Lugares eleitos da pintura desde os anos 80



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Lugares eleitos da pintura desde os anos 80

O século XIX português foi um período político, social e economicamente conturbado, particularmente no seu último quartel. Sucedem-se vários governos e a economia, após um período crescente a par da Revolução Industrial portuguesa, com as políticas da Regeneração de Fontes Pereira de Melo, degrada-se intensamente até culminar com a dívida portuguesa em incumprimento parcial, declarado em 18921 (RODRIGUES, 2012: 125-128), não sem que tenham entretanto criado grandes fortunas através das finanças, da industrialização ou do comércio com o Brasil. Não alheias a este contexto, as Artes, apesar das reformas no ensino, da criação da Academia de Belas Artes, da realização de exposições e dos regimes de bolseiros, revelam-se de uma forma geral ineficazes, de qualidade duvidosa e de pouca inovação. Exaltadas por um nacionalismo crescente, fundam-se em valores históricos e adoptam estilos anteriores como o manuelino, o gótico e o tardo-barroco, revalorizados pelo romantismo e procurados pelos compradores de arte. Também por isso o século XIX é designado por vezes como o século do “neo”2 e designado de “o século mais longo da nossa história”3. Nas Artes Decorativas a situação era idêntica, pois artistas e compradores eram em regra os mesmos.

Nas Artes Decorativas encontramos uma grande actividade em palácios públicos e privados e, desde os anos 80, como lugares eleitos para a pintura decorativa, em paredes, tectos e tela, com temas que variam desde os Clássicos, principalmente os gregos, à pintura histórica e ao retrato, temos a Câmara Municipal de Lisboa, a Escola Médica, as Cortes e o Museu de Artilharia, a Bolsa do Porto e o Hotel do Buçaco4.

Na Câmara Municipal de Lisboa participaram entre outros José Pereira Júnior (Pereira Cão), Columbano e Malhoa5; estes dois últimos, também presentes na Escola Médica6 e no Museu de Artilharia juntamente com Condeixa e Veloso Salgado7 que, participa por sua vez, com Marques de Oliveira na Bolsa do Porto; no Hotel do Buçaco Ramalho, Vaz, Carlos Reis e Condeixa8.



O legado de Luigi Manini (1848-1936)

Luigi Manini, pintor e cenógrafo no Scala de Milão desde 1873, é contratado em 1879, após a morte de Cinnati e o seu colega Rambois ter por isso desistido de pintar, para os Teatros de S. Carlos e de D. Maria II.9

Chegado a Portugal rapidamente se apercebeu da corrente artística em voga, o manuelino, interpretando-a correctamente como o espírito nacionalista, como a “manifestação do ser de um destino português que fomos”10.

Como arquitecto participou em várias obras, sendo as mais emblemáticas o Palácio do Buçaco (1888-1907), encomenda de Emídio Navarro, e a Quinta da Regaleira (1904-1912), em Sintra, de Carvalho Monteiro. Ambos os projectos inspirados nos modelos manuelinos da Batalha, dos Jerónimos e da Torre de Belém, mas também de acordo com o sentido estético dos contratantes. Nestes grandes projectos trabalhou de perto com outros artistas portugueses, como o desenhador-Augusto Gonçalves e o escultor João Machado11.

A sua obra não se resumiu a estes dois grandes projectos a par das cenografias teatrais, mas também a várias outras construções arquitectónicas principalmente na região de Sintra, onde se encontram vários palacetes, chalés e ramalhetes, naquilo a que se poderá chamar de casas de veraneio, tomando Sintra um principal destaque com a construção do caminho-de-ferro até àquela vila12. Disso se fez exposição em 2006 sob o título “Centenas de projectos de Luigi Manini na Regaleira” em parceria com o Museu Cívico de Crema em Itália13, 14
Bibliografia

BENEVIDES, Francisco da Fonseca (1835-1911). O Real Theatro de S. Carlos de Lisboa desde a sua fundação em 1793 até á actualidade : estudo historico. Lisboa: Typ. Castro Irmão, 1883, [também disponível em http://purl.pt/799]

FRANÇA, José-Augusto. A Arte em Portugal no século XIX. 3. Vol. II. Lisboa: Bertyrand, 1990.

PEREIRA, Paulo. Arte Portuguesa: História essencial. Lisboa: Círculo de Leitores, 2011.

PEREIRA, Paulo. O Revivalismo: A arquitectura do desejo. Vol. III In PEREIRA, Paulo - História da Arte Portuguesa. Lisboa: Círculo de Leitores, 1990, p. 362-364

RODRIGUES, Jorge Nascimento. Portugal na Bancarrota: Cinco Séculos de História da Dívida Soberana Portuguesa. Lisboa: Centro Atlântico, 2012.

SANTOS, Rui Afonso. O Design e a Decoração em Portugal. Vol. III, In PEREIRA, Paulo (dir.) -História da Arte Portuguesa. Lisboa: Círculo de Leitores, 1990, p. 437-440

Webgrafia

Arte.Go - Luigi Manini. Architetto e scenografo, pittore e fotografo [em linha]. Disponível em http://www.arte.go.it/eventi/2007/1225.htm

Câmara Municipal de Lisboa - Interiores séc. XIX. [em linha]. Disponível em http://www.cm-lisboa.pt/?idc=1&idi=31540 (acedido em 2012-11-06).

Câmara Municipal de Sintra - Centenas de projectos de Luigi Manini na Regaleira [em linha]. Disponível em http://www.cm-sintra.pt/revistaartigo.aspx?ID=558 (acedido em 2012-11-06).

Câmara Municipal de Sintra - MEMÓRIA HISTÓRICO-DESCRITIVA - SINTRA E A SUA SERRA [em linha]. Disponível em http://www.cm-sintra.pt/Artigo.aspx?ID=2305 (acedido em 2012-11-06).

