparecem quase que imediatamente após o acidente; há dor e visível
destruição dos tecidos.
Os cuidados subseqüentes às queimaduras produzidas por ácidos e
álcalis são semelhantes: cobrir a queimadura com curativo esterilizado e
transportar o acidentado imediatamente para atendimento especializado.
O diagnóstico de queimadura do trato respiratório por inalação de
substâncias de combustão incompleta (potentes irritantes da mucosa
respiratória) será feito através do histórico de exposição a vapores ou
gases tóxicos, em acidentes em ambientes fechados ou não. Alguns gases
provocam distúrbios sensoriais que só se manifestam algumas horas após
o acidente. Presença de hiperemia (vermelhidão) da mucosa nasal e
faríngea, rouquidão, dispnéia, tosse com expectoração sanguinolenta. A
principal complicação deste tipo de queimadura é o risco de edema
pulmonar até 72 horas após o acidente. Observa-se que somente a inalação
de vapor destas substâncias causa lesão térmica direta no trato respiratório.
Capítulo III Emergências Traumáticas

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Manual
 
de Primeiros
 Socorros
Cuidados especiais com os olhos
Os olhos devem receber tratamento especial.
Queimaduras dos olhos são mais comuns em acidentes com
substâncias irritantes (ácidos, álcalis), água quente, vapor, cinzas quentes,
pó explosivo, metal fundido ou chama direta.
As queimaduras químicas dos olhos são emergência prioritária,
podendo haver lesão permanente resultante de uma pequena exposição
destes tecidos a uma substância química. O olho deve ser lavado com
água, conforme o prescrito para as outras áreas do corpo, usando-se o
fluxo contínuo de uma torneira, ou, de preferência do próprio chuveiro
lava-olhos existente em muitos laboratórios. A lavagem deve durar no
mínimo 15 minutos. Podemos ser obrigados a manter a cabeça do
acidentado sob a torneira e as pálpebras abertas durante este tratamento,
porque geralmente o acidentado será incapaz de cooperar. Provavelmente
ela sentirá muita dor e estará agitada.
O cuidado posterior para as queimaduras oculares deve incluir o
fechamento delicado do olho com a pálpebra, colocação de um curativo
macio e transporte do paciente, o mais rápido possível, para assistência
especializada.
Primeiros Socorros em Queimadura por Sódio Metálico
O sódio metálico tem grande afinidade pelo oxigênio, fazendo com
que ele reaja com o ar, na temperatura ambiente, formando óxidos ou
hidróxidos.
A reação do sódio pode ter caráter explosivo, se entrar em contato
com a água.
A queimadura por sódio exige pronta intervenção nos 2 a 3 minutos
após o acidente. Se atingir 20% de área corporal, é considerada queimadura
grave, com difícil recuperação. Se atingir 50% de área, é considerada
gravíssima, geralmente levando à morte.
Ao atender uma pessoa vítima deste tipo de acidente, retirar os restos
de sódio empregando pinças ou espátulas (de madeira ou plástico)
completamente secas. A seguir, impregnar as regiões com substância oleosa
(vaselina líquida) a fim de eliminar os últimos restos de sódio e limpar com
água corrente abundante.
Queimaduras por Eletricidade
Estas queimaduras são produzidas pelo contato com eletricidade de
alta ou baixa voltagem. Os principais danos à saúde do acidentado são os
provocados pelo choque elétrico. Os danos resultam dos efeitos diretos

