Israel belo de azevedo



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magister dixit teológico, 
respondendo a todo o tipo de perguntas-consultas dos leitores. [489]A partir dessa seção, 
tornou-se uma das forças mais influentes na formação doutrinária dos batistas. [490] 
   
No entanto, ninguém melhor entendeu as linhas-mestras do pensamento batista do 
que o missionário Alva Bee Langston (1878-1965), professor de teologia no Seminário do 
Rio e autor, entre outros, de "A democracia batista" (1917), "O princípio de individualismo 
em suas expressões doutrinárias" (1933), "Esboço de teologia sistemática" [491](1959), "A 
doutrina do Espírito Santo", "Noções de ética prática", "Teologia bíblica do Velho 
Testamento" (1938) e "Teologia bíblica do Novo Testamento" (3ª ed.: 1938). 
   
Em certo sentido, Langston é o primeiro teólogo batista no Brasil. Junto com o 
"Manual das Igrejas", de W.C. Taylor, seu esboço de teologia se tornou leitura obrigatória 
para os jovens pastores e suma da sistemática batista. Do ponto de vista filosófico e 
teológico, no entanto, suas obras mais importantes são "Verdadeira democracia" e "O 
princípio de individualismo", embora muito pouco lidos e apesar de suas categorias nada 
rebuscadas. Foi ainda muito influente a partir da cátedra. 
   
William Carey Taylor (1886-1971) foi outro sistematizador das doutrinas batistas. 
Tornou-se leitura obrigatória para candidatos a entrar no pastorado. Prolífico, escreveu 
inúmeras obras, além de incontáveis artigos. Polemista, dirigiu seu foco para outros 
protestantes, e mesmo para batistas que considerava heterodoxos, [492]e não para os 
católicos. Ele ficou também conhecido por seus livros de sistematização doutrinária, 
particularmente "Doutrinas" (1928) e "Cremos" (1943). Escreveu também sobre a Bíblia, 
especialmente comentários -- ao evangelho de João (1943-1945), à epístola de Tiago (1942) 
e a epístola aos gálatas (1954). Sua gramática grega ("Introdução ao estudo do Novo 
Testamento Grego") estava em catálogo ainda em 1994. Entre suas obras, estão ainda: 
"Manual das igrejas" (5ª ed.: 1957), "Passagens bíblicas explanadas" (1942), "Os dez 
mandamentos" (2ª ed.: 1966), "O fruto do espírito revelado em Jesus" (2ª ed.: 1970), "Os 
mandamentos de Jesus" (2ª ed.: 1942), "Jesus" (1932), "Batismo bíblico" (2ª ed.: 1967) e 
"Religiões e seitas"(1955). [493] 
   
Asa Routh Crabtree (1889-1965) e Antonio Neves de Mesquita (1988-1979) se 
dedicaram mais a escrever sobre a Bíblia. Crabtree produziu vários comentários bíblicos 
(sendo o sobre Isaías o principal), uma gramática hebraica (1951) e uma "Teologia bíblica do 
Velho Testamento" (1956), entre outros livros. Mesquita também foi o único batista a 
comentar quase todo o Velho Testamento, tendo chegado a Ezequiel. Além disso, escreveu 
sobre a antigüidade bíblica. O seu "Povos e nações do mundo antigo" (1954) continuava à 
venda em 1994. Escreveu ainda: "A doutrina da Trindade no Velho Testamento" (1956) e "A 
revolta dos anjos" (1975), entre outros. 
   
Kantiano assumido, Reynaldo Purim (1897-1989) escreveu muito pouco, mas 
influenciou muito a partir de sua cátedra no Seminário do Rio. Dele foram publicados apenas 
alguns pequenos livros: "O Espírito Santo"(1977), "Jesus Cristo no panorama da história" 
(1978) e "A Igreja de Jesus Cristo" (1980) e "Jesus Cristo, o reconciliador" (1985). 