CLP - LUIGI MANINI 1848 – 1936. Architetto e scenografo, pittore e fotografo [em linha]. Disponível em http://www.clponline.it/content/luigi-manini-1848-%E2%80%93-1936-architetto-e-scenografo-pittore-e-fotografo (acedido em 2012-11-06).

IADE - Os interiores em Portugal [em linha]. Disponível em http://www.iade.pt/interiores_em_portugal/resumo16.html (acedido em 2012-11-06).

IGESPAR - Escola Médico-Cirúrgica / Faculdade de Ciências Médicas [em linha]. Disponível em http://www.monumentos.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=7288 (acedido em 2012-11-06).

Museu Militar - Resenha histórica: O Museu de Artilharia [em linha]. Disponível em http://www.geira.pt/Mmilitar/ (acedido em 2012-11-06).

Museu Nacional do Teatro – Cenografia [em linha]. Disponível em http://museudoteatro.imc-ip.pt/pt-PT/coleccoes/Maquetes/ContentDetail.aspx (acedido em 2012-11-06).

SIPA - Palácio do Conde de Castro Guimarães / Torre de São Sebastião [em linha]. Disponível em http://www.monumentos.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=6066 (acedido em 2012-11-06).
31010 – Artes Decorativas em Portugal

António José Estêvão Cabrita

Aluno nº 1002404

Novembro 2012

Item Notas

Área

Nota

Percentagem

As suas opiniões

E-fólio A

Avaliação electrónica

3,00

75,00 %

Boa contextualização mas, podia ter desenvolvido um pouco mais o aspecto específico da pintura. Boa análise de Manini, embora pudesse ter referido ainda com quem trabalhou em conjunto. Boa selecção bibliográfica.

31010_12_01 -> Fóruns -> Fórum E-Fólio A -> Comentário geral sobre o E-fólio A

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Comentário geral sobre o E-fólio A

por Cristina Carvalho - Quarta, 21 Novembro 2012, 01:00

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Parece-me importante tecer alguns comentários de carácter geral sobre os e-fólios apresentados, no sentido de corrigir algumas lacunas e abrir caminhos para trabalhos futuros.

No que aos conteúdos se refere, pedia-se na 1ª parte do enunciado, uma reflexão sobre os ciclos de pintura referidos por José- Augusto França.

Creio que, em todos os casos sem excepção, foi feita uma listagem de pintores e locais onde estes trabalharam. Por vezes, surgiram também, referências ao nome das pinturas, o que de facto está correcto mas, que pode e deve ser completado com uma caracterização do tipo de pintura executada na época em referência. Para além do elenco de pintores e locais pretende-se também, num trabalho de cariz universitário, que se vá mais além. Significa isto que, a informação podia e devia ter sido aprofundada no sentido de mencionar que tipo de pintura decorativa foi feito neste período. Como exemplo, podemos referir o cariz historicista, alegórico, nacionalista, naturalista, de influência clássica, de muitos dos pintores que no século XIX decoraram edifícios públicos e privados um pouco por todo o País.

Pareceu-me ter ficado também um pouco esquecida, a referência à pintura sobre azulejo e em particular ao trabalho de Jorge Colaço, na decoração de inúmeros espaços públicos e privados e que ainda hoje são referências de uma época, em termos artísticos. Continuamos a falar de pintura só que, num suporte diferente.

Na 2ª parte, pedia-se para traçar uma visão panorâmica do trabalho de Luigi Manini em Portugal. À semelhança do que sucedeu na 1ª, em geral, foram mencionadas as suas obras e os diferentes locais em que trabalhou, mostrando desta forma o carácter ecléctico do seu trabalho. Também aqui, para além do acima referido, era essencial integrar o gosto estilístico de Manini (por exemplo, pelo neomanuelino) nas suas obras, assim como o seu trabalho em parceria com outros artistas, ou ainda a sua capacidade de abranger várias áreas como a arquitectura, a cenografia, o mobiliário. etc.

De uma maneira geral, os textos apresentados revelaram leituras e consultas bibliográficas alargadas. No entanto, continuamos a assistir a casos em que não há um distanciamento dos textos sugeridos na sala de aula. Quando se pede um trabalho académico, pretende-se que o aluno seja capaz de se afastar dos textos indicados, não no conteúdo mas na forma, assim como acrescentar dados e desta forma, criar uma reflexão própria sobre o tema em análise. Não basta dizer o mesmo por outras palavras, o que se pretende é uma visão tão completa quanto possível sobre determinado tema.

Bom trabalho.

C.C.



1 As negociações duraram 10 anos, terminando em 1902, com a dívida amortizável em 99 anos, até 2001.

2 ANACLETO: 1986:169

3 PEREIRA, 2011:781

4 FRANÇA, 1990 194

5 Câmara Municipal de Lisboa [em linha], Interiores séc. XIX

6 IGESPAR, [em linha], Escola Médico-Cirúrgica / Faculdade de Ciências Médicas

7 Museu Militar [em linha], Resenha histórica: O Museu de Artilharia

8 França, 1996: 194

9 BENEVIDES, 1883; 381-382

10IADE [em linha]. Os interiores em Portugal

11 PEREIRA, 1990: 362-364

12 Câmara Municipal de Sintra [em linha]. MEMÓRIA HISTÓRICO-DESCRITIVA - SINTRA E A SUA SERRA

13 Câmara Municipal de Sintra [em linha]. Centenas de projectos de Luigi Manini na Regaleira

14 CLP [em linha]. LUIGI MANINI 1848 – 1936. Architetto e scenografo, pittore e fotografo



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