Licenciamento ambiental para piscicultura


TANQUE REDE DETALHAMENTO DAS ESTRUTURAS



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TANQUE REDE

DETALHAMENTO DAS ESTRUTURAS
TAMANHO E FORMATO DE TANQUES-REDE

O tanque-rede pode ser de formato quadrado, retangular, cilíndrico, hexagonal ou circular, entre outros, sendo mais utilizados o quadrado e o circular.

O fluxo de água nesses formatos se dá conforme ilustrado na figura, podendo ser alterado devido à colmatação (acúmulo de algas e sujeiras) da tela do tanque-rede.

Os tanques-rede devem ser escolhidos na implantação do empreendimento seguindo critérios como preço, tamanho do reservatório e espécie a ser criada, sendo os mais comerciais:

Tanque-rede quadrado

• Volume: 4,8 m³ (2,0 x 2,0 x 1,20) – malha 17 ou 19 mm

• Volume: 6,0 m³ (2,0 x 2,0 x 1,5) – malha 13 ou 19 mm

• Volume: 13,5 m³ (3,0 x 3,0 x 1,5) – malha 19 mm

• Volume: 18 m³ (3,0 x 3,0 x 2,0) – malha 19 mm

Tanque-rede circular

• Volume: 25,0 m³ - malha 19 mm

• Volume: 200,0 m³ - malha 19 mm

• Volume: 300,0 m³ - malha 19 mm

• Volume: 400,0 m³ - malha 19 mm

A produtividade dos tanques-rede está relacionada às trocas de água no seu interior. Assim, pode ser observado na tabela a relação entre o potencial de troca de água do tanque-rede de forma natural (pela dinâmica de corpo hídrico lêntico) e/ou induzido pela movimentação dos peixes confinados. Desta forma, quanto menor for o tanque-rede, maior é a relação entre a sua área de superfície lateral (ASL em m²) e seu volume (V em m³), portanto, quanto maior a relação ASL:V, maior é o potencial de troca de água, conforme tabela.

Tabela Comparação do Potencial de Renovação de Água entre Tanques Rede de Diferentes Dimensões e Relação ASL:V (SCHIMITTOU, 1995)




DIMENSÕES

(m x m x m)



Volume

(m³)


ASL : Volume

(m² : m³)



Potencial de Renovação

de água (%)



1 x 1 x 1

1

4:1

100

2 x 2 x 1

4

2:1

50

2 x 4 x 1

8

1,5:1

38 (25/50)

4 x 4 x 2

32

1:1

25

7 x 7 x 2

98

0,57:1

14

6 x 11 x 2

132

0,52:1

13 (9/17)

13 x 13 x 2

338

0,31:1

8

11 x 11 x 3

363

0,36:1

9


MATERIAL UTILIZADO NA CONSTRUÇÃO E INSTALAÇÃO DOS TANQUES-REDE

Na fabricação da estrutura de armação dos tanques-rede pode se utilizar diversos materiais como: tubos e cantoneiras em alumínio, vergalhões soldados com pintura anti-corrosão, chapas de alumínio soldadas ou parafusadas, barras de ferro soldadas e pintadas, aço galvanizado, bambu, madeira, tubos de PVC, entre outros.

Nessas estruturas são fixados os flutuadores, comedouros, as malhas, tampas e cabo de fixação, que irão dar o formato ao tanque rede.

Os flutuadores podem ser de materiais simples como tambores plásticos e tubos de PVC tampados, evitando reutilizar tambores de substâncias tóxicas. As malhas podem ser confeccionadas de materiais flexíveis como: poliéster revestido de PVC, nylon, alambrado de aço inox.

Para determinar o tipo de material a ser utilizado na confecção das malhas é de fundamental importância conhecer o ambiente que irá receber os tanques-rede, pois como esse é um sistema que irá atrair diversas outras espécies de peixes e na maioria das espécies carnívoras, deve-se escolher o material que demonstre maior segurança aos peixes. Além de conhecer o ambiente, deve-se levar em conta a capacidade de renovação que a malha apresenta em relação à passagem de água pelo sistema, e com isso seu tamanho de abertura, além de ser de um material que não provoque lesões nos peixes, não deve ser corrosivo.

A malha apresenta normalmente abertura de 13 mm a 25 mm para alojar os peixes, dependendo da sua fase de desenvolvimento.

Já as tampas dos tanques-rede podem ser feitas com malhas maiores ou de igual tamanho ao do tanque-rede. Geralmente são confeccionadas com malhas de 25 mm e apresentam abertura total ou de 50%.

É recomendado utilizar sombrites sobre as tampas dos berçários para reduzir a exposição dos peixes aos raios solares, o que melhora seu sistema imunológico, resultando em maior produtividade, além de evitar a predação por pássaros.

Para a fixação dos tanques-rede no ambiente são utilizadas cordas de nylon com espessura entre 14 mm e 20 mm ou cabos de aço, esticado ao longo do eixo em direção perpendicular, à corrente superficial.