   
Principalmente historiador e jornalista, José dos Reis Pereira (1916-1991) esteve 
mais preocupado com a vida da igreja, especialmente em manter aceso o espírito missionário. 
Anticatólico, seu primeiro livro era de polêmica: "Da consubstanciação à ceia do Senhor" 
(1955). Além de biografias missionárias, escreveu "Sal da terra: um dia na vida de cinco 
membros da igreja" (1959), "Mobilização dos válidos" (1968), "Vale a pena sonhar?" 
(1981)" e "Mensagem" (1989). Sua influência foi desenvolvida principalmente a partir dos 
editoriais do "Jornal Batista". 
   
Igualmente jornalista, Delcyr de Souza Lima também navegou nas águas do 
anticatolicismo. O título do seu primeiro livro o revela: "Analisando crenças católicas" 
(1957). Escreveu ainda "Analisando crenças espíritas e umbandistas" [494](1970), "A arte de 
evangelizar" (1972) e "Doutrina e prática da evangelização" (1969). Sua influência maior, no 
entanto, foi exercida através das páginas das revistas para a Escola Dominical. 
   
Essa seleção de teólogos batistas mais representativos procurou obedecer ao critério 
da sua influência na formação do pensamento batista denominacional. Além desses, segue 
outra relação de pensadores também importantes. [495] 
   
Na trilha do anticatolicismo, a lista pode ser ampliada. Só para mencionar aqueles 
batistas que escreveram livros de polêmica anticatólica, a partir de 20, eis pela ordem de 
aparecimento dos seus principais livros alguns desses autores, excluídos os já referidos: 
Archiminia Barreto (1845-1930?), [496]Rosalino da Costa Lima, [497]Gorgônio Barbosa 
Alves [498]e Aníbal Pereira Reis (1942-1987). [499] 
   
Com preocupações mais sociais, podem ser mencionados Adrião Bernardes 
(1891-1969), Alberto Mazoni de Andrade (1906-1957), Luciano Lopes e, principalmente, os 
autores ligados à revista "Diretriz Evangélica", os quais propunham um socialismo cristão, a 
partir de Berdyaev. [500] 
   
Merecem menção ainda Emílio Warwick Kerr, pelas suas polêmicas internas; Almir 
dos Santos Gonçalves e Moysés Silveira (1908-1972), por suas atuações no "Jornal Batista"; 
Alberto Augusto, por seus livros; [501]David Gomes, por sua coluna ("Perguntas e 
Respostas") no "Jornal Batista" e seus livros; Werner Kaschel, por sua ação docente; Russell 
Shedd, por sua ação docente, suas conferências e seus livros; [502]Juarez de Azevedo, por 
seus livros para a juventude; e também Roque Monteiro de Andrade (1922-1989), [503]Darci 
Dusilek, Isaltino Gomes Coelho Filho e Almir dos Santos Gonçalves Jr., por seus artigos e 
livros. 
   
Muitas vezes, mais significativas que as obras de autores brasileiros e missionários 
foram as traduções que fizeram, em maior número que as contribuições nacionais. No campo 
teológico, um elenco das dez mais importantes, formativamente, são: [504] 
   
  
   
. "O peregrino", de John Bunyan (1850?); [505] 
   
. "Em seus passos que faria Jesus?", de Charles M. Sheldom (1945); [506] 
   
. "Dicionário bíblico", de John Davis (1928); [507] 
   
. "A origem e história dos batistas", S.H. Ford (1886); 
   
. "As doutrinas de nossa fé", de E.C. Dargan (1910); 
   
. "Axiomas da religião", de E.Y. Mullins (3ª ed.: 1956); 
   
. "Doutrinas", de W.C. Taylor (1952); 
   
. "Nossas doutrinas", de H.W. Tribble (3ª ed.: 1957); 
   
. "Certo ou errado", de T.B. Maston (1958); 
   
. "Os fundamentos de nossa fé", de H.H. Hobbs (1960). 
   
