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III SEMINARIO INTERNACIONAL DE LOS ESPACIOS DE FRONTERA (III GEOFRONTERA)

Integración: Cooperación y Conflictos

III SEMINÁRIO INTERNACIONAL DOS ESPAÇOS DE FRONTEIRA (III GEOFRONTEIRA)

Integração: Cooperação e Conflito


EJE TEMATICO A LA QUE SE PRESENTA EL TRABAJO

6 – Fronteras, Territorios y Culturas / Fronteiras, Territórios e Culturas

TRANSFORMAÇÕES FRONTEIRIÇAS NO

OESTE DO PARANÁ (1960-2010):

A PERCEPÇÃO COMO POSSIBILIDADE DE ESTUDOS

Tarcísio Vanderlinde tarcisiovanderlinde@gmail.com

Universidade Estadual do Oeste do Paraná – PR, Brasil

SETEMBRO - 2015



Resumo: Estudo sobre as transformações fronteiriças no Oeste do Estado do Paraná – Brasil, a partir da década de 1960. A atividade foi desenvolvida sob a ótica da geografia humanística inspirando-se em reflexões realizadas pelos geógrafos Yi – Fu Tuan e Eric Dardel. Os autores procuram despertar nos pesquisadores “outros olhares” para se observar e problematizar o ambiente onde se vive. O estudo leva em conta a experiência de vida e presença do autor na região fronteiriça do Oeste do Paraná durante o perído temporal estabelecido. O período é marcado pelo final da fase “colonizatória” e o advento de grandes impactos sociambientais gerados pela modernização agrícola e pela construção da Hidrelétrica de Itaipu. O estudo contempla análises sobre estes dois eventos. Os impactos geraram processos de desterritorialização e deteriorização ambiental afetando a vida de milhares de pessoas sob o ponto de vista socioeconômico e afetivo.

Palavras-Chave: Fronteira; Percepção; Impacto; Identidade.
Perfil acadêmico do autor: Docente Associado da Universidade Estadual do Oeste do Paraná. Geógrafo com doutorado em História pela UFF(2004) e Pós-doutorado em Sociologia pela UFPR (2011). Atua nos Programas de Pós-Graduação: Sociedade, Cultura e Fronteiras; Geografia - "Espaço de Fronteira" e Desenvolvimento Rural Sustentável.

INTRODUÇÃO

O artigo contempla parte dos resultados de estudo sobre a fronteira no Oeste do Estado do Paraná – Brasil. O estudo parte da minha percepção e experiência de vida como residente na região. Pretendia iniciar o estudo tendo como referência o Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) relacionado à construção da Hidrelétrica de Itaipu. Após uma análise preliminar do documento, e, considerando as intenções que me motivaram a realizar o estudo, conclui pela inviabilidade em utilizá-lo como principal fonte. Constatei que o relatório praticamente não apresenta dados relacionados aos impactos sociais que poderiam ser causados pela represa. O RIMA foi produzido pela Fundação Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (IPARDES), e, considerada a autenticidade do mesmo, só teria aparecido ao final das obras de construção da represa1. O documento é datado do ano de 1981 e naquele momento, a construção da represa, bem como o conflito social que resultou da edificação, já estava em sua fase final.

A omissão de dados sociais e a datação do documento podem ser considerados elementos reveladores do momento político que se vivia no Brasil, e, que poderão ser ainda melhor pesquisados em estudos mais específicos. Contudo, o texto é rico em informações sobre as condições naturais e estudos técnicos sobre a região que foi afetada pelo lago. Apresenta análises sobre possíveis mudanças climáticas decorrentes da formação do lago além de outros estudos voltados à hidrogeologia, solos, geologia e geomorfologia. Apresenta ainda uma seção voltada ao uso agrícola e tipologia de agroecossistemas. Enfim, são análises voltadas prioritariamente às questões ambientais, que embora dotadas acriticidade, e, descoladas do contexto social da época, poderão servir de referenciais para estudos comparativos após mais de três décadas de existência da represa.

Além do referencial específico, considerou-se para a elaboração do estudo, reflexões anteriores desenvolvidas pelo autor. Adotou-se uma reflexão metodológica pautada no pensamento geográfico humanística, cujos representantes comparecem em sistematizações realizadas por Yi – Fu Tuan, Eric Dardel e o filósofo Maurice Merleau-Ponty. Os autores procuram despertar nos pesquisadores “outros olhares” para se observar e problematizar o ambiente onde se vive.

