Intencionalidade, informatividade, aceitabilidade



Baixar 305.38 Kb.
Pdf preview
Encontro05.04.2020
Tamanho305.38 Kb.

05

UNIDADE

EXCELÊNCIA EM EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

CONTEXTUALIZAÇÃO, 

COESÃO, COERÊNCIA, 

INTENCIONALIDADE, 

INFORMATIVIDADE, 

ACEITABILIDADE, 

SITUACIONALIDADE E 

INTERTEXTUALIDADE

LEITURA E PRODUÇÃO DE 

TEXTOS

Unidade 05. Contextualização, coesão, coerência, intencionalidade

informatividade, aceitabilidade, situacionalidade e intertextualidade



2

EXCELÊNCIA  EM  EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

CONTEXTUALIZAÇÃO, COESÃO, COERÊNCIA, 

INTENCIONALIDADE, INFORMATIVIDADE, 

ACEITABILIDADE, SITUACIONALIDADE E 

INTERTEXTUALIDADE

 

Na produção e recepção do texto, fatores pragmáticos contri-



buem para a construção do seu sentido e possibilitam que sejam re-

conhecidos na língua portuguesa. São elementos desse processo as 

peculiaridades de cada ato comunicativo, tais como: as intenções do 

interlocutor, o jogo de imagens mentais que cada interlocutor faz de 

si, do outro e outro com relação a si mesmo e ao tema do discurso e o 

espaço de perceptibilidade visual e acústica comum na comunicação 

face a face. Assim, o que é pertinente numa situação, pode não o ser 

em outra.

 

Segundo Costa Val (1991), o contexto sociocultural em que se 



insere o discurso também constitui elemento condicionante de seu 

sentido, na produção e na recepção, na medida em que delimita os 

conhecimentos partilhados pelos interlocutores, inclusive quanto às 

regras sociais da interação comunicativa, como tom de voz e postura.  

 

Cumpre destacar que a segunda propriedade básica do texto é 



o fato de ele constituir uma unidade semântica, assim, uma ocorrên-

cia linguística, para ser texto, necessita ser recebida como um todo 

significativo. O texto se caracteriza por sua unidade formal, ou seja, 

material. Seus constituintes linguísticos devem estar integrados e co-

esos.

 

Cabe salientar que a escrita requer parceria entre os sujeitos 



envolvidos no processo, na medida em que buscam os mesmos fins. 

Mais do que um esforço tão somente na escolhas dos léxicos, na ade-

quação gramatical e na correção ortográfica,

a atividade da escrita é, então, uma atividade interativa de 

expressão, (ex-, “para fora”) de manifestação das ideias, 

informações, intenções, crenças ou dos sentimentos que 

queremos partilhar com alguém, para, de algum modo, in-

teragir com ele. Ter o que dizer é, portanto, uma condição 

prévia para o êxito da atividade de escrever. Não há conhe-

cimento linguístico (lexical ou gramatical) que supra a de-



Unidade 05. Contextualização, coesão, coerência, intencionalidade, 

informatividade, aceitabilidade, situacionalidade e intertextualidade



3

EXCELÊNCIA  EM  EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

ficiência do “não ter o que dizer”. As palavras são apenas a 

mediação, ou o material com que se faz a ponte entre quem 

fala e quem escuta, entre quem escreve e quem lê. Como 

mediação, elas se limitam a possibilitar a expressão do que 

é sabido, do que é pensado, do que é sentido. Se faltam as 

ideias, se falta a informação, vão faltar as palavras. Daí que 

nossa providência maior deve encher a cabeça de ideias, 

ampliar nosso repertório de informações e sensações. [...] Aí 

as palavras virão, e a crescente competência para a escrita 

vai ficando por conta da prática de cada dia, do exercício de 

cada evento, com as regras próprias de cada tipo e de cada 

gênero de texto. (ANTUNES, 2003, p. 45-46).

 

É importante destacar que Textualidade é o conjunto de carac-



terísticas que fazem com que um texto seja um texto e não mero 

amontoado de frases. Para Koch &Travaglia (1995, p. 26), “a textua-

lidade é o que faz de uma sequência linguística um texto e não uma 

sequência ou um amontoado aleatório de frases ou palavras”. A se-

quência, segundo os autores, “é percebida como texto quando aquele 

que a recebe é capaz de percebê-la como uma unidade significativa 

global”. 

