Manual de Primeiros Socorros 2003 Ministério da Saúde



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· Sentá-la em uma cadeira, ou outro local semelhante.
· Curvá-la para frente.
· Baixar a cabeça do acidentado, colocando-a entre as pernas e
pressionar a cabeça para baixo.
· Manter a cabeça mais baixa que os joelhos.
· Fazê-la respirar profundamente, até que passe o mal-estar.
Figura 9 - Vítima de desmaio
B. Havendo o desmaio:
· Manter o acidentado deitado, colocando sua cabeça e ombros em
posição mais baixa em relação ao resto do corpo (Figura 30).
· Afrouxar a sua roupa.
· Manter o ambiente arejado.
· Se houver vômito, lateralizar-lhe a cabeça, para evitar sufocamento.
· Depois que o acidentado se recuperar, pode ser dado a ela café,
chá ou mesmo água com açúcar.
· Não se deve dar jamais bebida alcoólica.

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Figura 30 - Vítima de desmaio
Sempre encaminhar ao Núcleo de Saúde do Trabalhador/
NUST, para identificar as causas do desmaio.Se o desmaio
durar mais que dois minutos agasalhar a vítima e procurar
com urgência o NUST.
Alterações Mentais
Convulsão
Definição
É uma contração violenta, ou série de contrações dos músculos
voluntários, com ou sem perda de consciência.
Principais Causas
Nos ambientes de trabalho podemos encontrar esta afecção em
indivíduos com histórico anterior de convulsão ou em qualquer indivíduo
de qualquer função. De modo específico, podemos encontrar
trabalhadores com convulsão quando expostos a agentes químicos de
poder convulsígeno, tais como os inseticidas clorados e o óxido de etileno.
· Febre muito alta, devido a processos inflamatórios e infecciosos,
ou degenerativos
· Hipoglicemia
· Alcalose
· Erro no metabolismo de aminoácidos
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Capítulo II Emergências Clínicas

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Manual
 
de Primeiros
 Socorros
· Hipocalcemia
· Traumatismo na cabeça
· Hemorragia intracraniana
· Edema cerebral
· Tumores
· Intoxicações por gases, álcool, drogas alucinatórias, insulina, dentre
outros agentes
· Epilepsia ou outras doenças do Sistema Nervoso Central
Sintomas
· Inconsciência
· Queda desamparada, onde a vítima é incapaz de fazer qualquer
esforço para evitar danos físicos a si própria.
· Olhar vago, fixo e/ou revirar dos olhos.
· Suor
· Midríase (pupila dilatada)
· Lábios cianosados
· Espumar pela boca
· Morder a língua e/ou lábios
· Corpo rígido e contração do rosto
· Palidez intensa
· Movimentos involuntários e desordenados
· Perda de urina e/ou fezes (relaxamento esfincteriano)
Geralmente os movimentos incontroláveis duram de 2 a 4 minutos,
tornando-se, então, menos violentos e o acidentado vai se recuperando
gradativamente. Estes acessos podem variar na sua gravidade e duração.
Depois da recuperação da convulsão há perda da memória, que se
recupera mais tarde.
Primeiros Socorros
· Tentar evitar que a vítima caia desamparadamente, cuidando para
que a cabeça não sofra traumatismo e procurando deitá-la no chão com
cuidado, acomodando-a.
· Retirar da boca próteses dentárias móveis (pontes, dentaduras) e
eventuais detritos.
· Remover qualquer objeto com que a vítima possa se machucar e
afastá-la de locais e ambientes potencialmente perigosos, como por
exemplo: escadas, portas de vidro, janelas, fogo, eletricidade, máquinas
em funcionamento.
· Não interferir nos movimentos convulsivos, mas assegurar-se que

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a vítima não está se machucando.
· Afrouxar as roupas da vítima no pescoço e cintura.
· Virar o rosto da vítima para o lado, evitando assim a asfixia por
vômitos ou secreções.
· Não colocar nenhum objeto rígido entre os dentes da vítima.
· Tentar introduzir um pano ou lenço enrolado entre os dentes para
evitar mordedura da língua (Figura 52).
· Não jogar água fria no rosto da vítima.
· Quando passar a convulsão, manter a vítima deitada até que ela
tenha plena consciência e autocontrole.
· Se a pessoa demonstrar vontade de dormir, deve-se ajudar a tornar
isso possível.
· Contatar o atendimento especializado do NUST, pela necessidade
de diagnóstico e tratamentos precisos.
Figura 31- Vítima de epilepsia
No caso de se propiciar meios para que a vítima durma, mesmo que
seja no chão, no local de trabalho, a melhor posição para mantê-la é deitada
na "posição lateral de segurança" (PLS).
Devemos fazer uma inspeção no estado geral da vítima, a fim de
verificar se ela está ferida e sangrando. Conforme o resultado desta
inspeção, devemos proceder no sentido de tratar das conseqüências do
ataque convulsivo, cuidando dos ferimentos e contusões.
Capítulo II Emergências Clínicas