FRONTEIRA E PERCEPÇÃO

A emergência de cursos stricto sensu na Unioeste – PR, cujo escopo passa por estudos sobre fronteira começa a produzir frutos com uma série de publicações2. O estudo que desenvolvi leva em conta parte da produção mais recente. Em um destes estudos Eric Gustavo Cardin observa existirem formas diferenciadas de se viver a fronteira. Uma delas é a do turista que esporadicamente a atravessa. Outra é a dos moradores limítrofes capazes de desenvolver uma relação muito peculiar com o lugar em que vivem:

Existem múltiplas formas de viver na fronteira, a grande maioria delas ocorre de maneira despercebida pelos próprios moradores das regiões limítrofes. Habituados a cruzar as pontes, os rios e as ruas que separam os diferentes países vizinhos do território brasileiro, a população fronteiriça possui uma relação muito particular com a situação no qual se encontra. Diferente dos visitantes e turistas que pensam e guardam no imaginário o simbolismo de estarem em uma nação diferente da sua, os moradores locais, das ‘raias’ brasileiras têm tais sensações mais naturalizadas, inserindo as possibilidades fronteiriças cotidianamente em suas experiências e, consequentemente, na organização das estratégias necessárias para o desenvolvimento de suas práticas sociais (CARDIN, 2014, p. 43).

Em outro momento Cardin observa que seria preciso estar atento sobre a dinamicidade intrínseca às fronteiras. Dotadas de fluidez, conflitos, diferenças, as fronteiras estão em constante adaptação e formatando-se em novas situações. Erneldo Schallenberger não deixa passar despercebida a recente multiplicação de interesses voltados às pesquisas sobre fronteira. Ele lembra que além de o conceito carregar um sentido polissêmico, são os sujeitos que possibilitam e constroem seus referenciais de fronteira a partir do lugar em que se movimentam:

A multiplicação de interesses pela pesquisa acerca da temática das fronteiras tem levado muitos estudiosos a enveredar por campos de significação que conferiram ao conceito de fronteira um sentido polissêmico. A fronteira, ao mesmo tempo em que aponta para o horizonte do novo e do indefinido, sugere um limite e estabelece uma relação entre estes dois indicadores que são sempre expressão do alcance humano a partir das condições socioculturais histórica e espacialmente construídas. Os diferentes sujeitos sociais constroem seus referenciais de fronteira a partir do lugar em que se movimentam, do seu mundo de significados e símbolos e das representações que têm de si e dos outros (SCHALLENBERGER, 2014, p. 215).

No estudo, a fronteira de análise é predominantemente a partir da experiência do autor, e que leva em conta seu lugar de vida. Geograficamente, esta fronteira se localiza no Oeste do Estado do Paraná e se materializa fisicamente em relação ao Paraguai. Estende-se da cidade de Foz do Iguaçu à cidade de Guaíra. Contudo, as reflexões extrapolam o recorte geográfico estabelecido. A partir da fronteira, os olhares são dirigidos também para outras direções.

O estudo levou em conta as transformações fronteiriças no Oeste do Paraná a partir da década de 1960. Procurei desenvolver a atividade inspirado em reflexões realizadas anteriormente pelos geógrafos Yi – Fu Tuan e Eric Dardel. Como já adiantei, em seus textos, os autores procuram despertar nos pesquisadores “outros olhares” como instrumental para se observar e problematizar o ambiente onde se vive. O período considerado no estudo é marcado pelo final da fase “colonizatória” e o advento de grandes impactos sociambientais gerados pela modernização agrícola e pela construção da Hidrelétrica de Itaipu. O estudo contemplou análises sobre estes dois eventos, mas que não foram problematizados no artigo. Considere-se este artigo um texto introdutório ao assunto. Os impactos geraram processos de desterritorialização e deteriorização ambiental afetando a vida de milhares de pessoas sob o ponto de vista socioeconômico e afetivo.

Ao visitar feiras de exposições agropecuárias na região de fronteira, e que costumam se identificar como “show rural”, percebe-se que o lado obscuro do progresso que a região vive presentemente costuma ficar oculto. Não se encontra, por exemplo, um estande destinado a exames toxicológicos no intuito de detectar o nível de contaminação decorrente do uso abusivo de agrotóxicos utilizados para viabilizar os cultivos agrícolas. No entanto, sabe-se que na região costuma se utilizar em média, mais agrotóxicos do que outras áreas do Brasil3. Um dos motivos talvez seja a facilidade de se obter agrotóxico barato através do contrabando. A questão sobre o uso excessivo de agrotóxicos na agricultura do Brasil é notório e pode ser considerado um caso de segurança alimentar com sérias implicações na saúde daqueles que se envolvem mais diretamente com os cultivos. Contudo, os efeitos nefastos de alimentos contaminados acabam atingindo a maior parte da população4.