  

   
A teologia batista está, portanto, nesses livros, nos seus hinários, na sua literatura 
periódica e também nas suas declarações de fé. 
   
Os batistas no Brasil prepararam apenas uma declaração doutrinária, embora tenham 
usado duas. A primeira foi a tradução que Z.C. Taylor fez da New Hampshire e que começou 
a circular extra-oficialmente. Embora nunca tivesse sido votada pela Convenção, era tida 
como "oficial". Só muito mais tarde, nos anos 30, aconteceria esta oficialização. 
   
A segunda confissão de fé foi preparada para as comemorações do centenário da 
presença no Brasil e publicada em 1982. Antes dela, porém, nos anos 70, o Seminário 
Teológico Batista do Sul do Brasil, devido a problemas internos, preparou uma para ser 
subscrita por todos os professores.[508]Nenhuma delas foi amplamente divulgada, como a 
tradução de Taylor. 
   
O mesmo ocorreu com o "pacto das igrejas". Ele surgiu pelas mãos de Taylor e foi 
ficando até se tornar oficial. Por sua concisão, tem sido outro importante fator de coesão 
doutrinária. 
   
Não se pode esquecer, como fator de formação e coesão da fé, o hinário. O "Cantor 
Cristão" foi iniciativa de Ginsburg, ainda congregacional. A primeira edição, de 1891, tinha 
16 hinos. A de 1921 tomara feições quase definitivas, com 571 hinos. [509]O hinário 
permanece utilizado, mas, desde 1982, com a companhia do "Hinário do Culto Cristão", que 
mantém e/ou suprime músicas do cantor, além de aduzir novas. 
   
Da construção do pensamento batista no Brasil participou ativamente o espírito da 
controvérsia, sempre interessada em defender a "sã doutrina". [510]Foram várias essas 
controvérsias particulares, além da travada genérica e permanente contra o catolicismo. 
Essas controvérsias, vale salientar, por vezes reproduziram preocupações dos batistas nos 
EUA, como no caso dos ataques ao "modernismo teológico" (ou também "liberalismo 
teológico"). Nunca se questionou aqui, diferentemente do que ocorreu nos EUA, o 
missionarismo. As polêmicas brasileiras foram, em geral, polêmicas brasileiras, nascidas de 
embates internos (com católicos, protestantes e batistas). 
   
O princípio da laicidade do estado foi solidificado a partir das discussões em torno do 
ensino religioso, re-suscitado a partir do primeiro governo Vargas. Os protestantes em geral e 
os batistas em particular escreveram centenas de páginas para defender sua proposta de uma 
igreja livre num estado livre. Dezenas de pastores e intelectuais batistas participaram da 
discussão, travada no "Jornal Batista", muito especialmente, desde a Primeira República. O 
decreto de Vargas, de maio de 1931, facultando o ensino religioso nas escolas públicas, foi 
visto como uma ameaça a manutenção da laicidade do Estado. O jornal chegou a abrir uma 
seção ("O ensino religioso nas escolas e a reação das consciências livres"), às vezes, com 
diversas páginas, para abrigar colaborações, de batistas e não batistas. A essência da 
argumentação batista, desenvolvida a partir dessa década, era que "o ensino religioso nas 
escolas e estabelecimentos oficiais" era "o pecado original de todos os outros atentados à 
liberdade religiosa ou de consciência", pecado capaz de "ferir de morte o grande princípio da 
separação entre a Igreja e o Estado".[511]Na síntese batista, "nenhuma autoridade 
eclesiástica pode dominar as consciências por meio de coerção ou vantagem governamental" 
e "as igrejas têm que ser deixadas livremente exercer a sua influência sobre o pensamento e 
as vidas dos cidadãos do Estado". [512] 
   
Essa percepção permeou a visão batista, tornando-se uma espécie de axioma.[513] 
   
A segunda controvérsia não foi propriamente teológica, mas administrativa.   
   