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Manual
 
de Primeiros
 Socorros
É conduta de socorro bem prestado permanecer junto à vítima, até
que ela se recupere totalmente. Devemos conversar com a vítima,
demonstrando atenção e cuidado com o caso, e informá-la onde está e
com quem está, para dar-lhe segurança e tranqüilidade. Pode ser muito
útil saber da vítima se ela é epiléptica.
Em qualquer caso de ataque convulsivo, a vítima deve ser
encaminhada ao NUST, mesmo que ela tenha consciência de seu estado e
procure demonstrar a impertinência dessa atitude. A obtenção ou
encaminhamento para o NUST deve ser feito com a maior rapidez,
especialmente se a vítima tiver um segundo ataque; se as convulsões
durarem mais que 5 minutos ou se a vítima for mulher grávida.
Neurose Histérica
A neurose histérica, ou crise de ansiedade é uma síndrome
psiconeurótica caracterizada por estados de expectativa, apreensão, muita
tensão e nervosismo. Pode vir associada à fadiga com exacerbações agudas
de pânico e ansiedade, palpitações e, freqüentemente, manifestações
físicas de medo e pavor.
No quadro de um ataque de histeria, a vítima, aparentemente nor-
mal, não consegue controlar satisfatoriamente algum tipo de conflito
interno, esporádico ou instalado, entra repentinamente numa seqüência
de distúrbios psiconeuróticos e psicofisiológicos.
Normalmente, o organismo usa como forma de defesa, contra um
conflito intrapsíquico muito incômodo, a transformação deste em outras
manifestações menos desagradáveis.
Quando a transformação não ocorre, pode sobrevir a neurose
 
Conflito não 
resolvido 
satisfatoriamente 
Crise de  
ansiedade 
(histeria) 
Distúrbios 
psiconeuróticos
 
Distúrbios 
psicofisiológicos
 

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histéricaou crise de ansiedade. A vítima se apresenta tensa, inquieta,
apreensiva, freqüentemente taquicárdica e com sudorese excessiva. Existe
uma sensação de mal-estar muito intensa, mas o acidentado quase nunca
sabe a que atribuí-la.
Sentindo-se ansioso, a vítima tende a respirar rapidamente, o que
leva a uma alcalose com sensação de tontura; esta sensação realimenta a
crise de ansiedade, aumentando ainda mais a hiperventilação.
A pessoa que for prestar os primeiros socorros pode reconhecer
uma crise histérica ao notar na vítima as seguintes características:
· Pestanejar intenso
· Hipersensibilidade emocional
· Autopreservação exacerbada
· Respiração acelerada
· Crise de choro ou de riso
· Gritos estridentes
· Olhar observador
· Mãos em garra.
Todos os sintomas de neurose histéricapodem ser modificados por
sugestão. O ataque histérico é um desequilíbrio da vontade, ou uma
ausência de vontade. A calma e a persuasão são fundamentais como
primeiros socorros.
Durante a crise, a vítima de neurose histéricanão perde a consciência,
mantém o olhar atento, especialmente observador da reação das pessoas
à sua volta. A vítima também se autopreserva para não ser presa, agarrada,
cair ou se machucar. Deve-se agir com tranqüilidade, demonstrando não
dar muita importância ao estado aparente do acidentado. Afastá-la da
presença de outras pessoas, conversando amigavelmente. Afrouxar-lhe as
roupas e fazer com que se sente ou deite, demonstrando solidariedade e
segurança.
Não se deve discutir com a vítima de histeria. Pode-se deixá-la chorar
à vontade, se for o caso, ficando sempre por perto em sinal de apoio e
compreensão. Não se deve dar medicamentos, especialmente calmantes
e tranqüilizantes, mesmo que o acidentado peça. Pode ser oferecida água,
ou água com açúcar para ser bebida devagar e com calma.
Com estes cuidados a vítima histérica geralmente volta ao seu estado
normal, se acalma e se contém. Todavia, se o descontrole emocional
persistir, não desaparecer total-mente ou retornar na forma de uma
segunda crise, deve-se procurar auxílio especializado do NUST.
Capítulo II Emergências Clínicas