É corriqueiro ouvir que se vive hoje num mundo sem fronteiras, situação que obviamente não passa de uma construção ideológica. No ano de 2011, integrando um grupo de professores e estudantes, visitei o Deserto do Atacama no Chile. Foi um momento para sentir como a fronteira é ainda uma forte realidade, mesmo entre países onde vigoram acordos comerciais como é o caso do Brasil e da Argentina. O grupo ficou impactado com o excesso de burocracia nas passagens das alfândegas. Ficou evidente que as facilidades de circulação são para mercadorias e não para pessoas, ou pelo menos para a maioria das pessoas. No mundo supostamente globalizado, muros e barreiras físicas continuam em construção nas fronteiras para evitar o passeio de indesejáveis. É emblemática a barreira para o passeio de indesejáveis na fronteira entre o México e os Estados Unidos. Na fronteira oeste do Estado do Paraná, no Brasil, os indígenas guaranis costumam serem vistos como elementos perturbadores5.

O mundo globalizado tem liberado contingentes enormes de pessoas que não são mais requeridos pela economia. Tornaram-se pessoas redundantes. Milhares delas arriscam suas vidas tentando atravessar alguma fronteira com a esperança de encontrar mais humanidade ou melhorar seu jeito de viver. O mundo globalizado parece ter liberado a barbárie e tem se tornado menos hospitaleiro para as pessoas. Numa alusão ao pensamento de Zygmunt Bauman (1999; 2005), para as pessoas “globais”, a fronteira pode ser insignificante, mas para as pessoas “locais”, aquelas que se mobilizam pouco, ou quando se mobilizam atrapalham a economia, ela continua sendo real.

Em diversos momentos discuti com meu colega de pesquisas, o historiador Antonio Marcos Myskyw, procurando caracterizar a fronteira. Partes destas conversas foram sistematizadas posteriormente por Myskyw em dois verbetes sobre o conceito de “fronteira” no “Dicionário da Terra”. O livro foi editado pela Editora Civilização Brasileira, obra esta organizada pela historiadora Márcia Motta (2005). Diversos outros colegas do campo da geografia, e que atuam no Brasil, contribuíram na elaboração de verbetes para o dicionário.

Para conhecer e perceber a complexidade da fronteira é necessário vê-la sob diversos ângulos. Para aqueles que reconhecem-na à distância, procuram mantê-la viva e eficaz por meio da localização geográfica: Rio Paraná, Cataratas do Iguaçu, Sete Quedas e Usina Hidrelétrica de Itaipu. Há ainda aqueles que atravessam-na de forma esporádica. Para estes, a fronteira resume-se a um obstáculo a ser ultrapassado, a travessia da ponte entre Foz do Iguaçu e Ciudad del Leste ou, entre Guaíra e Ciudad del Guairá. No caso do Lago de Itaipu, a fronteira-obstáculo, se diluiu, transformou-se em fronteira de tensão, que gera topofobia e que traz medo para quem morava na antiga fronteira.

Fronteira enfim, é aquilo que cada um representa, criada por aquele que a transpõe diariamente, esporadicamente ou nunca. Refletir na, e sobre a fronteira, é levar em conta um espaço privilegiado da produção de antagonismos, mas também de laços de solidariedade, da afirmação e negação de identidades, da (re)elaboração de representações, da (re)invenção de lendas e tradições, do (des)encontro dos homens, dos conflitos e das conquistas materiais6.

Por outro lado, a fronteira não se resume às delimitações geográficas (rios, vales e montanhas), muito embora estes sejam elementos importantes a se considerar. Os limites demarcatórios entre duas regiões carregam a força da natureza política e estimulam situações e práticas de afirmação, adaptação e tensão. A fronteira pode ser considerada um agente histórico, ou como diria José de Souza Martins, um “lugar da elaboração de uma residual concepção de esperança, atravessada no milenarismo da espera do advento do tempo novo, um tempo de redenção, justiça, alegria e fartura” (MARTINS,1997, p. 11).