Suas extremidades serão fixadas em poitas (âncoras) no fundo do corpo hídrico, sendo o peso das mesmas dependentes da quantidade de tanques-rede, profundidade e correntes de água.



Deve-se lembrar que no ato de fixação dos tanques-rede é de grande importância sinalizar as amarras, devido ao trânsito de embarcações.
A sinalização depende do tamanho da área e disposição das linhas de criação no reservatório, devendo ser feita com tambores de 50 a 200 litros, na cor amarela e/ou sinalizadores luminosos, conforme exigência da Marinha para as criações em tanques-rede nas águas da União.
EQUIPAMENTOS E MATERIAIS DIVERSOS

Para se realizar um bom manejo é preciso usar como apoio alguns materiais e equipamentos adequados ao trabalho, dentre os quais se destacam: barco, remos, motor de popa, balsa, balanças, puçás, baldes, balaios, engradados, kit de análise de água, termômetro, oxímetro, pHmetro, Disco de Secchi, aerador (o uso depende do reservatório), freezer, cordas, arames, facas, computador (uso em escritório), etc.



BERÇÁRIOS/BOLSÕES

O berçário/bolsão é a estrutura utilizada na fase de cria dos micro alevinos de tilápia alojada na área interna do tanque-rede de forma a possuir maior volume de água possível. Como apresenta malha muito pequena, entre 5-8mm, dificulta a troca interna da água. Portanto, é comum a ocorrência de acúmulo de sedimentos em sua superfície (colmatação), sendo necessária a sua limpeza periódica.



BIOMETRIA

Para acompanhar o desempenho das tilápias, o produtor deve conhecer o número total de peixes estocados em cada viveiro ou tanque-rede, o peso e o comprimento total médio, e estimar a biomassa, que é a soma do peso de todos os peixes.

Após a estocagem, o produtor deve fazer biometrias dos peixes a cada 15 ou 30 dias e acompanhar a quantidade de ração administrada e o número de peixes mortos diariamente. Após a contagem, os peixes mortos devem ser retirados e, de preferência, enterrados.

Para fazer a biometria, é necessário coletar uma amostra de cerca de 10 % da população de peixes do ambiente de cultivo. Para capturar os peixes no viveiro, o produtor pode passar uma rede de arrasto ou utilizar uma tarrafa. Já nos tanques-rede, deve-se usar uma tarrafa ou puçá. Essa prática deve ser feita nas horas mais frias do dia para minimizar o estresse e a mortalidade dos peixes.

Todo o material a ser usado na despesca e biometria [rede de arrasto ou tarrafa, baldes, puçás, balança, ictiômetro (régua)] deve ser preparado com antecedência e, com exceção da balança, deve ser desinfetado. Após a captura, os peixes devem ser pesados individualmente, determinado o seu comprimento e os dados anotados. Feito isso, os peixes devem ser devolvidos ao viveiro ou tanque-rede.

Variáveis a serem determinadas para acompanhar o desempenho dos peixes e do cultivo:



Peso médio (kg), Comprimento médio (Cm), Ganho diário de peso (Kg) Ganho diário de biomassa (GDB) – Expresso em kg/ha/dia.


Por definição reprodução é o processo pela qual uma espécie perpetua, transmitindo a seus descendentes as mudanças ocorridas em seu genoma. O sucesso obtido por qualquer espécie é determinado, em última instância, pela capacidade de seus integrantes reproduzirem-se em ambientes variáveis, mantendo populações viáveis (Vazzoler, 1996).

Segundo Woynarovich & Horváth, (1983) a técnica de reprodução artificial dos peixes, possibilita o suprimento em massa de ovos para uma grande variedade de peixes destinados a cultura em viveiros, e outros corpos confinados de água, bem como sistema superintensivos de cultura. A maior parte os óvulos são liberados na água em resposta a um comportamento próprio de acasalamento por parte do macho, que realiza fertilização externa (Vazzoler, 1996).

Para as espécies de peixes migradores (Ex. dourado - Salminus brasiliensis; curimba - Prochilodus lineatus; pintado - Pseudoplatystoma corruscans; pacu – Piaractus mesopotamicus; matrincha - Brycon cephalus), para que ocorra o processo de maturação final e desova é necessário que haja alguns estímulos ambientais como temperatura, fotoperíodo, disponibilidade de alimento, necessidade de cheias e migração reprodutiva. Estas características são de suma importância para o desenvolvimento do processo inicial e final de maturação gonadal e liberação dos gametas em peixes migradores (Barbieri et al., 2000). Este desenvolvimento é controlado por hormônios gonadotrópicos, que são fundamentais no processo reprodutivo (Figura 1) (Baldisserotto, 2002; Zaniboni Filho & Nuñer, 2004).

