Lucas barbosa lazarini silva ribeiro



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2 INTRODUÇÃO


A conversão de resíduos agroindustriais em cogumelos comestíveis tem sido considerada uma fonte de renda ecologicamente sustentável devido a possibilidade da redução de danos ambientais causados pelo descarte inadequado desses resíduos (Villas-Bôas et al., 2002). Os resíduos vegetais do agronegócio como bagaço de cana-de-açúcar, casca de eucalipto, palha de feijão e outros têm mostrado potencial para a produção de alimentos como os cogumelos (Villas-Bôas et al., 2002, Nunes et al., 2012). Este destino sugere uma boa forma de valorizar e descartar esse tipo de subproduto do agronegócio (da Silva et al., 2012, Nunes et al., 2012), uma vez que os cogumelos podem ser utilizados na alimentação humana (Kasuya et al., 2014).

A demanda e o consumo de cogumelos tem aumentado em razão de suas características nutricionais e medicinais, além de ser considerado uma alimento natural (Wasser & Weis, 1999). Os cogumelos são fontes de proteínas, carboidratos, fibras, minerais, vitaminas, ácidos graxos essenciais e aminoácidos (Chang & Buswell, 1996). Desde da antiguidade eles tem sido utilizados na medicina oriental para o tratamento de várias doenças, incluindo o câncer (Chang & Buswell., 1996, Mizuno, 1999).

A produção de cogumelos no Brasil ocorre principalmente pelo agricultura familiar como alternativa para complementação da renda financeira e em muitos casos utilizam infraestruturas improvisadas (ANPC, 2016, Dias et al., 2003). A falta de investimento para construção de estruturas adequadas e aquisição de equipamentos específicos para produção de cogumelos tem levado à desistência do produtor devido ao baixo retorno econômico de tal atividade. Assim, a motivação para o desenvolvimento de uma unidade de produção de cogumelos Pleurotus ssp foi obtida a partir de visita realizada em uma propriedade na zona rural de Cajuri, Minas Gerais. Essa unidade será uma alternativa para complementar a renda financeira do produtor composta pela produção, principalmente, de banana, café e cana-de-açúcar que geram resíduos vegetais que tem grande potencial para a produção de cogumelos comestíveis.

Nesse projeto, foi sugerido o cultivo do cogumelo Pleurotus spp (Hiratake e Shimeji) devido ao seu melhor desenvolvimento em regiões tropicais, utilizar como substrato de cultivo resíduos agrícolas, pela grande demanda no comercio da região, por apresentarem benefícios nutricionais e medicinais, ter produção rápida quando comparado com o Shiitake o que traria retorno mais rápido ao investidor e ainda ter uma produção mais estável por todo o ano, ou seja não sofre com oscilações de preço por condições de safra.


3 OBJETIVOS E METAS


O objetivo deste projeto é a construção de uma unidade de produção de cogumelos Pleurotus spp para a agricultura familiar.

3.1 OBJETIVOS SECUNDÁRIOS


1-Construção de uma casa de apoio.

2-Construção de uma estufa de frutificação.



4 REFERENCIAL TEÓRICO


Nas primeiras classificações taxonômicas dos seres vivos, os fungos pertenciam ao reino Plantae, mas devido as suas características morfológicas, fisiológicas e genéticas eles são agrupados, atualmente, no reino Fungi (Madigan et al., 2010). Os fungos são micro-organismos heterotróficos, não fotossintetizantes, possuem parede celular de quitina e obtêm seus nutrientes por absorção da matéria orgânica (Madigan et al., 2010, Tortora et al., 2014). Esse micro-organismo apresenta reprodução assexuada e sexuada pela produção de esporos (Tortora et al., 2014). A reprodução assexuada pode ocorrer também pela fragmentação de hifas que compõem o micélio (Alexopoulos et al., 1996). A formação de estruturas denominadas de corpos de frutificação é comum em fungos. Nessas estruturas encontra-se os esporos (Alexopoulos et al., 1996, Tortora et al., 2014). No filo Basidiomycota, os corpos de frutificação são denominados de cogumelos que podem ser ou não comestíveis em função da presença de compostos tóxicos, alucinógenos ou alergênicos (Alexopoulos et al., 1996, Mandigan et al., 2010). Os fungos desse filo são os principais responsáveis pela ciclagem de carbono no ecossistema pela degradação de compostos lignocelulósicos (Villas-Bôas, et al., 2002, Madigan et al., 2010).

Segundo Chang e Miles (1992), cogumelos são macro fungos com um distinto corpo de frutificação que pode ser desenvolvido sob ou sobre o substrato, devendo ainda ser grande o suficiente para ser visto a olho nu e colhido à mão. Assim, a melhor definição de cogumelo seria de corpo de frutificação. Entretanto, o termo cogumelo tem sido usado de diferentes formas em todo o mundo (Chang & Miles, 2004). Algumas vezes, esse termo é utilizado para designar qualquer fungo que apresenta desenvolvimento macroscópicas de formato semelhante a um chapéu (Chang & Miles, 2004).

Os cogumelos são consumidos como fonte de alimento humano por apresentarem características nutricionais e medicinais, tais como, elevado nível proteico, propriedades imunomodulatórias, antitrombótica, anti-inflamatórias, anticancerígenas, além de apresentarem compostos ativos, tais como polissacarídeos que são benéficos para as funções cardíacas e são hiperglicêmicos (Hossain et al., 2003; Mandeel et al., 2005; Kim et al., 2006). De acordo com Chang et al., (1996), os cogumelos medicinais são usados pela medicina popular há milhares de anos, principalmente em países asiáticos.