 

Assim, de acordo com Beaugrande e Dressler (1973) existem 



sete fatores que condicionam as situações de produção textual, são 

elas: a coerência e a coesão (de natureza linguística e conceitual); a 

intencionalidade, a aceitabilidade, a situacionalidade, a informativi-

dade e a intertextualidade. Importa salientar que idealizar práticas de 

ensino da produção escrita a partir de concepções sobre a textuali-

dade requer a aceitação de que o texto não é um produto, e sim um 

processo, haja vista que ele é construído em situações concretas de 

interação comunicativa e por interlocutores reais.

 

Confere-se que o sentido de um texto e a rede conceitual que a 



ele subjazem emergem em diversas atividades nas quais os indivídu-

os se engajam.

 

Destaca-se que interpretar constitui um trabalho de recons-



trução de sentidos, uma operação interativa que demanda uma ar-

ticulação de diferentes fatores; não é apenas uma decodificação dos 

elementos instrucionais, mas o reconhecimento de estratégias reali-

zadas e que configuram os significados virtuais, passíveis de serem 

recuperados por processos de inferência, análise de pressupostos e 

implícitos situacionais de diversas ordens. Desta feita, decifrar um tex-



Unidade 05. Contextualização, coesão, coerência, intencionalidade, 

informatividade, aceitabilidade, situacionalidade e intertextualidade



4

EXCELÊNCIA  EM  EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

to é mobilizar um conjunto diversificado de competências (linguísti-

cas, semântico-pragmáticas e situacionais) para percorrer, de modo 

coerente, uma superfície discursiva orientada de um emissor para um 

receptor, temporalmente, e que constitui o texto.

 

Assim, todo saber linguístico deve ser analisado como parte in-



tegrante de um texto interativo, ou seja, como uma unidade integran-

te de outra maior que é o texto, linguisticamente configurado.



   O CONTEXTO

 

O tratamento de uma única frase ou de um fragmento qualquer 



de texto exige atenção ao contexto. Confere-se que a Língua só ex-

pressa parte do que se quer transmitir; assim, para interpretar textos, 

não basta conhecer a Gramática da Língua, é necessário acesso ao 

contexto sócio-histórico do conteúdo. Desta feita, o texto é recupe-

rado a partir do contexto em que foi escrito e,portanto, possui um 

projeto de intenção e interação que o torna discurso.

 

Todo o discurso é a configuração de uma intencionalidade co-



municativa, que se pretende recuperar a partir da relação entre as 

proposições  encontradas e o conhecimento partilhado que se tem 

do mundo.

 

Desta forma, a lógica de ações se reflete nos textos e, assim, 



todo processo de interpretação deve levá-la em conta. Qualquer fra-

se, independentemente de seu contexto, não tem um significado final 

em si mesma, devendo ser atualizada pelo contexto.

 

Para Abaurre (2007, p. 24), “os textos, escritos ou orais, não têm 



existência autônoma, porque sua significação depende do reconheci-

mento de um contexto e da relação que os leitores/ouvintes estabe-

lecem com ele.”

   CONTEXTUALIZAÇÃO

 

Para uma boa leitura verbal e não-verbal deve-se levar em conta 



o contexto. Por contexto, entende-se, o todo, ou seja, uma unidade 

Unidade 05. Contextualização, coesão, coerência, intencionalidade, 

informatividade, aceitabilidade, situacionalidade e intertextualidade



5

EXCELÊNCIA  EM  EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

maior formada de unidades menores inter-relacionadas, formando 

um tecido de relações. A frase encaixa-se no parágrafo, o parágrafo 

no capítulo e este no contexto da obra.

 

Goodwin&Durandi em Rethinking Context (1992), dizem que 



não é possível, atualmente, apresentar-se uma definição, única e pre-

cisa, de contexto. Muitos estudiosos propõem análises baseadas no 

contexto de situações e apontam pistas que devem ser consideradas 

para se estabelecer um contexto tais como: situação, cenário, lugar, 

participantes, falante, ouvinte, fins, propósitos, resultados, sequência 

de atos, forma de atos, canal, interpretação, gêneros, entre outros. 