No caso da fronteira no Oeste do Paraná, o limite é visivelmente representado por um rio. Contudo, o rio atua também como elemento de integração e/ou separação de costumes, tradições idiomas e moedas (MYSKYW, 2005, p. 228). Como um limite territorial, a fronteira implica definir traçados, condiciona usos, constrói percepções, influencia comportamentos. Há, porém, um elemento importante a se considerar na fronteira física que se materializa no Oeste do Estado do Paraná, principalmente com o Paraguai e que deve ser aqui considerado. Além de fronteira física, ela se identifica também a partir de meados do século XX, como uma das frentes agrícolas do Brasil. Neste caso, no Oeste do Paraná, a frente ou fronteira agrícola se mesclou com a fronteira política do Brasil.

Na visão de Edison de Souza (2005), as fronteiras agrícolas cumprem uma função estratégica para a economia, mas acabam também se revelando como ambientes de conflitos sociais pela posse da terra. Ao lado da produção de gêneros alimentícios, a fronteira pode se caracterizar como válvula de escape de tensões sociais. Por outro lado, ao mesmo tempo que se caracterizam como válvulas de escape, estes territórios podem originar novos conflitos.

Os conflitos sociais pela posse da terra estão presentes na fronteira do Oeste do Paraná no tempo presente. Neste caso, as vítimas são as populações indígenas, notadamente os guaranis e os quilombolas. Mas as vítimas podem também ser pequenos agricultores, que migrando do sul do Brasil para a região, adquiriram propriedades em boa fé. Os conflitos sociais agrários contemporâneos na região da fronteira no Oeste do Paraná já estão sendo estudados por outros pesquisadores. O estudo que realizei não os ignora, mas tiveram menor ênfase nas reflexões.

O estudo pretendeu desenvolver uma reflexão sobre fronteira a partir da memória e da experiência empírica do autor e referenciais que considerou adequados para elaborar a reflexão. No estudo aproprio-me das palavras de José Lindomar C. Albuquerque (2014, p. 77) para quem estudos sobre fronteiras são pautados no simbolismo e crenças particulares, uma base que pode, contudo, nos surpreender com labirintos e armadilhas:

Os nossos estudos fronteiriços estão pautados em fortes crenças em um mundo mais igual e justo, na superação e eliminação de tantas fronteiras físicas e simbólicas. Entretanto, sabemos que nas cinzas e ruínas das fronteiras derrubadas, outras serão erguidas, dando continuidade ao movimento paradoxal da porta, aberturas e fechamentos que indicam o processo permanente da própria condição humana e suas armadilhas, seus labirintos e superações individuais e coletivas.

Por se tratar de um estudo sobre percepção, entendo ser consequente lembrar Maurice Merleau-Ponty no que tange a seus estudos sobre a fenomenologia da percepção. Para o autor, a percepção de fato não chega a ser uma ciência do mundo, ela não seria sequer um ato, uma tomada de posição deliberada; ela seria o fundo sobre o qual todos os demais atos se destacam. Sendo assim, o mundo percebido não seria um objeto sobre o qual se mantém controle. O mundo passaria a ser o “meio natural e o campo de todos os meus pensamentos e de todas as minhas percepções explícitas” (MERLEAU-PONTY, 1999, p. 6). Para Ponty, contudo, o mundo vivido, percebido, tem íntima relação com ciência, pois esta se edifica a partir do mundo vivido. Para pensar a ciência com rigor seria preciso primeiro despertar a experiência do mundo.

Tudo aquilo que sei do mundo, mesmo por ciência, eu o sei a partir de uma visão minha ou de uma experiência do mundo sem a qual os símbolos da ciência não poderiam dizer nada. Todo o universo da ciência é construído sobre o mundo vivido, e se queremos pensar a própria ciência com rigor, apreciar exatamente seu sentido e seu alcance, precisamos primeiramente despertar essa experiência do mundo da qual ela é a expressão segunda (MERLEAU-PONTY, 1999, p. 3).

Empresas associadas à agroindústria da fronteira no Oeste do Paraná costumam receber com frequência grupos de visitantes de diversas partes do Brasil e do exterior. Estes grupos são levados a admirar o progresso pelo qual passa a região e sentem-se estimulados a aprender com a experiência que podem retirar das visitas e das conversas com as pessoas7. Tuan nos alerta, que o relatório que visitantes possam fazer do lugar de visita, costumam normalmente ter um grande peso estético. “É a visão de um estranho. O estranho julga pela aparência, por algum critério formal de beleza. É preciso um esforço especial para provocar empatia em relação às vidas e valores dos habitantes” (TUAN, 2012, p. 97). Tuan, contudo não despreza a visão do visitante, capaz de perceber méritos e defeitos em um ambiente que passam despercebidos pelo residente. Mas mesmo que a apreciação de um estranho seja solidária e generosa, normalmente retrata um mundo alheio ao do residente nato (TUAN, 2012, p. 98-99).