Tratou-se do chamado "radicalismo", que consistiu, nas décadas de 20 a 40, numa 
percepção de que os brasileiros eram capazes de administrar os negócios da denominação no 

Brasil. No entanto, a querela não deixou marcas no plano teológico e não representou 
qualquer ruptura em relação à tradição norte-americana. [514] 
   
Houve outras disputas teológicas, tanto internas quanto internas, em torno das formas 
de ministração do batismo e da ceia. O batismo foi discutido principalmente com os 
presbiterianos, através da imprensa periódica. A ceia foi discutida externa e internamente. 
Conquanto majoritário o seu oferecimento apenas a membros da igreja ("ceia restrita", na 
terminologia denominacional), a discussão do assunto resultado em largo material na 
literatura periódica e em livros de ocasião. Os debates contribuíram para a reafirmação do 
oferecimento restrito, embora a prática nunca tenha se constituído uniforme. 
   
Duas controvérsias tiveram significado realmente teológico. A primeira foi em torno 
da perseverança dos santos. A segunda se cingiu ao problema da atuação do Espírito Santo na 
vida dos crentes. 
   
A primeira, nos anos 50, foi polarizada por dois missionários. Robert Bratcher 
escreveu uma série de artigos no "Jornal Batista", admitindo a possibilidade da perda da 
salvação, especialmente a partir da "Epístola aos Hebreus". A reação mais dura foi de W.C. 
Taylor, com artigos e depois em dois livros, [515]na defesa da eleição segundo o paradigma 
calvinista. A posição de Taylor triunfou, tornando-se um dogma, e Bratcher deixou o Brasil. 
   
A segunda controvérsia, na década seguinte, envolveu mais os brasileiros. A partir da 
influência de uma missionária e de um conferencista norte-americano, alguns pastores 
brasileiros começaram a pregar um novo tipo de ação, de natureza carismática, do Espírito 
Santo na vida dos crentes, concluindo pela existência de um segundo batismo, capaz de 
qualificar os crentes para uma vida cristã mais plena. A recusa a esta "renovação espiritual" 
pelos batistas tradicionais foi bem definida por uma comissão especial da Convenção nos 
seguintes termos: 
   
  
   
"A crença no batismo no Espírito Santo como uma segunda bênção, ou seja, como 
uma segunda etapa na vida crista, ou seja, ainda, como uma nova experiência posterior à 
conversão, não encontra base nas Escrituras". [516] 
   
  
   
As discussões, que não tiveram propriamente um fim, embora tenham provocado a 
única cisão na história da denominação no Brasil, contribuíram para solidificar a posição 
batista, de tendência racionalista, neste aspecto. A partir daí, os batistas tinham mais um 
inimigo além do catolicismo: o pentecostalismo ou carismatismo. [517] 
   
Em linhas gerais, por esses caminhos construiu-se o pensamento batista no Brasil. 
   
Para fins de síntese, pode-se elaborar a seguinte lista dos textos mais influentes na 
formação da teologia batista brasileira, além do "Cantor Cristão", do "Jornal Batista" e das 
revistas destinadas ao uso dominical pelas igrejas: [518] 
   
. "O papa e o concílio", de Rui Barbosa; [519] 
   
. "Três razões por que deixei a igreja romana", de Antonio Teixeira de Albuquerque; 
   
. "A origem e história dos batistas", S.H. Ford; 
   
. "Declaração de fé das igrejas batistas no Brazil" (Declaração de New Hampshire -- 
tradução de Z.C. Taylor); 
   
. "As doutrinas de nossa fé", de E.C. Dargan; 
   
. "O princípio de individualismo", de A.B. Langston; 
   
. "Dicionário bíblico", de John Davis; 
   
. "Axiomas da religião", de E.Y. Mullins; 
   
. "Doutrinas", de W.C. Taylor; 

   
. "O peregrino", de John Bunyan, e 
   
. "Em seus passos, que faria Jesus?", de Carles M. Sheldom. 
   