 

Segundo Koch (2002) a noção de contexto encerra uma jus-



taposição dos elementos constituindo duas entidades, um eventual 

focal e um campo de ação dentro do qual o evento está inserido. Por 

isso, o contexto é uma unidade linguística de âmbito maior. Assim, 

a palavra (unidade menor) se insere no contexto da frase (unidade 

maior); a frase se insere no contexto do parágrafo. Uma vez inserida 

no contexto, a palavra perde o seu caráter polissêmico, isto é, deixa de 

admitir vários significados.

 

Portanto, a ação relacionada ao contexto, a contextualização, 



abrange múltiplos significados, pois possui caráter polissêmico.

 

Assim, o sentido do texto não é um dado prévio, nem um rótu-



lo, mas algo que se constrói de forma interativa. 

 

Observa-se que o sentido de um texto não está apenas no pró-



prio texto, mas flui do contexto. Não existem textos independentes 

do contexto, todos eles têm uma intenção nítida e resultam de ações 

orientadas. Confere-se também, que a construção do texto é um pro-

cesso no qual assumem importância os procedimentos de construção 

do contexto comum partilhado.

   COESÃO E COERÊNCIA: A ARTICULAÇÃO TEXTUAL

 

A relação entre coerência e coesão tem sido, muitas vezes, com-



preendida como complementares ou interdependentes. Em nossa 

linguagem cotidiana, sem percebemos, procuramo-nos expressar de 

forma coesiva com o intuito de melhorar a expressividade do que 

enunciamos.



Unidade 05. Contextualização, coesão, coerência, intencionalidade, 

informatividade, aceitabilidade, situacionalidade e intertextualidade



6

EXCELÊNCIA  EM  EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

 

Quando não usamos um conector adequado em nossos textos, 



estamos correndo um sério risco de não transmitirmos a mensagem. 

A coesão não é o macro, o geral, mas o micro, termo de caráter espe-

cífico capaz de manter a estrutura lógica da mensagem.

 

A coesão textual caracteriza-se pelas articulações gramaticais 



existentes entre palavras, frases, orações, parágrafos e partes maiores 

de um texto, garantindo dessa maneira a unidade entre essas diversas 

partes que o compõem. Koch (2009, p. 35) afirma que:

Costumou-se designar por coesão a forma como os ele-

mentos linguísticos presentes na superfície textual se in-

terligam, se interconectam, por meio de recursos também 

linguísticos, de modo a formar um “tecido” (tessitura), uma 

unidade de nível superior à da frase, que dela se difere qua-

litativamente.

 

A coesão manifestada no nível microtextual refere-se aos mo-



dos como os componentes do universo textual, isto é, as palavras que 

ouvimos ou vemos, estão ligadas entre si dentro de uma sequência.

 

A coerência, por sua vez, é manifestada em grande parte macro-



textualmente e refere-se aos modos como os componentes do uni-

verso textual, isto é, os conceitos e as relações subjacentes ao texto de 

superfície, se unem numa configuração, de maneira reciprocamente 

acessível e relevante.

 

O conceito de coerência é: “Qualidade ou estado de ser coeren-



te, conexão, harmonia.” (AMORA, 2003, p. 52). Somente a seleção e a 

articulação de ideias, informações, argumentos e conceitos compatí-

veis entre si produzirão como resultado um texto claro. Neste caso, 

como a articulação textual promove a construção do sentido, ela é 

chamada de coerência textual. 

   COERÊNCIA: A CONSTRUÇÃO DO SENTIDO

 

A falta de coerência fica clara quando o leitor não é capaz de 



perceber de que modo as informações apresentadas em um texto se 

articulam. Há coerência tanta interna (entre as partes do texto) quan-

to externa (do texto com o ambiente social, histórico, cultural em que 


Unidade 05. Contextualização, coesão, coerência, intencionalidade, 

informatividade, aceitabilidade, situacionalidade e intertextualidade



7

EXCELÊNCIA  EM  EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

ele se insere). 



   COERÊNCIA INTERNA

 

Centra-se no redator, que precisa estar atento para que as ideias 



do texto não entrem em contradição.