É a partir da visão de um não estranho e na perseguição do equilíbrio em suas avaliações, que o estudo foi construído. A percepção do espaço sobre o qual a reflexão foi elaborada entra em convergência com o pensamento de Merleau-Ponty para quem as expressões que se materializam se vinculam sempre a vida total do sujeito. “A percepção do espaço não é uma classe particular de ‘estados de consciência’ ou de atos, e suas modalidades exprimem sempre a vida total do sujeito, a energia com a qual ele tende para um futuro através de seu corpo e de seu mundo” (MERLEAU-PONTY, 1999, p. 380).

Defende-se no estudo a concepção de que é possível construir uma visão de território que supere a perspectiva utilitarista do mesmo. Ao seguir uma motivação que a meu ver é eminentemente dardeliana, Michel Roux observa que habitar o território pode ser uma arte sutil, uma religião no sentido primeiro do que religa, que pede para dar sentidos aos gestos mais profanos: “A sabedoria dos primitivos, sua admiração diante da natureza, seu cuidado no uso com a terra, vem dessa maneira de decifrar o mundo, de compô-lo como um conjunto de linhas melódicas, carregadas de intensidade, das quais eles são coautores com os outros habitantes do planeta” (ROUX, 2008, p. 46). Defende-se que esta é uma maneira legítima para se problematizar o ambiente onde se vive. Contudo, o habitar poeticamente o território não deve ser confundido com uma atitude infantil de sobrevivência no território, mas numa postura que pode ser traduzida em indicativos estratégicos aos atores que habitam o território:

[...] habitar poeticamente, longe de constituir uma sobrevivência primitiva ou infantil, constitui um projeto que o modelador pode emprestar aos atores do território: cada um dentre nós tem mais oportunidades de se inscrever harmoniosamente nos seus territórios de dependência se puder respirar a aura, ou seja, inventar, criar laços para seu ambiente que, sobre o modo da unicidade, o colocam no coração do mundo, próximo, mas aberto ao distante (ROUX, 2008, p. 51).

Inicio o estudo sobre as transformações fronteiriças no Oeste do Paraná a partir dos anos de 1960 com uma perspectiva eminentemente dardeliana. Eric Dardel questionava a cientificidade como único meio de construção do conhecimento geográfico. Haveria uma relação concreta a ligar o Homem à Terra, uma geograficidade que se apresenta como modo da existência humana que precisaria ser considerada nos estudos. Seria, portanto necessário resistir ao espírito do pensador que, em nome de uma razão muito rígida e muito imperiosa costuma entorpecer a liberdade espiritual.

Para Dardel, as doutrinas contemporâneas do desespero e do absurdo, em contraste com a extraordinária habilidade técnica e científica, geraram um desencantamento do universo. Em decorrência, acabou emergindo um saber que nivela os relevos, aniquila as diferenças e apaga as cores. “Um dos dramas do mundo contemporâneo é que a Terra foi ‘desnaturada’, e o homem só pode vê-la através de suas medidas e de seus cálculos, em lugar de deixar-se decifrar sua escrita sóbria e vívida” (DARDEL, 2011, p. 96). A multiplicação de pontos de vista decorrentes de estudos sobre a Terra teria nos levado a um saber pretensioso e arrogante. Ganhou-se em extensão, perdeu-se em profundidade.

Ao discutir a contribuição francesa ao desenvolvimento da abordagem cultural na geografia, Paul Claval considera a obra de Dardel como sendo de grande originalidade. Destaca a influência intelectual de Martin Heidegger e Mircea Eliade nas formulações teóricas do autor e considera o texto principal do autor, L’Homme et La Terre ter sido escrito numa linguagem magnífica, clara, musical. Sobre a ideia central enfocada na obra por Dardel, Claval chegou a observar que: “A geografia tinha de explorar o sentido humano da presença humana na superfície da Terra. Pela primeira vez, o sentimento religioso, os mitos, a dimensão imanente ou transcendente de alhures, de onde a vida é julgada, tornaram-se centrais da análise geográfica” (CLAVAL, 2007, p. 157).