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Manual
 
de Primeiros
 Socorros
Alcoolismo Agudo
O alcoolismo agudo - ou embriaguez - é o estado provocado pelo
efeito tóxico resultante da excessiva ingestão de álcool etílico contido nas
bebidas alcoólicas.
O estado de alcoolismo agudo deixa a pessoa com um
comportamento geralmente violento; anormal, em relação a seu estado
de sobriedade; agressivo; confuso; agitado e instável.
Além do odor característico de bebida alcoólica, poderemos
identificar um estado de alcoolismo agudo pelos seguintes sinais e
sintomas:
· Olhos brilhantes, dispersivos e vermelhos.
· Dificuldade de falar.
· Fisionomia imóvel.
· Descoordenação motora.
· Tontura.
· Sonolência.
· Andar cambaleante.
A intensidade dos sintomas de alcoolismo pode ser exacerbada em
razão do grau de intoxicação alcoólica. Esses sinais e sintomas mais comuns
podem se intensificar para um quadro de diminuição dos movimentos do
corpo ou de ausência total dos movimentos; náusea ou vômito; estupor
alcoólico e coma.
Na fase posterior aos efeitos do álcool pode apresentar um quadro
de delirium tremens com agitação, irritabilidade e insônia; fortes dores de
cabeça; zumbidos; náuseas; visão turva; aversão a alimento; raciocínio
lento.
A primeira preocupação deve ser a de não permitir que o acidentado
tome mais bebida alcoólica. Não se deve dar qualquer medicamento,
comida ou líquido.
Se a vítima adormecer, deve ser colocada na posição lateral de
segurança (PLS) e ficar sob observação periódica, até que passem os efeitos
do álcool ou até que possa ser removida para atendimento especializado
do NUST, que decidirá sobre a conduta a ser tomada.
Se a vítima estiver acordada, podemos dar-lhe água morna com sal
e provocar vômito; se for possível, a vítima deve ingerir leite com ou sem
clara de ovo batida. A vítima deve ter sua iniciativa de deambulação
desestimulada, devendo permanecer o máximo possível deitada ou sentada.

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Se a vítima estiver consciente, deve-se observar
atentamente os sinais vitais, se ocorrer parada
respiratória, devem ser aplicados os procedimentos de
respiração boca a boca; nunca provocar vômito neste caso.
A vítima deve ser colocada na posição lateral de
segurança. Procurar socorro especializado do NUST
imediatamente.
O alcoolismo agudo pode manifestar-se no âmbito do trabalho,
provocando sempre circunstâncias constrangedoras para o acidentado,
seja alcoólatra ou não, e para os que trabalham com ela. A compreensão e
o estímulo à busca de terapia especializada deve ser orientada por nós aos
colegas que apresentem estado alcoólico freqüente. Em muitas unidades
de trabalho o porte, a circulação e ingestão de bebidas alcoólicas são
rigorosamente proibidos. Caso venha a prestar auxílio a um caso aparente
de alcoolismo nas unidades de trabalho, redobrar a atenção, procurar
atendimento especializado do NUST urgente e investigar as causas da
intoxicação, pois poderá ter ocorrido a ingestão de álcool metílico, usado
na limpeza de equipamentos e bancadas, ou mesmo loções, perfume e
éter.
Todos os casos de convulsão, neurose histéricae alcoolismo agudo
são muito constrangedores para a vítima. Deve-se ter calma e providenciar,
ou pedir que providenciem socorro especializado do NUST. Deve ter a
preocupação de afastar a vítima de locais potencialmente perigosos e de
afastar dela objetos que possam causar-lhe danos, ou a outras pessoas. A
vítima deve ser tratada com respeito e paciência, seja qual for seu
comportamento.
Em todos estes casos, há a necessidade de ser firmes e decididos
nas atitudes a serem tomadas; não discutir com a vítima e só tentar contê-
la para protegê-la.
Estes casos, assim como outros, exigem de quem for prestar os
primeiros socorros, além do reconhecimento correto dos sintomas e sinais,
uma boa dose de compreensão, atenção, respeito e solidariedade humana.
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Capítulo II Emergências Clínicas