 

É necessária uma inter-relação entre os parágrafos, bem como 



entre os períodos de um mesmo parágrafo.

   COERÊNCIA EXTERNA

 

Centra-se no leitor, na decodificação que faz, a partir do conhe-



cimento que tem “de mundo”, da compatibilidade entre o texto e o 

conhecimento pré-estabelecido. Muitos textos, para serem compre-

endidos em sua totalidade, exigem um determinado conhecimento 

de mundo do leitor, de determinado repertório cultural, sem o qual se 

torna impossível absorver todas as informações.

 

Problemas de coerência são, dentre outros:



•    a contradição de sentido de um vocábulo ou expressão;

•    inadequação de sentido de um vocábulo ou expressão;

•    dados ou informações “externamente” incorretas (como dizer 

que a Independência do Brasil ocorreu no século XX).



Exemplo - coerência interna/

externa 

Exemplo 1:

 

Dad Squarizi, em sua coluna 



do Estado de Minas do dia 15 de 

maio de 2005, ilustra uma incoe-

rência textual no cartaz publicitário 

do Ministério da Saúde à época.  



Unidade 05. Contextualização, coesão, coerência, intencionalidade, 

informatividade, aceitabilidade, situacionalidade e intertextualidade



8

EXCELÊNCIA  EM  EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

Segundo a autora,“Ocartazdo MinistériodaSaúdetrocou as bolas”.

  

A incoerência existente no cartaz veiculado pelo Ministério da 



Saúde se dá pela ordem de colocação dos termos: “apague esta ideia. 

É proibido fumar”.Pode-se entender que o que se deve apagar é a 

ideia da proibição de fumar. Para torná-lo coerente, as ordens dos ter-

mos devem ser alteradas para dar coerência ao texto: “Fumar: apague 

essa ideia”.

Exemplo 2:

 

A ONU apresentou hoje a primeira universidade global em linha 



e de matrícula gratuita, com a qual tratará de impulsionar o acesso à 

educação superior dos estudantes das regiões menos desenvolvidas 

do mundo. “(…) Os únicos gastos para os alunos são uma matrícula 

que varia entre os 15 e 50 dólares, dependendo do país, e 10 a 100 

dólares por cada exame.”

 

A gratuidade do acesso à universidade em linha não é compatí-



vel com a informação relativa ao montante da matrícula.

  

 A COESÃO E SEUS MECANISMOS

 

Vamos conhecer alguns mecanismos responsáveis pelo estabe-



lecimento da coesão referencial:

1.   Anáfora: é um mecanismo coesivo que retomam elementos ex-

pressos anteriormente no texto.



Exemplo:

 

“Os  governos  dos  países  de  Terceiro  Mundo  podem  mesmo 



sentir-se instáveis: a violência crescente coloca-os em cheque, pela 

ausência de ações efetivas que possam contê-la.”

 

Vemos que foram usados dois pronomes pessoais (os e la) para 



substituírem, respectivamente, os substantivos-núcleo governos e 

violência. A este recurso de retomada interna, chamam-no de anáfo-

ra.


Unidade 05. Contextualização, coesão, coerência, intencionalidade, 

informatividade, aceitabilidade, situacionalidade e intertextualidade



9

EXCELÊNCIA  EM  EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

2.   Catáfora: é um mecanismo coesivo que faz referência a ele-

mentos expressos posteriormente.



 Exemplo: 

“Não gostaria de me preocupar com isto: o horário 

da consulta.

 

Vemos que o pronome demonstrativo (isto) não retoma um ter-



mo anterior, mas anuncia, projeta a frase “o horário da consulta”. A 

este mecanismo coesivo de projeção, chamam-no de Catáfora.

 

Podemos dizer que a catáfora é um tipo de anáfora, pois esta-



belece os mesmos tipos de relação coesiva entres os termos, porém o 

termo anafórico se encontra antes do termo referente. Assim:

•    Anáfora - retoma por meio de referência um termo anterior.

•    Catáfora - termo usado para fazer referência a outro termo pos-

terior.

3.   Substituição

 

Substituição é o recurso que de um termo coesivo no lugar de 



outro(s) termo(s) do texto. Observe as palavras destacadas no texto 

abaixo:


Qual é o ar mais puro do mundo?