Quando discute as transformações da paisagem, Dardel defende a opinião de que há uma cumplicidade entre o Homem e a Terra, sendo que os hindus são mencionados como exemplo dessa relação. Contudo Francisco de Assis também é lembrado pela união e por um parentesco espiritual com o vento, com a água, com os pássaros, com as flores, com as abelhas. O espaço geográfico não é percebido apenas na superfície ou por uma interpretação meramente intelectual. Há uma imaginação criativa que poderia se manifestar pela experiência na interpretação do espaço, ao que Dardel indaga: “Quem tem razão aqui, a ciência que tende a reduzir o mundo a um mecanismo ou a experiência vivida que se apropria do mundo exterior ao nível do fenômeno?” (DARDEL, 2011, p. 22). Para Dardel, o conhecimento formal solitariamente seria incapaz de mensurar elos afetivos que ligam o ser humano a Terra e ao ambiente onde vive: “uma árvore ou uma vaga não podem nunca se tornar coisas ligadas ao homem por uma relação de conhecimento; são sempre seres que participam afetiva ou coletivamente, como manifestações de poder da vida esparsa em seu ambiente” (DARDEL, 2011, p.60).

É na concepção de uma “geografia heroica” defendida por Dardel que se fundamenta e inicia minhas percepções sobre o ambiente de fronteira, objeto do estudo. Na visão de Dardel, a geografia heroica envolve riscos. É aquela relacionada à busca por paraísos terrestres, ilhas lendárias, como Antilia ou Brasil, e que povoaram o imaginário no período, se identifica com a fase das grandes navegações e descobertas. Foi a época em que surgiu uma produção literária que buscou dar conta do imaginário que emergia daquele período. A Utopia de Thomas Morus, Viagens Imaginárias de Swift constituem exemplos dessa literatura8. “Não existe um povo que não tenha admitido um ‘pais da alma’, um ‘outro mundo’ a se procurar além do horizonte, e, contudo terrestre” (DARDEL, 2011, p. 75). Foi nesta época que o atual ambiente de fronteira no Oeste do Paraná passou a ser conhecido pelas expedições exploratórias europeias.

Defende-se a opinião de que a visão dardeliana constitui uma inspiração adequada para discutir os mais diversos ambientes de vida construídos pelo homem. Ele defendia a ideia de que o saber geográfico precisaria surpreender e provocar uma inquietude no ser humano, pois ela responde um interesse existencial do mesmo. Contudo, este saber exigiria o rompimento de um quadro fechado onde homens vistos como objetos passem a se sentir somo sujeitos. Sujeitos de um mundo em que a natureza já desfigurada ameaça ruir. A atualidade de Dardel é revolucionária ao propor que “É necessário [...] compreender a geografia não como um quadro fechado em que os homens se deixam observar tal como insetos de um terrário, mas como o meio pelo qual o homem realiza sua existência, enquanto a Terra é uma possibilidade essencial de seu destino” (DARDEL, 2011, p. 89).

Em muitos momentos da redação optei por manter um tratamento informal. Entendo que esta ótica se identifica mais com as experiências de percepção do autor em relação ao lugar em que viveu a maior parte de sua vida. Foi o lugar onde estabeleceu suas raízes9. O coloquial e o formal se mesclam no texto. Ao construir uma análise a partir da percepção sobre a fronteira no Oeste do Paraná, considerei a experiência já vivida por Yi-Fu Tuan (2012, p. 338), para quem “Todos os homens compartilham atitudes e perspectivas comuns, contudo a visão que cada pessoa tem do mundo é única e de nenhuma maneira é fútil”.

Numa manhã de domingo ao final do ano de 1960, eu minha mãe e uma tia que morava conosco, descíamos de charrete aranha a Serra de São Luiz no interior do município de Imaruí, litoral sul do Estado de Santa Catarina. Voltávamos de um serviço religioso no povoado de São Luis com destino a nossa propriedade que ficava numa zona rural conhecida como Três Cachoeiras. Lembro que minha mãe dialogava com a tia sobre a possibilidade de mudança daquele lugar para o Estado do Paraná. Eu prestava atenção na conversa enquanto o cavalo atrelado à aranha tinha apenas o esforço de frear o veículo na descida. Um tanto cética, em um dado momento, minha mãe observou que não acreditava na mudança. Lembro que interferi na conversa me posicionando contrariamente afirmando que a mudança aconteceria. Tinha naquele momento sete anos, e esta foi uma das falas da minha infância que lembro de forma muito clara.