Após a percepção dos estímulos ambientais as informações são transmitidas ao cérebro e depois ao hipotálamo (Coward et al., 2002; Zaniboni Filho & Nuñer, 2004; Bombardelli et al., 2006a). O hipotálamo localiza-se na base do cérebro e é nele que são produzidos, entre outros hormônios, o hormônio liberador de gonadotrofinas (GnRH) e a dopamina, os quais são responsáveis pela estimulação e a inibição da liberação das gonadotrofinas pela adeno-hipófise, respectivamente (Mylonas & Zohar, 2001; Baldisserotto, 2002; Donaldson, 1996).



Figura Produção de hormônios e sua atuação nas diferentes estruturas reprodutivas de peixes migradores brasileiros (Fonte: Zaniboni Filho & Nuñer, 2004).

Neste sentido, a manipulação hormonal para induzir a reprodução pode ser realizada a partir do emprego de hormônios provenientes de extrato hipofisário de outros peixes, aves e mamíferos doadores ou outros hormônios sintéticos (Woynarovich & Horváth 1983; Streit Jr. et al., 2003; Bombardelli et al., 2006a).

A técnica comumente utilizada na reprodução artificial de peixes é a de fertilização a seco. Esta técnica consiste na mistura a seco da massa de ovócitos e sêmen liberados pelos reprodutores, depois de completa homegenização é adicionado um certo volume de água para ocorrer à ativação dos gametas. Este procedimento possibilita a vantagem de ampliar o tempo de manejo dos gametas, permitindo a separação e a quantificação da desova nas porções a serem estocadas em incubadoras distintas, além de aumentar as taxas de fertilização (Zaniboni Filho & Nuñer, 2004; Zaniboni Filho & Weingartner, 2007).

Técnicas de propagação artificial de peixes em cativeiros são praticadas com intuito de disponibilizar maior número de indivíduos jovens para prática de cultivo sendo portanto, dependente da demanda da produção (Woynarovich & Horváth, 1983). Desta forma, com o aumento apresentado pela piscicultura brasileira nos últimos anos (Crescêncio, 2005; Boscardin, 2008), técnicas que envolvam o processo de reprodução de peixes em cativeiros são necessárias. No entanto, apesar de encontrar-se avançada, ela ainda é um dos principais entraves na produção de espécies nativas brasileiras (Zaniboni Filho & Weingartner, 2007).
SELEÇÃO DOS REPRODUTORES

A seleção dos reprodutores é um dos processos mais importantes no processo de reprodução artificial, pois irá determinar o sucesso da reprodução. No período reprodutivo (outubro a março – varia entre as espécies e região) os reprodutores são selecionados no tanque de cultivo. Para tanto uma rede de arrasto será passada e os peixes capturados, é observado algumas características externas, nas fêmeas observa-se ventre abaulado, papila genital saliente e avermelhada e, nos machos, fluindo sêmen sob leve compressão abdominal. Além disso, para confirmar o estágio de maturação gonadal das fêmeas pode-se realizar biópsias ovarianas através da canulação, neste procedimento, um pequeno cateter é inserido no orifício genital e posteriormente uma amostra de ovócitos é retirada para a avaliação.



Os ovócitos retirados são submetidos à solução de Serra (60 mL alcool 90 ºGL; 30 mL formoldeído; 10 mL ácido acético glacial) (Woynarovich & Horváth, 1983) e visualizados em lupa com aumento de 4×, para avaliação da migração da vesícula germinativa (Stoeckel, 2000). Após esta avaliação, devem-se selecionar fêmeas que apresentarem a maioria dos ovócitos com vesícula germinativa polarizada.


INDUÇÃO HORMONAL

O objetivo da indução hormonal será de aumentar a produção seminal e a promover a maturação final de ovócitos. Vários hormônios são utilizados, destacando-se: sGnRH, LHRH, LHRHa, Antagonistas de dopamina, HCG, LH e hipófise de outros peixes, este último é o mais empregado nos peixes migradores brasileiros (Zaniboni Filho & Weingartner, 2007).



A hipófise de peixe empregada é retirado de carpas que estão no período reprodutivo, é conhecida como extrato pituitário de carpa (EPC). A hipófise é lacerada e posteriormente diluída em soro fisiológico (0,6% salinidade). Para as fêmeas realizam-se duas induções hormonais totalizando 5,5 mg de EPC.kg-1 de reprodutor, a primeira correspondendo a 10% do total (0,5 mg de EPC.kg-1 - dose prévia), sendo esta realizada 12 horas antes da segunda aplicação. A segunda aplicação consiste na indução de 5,0 mg de EPC.kg-1 (Woynarovich & Horváth, 1983). Para os machos realiza-se uma única indução hormonal com 2,5 mg de EPC.kg-1 juntamente com a segunda indução hormonal empregada nas fêmeas. As aplicações devem ser realizadas de forma intramuscular na região do dorso em espécies de coro, e na base da nadadeira peitoral em espécies de escamas. Após as aplicações a temperatura da água deve ser monitorada frequentemente para a estimativa do momento em que se deve realizar a coleta dos gametas (Godinho, 2007).


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