 

É o da 



Tasmânia

, onde até um pequeno e irritadiço marsupial 

contribui para tornar esta 

ilha Australiana

 um exemplo de preserva-

ção ambiental. 

 

Eis uma das belas vantagens de se viver longe de tudo. A 



Tas-

mânia


 é o Estado mais meridional da 

Austrália

, separado da 

terra dos 

cangurus

 por um estreito de 240 quilômetros de largura. Ao sul desta 

pequena ilha

 da borda do mundo, nada além do vasto e gelado oce-

ano que separa da Antártica. O isolamento geográfico poderia ser um 

tremendo problema para os seus 490 mil habitantes, mas eles prefe-

rem vê-lo como bênção. [...] 

BARTABURU, Xavier. Extremos. Terra, São Paulo: Ed. Peixes, ano 14, n. 

176, p. 26, dez, 2006. (fragmento).


Unidade 05. Contextualização, coesão, coerência, intencionalidade, 

informatividade, aceitabilidade, situacionalidade e intertextualidade



10

EXCELÊNCIA  EM  EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

 

No texto, o substantivo Tasmâmia é retomado pelos termos: ilha 



australiano, pequena ilha. Esses termos são utilizados como forma de 

evitar uma repetição do substantivo. O texto apresenta outro exem-

plo do mesmo procedimento coesivo. O nome próprio Austrália foi 

substituído por terra dos cangurus.



4.    Repetição ou reiteração

 

Outra forma de retomada de elementos é a repetição ou reite-



ração (retomada lexical).Nesse caso, é feito o uso de um termo com 

valor coesivo para substituir outro elemento do texto (hipônimos, hi-

perônimo, sinônimo...). 

 

Ressaltando que são palavras hipônimas aquelas que se rela-



cionam pelo sentido dentro de um conjunto, ligando-se por afinidade 

ou por um ser parte do outro. Exemplos: Banana ou laranja é hipô-

nima de fruta; Azul ou preto é hipônimo de cor; Alface ou couve é 

hipônima de verdura. 

 

hiperônimo é a palavra que apresenta um significado mais 



abrangente do que o do seu hipônimo. Por exemplo: doença é o hipe-

rônimo de gripe. Doença abrange gripe, câncer, malária, dengue, etc., 

portanto gripe é o hipônimo de doença. Assim, móvel é hiperônimo 

de mesa, cereal é o hiperônimo de arroz.

 

Observe as palavras destacadas no texto a seguir.



Temporada de orcas voadoras

 

Pobres orcas. Além de serem vítimas dos arpões de caçadores, 



recebem o desonroso 

apelido


 de 

baleias


 assassinas, a 

alcunha


 não 

se deve a uma (inexistente) fúria do 

mamífero

 contra banhistas de 

sunga, mas ao simples e natural hábito de se alimentar de cetáceos 

mais jovens. E, para ser exato, as orcas nem baleias são – pertencem à 

família dos golfinhos. (Deliphinidae).

FORONE, Priscila. Temporada de orcas voadoras. Terra, São Paulo. 

Ed. Peixes, ano 14, n.180, p.20, abr. 2007. (Fragmento).


Unidade 05. Contextualização, coesão, coerência, intencionalidade, 

informatividade, aceitabilidade, situacionalidade e intertextualidade



11

EXCELÊNCIA  EM  EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

 

No texto, o hipônimo “orcas” é retomado por meio de dois hi-



perônimos: baleias e mamíferos. Um deles – baleias--, é equivocada-

mente utilizado para fazer referências às orcas, que, como informa o 

texto, pertencem à família dos golfinhos. Outro recurso utilizado para 

reiterar um referente é a sua substituição por um termo sinônimo. No 

texto, esse procedimento é exemplificado pelo uso dos termos apeli-

do e alcunha.



5.   Contiguidade

 

O uso de termos pertencentes a um mesmo campo semântico 



resulta em um mecanismo coesivo chamado contiguidade.