Algum tempo depois, como outras pessoas daquele lugar, meu pai foi fazer o reconhecimento do lugar pretendido para a nova morada. Era um lugar conhecido como Nova Mercedes, mais tarde transformado em distrito do município de Marechal Cândido Rondon. Ao voltar, meu pai trouxe numa caixinha de fósforo, uma amostra da “terra vermelha” do Paraná. Passei meus dedos naquela terra e pintei meu rosto. Todos, naquela roda de família acharam aquilo engraçado. No mês de abril de 1961, depois de cinco dias de viagem nossa mudança chegou à Nova Mercedes.

Naquelas ondas migratórias em direção a frente agrícola que se formava no Oeste do Paraná, chegamos junto a outras tantas famílias procedentes dos Estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Ainda criança, não tinha a noção de que aquele território, na época, consistia num espaço colonial sendo construído no Oeste do Paraná, numa estratégia geopolítica nacional de ocupação de regiões fronteiriças – a marcha para o Oeste –, intermediado por empresas colonizadoras do sul do País.

A historiografia tradicional tem chamado de pioneiros aqueles anos, numa referência ao avanço das frentes agrícolas contemporâneas que foi presenciado na região Oeste do Paraná a partir dos anos de 1940 do século XX. No entanto, a vida que constrói a história já se manifestara aí bem antes, há muitos séculos, há alguns milênios talvez. Diferentemente de outros pioneiros, meu pai não veio com a intenção de se dedicar ao cultivo da terra e a criação de animais, muito embora tivesse oportunidade de fazê-lo. Meu pai veio para ser professor. Contudo para complementar o sustento da família, ele, minha mãe e nós, os filhos, à medida que íamos crescendo, “puxávamos o cabo da enxada”, numa pequena área urbana adquirida por meu pai. Ali chegamos a criar porcos, galinhas e, por muito tempo, tínhamos uma ou duas vacas de leite para consumo próprio.

Mais tarde, fiquei sabendo que, além de atrair colonos para o sertão no Oeste do Paraná, a Colonizadora Maripá também estimulou a vinda de professores para atender as crianças em idade escolar que vinham juntas com as famílias migrantes. Nossa família veio para a fronteira no Oeste do Paraná neste contexto. Apreciei muito a mudança. Parecia que havíamos chegado a um pedaço do paraíso. A situação começaria a ser abalada com os processos de tecnificação das lavouras que se intensificaram a partir do final dos anos de 1960. Mais tarde, a região sofreria novo impacto com a construção da Hidrelétrica de Itaipu.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Motivado por concepções teóricas indicadas por Eric Dardel e Yi-Fu Tuan o recorte sugeriu formas de se problematizar questões sobre a fronteira Oeste do Estado do Paraná a partir de eventos que tiveram grandes impactos na região: a modernização agrícola e a construção da Hidrelétrica de Itaipu. Os eventos aparecem problematizados em outros momentos do estudo. Leve-se em conta de o que o que foi sugerido possa ser considerado contribuição reflexiva sobre os ambientes onde se desenvolvem ações humanas.

Reconheço que em questões que envolvam percepções, a passionalidade possa estar presente em momentos do estudo. Sendo assim, é possível que uma postura com maior isenção possa ser até requerida. Neste caso, o debate que o estudo possa suscitar será bem-vindo e inevitavelmente qualificará a pesquisa. Yi-Fu Tuan já havia observado de que os sentimentos interferem quando problematizamos o lugar onde vivemos: “Mais permanentes e difíceis de expressar são sentimentos que temos para com o lugar, por ser o lar, o locus de reminiscências e o meio de se ganhar a vida” (TUAN, 2012, p. 136).

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SOUZA, Edison de. Fronteira Agrícola. In: MOTTA, Márcia Maria Menendes (org.). Dicionário da Terra. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2005.

TUAN, Yi-Fu. Topofilia: um estudo da percepção, atitudes e valores do meio ambiente. Londrina: Eduel, 2012.



VANDERLINDE, Tarcísio (Org.). Fronteiras: impactos socioambientais na terra prometida. Porto Alegre: Evangraf, 2011a.

1 As primeiras máquinas chegaram ao canteiro de obras da represa em 1974. No ano de 1982 foram fechadas as comportas. A usina começou a produzir energia elétrica em 1984 (ITAIPU BINACIONAL, 2014).