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Manual
 
de Primeiros
 Socorros
CAPÍTULO III
EMERGÊNCIAS TRAUMÁTICAS
Ferimentos
Introdução
Os ferimentos são as alterações mais comuns de ocorrer em
acidentes de trabalho.
São lesões que surgem sempre que existe um traumatismo, seja em
que proporção for, desde um pequeno corte ou escoriação de atendimento
doméstico até acidentes violentos com politraumatismo e complicações.
Neste item, trataremos das lesões que julgamos ser mais comum em
ambientes de trabalho como o nosso. Não deixaremos de fora, todavia,
uma série de recomendações para o atendimento de primeiros socorros,
mesmo em acidentes fora do ambiente de trabalho.
Todos os ferimentos, logo que ocorrem:
1. Causam dor
2. Originam sangramentos
3. São vulneráveis as infecções
O objetivo principal desta parte do Manual é criar e enfatizar a
consciência da necessidade de limpeza, da melhor forma possível, antes
de entrar em contato com qualquer lesão, além dos cuidados especiais
que devem ser tomados na presença ou suspeita de hemorragia, para
enquanto se espera a chegada de socorro médico ou a remoção para
atendimento especializado.
Os ferimentos são lesões que apresentam solução de continuidade
dos tecidos e provocam o rompimento da pele e, conforme seu tipo e
profundidade, rompimento das camadas de gordura e de músculo.
· Os ferimentos incisos são provocados por objetos cortantes, têm
bordas regulares e causam sangramentos de variados graus, devido ao
seccionamento dos vasos sanguíneos e danos a tendões, músculos e
nervos.
· Os ferimentos contusos, chamados de lacerações, são lesões
teciduais de bordas irregulares, provocados por objetos rombudos, através
de trauma fechado sob superfícies ósseas, com o esmagamento dos
tecidos. O sangramento deve ser controlado por compressão direta e
aplicação de curativo e bandagens.
· Os ferimentos perfurantes são lesões causadas por perfurações
da pele e dos tecidos subjacentes por um objeto. O orifício de entrada
pode não corresponder à profundidade da lesão.

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·  Os ferimentos transfixantes atravessam de lado a lado uma parte
do corpo.
· Os ferimentos puntiformes geralmente sangram pouco para o ex-
terior.
· As avulsões são lesões onde ocorrem descolamentos da pele em
relação ao tecido subjacente, que pode se manter ligado ao tecido sadio
ou não. Apresentam graus variados de sangramento, geralmente de difícil
controle. A localização mais comum ocorre em mãos e pés. Recomenda-
se colocar o retalho em sua posição normal e efetuar a compressão direta
da área, para controlar o sangramento. Caso a avulsão seja completa,
transportar o retalho ao hospital. A preparação do retalho consiste em
lavá-lo com solução salina, evitando o uso de gelo direto sobre o tecido.
Não tocar no ferimento diretamente com os dedos.
Os ferimentos podem inflamar e infeccionar muito rapidamente,
dependendo do grau de limpeza e dos cuidados que forem tomados para
prevenir a contaminação.
Ter em mente a necessidade de cobrir o ferimento com compressa
limpa e encaminhar o acidentado para atendimento especializado.
Ferimento na Cabeça
· Deitar o acidentado de costas (em caso de inconsciência ou
inquietação).
· Afrouxar as roupas do acidentado.
· Colocar compressa ou pano limpo sobre o ferimento (em caso de
hemorragia).
· Prender a compressa com esparadrapo ou tira de pano.
Lesões Oculares
Podem ser produzidas por agentes físicos; tais como: corpos
estranhos, queimaduras por exposição ao calor, luminosidade excessiva e
agentes químicos; lacerações e contusões.
Em traumatismos severos pode haver exteriorização do globo ocu-
lar de sua órbita (extrusão).
Primeiros socorros:
1. Irrigação ocular com soro fisiológico, durante vários minutos em
caso de lesão por agentes químicos, ou na presença de corpos estranhos.
Capítulo III Emergências Traumáticas