  
   
Apresentadas estas informações, pode-se ver, agora propriamente, como os batistas 
se viam a si mesmo e, depois, o conteúdo da sua teologia. 
   
  
   
A AUTOCOMPREENSÃO 
   
Mais que os livros, uma inscrição ostentada por um batista revela o modo como os 
batistas se vêem a si mesmos, no Brasil. Ao longo dos anos 70, a associação das igrejas 
batistas da micro-região (no norte novíssimo do Paraná) promovia, duas vezes ao ano, no 
templo da Primeira Igreja Batista de Cianorte, um curso de treinamento teológico. 
   
Das várias comunidades, a maioria de constituição rural, vinham os alunos. Dentre 
esses, muitos eram jovens, um dos quais portava permanentemente uma pasta preta de 
plástico, ilustrada por um dístico, em letras maiúsculas coloridas, na forma de uma síntese de 
sua cosmovisão religiosa: "EU NÃO SOU CRENTE BATISTA, EU SOU BATISTA 
CRENTE". 
   
Essa autocompreensão de 1970 faz eco, sem dúvida, com a visão de Bagby, quando 
escreveu, em 1884: 
   
  
   
"Uma igreja batista não pode estar em absoluta fraternidade com instituição alguma 
fora de outra igreja batista. (...) Devemos estar em paz e boas relações para com igrejas e 
outras instituições fora da nossa denominação, mas somente quando for possível, e até onde 
foi possível. É preciso que a pessoa, instituição ou igreja se harmonize primeiro com o 
evangelho, para que assim possa estar em completas e absolutas relações fraternais com as 
igrejas batistas". [520] 
   
  
   
Fica implícito que a "absoluta fraternidade" só é possível entre batistas, uma vez que 
a harmonização com o evangelho levará obrigatoriamente o indivíduo ou grupo religioso a se 
tornar batista. É a mesma linha de raciocínio pelo qual se pautava Graves, no Tennessee. 
[521] 
   
Do teólogo do Tennessee ao estudante do norte do Paraná, o tecido que cobre a 
autocompreensão dos batistas é feito do fio do orgulho denominacional, comum às 
confissões religiosas, [522]com uma diferença: entre os batistas este orgulho é constitutivo 
do seu modo de ser, pensar e agir. Nele reside a base da sua identidade, com reflexos na sua 
historiografia, na sua eclesiologia, na sua teoria política e, evidentemente, na sua forma de se 
relacionar com outros grupos; o isolacionismo e o antiecumenismo são faces dessa mesma 
moeda. 
   
Por isto, não é exagerado sobrelevar a permanência do ideário landmarkista no 
imaginário batista; se nos Estados Unidos, esse ideário culminou numa cisão, no Brasil sua 
influência se faz notar muito cristalinamente na eclesiologia e na historiografia. 
   
Quanto à eclesiologia, vejamos um caso especifico: o da administração da Ceia do 
Senhor. O princípio hegemônico no Brasil é o seu oferecimento tão somente aos "membros 
de uma igreja da mesma fé e ordem", vale dizer, aos batistas. Há, no entanto, congregações 
que a ministram segundo o modelo landmarkista e, o seu oposto, livremente a qualquer 
cristão que queira participar. [523] 
   
Houve um episódio que ilustra bem este problema. Um pastor congregacional 
anticatólico (Jorge Buarque Lyra) foi convidado, nos anos 50, a pregar numa igreja batista 

(no bairro de Vila Mariana, em São Paulo), dirigida por um dos principais líderes batistas à 
época (Rubens Lopes). Pregou. À hora da Ceia, esta lhe foi recusada. Irritado, travou uma 
polêmica com os batistas, especialmente com W.C. Taylor, criticando a incoerência dos 
batistas. [524] 
   