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da corrente e conversão da eletricidade em calor durante a passagem da
eletricidade pelos tecidos, são difíceis de avaliar, pois dependem da
profundidade da destruição celular, e mesmo as lesões que parecem
superficiais podem ter danos profundos alcançando os ossos, necrosando
tecidos, vasos sanguíneos e provocando hemorragias.
A severidade do trauma depende do tipo de corrente, magnitude da
energia aplicada, resistência, duração do contato e caminho percorrido
pela eletricidade. A corrente de alta tensão geralmente causa os danos
mais graves, porém lesões fatais podem ocorrer mesmo com as baixa
voltagens das residências.
A pele é o fator mais importante na resistência à passagem da
eletricidade, mas a umidade reduz muito esta resistência, podendo
aumentar, em muito, a gravidade do choque.
A corrente alternada é mais perigosa que a corrente contínua de
mesma intensidade. O contato com a corrente alternada pode causar
contrações tetânicas da musculatura esquelética, que impedem que o
acidentado se libere da fonte de eletricidade, e prolongam a duração da
exposição à corrente. O fluxo de corrente transtorácico, mão a mão, tem
maior risco de ser fatal que a passagem de corrente mão para pé ou pé a
pé.
A complicação mais importante das queimaduras elétricas é a parada
cardíaca. A lesão local nestas queimaduras raramente necessita de cuidado
imediato, porém as paradas respiratórias e cardíaca sim. Geralmente a
parada respiratória ocorre primeiro e, se não for tratada de imediato, é
rapidamente seguida pela parada cardíaca.
As queimaduras elétricas podem ser mais graves do que aparentam
na observação inicial. Em geral, a ferida é pequena, porém a corrente
elétrica destrói caracteristicamente uma quantidade considerável de tecido
abaixo do que parece ser uma ferida cutânea sem gravidade.
A parada cardío-respiratória por fibrilação ventricular ou assistolia é
a principal causa de óbito após a lesão elétrica. A fibrilação ventricular
pode ocorrer como resultado direto do choque elétrico, principalmente a
corrente alternada. A parada cardío-respiratória causada por exposição à
corrente contínua freqüentemente é em assistolia.
A parada respiratória pode ser causada na passagem da corrente
elétrica pelo cérebro causando inibição da função do centro respiratório,
contração tetânica do diafragma e da musculatura torácica e paralisia
prolongada dos músculos respiratórios.
Primeiros Socorros
A segurança da cena é prioridade. Não se torne também uma vítima.
Desligar a fonte de energia, antes de tocar no acidentado.
Capítulo III Emergências Traumáticas

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Manual
 
de Primeiros
 Socorros
Não tente manipular alta voltagem com pedaços de pau, ou mesmo
luvas de borracha. Qualquer substância pode se transformar em condutor.
É prioridade interromper o contato entre o acidentado e a fonte de
eletricidade.
Cobrir o local da queimadura com um curativo seco esterilizado ou
papel de alumínio e transporte o acidentado para atendimento
especializado. Estas queimaduras da pele, freqüentemente existem em duas
áreas do corpo, nos sítios de entrada e saída, geradas pelo arco elétrico.
Procurar sempre uma segunda área queimada e tratá-la como se fez com
a primeira. As roupas do acidentado podem incendiar-se e causar
queimaduras de pele adicionais. A passagem da corrente através dos
músculos pode causar violenta contração muscular com fraturas e luxações.
Pode haver lesão muscular e de nervos. A lesão de órgãos internos como
o fígado e baço é rara.
As queimaduras elétricas, especialmente aquelas de alta voltagem,
podem provocar parada cardíaca e perda de consciência. Abrir as vias
aéreas dos acidentados inconscientes com manobras manuais, instituindo
a respiração artificial.
Solicitar imediatamente apoio se o acidentado estiver inconsciente.
Observar cuidados com a coluna cervical.
Queimaduras por Frio ou Geladuras
O frio também pode causar queimaduras e lesões nas partes do
corpo expostas por muito tempo a baixas temperaturas ou umidade
excessiva.
A exposição a temperaturas no ponto de congelamento ou abaixo
deste, ou mesmo ao frio extremo, ainda que por curto período de tempo,
pode causar geladuras.
Podem ocorrer lesão tecidual local delimitada e resfriamento corpo-
ral generalizado, que pode causar morte (hipotermia).
Na improbabilidade de acidentes graves devido à exposição ao frio
intenso em nosso país, é conveniente apenas lembrar alguns detalhes
importantes:
· Lesões pelo frio dependem da temperatura, da umidade relativa
do ar, da velocidade do vento.
· O uso de roupas adequadas para condições ambientais extremas
deverá ser observado por todos que tenham que trabalhar sob estas
circunstâncias. Os equipamentos de proteção individual, que servem para
isolar o frio, podem causar dificuldades na movimentação, quer para
segurar objetos, quer porque a visão fica prejudicada. As luvas e as botas,
com a umidade, podem congelar as mãos e os pés. Isso pode levar a
acidentes de trabalho, como quedas, quedas de materiais, congelamento