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Manual
 
de Primeiros
 Socorros
2. Não utilizar medicamentos tópicos (colírios ou anestésicos) sem
parecer oftalmológico.
3. Não tentar remover corpos estranhos. Estabilizá-los com curativos
adequados.
4. Oclusão ocular bilateral, com gaze umedecida, mesmo em lesões
unilaterais. Esta conduta objetiva reduzir a movimentação ocular e o
agravamento da lesão.
5. Em caso de extrusão de globo ocular não tentar recolocá-lo.
Efetuar a oclusão ocular bilateral com gaze umedecida.
6. A remoção de lentes de contato deve ser efetuada somente em
vítimas inconscientes com tempo de transporte prolongado, que não
apresentem lesão ocular.
Traumatismo  Torácico
Os traumatismos torácicos são provocados, em sua maior freqüência,
por acidentes de trânsito e acidentes industriais.
A gravidade dos traumatismos torácicos é diretamente proporcional
aos tipos de lesões associadas, que podem levar à morte ou dificultar o
diagnóstico preciso da lesão traumática e, conseqüentemente, o
tratamento adequado para o caso.
Um atendimento precipitado, ou conduzido sem a correção técnica
adequada pode levar à morte, quando em vez disso, medidas terapêuticas
com bases seguras seriam capazes de resguardar a vida e evitar
complicações.
Um traumatizado de tórax poderá chegar até o socorro especializado
em condições clínicas consideradas boas, se for atendido corretamente,
ou evoluir rapidamente para a morte, muitas vezes por pequenos enganos
que jamais serão descobertos. O acidentado deverá ser sempre considerado
em estado grave, mesmo que não apresente sinais clínicos aparentes. É
prudente recomendar que se dedique à vítima de traumatismo torácico a
máxima atenção possível, sob observação permanente e bem orientada,
até que se possa entregá-lo ao socorro médico especializado.
Nos traumatismos fechados de tórax, ou contusões torácicas, não
há solução de continuidade da pele. Nos traumatismos abertos ou
ferimentos torácicos, podem surgir complicações maiores. Eles são
chamados de penetrantes quando atingem a pleura, o pericárdio ou o
mediastino. De acordo com a localização do ferimento ele poderá ser
chamado de torácico, cervico-torácico e tóraco-abdominal.
As lesões anatômicas da caixa torácica e dos órgãos localizados em
seu interior levam a alterações respiratórias e metabólicas acentuadas. A
idade do acidentado ou a existência de processos patológicos cardio-
pulmonares anteriores são, muitas vezes, responsáveis pelo agravamento

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dessas alterações. Podem ocorrer hipoxemia e hipercapnia que, dadas
certas condições de choque, chegam a levar ao sofrimento do encéfalo e
coração.
Condições precárias de atendimento, ou desorientação na condução
adotada durante os primeiros socorros, aumentam os riscos dos
traumatismos e suas complicações, podendo favorecer seqüelas.
A seguinte conduta básica deve ser observada, enquanto providencia-
se para que o socorro especializado seja chamado com a maior urgência:
· É preciso ter cautela, estar calmo e agir com rapidez.
· O acidentado consciente ou inconsciente deve ser deitado sobre o
lado ferido, na posição lateral de segurança.
· Aplica-se curativo de gaze ou compressa de pano, desde que esteja
limpo.
· Com este curativo, procura-se vedar totalmente a abertura do
ferimento para impedir a entrada de ar.
· O curativo deverá ser preso e fixo firmemente com o cinto ou faixa
de pano em torno do tórax, sem apertar.
· O acidentado deve ser encaminhado com urgência para
atendimento especializado.
Traumatismos  Abdominais
Mais de 60% dos traumatismos abdominais são causados por
acidentes automobilísticos, mas podem ocorrer em ambientes de trabalho
devido à pancada de objetos pesados ou a quedas violentas amparadas
pelo choque do abdome contra alguma superfície dura. Os traumatismos
abdominais são classificados de abertos ou fechados.
Os traumatismos fechados ou contusões caracterizam-se pela
atuação do agente traumático sobre a parede abdominal, sem provocar
solução de continuidade da pele. Estes traumatismos, no entanto, podem
apresentar lesões viscerais graves.
Os traumatismos abdominais com lesão visceral evoluem para a
síndrome de perfuração, resultante de lesão da víscera oca; e para a
síndrome hemorrágica quando provocam ruptura de víscera maciça ou
de vaso sanguíneo.
As vítimas de ferimentos abdominais correm sério risco de entrar
em estado de choque, devendo ser encaminhadas para assistência
qualificada com urgência, pois é considerada como emergência.
Qualquer que seja a causa, o agente traumático atua por percussão
ou pressão, resultando sempre em lesões parietais, importantes para a
identificação de lesão visceral. A parede pode ser atingida
perpendicularmente ou tangencialmente. No primeiro caso deve-se
considerar sempre a possibilidade de lesão visceral.
Capítulo III Emergências Traumáticas

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Manual
 
de Primeiros
 Socorros
Os traumatismos abertos ou feridas podem ocorrer de forma simples,
como um ferimento qualquer, ou de forma mais grave, quando ocorre
ruptura de músculos e da parede abdominal em grande extensão, suficiente
para provocar uma evisceração.
Nos casos de evisceração não devemos, de forma alguma, tocar

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