Instrumentos financeiros José Manuel Peres Jorge & Pedro Cosme Costa Vieira Faculdade de Economia do Porto Dezembro de 2012



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Instrumentos financeiros

José Manuel Peres Jorge & Pedro Cosme Costa Vieira

Faculdade de Economia do Porto

Dezembro de 2012

As empresas, as famílias e as instituições financeiras utilizam instrumentos financeiros para se financiar, aplicar o seu dinheiro e partilhar riscos. Estes instrumentos implicam pagamentos e recebimentos em instantes de tempo diferentes, e o cálculo financeiro permite avaliar a equivalência destes fluxos financeiros. Este texto visa aplicar os conhecimentos adquiridos na disciplina a vários instrumentos financeiros como o empréstimo de recursos escassos, sejam bens ou somas em dinheiro, venda de carteiras de clientes e algumas formas de seguro.



Em cada secção consideramos exemplos tecnicamente simples mas com a capacidade de transmitir de forma clara os fundamentos de cada tipo de instrumentos financeiro. Em termos pedagógicos pretende-se que o aluno apreenda conceitos genéricos sobre os I.F. mas resistentes ao passar do tempo.

1. Empréstimo de recursos escassos: leasing, ALD e renting

Tradicionalmente, num contrato de empréstimo/endividamento (um contracto de mútuo) o credor empresta uma soma de dinheiro que o devedor usa para comprar bens ou serviços. Mas todo o credor quer, em caso de insolvência, que a massa falida dê prioridade ao seu crédito e que, mais tarde, paga juros e o principal. Então, o pagamento de volta previsto no contrato de empréstimo pode ser garantido por uma hipoteca (sobre um bem imóvel) ou um penhor (sobre um bem móvel). O problema é que nos bens móveis não sujeitos a registo, o penhor apenas pode ser materializado pela guarda pelo credor do bem o que evita o seu uso por parte do devedor. Acresce a dificuldade de as dívidas aos trabalhadores e ao Estado terem prioridade face às demais dívidas.

Outro problema dos financiamentos bancários é que a dívida entra no balanço da empresa pelo que diminui a autonomia financeira (será preciso reforçar os capitais próprios da empresa). No caso de um contrato de Leasing, ALD ou Renting, não existe endividamento indo as prestações pagas directamente à conta de Resultados.

Então, nestes contratos, uma das partes (a que vamos chamar credor/locador) cede à outra parte (a que vamos chamar devedor/locatário) o usufruto de um bem mediante o pagamento de uma renda periódica mas o bem fica sempre na propriedade do credor. No final do contrato, o devedor poderá devolver o bem ou comprá-lo pelo valor residual.



Podemos ver estes contratos como um empréstimo de uma soma de dinheiro:

  • Com um valor igual ao preço do bem,

  • Em que o bem serve como garantia no caso de insolvência do devedor.

Como o credor mantém a propriedade do bem, este tipo de contratos tem menos riscos de crédito relativamente a um empréstimo normal pelo que as condições (taxa de juro e prazo) tenderão a ser mais vantajosas para o devedor em termos de taxa de juro exigida.

Ex.1- Exemplo de Leasing. O preço de uma máquina nova é 60 mil euros. O risco da empresa aponta para que, se a máquina for adquirida através de um empréstimo bancário sem garantia, a empresa consiga financiamento para 90% do montante necessário (o resto, terão que ser capitais próprios que terão que ser remunerados a 15%/ano porque têm maior risco) a uma taxa de juro anual igual a 8%/ano amortizado em 24 trimestralidades postecipadas.







Os encargos com o contrato serão 2836,53€/trim para amortizar a dívida mais 375,83€/trim para remunerar o reforço de capital próprio (um total de 3212.36€/trim)

Vamos supor que num contrato de Leasing é possível obter o equipamento pagando inicialmente 10% do valor (que se consegue financiar a 15%/ano, 375.83€/trim), prestações trimestrais de 2265€/trim e um pagamento final de 12000€. Por a propriedade da máquina ficar no credor, consegue-se um financiamento a uma taxa de juro mais baixa (menos 2 pp).

Se compararmos as condições do Leasing (descontando os pagamentos para o presente à taxa de 8%/ano), os custos reduzem em 6.1% rever isto







Mas o Leasing também tem desvantagens para o devedor. Como o bem fica na propriedade do financiador, em caso de insolvência a massa falida está mais pequena o que, globalmente, aumenta o risco (relativamente à compra com financiamento) para todos os outros credores (e a taxa de juro que estes passam a exigir).

Ex.2 - Exemplo de Venda/Arrendamento.

Para diminuir o endividamento (no balanço) os CTT venderam um edifício por 14800 mil€ com a obrigação de o arrendar de volta por 55mil€/mês durante 50 anos.



A entidade financeira considerou que a taxa de inflação será 2%/ano, que conseguirá vender o edifício no final do contracto por 40% do preço de compra actualizado à taxa de inflação. Nestas condições, a taxa de juro implícita é de 6.22%/ano.

No Renting o credor fornece alguns serviços associados ao bem alugado, por exemplo, a manutenção e a gestão. Pode ir ao limite de ser (quase) um serviço de prestação de serviços, por exemplo, de transporte.




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