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das mãos e dos pés, desmaios, etc. Cremes e óleos protetores para nariz,
lábios e face também são usados nestas condições.
· Dependendo do tipo de exposição ao frio, podem ocorrer as
seguintes lesões:
· úlceras
· pé-de-trincheira
· hipotermia sistêmica
· As lesões causadas pelo frio são extremamente dolorosas.
· Deve-se ficar atento para a insuficiência cardío-respiratória em caso
de hipotermia sistêmica.
· Há risco de infecção grave no descongelamento de uma área
lesada.
· A hipotermia é uma gravíssima emergência médica. O atendimento
médico especializado deverá ser prioritário.
Primeiros Socorros
No caso de congelamento dos pés ou das mãos:
· Levar o acidentado a um local aquecido, mantendo-o deitado.
· Tirar imediatamente os equipamentos de segurança.
· Aquecer as partes congeladas com água quente (não fervente) ou
panos molhados com água quente, realizando massagens delicadas para
ativar a circulação nas partes próximas do membro congelado (nunca
massagear diretamente a parte congelada).
· Dar bebidas quentes, como chá ou café (nunca bebidas alcoólicas).
· Pedir o acidentado para movimentar os pés ou as mãos, para ajudar
na recuperação da circulação.
No caso de desmaio em ambientes frios:
· Retirar imediatamente o acidentado do ambiente de trabalho.
· Retirar todos os equipamentos de segurança, incluindo a roupa
(nunca deixar o acidentado com as mesmas roupas).
· Cobrir com um cobertor quente, ou dar um banho de água quente.
· Fornecer bebidas quentes, como chá ou café, se estiver consciente
(nunca bebidas alcoólicas).
· Levar imediatamente ao atendimento especializado.
Lembre-se:
Os métodos de prestação de primeiros socorros começam a ser
aplicados somente depois de termos realizado as manobras de suporte
básico à vida, hemostasia, prevenção de choque e assistência a outras
lesões que possam colocar em risco a vida do acidentado ou piorar seu
Capítulo III Emergências Traumáticas

142
Manual
 
de Primeiros
 Socorros
estado clínico. Queimaduras podem ser lesões extremamente dolorosas e
com sérias conseqüências psicológicas, dependendo de sua localização,
extensão e profundidade.
Não demonstrar apreensão. Atuar com calma, rapidez, segurança e
bastante compreensão. A tranqüilidade do acidentado é fundamental.
Nunca romper as bolhas.
Não retirar as roupas queimadas que estiverem aderidas à pele.
Não submeter à ação da água, uma queimadura com bolhas
rompidas.
Separar a causa do acidentado ou o acidentado da causa.
Cobrir cuidadosamente com um pano limpo as partes queimadas,
pois estes ferimentos são vulneráveis à infecção.
Tomar medidas apropriadas para prevenção do choque.
Ajudar o acidentado a obter atendimento qualificado.
Bandagens
Bandagem triangular
Na prestação dos primeiros socorros, a bandagem triangular é o
recurso de maior utilidade, uma vez que pode ser improvisada facilmente,
com qualquer pedaço de pano.
Sua base deve ter aproximadamente um metro e pelo menos 60 cm
de altura (da base até o vértice do triângulo - Figura 37).
Para proteger ferimentos a bandagem pode ser improvisada com
um pano bem limpo, aberto, dobrado ou combinando-se as duas formas.
Figura 37 - Bandagem triangular

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Quadro XIX - Bandagens
Bandagem Triangular Estendida
É utilizada ferimentos em cabeça, braço, mão, joelho, pé e tórax.
1.Cabeça  (Figura 38)
a.Cobrir o ferimento com pedaço de pano bem limpo.
b.Colocar a bandagem triangular na cabeça do acidentado, de modo
que o vértice do triângulo fique do lado oposto ao ferimento (nuca e testa).
c.Trazer as pontas laterais do triângulo por cima do vértice,
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