Os cogumelos do gênero Pleurotus conhecidos popularmente como Hiratake, Shimeji ou Cogumelos Ostras, estão difundidos em todo mundo, devido seu valor nutricional e medicinal e a facilidade de produção (Bonatti et al., 2004). Dentre os cogumelos cultivados comercialmente eles são mais comuns, sendo o segundo mais produzido mundialmente (ANPC, 2016). Eles são muito consumidos, fresco, em conservas e, ou desidratados, principalmente em países asiáticos devido ao paladar e aroma pronunciados. No Brasil tem sido observado um crescente aumento na produção e no consumo desse cogumelo devido ao potencial de produção do mesmo utilizando resíduos agroindustriais (ANPC, 2016, Kasuya et al., 2012 e 2014).

Os cogumelos Pleurotus spp. são geralmente produzidos em condições rústicas (Mushworld, 2004). Como exemplo de sua rusticidade pode-se citar sua produção em países como o Zimbábue onde as principais locais de produção são construções de madeira com cobertura de palha (Mabveni, 2004). Em Uganda as unidades produtivas também são rústicas, sendo usados em sua construção matérias como argila e palha (Nshemereirwe, 2004). Existem várias espécies de Pleurotus spp. com temperaturas de desenvolvimento diferentes o que permite ser cultivado desde ambientes temperados até ambientes tropicais. Os cogumelos Pleurotus spp. podem ser cultivados em toras ou blocos de substratos compostos por resíduos agrícolas como por exemplo, casca de café, sisal, bagaço de cana-de-açúcar, farelo de arroz, farelo de trigo, farelo de soja, palha de banana, palha de milho, palha de feijão (Da Silva et al., 2012, Nunes et al., 2012). Se fosse utilizado 25% de toda a palha de cereal que é queimada anualmente poderiam ser produzidos 317 bilhões de quilos de cogumelos frescos (Chang & Miles, 1989). Além disso, de acordo como descrito no site Cultivo de Cogumelos Especiais, o cultivo de cogumelos em substratos diminui o tempo de produção, aumenta a produtividade em relação ao cultivo em toras e têm menores incidências de contaminações e doenças, principalmente de fungos competidores.

De acordo com o site Geothermiki, a produção de cogumelos em alguns países se dá de forma mais tecnificada. Em países europeus, os cogumelos são produzidos em estufas climatizadas com controle de temperatura, umidade e concentração de gases garantindo assim, uma maior produtividade e melhor qualidade. Enquanto, em alguns países africanos, a produção é feita em unidades rústicas construídas de madeira com cobertura vegetal ou mesmo de barro (Mabveni, 2004). No Brasil tem sido observado a produção em estruturas rústrica ou em locais adaptados com baixa infraestruturas. Mas, a produtividade é menor nesses locais devido a condições ambientais variáveis, contaminação do meio de cultivo por organismos competidores e ataque de pragas.


5 METODOLOGIA

5.1 CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA DA CONSTRUÇÃO


O local onde será desenvolvido o projeto apresenta topografia levemente ondulada e a vegetação pode ser classificada como pasto sujo. Por ser um terreno plano há muita dificuldade de infiltração das águas das chuvas. Nessa propriedade ainda passa um riacho de onde é retirada toda a água para uso doméstico e agrícola.

A propriedade é composta de 20 ha, sendo: 6 ha de área de preservação permanente (APP), 6 ha plantados com café, 8 ha onde se localiza a sede da propriedade e é utilizada para a produção de cana-de-açúcar e banana. Essas atividades agrícolas são desenvolvidas pela mão-de-obra familiar, composta pelo produtor, cônjuge e dois filhos.



5.2 PRODUÇÃO DE COGUMELO


A produção de cogumelos ocorre em várias etapas que incluem o preparo do substrato, produção de inóculos, inoculação, incubação e colheita (Kasuya et al., 2014). Os substratos são geralmente materiais de origem vegetal incluindo toras de madeiras ou resíduos agrícolas que apresentam em sua composição compostos lignocelulósicos (Kasuya et al., 2012 e 2014).

O preparo do substrato será de acordo com a metodologia descrita por Kasuya et al., (2014) e Nunes et al. (2014) que substitui a esterilização do substrato por calor úmido por uma alcalinização dos mesmos em uma solução de cal (2%). A entrada dos resíduos agrícolas na umidade de produção será a partir da sala de preparo do substrato (Figura 1). Um caminhão transportará os resíduos agrícolas secos até essa sala. Esses resíduos serão empilhados na sala em um local com baixa umidade (Figura 1I). No caso dos substratos que apresentam tamanho maior que 10 cm, a exemplo de bagaço de cana-de-açúcar ou pseudocaule de bananeira, eles serão triturados com auxílio de em uma picadeira (Figura 1II). Esse material será novamente empilhado (Figura 1III) e ensacado em sacaria de rafia (Figura 1IV). Esses sacos serão imersos em solução aquosa de cal 2% (Figura 1V). Em seguida, essa solução será removida utilizando uma centrífuga (Figura 1VI). O substrato úmido alcalinizado será então ensacado em sacos plásticos próprios para a produção de cogumelos com a capacidade de 10kg (Figura 1VII).




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