É preciso salientar, porém, que o antidenominacionalismo, que se expressou também 
no protesto de Graves contra o envio de missionários pelas Juntas (Boards), não se tornou 
hegemônico entre os batistas brasileiros. No entanto, é bem evidente a compreensão de que a 
tarefa de enviar missionários cabe, como queria Graves, à igreja local, que, no entanto, 
delega tal tarefa a uma Junta. Hoje, várias igrejas brasileiras enviam seus próprios 
missionários independentemente. A publicidade das juntas (Missões Mundiais e Missões 
Nacionais) destaca a responsabilidade da igreja local e as apresenta como coordenadoras 
deste trabalho. [525] 
   
No entanto, foi na historiografia batista que a influência landmarkista se mostrou 
mais duradoura, por meio de uma leitura da própria história denominacional, a que Patterson 
chamou de sucessionismo. [526] 
   
A lógica do landmarkismo era a seguinte: o Reino de Deus prevaleceu; o Reino 
sempre incluiu todas as igrejas verdadeiras; os batistas são a única igreja verdadeira; logo, os 
batistas sempre existiram. Acusado de defender uma sucessão apostólica, Graves tratou de 
esclarecer: 
   
  
   
"minha posição é que Cristo, ainda nos dias de João o Batista, estabeleceu um reino 
visível na terra, e que este reino nunca foi feito em pedaços. (...) Se seu reino permaneceu 
intacto, e o será até o fim, (...) seu reino não pode existir sem verdadeiras igrejas". [527] 
   
  
   
No Brasil, Z.C. Taylor teve a mesma preocupação: 
   
  
   
"Não cremos em sucessão apostólica, porque S. João, o último dos apóstolos, morreu 
nos fins do primeiro século, e não existiu outro apóstolo depois dele. (...) Mas cremos na 
sucessão e continuação das doutrinas e ordenanças da Igreja Cristã desde seu fundamento por 
todas as idades, e que continuarão até a consumação dos séculos. Nos tempos da maior 
depravação, e durante as mais sanguinolentas perseguições de Roma pagã e Roma papal têm 
existido verdadeiras testemunhas -- os fiéis conservadores e propagadores dos mandamentos 
e ordenanças de Cristo, como foram recebidos do seu Fundador". [528] 
   
  
   
Assim, o sucessionismo procura mostrar que as igrejas batistas vêm desde os tempos 
do Novo Testamento. Graves, na verdade, recusava a palavra sucessão, pois sucessão 
apostólica é parte do argumento católico romano por primazia. Por isto, em 1880, ele preferiu 
falar em "continuidade ininterrupta do reino de Cristo, desde os dias de João o Batista até 
agora, segundo as expressas palavras de Cristo". [529] 
   
Esta distinção não estava clara para ele, 20 anos antes, quando prefaciou o livro de 
Ford, publicado em português em 1886: 
   
  
   
"Esta obra (...) será bem acolhida pelas massas, desde que ela lhes fornece fatos 
históricos, autênticos e abreviados, com os quais repelem as questões e acusações lançadas 
todos os dias á sua face pelos descendentes daqueles que mataram os nossos antecessores. De 
onde vieram os batistas? Os batistas originam-se de Roger Williams, e seus batismos de seu 
batismo informe? Os batistas são descendentes dos fanáticos anabatistas de Münzer? São um 

ramo da Reforma? e outras tais acusações. O povo não tem sido instruído com fatos 
históricos para repelir estas acusações. Eles abrem sempre o capítulo terceiro de S. Mateus e 
com triunfo apontam para um grupo de batistas na Judéia, reunida por "João Batista", e a 
Igreja no Monte das Oliveiras, à qual Cristo deu instruções para a Igreja em Jerusalém, e para 
todas as Igrejas plantadas pelos apóstolos -- todas na verdade, Igrejas Batistas: porém para a 
multidão a espessa escuridão de dezoito séculos separa o período apostólico do presente". 
[530] 
   