 

Leia o texto abaixo para entender esse mecanismo:



Muito mais que rafting

 

À medida que o



 rio

 afunila entre os paredões cada vez mais ver-

ticais, a 

correnteza

 vai ganhando velocidade e a companhia de uma 

espuma branca

, originando pelo choque violento das 

águas


 contra as 

pedras. O bote responde de imediato ao 

turbilhão

, chacoalhando sem 

intervalos. O corpo esquenta, o coração bate mais forte. Uns trinta 

metros acima de nossas cabeças, onde termina o cânion, a selva toma 

conta. 

MEDAGLIA, Thiago. Muito mais que um rafting. Terra. São Paulo. Ed. 



Peixes, ano 14, jan.2007. p. 82. (Fragmento). 

 

Verifica-se neste estudo que para a elaboração de um bom tex-



to, é imprescindível que o autor conheça os recursos textuais neces-

sários para estabelecer as relações de sentido entre as ideias que pre-

tende expor. Todos os mecanismos coesivos aqui apresentados são 

utilizados naturalmente pelos falantes de uma língua. Agora é só uti-

lizá-los de modo consciente ao escrever e, assim, garantir a coesão e 

a coerência dos seus textos.



Unidade 05. Contextualização, coesão, coerência, intencionalidade, 

informatividade, aceitabilidade, situacionalidade e intertextualidade



12

EXCELÊNCIA  EM  EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

   INTERTEXTUALIDADE

     A produção e a recepção de um texto dependem, algumas vezes, 

do conhecimento de outros textos por parte dos interlocutores, ou 

seja,referem-se aos fatores que tornam a utilização de texto depen-

dente de um ou mais textos preexistentes. Assim, a intertextualidade 

influencia tanto a produção como a compreensão de textos.

     Confere-se que a intertextualidade acontece quando um texto 

relaciona-se com outro. Essa relação se estabelece quando o autor, 

ao escrever um texto, faz referência a outro texto, tais como os diá-

logos entre textos, alusões, citações ou referências. Convém observar 

que essas relações podem ocorrer entre textos, entre autores, entre 

estilos, entre escolas e entre linguagens e, pode ser subdividida em 

explícita e implícita.



Intertextualidade Explícita

 

No texto científico, a intertextualidade ocorre de modo explíci-



to, ou seja, o autor, quando cita outro autor, explicita no discurso re-

latado, nas citações e nas referências, resumos, resenhas e traduções.



Intertextualidade Implícita

 

Cumpre destacar que essa modalidade acontece em textos ar-



tísticos, tais como paródias, paráfrases, ironia e se torna uma forma 

de o autor escolher o seu leitor. Observa-se que o autor insere em sua 

obra citações a outras obras, mas não as explicita. A intertextualidade 

é sutil e só será percebida se o leitor tiver conhecimento dos fatos, ou 

seja, o chamado repertório.

   SITUACIONALIDADE

 

A situacionalidade refere-se ao conjunto de fatores que tornam 



um texto relevante para dada situação de comunicação, ou seja, o 

Unidade 05. Contextualização, coesão, coerência, intencionalidade, 

informatividade, aceitabilidade, situacionalidade e intertextualidade



13

EXCELÊNCIA  EM  EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

autor deve adequar seu texto à situação de comunicação, pois o texto 

precisa ser, não somente produzido, mas também, percebido como 

uma unidade significativa e coerente pelo interlocutor (co-autor). Vale 

destacar que a relação texto-situação apresenta-se em dois sentidos: 

da situação para o texto e do texto para a situação.



Intencionalidade e Aceitabilidade

 

A intencionalidade abarca todos os modos que os emissores 



usam os textos com o intuito de realizar suas intenções comunica-

tivas; a aceitabilidade abarca a disposição que o leitor apresenta em 

aceitar o texto como uma unidade significativa.

Informatividade

 

Confere-se que o texto com bom índice de informatividade deve 



atender a outro requisito: a suficiência de dados. Isso significa que o 

texto necessita apresentar todas as informações necessárias para ser 

compreendido com o sentido que o autor pretende. Não é necessário 

que o autor explicite todas as informações a que o texto pretende 

atingir, no entanto é importante que deixe inequívoco todos os dados 

necessários à sua compreensão sem os quais o leitor não conseguirá 

sozinho. 