2 Destaco algumas obras recentes que abordam estudos sobre fronteiras a partir de autores que desenvolvem pesquisas na Unioeste – PR: VANDERLINDE, Tarcísio (Org.). Fronteiras: impactos socioambientais na terra prometida. Porto Alegre: Evangraf, 2011a; COLOGNESE, Sílvio Antônio; CARDIN, Eric Gustavo (Orgs.). As ciências sociais na fronteira: teorias e metodologias de pesquisa. Cascavel, PR: JB, 2014; REVISTA IDEAÇÃO. Vol.1, n. 2. Cascavel, PR: Edunioeste, 2013; SILVA, Regina Coeli Machado; SANTOS, Maria Elena Pires (orgs.). Interdisciplinaridade e fronteiras: movimentos, identidades e configurações. Cascavel: Edunioeste, 2012; FABRINI, João Edmilson; DIAS, Edson dos Santos (orgs.). Dinâmica territorial e ambiental em espaço de fronteira. Cascavel: Edunioeste, 2012.

3 Desde 2008 o Brasil é o país que mais consome agrotóxico no mundo e, só em 2010, utilizou mais de 800 milhões de litros em suas lavouras (JORNAL BRASIL DE FATO, set. 2014).

4 Pesquisa realizada pela Unicamp sobre uso de agrotóxicos entre agricultores familiares revela que a maior parte deles não toma medidas de segurança suficiente para a correta utilização dos defensivos agrícolas com algum grau de periculosidade (JORNAL O PRESENTE, ago. 2014a, p. 7).

5 De acordo com o escritório regional da Funai no municípios de Guaíra e Terra Roxa se concentram quase metade da população indígena no Oeste do Paraná. São 1,3 mil índios vivendo em cinco ocupações em Terra Roxa e oito em Guaíra. Não há terras demarcadas na região, mas um Grupo de Trabalho (GT) da Funai já produz um estudo que deve definir áreas a serem demarcadas. Não há previsão para que essas demarcações aconteçam. A reativação do GT no início de 2014 provocou reação dos produtores rurais, que alegam que vão perder grande parte do município e inviabilizar a produção local (JORNAL O PRESENTE, ago. 2014c).

6 Em estudo que destaca “Vidas, Nações e Estados nas fronteiras entre Brasil, Paraguai, Argentina”, Regina Coeli Machado e Silva discute sobre o ritual que acompanha a experiência de travessia de fronteira. Ela não apaga a fronteira clássica que separa Estados-nações apesar de conter também outros elementos e experiências íntimas: “Os rituais de atravessamentos de fronteiras, mesmo rotineiros para os que vivem cotidianamente, são processos privilegiados nos quais se pode ‘ver’ os Estados-nações nas nossas vidas, evidenciando que as margens/fronteiras não são simplesmente limites demarcadores, que estão dentro e fora de cada Estado-nação. Esses rituais da travessia nos revelam aquilo que nos toca mais intensamente: o que nos divide como cidadãos de Estados-nações diferentes – paraguaios, brasileiros e argentinos – mas também o que nos unifica, que é o direito de vida e de morte desses Estados sobre todos, experimentados potencialmente como ameaça e vividos como sentimento de perigo (SILVA, 2013, p. 17).

7 Evidentemente, grupos de visitantes heroicos em busca de modelos mais sustentáveis para lidar com o ambiente onde se vive também costumam visitar a região. O Centro de Apoio ao pequeno Agricultor (CAPA), que desenvolve políticas ambientais que se caracterizam por um menor atrito com o meio ambiente, e que tem uma de suas coordenações regionais no município de Marechal Cândido Rondon PR, costuma atender grupos de agricultores identificados com experiências sustentáveis de várias procedências do Brasil e exterior (JORNAL O PRESENTE, ago. 2014e, p.28). A experiência heroica do CAPA na fronteira do Oeste do Paraná foi problematizada em outros momentos do estudo.

8 Sobre o gosto da maravilha e do mistério, praticamente inseparável da literatura de viagens na era dos grandes descobrimentos e do imaginário edênico que motivavam estes escritos e as jornadas, consulte-se: HOLANDA, Sérgio Buarque de: Visão do paraíso: os motivos edênicos no descobrimento e colonização do Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 2010.

9 Em seus estudos sobre percepção ambiental Tuan observa que “O homem moderno conquistou a distância, mas não o tempo. Durante a sua vida, o homem agora – como no passado – somente pode estabelecer raízes profundas em uma pequena parte do mundo” (TUAN, 2012, p. 145).


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