  
   
Ao sintetizarem a trajetória batista, vários outros autores lavraram no mesmo terreno. 
Entre eles, o missionário W.C. Taylor argumentou pela cartilha da historiografia 
lankmarkista, ao informar que "o nome batista é bíblico", já que "o precursor de Jesus 
recebeu este nome". [531]Sua conclusão é que "os batistas modernos são os únicos que 
atualmente conservam na sua inteireza" a "permanente, gloriosa e vital contribuição do 
Espírito Santo ao nosso conhecimento da verdade e vontade de Deus". [532] 
   
Na mesma linha, o também missionário Langston estava certo que "muito antes de 
Luthero, já existiam os batistas", que sacrificaram suas vidas para manter sua fé. [533] 
   
O igualmente missionário Crabtree é ainda mais enfático. Segundo ele, sempre houve 
na história do cristianismo pessoas que se orientaram "pelos ensinos do Novo Testamento", 
em meio às "épocas escuras do domínio do romanismo". [534]No caso dos batistas 
brasileiros, eles mantêm "com dignidade o nome que lhes legaram os seus antecessores". Por 
suas qualidades ("experiência fervorosa da graça salvadora de Cristo", "amor natural à 
Palavra de Deus" e "fidelidade à liberdade religiosa"), eles demonstram uma "fraternidade 
entranhável com os batistas, de todos os países e de todas as épocas, desde os tempos 
apostólicos até o presente". [535] 
   
Conseqüentemente,   
   
  
   
"o povo desta fé é mais antigo do que o seu nome histórico, porque é da mesma fé e 
ordem dos cristãos do Novo Testamento. As igrejas apostólicas eram verdadeiramente 
batistas, porque constavam somente de crentes batizados, porque eram democráticas, e 
porque respeitaram a consciência e a responsabilidade pessoal". 
   
  
   
No entanto, adverte Crabtree, "a sucessão apostólica dos batistas não depende da 
continuação ininterrupta de igrejas batistas desde o tempo apostólico até o presente, mas sim 
da aceitação e da prática das doutrinas e princípios apostólicos". [536] 
   
A síntese desta visão pode ser encontrada num texto de S.L. Watson: 
   
  
   
"Através dos séculos da era cristã tem havido indivíduos e grupos maiores e menores 
pugnando insistentemente pela espiritualidade da igreja e dos seus membros. Tais grupos se 
chamavam por nomes diversos, tendo em certos casos uma ligação lógica e cronológica entre 
si e em outros nenhuma, mas sempre movidos pelo desejo de manter a espiritualidade da 
igreja ("igreja" no sentido genérico). Todavia há trezentos anos mais ou menos, 
concretizou-se e consolidou-se tal espírito de forma permanente no povo denominado 
batista. Deste modo a denominação batista data da era de João Batista e de Jesus, apesar de o 
nome ter aparecido tão recente como em 1640, mais ou menos". [537] 
   
  
   
Na realidade, esta perspectiva sucessionista é filha do século 19, especialmente 
quando, como conseqüência dos movimentos avivalistas, as denominações experimentavam 

grande crescimento em meio a fortes disputas entre eles. 
   
Ao longo do século 17, o conceito era estranho ao pensar batista. Helwys, Murton e 
Spilsbury não mencionaram qualquer relação do seu grupo com outros do passado. Smyth 
mencionou apenas uma restauração da verdade, celebrada pelos menonitas, aos quais quis se 
filiar. D. King e H. D'Ansvers admitiram a existência de uma sucessão de crentes batizados 
ao longo da história do cristianismo. As confissões de fé do período sequer insinuaram uma 
sucessão. 
   
No século 18, surgiram as primeiras elaborações, embora tímidas e longe do que seria 
o sucessionismo propriamente. Thomas Crosby, em sua 
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