 

Salienta-se que a informatividade refere-se à informação con-



tida no texto, esperada/não esperada, previsível/imprevisível. Desta 

feita, o texto deve ter um grau mediano de informação (dado/novo), 

pois se o grau for alto (muita informação nova), o leitor não poderá 

compreendê-lo, parecendo-lhe até mesmo incoerente. No entanto, 

se o grau for baixo (somente informação esperada, previsível), o texto 

não terá nenhuma relevância ou utilidade para o leitor.



Unidade 05. Contextualização, coesão, coerência, intencionalidade, 

informatividade, aceitabilidade, situacionalidade e intertextualidade



14

EXCELÊNCIA  EM  EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

 

Destaca-se como exemplo de filme “Os Intocáveis” (1985), de 



Brian de Palma, cujo enredo refere-se à uma tocaia armada em uma 

estação de trem por agentes federais liderados pelo legendário Elliot 

Ness para prender o contador do não menos legendário mafioso Al 

Capone.Uma senhora empurrando um carrinho de bebê assusta-se 

com os tiros e solta o carrinho que, com o bebê dentro, desce desgo-

vernado a escadaria da estação.

 

O espectador vive momentos de tensão durante essa cena, até 



que o bebê seja salvo por um dos policiais. No entanto, apenas o es-

pectador que possuir o repertório suficiente perceberá que, com essa 

cena, Brian de Palma está homenageando um dos grandes mestres 

do cinema. A cena cita uma cena de um filme do início do sec.XX – O 

encouraçado Potenkin – do russo Eisenstein. Em meio a uma correria 

provocada pela repressão policial a um motim, um carrinho de bebê 

desce desgovernado uma escadaria. Somente o espectador que co-

nhece o filme de Eisenstein reconhece a intertextualidade no filme de 

Brian de Palma.

 

Dica de Leitura: COSTA, Val. M. G. Redação e Textualidade

São Paulo:  Martins Fontes, 1991.



   REFERÊNCIAS

ABAURRE, Maria Luiza M & Maria Bernadete M. Produção de texto: 



interlocução e gêneros. São Paulo: Moderna, 2007.

AMORA, Antônio Soares. Minidicionário Soares Amora da língua 



portuguesa. 12. ed. São Paulo: Saraiva, 2003.

ANTUNES, Irandé. Aula de português: encontro e interação. São 

Paulo: Parábola Editorial, 2003.

COSTA, Val. M. G. Redação e Textualidade. São Paulo:  Martins Fon-

tes, 1991.


Unidade 05. Contextualização, coesão, coerência, intencionalidade, 

informatividade, aceitabilidade, situacionalidade e intertextualidade



15

EXCELÊNCIA  EM  EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

GOODWIN, C. & DURANDI, A. Rethinking Context. Cambridge: Cam-

bridge University Press, 1992.

KOCH, Ingedore Villaça & TRAVAGLIA, Luiz Carlos. A coerência textu-



al. 4º Edição. São Paulo : Contexto, 1992.

KOCH, Ingedore G.V. Desvendando os segredos do texto. São Paulo: 

Cortez, 2002.

________. Ingedore G. V. Introdução à linguística textual. São Paulo: 



Martins Fontes, 2009.

EXCELÊNCIA  EM  EDUCAÇÃO A  DISTÂNCIA

Baixar 305.38 Kb.

Compartilhe com seus amigos:




©bemvin.org 2020
enviar mensagem

    Página principal
Prefeitura municipal
santa catarina
Universidade federal
prefeitura municipal
pregão presencial
universidade federal
outras providências
processo seletivo
catarina prefeitura
minas gerais
secretaria municipal
CÂmara municipal
ensino fundamental
ensino médio
concurso público
catarina município
reunião ordinária
Dispõe sobre
Serviço público
câmara municipal
público federal
Processo seletivo
processo licitatório
educaçÃo universidade
seletivo simplificado
Secretaria municipal
sessão ordinária
ensino superior
Relatório técnico
Universidade estadual
Conselho municipal
técnico científico
direitos humanos
científico período
Curriculum vitae
pregão eletrônico
espírito santo
Sequência didática
Quarta feira
conselho municipal
distrito federal
prefeito municipal
língua portuguesa
nossa senhora
segunda feira
educaçÃo secretaria
Pregão presencial
recursos humanos
Terça feira
agricultura familiar
educaçÃO ciência